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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O encontro com o Super Abílio Rodrigues Autoridade Tributária

Gosto sempre de meter uma foto pata contextualizar.
Mas na falta de ter tirado uma hoje, ou de ter encontrado uma nos meus arquivos, saiu uma da Casa do Brasão que nos dá guarida.

Epá, e há coisas que te tocam, mesmo.
Não é muito comum, nem de todo habitual, mas este post vai dirigido, todo ele, para meu amigo Abílio Rodrigues.

O Abílio apareceu-me hoje no serviço, cheio de pressa, como ele sempre anda, de passagem, falar com o chefe. Já só o vi passar, enquanto eu estava a atender um contribuinte ao balcão.

Antes…
(Apontando para o gabinete do Chefe) - Posso?
- Ah, meu querido! O Senhor é da casa, por Deus.

Minutos depois,
- Então vá, até depoi…
- Eh lá, Sr. Abílio! (metendo-me de pé) Então o meu amigo aparece-me aqui assim, sem avisar, e quando a gente ainda se está a fazer à ideia, de ter o prazer de o ter por cá, raspa-se?
Olhe que, peço licença, mas não pode ser!
Mesmo que nós não tenhamos tido tempo, de mandar colocar os homens para tocarem as trombetas à sua chegada, assim que entrava nos claustros, podemos remediar agora.
Pelo menos, deixe-me pagar-lhe um cafezinho.
- Eh pá… Tenho de ir à Caixa…
- É mesmo o tempo que necessito, para acabar de atender este senhor… espero-o aqui.

O Abílio é reformado, tem idade para ser meu pai, e foi meu colega nas finanças de Marvão, muito antes de eu sequer sonhar, que haveria um dia de ali trabalhar. Conheci há anos, depois de quase ter morrido no acidente, e fiquei conquistado pela sua forma absolutamente arrebatadora de viver. O Abílio é pequenino, gagueja, por vezes muito, e ouve mal. Todas estas condicionantes, fazem dele um encantador bicho raro.

Se me considero, por mania, galhardia, e alguma natural altivez (dificilmente um passa por este meu processo, sem se conseguir achar especial), o Abílio é… um SUPER HOMEM! Ele já passou por tumores, creio que até um ataque cardíaco, e continua ali, a batê-las, a insistir mais que estar vivo, a ser feliz por assim ser.

Eu que já escrevi tanto, tanto na minha vida; eu que já tive alguma vaidade na minha caligrafia, hoje vivo com a limitação confrangedora de a minha mais jovem infanta me dizer, que os escritos que lhe deixo ao dormir, NÃO SE PERCEBEM NADA!!!!!!
Pois fui eu que não consegui esconder a emoção, ao conhecer o homem que já trabalhou no mesmo sítio, que tinha a caligrafia mais bonita. Absolutamente encantadora. Redondinha, precisa.

- Abílio, pelo menos, deixa-me pagar-te o café!

- É que… que… que………..nem penses! (Com os olhos semi-cerrados) Pago…-te o teu, e fica um pago para o chefe!

Andando para o café…

-Ah, Abílio, grande Abílio! Tens de te habituar a avisar a malta. Olha que é muita emoção assim de chofre! A gente não está preparada!,

- Ah, Pedro… eu go…go…gosto mesmodeti, pá! (os momentos de gaguejo, são ultrapassados por momentos sem vírgulas.) Olha que… vou lá sempre ler ao blogue aquilo que escreves.

- Como assim?!?!?!? Sério? Juras! Epá… isso para mim é assim uma nota de alta escala! É que eu nem sequer sabia, que tu conhecias o meu blogue! Aquilo é uma cena muito minha, sabes? Muito privada, muito eu e o papel, muito desabafo, muito confessionário, muito despejar. É o diário de bordo, de uma alma na terra. Mas por vezes, mais do que aquelas que queria, sou incompreendido, encostado, achado estranho, e metido de lado.

Só que aquilo sou eu, e o pc. Nem me lembro que há outros a ler. Mas quando são assim pessoas que tanto estimo e admiro, fico lisonjeado, pois está claro! Como fico muito… bem, quente por dentro, quando sinto que sou seguido por tanta gente (427 500 visualizações, meu! € 0,50 a cada, vivia daquilo!)


Encostados ao balcão do Café Lounge “O Castelo”
-Ai, eu, quem me diria… o grande Abílio. Amigo, tu ainda aqui trabalhaste quando a repartição de finanças era na câmara, pois trabalhaste?

- Então não trabalhei? Trabalhei sim, nos 80…

- E o serviço era onde?

- Assim que se subia as escadas! Ao lado, era o gabinete do Chefe. Era logo ali.

- E depois?

- Opá… depois saí, fui chefiar um serviço das redondezas (Monforte?), estive na Direção, corri muito. Andei no arranque do IVA, estive sempre na linha da frente.

- Esperto, desenrascado!

- Ah… ia fazendo o que podia...

-E aí conheceste o meu pai, que vinha aqui muito com o serviço dos despachos da alfând…

- (Com ar de espanto…) Porrrr… rrrr…. rrra! EU ERA AMICÍSSIMO DO JOÃO SOBREIRO! ERA UM COMPANHEIRÃO! Tantas, tantas, tantas que fizemos juntos… (De ir à missa com ele, ninguém se lembra, mas de festas, patuscadas, fadistagem e guitarradas…)
Os compadres, pá! Isso era uma coisa…

- Ainda bem que é uma amizade herdada. Essas têm sempre outro valor.

- Olha, para te provar que gosto mesmo de ti… ripa-me do telemóvel e começa a mostrar-me as sms guardadas em arquivo, que lhe enviei… no outro Natal passado!

Mensagens a dizerem-lhe aquilo que penso dele! (que eu não sou pessoa para ter duas conversas, uma pela frente, e outra diferente por trás.)
Mensagens minhas de incentivo, de admiração, de alento, de força, para que nunca lhe falte nas sempre duras batalhas que tem de travar.
Sou fã, do Abílio!

- Pe… Pedrrrrro! Olha, vou lá sempre ver o que dizes. Olha… ainda esta última de futebol dos Arenenses! Está bestial!

- Epá… obrigado. Tens facebook?

- Ep..pá…pánão! O facebook é…

- Pois pá, só que o faacebook é muito mais fácil publicar nele, percebes? Hoje em dia, tens um telemóvel e tens tudo. Tens câmara fotográfica para sacares fotos, fazeres vídeos; tens onde escrever texto; tens rede e depois, é só fazeres clique e está tudo! O facebook é muita mais fácil e rápido. Por vezes deixo-me leva por isso, e fico logo por ali.
Mas na verdade, o meu sítio é o meu blogue. No facebook, passa muito na espuma dos dias, e qualquer um tem algo para dizer, nem que seja a copiar, ou a partilhar outros. Qualquer um pode gerir o seu mural de facebook, mas nem toda a gente tem material para um blogue, faço-me entender?
Não quero ser discricionário, elitista, mas parece-me que esta é a realidade.
Muitas vezes publico no facebook, a que chamo a minha lanchonete no calçadão do Rio de Janeiro; mas depois dou-lhe o devido tratamento nesta minha taberna virtual, em Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão. Aqui os assuntos ganham outro prisma, e até a imagem tem outro tratamento.
O facebook é jornal diário; o blogue, uma revista especial.

Mas tenho amigos, como é o caso do meu querido João André Escarameia, que não têm, nem querem fb, e apenas me lêem por aqui. Por isso nunca deixei isto, que é a minha casa de verdade.

Replico sempre aqui, muito a pensar nele, e assim passará a ser também por ti. ;)

Abraço, fica bem, até à próxima e… por favor: volta sempre! Adoro ter pessoas a quem admirar! ;)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O futuro... (é, todo) ali (na net / ou esfumaçando pelas vielas)




No sempre belíssimo programa/rubrica “Contas Poupança” da SIC, o jornalista Pedro Andersson (https://www.facebook.com/contaspoupanca/), revela-nos o impressionante mundo do novo Portal das Finanças, agora completamente modificado, orientado na perspetiva de servir online o contribuinte.


clica aqui em baixo, no link, para veres o vídeo



Eu assisto, algo maravilhado, na perspetiva do mero espetador, às inúmeras potencialidades desta nova ferramenta. Já muito sabia, por informação interna, mas acaba por se ficar sempre com uma sensação de deslumbre. A velocidade com que as coisas acontecem…

Quando entrei para as Finanças, em 2000, como estagiário para o serviço de Nisa, com o meu, desde então enorme amigo, quase irmão, Rui Pinheiro, tivemos como primeiro grande desafio, o ajudar na recolha, de todas as declarações de IRS daquela área. Se bem me recordo, são 10 freguesias. Declarações, uma por uma, campo por campo. Cedo viram que os miúdos eram bons com os computadores, e daí, a sermos largados nessa grande empreitada, foi um passinho.

17 anos depois, as declarações de IRS, foram descontinuadas, em papel; e qualquer um já pode entregar o IRS de forma automática, via telefone, de uma esplanada qualquer, devendo para tal, apenas ter Wi-Fi e as suas passwords. Parece futurologia, não é? Mas é verdade!

Assim que me pude aperceber daquilo, que o novo portal das finanças pode fazer, estremeci. Qualquer um sentado à frente de um computador, pode aceder a toda a informação fiscal, em geral, e sobre si. Emitir guias de pagamento, efetuar esse mesmo pagamento via home-banking, em casa, tranquilo, à lareira; entregar toda e qualquer declaração, seja ela de rendimento, ou património. IVAS, IRS, Modelos 1 de IMI, Declarações de Imposto de Selo… tudo aquilo que a gente faz no serviço!

Percebi então porque motivo, desviei logo o olhar, quase inatamente, assim que comecei a ler na intranet (a nossa internet interna), tudo aquilo que o novo portal poderia dar aos nossos contribuintes. Todo um manancial de dados, fichas e informações.

Na altura, perante o mal estar, comentei: é o princípio… do fim. Não mais entrará uma nova geração de técnicos tributários, como no meu tempo. Éramos à volta de 80.000 a concurso… e hoje damos corpo, e cara a esta casa, que aquando da nossa chegada, não tinha admitido ninguém há já 14 anos.


No futuro, antevejo um poder atribuído às máquinas, cada vez mais assustador, e opressor. Os humanos, em casa, ligados à rede, fazendo tudo através de um computador pessoal. Não convivendo, não falando, não interagindo.

Na cúpula, isto, muito à frente, na Europa, e no próprio mundo! Mas…

Em Vale Salgueiro, durante dois dias, na festa dos reis, os putos não só são encorajados a fumar, como são os próprios pais quem lhes compra os cigarros











Andar por lá na rua, deve ser um fartote de rir, com os putos todos a esbajearem pelas esquinas!

- PAI!!! OLHA ELES MESMO A FUMAREM!

- Ah… aquilo é só queimar, filha! Eles não travam. Não inspiram o fumo.


PORTUGAl… not ALBÂNIA but…

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Carrega no fisco! (que eles aguentam... que remédio!)


Um simpático que sigo, que já foi laureado como blogue do ano, esticou-se e, como é óbvio, mereceu o comentário.




É bem certo que pode não fazer de nada, mas serviu de descargo de consciência.


Fácil bater numa classe, meu caro. Sobretudo quando são vistos todos como quadradões, os maus da fita. Mas, se houve uma coisa, das muitas que aprendi, quando tirei o curso de Comunicação Social, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa; reforçado pela Pós Graduação em Gestão Autárquica, pelo Instituto de Línguas de Santarém; foi que nunca se deve julgar o todo pela parte, porque se pode cair no ridículo, e ser vexado na Praça pública. De resto... Tudo bem e fica bem.

Ele... já passou dos 2.000 likes...

domingo, 21 de maio de 2017

Atã posso pagáre a décema pla internêti?



Estes gajos, os meus chefes, lá os da capital, fecham—me o serviço! Aquele para o qual tanto estudei, para conseguir ingressar. Lembro—me de me ter esfalfado a marrar, para não ficar mal numa turma de economistas, contabilistas; e não ser o bicho raro do jornalismo, gozado em público por não ser da área. Marquei as distâncias num mapa, com os sítios onde poderia calhar. Tocou-me (e bem, senão não saberia onde estaria hoje, Nisa). De 18 candidatos, fiquei em 2°. 

Uso este cargo no quadro, com o orgulho indisfarçado, do dever cumprido. Todos os dias. 

Assisto, com mágoa, ao afunilamento do futuro.

Será o futuro assim? (por telemóvel? sem cara? Descartável?)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Offshores? Off the record? Of course!




Como é que hei-de conseguir explicar isto como eu quero, sem ferir suscetibilidades, ser mal entendido, e, ainda assim, fazer-me compreender?

Se há coisas que me envergonham, que me deixam triste, e derrotado, é ser bombardeado nas notícias ao almoço, com bombas como esta: “Fisco deixou fugir 10.000 milhões em…”, e aqui... parou!

Toda a gente sabe que aqui o vosso Tio Sabi, tanto é capaz de escrever um tratado sobre um cabelo que cai num banco do jardim (a prosa nunca se me acaba), como assume que não é um crânio a matemática. Epá… sempre foi à procura das letras porque esse era o seu mundo, mas… também é bem verdade que sempre fugiu das contas, porque… maçam. A vida contada, é muito mais bonita que somada.

Mas o Tio Sabi, não sendo um state of the art, até trabalha com números durante todo o seu dia. Cumpre, não compromete e… considera-se um indivíduo “não parvo”, de bom senso, estruturado e alinhavado.

Toda a gente que veja notícias sabe que o nosso buraco nas contas é de 5.000 milhões de euros. O défice, a diferença entre o que se mama do pote e o que se consegue ganhar, dá nisto e tem esta fossa abissal onde cabem rios de dinheiro.

Ora esta notícia de hoje vem dizer que o fisco, onde eu trabalho e para o qual trabalho, deixou fugir 2 vezes esse montante em transferências para offshores. Deixou fugir porque, como se pode ler aqui, não controlou as transferências entre 2011 e 2014, que foram comunicadas pelos bancos e estavam omissas das estatísticas.


Este não é o mesmo mundo. Vivemos em realidades paralelas. Eu não sou deste país.

O meu país, é o das pessoas que se chegam ao balcão e se zangam, comentam e aborrecem quando o “selo do carro” (Imposto Único de Circulação) aumenta uns cêntimos em relação ao ano passado; já não vão a tempo de validar as faturas (coisa que tiveram todo o ano para fazer); ou têm de pagar 25 euros por 1 hora de atraso, só por terem deixado passar para o mês a seguir.


Eu gostava de trabalhar numa casa que fosse impecável, sob qualquer suspeita, acima de todas as suspeições, e sobretudo… intocável.


Porque não foi feito esse controle, perguntam as pessoas? Porquê há tanto conluio com a classe política, quando as águas não se deveriam misturar?


Perguntam as pessoas e… pergunto eu.

Já me estou a preparar para as bocas de um ou outro mais atrevido e bem informado.

O “encolher de ombros” é um cartão de visita e um desbloqueador de conversa, que funciona e vale de muleta, garanto.

Assim seja.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Carta a Toni (Sir António Costa, prime-minister)



Hoje larguei a jorna quando pouco passava das 16 horas. Depois das 7 horas de trabalho diário, 35h numa semana, contas fechadas, assuntos organizados e arrumados, estava com o dia concluído. O sol brilhava e aquela nuvem espessa, fria, de nevoeiro que tinha envolvido Marvão durante todo o dia, tinha-se dissipado. O sol e a paisagem convidavam.

Apoquentado pela inatividade física destes últimos 15 dias, que me começam a atormentar a alma e a comprometer os movimentos, pensei, que fazer? 
É isso! Vou correr!

Se assim o pensei, melhor o fiz. A pequena estava com a avó Zira, a do meio, ainda trabalhava no Turismo; e a mais alta ainda estudava em Portalegre. A barra estava livre, só para mim!

Enverguei a indumentária, selecionei o novo dos “21 Pilots” para me ir fazendo companhia, e fiz-me à estrada. Atirei-me à volta do Valongo, pela Ranginha, que é, de longe, a minha favorita. Pela extensão e dificuldade. Foram 11,32 km em 1 hora e 32 m.


O que os meus olhos viram… a tarde… o pôr do sol… as paisagens  para o lado do Pé da Serra e Castelo Branco…

E eu só pensava… a quem é que tenho de agradecer isto? A Deus, claro está, é mais do que sabido e conhecido. Mas na terra… quem é que tornou isto possível? E foi então que se foi desenhando na minha cabeça… enquanto corria…


A carta a Toni

Meu caríssimo e querido António Costa, primeiro-ministro de Portugal,

Perdoa-me a informalidade, mas tu pareces ser um gajo tão fixe, bonacheirão, sempre sorridente e bem disposto, que me sinto à vontade para me esticar contigo.

De verdade que acredito que não leves a mal esta minha alarvidade. Depois, o nosso Marcelo, inaugurou uma forma de estar na política que se acaba por estender aos outros órgãos e membros, quer queiram, quer não. Quem entra na Musgueira ou na Buraca, com um à vontade que dá para se meter pela casa das pessoas adentro, como se vivesse lá, acaba por contagiar.

Escrevo-te porque hoje me aconteceu uma coisa tão boa, que me apeteceu agradecer-te. Saí do serviço, depois de cumprir as horas que o governo liderado por ti, aprovou. Ainda tive tempo para ir fazer o que gosto tanto e por motivos diversos, andava estranhamente a adiar: correr. Coisa pouca, dirão alguns; uma excentricidade, dirão outros; mas uma vitamina poderosa sem a qual falha o meu equilíbrio… físico e mental, é o que é.



Como espero sinceramente que chegues a debruçar os olhos sobre estas linhas, passo a apresentar-me. Eu sou Pedro, o Sobreiro, tenho 43 anos mas quando me olho para o espelho vejo sempre o puto com 7. Não sei se isto é defeito, ou doença. Não sei se há mais malta assim, mas eu sofro disso. Sou natural de Marvão, essa vila magnífica entre o Alentejo, com que não se parece nada (tem rio e montes de água), e a Beira Baixa, mesmo aqui ao lado, que se vê bem perto.

Estudei para ser jornalista, estou encartado para tal, mas trabalho nas finanças, aqui na terra. Olha, foi o preço a pagar por querer regressar para aqui, mas não me importo nada. Mesmo. De verdade. Até gosto muito do que faço. Nas horas vagas, quando tudo dorme, exerço a escrita, aqui. Relato a vida, percebes? Isto é tipo "O Diário de Adrian Mole, na crise da adolescência" que eu li e me marcou muito. O meu blogue, que já tem 10 anos (não é de ontem!), e cerca de 525 000 visitas, é o meu livro.. "O Diário do Drocas (aka. Tio Sabi) na intensidade excêntrica da meia idade. A malta até gosta como eu conto as merdas e vem cá ver. Na boa. Sem compromisso.

Sou casado, tenho duas filhas, um cão e acho que sou feliz. Sou mesmo! Não considero que seja mal remunerado mas meti-me a fazer uma casa (sonho de vida) com dinheiro que não tinha, pedi ao banco para me emprestar e… não estás a ver bem. Assim que lá cai… chupam-me logo 1/3. Isto porque as taxas de juro estão baixas. Agora imagina tu…

Há, vai fazer 6 anos, dei um trambolhão de uma vespa e ia-me finando, rapaz. Contra um muro, imagina. Uma cena… Fiquei logo KO. Tinha estado a jantar com amigos, vinha com um grão na asa (não astronómico, como algumas meninas dessa casa grande onde legislas, e ainda assim se safam com a proteção dos governantes, mas algum seria) e safei-me à rasca. Valeram-me os bons médicos, os grandes hospitais e Deus, força em que muito acredito, sobretudo depois deste tropeção.

Tenho 1 metro e 80. Bem, é 79, mas eu queria tanto ter 80, que digo sempre assim: 1,80. Ninguém me vai medir agora, não é? E eu não mostro o cartão a ninguém. Peso 80 quilos e sou atlético. Nado com regularidade, também, e sinto-me bem. Não sou um homem particularmente bonito, mas também não me considero feio. Epá… tenho um nariz muita grande e sou careca, ou em vias de o ser; maneiras que não vivo mal neste escafandro que tenho. Tenho um olho azul, e um verde. Mas sou do Benfica! Grande benfiquista. O meu sogro quase que me obrigou, mas eu já era antes de o conhecer. Ou à filha dele. Minha mulher.

Não to digo para me estares a agradecer, ou para pensares que te estou a fazer algum favor, mas eu votei em ti. Votei no PS porque queria que o país mudasse, porque o discurso de desgraçadinho daquele com pouco cabelo, como eu, que tinha a mania que era cantor; e do pequenino narigudo, como eu, que quis ser vice do que manda; já me estava cá a enjoar. Os gajos eram uns tarecos do catano. O pequenelho bateu logo asa, para aquela empresa para onde o teu ex-colega Coelhone foi ganhar trocos. O outro ainda por cá anda, convencido que ainda vai lá mas… não será fácil. Há um príncipe no norte que lhe vai tomar a corte.

Olha, isto tudo para te dizer que achei aquela tua jogada da Geringonça, de juntares os meninos todos do recreio, do contra, que poderiam alinhar na tua equipa, para ir contra o que tinha mais votos, foi uma cena malaica e genial. Parecia um filme. Parabéns.

Vejo todos os dias as notícias, ao almoço e ao jantar. Sempre na SIC, porque acho que é a melhor. Vejo sempre o Eixo do Mal e o Governo Sombra, e por vezes, a Quadratura do Círculo, onde tu exercitaste a tua retórica, sempre com brilhantismo e bravura. Mas esse, às vezes, dá-me sono e deixo-me dormir. Já não sou novo. 43 já são alguns.

Vejo as notícias mas deixei de comprar o jornal do teu mano, o Expresso, nem foi tanto pelo dinheiro. Também importou… (isto depois da Troika, conta tudo), mas foi porque aquele saco de plástico cheio de coisas que eu queria ler, mas não conseguia porque não tinha tempo, me dava uma ansiedade brutal. Estou mais tranquilo, assim. Mais burro mas mais descansado.

Quero eu com isto avançar que não serei o gajo mais informado para estar aqui a debater contigo as tuas políticas, mas acho que tens estado sempre muito bem. Epá… uma argolada ou outra, como esta da concertação social, em que achavas que a malta tua amiga ia votar como tu, mas a história da Taxa Social Única não te correu como querias, não foi? Deixa lá… Cuidado com os comunas! Eu tenho uma amiga que é, e adoro um veterinário da minha terra que também é… gajo brilhante, que escreve como ninguém, mas é alpalhoeiro e fala muito alto. No entanto, é grande benfiquista e tudo se lhe desculpa. Mas os comunas são como os lellos. Quando os “atacam”, fecham-se sobre si e … mordem. Conta com os teus. Olha, aquele jovem, o Galamba, tem um aspeto desenxovalhado e fantástico. Parece ser porreiro. Desvia-te é do Sócrates. Esse gajo, pá… não acrescenta nada. Vai por mim.

Mas olha, eu acho que quase tudo o que fazes é bem. Tu trabalhas, tu és esperto, tu és gajo para marcar. Curti quando foste lá à China para os gajos virem para cá em força com os telemóveis Huawey. Sabes que é o meu? É uma máquina. Foi-me receitado pela chinesa minha amiga da Hiper Mega Casa China da Citroen de Portalegre, Luana, que agora tem um restaurante. Ainda não fui lá. Mas tenho muita vontade.  

Olha, a razão desta missiva e o que eu te agradeço mesmo, é a hora a que saio do serviço. Quano é que isto não vale? Com os outros dois estarolas, tinha que gramar até às 6h da tarde. Às 6h… Fechava a Câmara às 4h, a Conservatória às 5h e os desgraçadinhos dos impostos, agarrados às mangas de alpaca até às 18h. Era de noite, escuro como o breú, quando descia a encosta de Marvão. Uma pena. Até podia ter tido um acidente. Bom… sou capaz de estar a exagerar… mas era mau.

Eina, eu hoje fui sempre a dar-te beijinhos no ar. A cada paisagem e coisa boa que via. Quando via vaquinhas… gritava “COOOOOOOSTA!!!!!!”… Quando via ovelhinhas, que até se assustavam: “É O MÁÁÁÁÁÀÁÁÁÀÁÁÁÁÁIORE!!!!!!”

Tão bom… tão bom…

Olha, eu sou assim um bocadinho excêntrico. Intenso, como me chama um amigo meu. Maluco, me chamarão outros, e quem sou eu para dizer que estão errados de todo.

Mas uma coisa te digo e agora desculpa o vernáculo e a baixeza: Até podes mandar fazer a maior m***a, tipo mandares entortar a pata direita do cavalo de D. José, (que é a esquerda, AHAHAHAHAH, apanhei-te! Boa?), ou outra cena qualquer má… mas aqui o Drocas, também conhecido mundialmente (tenho seguidoras ali em Valência de Alcântara, Olá Goyi!!!) por Tio Sabi vai sempre votar em ti, enquanto mantenhas este maravilhoso horário de trabalho.

Rapaz… eu contento-me com pouco.

Quando passares por aqui, apita. O mayor é um bronco do catano (fui vice dele. Foge-te! Deixou saudades nenhumas!) e não interessa, mas eu conheço aqui cenas e malta muito fixe para te apresentar. Vem num estilo casual.

Curto-te bués.


P.S.: Tchau! ;)

EU
(A internet tem cenas demais, não tem?)

sexta-feira, 1 de maio de 2015

As obras (de Santa Engrácia?)

O aparato foi, de facto, grande, mas...

Quer-se dizer... o branquinho está a ficar bonito mas... convém não olhar nem para o granito, nem para o estado das janelas, se faz favor.

Prontos, eu não estou a olhar!

Tão pitoresco! O ferro também está magnífico e num avançado estado de deterioração, a fazer lembrar o ferro forjado das janelas da casa do governador. :P

E as janelas? Parecem tão antigas...
Olha, como Marvão!
A minha “casa” está a ficar bonita. Com um “novo” telhado (de telhas demoradamente limpas, uma a uma), no qual trabalham há coisa de 1 ano (se não está lá, anda lá muito perto, incluindo o tempo das chuvas com longas e demoradas paragens, uma vez que começou para aí em Outubro/Novembro) está agora numa fase de pinturas e acabamentos.(?)
Como o edifício foi mandado contruir (recuperar) pela câmara para dar guarita aos serviços públicos no tempo do presidente Andrade; é à autarquia que cabe a sua gestão. O piso superior, onde se localiza o quartel da Autoridade Tributária, na qual me incluo, diz respeito ao Estado Português mas há sempre uma supervisão do espaço pela autarquia, até pelas habitações que tem alugadas no espaço das águas furtadas (3º Piso) a particulares.
Como perguntar não mesmo custa nadinha, quis saber qual era a empresa que estava a executar os ditos trabalhos.
- “Ah… é da empresa do rapaz que era sócio do vereador mas teve de fundar uma nova porque senão não se podia candidatar aos concursos.”
- “Ah… Estou a ver…
E então não acha que antes de pintar se deveria recuperar o símbolo do Brasão que dá nome à casa, por exemplo? Nem que fosse uma lavagem, porque embelezava muito e dava uma dignidade que assim não tem?”
- “Pois… mas isso era antes de ser pintado”.
- “Ah… pois bem.
E as janelas não poderiam ser também recuperadas? Desempenadas? Lixadas? Pintadas?
E o granito das varandas não poderia ser tratado, limpo, recuperado?”
- “Epá… sim, mas a empresa já está a fazer assim… Isso era antes de se pintar.”
“??? Pois… se calhar tem constrangimentos financeiros/logísticos que a gente não domina não é? E assim vai…”

Coisas que se estranham aqui em Marvão… Há tempos, antes e para o 25 de Abril, os funcionários do município pintaram e recuperaram os mastros das bandeiras, que foram lixados e pintadinhos da melhor forma que sabem fazer, mas deixaram as grades que estão à sua volta no mesmo mísero estado em que estavam. Como tal? Sem supervisão, só pode!

A tinta pintou o mastro,
Mas não chegou para a grade,
A tinta pensou para consigo:
Vamos embora que se faz tarde!

(Poesia inspirada na lírica condomíniana de mestre Hélio Lobato, a.k.a. sempre brilhante Ricardo Araújo Pereira aqui.
)
Coisas que fazem lembrar aquela anedota que o meu santo sogro com graça conta por vezes, quando calha:
 “Ó mãe: tomo banho ou meto perfume?”

Isto mais me parece que é um vestido “lindo” que se quer vestir à menina, com as orelhas cheias de cera e encardidas.

Não poderia tudo ser tão mais simples, tão mais liso, tão mais tudo às claras, como se não nos tomassem por uns tansos que comem e calam?

Pensando bem, os fungos e o verbete no brasão dão-lhe um ar mais antigo ainda. Muito Marvão!


Tá bom!

Eu, Pedro Sobreiro, cidadão do mundo que vive num estado de direito democrático, sem cadastro e com telhados que bem podem ser de vidro porque em nada me envergonho de passear como vim ao mundo, aqui me confesso e questiono porque a palavra é uma arma e a cidadania deve ser vivida de pleno direito.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O novo IRS e o novo Portal



Já muito tenho escrito que o meu, não é o meu emprego de sonho. Mas é o emprego que reúne as condições para o querer como sendo o melhor possível. E é. De facto.

Se fosse jornalista como tanto aspirei e estudei para ser, poderia agora estar no desemprego, a viver numa cidade descaracterizada, ou num país qualquer com uma arma apontada pelos bárbaros do estado islâmico. Aqui tenho a paz, a proximidade dos meus e do que é meu. Aqui vivo com a riqueza de ser feliz. Com pouco.

Neste emprego que quero fazer de sonho, trabalho com o mesmo afinco com que trabalhei na câmara e por onde tenho passado. Eu trabalho para os outros. Trabalho para servir. Foi assim na Guarda Nacional Republicana, onde dei aulas de inglês; foi assim na Opel, onde vendi carros; foi assim em Nisa quando assumi funções e tem sido aqui assim. Servindo e explicando, gerindo como se fosse um negócio de família.

A Autoridade Tributária, onde tenho este gosto de trabalhar, tem uma cara nova. Neste novo mundo tecnológico em que vivemos; o director geral comunicou-me via mail, a mim e a todos funcionários que o novo portal das finanças na internet entraria em funções.




Pensado na ótica do utilizador, criando ali um enorme balcão virtual de âmbito nacional, pretende, não esvaziar os serviços locais de conteúdo, mas antes flexibilizar os assuntos por forma a adaptá-los às novas vertentes do e-fatura e do IRS.

O Sr. Secretário de Estado, Paulo Núncio, esteve claro e muito bem. Mas se disse que 90% das declarações de IRS entram pela internet, sugiro-lhe um périplo pelo interior do país e em Marvão no mês de Março, para ver como as velhinhas e os velhotes que nem sonham o que é um computador, que vivem longe dos filhos que foram para a cidade e mal querem saber deles, fazem fila para esperarem pela sua vez para esparramarem as receitas todas de um ano em cima do balcão, sem as terem somado e separado pelas percentagens de IVA.


O “Contas Poupança” do jornalista Pedro Andersson na SIC, conseguiu em breves minutos dar uma ideia muito esclarecida e abrangente desta mini-revolução do novo site. (reportagem que pode ver clicando no link)




PS: Não cometo nenhuma inconfidência se revelar aqui que um dinamarquês radicado no nosso concelho que hoje se deslocou ao serviço para pagar um imposto de circulação, depois de ter sido atendido, (neste dia em que também fiz a minha estreia na cobrança. Depois de 14 anos...), me perguntou: “what is really the address of your internet blog that we spoke the other day?”

O melhor de dois mundos.

Disse-lhe: I told you that lately I don’t write so often because my life, specially after the bike accident, consumes a lot my energy during the day. I don’t write so often as I did back than but sometimes, it happens. Like today.
I dedicate this text to you. As I said before, you can go to “google translator” to catch the beginning of the words. It could be nice for you. ;)
To me is very nice to be able to practice my english with you, all the ones that came from abroad. Be always welcome. ;)

sábado, 19 de abril de 2014

Madrinhas... Feliz Páscoa 2014

As madrinhas e o pequenote
(num encontro fortuito na rua numa manhã destas, à hora do café)


Palavras esgalhadas em uma hora depois do serviço, até às 19h, como agradecimento à prenda há minutos recebida


Sozinho nas Finanças,
A minutos da hora de fechar,
Tocou de surpresa o telefone,
Quem é que teria de aturar?!?!? (a esta hora… L)

Do outro lado da linha,
Uma voz delicada, bem bonita e feminina,
Disse-me que o assunto era pessoal
Que não tinha nada a ver com a batina.

Tratou-me por afilhado
E aí fiquei logo a saber,
Que só uma das duas,
que tenho no mundo, poderia ser.

A de batismo é arrediça,
não gosta de beijos, pode até parecer agressiva.
Dá folares fornecidos pela mãe,
É assim meio esquiva.

Sendo assim só podia ser,
a minha madrinha adotiva,
Aquela a quem hei-de estar grato,
Para sempre e toda a vida.

Foi por ela que soube do concurso,
Que admitia tropas para a máquina fiscal.
Um sopro de alento e esperança,
Para um emigrado, longe da terra natal.
(Era só em Castelo Branco mas era longe na mesma!)

Na altura vendia carros,
na Opel para o pai Matos,
Mas sonhava vir para mais perto,
Para uma coisa fixa, mais de actos.

Na altura só tinha uma pequena,
Aquela com quem casei,
E foi por ela, vizinha da madrinha, (no Turismo)
Que soube que entrei.

A contratação foi tão feliz,
Que ainda ali continuo a jogar,
No mesmo sítio onde o marido da madrinha, (também será padrinho?)
Se tornou aposentado.

No serviço fui surpreendido,
Pelas prendinhas da nova madrinha,
Não resistindo, fui metendo
A mãozinha na saquinha.

Um bolo finto de grande categoria,
Que ainda vinha quente,
Por isso não lhe meti mão,
Porque ainda vinha com o Sol Nascente. (de Castelo Vide).

Amêndoas tradicionais de chocolate,
Daquelas gordas de Portalegre.
Das que se desfazem na boca,
Daquelas que não há com as quais quem se enerve.

Se o que cá há é bom,
E aquela cidade nisto é de primeira,
Vá lá um saquinho de rebuçados de ovo,
P´ra me encher a regaleira. (deixa cá provar um. Huuummmm… Aaaaaaahhhh….

Fiquei assim sem jeito, sem saber como agradecer,
A este gesto tão ternurento,
Pois eu também queria contribuir
Para adornar o mágico momento.

Que não, que se ia embora para o Porto da Espada,
Que eram coisas sem importância.
Mas que não! disse eu.
Também lhe queria trazer uma lembrança. (da santa sogra que é boleira)

Que isto não é troca por troca,
Que só me via depois, (da Páscoa)
Que ficava bem assim,
Amigos como sempre, os dois.

Pois com todo o respeito lhe digo,
Que para o ano fica combinado,
Que passamos a trocar prendas na quarta,
Para evitar os erros do passado. (deste ano)

Se somos madrinha e afilhado diferentes
Daquilo que é convencional,
Passamos a trocar prendas na quarta-feira de cinzas,
Bem diferente da Páscoa habitual (que é ao domingo).

E assim lhe digo,
Minha querida madrinha adotada,
Que não querendo (e não tendo tempo para) uma prenda.
Dou-lhe uma coisa por mim muito estimada.

Sou financeiro por necessidade,
Ganho ali para viver.
Mas trabalhar as palavras,
É realmente o meu ofício e saber.

Não aprendi em curso algum,
Apesar de para isso ter estudado,
Mas é coisa que sai cá de dentro,
Um mistério que não pode ser explicado.

Há coisas na vida,
Que parecem ter uma orientação divina.
Temos assim de saber seguir,
Com a orientação superior, a nossa sina.

Superior como a nossa relação,
Que é tão antiga e tão amiga,
Extensiva a filhos e netos,
Tão autêntica e tão expressiva.

Desejo-lhe assim,
Do fundo do meu coração,
Uma Páscoa sagrada
Cheia de amor e união.

Sorte e saúde,
Que o dinheiro sempre se arranja.
É o que costumo dizer,
E quem o diz não o esbanja. (Não sobeja…)

Desejo-lhe tudo o melhor,
Uma excelente continuação,
Oxalá para o ano,
Demos continuidade a esta nova tradição.



16 de Abril de 2012
Quarta-feira de Cinzas

Prenda do afilhado




Pedro Alexandre Ereio Lopes Sobreiro