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sábado, 23 de junho de 2018

Quando as vozes de anjo.. vieram do outro lado do mundo




E o Concerto solidário do grupo de restauro do património religioso de Marvão, dado pelos Madrigals, da Kaneland High School, de Chicago, Estados Unidos da América, foi assim. Se Marvão fica mais perto do céu que as outras terras cá de baixo, nesta noite, tocou-lhe. Pouco depois escrevi assim,



Mas estava realmente sensibilizado, iluminado, e saí de lá a caminhar mais de um palmo acima do solo.

Um concerto gratuito, de borla, à pala, de mão beijada, que muitos, graças a Deus, quiseram aproveitar

Numa palavra: tocante!




Mas também poderia ser único, ou obrigado.



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Pai Nosso... TU EXISTES!

Este foi o "grito" que quiseram dar no final da música (tudo da sua cabeça):
"PAI NOSSO... TU EXISTES!"





Ontem vivi um dos dias mais felizes, nos 44 anos que tenho de vida.

Celebrou-se, na igreja da minha terra, a cerimónia do "Pai Nosso". A cerimónia dos alunos do 2º ano, entre os quais conta a minha Alice, dos quais sou catequista.

Se me tivessem dito, antes do grave acidente que sofri, e me haverá de marcar toda a existência, que viria a ser catequista um dia… mais cedo acreditava que me iria sair o Euromilhões, no qual raramente jogo. No entanto, aqui estou, ali estive, ali estava, e aquele era o sítio onde queria estar. Ora se isto não é obra de uma força que nos transcende, se não é obra do Espírito Santo, que por portas e travessas, nos coloca onde quer que estejamos, e não onde queremos estar; não serei o que poderá ser.

Por não me querer limitar a entregar um diploma, que o amigo Marcelino, nosso pároco, me providenciou; quis fazer algo diferente. Em conversa com ele, ao falar-lhe na intenção de cantar, tocar algo, fazer inédito, deixar marca (lema de vida) foi-me proposto o “Pai Nosso Galego”.



Não conhecia, mas descobri uma música lindíssima, com uma letra profunda, que cedo nos entrou, e os meus meninos logo gostaram. À viola, tive de (re)aprender quase tudo: desde a sequência das cordas, aos acordes (que tinha esquecido, na minha estranha; até para mim!, negação ao instrumento, após o acidente relacionado com ele, de fundo).

Ensaiámos muito, para que nada falhasse. Aprimorámos a letra, a forma de cantar, a posição dos (seus) corpinhos, os gestos, tudo ao maior detalhe, para que nada falhasse, e criasse a maior boa impressão possível.

Eu à viola… 7 anos depois, com este coro, esta envolvência, este ambiente e este motivo… foi algo… muito importante para mim. E espero que para eles, para todos também.


Tentámos fazer conforme a sua sugestão, cada um a cantar sozinho os seus versos, mas… naaaaaaa. Só com os 3 ao mesmo tempo, se aumentava a cadência, se acertava a métrica, se tornava tudo muito mais impactante.

Aprendemos e dissecámos, cada verso da oração que o Pai nos ensinou, e creio que ficou.

Eles sabem que o catequista é muito outsider, fora da linha, pouco escolástico, muito pragmático. Eles sabem que, para mim, e sobretudo para  o nosso senhor, a nossa força; tudo se resume a uma palavra: AMOR.

Amor por Cristo, Deus feito gente; amor pelo próximo, como se fosse por nós; e precisamente, amor a nós mesmos.

Vejo em cada um deles, um filho: a Eva, o Tiago, e claro, a Alice. Espero, sonho, que consigamos manter sempre esta ligação, ao longo da nossa vida.

A Alice Lança Sobreiro

A Eva Sofia Viegas Picado

O Tiago Batista Magro

Não quero frases feitas, decoradas, ditas sem pensar. Não quero orações repetidas ao estilo papagaio. Quero que sejam conscientes, respeitadores, amigos, que saibam ser irmãos dos próximos.

Obrigado (por tudo).

Foi, e será sempre, um prazer.


Pai Nosso galego (Junto ao mar)

[Acção de graças, Pai Nosso]


Junto ao mGar eu hoje ouvi,
Senhor, Tua vEmoz que me chamou
e me pedCiu que me entregAmasse a meus irmDãos.
Essa voz me transformou,
a minha vida ela mudou
e só penso agora, Senhor, em repetir-Te.
Pai nosso, em Ti cremos, Pai nosso, Te oferecemos,
Pai nosso, nossas mãos de irmãos (bis)
Quando vá para outros lugares
terei eu que abandonar
minha família e meus amigos por seguir-Te.
Mas eu sei que assim, um dia,
irei ensinar Tua verdade
a meus irmãos e, junto deles, repetir-Te.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Ao rei David (que vive em cada um de nós)


O meu Amigo Prof. João de Deus, que me batizou (conforme me apercebi há dias, em consulta de documentos para o sacramento do Crisma. Já não me lembrava.), convocou—me para realizar a leitura na missa de domingo, e na de quarta-feira, segundo a escala de leitores, que elaborou.

Nessa tarde, tive a sorte de conseguir realizar a proeza, de levar os meus 3 catequizandos.

Ao aperceber—me do ar de frete, quando os fui apanhar à escola, e uma ou outra birra... (Pai... aquilo é chato!!!!), falei com eles, já dentro do carro:
Amigos, eu percebo que a missa é aborrecida para vocês. É sempre igual, os crescidos repetem, repetem, e repetem... coisas que vocês não percebem. Depois comem a hóstia, que ainda vos está vedada…, mas para vós, até é engraçado! (costumam meter—se em fila, a ver quem abre, e como abre a boca)
A missa está cheia de rituais, repetições impercetíveis para quem tem 7 anos. Eu lembro—me bem, como era para mim...

Mas a missa tem coisas engraçadas. Tem lá outros meninos e meninas, tem o peditório (onde podem ajudar com os cestinhos na recolha das moedinhas, dadas pelos crentes), tem os cânticos, e a leitura de textos, do livro mais antigo de todos, escrito por tanta, tanta gente; que conta a maior, e mais linda história de sempre. Que é... isso mesmo! A Bíblia!

A leitura dela em si, vista por mim, Pedro Sobreiro, catequista, vai desde textos que parece que falam para nós, quando mais deles precisamos, a outros que... parecem não ter nada, a ver com nada. Não foi o caso de hoje, que vos peço para lerem, a seguir.

Se lhes falo num livro de histórias, muitas que foram verdade, hoje não poderíamos ter um melhor exemplo. Esta vai dar pano para mangas, e irá ser escamoteada já na próxima catequese.

O que ensina, para mim, é que quem acredita em Deus, tem sempre as costas quentes. Quem acredita no Pai, nunca está só. Quem crê, compreende tudo nesta vida, inclusivé, o que aos demais mortais parece um castigo, uma tragédia, uma maldição, como a morte, porque esse será o fim mais certo, de todos nós.

Foi investido da força do criador, cheio do Espírito Santo, que o pequeno rei David, enfrentou o gigante Golias, equipado com uma parafernália, de tudo quanto metia medo; tendo o miúdo apenas uma funda, e uma pedra na sua mão. Com a sua capacidade de acreditar no todo-poderoso, foi capaz de ir buscar forças, e coragem, para conseguir superar um obstáculo, que lhe parecia intransponível.
Porque será que esta história me soa a familiar, e biográfica?


Mais uma missa daquelas, em que parece que saímos maiores. 

E a minha leitura foi (segundo o texto sagrado, mas os meus espaçamentos, e bolds, de algo que é único, uniforme, em bloco):

 I 1 Sam 17, 32-33.37.40-51
«Com uma funda e uma pedra, David triunfou do filisteu»

Leitura do Primeiro Livro de Samuel

Naqueles dias, David foi levado à presença do rei Saul e disse-lhe: «Ninguém desanime por causa de Golias. O teu servo irá lutar contra esse filisteu».

Mas Saul respondeu-lhe: «Não podes avançar contra esse filisteu para o combateres, porque não passas dum rapazinho, ao passo que ele é homem de guerra desde a sua juventude».

David respondeu a Saul: «O Senhor, que me livrou das garras do leão e do urso, me livrará das mãos desse filisteu».

Então Saul disse a David: «Vai, e que o Senhor esteja contigo».

David tomou o seu cajado nas mãos, escolheu na torrente cinco pedras bem lisas e meteu-as no seu surrão de pastor. Depois, com a funda na mão, avançou contra o filisteu.

O filisteu foi-se aproximando pouco a pouco de David, levando à frente o seu escudeiro. Quando olhou e viu David, desprezou-o, porque era um rapaz novo; era loiro e de bela aparência. Disse então a David: «Sou porventura algum cão, para vires contra mim de pau na mão?». E amaldiçoou David em nome dos seus deuses. E acrescentou: «Vem ao meu encontro e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais do campo».

Mas David respondeu ao filisteu: «Tu vens contra mim armado de espada, lança e azagaia, e eu vou contra ti em nome do Senhor do Universo, o Deus dos exércitos de Israel, que tu desafiaste. O Senhor vai entregar-te hoje mesmo nas minhas mãos. Eu te matarei e te cortarei a cabeça e darei hoje o teu cadáver e os cadáveres dos filisteus às aves do céu e aos animais selvagens. Então saberá toda a terra que há um Deus em Israel e toda a gente há-de ver que não é pela espada ou pela lança que o Senhor concede a salvação. Porque esta guerra é do Senhor e Ele vos entregará em nossas mãos». Quando o filisteu avançou e veio ao encontro de David, também este correu velozmente contra o filisteu.

Meteu a mão no surrão, tirou uma pedra, arremessou-a com a funda e atingiu o filisteu na fronte. A pedra cravou-se-lhe na testa e ele caiu de bruços no chão. Foi assim, com uma funda e uma pedra, que David triunfou do filisteu e o feriu mortalmente, sem ter uma espada na mão. David correu para o filisteu e parou junto dele, tirou-lhe a espada da bainha e acabou de o matar, cortando-lhe a cabeça. Ao verem morto o seu herói, os filisteus puseram-se em fuga.

Palavra do Senhor.



E agora, dizes-me: ah… quem me dera acreditar, como tu.

Então agora, entramos na parte da conversão:

Tens de acreditar, a menos que sejas tonto, e isso, acho que não és. Até te considero bem esperto, ademais. Tenta perceber pela negativa que assim, certamente será mais fácil, dares a mão à palmatória.

Acreditas em Cristo, certo? Pelo menos, tens de acreditar na figura histórica. Para a humanidade ter começado a contar os anos, a partir do seu nascimento (já vai em 2018), a sua existência tem de ter sido tudo, menos invenção, não achas?

Até te posso dar de borla que não acredites em alguns episódios, mas a grande parte, teriam de ser uma grande e elaborada invenção, para serem falcatrua.

A Bíblia, o primeiro e mais importante de todos os livros, é um enorme compêndio de livros, e textos que foram encontrados ao longo dos tempos, naquela zona do globo onde nasceu cristo, escritos em diversas línguas, grego e aramaico, por exemplo. Seria preciso muita história para inventar uma tão grande, e que batesse toda certa, pontas com pontas, não concordas?



Pois se aceitas estes preceitos, já tens condições para avançar. E de que forma? Eu sei que a igreja, da forma que está montada, não inspira a maior conversão. Os escândalos constantes e frequentes, de adultos ligados a ela, que cometem crimes hediondos e inacreditáveis, deitam-na muito abaixo. E como se isto não chegasse, a forma, muitas vezes atabalhoada como são abafados pelas cúpulas, em vez de amortecerem, ajudam a querer apagar o fogo com gasolina.


Mas isto são considerações para outras conversas, que não a conversa que quero ter agora, aqui. Mais do que católico, seguidor de toda a instituição, eu sou mesmo é um seguidor da base, da fonte, e é a ela, Cristo, a quem vou beber. Sigo os pensamentos, os ensinamentos, aprendo todos os dias, e sinto-me mais ligado do que nunca aos meus irmãos, que frequentam o templo como eu, e não. Sinto-me ligado. E isso é o que é verdadeiramente importante.


Não esperes por coisas na tua vida, que te façam vê-la com outros olhos. Aprende a dar graças por tudo o que de bom, te tem acontecido nela, e se pensares bem… é tanta coisa. Tanta coisa. Tanta coisa!
Porque será que é assim? Sim, falo para ti. Porque é que nunca te correu mal ali, ou ali, quando tu já estavas mesmo a ver que iria ser muito mau. Porquê? Nunca pensaste nisso? Não teria de ser para que encontrasses um caminho, um rumo, uma forma diferente de estar, de pensar, que tens hoje, e só te favorece?


Não quero, e tu bem sabes que seria impossível, que te reconvertesses ao leres as minhas palavras, e amanhã te pudesse ver em Fátima, de terço enorme ao pescoço, de joelhos, à volta da capelinha das aparições, a chorares, cheio de fé.
Mas, por favor, e esta é uma benesse que creio que te mereço, faz uma tabula rasa na tua cabeça, e abre o teu espírito. Deixa entrar. Se não te abrires, jamais poderás dar o salto.


Eu acredito em milagres. Porque a Deus, nada é impossível.
As palavras que agora escrevo, seriam impossíveis na cabeça do meu irmão Miguel Sobreiro, naquela noite, quando numa visita a S. José, os médicos lhe arrasaram as expetativas, e o deixaram de rastos, ao avançarem prognósticos para o seu irmão Pedro, em coma induzido há mês e meio: “Nunca irá ser como era antes. Sem hipótese.”


Mas este Pedro não é um campeão. Este Pedro é um cartucho com combustão extra-terrena. Este Pedro é o Messsi, que em vez de abrir os braços e gritar SSSÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍ, SOU O MAIOR!!!!!!; sorri, levanta os braços para o céu, faz o sinal da cruz, e agradece. Humilde, quando o nosso, pensa que é o dono do mundo.

Nada do que possa conseguir na vida, se deve exclusivamente a mim. Eu tenho obrigação de corresponder, facilitar, e ajudar a que seja possível. Mas o meu motor, a minha força, o meu refúgio, é invisível, e eu vou à procura dele, sempre que possa. Nele estarão todas as respostas, num dia que espero distante.


Todo o dia que passa por mim, agradeço. Porque não era esperado. E é uma bênção.
2011 já foi há, vai fazer, se Deus assim o quiser, 7 anos.



Aqui estou. Um teu soldado. Obrigado 


Nos nosso dias, ser cristão, não é ser um maricas, um betinho, um zézinho, um palonço, um saloio, um parvinho com que os homens gozam enquanto ficam a ser macharrões, no bar, a falarem mal, a beberem, a gozarem com essas coisas das mulheres, e dos piegas.

Ser cristão é ser valente, sobretudo e acima de tudo! É ser inteligente, é ser preserverante, é ser o fiel seguidor e depositário, de toda uma linhagem de bravos.

Há cristãos, que nos nossos dias são assassinados por acreditarem. Por teimarem que acreditam, com as armas apontadas à nuca, e renegarem o não, que lhes daria a vida. Nos nossos dias, com tanta tecnologia, parece impossível, mas é verdade. Eu sou dessa equipa. Eu tenho o orgulho de jogar no cube desses seres viventes. Graças a Deus!

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Celebrando o século (de Fátima)

A cara dela diz tudo...




Porque há quem pense que pensa, e por isso ousa pensar que imagina, que o mistério de Fátima, é muito maior do que o que os outros pensam que é, o dia de hoje foi vivido em plenitude, ao comemorar-se em Marvão, o encerramento do centenário das aparições. Para isso, o nosso (extraordinário) dinamizador padre Marcelino, conseguiu reunir padroeiros de 14 comunidades, do nosso concelho (Alvarrões, Barretos, Beirã, Cabeçudos, Escusa, Galegos, Marvão, Portagem, Porto da Espada, Santo António das Areias, São Salvador da Aramenha), e ainda de Castelo de Vide, Póvoa e Meadas, e São Julião; numa ambiência, verdadeiramente singular, presidida pelo Sr. Bispo da diocese, D. Antonino Dias.


Há quem pense que Fátima não foi (só, e apenas) uma invenção de Salazar, para animar o espírito dos portugueses analfabetos, subnutridos, sequiosos de algo a que se agarrar. A ideia de que a religião… é o ópio do povo, nascida de um filósofo (Karl Marx) que sempre se movimentou, numa área diametralmente oposta à do velho ditador, foi comum aos dois.


Pois eu acho que Fátima… é um mistério. Como a vida, como a religião, como a lógica de tudo isto. Tanto pode tudo ter sido inventado, como tudo pode ter sido mesmo assim. Será que Fátima teria acontecido num mundo, como o nosso de hoje em dia? Será que a virgem estaria disposta a ser sujeita, vista, revista e aumentada, ao ser captada por um dos milhares de smartphones que por lá estariam? Daria Youtube instantâneo? Publicação em quantos murais de facebook? Instagram para os mais outsiders/gráficos?


Provavelmente… todos sabem a resposta que eu imagino. Mas se calhar, até é por isso que nunca mais houve manifestações tão óbvias.


A palavra no meu vocabulário é… respeito. Silêncio, respeito, e fé. Acreditar que possível. E respeitar.


Também já eu fui até Fátima, a pé. Fui, como eu acho que essa caminhada deve ser feita: como o nascimento, como a morte… a sós. Fui cumprindo a promessa do regresso do ultramar com vida, a quem nunca me pediu para o fazer, e já cá não estava a entre nós, já nesse então, para me agradecer. Fui. Sem estar à espera de nada. Sem aparelhos tecnológicos, sem telemóveis, sem gadgets para minorarem o passar do tempo, fui sempre a pensar. Já não sei explicar o quê, mas a verdade é que nunca me senti só.

Não quero com isto tratar com desdém, a moda das peregrinações até Fátima, que se tornou tão popular entre nós, com a rapaziada toda a aderir. Nada disso! É um convívio saudável, tem a benesse da nossa estrutura clerical, e enquanto estão ali, as pessoas não andam afastadas umas das ouras, ou em más vidas. (Dizem que) Dançam, cantam, batem palmas, são felizes, e ao serem assim, louvam Cristo, nosso irmão, que espalhou a mensagem do pai.


O mistério de Fátima, para mim, é o mistério da vida. Tal e qual. Ou se pensa que somos assim, apenas porque sim, apenas porque um espermatozoide mais cabeçudo, tanta marrada deu naquele óvulo tão fofinho, que as estava mesmo a pedir, que cresceu até ser gente; ou se acredita que isto é um quadro muito mais amplo, muito maior, e nesta praia da vida, onde somos apenas um grão de areia; há muitas variáveis que nós não vemos/dominamos.


Mas há duas Fátimas, que são dissociáveis, A interior, de que falo aqui, a que é a minha, também; e a outra, que é a que se afasta da essência da fé, e por conseguinte, de mim. Essa Fátima onde se queimam velas e dinheiro, onde as pessoas se sacrificam e sofrem, autoinfligindo-se penas duras, de joelhos; a fim de terem aquilo que não pode ser obtido assim, por troca direta; afasta-me.


Essa fé, a que é levada ao osso, a que fica em carne viva, é a que me faz pensar no mandamento  “Não farás para ti Ídolo de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra”. Porque não vale a pena. Não é por aí.


Ter fé não é fácil. Tem que se ser inteligente. Precisamente o inverso daquilo que pensam, os que pensam que são inteligentes. Há que haver observação, constatação, recolhimento, muito pensar, humildade, boa fé, comunhão. Nunca mais se está só. Deixa de se dançar sem rede no circo da vida. Passa-se a compreender e sobretudo, aceitar.



Cheios de fé estiveram os que hoje encheram o largo do Terreiro de Marvão, com todas as imagens, engalanadas por populares devotos, para brilharem neste efeito; e depois a romaria em procissão, até à igreja mãe, de Nossa Senhora da Estrela.


A fotogenia da minha mais pequena assombra-me. Vira a carinha de propósito.
Olha o Tiago... tão bom! ;)





Ali, numa cerimónia plena de simbolismo e ilusão, as crianças da catequese do concelho, enviaram para os céus, terços de balões, com cruzes onde escreveram os seus desejos para o mundo.


Bonito!

Atenção Alice que: "peÇo", não se escreve "pesso"

-TÁ BEM! Pai, eu sei!

Vai no volta, escreveu TOLDOS, em vez de Todos.

Já deve de estar a pensar na praia.

Será que Deus não descobre que estar artista era a filha do catequista?




- É para chegar a Deus, Alice… Estas cruzes têm inscritos os vossos desejos para chegarem aos céus…

- Aonde?!?!?

- A Deus…”

-(Fazendo uma grande careta) –XXXXXXXXXXXxxxxxxiiiiiii… é tão longe…



  
Hoje, quando se lançaram os balões e ficaram presos, nos fios frente à Santa Casa, disse-me: “Eu não te disse que não chegavam lá?!?!?”



Enfim, foram...


Seguiu-se a celebração eucarística ministrada pelo senhor bispo e… que homem. Que calma, que clareza, que clarividência, que simplicidade e que riqueza. Como explicou os evangelhos, como traduziu e tornou tão inteligível, aqueles textos ancestrais.



Foi mágico.


Para terminar, com a melhor chave de ouro, um concerto com o grupo Vox Angelis, alusivo a este mesmo assunto, dos avistamentos perto de Ourém, há 100 anos atrás. Pedro Miguel Nunes, o barítono diretor do coletivo Vox Angelis (2 vozes, 2 violinos, uma guitarra clássica e um violoncelo) apresentou um reportório riquíssimo, que se estendeu por cerca de hora e meia; onde interpretou excertos de obras clássicas, e diversos cânticos sacros.





Em silêncio, por vezes,  de olhos fechados, interiorizei, senti, e… envergonhei-me com o enorme ruído das conversas que ecoavam na nave central.  A coisa chegou ao ponte de, o próprio artista, ter pedido silêncio aos presentes, o que é absolutamente inenarrável.
COMÉQUÉIMPOSSÍVEL?!?!?!? Perguntava-me eu.

É que para além de brutos(as) e estúpidos(as), os(as) fazedores de barulho, foram completamente insensíveis. Por acaso não perceberam que ali estava a ocorrer uma manifestação de arte?!?!? Aquilo, para além de ter custado dinheiro (fosse a quem fosse), exigia esforço, concentração, dedicação, entrega, por parte dos artistas.

Sinceramente…

Certamente, nenhum dos prevaricadores será meu leitor, mas se for, tem o  correio institucional na barra de lado, para poder teclar-me, e dizer de sua justiça. Mas, se me permite, creio que não a tem.


Uma frase não parava de me martelar a cabeça: isto é pérolas a porcos. Salvo seja.



  
Ah! E outra nota: não fui criado em meios eruditos. Os meus pais sempre pertenceram à classe média… média. Nunca fui um cliente habitual da ópera com eles a levarem-me pela mão, mas já aprendi, na vida; que nestas manifestações culturais de nível mais erudito, não se bate palmas no final de cada trecho. Aquilo não é um baile pimba!
Bate-se no final, de tudo… tudo, ou… quando eles se meterem a jeito. A gente vê logo.


De resto, em jeito de balanço, foi uma tarde/princípio de noite muito bem passado. Adorei tudo e muito obrigado à Filipa Bicho, mãe do meu catequizando Tiago, que foi tomando conta dele, e da indomável fera Alice , enquanto eu fui ajudar no andor.


Se tudo correr como espero (e se assim não for, garanto-vos que estarei certamente contrariado), daqui a 100 anos cá estaremos, outra vez, para a comemoração dos 200 anos de Fátima!

Até lá!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Quando a vida passa por nós...


Eu sempre sonhei foi ser jornalista. Foi passar a vida a escrever, a viver do dinheiro que ganhava com as minhas palavras, a viajar, a conhecer mundo e pessoas, a conversar e descobrir o fascínio que vive dentro delas. Se me tivessem dito, quando eu ia a caminha de Lisboa, entre 91 e 95 (há 22 anos atrás?!?!?), a tirar as cartas do míster, para poder ser credenciado, que haveria de fazer carreira nas finanças, ainda por cima, no meu concelho… junto à casa de onde saí, o mais natural era ter-me atirado para debaixo de um dos muitos elétricos, que varriam as linhas na Junqueira, bem à porta do antigo palácio Burnay, frente à antiga F.I.L., que albergava o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

No entanto, tanto que estudei e trabalhei para estar onde estou hoje. Todos os dias, antes de sair do meu serviço, olho para trás, para o lugarinho onde me sento, e agradeço à providência: o ainda cá estar, e estar ali, num porto seguro, de abrigo, que me permite olhar para as minhas obrigações, económicas e familiares, com segurança.

Eu gosto muito de trabalhar onde trabalho. Sobretudo porque trabalho em contato com o público, que é a coisa que gosto realmente de fazer: relacionar-me com os demais. Depois, porque a minha área de trabalho é muito abrangente. Como eu costumo dizer, ao contrário de muitos colegas de cidades ou superfícies maiores, que têm de se especializar num imposto e só se dedicar a ele, nós ali, somos médicos de clínica geral. Temos de saber mexer em todos eles, e isso constitui um dos grandes fascínios de estar ali. Do rendimento (IRS, IRC, IVA) ao património (IMI, IMT, SELO), passando pelo sempre trabalhoso e meticuloso atendimento ao balcão, passando pela exigente tesouraria, cada dia é sempre um dia diferente. Tanto podemos ter uma manhã tranquila, onde podemos dar seguimento à calendarização de tarefas que tínhamos programada; como podemos ter uma tarde, em que nos aparece um dos muitos solicitadores da área, com um trabalho de maior monta; ou um dos muitos ingleses que ali acorrem, nem que seja para pedir ajuda a um sítio, onde podem falar inglês à vontade, que sabem que serão entendidos.

Eu sou um humanista, um cristão, e como consciente dessa minha condição, sei que trabalho para o Estado e a máquina fiscal que me paga, mas gosto sempre de dar prioridade e privilegiar o ser humano que tenho à minha frente. O Estado somos nós. Não o que tolerou o Banco Português de Negócios; a Sociedade Lusa de Negócios que extorquiu , esbanjou, chulou (todos nós); ou as artimanhas do senhor engenheiro José Sócrates, que tem preso há tanto tempo, sem uma acusação sequer formalizada, e ainda vai ter de indemnizar por isso. E é por eu ser assim, que já tive chefias que me davam o toque que “isto aqui não é a Santa Casa da Misericórdia”, embora eu, calado, tivesse sempre a minha batuta bem definida. Não facilitando, em nada favorecendo, mas desmistificando a máquina fiscal, o Estado “mau”, que não é “mau”, mas que para sobreviver, tem de ser pago por todos nós. Inclusive, nós. Só assim me poderia sentir à vontade quando há artistas que lá entram, a fim de pagarem o imposto de circulação do seu automóvel, e mandam para o ar a laracha: “vim cá dar-vos o vosso subsídio de férias”.

Assim, quem nos aparece à frente podem ser os recém-chegados do estrangeiro, um dos tantos locais que vai declarar um óbito, ou uma fatura; como alguém que vem de fora.

Estes, de que aqui falo hoje, eram de fora. Mas não eram um casal, apesar de serem homem e mulher. Pelo formato muito idêntico, pela volumetria, pela idade, pelos perfis, deveriam ser irmãos. Confirmei assim que me perguntaram, como poderiam participar o óbito do pai. Ao saber que eram de longe, sei que os tranquilizei quando lhes disse que poderiam fazê-lo aqui, como em qualquer outro serviço da Autoridade Tributária, espalhado pelo país. O pai, que era de cá, foi aqui agora enterrado, mas tinha a residência na casa alternada de um deles, e isso baralhava-os. Expliquei-lhes que o serviço responsável, era de fato, o da área onde estava averbado o domicílio, à data do óbito. Mas disse-lhes que fazendo a participação aqui, nós temos circuitos internos de comunicação, que nos permitem levar “a carta a Garcia”.

Disse que nos podíamos sentar, para estarmos mais confortáveis (o processo ainda pode levar algum tempo), mas preferiam ficar de pé. Não seria para crescer, porque eram belos exemplares da espécie humana, e já deveriam andar na casa dos largos cinquentas, mas assim preferiram.

Ali foram avançando os documentos que fui pedindo, e dando os inputs necessários para instruir a declaração. Ali, lado a lado, mano a mano, enquanto eu escrevia e fazia o trabalho dentro do balcão, em silêncio, estiveram os dois, sós, como há muito certamente não estavam. Uma situação, por certo, constrangedora. Para eles, e para mim. Participar o óbito de um progenitor, é sempre um momento de grande pesar. Pela vida que se perdeu, pela importância que teve para as suas vidas (poderem existir), e porque é um prenúncio que, o próximo fim, pela lógica da vida, poderá e deverá ser o seu.

Tenho a sorte de poder ter um pequeno rádio no serviço, a fazer-me companhia, baixinho. Na minha rádio de sempre, ouço as notícias, o tempo, e a nossa música de hoje, que quebra o gelo do silêncio, e aquece os dias.

Neste cenário, dos dois de pé ao balcão, e eu ao computador, começou a tocar esta música, verdadeiramente assombrosa.


Assombrosa porque, o Agir é um puto notável. Apesar de ser de ascendência aristocrática na música portuguesa (não é filho do Paulo de Carvalho quem quer), escolheu sempre o caminho mais difícil para assumir o seu talento, e renegou o nome do progenitor, para se afirmar num nome estrangeiro? Compõe o que canta, é músico com todas as letras (e notas), e tem um visual, que marca! Porque não se limita por preconceitos, nem por falsas ilusões. É… o que é.

Nunca tive curiosidade de arranjar e ouvir o seu disco, mas vou ouvindo por aí, e simpatizo imenso com esta postura. Isso faz com que mesmo as suas músicas que não me engracem tanto, me mereçam sempre uma segunda e uma terceira leitura. Algo que esta… dispensa. Poderosa! Poderosa em tudo. Para a abrilhantar, foi descobrir uma das vozes mais bonitas e envolventes de Portugal.

Nesse dia, estando sós (o chefe fazia o habitual trabalho de chefia, supervisão, acompanhamento, quando há mais gente), e criou-se ali um momento estranho em que parece que todos três estávamos a prestar atenção à música, no segundo ouvido. A eles, deverá ter batido de uma forma diferente, pelo momento, pelo que faziam, pelo tanto que ficou por fazer em vida.

Já eu digo, e com este momento reforcei, que a maior riqueza que há na vida, não é o ouro, os diamantes, ou as jóias. A maior riqueza que nós, seres vivos, temos, é o tempo. O tempo que ainda temos para viver. O tempo que nos resta, o que com ele fazemos. E só quando somos sobressaltados por um desaparecimento como este, ou lhe passamos a prestar verdadeira atenção, por motivo de se ver afunilado por uma doença “daquelas”, passa a ser verdadeiramente considerado.

Nós… efémeros, fortuitos, vagos, tendemos a agigantar-nos, a pensar-nos maiores que aquilo que realmente somos.

“Lembra-te que é pó, e em pó te irás tornar”, diziam eles. Não deverá isto ser um fardo pesado do destino, mas antes uma consciência que só nos pode permitir, ao pensarmos nela, viver de uma forma mais despreocupada, mais leve (embora não vaga), mais consciente, mais feliz.

A vida é uma passagem para a outra margem.

Eu até admito que possa estar enganado. Ninguém o saberá, até um dia, que todos queremos longe, sob o ponto de vista de cada um. Mas se o estiver, a minha profunda convicção que esta é uma história, muito fraca e falível, se terminar nesta vida terrena, dá-me, quanto mais não seja, um benefício da dúvida, no qual é muito mais feliz viver-se, do que quando não se acredita em nada.

(E é tudo uma questão de disposição, de abertura, de querer. A mais fácil é quando a vida se nos encarrega de ensinar o caminho, como foi no meu caso. Outra, é descendo da altivez humana de se achar vivo, dono de si, e cortar o cordão umbilical, dizendo que já que cá se está (neste mundo), não se precisa de acreditar em mais nada. Outra é lendo o(s) livro(s) sagrado(s), mergulhar na esssência de si. Ouvir-se...) 

domingo, 29 de janeiro de 2017

Eu, bem aventurado, me confesso


Porque é que me levanto a horas de ir trabalhar, quando posso ficar na cama a dormir toda a manhã, aos domingos? Porque é que saio da casa quentinha, à lareira e vou para uma fria, onde a respiração até condensa no ar? Porque é que digo que saio de lá mais cheio?

Porque me vou juntar à minha gente, que acredita como eu. Porque ali ouço palavras como as de hoje, do evangelho. Eu jogo nesta equipa. Eu também sou bem aventurado. E não é pela suposta recompensa, que cá dizem. É porque me sinto bem assim. E sou feliz. Não o podendo ser mais de outra forma.