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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Imagina Dragões - Ainda me queres


Isto passou-se quando já ia o serão meio passado, depois das 10 e meia, quando as pequenas, (a mais velha, e a mais nova) já dormiam. A Leonor entretinha-se com uma qualquer das suas muitas vidas, via telemóvel; e eu cá andava também, agarrado ao meu velhinho VAIO, nas minhas andanças: escrevendo, lendo (jornais, revistas, blogues, ou posts), publicando (no meu blogue, ou facebook), vendo (filmes, ou notícias), ou ouvindo (discos ou rádios). Tanta coisa sempre por fazer no recreio noturno.

Na televisão, que fazia companhia lá ao fundo, num canal da música, passou este vídeo e, ambos levantámos os olhos.

“No concerto que fui ver deles ao Altice Arena”, disse (de boleia com o ex-namorado e os pais deste, acompanhada pela prima/irmã Maria Dias; há dias), “fartei-me de chorar, ao ouvir esta música.”
A Maria chegou a perguntar-me: estás bem?
E eu disse que sim. Mas expliquei que não resisti, porque as lágrimas me caiam pela cara abaixo.”

Eu já tinha ouvido, e prestado atenção. “Mas… posto isto… deixa-me cá ouvir melhor”, pensei.

É uma canção de amor, muito bonita, de facto (Com uma bateria arrítmica, fora de tempo, mas muito bela).

Imagina Dragões : Ainda me queres

Havia algo na forma como entraste na minha sala de estar,
Casual e confiante, olhando a balbúrdia em que estava,
Mas ainda assim, ainda assim, tu me queres.

Muito stress e cigarradas, políticas e défices,
Contas por pagar e desperdícios, gritos e discussões,
Mas ainda assim, ainda assim, tu me queres.

Oh, eu sempre te deixo ficar mal,
Despedaçada no chão,
Mas ainda te encontro ali,
Ao meu lado.

E oh, as coisas estúpidas que faço,
Estou longe de ser bom, é verdade,
Mas ainda assim te encontro,
Ao meu lado.

Há alguma coisa na forma, como sempre vês as coisas pelo lado bom,
Como olhas por cima da gigantesca balbúrdia, sempre a pareceres tranquila
E ainda assim, ainda assim, me queres.

Eu não tenho inocência, a fé não é um privilégio,
Eu sou um baralho de cartas, vício, ou jogo de corações,
Mas ainda assim, ainda assim me queres
Oh, eu sempre te deixo ficar mal,
Despedaçada no chão,
Mas ainda te encontro ali,
Ao meu lado.

E oh, as coisas estúpidas que faço,
Estou longe de ser bom, é verdade,
Mas ainda assim te encontro,
Ao meu lado.

Então obrigado, obrigado por arriscares em mim,
Eu sei que não é fácil,
Mas espero que valha.

E oh, as coisas estúpidas que faço,
Estou longe de ser bom, é verdade,
Mas ainda assim te encontro,
Ao meu lado.




domingo, 17 de setembro de 2017

Revisitando, recordando, ovacionando, OS GRANDES LUCKY DUCKIES


Há dias, estava eu a espreitar a aldeia virtual global antes de dormir, já na cama, e deparo-me com esta peça absolutamente notável: os Lucky Duckies, enorme banda de swing/rock'n'roll portuguesa, da qual me tornei amigo, enquanto vereador da cultura de Marvão, inovou e cantou em português. Um português pensado, estiloso, que fez jus à sua carreira de crooners, e de grandes porta-vozes do glamour da arte que cantam. Adorei. Comentei com o meu grande amigo Pedro Silvério, e dali, desta interação, o próprio Marco, o vocalista, interagiu connosco e, fizemos do facebook, uma belíssima sala de convívio, onde pudemos ter a felicidade de interagirmos.

Gostaria de colar aqui, nesta minha casa, algumas imagens, para que um dia, possa recordar.



O Marco é uma delícia. Um bonacheirão, sempre bem disposto, que nunca perde o timbre e o toque, de quem dá gosto se estar junto. Eu, enquanto vereador, cedi às suas insistentes e inúmeras tentativas para atuar em Marvão, e ainda bem que o fiz. O homem tem uma bagagem cultural, musical, que deve ser inédita no nosso país. Tornámo-nos amigos, e vieram cá mais que uma vez. Na sua vida, fez a escola dos karaokes, e tem um domínio quase absoluto. Para mim, quando se finasse daquia muitos, muitos anos; iria para o panteão nacional. Anda sempre acompanhado com os melhores músicos, muitos das escolas de jazz, e encanta, por onde quer que passa.

Para além de todos os seus atraentes atributos, conta com o apoio da sua esposa, a doce Cláudia, com quem contracena em palco.

Ah... eu adoro eles.

Nos comentários, cheguei a recordar as atuações que tivemos juntos (!), e foi tão com, tão bom recordar...



O video em baixo





No outro dia, de manhã, a minha Alice veio deitar-se junto a mim, e eu mostrei-lhe, orgulhoso, os vídeos.

- XXXXXXXXiiiiiiiiiiiiiiiiii, pai...

- Então? (Já viste o inglês?, pensei...)

- CANTAS MESMO MAL...


O meu muito obrigado a quem fez este último video, que me desculpe, mas não recordo quem foi. Trata-se de uma peça verdadeiremanete belíssima, para mim. O meu Manel...

domingo, 21 de maio de 2017

Have you seen the black hole sun, Chris?


Porra... um mito da minha juventude... ido.
 
Um dos pais do grunge...


Já me andava a habituar à partida dos meus crooners (Bowie, Reed, Cohen), mas a gaja está cada vez mais perto... (Prince, Cornell...)


Com mais 9 anos que eu? Súbita? Quando andava em digressão, e tinha publicado sobre isso nas 

redes sociais, horas antes?

Pariu!


http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/morreu-chris-cornell-vocalista-dos-soundgarden-e-audioslave


A notícia já confirmada, de que cometeu suicídio


quinta-feira, 2 de março de 2017

TREVO?!?!?!? Quantos likes tenho?

(Nota do vosso Tio Sabi: este post deu trabalho a escrever, e, como tal, para ser bem saboreado, deve ser consumido com moderação. Trata-se de uma Jukebox lusitana com perto de 1 hora de bom som. É só ir clicando nos links dos artistas e… voilá! Isto dá música! Verdade!)
  


Intróito:

Epá… eu ouvi isto na rádio e achei muita bom. Ritmo, andamento, letra e pose. Pensei que eram para aí os Diabo na Cruz ou outra coisa qualquer, desse já grande nível. Afinal, sairam-me uns… Trevo!

Trevo?!?!?!? Desculpa lá mas, eu adoro música, considero-me um melómano, tenho centenas de discos físicos e digitais, passo o dia a ouvir rádio (Comercial, a melhor, claro está!) em casa, no trabalho, em todo o lado, E COMO É QUE NÃO CONHEÇO ISTO?!?!?!?

Chego a casa e vou pesquisar. Epá, abriu-se a caixa de Pandora. O vídeo é à la Sign O’Times do Prince, spoken words, e ali está tudo… claro como a água. Sentido, timing, humor, balanço, muito bom.


Os gajos parecem-me ser uns fixes, Muito boa onda. Músicos, jovens, surfistas, tatuados, a curtir. Vejo a malta a botar discurso no CC da SIC Radical e dá vontade de ouvir mais.


Epá… de portugueses… podem não ser uns Belle Chase Hotel, uns Mão Morta, uns Pop Dell’Arte (dos antigos);

ou dos clássicos como os Xutos e Pontapés, os Peste e Sida, os Primitive Reason, ou os Censurados… 

Ou dos fantásticos novos: sempre o grande David Fonseca (aqui com a fabulosa Márcia), os (sempre fantásticos, inventivos e originais) Deolinda, o Miguel Araújo, o António Zambujo, a Ana Moura, a novíssima e fresquinha Gisela João, os Expensive Soul, os HMBmas são muito interessantes e vão ser engraçados de se seguir. Dizem que misturam tudo.

São todos das novas tecnologias? Fixe! Vou começar já a andar com eles a correr pelo concelho, que é quando tenho tempo e vagar para ir ouvindo música.

No fundo, e mergulhando na letra: é do mais atual possível, e faz todo o sentido. Grande parte da malta que anda no facebook (e atenção que não estou a falar de ti! Mas dos outros…) passa a vida a contar… quantos likes tem! Ele e os outros. Depois vão ver quem meteu like, ou quem não meteu! o que é de uma comicidade brutal. Fazem guerra disto. Vivem disto!

E eu sei, porque tenho pessoas que me são próximas que me alertaram, há tempos: “atenção que tens levado menos… likes!”

Ahahahahahahahahahahahahahahahah… Dá-me graça. Dá-me muita graça! Como se eu fosse capaz de estruturar/orientar/escalar as minhas publicações no blogue ou no facebook em função disso.   

Não misturemos as coisas e deixem que me esclareça. Eu tenho todo o gosto em saber que as minhas publicações são vistas, seguidas e comentadas. É sinal que sou notado e quem é que não gosta disso? Gosto particularmente quando me apercebo que um amigo ou uma amiga, se decide meter comigo, à pála de qualquer coisa que publiquei. Mas não me deixo acondicionar. Pelu amôrrrr dji Deussssssssssss. Qui nada, bicho!

Eu gosto muito, MUITO, de saber que o meu blogue é seguido. Quando vejo que as visitas diárias chegam às 200, 300, ou 1.500!!, como numa publicação que fiz no início do mês, isso é motivo de satisfação e orgulho enorme, não o devo esconder. Porque isso é feio.
  
Um blogue que começou por... brincadeira, no seguimento de um outro que tinha de uma colaboração de opinião na Rádio Portalegre; e que chega aos 10 anos de existência, com 525.000 visitas, é um motivo de orgulho para um jornalista que se viu obrigado a trabalhar nos impostos para poder viver no seu concelho e casar com a namorada de sempre.


E tudo isto é possível graças a vocês, graças a ti, que vens aqui espreitar o que é que o gajo diz hoje. Isto só existe graças a ti, senão o mais certo era estar internado num sítio qualquer, a falar com as paredes… baixinho. Assim, pelo menos, deixam-me ser um louco com… audiência.

E um… quer queiram, quer não, fazedor de opinião. Não porque me sigam, ou aquilo que digo. Mas porque tudo aquilo que digo, tem o condão de gerar nos outros… ou concórdia, ou discórdia.

Eu gosto de ser um fazedor de opinião porque, mais do que seguires a minha (que nunca é o que se pretende), é por defender a minha, que tu fazes a tua.


E a minha agora é que vou ouvir muito… os TREVO! ;)


Punk é Punk em toda a parte,
Não se compra na Primark,
És anarca somente quando convém,
E ao de cabelo aloirado,
Qual surfista prateado,
Nos areais só pica as ondas das bebés,
Estão direitas de 2 metros, mas tu… entrar está quieto!,
Tás boneco mas surfista é que não és,


Se és quem és,
Então quem és não vem numa etiqueta,
Não está numa gaveta,
Mostra que tens ideais.


Se és tu quem és,
Então só és mais um no pagode,
Dá dois antes que esgote,
Tenho lá mais 10 iguais.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Apresentando... Lukas Graham


O que eu ando agora a ouvir? Sempre entre muitas coisas? Um puto de 29 anos que me embala na rádio, que “diz” coisas naquilo que canta, que tem uma banda com o seu nome porque… veio depois dele e… acha que é um nome giro. A letra já me fascinava, mas quando pesquiso é descubro que é autobiográfica fico… quite all right!

Descobri que o Lukas Graham é uma personagem fascinante, com uma educação alternativa que nasceu numa ocupação anarquista em Copenhaga, chamada Chistiania, lugar com população menor que mil pessoas, onde moradores rejeitam governo e dinheiro, aceitam tráfico de erva e vivem de forma mais precária que no resto do país. Em entrevistas, o cantor compara o local às favelas do Brasil. Ele conta que a maioria dos seus amigos de infância estão na prisão e os retrata como pessoas que não tiveram sorte na vida mas que, se tivessem tido, seriam pessoas boas. 





Toda a gente o ouve com “Mama said”, mas creio eu que poucos perceberão o que está por trás das linhas que canta. Dr. Sabi não é mais que os demais, apenas diferente. Gosta de saber, tenta sempre conseguir saber o que está por detrás, seja do que for.
E assim… “Mamã disse”
  
Quando a mamã dizia que estava bem,
A mamã dizia que estava bastante bem,
A nossa gente ia para a cama,
E estava tudo bem.
A mamã dizia-nos que éramos bons miúdos,
O pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles,
Que apontavam dedos maldosos e gozavam,
Porque éramos bons miúdos.

Lembro-me de perguntar à mãe e ao pai,
Porque nunca viajávamos para sítios exóticos,
Na verdade só visitávamos amigos,
Nada a contar quando o Verão acabava.
Na verdade, nunca íamos comprar roupas,
Chegávam-nos à mão em grandes quantidades,
Sapatitos novos numa vez ao ano, e então,
Era jogar à bola logo para rebentá-los.


Quando a mamã dizia que estava bem,
A mamã dizia que estava bastante bem,
A nossa gente ia para a cama,
E estava tudo bem.
A mamã dizia-nos que éramos bons miúdos,
O pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles,
Que apontavam dedos maldosos e gozavam,
Porque éramos bons miúdos.

Não me percebam mal, eu não passei mal,
Tive amor suficiente da mãe e do pai,
Mas acho que eles não perceberam,
Quando lhes disse que a minha cena era Hollywood,
Disse-lhes que poderia estar a cantar na televisão,
Os outros miúdos diziam que era maniento,
Os mais velhos começavam a gozar-me.

Mas agora estão todos à minha frente (ha ha)

Quando a mamã dizia que estava bem
A mamã dizia que estava bastante bem
A nossa gente ia para a cama
E estava tudo bem
A mamã dizia-nos que éramos bons miúdos
O pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles
Que apontavam dedos maldosos e gozavam
Porque éramos bons miúdos.

Porque éramos bons miúdos,
Eu sei de onde sou,
Eu conheço a minha casa,
Quando estou em dúvidas e a lutar,
É para lá que vou,  
Um velho amigo pode dar-me um conselho,
Quando os novos apenas sabem metade da história,
E é por isso que os quero sempre junto a mim,
E é por isso que estou feliz,
E estou bem,
E sabes o que a minha mãe dizia?

Sabias o que é que ela me dizia?  

Quando a mamã dizia que estava bem,
A mamã dizia que estava bastante bem,
A nossa gente ia para a cama,
E estava tudo bem.
A mamã dizia-nos que éramos bons miúdos,
O pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles,
Que apontavam dedos maldosos e gozavam,
Porque éramos bons miúdos.


Para provar que não é um one hit wonder, um fogacho de sucesso que surge e estoura como muitos outros, todos os dias, reouvi o seu primeiro hit “7 years”



Uma vez, quando eu tinha 7 anos, a mãe disse-me,
Vai arranjar amigos ou ficarás sozinho,
Uma vez, quando eu tinha 7 anos.

Era um mundo grande, grande; mas nós pensávamos que éramos maiores,
A empurrar-nos uns aos outros para os limites, estávamos a aprender depressa,
Aos onze, fumando erva e bebendo água ardente,
Nunca ricos mas na rua para fazer figura grande,

Uma vez, quando eu tinha 11 anos, o meu pai disse-me,
Arranja uma mulher ou ficarás sozinho,
Uma vez, quando eu tinha 11 anos.

Eu sempre tive aquele sonho, como o meu pai antes de mim,
Então comecei a escrever canções, comecei a escrever histórias,
Alguma coisa sobre essa glória, parecia sempre aborrecer-me,
Porque apenas aqueles que amava na realidade, poderiam conhecer-me de verdade.

Uma vez, quando eu tinha 20 anos, a minha história foi contada,
Antes do sol da manhã, quando a vida era solitária,
Uma vez, quando eu tinha 20 anos.

Apenas vejo os meus objetivos, não acredito no fracasso.
Porque sei que as vozes pequenas, te podem fazer maior,
Tenho os meus rapazes comigo, pelo menos com esses conto,
E se não nos encontramos antes de eu sair, espero ver-vos mais tarde,

Uma vez, quando eu tinha 20 anos, a minha história foi contada,
Escrevia sobre tudo o que eu via à minha frente,
Uma vez, quando eu tinha 20 anos,
Em breve teremos 30, as nossas canções estarão vendidas,
Teremos viajado pelo mundo e continuaremos a rodar,
Em breve teremos 30 anos.

Ainda estou a aprender acerca da vida,
A minha mulher trouxe-me crianças,
Então posso cantar todas as minhas canções para eles,
E posso contar-lhes histórias,
Os meus rapazes estão comigo,
Alguns continuam a procurar a glória,
E alguns tive de deixar para trás, 
Meu irmão, continuo a senti-lo.

Em breve, terei 60 anos, o meu pai tinha 61,
Recorda a vida e a tua será melhor,
Uma vez fiz um homem tão feliz, quando escrevi uma carta,
Espero que os meus filhos venham e me visitem, uma ou duas vezes por mês.

Em breve, terei 60, irei pensar que o mundo é frio?
Ou terei um monte de filhos para me aquecerem?
Em breve, terei 60.
Em breve, terei 60, irei pensar que o mundo é frio?
Ou terei um monte de filhos para me aquecerem?

Uma vez, quando eu tinha 7 anos, a mãe disse-me,
Vai arranjar amigos ou ficarás sozinho,
Uma vez, quando eu tinha 7 anos.

E não é sobre isto que é o sentido da vida? Quando formos velhinhos, teremos filhos e netos que nos estimem e considerem? Que façam tudo ter valido a pena, quando nós desaparecermos? Que façam a nossa vinda a este mundo ter deixado marca?

Os funerais… valem sempre muito menos do que o que as pessoas pensam que valem. Poucos estão lá de verdade, com sentimento, lamentando verdeiramente a falta de quem partiu. Muita gente “tem” de estar porque sim, porque fica bem. Muita gente está solidária, mas a sofrer com a desgraça dos outros, a admirá-la como se estivesse dentro de um reality show. Há muitas conversas cruzadas sobre tudo e nada. Cá fora então, no território macho, a distância do defunto é chocante para quem está em homenagem, e há mas é que ir provar o vinho novo da taberna ali em baixo. O meu e o teu não serão certamente diferentes.


Lukas canta-nos sobre pessoas, sobre vidas e o que realmente importa. Já está nos favoritos. A seguir.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Cantando ao menino, sob a égide dos reis do oriente, com a força lagóia genuína

A extraordinária manifestação dos "Lagóias", que desconhecia e tanto me encantou

Ontem aconteceu o último concerto de Natal, deste ano que passou, promovido (e aqui, os louros têm de lhe ser entregues) por esse extraordinário impulsionador da fé, e já da nossa terra, Marvão, que é o padre Marcelino, que em graça, nos caiu nos braços.

Cantavam os "Lagóias", e eu sabia que de cante se tratava. Levei a minha tia namorada à missa antes, e estava muito longe de esperar a qualidade do espetáculo temático, mini—espetáculo, segundo eles; com que iria ser brindado. Segundo explicou o seu diretor, prof. Domingos Redondo (soberba voz), com espírito e brilhantismo, parece que esta forma de cantar é um exclusivo do baixo—alentejo e não é nossa. Por suas palavras explicou que: sim, a gente também é de além—tejo, também gostamos de dar à goela e estamos dispostos a ir contra preconceitos e opiniões contrárias. Por isso, enquanto a gente puder, têm de nos gramar.


E que prazer... Dei por mim de olhos fechados, a saborear aquele coro de vozes de machos, vividos, sabidos e... aquilo era o Alentejo ali à minha frente: à planície, a saudade, o sol, o calor, e o Natal do Deus Menino feito gente, personificado no Príncipe da Paz.

Numa palavra... Deus é amor. E eu senti—o tanto ali.

Bem hajam. Foi único. Ganharam um fã.


(Aqui, no hino à minha santa padroeira, Nossa Senhora do Carmo. De arrepiar.)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Let him down, easy... Um tributo (George Michael 25.06.1963 - 25.12.2016)



Esta é A música. A mais significativa, a mais profunda. O tema emblemático de um artista que desapareceu, embora tenha nascido para viver da imagem. Um vídeo de palavras. Em que não aparece. Em que… diz tudo e toca na questão. Rezando por tempo. Por aquilo que é mais precioso nas nossas vidas e do qual apenas nos apercebemos da real importância quando ele afunila por uma doença que o vai reduzir a zero. A nossa maior riqueza: o tempo que temos. Porque desde que nascemos… é sempre a perder. E esta experiência
 de vida, de aproveitar tudo ao máximo, é a nossa maior valia do tempo em que estamos vivos.



O George Michael representava tudo aquilo que detestava na música, quando apareceu. Era uma carinha laroca, de uma banda que despejava hits orelhudos, para deitar fora logo a seguir. As miúdas ficavam todas malucas, a colecionarem posters para colarem nos quartos. Tudo era o que eu não queria sequer ouvir. Abominava o gajo, as poses, os trejeitos, os tiques, os sorrisos e a forma de dançar. A bem dizer, nada se aproveitava ali.


Mas os Wham acabaram e o artista foi dando provas de querer mudar. No seu disco de estreia a solo, em 87, ainda agarrado à pele de artista sexual disposto a partir corações femininos…


Já ia dando sinais de querer mudar de tom, ainda com o mesmo visual,


E ao quarto single, lança este portento escrito, composto e interpretado de forma a, nunca mais deixar nada como dantes.


Tudo apontava para um caminho que haveria de chegar e em 90 o gajo trocou-me as voltas. A mim e à Sony, contra a qual travou uma gigantesca batalha judicial, que perdeu. O menino bonito, lançou um vídeo de uma música composta por si em que, em vez dele a brilhar no ecrã, dava o palco a todas as supermodelos da altura que eu admirava todos os dias onde quer que as visse (Linda Evangelista, Naomi Campbell, Christy Turlington, Cindy Crawford) num clip brilhante em que surgem elas a cantar, num vídeo mágico e histórico do David Fincher (7 pecados mortais). Vi aquilo e lembro-me de ter pensado: "e esta agora?!?!"


Não era um caso isolado. O fascínio continuava à medida que o seu talento de escritor de canções e compositor de melodias se estendia. Sempre com o mesmo nível, sempre com as mesmas (boas) companhias.


Nos finais de 90, a sua conduta nada ortodoxa, os seus ímpetos sexuais e consumos alternativos colocaram-no nos tablóides de todo o mundo.


Mas era sempre capaz do melhor, para além do pior,


Fazendo a fusão com Adamski (nova geração)/ com os clássicos (Temptations) em 93



Sempre que me voltava a sentir mais distante dele outra vez, surpreendia-me. A 1 de Dezembro de 98, lança “Ladies & Gentlemen: The Best of George Michael”, com dois discos: um "para o coração" e outro "para os pés". Claro que foi o primeiro que me bateu mais, e foi a minha banda sonora numa altura muito concreta da minha vida: casei-me, fui viver com a minha mulher para Marvão, deixei de ser professor de Inglês na GNR, em Portalegre (após 3 anos e centenas de alunos); e fui trabalhar para a Amatoscar para Castelo Branco, como chefe de vendas da Opel.


Em muitas noites que depois de um dia inteiro de trabalho, depois de muito papel, muito contato, muita responsabilidade, rodar pela cidade e terras vizinhas, metia-me no carro de regresso a casa e ali tinha a minha cápsula de regeneração, o meu momento zen. Com este disco quase sempre por companhia, pensava, programava e refletia. O George Michael passou a ser dos meus, também. De odiado, a revelado, foi todo um percurso que tardou anos, mas fez-se.

Estive lá apenas uns meses e depois, saiu a nota do concurso para liquidadores tributários estagiários, que tinha feito nesse ano, em que a minha mãe teve a queda e foi pela primeira vez operada. Saiu a nota e, não fui chamado na primeira fase, mas sim, na 2ª, com o nº 2 053 dos mais de 80 000 que participaram nesse que foi um dos maiores concursos a nível nacional para a função pública. A partir daí, a história mudou. Veio Nisa, veio a Leonor, veio a casinha em Santo António, veio a colocação em Marvão. Nesse entretanto, sempre recorrente, o George ficou. Até hoje. Até sempre. Até que me lembre dele. Não sairá.












Pelas veredas de Marvão... em repeat... parece que corro sob veludo...


sexta-feira, 3 de junho de 2016

A vida… como ela é…

Pai e filha. Ela com os dentes tão direitinhos. Tem-me o meu iphone incrustado na cremalheira.
Logo saiu com eles tão tortinhos...

Vinha da formação da Direção de Finanças de Portalegre e apanhei-a depois das aulas, para casa.

Entrou no carro e ligou o smartphone ao rádio.

- Deixa estar na Comercial…, disse.


- Não… é umas músicas que saquei e tu gostas… eu sei.



De um disco que eu ouvi, reouvi e ouvi até à exaustão quando entrei para as finanças no ido ano de 2000 (há 16 anos!), trabalhava em Nisa e ela estava para nascer. Aqui na íntegra:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLLu3jA528tg6fNKBTglt3Y4SFG5tduWI4

E tocou esta,


E esta...


E esta...



E quem estava sentado na esplanada do Serrinha quando a gente passou no carro deve ter pensado: que grande malucos! Que barulheira!

Sou um pai de família. Sou o senhor das finanças.

Na Fonte da Pipa, desliguei o rádio.

- Agora vamos à avó Alzira dar um beijinho. Damos um beijo, um abraço e saímos. Faz hoje 22 anos que morreu o meu pai, João Sobreiro. Nesse dia morreu parte de mim, que ficou morta para sempre. E certamente do Miguel, que adorava e o adorava a ele. Iam quase sempre deitar-se juntos.

Vivi com ele 21 anos. Hoje é um marco. Já estou há mais tempo sem ele, do que aquele em que pude desfrutar da sua presença. Sinto muito a sua falta. É natural que ela sinta mais. Era o seu companheiro.

Mas todos sentimos. Ninguém ficava indiferente àquele cometa negro.

Saudades. Aquele grande abraço que a gente dava sempre. Olha por nós. Até que nos voltemos a juntar outra vez.


Tou igual. De vermelho e que nem um paxá.

Num jantar qualquer comunitário. Como me lembro dele. A rir e a fumar. Os dois com o seu amigo Padre Emílio. O reverendo, como lhe chamava. (enquanto lhe servia mais um tintinho)

O chefe do Agrupamento Nacional de Escutas 659, da Beirã


Olhando o infinito, em Moçambique



Com a equipa de futsal de uma geração, com ele de mister. Em cima, esquerda-direita: Paulo Varela, Rui Felino, Paulo Nunes, Jorge Miranda. Baixo: falecido Paulo Maroco, Joaquim Carita, Vitor Felino, José Dias e eu  próprio, a mascote, a olhar para o grandalhão da bola e da cabeleira.

PS: Se me visse de cabelo máquina zero, raybantes e bigode... ele que me chateou tantas vezes para cortar a melena e os caracóis que me caiam pelos ombros... haveria de achar graça.