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sexta-feira, 14 de março de 2014

Respiros de Portugal (de alívio e renascimento)

Visionei (boquiaberto) as duas reportagens seguidas no jornal da noite e pesquisei no site da SIC para as replicar aqui no blogue. Contudo, cedo percebi que o bom do Balsemão tem andado a dormir na formatura e tem perdido a oportunidade de ter um site moderno, acessível, onde seja fácil ir buscar os trabalhos da sua estação para os divulgar, dando-lhe prestígio e retorno publicitário.

A farfetch, uma impressionante cadeia de roupa de luxo online tem lojas que se estendem por 3 continentes e tem uma estrutura que parece impossível de tão bem criada e oleada. Nem parece que estamos a falar de Portugal. Só pensava: mas isto é mesmo cá?


A alegria de descobrir esta realidade, o que só por si já chegava para me fazer passar bem a noite, foi potenciada por ainda conhecer Ayres Gonçalo, um alfaiate à moda antiga benzido em Saville Row. Bonito, elegante, organizado, empreendedor, inteligente, dá gosto de ver. Tal como ele, também eu sou neto de um alfaiate mas a vocação falou menos alto em mim. Tive especial pena disto quando comentou quando cobra por cada fato.



Dois gritos de revolta e esperança.(em nós, em Portugal e no futuro).

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O IVA e EU


ATENÇÃO!!! INÉDITO!!! Suplemento de economia


Nota: Estimados leitores, a gerência pede a vossa melhor atenção para a singela prosa que se segue. Advertimos que pode parecer extremamente aborrecida a princípio mas todo aquele ou aquela que se aventurar pelas suas linhas poderá estar certo(a) que no final verá o seu esforço recompensado, tal será o manancial de informação fiscal absorvido…


Queridos amiguinhos…

Recordar-se-ão certamente da minha crónica acerca do Pingo Doce de Castelo de Vide. Não foi assim há tanto tempo, pois não? Eu concordo convosco. Mas a verdade é que apesar de terem passado poucos dias, já andei para lá a caminhar hoje outra vez. Não que tenha gasto tudo o que de lá trouxe na última romaria consumista mas nesta humilde guarita a que chamo casa já faltava muita coisa que faz falta todos os dias como os Ice Teas e a fruta de qualidade, de forma que não tive alternativa.

A minha Senhora voltou a estar ocupada com a Associação de Pais do Concelho (A idade tudo traz…), e não tive outro remédio senão criar um programinha alternativo de fim de tarde chuvosa para mim e para a pequena.

Foi um gosto, como sempre, e uma limpeza também. Em pouco mais de hora e meia, fiz um rombo no orçamento que mais parecia o Túnel do Marquês, equivalente a duas notas de euros das verdes, que são simultaneamente as mais difíceis de apanhar (porque será?).

Chegado a casa, depois de saciado com um excelso mas nada exuberante, apenas competente, repasto criado a partir das iguarias recém-adquiridas, recostei-me na cadeira e pus-me a pensar na vida, tal e qual como já faziam os nossos antepassados que calcorrearam estas margens do Sever há muitos milhares de anos, quando se aconchegavam na gruta a olhar o fogo após terem barbeado a presa de caça morta à escassas horas.

Em cima da mesa… o talão da compras. Que grande… Mais fino que o papel higiénico mas com uma dimensão considerável que denunciava o estrago. Concluo que nada foi muito caro embora, as coisas sejam tantas que grão a grão, encheu o Pingo Doce o papo.

O detalhe que me prendeu realmente a atenção foi o IVA e as suas diferentes taxas. Um pormenor que ajuda a marcar toda a diferença e de repente, me deu vontade de mergulhar nesta temática e partilhá-la convosco…

MAS QUE RAIO É ISTO DO IVA?!?!?!?!? Perguntam vocês e com razão. E o Tio Sabi, numa verdadeira iniciativa de Serviço Público não remunerado e fora-de-horas, esmiúça a temática para a pequenada, dos que ainda andam de cueiros por esses bancos de liceu, aos que já gostam de perder a cabeça nos meandros da economia doméstica.

Olhem bem p’ra mim armado em Medina Carreira. Já tenho um olho fechado…

O IVA… é uma cena bem real da qual todos gostam de falar mas que quase ninguém sabe ao certo ao que vai.

O IVA, que quer dizer Imposto sobre o Valor Acrescentado, é uma forma que os Estados modernos inventaram para sacar dinheiro ao pessoal. A ideia é básica e funciona na perfeição: na sociedade actual, na qual o capitalismo é regra e o consumo a palavra de ordem, a malta precisa de comprar. Com a especialização, cada um faz aquilo que pode e o resto compra e os Estados, que não são nada parvos, pensaram: “epá… se cada vez que a malta compra qualquer coisa tiver de contribuir com uns pózinhos-extra, isto é capaz de dar um monte de dinheiro…”. Se assim o pensaram, melhor o fizeram e assim se instalou o IVA entre nós.

O IVA passou a estar em todo o lado, como o Nosso Senhor. Tirando as raríssimas isenções, o IVA espreita em cada esquina e… não perdoa.

Os especialistas dizem que o IVA é o imposto perfeito porque tem uma mecânica infalível e complexa feita de liquidações e deduções. Um agente económico que não esteja isento tem uma relação de “balança” com o IVA. Ele liquida o IVA aos contribuintes (por exemplo num café ou num jornal) mas pode deduzir o IVA que pagou no âmbito da sua actividade. Se liquidou mais do que deduziu, deve entregá-lo ao Estado. Se tem mais a deduzir, fica com um crédito. Engenhoso, não é?

E não me amolem que até agora isto até nem foi difícil de perceber e só por terem lido até aqui já podem fazer um figurão quando ouvirem um papagaio qualquer dizer detrás do balcão: “Ainda este mês PAGUEI não sei quanto de IVA!!!”. É aqui que vocês entram e deixam toda a gente de boca aberta quando respondem em voz baixa, em jeito de conselho, “o IVA não se paga, mestre… o IVA entrega-se… Esse dinheiro não era seu... era dos seus clientes!”. Muito nível! Escusado será dizer que sempre que um caramelo destes vos vender alguma coisa e não registar na respectiva máquina, não só está a roubar o Estado mas também vos está a meter a mão no bolso a vocês.

Ainda assim… não era bem aqui que eu queria chegar. Digamos que este intróito serve apenas para vos conduzir à verdadeira questão de hoje, das compras e do Pingo Doce: a das diferentes taxas do IVA.

DIFERENTES TAXAS?!?!?! MAS NÃO É SÓ UMA?!?!!?

NÃO! E não porque o Estado que é assim uma espécie de velhinho gigante com umas enormes barbas brancas que vive semi-desnudado numa nuvem como o Zeus na mitologia grega, também não é parvo. Quando inventou o IVA pensou logo… “epá, se há tantos bens, de valor tão diferente… não podem todos levar com o mesmo IVA. Há que fazer taxas diferentes”.

Assim, para os bens que fazem muita falta à vida do pessoal, bens de primeira necessidade pensou-se uma taxa mais fraquinha que esta gente também tem escrúpulos… isto não é assim à maluca. Esses bens em Portugal agora levam com 5% de IVA ,o que traduzido significa que o contribuintezinho paga o valor real do bem acrescido de 5% desse valor. É o “IVA DOS PEQUENINOS”.

Noutro extrema há uma taxa máxima (que vai mudando consoante haja ou não eleições) que é mesmo para aqueles bens “armados em finos” que é como quem diz: “Ai queres luxos?!?!?!? Então PIMBA! Levas com mais 20% na tola que até apitas”. Este IVA é o que eu chamo de “IVA A DOER”.

“E só há estes 2 IVAS?”, perguntam vocês e bem, que é sinal que estão com atenção. “Não! Não há só estes dois… Há ainda o IVA que eu chamo de “IVA DA COMPAIXÃO” que é para aqueles bens que já são um bocadinho para o finório mas ainda assim são de alguma necessidade. Esses escapam assim mesmo à tabela com 12%.

É nesta fase da análise, chamemos-lhe assim, que eu vos pergunto se não acham que isto até nem está mal pensado? Não está de facto. O que está mal e me fez escrever esta cena é que as taxas do IVA, as que vêm na parte esquerda dos talões de compras, antes de cada produto, ESTÃO TODAS TROCADAS, CARAÇAS! COMO É QUE É IMPOSSÍVEL?

Senão vejamos, queridos e cultíssimos leitores, eminências pardas na questão fiscal e verdadeiras aves raras do IVA. Paga-se 5% no arroz, no atum em lata, no pãozinho, no peixinho, na carninha de porco (incluindo nas vísceras, iscas de fígado e rins incluídos). Pagam 5% o polvo e o peru, o abacaxi, a bananinha, os bróculos (blaaargh) e a cenoura, as clementinas, os cogumelos e as laranjas. 5% pagam o tomate, a uva e o limão. Vai bem! Mas acham que as minhas batatinhas fritas “Lays artesanais com molho de cogumelos”, um verdadeiro luxo, uma cena gourmet, paguem apenas 5%? É um ultraje, uma ofensa a produto de requinte. Já nem me sabem tão bem…

E que dizer da minha “Água das Pedras light com sabor a framboesa”? Um verdadeiro requinte pós-jantar que me fazia sentir como a gaja do reclame dos Ferrero Rocher? Pagar 5% só por ser uma água??? Opááááá… Não me amolem! Estes gajos estão-me a estragar os luxos!

Isto para já não falar nos iogurtes magros “Corpos Danone Light com morangos e Kiwi”, nos Danoninhos, nos Bongos, nas Frizes, nos prazeres terrenos de um pobre mortal, todos eles taxados a 5%. Porquê Deus meu, porquê?????? Só para nos inferiorizar?!?!? Conseguiram…

Passemos aos 12% e entramos num domínio bizarro. Atentemos: cá em casa, quando vamos às compras para o pequeno almoço, compramos sempre fiambre e queijo. Cenas básicas para a gente comer de manhã. O fiambre paga 12%. O queijo paga 5%. Porquê? Porque um vem do porco e o outro vem da vaca? Mas não são ambos para o pequeno almoço?!?!? Vá lá alguém perceber isto…

12% pagam as azeitonas, os cogumelos laminados, o feijão, o grão, o tomate… E eu pergunto: “Ai estes não são bens essenciais? Então o Estado come o quê às refeições?”.

12% pagam as polpas de manga e maracujá e o rolinho de salsicha que a minha filha comeu logo lá dentro do Pingo Doce porque estava cheia de fome… mas nós guardámos o papelinho e pagámos na caixa. Ainda há gente honesta, está bem?

12% pagam os rissóis, o esparregado e a lasanha congelada para quando a gente tem de comer à pressa e não temos nada pronto e os nossos sogros se esqueceram de nos convidar para almoçar. Não faz mal… aquilo também não é nenhuma obrigação… é quando calha… nós sabemos…

Agora digam-me com toda a sinceridade: “acham bem que o vinho, O VINHO, DEUS MEU”, o néctar que os Deuses nos ensinaram a extrair da uva sagrada, esse bem primordial do qual o nosso avozinho Salazar até dizia que ao ser consumido dava de comer a não-sei-quantos milhões de portugueses, pague 12%??? O VINHO NÃO É ESSENCIAL?!?!? Estou sem palavras. Um produto tão natural… É… injusto… no mínimo.

No domínio dos 20% estão os chocolates. Sim, os chocolates pagam 20%. E os pretinhos que andam lá a apanhar os grãozinhos ao calor, para receberem uma miséria, que vivem daquilo, são o quê? Turistas? Bem…

A bolachas de água e sal… 20%. AS BOLACHAS DE ÁGUA E SAL?!?!?! A água pura é taxada em 5%. Se é em bolacha… 20%. Ai não são feitas de água também? Ai eu… ÁGUA e sal!

O camarão… 20%. O camarão, o camarãozinho do meu coração, que é um autêntico peixinho… 20%. O peixe paga 5%. O camarão… 20%. Para o Estado, o camarão deve de ser algum mamífero, com certeza…

Uma pá para o lixo que eu comprei por 1 euro e 49 cêntimos, que é essencial, repito, ESSENCIAL para acabar com o pó na minha casinha, paga 20% de IVA. Está certo! Limpar o pó é um luxo!

Um saco preto para trazer as compras paga 20%. Luxo! E se eu não o comprasse trazia as compra onde? No cú?

E para terminar que com esta já não posso mais e fico arreado… uma caixinha de 24 minizinhas Sagres, daquelas de 25 cl que sempre trazem mais um bocadinho, aquelas da Rita Andrade, tão fresquinhas, tão puras, só com água e malte e cereais e coisinhas saudáveis que fazem alegria… 20% ó Mê Deus!

Acabo de crer que não há justiça no mundo.

O IVA vai dar cabo de mim!



PS: Vamos fazer um “suponhamos”. Assuponhamos o seguinte: esta espelunca, este blogue, esta coisa já recebeu mais de 180 000 visitas gratuitas. Se cada uma custasse 1 euro, valor que para além de me parecer absolutamente justo, me parece até miserável, eu já tinha dinheiro para pagar a minha casinha toda, comprar uma Vespa 125cc e dar uma volta ao mundo. E… atendendo a que a taxa do IVA não poderia ser outra que a de… 20%, obviamente, isto significa que os Estado poderia ter ganho 36 000 euros que antes perdeu.
OUVIRAM, SENHORES DO SIS? Bora lá meter esta cena com pagamento obrigatório e fazer uma bruta faena!

Ai acham mal?!?!? E estar aqui a escrever estas coisas durante horas, sozinho, agarrado ao computador, a dar cabo dos meus olhinhos, não merece pagamento? Egoístas…

PS1: Não quero deixar passar a ocasião sem mandar um abraço ao Pedro, digníssimo Director do Pingo Doce de Castelo de Vide que hoje se aproximou de mim para me agradecer as palavras que escrevi sobre a estrutura que tão bem dirige. Um gesto bonito que me tocou. Disse-lhe que nós, os portugueses, estamos habituados a dizer mal e que raramente elogiamos o que está bem. Já vai sendo altura de mudar e eu, sempre que posso penso que faço a minha parte. Depois fiquei a pensar nisso. Da outra vez, limitei-me a publicar o texto no blogue mas desta vez fui mais longe… via e-mail direitinho para os recursos humanos da casa-mãe (Grupo Jerónimo Martins). Pode ser que surta efeito. Oxalá! Bem merecem!

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Deste IVA gosto eu... Taxada a 100%

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Banca rota

Eina meu, o Moreira defendeu...
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Eu ando há semanas a tentar perceber esta suposta “crise”. Por mais que leia, por mais programas a que assista, por mais reportagens… não há volta a dar… só me apetece gritar, “não há quem perceba esta cena!”. Vai na volta e estive para escrever sobre isto, qualquer coisa como esta… a dizer que prontos, não atinjo, não chego lá.

Eis que senão quando, barbeando as páginas da minha primeira grande alegria de fim-de-semana, o Público de sexta-feira com os suplementos “Inimigo Público” e o “Y”, encontro uma crónica do genial Pulido Valente, dizendo precisamente aquilo que eu tinha vergonha de admitir.

Ora se um indivíduo que considero um verdadeiro intelectual, um gajo de nível que passa as tardes na varanda de um apartamento de Benfica a beber uísquies de roupão e a ver os carros na segunda circular, pode dizer isto da crise, eu também posso.

Escusando-me a mais citações, remeto então para o documento aqui transposto na íntegra que me parece, de resto, bastante explícito e elucidativo.


(Se carregares, isto cresce...)

Na versão do Tio Sabi, esta é de facto uma crise cujas causas ninguém consegue muito bem especificar mas cujas consequências irão deixar quase tudo diferente, mais instável, mais frágil e inseguro.

Escusado será dizer que não lamento nada o emagrecimento para metade das fortunas milionárias, até porque o mais certo é ainda receberem uma indemnização sabe-se lá de onde, mas que sinto imensa pena de todos aqueles que arrastados pela corrente, vêem os seus sonhos de prosperidade esmagarem-se contra o areal.

Eu concordo com o Vasco.

PS: Agradeço a elucidativa explicação e a paciência, Bonito, mas eu ouvi ou li em qualquer lado que dos homens da alta finança, de agora em diante, não podemos confiar nem na família… Grande abraço!