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quinta-feira, 24 de julho de 2014

A nossa adesão oficial à comunidade EFA - É Fartar Vilanagem!

(ou será que já lá estávamos?)

Ai querem comunidade de países de língua portuguesa? Vou dizer (de memória) de Augusto Gil, a balada da neve. E aì de quem se deixar dormir ou rir...
"Batem leve, levemente;
como quem chama por mim,
Será chuva, será gente,
gente não é certamente e a chuva não bate assim, 
É talvez..."

A notícia diz assim:

Guiné Equatorial já é membro de pleno direito da CPLP
O país terá que abolir a pena de morte e promover o uso do português como língua oficial.

Comentário do vosso tio Sabi: epá… azar do c*****o! Então um gajo para entrar para a comunidade de países da língua portuguesa tem de promover o português como língua oficial?!?! C’a granda merda. Paneleirices, pá! Minhoquices… Tchhhh… Então um país é o único de Africa que tem o castelhano como língua oficial e agora tem de ser portuga a falar? Chatice… Lá que um gajo tenha de falar os idiomas fang e o Pidgin Inglês, ainda vá que não vá. Agora o português?!?!? È que não lembra a ninguém... Na ilha de Ano Bom, onde ainda se usa o chamado Fá d'Ambô, ou seja o Falar de Ano Bom, uma língua crioula de base portuguesa que mantém uma semelhança muito grande com o são-tomense falada nas ilhas vizinhas de São Tomé e Príncipe, ainda vá que não vá mas… é sempre chato. Realmente…





O presidente Teodoro deve pensar: “epá, isto de alinhar nesta cena é capaz de ser uma boa forma de entrar nos grupos dos países civilizados mas há sempre que ter cautelas. Um gajo quer limpar meia dúzia deles e começa a ter aquela maralha dos direitos humanos a chatear a molécula. Que maçada…”

A Guiné Equatorial é pequenina, tem um território pouco maior que o Alentejo, mas é o terceiro maior exportador de petróleo do continente africano! TERCEIRO! Para além disso, a cada cavadela sai dinheiro e aquela cena tem gás natural e outras riquezas escondidas no subsolo que mais parece a gruta do Ali Bábá. Sim, porque os ladrões ali são bem mais que 40 e estão à superfície.


O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo (que tem um nome lindo, como ele), está no poder há 30 anos. 30 anos. Coisa pouca. Nas últimas eleições, ganhou com mais de 90 por cento dos votos, que é como dizia o Jorge Jasus dos jogos na última temporada: “foi limpinho, limpinho”.

Na descrição que faz do país, a norte-americana CIA diz que as eleições das últimas décadas foram sempre «imperfeitas», o que é a mesma coisa que dizer que aquilo que a Al Qaeda fez às torres gémeas em Nova Iorque, foi uma maldadezinha. Se se fossem pró…

Os pouco mais de meio milhão de habitantes passam muito mal. Têm fome e se reclamam é capaz de lhes sair a taluda que os gajos do regime (armados até aos dentes) limpam almas contrariadas em linchamentos públicos que é um vê se te avias.

Mas… (e há sempre um mas), neste ano a cimeira da CPLP foi em Díli, Timor-Leste. O nosso tio Aníbal chamou o Pedroca e disse-lhe: “Olha lá, rapaz: vamos estar na casa dos nossos primos em Timor e convém não dar barraca. Isto é para passar, não achas?”.
Manda quem pode, cumpre quem deve.


Assim, através de um consenso (!!!!), a Guiné Equatorial foi aceite como um membro de pleno direito, no entanto, terá que abolir a pena de morte. O nosso tio Cavaco assobiou ao Teodoro e disse-lhe: “Olha lá, menino: tu entras com a tua canalha mas tens de te deixar dessas merdas da pena de norte, pá! Olha a tua vida…”

Fonte da delegação brasileira, questionada pela Lusa, afirmou que os Estados-membros da CPLP "decidiram incorporar" a Guiné Equatorial, não tendo havido uma votação, mas "uma formação de uma opinião geral", que envolveu um debate: "As pessoas discutem, colocam os seus problemas, as suas visões".

Comentário do vosso tio Sabi: A democracia é linda.
Um conselho aos políticos: Quando forem às reuniões, levem luvas descartáveis porque podem vir com as mãos cheias de sangue.



Esta decisão foi tomada na sessão restrita da X Cimeira da CPLP, que decorreu em Díli, Timor-Leste, na qual a Guiné Equatorial não participou.
Coisa de nível: Ir lá pra quê? Eles que telefonem.

2 links fundamentais para compreender a complexidade da besta que se segue (a pessoa que tem um mandato de captura internacional em França e um processo por corrupção nos Estados Unidos da América), no clássico Público e o extraordinário Observador, um jornal diferente (como são os jornais hoje) da net:



http://www.publico.pt/mundo/noticia/emitido-mandado-de-detencao-contra-filho-do-presidente-da-guine-equatorial--1554841~

O verdadeiro motivo porque odeio este gajo:


sábado, 15 de janeiro de 2011

Escrito nas estrelas

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O que é que esta merda quer dizer?!?!? Que já não sou Gémeos? Que já não sou imaginativo, sensível, bom comunicador, inteligente e essas tretas todas que me “venderam” só por ter nascido a 8 de Junho? Quer dizer que já não somos aquilo que diziam que éramos só porque o signo assim o determinava?

Tchhhhhh… Outra “barrela” desmacarada. Logo eu... que sempre achei que esta história dos signos era uma grande tanga.

Depois do logro da balança do equilíbrio… só nos faltava mais esta.

Já não se pode acreditar em nada…

Touro?!?!? Touro, o c*****o!


In Visão
O Zodíaco mudou. E agora? Qual é o seu signo?

Foi o assunto mais debatido na Internet ao longo de todo o dia de ontem: o calendário do zodíaco que conhecíamos até aqui está desfasado cerca de um mês. Crises de identidade à parte, há quem tenha agora de repensar as tatuagens com a figura do signo a que julgava pertencer...

11:20 Sexta feira, 14 de Jan de 2011

A notícia caiu como uma bomba entre os aficionados dos signos: Os astrónomos do Minnesota Planetarium Society, nos EUA, redifiniram o calendário do zodíaco. Na prática, quer dizer que a maioria de nós pertence ao signo anterior ao que julgava.

Se para muitos esta alteração nada representa, para outros o assunto é mais "grave": "Se o meu signo afinal é Balança, o que é que eu hei-de fazer à minha tatuagem de Escorpião", lia-se ontem no Twitter, onde esta questão foi precisamente a mais comentada do dia de quinta-feira.

A confusão foi lançada por um artigo publicado no Minneapolis Star Tribune, que explicava que os antigos astrónomos da Babilónia basearam os signos na constelação na qual o Sol se encontrava no dia do nascimento. Só que, ao longo dos milénios, a força gravitacional da Lua terá feito a Terra oscilar no seu eixo, criando um salto de um mês no alinhamento das estrelas, lê-se na entrevista de um astrónomo do Minnesota Planetarium Society ao Star Tribune.

Mas há mais: é que o artigo menciona também um 13º signo, que ficaria entre Escorpião e Sagitário, mas que vários astrónomos têm desvalorizado, dizendo que se refere a uma 13ª constelação (Ophiuchus), que teria sido posta de parte pelos babilónios, por quererem apenas 12 signos.

Para os curiosos, fica o calendário, segundo a nova perspetiva:

Capricórnio: De 20 Janeiro a 16 Fevereiro
Aquário: De 16 Fevereiro a 11 Março
Peixes: De 11 Março a 18 Abril
Carneiro: De 18 Abril a 13 Maio
Touro: De 13 Maio a 21 Junho
Gémeos: De 21 Junho a 20 Julho
Caranguejo: De 20 Julho a 10 Agosto
Leão: De 10 Agosto a 16 Setembro
Virgem: De 16 Setembro a 30 Outubro
Balança: De 30 de Outubro a 23 Novembro
Escorpião: De 23 a 29 Novembro
Serpentário (Ophiuchus): De 29 Novembro a 17 Dezembro
Sagitário: De 17 Dezembro a 20 Janeiro

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Novo acordo? Exato! Já é um fato!


Mas que raio de história é esta do acordo ortográfico? Onde? Como? Quando? De onde é que isto saiu? Assim sem mais nem menos? Não chega já a falta de açúcar nas prateleiras?

Ao tempo que eu ando para reclamar com isto… Se deixo atrasar muito mais, ainda o corrector ortográfico do meu Word se converte em “corretor”, como mandam agora as leis, e me boicota o texto. Isto é de loucos…

Para chegar onde quero tenho de começar por dizer que adoro jornais. Acho que toda a gente gosta mas eu… é uma coisa irracional. Se pudesse… comprava-os todos, lia-os todos, devorava até os artigos que não eram para ler. Mas como não tenho tempo, nem tampouco dinheiro para tanta literacia, reduzi a voragem à leitura gratuita dos diários na versão html e… claro está… o “Expresso” ao fim-de-semana. Ainda continua a ser… o tal.

E foi por o ter nesta distinta condição de excelência que fiquei, digamos que… arrepiado, para não dizer pior, quando comecei a “esbarrar” com palavras redigidas em versão simplex: “adotar” em vez de adoptar (e notem bem como o “p” dá logo outra dignidade ao gesto); “atores” em vez de actores (que sem o “c” se tornam até mais… banais); e por aí fora… “espetáculo” sem “c” que passa a valer logo menos 5 euros no ingresso;
“atuação”,
“exatos”,
“ativa”,
“fato histórico”,
“infeção”,
“ativista”,
“exatamente”,
“projeto”,
"receção",
“ato”,
“direto”,
“concessão”…

Mas que raio de merda é esta?

Eu não me quero armar aqui em xenófobo, e muito menos quero ofender os amigos que tenho (e muito estimo!) espalhados por essa lusofonia fora… mas esta história do acordo ortográfico é mesmo uma cena que só nós nos podíamos dar ao luxo de permitir. Então cabe na cabeça de alguém que nós, os portugueses de Portugal como diziam os Heróis do Mar, tenhamos inventado (bem ou mal) uma língua e agora a deixemos “transvestir” com “aparadelas” oriundas de outros povos que a utilizam sem pagar portagem?!?!? Uma idiotice pegada… Se gostam, usem. Se não… que inventem uma melhor só deles. Não é?

O quê? É uma tentativa de aproximação da oralidade? Ah… ok! Então qualquer dia estamos a escrever como os putos fazem agora nos sms: “Kmé ppl? Táss? Bora krtir 1 nva linguagem?”. Um ultraje!

Para andar com parvoeiras destas, mais valia andarmos para trás e voltarmos ao tempo em que "phoda" se escrevia assim… com “ph”. Pelo menos era mais estiloso…

Que comédia!


PS: Honra seja feita ao Sousa Tavares (sempre ele! Pés bem assentes, cabeça no lugar, convicções à prova de bala, tiro certeiro) e ao Cutileiro, que mandaram as opções editoriais às urtigas e se mantiveram fiéis ao “old-fashioned portuguese”. Homens com tomates! Cada vez mais raros…


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Obs: O Acordo Ortográfico de 1990 já está em vigor em Portugal?

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Sim. De acordo com o aviso n.º 255/2010 do Ministério dos Negócios Estrangeiros, publicado em 17 de Setembro de 2010 no
Diário da República n.º 182, I Série, pág. 4116, o Acordo Ortográfico de 1990 vigora em Portugal desde 13 de Maio de 2009, data em que foi depositado junto da República Portuguesa o instrumento de ratificação do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

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É a partir desta data, 13 de Maio de 2009, que começa a ser contado em Portugal o período de transição de 6 anos estipulado por lei, o que significa que 2015 é o prazo limite para a adopção oficial da nova ortografia. O art.º 2º da
Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, de 16 de Maio de 2008, prevê esse período de transição em Portugal, durante o qual "[...] a ortografia constante de novos actos, normas, orientações, documentos ou de bens referidos no número anterior ou que venham a ser objecto de revisão, reedição, reimpressão ou de qualquer outra forma de modificação, independentemente do seu suporte, deve conformar-se às disposições do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa".

Daqui

sábado, 4 de dezembro de 2010

O inimigo público

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Eu não sei se já viram este magnífico thriller do Tony Scott que me apanhou completamente de surpresa, quando nada dava por ele, numa tarde de “sofá surfing” há já uns anos atrás. Eu sei que o termo “electrizante” é muitas vezes utilizado em vão na promoção de filmes do género mas, acreditem, não há caso em que tenha sido mais bem empregue. É de cortar a respiração do princípio ao fim e nos deixar a pensar… muito!

Nos últimos dias, sempre que ouço falar no caso “Wikileaks” e neste rapazinho…


Lembro-me do “Enemy of the State” e da alhada em que o Will Smith se meteu, por mero acaso, e lhe fez a vida (ainda mais) negra. Então não é que a este jovem australiano lhe deu na bolha, mandado sabe-se lá por quem ou se por pura loucura, de criar um site que divulgou centenas de milhares de documentos “top secret” da diplomacia americana relacionados com temas tão “inócuos” como as guerras do Iraque e do Afeganistão? Assuntos tão “privados”, do foro tão interno como juízos de valor acerca de outros países com os quais se relacionam, alcunhas com que tratam outros líderes mundiais, planos e projectos de manipulação ficaram assim à distância de um clique e o Tio Sam (e não só… que a Portugal também tocou…) “com as cuecas na mão”.

Ouvi há dias um “testa de ferro” do “establishment” catalogar o episódio como “a mais terrível acção de espionagem contra a nossa nação em toda a história”.

Têm mau perder, estes yankees… Coisa para já terem fechado o site e instigado os cães da Interpol que por esta altura devem andar a esvoltear cada caixote de lixo dos becos deste planeta à procura do rapagão. Muito maus lençóis… Até já lhe arranjaram uma acusação por uma suposta violação na Suécia…

Não imagino como deve ter sido a vida de Julian Assange até aqui mas tenho a certeza que daqui para a frente é capaz de complicar. Se tiverem duas horinhas disponíveis… agarrem-se a esta pérola. São capazes de ficar com uma ideia mais clara do que vos digo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Blindados e... cegos!


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Este cavalheiro da foto, nosso ilustre ministro da administração interna, foi o protagonista principal do caso dos blindados da cimeira da Nato que serviu bem para espelhar o desnorte completo de quem nos governa e o estado deplorável a que chegámos como país.

E atenção que isto não é a gente a falar. É a mais pura das verdades.

De forma que o sujeito este achou que era impreterível que a PSP contasse nos seus dispositivos com 6 (logo 6!) viaturas blindadas para poder enfrentar eventuais distúrbios de maior monta durante a cimeira, e assim, garantir a total segurança das estrelas do mundo político que no passado fim-de-semana aterraram por cá.

Como o tempo era escasso, cortou-se a direito, arrepiando caminho através de um ajuste directo que teve tanto de irrazoável quanto de disparatado e até, diria mesmo, de ilegal. O país poder-lhe-ia responder: “ faz o que eu digo… não faças o que eu faço…”

O atabalhoamento e a falta de planeamento foram de tal ordem que a cimeira começou, decorreu e terminou (!!!) sem que se vislumbrasse sequer sinal dos imprescindíveis blindados. O primeiro chegou dias depois…

Isto num país em que cada cêntimo conta e sempre que faz falta mais receita não há pejo em carregar nos impostos que mais asfixiam (IVA, sobretudo para as classes mais desfavorecidas), se retiram regalias adquiridas de forma indiscriminada (reformas), se corta definitivamente nos salários já conquistados…

Uma vergonha! Uma autêntica vergonha!

Feita a asneira, ainda poderia haver alguma sensatez, alguma dignidade, um sinal de respeito pelos portugueses, que não somos propriamente parvos. Mas não! Questionado sobre o erro de casting, o Sr. Ministro foi lesto a “sacudir a água do capote” dizendo que deveria ser a PSP a explicar o assunto. É óbvio que a oportuna resposta do porta-voz da polícia não podia ter sido outra: “os blindados são para nós mas não fomos nós que decidimos a aquisição, não fomos nós que a operacionalizamos, não podemos ser nós a responder.” Elementar!
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Questionado sobre a “novela”, o ministro escusou-se a mais explicações e disse que só falaria sobre o evento onde se encontrava. Se puderem, não percam hoje em qualquer noticiário, essas hilariantes declarações onde repete umas 6 ou 7 vezes a mesma frase aos jornalistas: “só falo sobre o evento em que me encontro”, ou coisa que o valha. Parece um brinquedo da loja do chinês!

Onde é que está a responsabilização dos órgãos públicos pela delapidação do património que é de todos nós, contribuintes?

Se eu mandasse… haveriam de os pagar bem caro! Nem que fosse com trabalhos forçados!


PS: Onde se poderiam juntar aos dos submarinos que isto é transversal ao espectro político. M…. desta tanto há à esquerda como à direita!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Alá esteja convosco!


Nota introdutória: este post foi escrito antes das últimas evoluções clínicas que me levaram, de novo, à sala de operações. Já passou! Disso darei notícias em breve, quando estiver melhor. Agora não consigo. De todo… Até lá.)
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S. A. A. 16.10.2010


Estive a pensar em cenas engraçadas para fazer durante este fim-de-semana em Lisboa.

Um gajo aqui refém dos lençóis… é natural que comece a pensar em dicas fixes, sobretudo para a malta que está aborrecida na capital durante a cimeira da NATO, num fim-de-semana em que parece que o mundo inteiro se mudou para ali.

Só o Obama parece que traz 900 black panthers na comitiva para o acompanhar. 900?!?! Dass…

Uma brincadeira engraçada deve ser um gajo disfarçar-se de Bin Laden e tentar ultrapassar o maior número de bloqueios policiais possíveis. Uma cena ao estilo olímpico: “1.000 metros barreiras terroristas”. É óbvio que não podia sair logo assim vestido de casa. O mais certo era ser caçado no metro. Mas o disfarce cabe numa mochila qualquer, por mais pequena que seja. Um lençol creme para fazer de túnica, umas barbas piratas do Carnaval, um turbante a euro e meio do Martim Moniz, tudo bem embrulhadinho… cabia. Depois… quando no Parque das Nações, era só baixar-se junto a um carro qualquer (o tempo das cabines telefónicas do Super-Homem já lá vai), mudar-se num instante e depois… dar corda aos sapatos! O mais certo era ser baleado por um tótó qualquer com menos sentido de humor mas lá está… é o que eu chamo um dano colateral. Viver sem risco deve ser bem mais triste. Ainda assim, podia ser que a bala não atingisse um órgão vital e sempre dava para brincar mais noutras vezes.

Outra cena engraçada era um tipo envolver o tronco nú num cinto feito à base de tonners velhos, daqueles pretos e cilíndricos, todos unidos por fita cola, com uma cordinha vermelha na ponta, a fazer de bombas. Vestir só um gabardine castanha, calçar umas botas pretas (de preferência de bico e com um fecho de lado), meter uns Raybantes da loja dos 300, e dirigir-se à primeira barreira policial. Lá chegado, era só abrir a dita cuja e começar a gritar coisas estranhas em árabe inventado do tipo : “Aselekamum ma há le braleli Alá, malekam, masiriritem Alá… (convém sempre repetir Alás com fartura e se se disser Bin Laden pelo meio, deve ser a arraia total). Claro que depois disto, de uma carga de porrada, pelo menos, ninguém se livrava mas para a malta que deve de estar fartinha de passar os fins-de-semana a cirandar nos centros comerciais sempre é uma coisa diferente.

Depois há outros cenários mais elaborados, também com muita pinta, mas mais arriscados e dispendiosos. Um gajo comprar um presente da empresa “A vida é bela”, dos que dão direito a um salto de pára-quedas a ser feito nesse dia na zona de Lisboa e mandar-se da avioneta quando sobrevoasse o Pavilhão Atlântico a muitos mil pés de altura, com uma bandeira verde com dizeres arábicos, é aventura de alto gabarito.

Um chaço todo escavacado com música árabe em altos berros rebolando a alta velocidade contras barreiras também deve ser coisa de meter graça. Se mais amigos alinhassem, até podiam tentar a invasão por diversas avenidas. Ganhava quem derrubasse mais.

Um helicóptero de miniatura telecomandado, ornamentado com uma bandeira do Afeganistão a fazer raides à porta da FIL… (esta é do meu primo Carlos… bem esgalhada!)

Enfim… são ideias… outras mais engraçadas haverá eventualmente. Era uma questão de puxar pela cabeça.

Pelo menos ia ser divertido de ver nas notícias e não se magoava ninguém a não ser (talvez) os próprios. É que eu estou tão fartinho dos mesmos telejornais… todos tão iguais em todos os canais… sempre a falar na crise…

Pedro Sobreiro


37 anos

Acamado há 4 semanas e já com óbvios sinais de aborrecimento (a insanidade já era anterior à hérnia. Não tem nada a ver.)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

De olhos em bico…

(Montagem original. Agradecem-se créditos e eventuais donativos)



Quando andava no Liceu havia por lá um professor, um tal de Filomeno, que era o terror da rapaziada da área das matemáticas, coisa que a mim, menino das letras, pouco me afligia. Pelo que me consigo recordar dos relatos assustados nos intervalos, o homem tinha o prazer macabro de tornar ininteligível o que já por si era complicado. Coisa com requintes de malvadez. De aspecto era um sujeito estranho: roupa de há 2 décadas atrás, óculos pretos de massa em forma de dois televisores acoplados, cabelo às ondinhas, tudo isto composto num andar apressado e de esguelha que lhe davam um ar ainda mais “fora”. Tinha a fama de dizimar as expectativas das turmas em relação à disciplina. À excepção de dois ou três carolas que de tanto perceberem, brincavam com a coisa, toda a restante turma dali saia com a viola no saco e o chumbo certo cravado no centro do rabo. O Sr. Filomeno este seria portanto a antítese do que deveria ser. Complicava onde deveria clarificar e nessa medida, mesmo sem o conhecer, a ele ou à sua arte, arrisco-me a dizer que poderia ser muita coisa boa na vida mas professor não, certamente.

Serve esta longa introdução para dizer que me recordo muitas vezes do Filomeno quando ouço na televisão os especialistas em economia a explicarem a actual situação para a enorme massa encarneirada de espectadores na qual obviamente me incluo (embora numa ala moderadamente esclarecida). Para a grande generalidade dos portugueses, a lógica financeira é incompreensível. Os défices, os pibs, os spreads, a inflacção, os ratings são jargões que não passam disso mesmo, palavrões sem expressão concreta na sua vida real. O que eles querem saber é se a garrafinha de Ucal morninha, aquecida na máquina do café e acompanhada por meia torrada comida à pressa no caminho para o serviço paga mais ou menos IVA.

Eu posso não perceber a economia mas esforço-me. Mesmo que me custe entrar, eu quero saber e para isso tenho uma estratégia que defini para a minha vida há muitos anos, baseada no jogo do Mikado: se a coisa é complexa, tento simplificá-la, passo a passo, desmontá-la, puxá-la para a realidade, subtraindo-lhe a abstracção e fazendo-a real. Foi assim que aprendi as fracções que hoje tanta falta me fazem no meu dia-a-dia nas Finanças.

Tudo isto a propósito da visita a Portugal daquele que a revista Forbes cataloga como o homem mais poderoso do mundo: Hu Jintao, o presidente chinês. Sabem porventura o que é que o senhor este veio fazer ao solo luso? Veio acordar a compra de parte da dívida pública portuguesa.

Como?

Isso!

O Zé deve na taberna da esquina as paletes de minis que emborca durante o dia para esquecer o desemprego, a fome e a falta de tudo e mais alguma coisa. O China decidiu chegar-se à frente e comprou esse calote. O que é que significa isto? Em primeira instância, que passou a ser ele o credor. Numa análise mais profunda, significa que de alguma forma, se “assenhoriou”, no mais feudalista sentido do termo, do outro. A técnica é antiga e comum em esquemas mafiosos. Quem conhece o modus operandi deste tipo de organizações sabe do que falo.

É claro que a grande maioria dos nossos políticos e dos nossos governantes, que não passam de uma corja de ignorantes e interesseiros que só pensam em safar-se a eles e aos amigos, viram isto com os melhores olhos: “o que é que nós achamos disto? Que é belíssimo! Se os chineses compram a dívida é porque acreditam em nós, é porque nos vêem como cumpridores e acham que um dia vamos pagar. Para Portugal é uma segurança!”

Pois é… Está bem, abelha.... Mas… e quando chegar a hora de cobrar? E se porventura não conseguirmos pagar? Se a dívida é galopante e cresce de dia para dia, se o governo continua refém dos mega-projectos que favorecem quem lá o meteu… como é que vai ser quando forem horas de fazer contas? Responderão os nossos recursos endógenos, o nosso próprio país por estes erros irreparáveis?

Acontece que a China não é propriamente a Suíça ou a Bélgica e os tibetanos sabem-no bem, coitadinhos, tão fartinhos que estão de apanhar naqueles totiços carecas. Direitos humanos e diplomacia não são bem o forte dos chineses. Para além desta maquiavélica manobra financeira, há outras frentes de ataque que convém não descurar. Não sei se já repararam (a menos que andem por aí a circular de olhos vendados) mas eles estão em todo o lado. Não há lugarejo onde não tenham uma venda. Compram tudo o que vaga, quase sempre em dinheiro vivo (claro!) e esticam-se até não poderem mais. A sua extraordinária capacidade de trabalho (24h/7 dias por semana… se eles vivem na barraca, por Deus!) e a velocidade a que se multiplicam vão-se encarregar de fazer o resto. Chama-se isto uma invasão silenciosa.

Há umas décadas atrás, os franceses, embuídos daquele espírito altruísta da revolução, decidiram abrir os bracinhos e deixaram ir a eles as criancinhas, sobretudo das ex-colónias africanas. Hoje, barricados e atacados nas suas próprias entranhas, sufocam nos erros do passado. Há dias, a Sra. Merkel, lá teve de bater o pé e dizer que o multiculturalismo era muito bonito mas era melhor mudar o baile: quem quer estar tem de se adaptar e respeitar a ordem estabelecida.

Lá vem mais uma vez o “método de simplificação sabística” (ou seja, o meu): cá em casa somos 4. Eu já vou mandando pouco (com 3 mulheres… não é fácil) mas a coisa leva-se. Se alugarmos um quarto a um casal de ucranianos com dois filhos, o sótão a um casal de russos e a garagem a duas lésbicas finlandesas… quem é que manda à noite no comando da televisão quando nos sentarmos na sala a fazer serão?

Tudo isto é muito bonito. Só tenho medo é que possa complicar…

PS1: Um apontamento final para o obsceno jantar organizado em nome do nosso ilustre convidado chinês. Obsceno. Obsceno é o termo. Eu sei que a diplomacia não pode parar mas uma gala daquelas, com tanto luxo, tanta faiança, tanta cagança, tanto salamaleque, tanto esbanjamento, tanto desperdício quando TANTOS passam sem ter nada para comer… é VERGONHOSO!

Bem o podiam ter levado ao restaurante chinês da esquina. Acho que a sopa de algas está em promoção.


Ps2: Tinha eu acabado de escrever isto quando dou com este genial cartoon do sempre genial Henrique Monteiro cujo blogue aconselho vivamente. Está tudo aqui, em 3 vinhetas apenas. Um mestre!



(Clicar para ampliar)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sepike inglixe?

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Se aos menos fosses tão bom Primeiro-Ministro como falante de inglês…

Estávamos safos!

domingo, 19 de setembro de 2010

Aiiiiii o raio do franciú!


Sabem o que é que o Sarkozy arranjou com esta cena de expulsar os lelos romenos?

De agora em diante, quando quiser andar com camisinhas da Jáfoste, botas da Timberband, pólos da Byurbery ou óculos da Raibantes, vai ter de os pagar e bem caros!

E acabaram-se as noites enroscadinho no sofá com a Bruni, a verem os últimos êxitos da 7ª arte gravadinhos directamente da sala de cinema com uma câmara de filmar. O chefe da comunidade gitana já disse que acabaram-se as ofertas de cópias mafiadas, em que se vêem os gajos a passar à frente da tela e se ouve o bacano a tossir ao lado mas que aparecem na banca logo no dia a seguir à estreia.

É o que dá quando um gajo age antes de pensar…

sábado, 1 de maio de 2010

Luxo e Megalomania (no Portugal dos Pequenitos...)


Diz quem sabe (e já ninguém duvida!), que o nosso Portugal está à beira de ficar grego.

O cataclismo helénico irá dará lugar à tragédia portuguesa com previsível naturalidade.

Perante a desgraça, até o sempre seguro Sócrates vacila e assina, após reunião e declaração conjunta com o líder da oposição, a sua morte política. Passos está agora mais certo do que nunca que será o homem que se segue e recebe resignado o “menino” nos braços.

Vejo nas notícias que o mais certo é irem-nos ao bolso. Seja no aumento do IVA ou no não pagamento do 13º mês (que as férias estão muito em cima para que seja esse o primeiro subsídio a marchar) já ninguém duvida que vamos ser nós a pagar a factura.

Nesse mesmo noticiário, assisto aos detalhes obscenos da visita de Bento XVI a Portugal. Luxo e megalomania. Nos cenários, nos vestimentas, nos adereços… Falam, por exemplo, num microfone banhado a folha de ouro. Um microfone que irá ser usado, segundo estimam, durante 30 segundos!

E eu pergunto-me: “É este homem o líder da Igreja Católica, a mesma que se diz de um Cristo, suposto filho de Deus, nascido numa manjedoura para dar ao mundo uma lição de humildade?”.

Ou muita coisa se perdeu ao longo desta história ou eu não vi os episódios todos mas que há algo que me parece cheirar muito mal… lá isso há.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Pessoal, eu já venho… reparei agora que se me acabaram as bananas….

Todos ao Lidl de Portalegre!


Espanha: 100 quilos de cocaína escondidos nas caixas de bananas do Lidl
Ionline. Publicado em 03 de Janeiro de 2010

A polícia espanhola está a investigar a origem e o destino de cerca de 100 quilos de cocaína encontrados ontem dentro de várias caixas de bananas que estavam a ser vendidas em vários supermercados da cadeia Lidl em Madrid, Cáceres e Plasencia.

A descoberta foi feita por um funcionário de um supermercado, que ao vazar uma caixa de bananas na banca, encontrou um pacote de droga no meio da fruta. Os responsáveis da loja chamaram de imediato a polícia.

As autoridades encontraram vários volumes de droga, que veio a comprovar-se ser cocaína, em diferentes caixas de bananas que tinham chegado do supermercado Mercamadrid e descobriu que havia mais em outras lojas do Lidl em Madrid, Cáceres e Plasencia.

De acordo com a agência Efe, as primeiras investigações indicam que o Lidl não tem nada a ver com a droga encontrada. Poderá antes tratar-se de um erro de um gang de distribuição da droga, que não terá tido tempo de retirar a droga escondida em caixas bananas antes de estas serem distribuídas na rede de supermercados.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Jib Jab 2009

O video do site Jib Jab sobre 2009 é... genial e imperdível!


domingo, 27 de dezembro de 2009

Balanços

Chegados ao final de mais um ano e de uma década, não faltarão os balanços de toda a espécie.

Alguns deles, para além de obrigatórios, são gratuitos. O Tio Sabi recomenda a selecção das fotos que contam a história de 2009, no site do Expresso (os meses serão adicionados na íntegra até 31 de Dezembro)…
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e a história da década em 100 fotografias pela agência Reuters, no site do Público.

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De coleccionador é também a “Visão” da semana passada, inteiramente dedicada à última década num trabalho de fundo e de grande rigor e espectacularidade.
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Na próxima quinta-feira será a vez do Expresso fazer o seu apanhado dos anos 00. É de reservar já no dealer habitual sem pensar duas vezes.

Quem é amigo, quem é?

Vendo o mundo de binóculos do Alto de Marvão. Informação, cultura e variedades desde 2007.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Guerra e Paz (além de Tolstoi...)



O Nobel da Paz foi ontem entregue a um homem (e se eu admiro esse homem…) que ainda há dias mandou, enquanto responsável máximo pelas Forças Armadas do seu país, mais 30.000 soldados para a guerra, dispostos a matar ou morrer.

Sem entrarmos no campo dos motivos que legitimaram esse acto, que são muito discutíveis e só por eles já davam “pano para mangas”, a situação não deixa de ser irónica...

Já estou a imaginar a pergunta num concurso qualquer de cultura geral do horário nobre da televisão de um planeta perdido noutra galáxia: “Diga em que planeta, o Nobel da Paz mandou 30.000 soldados direitinhos para a guerra nos dias antes da cerimónia de entrega…”.
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Gargalhada geral nos concorrentes e na plateia. Todos em coro: “Cenas dessas… só na Terra! Aqueles terráqueos são loucos!”.

domingo, 6 de dezembro de 2009

E o clima? Olha... que se f...



Prostitutas dinamarquesas oferecem sexo grátis durante cimeira em protesto contra desincentivo camarário

Copenhaga, 05 Dez (Lusa) - Prostitutas dinamarquesas anunciaram hoje que vão oferecer "sexo grátis" aos participantes na cimeira da ONU sobre alterações climáticas, em Copenhaga, em protesto contra a atitude da câmara local de desincentivar o recurso ao sexo pago por parte dos conferencistas.

A informação foi avançada pelo jornal "The Copenhagen Post", que escreve que a autarquia local apelou a uma centena de hotéis da cidade para que não facilitem o encontro entre hóspedes e prostitutas, tendo ainda, em parceria com as entidades não-governamentais, distribuído panfletos em que se pode ler: "Seja responsável. Não compre sexo".
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A iniciativa autárquica não agradou a uma associação que defende os direitos das trabalhadoras de sexo dinamarquesas.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um adeus ao passado



Há filmes que são maiores do que a vida porque nos conseguem transmitir em pouco mais de hora e meia, aquilo que muito provavelmente levaria anos a explicar.

Se eu mandasse na nossa televisão, nesta noite, passados 20 anos da queda do muro, era este o filme que eu passava em todos os canais ao mesmo tempo.

São duas horas que valem por dias de documentários.

E foi tão bom revê-lo…

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A mudança… (na qual podemos acreditar)


E sim… ele conseguiu.

Houve momentos em que temi que pudesse não ser assim. Os Estados Unidos da América são uma extensão gigantesca de território, um caldeirão de raças e credos com formas de ser e de pensar muito díspares mas muitos dos seus habitantes, sobretudo de áreas do interior profundo, estão ainda muito limitados por convicções do passado. De forma que sempre receei que esta mudança radical pudesse não se concretizar por esse receio de corte abrupto com a tradição.

Hoje já ninguém duvida que Obama é especial. Não conheço a fundo o seu programa eleitoral nem nunca li qualquer um dos dois livros que escreveu. Conheço as políticas que defende pelo que vi, ouvi ou li na comunicação social e o que sei da sua vida soube-o pela brilhante banda-desenhada que foi lançada nos States no calor da campanha e distribuída em Portugal pela Visão. Foi aí que descobri que é filho de um economista queniano e de uma antropóloga americana, que nasceu no Havai, onde foi criado pelos avós maternos e que viveu também na Indonésia, após o segundo casamento da mãe, o que o ajudou a compreender melhor o mundo como um todo.

Graduou-se com louvor em Harvard, foi professor de Direito Constitucional e mais tarde licenciou-se em Ciência Política. Apesar de se mover nas altas esferas das mais prestigiadas firmas de advogados de Chicago, nunca deixou de olhar pelos mais pobres e desfavorecidos, realizando trabalho comunitário de proximidade e defendendo os direitos civis dos que nada têm.

Obama é um desalinhado, um homem que não renega as suas raízes, que saiu do nada, que não teve problemas de confessar que andou por maus caminhos e esteve perigosamente próximo do álcool e da droga. Em 2000 não conseguiu um lugar como delegado na Convenção Democrática de Los Angeles. Foi barrado à porta e viu-se obrigado a assistir os discursos pelos televisores do Staples Center. Quatro anos depois foi convidado a fazer o discurso principal na Convenção para a nomeação de John Kerry e em 17 minutos passou de desconhecido candidato a senador do Illinois a estrela mediática. 8 anos depois venceu as eleições e faz história ao ser o primeiro afro-americano a chegar à Casa Branca, com apenas 47 anos.

Os seus discursos arrebatadores e quase proféticos apaziguam qualquer um por dentro e há nele uma fé, uma confiança, um “à vontade”, uma sinceridade e uma honestidade que nos tranquilizam. Eu acredito e por esta altura, milhões de americanos também. Eu não sei, mas dá-me sempre a sensação que podia ficar ali a ouvi-lo a vida inteira. Tudo aquilo faz sentido e acabamos sempre por ficar com vontade de fazer algo mais, de sermos pessoas melhores.

A serenidade com que fala, caminha e vive, prova que é feito da massa do grandes líderes como Kennedy ou Luther King. Oxalá não tenha um fim semelhante. A sua forma de estar, de tão pacífica e visionária torna-se perigosa para os grandes grupos de tubarões que controlam a economia e a sociedade e se sentem assim ameaçados. No espaço de um mês foram já identificadas três tentativas de assassinato. Essa é uma das duras realidades com que vai ter de aprender a lidar.

Aquela de dizer que sabe que não vai ser um presidente perfeito mas que vai sempre dizer a verdade e aquilo em que acredita, tem porras. É preciso muita coragem e muita audácia política para poder descer àquele patamar.

E depois, tudo isto só é possível na América e prova, de facto, que o sonho ainda vive: em quarenta anos, os negros passaram dos bancos de trás dos autocarros e das áreas descriminadas nos restaurantes, de um tratamento ao nível da condição de animais inferiores, para a cadeira mais poderosa da nação.

Eu compreendo a emoção e as lágrimas do Reverendo Jesse Jackson ontem na plateia de Chicago. Ele viveu o suficiente para ter visto todo o duro caminho que se teve de trilhar até aquele cimo de monte, um percurso escrito com sangue e dor, com sofrimento e luta, com o esforço de gerações. O discurso da vitória é absolutamente notável e um marco histórico incontornável.

Porque este é um momento de viragem, não só para a América, mas para todo o mundo. Acredito de facto que hoje vivemos num planeta mais pacífico. Barak é pai de duas meninas e fala em daqui a 100 anos, uma perspectiva bem diferente da do seu antecessor que parecia meter o dinheiro e o petróleo à frente de qualquer outro valor e que parecia viver para o minuto. Novos tempos se avizinham. Esperança…

A América ganhou um novo Presidente e eu um novo herói. Como todos os outros, espero que me sirva de modelo, luz e guia.

Que Deus o proteja. Ele vai certamente precisar e nós já precisamos tanto dele.
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Nota: Porque acredito que estamos perante uma nova linguagem, um novo espírito, uma nova forma de estar na política com a qual me identifico profundamente, não resisti a traduzir três momentos do discurso de vitória proferido ontem em Chicago:

“Eu vou ouvir-vos. Sobretudo quando estivermos em desacordo.”

“A todos os americanos cujo apoio tenho ainda de conquistar: posso não ter ganho o vosso voto, mas ouço as vossas vozes, preciso da vossa ajuda e serei o vosso Presidente também.”

“Esta eleição teve muitos estreantes e muitas histórias que vão ser contadas por gerações. Mas há uma que está bem clara hoje na minha mente e é sobre uma mulher que votou em Atlanta. Ela é muito parecida com milhões de outras que esperaram na fila para fazerem ouvir a sua voz nesta votação, apenas com uma diferença: Ann Nixon Cooper tem 106 anos de idade.


Ela nasceu uma geração depois da escravatura, tempos em que não existiam carros nas estradas ou aviões no céu; quando alguém como ela não podia votar por duas razões: por ser mulher e pela cor da sua pele.

E hoje, penso acerca de tudo aquilo que ela viu durante este século na América: o desgosto e a esperança; a luta e o progresso; os tempos em que nos diziam que não podíamos, e as pessoas que pressionavam com uma crença americana: Sim, podemos.

Nesses tempos em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças se dissipavam, ela viveu para vê-las erguerem-se, falarem e pegarem no boletim de voto: Sim, podemos.

Quando havia desespero e depressão por todo o território, ela viu uma nação conquistar o medo com o “New Deal”, novos empregos e um novo sentido de objectivos comuns: Sim, podemos.

Quando as bombas cairam no nosso porto e a tirania ameaçou o mundo, ela estava lá para testemunhar a ascenção de uma geração à excelência e à salvação da democracia: Sim, podemos.

Ela estava lá pelos autocarros de Montgomery, pelas mangueiras de Birmingham, pela Ponte de Selma, e por um pregador de Atlanta que disse às pessoas que “nos devemos superar”: Sim, podemos.

Um homem pisou a lua, um muro caiu em Berlim, o mundo ligou-se pela nossa ciência e imaginação. E neste ano, nesta eleição, ele tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque 106 anos depois, passados os melhores tempos e horas mais escuras, ela sabe como a América pode mudar: Sim, podemos.

America, nós chegámos tão longe. Nós vimos tanto. Mas há tanto mais para fazer. Nesta noite, vamos perguntar-nos: se os nossos filhos vivessem para ver o próximo século, se as minhas filhas fossem tão sortudas e vivessem tantos anos quanto a Ann Nixon Cooper, que mudanças iriam elas ver? Que progressos teríamos alcançado?

Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo: de colocarmos as nossas gentes de volta ao trabalho e de abrirmos as portas da oportunidade aos nossos filhos; de restaurarmos a prosperidade e promovermos a causa da paz; de reclamarmos o sonho americano e reafirmarmos a verdade fundamental – que de muitos, somos um; que enquanto respirarmos, teremos esperança; e quando nos confrontarmos com o cinismo e a dúvida e com aqueles que nos dizem que não podemos, iremos responder que a crença intemporal que resume o espírito de um povo: Sim, nós podemos.

Muito obrigado. Que Deus vos abençoe e abençoe a América.”

O discurso na íntegra em:

http://elections.nytimes.com/2008/results/president/speeches/obama-victory-speech.html##

http://www.huffingtonpost.com/2008/11/04/obama-victory-speech_n_141194.html

http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/nov/05/uselections2008-barackobama


E uma celebração destas tinha de meter música… esta, escrita como homenagem para aquele que sonhou, assenta que nem a uma luva ao que o concretizou: In the name of Love.





segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Fazes um?

(carrega na página que fica enoooorme e dá para ler. Obrigado e vai para dentro!)


Andava eu nestas andanças sherloquianas de descoberta da Crise quando leio num insuspeito diário que um filho do nosso Durão Barroso foi caçado pela PSP a fazer um “cacete bravo” na zona das docas, no final de uma destas tardes.

O jovem Guilherme, de 22 anos, não fez a coisa por menos e para além do canhão que estava a enrolar, ainda tinha pedra para mais 10 doses o que significa que o rapaz sabia bem ao que ia e que herdou a fama de garganeiro do papá.

Ora sabendo nós do valor da nossa justiça e de um acórdão do Supremo que diz taxativamente que quem anda com estas quantidades na algibeira se arrisca a um ano de prisão, o mais certo é que o nosso ilustre Presidente da Comissão Europeia tenha, nos próximos meses, que ir matar saudades do catraio aos condomínios fechados do Linhó, Alcoentre ou Caxias.

Quando convidado pelos jornalistas, o nosso “cherne” favorito alegou que tinha mais que fazer, sobretudo agora que anda entretido a brincar aos presidentes e às crises com o franciú marido da rocker e o americano Bush.
Anda um gajo nas filas das matrículas no Colégio Alemão para isto...

Depois da barrela a que foi sujeito o filho da Leonor Beleza, o percursor desta rebelde geração de descendentes laranjas, arrisco-me a dizer que se Sócrates tivesse humoristas à altura nas fileiras do partido, haveria aqui matéria-prima para algumas boas granadas de humor socialista até porque o mais certo a partir de agora, é alterarem a filiação piscatória do nosso mais nobre representante em Bruxelas para “salmão fumado”…

Eles lembram-se de cada uma…

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Coisas que eu amo profundamente



A cena do Rei Juan Carlos a mandar calar o Hugo Chávez é de antologia. Digna do melhor. Isto a mim dá-me mais graça que o Gato Fedorento, devo dizer. É de partir o caco a rir.

A cena da América Latina com Espanha há-de ser sempre a mesma e em tudo similar à nossa com os povos colonizados de África. Podemos ser todos crescidinhos e fingir o protocolo sentados a uma mesa mas o mais certo é que as coisas descambem. Uns ainda pensam que mandam, os outros não conseguem esquecer a porrada que levaram. Está-lhe nos genes. Assim, era mais que visto.

O Chávez, truculento como sempre, esqueceu-se que estava a ladrar para os que já foram donos. O rei, perdeu o tino e disse-lhe: “cala-te lá, ó rapazinho!”. Lindo!

Grande nota para o Zapatero que esteve com um nível impressionante.

O Daniel Ortega é que não tinha nada que chatear o velhinho outra vez que ele já tem com que se coçar. Não lhe basta já a nora mais nova que é uma biscarreta de primeira e parece que quer mandar em meio mundo lá na Zarzuela; e o maluco do genro mais velho, completamente abrasado, senão ainda isto…

Fez bem, levantou-se com quem vai ali fazer uma mijinha e até mais loguinho.

Muito, muito bom.