Isto passou-se quando já ia o serão meio passado, depois das
10 e meia, quando as pequenas, (a mais velha, e a mais nova) já dormiam. A
Leonor entretinha-se com uma qualquer das suas muitas vidas, via telemóvel; e
eu cá andava também, agarrado ao meu velhinho VAIO, nas minhas andanças:
escrevendo, lendo (jornais, revistas, blogues, ou posts), publicando (no meu
blogue, ou facebook), vendo (filmes, ou notícias), ou ouvindo (discos ou
rádios). Tanta coisa sempre por fazer no recreio noturno.
Na televisão, que fazia companhia lá ao fundo, num canal da
música, passou este vídeo e, ambos levantámos os olhos.
“No concerto que fui ver deles ao Altice Arena”, disse (de
boleia com o ex-namorado e os pais deste, acompanhada pela prima/irmã Maria Dias;
há dias), “fartei-me de chorar, ao ouvir esta música.”
A Maria chegou a perguntar-me: estás bem?
E eu disse que sim. Mas expliquei que não resisti, porque as
lágrimas me caiam pela cara abaixo.”
Eu já tinha ouvido, e prestado atenção. “Mas… posto isto…
deixa-me cá ouvir melhor”, pensei.
É uma canção de amor, muito bonita, de facto (Com uma
bateria arrítmica, fora de tempo, mas muito bela).
Imagina Dragões : Ainda me queres
Havia algo na forma como entraste na minha sala de estar,
Casual e confiante, olhando a balbúrdia em que estava,
Mas ainda assim, ainda assim, tu me queres.
Muito stress e cigarradas, políticas e défices,
Contas por pagar e desperdícios, gritos e discussões,
Mas ainda assim, ainda assim, tu me queres.
Oh, eu sempre te deixo ficar mal,
Despedaçada no chão,
Mas ainda te encontro ali,
Ao meu lado.
E oh, as coisas estúpidas que faço,
Estou longe de ser bom, é verdade,
Mas ainda assim te encontro,
Ao meu lado.
Há alguma coisa na forma, como sempre vês as coisas pelo
lado bom,
Como olhas por cima da gigantesca balbúrdia, sempre a
pareceres tranquila
E ainda assim, ainda assim, me queres.
Eu não tenho inocência, a fé não é um privilégio,
Eu sou um baralho de cartas, vício, ou jogo de corações,
Há dias, estava eu a espreitar a aldeia virtual global antes de dormir, já na cama, e deparo-me com esta peça absolutamente notável: os Lucky Duckies, enorme banda de swing/rock'n'roll portuguesa, da qual me tornei amigo, enquanto vereador da cultura de Marvão, inovou e cantou em português. Um português pensado, estiloso, que fez jus à sua carreira de crooners, e de grandes porta-vozes do glamour da arte que cantam. Adorei. Comentei com o meu grande amigo Pedro Silvério, e dali, desta interação, o próprio Marco, o vocalista, interagiu connosco e, fizemos do facebook, uma belíssima sala de convívio, onde pudemos ter a felicidade de interagirmos.
Gostaria de colar aqui, nesta minha casa, algumas imagens, para que um dia, possa recordar.
O Marco é uma delícia. Um bonacheirão, sempre bem disposto, que nunca perde o timbre e o toque, de quem dá gosto se estar junto. Eu, enquanto vereador, cedi às suas insistentes e inúmeras tentativas para atuar em Marvão, e ainda bem que o fiz. O homem tem uma bagagem cultural, musical, que deve ser inédita no nosso país. Tornámo-nos amigos, e vieram cá mais que uma vez. Na sua vida, fez a escola dos karaokes, e tem um domínio quase absoluto. Para mim, quando se finasse daquia muitos, muitos anos; iria para o panteão nacional. Anda sempreacompanhado com os melhores músicos, muitos das escolas de jazz, e encanta, por onde quer que passa.
Para além de todos os seus atraentes atributos, conta com o apoio da sua esposa, a doce Cláudia, com quem contracena em palco.
Ah... eu adoro eles.
Nos comentários, cheguei a recordar as atuações que tivemos juntos (!), e foi tão com, tão bom recordar...
O video em baixo
No outro dia, de manhã, a minha Alice veio deitar-se junto a mim, e eu mostrei-lhe, orgulhoso, os vídeos.
- XXXXXXXXiiiiiiiiiiiiiiiiii, pai...
- Então? (Já viste o inglês?, pensei...)
- CANTAS MESMO MAL...
O meu muito obrigado a quem fez este último video, que me desculpe, mas não recordo quem foi. Trata-se de uma peça verdadeiremanete belíssima, para mim. O meu Manel...
Porra... um mito da minha juventude... ido. Um dos pais do grunge... Já me andava a habituar à partida dos meus crooners (Bowie, Reed, Cohen), mas a gaja está cada vez mais perto... (Prince, Cornell...) Com mais 9 anos que eu? Súbita? Quando andava em digressão, e tinha publicado sobre isso nas redes sociais, horas antes? Pariu! http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/morreu-chris-cornell-vocalista-dos-soundgarden-e-audioslave
(Nota do vosso Tio
Sabi: este post deu trabalho a escrever, e, como tal, para ser bem saboreado, deve
ser consumido com moderação. Trata-se de uma Jukebox lusitana com perto de 1
hora de bom som. É só ir clicando nos links dos artistas e… voilá! Isto dá
música! Verdade!)
Intróito:
Epá…
eu ouvi isto na rádio e achei muita bom. Ritmo, andamento, letra e pose. Pensei
que eram para aí os Diabo na Cruz ou outra coisa qualquer, desse já grande
nível. Afinal, sairam-me uns… Trevo!
Trevo?!?!?!?
Desculpa lá mas, eu adoro música, considero-me um melómano, tenho centenas de
discos físicos e digitais, passo o dia a ouvir rádio (Comercial, a melhor,
claro está!) em casa, no trabalho, em todo o lado, E COMO É QUE NÃO CONHEÇO
ISTO?!?!?!?
Chego
a casa e vou pesquisar. Epá, abriu-se a caixa de Pandora. O vídeo é à la Sign O’Times
do Prince, spoken words, e ali está tudo… claro como a água. Sentido, timing,
humor, balanço, muito bom.
Os
gajos parecem-me ser uns fixes, Muito boa onda. Músicos, jovens, surfistas,
tatuados, a curtir. Vejo a malta a botar discurso no CC da SIC Radical e dá
vontade de ouvir mais.
São
todos das novas tecnologias? Fixe! Vou começar já a andar com eles a correr
pelo concelho, que é quando tenho tempo e vagar para ir ouvindo música.
No
fundo, e mergulhando na letra: é do mais atual possível, e faz todo o sentido.
Grande parte da malta que anda no facebook (e atenção que não estou a falar de
ti! Mas dos outros…) passa a vida a contar… quantos likes tem! Ele e os outros.
Depois vão ver quem meteu like, ou quem não meteu! o que é de uma comicidade
brutal. Fazem guerra disto. Vivem disto!
E
eu sei, porque tenho pessoas que me são próximas que me alertaram, há tempos: “atenção
que tens levado menos… likes!”
Ahahahahahahahahahahahahahahahah…
Dá-me graça. Dá-me muita graça! Como se eu fosse capaz de estruturar/orientar/escalar
as minhas publicações no blogue ou no facebook em função disso.
Não
misturemos as coisas e deixem que me esclareça. Eu tenho todo o gosto em saber
que as minhas publicações são vistas, seguidas e comentadas. É sinal que sou
notado e quem é que não gosta disso? Gosto particularmente quando me apercebo
que um amigo ou uma amiga, se decide meter comigo, à pála de qualquer coisa que
publiquei. Mas não me deixo acondicionar. Pelu amôrrrr dji Deussssssssssss. Qui
nada, bicho!
Eu
gosto muito, MUITO, de saber que o meu blogue é seguido. Quando vejo que as
visitas diárias chegam às 200, 300, ou 1.500!!, como numa publicação que fiz no
início do mês, isso é motivo de satisfação e orgulho enorme, não o devo
esconder. Porque isso é feio.
Um
blogue que começou por... brincadeira, no seguimento de um outro que tinha de
uma colaboração de opinião na Rádio Portalegre; e que chega aos 10 anos de
existência, com 525.000 visitas, é um motivo de orgulho para um jornalista que
se viu obrigado a trabalhar nos impostos para poder viver no seu concelho e
casar com a namorada de sempre.
E
tudo isto é possível graças a vocês, graças a ti, que vens aqui espreitar o que
é que o gajo diz hoje. Isto só existe graças a ti, senão o mais certo era estar
internado num sítio qualquer, a falar com as paredes… baixinho. Assim, pelo
menos, deixam-me ser um louco com… audiência.
E
um… quer queiram, quer não, fazedor de opinião. Não porque me sigam, ou aquilo
que digo. Mas porque tudo aquilo que digo, tem o condão de gerar nos outros… ou
concórdia, ou discórdia.
Eu
gosto de ser um fazedor de opinião porque, mais do que seguires a minha (que
nunca é o que se pretende), é por defender a minha, que tu fazes a tua.
E
a minha agora é que vou ouvir muito… os TREVO! ;)
Punk
é Punk em toda a parte,
Não
se compra na Primark,
És
anarca somente quando convém,
E
ao de cabelo aloirado,
Qual
surfista prateado,
Nos
areais só pica as ondas das bebés,
Estão
direitas de 2 metros, mas tu… entrar está quieto!,
O
que eu ando agora a ouvir? Sempre entre muitas coisas? Um puto de 29 anos que
me embala na rádio, que “diz” coisas naquilo que canta, que tem uma banda com o
seu nome porque… veio depois dele e… acha que é um nome giro. A letra já me
fascinava, mas quando pesquiso é descubro que é autobiográfica fico… quite all
right!
Descobri
que o Lukas Graham é uma personagem fascinante, com uma educação alternativa
que nasceu numa ocupação anarquista em Copenhaga, chamada Chistiania, lugar com
população menor que mil pessoas, onde moradores rejeitam governo e dinheiro,
aceitam tráfico de erva e vivem de forma mais precária que no resto do país. Em
entrevistas, o cantor compara o local às favelas do Brasil. Ele conta que a
maioria dos seus amigos de infância estão na prisão e os retrata como pessoas
que não tiveram sorte na vida mas que, se tivessem tido, seriam pessoas boas.
Toda
a gente o ouve com “Mama said”, mas creio eu que poucos perceberão o que está
por trás das linhas que canta. Dr. Sabi não é mais que os demais, apenas
diferente. Gosta de saber, tenta sempre conseguir saber o que está por detrás,
seja do que for.
E
assim… “Mamã disse”
Quando
a mamã dizia que estava bem,
A
mamã dizia que estava bastante bem,
A
nossa gente ia para a cama,
E
estava tudo bem.
A
mamã dizia-nos que éramos bons miúdos,
O
pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles,
Que
apontavam dedos maldosos e gozavam,
Porque
éramos bons miúdos.
Lembro-me
de perguntar à mãe e ao pai,
Porque
nunca viajávamos para sítios exóticos,
Na
verdade só visitávamos amigos,
Nada
a contar quando o Verão acabava.
Na
verdade, nunca íamos comprar roupas,
Chegávam-nos
à mão em grandes quantidades,
Sapatitos
novos numa vez ao ano, e então,
Era
jogar à bola logo para rebentá-los.
Quando
a mamã dizia que estava bem,
A
mamã dizia que estava bastante bem,
A
nossa gente ia para a cama,
E
estava tudo bem.
A
mamã dizia-nos que éramos bons miúdos,
O
pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles,
Que
apontavam dedos maldosos e gozavam,
Porque
éramos bons miúdos.
Não
me percebam mal, eu não passei mal,
Tive
amor suficiente da mãe e do pai,
Mas
acho que eles não perceberam,
Quando
lhes disse que a minha cena era Hollywood,
Disse-lhes
que poderia estar a cantar na televisão,
Os
outros miúdos diziam que era maniento,
Os
mais velhos começavam a gozar-me.
Mas
agora estão todos à minha frente (ha ha)
Quando
a mamã dizia que estava bem
A
mamã dizia que estava bastante bem
A
nossa gente ia para a cama
E
estava tudo bem
A
mamã dizia-nos que éramos bons miúdos
O
pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles
Que
apontavam dedos maldosos e gozavam
Porque
éramos bons miúdos.
Porque
éramos bons miúdos,
Eu sei de onde sou,
Eu conheço a minha
casa,
Quando estou em
dúvidas e a lutar,
É para lá que vou,
Um velho amigo pode
dar-me um conselho,
Quando os novos
apenas sabem metade da história,
E é por isso que os
quero sempre junto a mim,
E é por isso que
estou feliz,
E estou bem,
E sabes o que a
minha mãe dizia?
Sabias
o que é que ela me dizia?
Quando
a mamã dizia que estava bem,
A
mamã dizia que estava bastante bem,
A
nossa gente ia para a cama,
E
estava tudo bem.
A
mamã dizia-nos que éramos bons miúdos,
O
pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles,
Que
apontavam dedos maldosos e gozavam,
Porque
éramos bons miúdos.
Para
provar que não é um one hit wonder, um fogacho de sucesso que surge e estoura
como muitos outros, todos os dias, reouvi o seu primeiro hit “7 years”
Uma
vez, quando eu tinha 7 anos, a mãe disse-me,
Vai
arranjar amigos ou ficarás sozinho,
Uma
vez, quando eu tinha 7 anos.
Era
um mundo grande, grande; mas nós pensávamos que éramos maiores,
A
empurrar-nos uns aos outros para os limites, estávamos a aprender depressa,
Aos
onze, fumando erva e bebendo água ardente,
Nunca
ricos mas na rua para fazer figura grande,
Uma
vez, quando eu tinha 11 anos, o meu pai disse-me,
Arranja
uma mulher ou ficarás sozinho,
Uma
vez, quando eu tinha 11 anos.
Eu
sempre tive aquele sonho, como o meu pai antes de mim,
Então
comecei a escrever canções, comecei a escrever histórias,
Alguma
coisa sobre essa glória, parecia sempre aborrecer-me,
Porque
apenas aqueles que amava na realidade, poderiam conhecer-me de verdade.
Uma
vez, quando eu tinha 20 anos, a minha história foi contada,
Antes
do sol da manhã, quando a vida era solitária,
Uma
vez, quando eu tinha 20 anos.
Apenas
vejo os meus objetivos, não acredito no fracasso.
Porque
sei que as vozes pequenas, te podem fazer maior,
Tenho
os meus rapazes comigo, pelo menos com esses conto,
E
se não nos encontramos antes de eu sair, espero ver-vos mais tarde,
Uma
vez, quando eu tinha 20 anos, a minha história foi contada,
Escrevia
sobre tudo o que eu via à minha frente,
Uma
vez, quando eu tinha 20 anos,
Em
breve teremos 30, as nossas canções estarão vendidas,
Teremos
viajado pelo mundo e continuaremos a rodar,
Em
breve teremos 30 anos.
Ainda
estou a aprender acerca da vida,
A
minha mulher trouxe-me crianças,
Então
posso cantar todas as minhas canções para eles,
E
posso contar-lhes histórias,
Os
meus rapazes estão comigo,
Alguns
continuam a procurar a glória,
E
alguns tive de deixar para trás,
Meu
irmão, continuo a senti-lo.
Em
breve, terei 60 anos, o meu pai tinha 61,
Recorda
a vida e a tua será melhor,
Uma
vez fiz um homem tão feliz, quando escrevi uma carta,
Espero
que os meus filhos venham e me visitem, uma ou duas vezes por mês.
Em breve, terei 60,
irei pensar que o mundo é frio?
Ou terei um monte
de filhos para me aquecerem?
Em breve, terei 60.
Em breve, terei 60,
irei pensar que o mundo é frio?
Ou terei um monte
de filhos para me aquecerem?
Uma
vez, quando eu tinha 7 anos, a mãe disse-me,
Vai
arranjar amigos ou ficarás sozinho,
Uma
vez, quando eu tinha 7 anos.
E
não é sobre isto que é o sentido da vida? Quando formos velhinhos, teremos
filhos e netos que nos estimem e considerem? Que façam tudo ter valido a pena,
quando nós desaparecermos? Que façam a nossa vinda a este mundo ter deixado
marca?
Os
funerais… valem sempre muito menos do que o que as pessoas pensam que valem.
Poucos estão lá de verdade, com sentimento, lamentando verdeiramente a falta de
quem partiu. Muita gente “tem” de estar porque sim, porque fica bem. Muita
gente está solidária, mas a sofrer com a desgraça dos outros, a admirá-la como se estivesse dentro de um reality show. Há muitas conversas
cruzadas sobre tudo e nada. Cá fora então, no território macho, a distância do
defunto é chocante para quem está em homenagem, e há mas é que ir provar o vinho novo da taberna ali em baixo. O
meu e o teu não serão certamente diferentes.
Lukas
canta-nos sobre pessoas, sobre vidas e o que realmente importa. Já está nos favoritos. A
seguir.
A extraordinária manifestação dos "Lagóias", que desconhecia e tanto me encantou
Ontem aconteceu o último concerto de Natal, deste ano que passou, promovido (e aqui, os louros têm de lhe ser entregues) por esse extraordinário impulsionador da fé, e já da nossa terra, Marvão, que é o padre Marcelino, que em graça, nos caiu nos braços.
Cantavam os "Lagóias", e eu sabia que de cante se tratava. Levei a minha tia namorada à missa antes, e estava muito longe de esperar a qualidade do espetáculo temático, mini—espetáculo, segundo eles; com que iria ser brindado. Segundo explicou o seu diretor, prof. Domingos Redondo (soberba voz), com espírito e brilhantismo, parece que esta forma de cantar é um exclusivo do baixo—alentejo e não é nossa. Por suas palavras explicou que: sim, a gente também é de além—tejo, também gostamos de dar à goela e estamos dispostos a ir contra preconceitos e opiniões contrárias. Por isso, enquanto a gente puder, têm de nos gramar.
E que prazer... Dei por mim de olhos fechados, a saborear aquele coro de vozes de machos, vividos, sabidos e... aquilo era o Alentejo ali à minha frente: à planície, a saudade, o sol, o calor, e o Natal do Deus Menino feito gente, personificado no Príncipe da Paz.
Numa palavra... Deus é amor. E eu senti—o tanto ali.
Esta
é A música. A mais significativa, a mais profunda. O tema emblemático de um
artista que desapareceu, embora tenha nascido para viver da imagem. Um vídeo de palavras. Em
que não aparece. Em que… diz tudo e toca na questão. Rezando por tempo. Por
aquilo que é mais precioso nas nossas vidas e do qual apenas nos apercebemos da
real importância quando ele afunila por uma doença que o vai reduzir a zero. A
nossa maior riqueza: o tempo que temos. Porque desde que nascemos… é sempre a
perder. E esta experiência de vida, de aproveitar tudo ao máximo, é a nossa
maior valia do tempo em que estamos vivos.
O
George Michael representava tudo aquilo que detestava na música, quando apareceu.
Era uma carinha laroca, de uma banda que despejava hits orelhudos, para deitar
fora logo a seguir. As miúdas ficavam todas malucas, a colecionarem posters
para colarem nos quartos. Tudo era o que eu não queria sequer ouvir.
Abominava o gajo, as poses, os trejeitos, os tiques, os sorrisos e a forma de
dançar. A bem dizer, nada se aproveitava ali.
Mas
os Wham acabaram e o artista foi dando provas de querer mudar. No seu disco de
estreia a solo, em 87, ainda agarrado à pele de artista sexual disposto a
partir corações femininos…
Já ia dando sinais de querer mudar de tom, ainda com o mesmo visual,
E
ao quarto single, lança este portento escrito, composto e interpretado de forma
a, nunca mais deixar nada como dantes.
Tudo
apontava para um caminho que haveria de chegar e em 90 o gajo trocou-me as
voltas. A mim e à Sony, contra a qual travou uma gigantesca batalha judicial,
que perdeu. O menino bonito, lançou um vídeo de uma música composta por si em
que, em vez dele a brilhar no ecrã, dava o palco a todas as supermodelos da
altura que eu admirava todos os dias onde quer que as visse (Linda Evangelista,
Naomi Campbell, Christy Turlington, Cindy Crawford) num clip brilhante em que
surgem elas a cantar, num vídeo mágico e histórico do David Fincher (7 pecados
mortais). Vi aquilo e lembro-me de ter pensado: "e esta agora?!?!"
Não
era um caso isolado. O fascínio continuava à medida que o seu talento de
escritor de canções e compositor de melodias se estendia. Sempre com o mesmo
nível, sempre com as mesmas (boas) companhias.
Nos
finais de 90, a sua conduta nada ortodoxa, os seus ímpetos sexuais e consumos alternativos
colocaram-no nos tablóides de todo o mundo.
Mas
era sempre capaz do melhor, para além do pior,
Fazendo
a fusão com Adamski (nova geração)/ com os clássicos (Temptations) em 93
Sempre
que me voltava a sentir mais distante dele outra vez, surpreendia-me. A 1 de
Dezembro de 98, lança “Ladies & Gentlemen: The Best of George
Michael”, com dois discos: um "para o coração" e outro "para os pés". Claro
que foi o primeiro que me bateu mais, e foi a minha banda sonora numa altura
muito concreta da minha vida: casei-me, fui viver com a minha mulher para Marvão,
deixei de ser professor de Inglês na GNR, em Portalegre (após 3 anos e centenas de alunos); e fui trabalhar para a
Amatoscar para Castelo Branco, como chefe de vendas da Opel.
Em
muitas noites que depois de um dia inteiro de trabalho, depois de muito papel,
muito contato, muita responsabilidade, rodar pela cidade e terras vizinhas,
metia-me no carro de regresso a casa e ali tinha a minha cápsula de regeneração,
o meu momento zen. Com este disco quase sempre por companhia, pensava,
programava e refletia. O George Michael passou a ser dos meus, também. De
odiado, a revelado, foi todo um percurso que tardou anos, mas fez-se.
Estive
lá apenas uns meses e depois, saiu a nota do concurso para liquidadores tributários
estagiários, que tinha feito nesse ano, em que a minha mãe teve a queda e foi
pela primeira vez operada. Saiu a nota e, não fui chamado na primeira fase, mas
sim, na 2ª, com o nº 2 053 dos mais de 80 000 que participaram nesse que foi um
dos maiores concursos a nível nacional para a função pública. A partir daí, a
história mudou. Veio Nisa, veio a Leonor, veio a casinha em Santo António, veio
a colocação em Marvão. Nesse entretanto, sempre recorrente, o George ficou. Até
hoje. Até sempre. Até que me lembre dele. Não sairá.
Pelas veredas de Marvão... em repeat... parece que corro sob veludo...
Pai e filha. Ela com os dentes tão direitinhos. Tem-me o meu iphone incrustado na cremalheira. Logo saiu com eles tão tortinhos...
Vinha da formação da Direção de Finanças de Portalegre e
apanhei-a depois das aulas, para casa.
Entrou no carro e ligou o smartphone ao rádio.
- Deixa estar na Comercial…, disse.
- Não… é umas músicas que saquei e tu gostas… eu sei.
De
um disco que eu ouvi, reouvi e ouvi até à exaustão quando entrei para as
finanças no ido ano de 2000 (há 16 anos!), trabalhava em Nisa e ela estava para nascer. Aqui na íntegra:
E
quem estava sentado na esplanada do Serrinha quando a gente passou no carro
deve ter pensado: que grande malucos! Que barulheira!
Sou
um pai de família. Sou o senhor das finanças.
Na
Fonte da Pipa, desliguei o rádio.
-
Agora vamos à avó Alzira dar um beijinho. Damos um beijo, um abraço e saímos.
Faz hoje 22 anos que morreu o meu pai, João Sobreiro. Nesse dia morreu parte de mim, que ficou
morta para sempre. E certamente do Miguel, que adorava e o adorava a ele. Iam quase sempre deitar-se juntos.
Vivi com ele 21 anos. Hoje é um marco. Já estou há mais
tempo sem ele, do que aquele em que pude desfrutar da sua presença. Sinto muito
a sua falta. É natural que ela sinta mais. Era o seu companheiro.
Mas todos sentimos. Ninguém ficava indiferente àquele cometa negro.
Saudades. Aquele grande abraço que a gente dava sempre. Olha por nós. Até que nos voltemos a juntar outra vez.
Tou igual. De vermelho e que nem um paxá.
Num jantar qualquer comunitário. Como me lembro dele. A rir e a fumar. Os dois com o seu amigo Padre Emílio. O reverendo, como lhe chamava. (enquanto lhe servia mais um tintinho)
O chefe do Agrupamento Nacional de Escutas 659, da Beirã
Olhando o infinito, em Moçambique
Com a equipa de futsal de uma geração, com ele de mister. Em cima, esquerda-direita: Paulo Varela, Rui Felino, Paulo Nunes, Jorge Miranda. Baixo: falecido Paulo Maroco, Joaquim Carita, Vitor Felino, José Dias e eu próprio, a mascote, a olhar para o grandalhão da bola e da cabeleira.
PS: Se me visse de cabelo máquina zero, raybantes e bigode... ele que me chateou tantas vezes para cortar a melena e os caracóis que me caiam pelos ombros... haveria de achar graça.