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quinta-feira, 15 de março de 2018

1986 - a Série





A estreia da série “1986” escrita por Nuno Markl, era o happening do momento. Toda gente estava à espera desse primeiro episódio, e até nisso, foi um reviver desse ido ano, há… 32 anos atrás! Deus… dito assim, até dói.


Markl é um dos homens, da nossa comunicação social, há já muito tempo atrás. Figura da rádio (quem nunca ouviu falar d’ “O homem que mordeu o cão”, não está vivo), da televisão (tem participado em diversa escrita criativa da área), do cinema (crítico em diversas publicações, e argumentista de outras obras), desenha maravilhosamente, é craque da net, e sem dúvida alguma, um Nome a ter em consideração, quando se fala de comunicação social nacional.


Puto da minha idade, com apenas mais dois anos que eu, parece que vive noutra galáxia, de tudo parecer que lhe corre bem… mesmo as coisas que aparentemente lhe correram mal (como o casamento com a “musa” Ana Galvão).



Começou na rádio pirata “Rádio Voz de Benfica”, e depois dali, tem sido sempre andar às cavalitas… do seu talento. Andou pela célebre “Correio da Manhã Rádio”, onde conheceu e se tornou amigo muito próximo do Sr. Rádio, Pedro Ribeiro, e dessa amizade/parceria, que não mais (o) deixou, a sua presença diária, primeiro na Antena 3, com o José Carlos Malato e a Ana Lamy; depois na Rádio Comercial; não deixaria de nos animar as manhãs, e os dias. Depois da rampa da rádio, foi notado e haveria de integrar as produções fictícias, do grande Nuno Artur Silva, onde passou a ser adotado pelos grandes nomes do talento humorístico português (leia-se Herman José, e afins), que passaram a ser padrinhos, porque também vivam dele.


Com the Whole bunch... o co-autor Filipe Homem Fonseca, acompanhado de Eduardo Madeira, dos Cebola Mole, em baixo à direita; Miguel Góis e Ricardo Araújo Pereira, dos Gato Fedorento, à esquerda e em cima; Nuno Artur Silva, ao centro, ao lado de quem tudo gravita; João Quadros, do lado esquerdo; e o portalegrense Rui Cardoso Martins, ao seu lado


O Markl é assim um homem… algo estranho, que mais parece um cartoon. Uma barba muito mal esgalhada, que dá o ar de quem não teve tempo para a fazer, uma enorme caixa de óculos, um risco ao meio adornado por cabelos brancos, e um corpinho… nada atlético. Tem, aquele ar de quem se safou de levar mais pancada dos colegas, porque sabia desenhar, e… tinha graça. Ele é, no fundo, uma criança a viver num corpo disforme de homem adulto. Sobretudo, é um amante de música, séries, e filmes, que adora viver no meio desse merchandising e parafernália diversa. E é por ser um tão grande conhecedor destes mundos, que o sucesso desta sua menina dos olhos de ouro, era mais que esperado.  



Para quem viveu esses anos, com a impressão que não foi assim há tanto tempo atrás, a série é… um mimo, uma delícia, um mergulho no passado. Tudo ali está… estrategicamente colocado, para resultar na perfeição:

- Os décors estão maravilhosos, onde não faltam os azulejos de então, os eletrodomésticos, os equipamentos (televisões e gira-discos, por exemplo), os sofás, os cortinados… tudo!)


- O guarda-roupa aprimorado à exaustão: dos sapatos, aos anoraks, das calças às camisas, dos óculos, aos relógios…



- As personagens estão todas muito bem desenhadas, tipificadas, esculpidas, com tiques, jeitos, e expressões que as definem muito bem. Ali não falta o pai comuna, crítico de cinema, ou os professores, desenhados ao ponto, onde não faltou a setôra boazona (quem não teve uma que desejou ardentemente?); ou os colegas, que parecem mesmo um que conhecemos, tal e qual: do heavy metal (alô meu amigo Bitch da Póvoa e Meadas!) à gótica (naquele então, os miúdos vivam muito mais em estanques; enquanto os de hoje são quase todos mainstream), passando pelos miúdos bonitões, mauzões, desportistas, que quase sempre nunca chegaram a lado nenhum na vida;



Neste video em baixo, apresentados,em direto, no programa "5 para a meia-noite"

- A envolvente mundial (pós guerra fria) e nacional, no tempo quente da corrida às presidenciais entre o Freitas e o Mário Soares. Nesse então… também eu puxava pelo professor (o facho! Isto visto por eles), muito pela influência da minha prima Mimi Carita, para fugir ao esquerdista (comuna?) Soares. A minha perspetiva era a inversa, à do protagonista.


- O argumento, que ainda está por descobrir, mas já vai dando laivos de uma visão crua e realista, daquilo que foi viver naquele período (a timidez, o abandono, a doença).

Ora todas estas peças, jogam bem e fazem parte de um quadro que resulta imponente, muito por ser solidificado por uma banda sonora absolutamente fabulosa, de mais de 100 temas cristalizados numa playlist do Spotify (“1986 – Canções para uma série”), com 128 canções, 9 horas e 54 minutos (Como dizem os brasileiros, “MASSA!”), que tenho estado a escutar, enquanto a prosa se desenvolve.


Como disse, esta série teve o mérito enorme, de hoje conseguir juntar a família, à volta daquele que era, naquele então, o centro tecnológico nevrálgico de uma casa: a televisão. A memória que tenho desse tempo, era eu, o meu irmão (o puto, 6 anos mais novo), o meu pai, e a minha mãe, todos a vermos o mesmo. Ele, deitado no sofá da sala (pai, era pai. Pai mandava!), estando eu e o meu irmão sentados, na outra ponta, aconchegados entre as pernas dele e a camila; enquanto a minha mãe, numa cadeira, fazia trabalhos manuais, tomava notas, ou fazia contabilidades, numa cadeira. O meu pai fumava e nós ríamos, a ver o “1,2,3” do famigerado Carlos Cruz; ou os “Jogos sem Fronteiras” apresentados pelo Eládio Clímaco. Programas para a família.


Na minha casa, hoje em dia, uma casa não abastada, mas da classe média, quando muito, cada um… vê o que gosta, quer e consegue. Temos o prazer de estarmos juntos, e sabermos que somos quem mais gostamos no mundo, mas neste tempo… eu não obrigo a Alice a ver as notícias, os documentários, ou os debates, que nada lhe dizem; como ela não me obriga a jogar os jogos da gata no tablet, ou a mãe não obriga a Leonor a costurar, ou a ver o CSI Las Vegas ou Miami, que ela adora, nos (escassos) tempos livres. A Leonor habitualmente, quando não está a estudar, está a descomprimir, ou a rir-se à gargalhada com os que segue no instagram ou outra rede qualquer.

Ontem, estávamos os dois, eu e Leonor, a ver a mesma coisa. A rirmo-nos das  mesmas coisas, sem confrontos de gerações. As mesmas piadas. Só não percebi, aquela tanta  piada, quando ele disse que "o outro ia perder os 3"...

? Dá ssim tanto que rir?!?

Enfim... esta série “1986” é um portento, quanto mais não seja porque mostra aos miúdos deste tempo, como as coisas eram no século passado, quando tínhamos a idade deles. Alguma vez tinham ouvido falar numa cassete, vulgo K-7? E já teriam imaginado que um videoclube (magistralmente recriado na série), era um sítio, e não um serviço do operador de Televisão? Conseguem imaginar o planeta, e a vida, sem telemóveis? Pois eu lembro-me perfeitamente deles aparecerem, em forma de tijolo, enormes! Agora, assistimos às notícias, no horário de trabalho, transmitidas num. Vejam-me bem a vertigem dos tempos. Esta série traça um quadro belíssimo, que vai ficar!

Markl, muitos parabéns. Eu não sei o que vocês estão a pensar fazer na próxima terça à noite. Mas eu, apesar de já saber, onde os episódios transmitidos irão ficar alojados, e de ter a série a gravar, vou ter os olhos colados no ecrã. À antiga!

Até então!


Da banda sonora, esta delícia, com a grande Lena D'Água


E esta magia, com a sempre brilhante Ana Bacalhau

Tiago, o alter-ego do próprio Markl
Marta, a bebé da escola

Sérgio, o heavy

Patrícia, a pequena vampira

Gonçalo, o bully betola. Odeio! Vontade de lhe dar uma pêra!

Eduardo, o pai histrónico

Fernando, o empresário visionário

Tó, o fixe tech




1º Episódio disponível no link abaixo:




http://visao.sapo.pt/actualidade/cultura/2018-03-13-Os-anos-80-segundo-Nuno-Markl

E o meu comentário ao Chefe

sábado, 24 de setembro de 2016

A escola, o futuro e o 9 H


Vi completamente hipnotizado a extraordinária “Grande Reportagem” da passada quinta-feira, que a SIC passou no final do jornal da noite: “A escola, o futuro e o 9º H”.

Nela, a jornalista Miriam Alves deu um verdadeiro recital de categoria, numa peça de superior qualidade onde a câmara, a montagem, o próprio texto, a forma como intercalou as conversas que manteve com professores e alunos ao longo de todo um ano letivo, a tornam para mim, numa referência na nova forma de ver esta nobre peça jornalística.

Fiquei estarrecido por ver a forma como esta nova geração opina sobre quase tudo, a desenvoltura que têm e a nova forma de se relacionarem com o ensino que eu sempre conheci.

São 30 anos de diferença, 3 gerações, mas o hiato é abismal.

A reportagem, na íntegra, aqui, para os meus leitores. ;)


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Teletesourinhos perdidos do vosso Tio Sabi (parte I)


Tenho que me render à evidência e perceber estes nossos (novos?) tempos já não são os meus. Coisas que sempre pensei já estarem inacessíveis, desaparecidas em cassetes VHS perdidas para sempre, afinal estão bem aqui, ao virar da tecla.

Dou uma gargalhada sobre uma coisa qualquer como a Bruja Averia fazia e dou com a minha filha Leonor a meter a cabeça de lado do monitor do computador, a olhar-me de esguelha, como se estivesse passado. Mais passado, digo.

“Estás-te a rir?”, perguntei. “Quando tinha pouco mais anos que a Alice passava-me a ver os Teleduendes na televisão espanhola e a bruxa malvada ria-se assim. Ai não acreditas?”

Youtube (onde agora está tudo) e pim! Cá está ele!

E a Alaska? Uuuhhhhh... and the first black wild wet dreams?


“Eina pá! Isto tem mesmo cá tudo. Vamos ver se tem aquela edição louca da Roda dos Milhões que nunca perdia na RTP 1, em que o Herman teve uma edição inesquecível e num desvario louco rebentou com a montra de prémios a tiro de caçadeira…e TCHARAM! Le voilá!


Epá… Isto aqui está bom demais. (alô Roque Santeiro!)


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Retratos da Cegueira


A tradicional reportagem do Jornal da Noite da SIC de hoje, tinha o inusitado título/assunto “Retratos da Cegueira”. Confiante no nível qualitativo das antecessoras, comecei a ver, levado pela estranheza. “Que coisa esta de meter cegos a fotografar?!?”

Surpreendeu-me uma reportagem de qualidade rara e de uma sensibilidade extrema de enorme saber jornalístico de Ana Sofia Fonseca. A minha vénia. 


Tocante em diversos pontos, profunda em muitos outros, para mim foi mais um marco jornalístico no historial do canal.

Dramática em cada cegueira, em cada relato, em cada interlocutor. Se há quem me ache um vencedor pelo passado recente, fico rendido à força destes titãs de querer viver.

Terminou da melhor forma, com o ouro do relato da Patrícia Arsénio. 


Uma Lutadora colega blogger com quem tive prazer imediato de comunicar ainda que sem resposta. Para já. Caiu no coma sem saber bem porquê e dali teve de aprender a refazer toda a sua vida. Não ficou a chorar o que perdeu. Antes olhou para a frente para voltar a andar, a falar e ainda conseguiu encontrar força para escrever. Tudo isto sem conseguir ver. Estes exemplos fazem-me perceber o quão maravilhosa é a vida. O milagre de estar vivo.







Diz que tem um blogue para “escrever aquilo que lhe vai na alma, afastar os fantasmas, dizer às pessoas que podem ter esperança”. Colega blogger. Com um pelos mesmos motivos.

A Patrícia pode ser lida aqui http://pandora-ogum.blogspot.pt/, no seu sítio. Que recomendo.


Força e até que a gente se veja.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O Peri que pode haver em nós (porque a linha é tão ténue)




Uma reportagem única, de altíssima qualidade.

Um personagem digno de livro de aventuras e de romance. Romance tão grande como a família que tem e não conhece, fruto dos muitos amores que o consumiram e o deixaram na penúria.

Os excessos, o poder, a fama e álcool, mas também a compaixão e a camaradagem.

O esplendor de ser brasileiro, de saber cantar perante as adversidades e aproveitar esta bênção única de estar vivo.

De certeza que vai ver prémio(s).

Não perderei o regresso.

 


sábado, 15 de março de 2014

Rita em Alta Definição



Já com o meu comentário com a nova foto de perfil do facebook desta manhã (Third brain eye selfie with emplastro aka Leonor Sobreiro). Agora é correrem para as gravações automáticas porque vale mesmo a pena. Quem é amigo, quem é?

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A tv esperta

Eu sonhava com uma maior que a Alice mas... (assim ainda é maior que o tamanho do rádio...)

Eu estava fartinho da velha televisão. A bicha já tinha mais de 13 anos. Tinha sido comprada quando trabalhava em Nisa e custou-me uns 240 contos caríssimos, nunca mais me hei-de esquecer. Mas tinha um ecrã de 82 centímetros na diagonal e valia então bem a despesa. Era uma máquina, um monstro encantador. Para mim valia o dinheiro porque cá em casa… ou melhor, na casinha de Marvão (onde nos vimos aflitos para a enfiar lá…) era o máximo e por acaso... era eu quem mais gostava dela. Lembro-me que a Leonor ainda não tinha nascido e a Alice... acho que também não.

Tudo tem um fim e agora já estava desertinho que ela rebentasse mas não havia meio. Os anos passavam e hoje era um caixote que parecia um aquário daqueles grandes que há nas marisqueiras.  

Já há anos, num dia de limpezas grandes vi-lhe escorrer um líquido negro por baixo e fiz logo um festim. Pensei: “Ah, cabra que já rebentaste!”. Foi-se a ver e tinha sido uma garrafa de óleo de cedro que lhe tinha caído por trás. Fumo negro.

Os tempos são difíceis e ele não sobeja mas não se podia adiar mais a espera. Não se podia ou não convinha. Não me convinha, vá. As minhas miúdas mereciam uma televisão em condições, ou… o paizinho também já merecia uma coisinha melhor. Junta-se o útil ao agradável e…

Não quis andar a estudar o assunto. Não tendo tempo, nem paciência para fazer um estudo de mercado, fui à Worten e deixei-me apaixonar por uma smart tv da Sony. Eu sonhava com uma televisão fininha e um ecrã gigante. Analisei o que estava exposto e deixei-me apaixonar por uma smart tv. Não tem os 100 e tais cm que eu queria, só tem os 82 cm que tinha a outra mas é fininha, fica a matar na sala e não precisa de mais tamanho porque não vivo num pavilhão. Ela tem razão. Como sempre. Quase.


A smart tv ainda é uma incógnita com muitas potencialidades para descobrir. A Sony, amiga do ambiente, já não imprime manuais e disponibiliza-os online. Assim que tiver tempo hei-de descobri-los. Entretanto, vou indo às apalpadelas. Eu e elas. Uma coisa que já descobriram e sabem bem mais que eu, é a possibilidade de navegarem na internet na televisão. Enquanto terminava o jantar com a mãe, dançavam e cantavam na sala, deixando perceber como é fácil um vídeo tornar-se viral, como este que desfrutaram à exaustão,




Ou perceber que é na net que nascem novas estrelas como Vasco. O rapazinho que apesar de pequeno é gigante como lhe disse ao ouvido em Marvão quando nos cruzámos nas suas gravações do “Sabe ou não sabe?” da RTP1. Acho que elas viram e repetiram estes todos.















A tv já não é tv. É pc/tv. É um mundo. Getting old...



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Talentos




Eu não sou exceção a ninguém e, como melómano, como apaixonado do mundo da música, também gosto de ver o Factor X, o programa que toda a gente acompanha na SIC. Não estou ali sentadinho, à frente da televisão a seguir tudo ao pormenor mas gosto de passar a noite de domingo que fecha um fim de semana de muitas arrumações e limpezas, a ver pelo canto do olho o programa que elas acompanhavam. Enquanto vou fazendo outras coisas no computador, vou vendo o que se passa por ali.

E o que se passava por ali era que o nível estava muito alto. Os críticos são bons e sabem o que estão ali a fazer.


Meia volta, volta e meia, os candidatos prendem-me a atenção e o olhar porque aquilo não é só cantar. Está muito longe de ser só isso. Percebo a emoção nos olhos de quem sabe e as lágrimas de gente rodada como a Sónia Tavares dos Gift quando vêem casos assombrosos como o de Diogo Valente, um miúdo rapper que tem um dom surpreendente de construir mundos de palavras vindos do nada com uma facilidade estonteante…


ou a Mariana, uma miúda açoriana com apenas 16 anos que toca piano, guitarra e canta de uma forma tão à vontade que faz acreditar que Deus existe porque é impossível que alguém tão novinho já tenha vivido para ter aprendido para fazer tanto e tão bem;


Ou um Rui Silva, miúdo que toca e canta e entra cá dentro. Olhem, tantos… Tantos e com tanto talento. Oxalá tenham oportunidade porque talento… não lhes falta seguramente. Cá estaremos para ver.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A televisão é SIC, sic, sic...




A SIC é a minha televisão, porque é, de longe, a melhor. Nada de TVIs que é só brejeirice e nada de nada estatal porque a RTP está subjugada há muito tempo ao poder estatal.

Antes de ser vice-primeiro ministro e número 2 do governo, o Paulinho das feiras, depois de ter desancado forte e feio no Cavaco no jornal Independente, já temia que corressem atrás dele. Dizia então para terem “cuidado com a televisão do Balsemão!” Medo… Muito medo…

As voltas que o mundo dá… Há meses foram juntos ao funeral do abrasado do Hugo Chávez, em representação do Estado Português. Lado a lado… Imagino as conversas, tomando um Licor Beirão, claro! porque temos de defender o que é nosso.

Quanto à SIC, hoje deu-me dois momentos altos do dia.


Momento 1 – A notícia era: O Tribunal da Relação do Porto mandou readmitir um trabalhador do lixo por trabalhar embriagado. Os juízes consideraram que o álcool até pode atenuar as agruras da vida e melhorar a produtividade. A empresa de gestão de resíduos Greendays vai recorrer da sentença, considera que a decisão do Tribunal da Relação do Porto é "surreal".
Leiam bem outra vez e segurem-se! Isto é mesmo verdade! A gente vive num país assim! Absolutamente genial. Nem os Monty Python se lembrariam de um momento destes num momento de criação pura a roçar a loucura. O pessoal lá do tribunal pensou assim: “epá, mas o gajo andava grosso a acartar com o lixo? Não há mal nenhum nisso! A ver tudo aos S e sem poder cheirar, até lhe custaria certamente menos!” Tá bem! Pode voltar!



Momento 2 – A notícia era: Em Marvão, a piscina fluvial e o centro de lazer de Portagem são o centro das atenções nos dias de calor. A população chega a aumentar cinco vezes e os negócios locais agradecem.

Para um gajo como eu que tirou o curso superior de comunicação social sonhando ser jornalista, sei que é pouco. Mas se repararem bem, no final, a nadar na piscina, de óculos pretos apareço eu! É certo que quando a SIC nasceu e eu estudava em Lisboa, tinha ideia de aparecer mais vezes, mas… assim sempre é melhor que nada! Pelo menos a minha querida cunhada que está a passar férias no Algarve ligou-me logo de manhã a perguntar se era eu e o meu querido irmão Pescada, colega nas finanças desde o princípio onde formámos uma dupla imbatível em Nisa, tipo Batman e Robin dos tempos modernos, também me perguntou o mesmo. Viram que não foi casualidade? Posso aparecer menos que o Baião mas sempre apareci. E eu sou mais melhor bom como diz a minha Alice porque gosto mais de mulheres que ele que de pegar de marcha-atrás não se livra da matrícula!

nota: os vídeos só foram publicados na minha página do facebook. Por pura azelhice minha ou do pc, não entraram aqui. Vejam na outra taberna que vale mesmo a pena!


domingo, 23 de junho de 2013

morreu Tony Soprano





Só por manifesta falta de tempo é que não pude manifestar aqui, na minha casa virtual, o meu pesar pela morte de James Gandolfini, o ator que para mim ERA Tony Soprano. Único e insubstituível! O coração traiu-o e morreu esta semana, no dia 19 de Junho. Passou para o outro lado com apenas 51 anos de idade. Era muito jovem. Too young to die, dirão os seus comparsas, os da sua famiglia sempre vestidos de t-shirts de alças, suspensórios, calças vincadas e sapatos engraxados ao brilho numa esquina de Nova Jérsia onde costumavam passar as tardes a magicar sobre as últimas jogadas para enriquecer da maneira mais fácil e ilícita. Fosse no célebre clube de strip Bada Bing! do qual eram proprietários, numa qualquer tramóia do negócio dos lixos onde criavam fortuna ou apenas a vender da branquinha, o certo era que alguma coisa haveria de dar dinheiro.

Não me consigo recordar de uma outra personagem que se colasse tanto ao ator. James Gandolfini fez outros papéis em televisão e no cinema mas, nenhum outro sequer almejou a chegar lá perto da sua personificação de Tony, o líder dos sopranos, o chefe mafioso deprimido mais famoso da história.

Digam o que disserem, também estou de luto porque morreu o Tony Soprano. Apaixonei-me por esta série e ela era de longe, a anos-luz de distância da concorrência, a minha série de televisão favorita. Ainda tenho lá pra ao arquivo multimédia do sótão, caixas de séries completas que importei pela net. Ao nível de importância na minha vida, apenas os Simpsons com os quais me delício há décadas e os X Files andaram lá perto. Perto mas muuuuito atrás.

A figura do chefe da máfia que colocava a vida em questão arrebatou-me. Mas não foi só ele. Todo o elenco era delicioso, repleto de personagens inesquecíveis: o sobrinho Christopher Moltisanti sempre agarrado à branquinha;  Silvio Dante protagonizado por Steven Van Zandt, guitarrista da E Street Band do Boss Springsteen e Paul Gualtieri, tratado na família pelo diminuitivo Paulie deram-me horas, centenas de horas de puro prazer à frente do ecrã.

Eu vivi tanto aquilo, identifiquei-me tanto com a forma de sentir e pensar do Tony que acho que até cheguei, tal como ele, a ter sonhos eróticos com a sua psicanalista, a Dra. Melfi.

Fosse a jogar snooker, poker, dados, a roubar ou a matar, vê-los trabalhar era um prazer. Tão feliz que fui com eles.


James Gandolfini morreu de ataque cardíaco em Itália. Não havia forma, nem local mais apropriados. Até a morrer representou. Paz há sua alma. Numa tirada ao melhor estilo da sua personagem: “Que esteja lá muitos anos sem nós!”







sábado, 18 de maio de 2013

Altas Represas. (Represas em Alta Definição)

Não vejo sempre o programa Alta Definição. Não sou daqueles indefetíveis que nunca perde uma edição. Mas quando posso, o que é pouco comum (um pai que tem a seu cargo duas filhas pequenas quando a mãe trabalha aos fins de semana, raramente tem as tardes de sábado livres para si), espreito para descobrir se a pessoa à qual estão a perguntar o que dizem os seus olhos me agrada. Foi o caso hoje: ter vagar e querer ouvir os pensamentos do Luís Represas. Foi importante ter passado esta última hora a “falar” com ele, sobretudo a ouvi-lo. Nunca fui seu fã mas gosto de muitas das suas músicas, sobretudo das suas palavras, da poesia. A conversa de hoje foi com um homem maduro, realizado consigo e com a vida. Tivemos oportunidade de conhecer melhor um homem bom com o qual pude aprender.


A conversa teve momentos altos que foram muito bonitos como quando comparou a vida a um edifício, sendo que estamos sempre a viver a fase da construção do último andar, o mais recente. Apesar da importância das últimas fases em construção, importam sobremaneira as fundações, as bases que aprendemos dos nossos pais. Esta é uma ideia sábia, enternecedora e inédita para mim. Gostei.

Como foi novidade a comparação entre a relação de duas pessoas e um serviço de mesa. Para funcionarem, têm ambos de serem usados, de se desgastarem, de arriscarem a que se partam. Um serviço que seja precioso, muito bonito e se use muito raramente, não tem valor prático. Agora substituam a palavra “serviço” por “relação a dois” e verão como tem razão. Verão como é verdade.   

Verdade e bonito. Como bonito foi o momento em que disse que gosta de pensar nos erros que comete, em vez de os tentar esquecer. Ao contrário do esquecimento, diz que tenta sempre minorar o impacto de negativo de um que aconteça, tentando percebê-lo e corrigindo os seus danos.

Ter visto o programa permitiu-nos aprender a lição que aprendeu dos seus pais e eu também aprendi dos meus. Uma importante máxima de vida: “seja o que fizeres, tens de fazer bem. Não interessa o que seja. Mas seja o que for: fá-lo bem. Esforça-te por fazê-lo melhor todos os dias”.

Também sou assim. Se esta máxima fosse comum a mais pessoas e se aplicasse não apenas à profissão mas a mais áreas da vida, às relações, a nós próprios, o mundo certamente seria um sítio bem melhor para se viver.

Alta Definição é, por vezes (quando o entrevistado tem qualidade para isso), o programa de uma televisão privada a prestar serviço público: ensinar os espectadores, ensinar quem vê, ensinar as massas. Bom.

domingo, 24 de março de 2013

Twilight zone: O regresso de José Sócrates à RTP




Tenho lido e visto muito sobre o regresso de Sócrates à RTP. E já falta pouco, menos de um mês. É um assunto que me fascina, me espanta e assombra. É uma questão que acho passível de múltiplas leituras.


De todos os que me merecem respeito e vejo com atenção, foi aos Homens da Luta, do programa Sábado à Luta da SIC que gravo sempre e nunca perco que ouvi a melhor frase sobre o regresso. O grande Jel e o seu irmão Falâncio disseram que o regresso de Sócrates ao comentário político à RTP era tão disparatado como meter o Carlos Cruz a apresentar a Rua Sésamo. Muito bom. Nota máxima para isto. Humor um pouco negro mas do mais fino recorte. Há coisas que não se fazem. Pensar já é mal. Fazer é pior.


Com isto disseram tudo.


É muito cedo. A ferida ainda está muito aberta. Eu, ao contrário dos que assinam petições, vou fazer aquilo que não deveria fazer: vou ver e seguir com atenção.


O Sócrates é como o Relvas. Um fiasco. Ou mais: é pior. É mais refinado. É um pantomineiro de primeira. Tem classe no que faz. O Relvas é brutinho e ponto. Este não. É elaborado. Uma coisa é um indivíduo dizer que não sabe nada. Outra é um indivíduo não saber, dizer que sabe e sair-se bem ao dizê-lo.


Este engenheiro da treta só se meteu em trapalhadas. Não fez uma certa.


O Sócrates é uma cabra refinada.


Quero ver o que aí vem. E quem é que paga?


Este regresso é uma jogada muito positiva para o PSD. É tão rebuscada e tão elaborada que não pode ser do Relvas. Mesmo que ele quisesse, não chegava lá. É jogo demais para ele.


O homem andou a estudar filosofia em França. Imaginem bem. Filosofia! Um curso da tanga mas certamente com nível.


O único triste que não consegue compreender o absurdo de tudo isto é o António José Seguro,


Pudor, meus senhores. Pudor. Será que esta gentalha compreende o poder desta palavra?


 Pudor.


Tudo se resume a isto.


Eu sei que para quem não compreende isto é difícil perceber a complicação da coisa. Mas eu posso tentar explicar.


Aquilo que o bom do Sócrates vem fazer é tudo menos comentar política. Ele vem fazer política. Fazer política, mesmo! Recordar más lembranças aos portugueses, a bem do PSD. Recordar o seu ainda muito recente mau tempo, a bem do PSD. Colocar entraves à liderança do PS, a bem do PSD. É uma cartada de luxo do Passos Coelho que a joga sem sequer sonhar o jogo que tem.  Ou melhor, nem sequer a joga a carta. Esta cai-lhe no colo.


Quanto aos comentadores, eles têm que saber do assunto e estar distantes quanto baste. Exemplo: um jogador de futebol pode, depois de pendurar as botas, ir fazer o papel de comentador. Já lá esteve, sabe como é e fala sobre isso. Compreende-se. É plausível. Isso é um comentário.


Sempre tive medo que isto pudesse vir a acontecer. Não desta forma, tão rápida e óbvia. Temia que o homem se enchesse de coragem e viesse de aqui a uns anos, candidatar-se à presidência da república. Sempre esperei que caso isso acontecesse, o povo português soubesse dar uma resposta cabal e metê-lo no seu lugar.


Veremos agora se sabe estar ao nível.


O problema não é ele só. Nem é o culpado de todo o mal que nos aconteceu. Nem é todo o culpado da situação em que nos encontramos agora.


O problema é que ele pode ser a mola que pode reabilitar e ressuscitar todo um exército de militantes da sua “guarda” privada.


Sempre que os via nas notícias, estremecia apenas de rever o seu semblante. Agora que o mestre está de volta. Quem é que segura a maldição? (É que o Seguro nem sequer a vê).


 Quem é que consegue prever onde tudo isto irá parar?