
Agora parece que é oficial...
Diz quem sabe… que vem uma vida a caminho.
E eu sinto-me… abençoado.
PS: E a banda sonora do momento na minha cabeça é só uma...

Dizia para comigo, “eu sabia! Eu sabia que isto ia pegar”.
Foi então que decidi ir falar com a organização para os felicitar e colocar os préstimos da câmara ao dispor. As minhas demandas encaminharam-me para um quiosque no meio do mato, pintado de todas as cores, com muitos hippies à porta, todos eles com ar amigável. Lá dentro, apresentaram-me ao responsável que era um tipo muita grande que falava ao telefone sem parar. Eu a dar-lhe os parabéns e a dizer-lhe que estava tudo maravilhoso e que para mim aquilo vá, era um sonho… e o gajo nada! Vai de falar ao telefone, a marcar com este e a desmarcar com aquele e eram só grandes nomes (para quem consegue ressuscitar o pai Jimmy, nada é impossível!). Como a conversa não dava atilho, lembrei-me de ir beber uma mini (com álcool, claro!) na taberna que tinha nascido a uns metros dali de um dia para o outro. No caminho, tropecei num pedregulho e quando levantei a cabeça vi a cara da minha filha a um palmo de distância, a dizer “pai, acorda!” e quando olhei para o lado já só vi os cortinados. Ainda meti a mão no bolso do pijama, numa vaga esperança de encontrar os bilhetes que tinha acabado de comprar mas nada. Nem o troco, sequer! Logo agora que estava tudo tão bom…
Eu tiro o tubo!
Para me esquecer do desalento, dirigi-me para a cozinha onde lhe preparei o “pequeno-almoço-de-princesa-nº 2” que inclui duas torradas de pão de forma com manteiga de vaca e uma chávena de mokambo meio escurinha e bem quentinha. Quando estava meio da coisa, começo a ouvir um “cccccccchhhhhhhhhhhhhh” muito intenso e eu assim a pensar, “ena pai, o que chove!”. Confirmando pela janela, vi o céu limpo e nada! O “cccccccchhhhhhhhhhhhhh” tinha de ser de outro lado qualquer. Como me parecia água, fui ver se era do autoclismo mas não me pude demorar com as averiguações porque já tinha a torradeira aos gritos. Digo, bem, primeiro entrego a merenda e depois já vejo. Foram os minutos que demoraram esse “já vejo” que me amolaram. Seguindo o barulhinho, pensei num bicharoco dentro do armário, mas não, olha, tinha sido um tubo da água que rebentou e já me tinha o móvel com perfumes, pentes, lenços de papel e outras miudezas a boiarem como se estivessem a bordo do Titanic. Bem engraçado! Primeiro levo uma nega do festival e meia-hora depois estou armado em Super Mário 2, de cú para o ar a tentar estancar a hemorrogia aquela que eu nunca pensei que um tubo tão pequenino pudesse levar tanta água. A hora que se seguiu, a salvar o que pudesse como o Noé e a tentar retirar a torneira também foi uma maneira bem engraçada de começar o último dia do fim-de-semana. A bacia, ainda lá está, esventrada, à espera de levar a prótese que lhe falta.
Para mim, foi a prova que confirma um dos meus maiores medos, o de um dia sair da minha casa, deixar lá todos os meus pertences e não encontrar nada ao regressar. Estes acidentes naturais, tipo fogos, inundações e afins, trespassam a minha mente todos os dias, no milésimo de segundo em que rodo a chave antes de sair. Se em vez de ter sido agora, tivesse sido quando estivesse a trabalhar, o desfecho podia ser bem diferente e isto sim que assusta, só de pensar.
Sentinela!
Por falar em figuras bíblicas, ao chegar ao pé da viatura, reparei que as últimas mudanças bruscas de temperatura trouxeram não só a geada de volta, mas também os seus primos jeovás, como os que deixaram no vidro de trás, o último exemplar da “Sentinela”, datado de 1 de Abril de 2008. Bela publicação esta! Na primeira página perguntava a letras garrafais, “O que é o Armagedom?” e eu pensei para comigo que não sabia bem o que será mas que a minha manhã deveria de estar a ser bem parecida. Perdi algum tempo a ver aquilo e está engraçada. Nela aprendi as palavras sábias, “Procurai a justiça, procurai a mansidão”, exortadas pelo profeta Sofonias (Sofonias 2:3), numa altura em que o profeta perdia incompreensivelmente por 3 bolas a duas quando jogava em casa, perante os seus adeptos e toda a torcida local.
Agora que penso nisso, nunca compreendi porque é que estes Jeovás são tão perseguidos, os pobres, quando também gostam do Jesus. Estou capaz de escrever para a Rua Conde Barão, 511, P-2645-109 Alcabideche, a ver se me podem explicar. Isto se não incomodar muito, é claro.
A Pequim 2008

Por falar em Jogos Olímpicos, gostei de assistir aos últimos combates do Europeu de Judo que decorreu em Lisboa, no Pavilhão Atlântico.
Não gostei foi de ver o Laurentino Dias a entregar as medalhas de uma cerimónia tão solene, assim em mangas de camisa. Eu que não sou propriamente um adepto de protocolos, não gostei de ver mas prontos, são modernices. O chefe dele, aquele que tem nome de filósofo e não gosta que a malta nova ande com acessórios metálicos, também não devida de permitir estas confianças, mas ninguém é perfeito.
Vi as senhoras a lutarem e prova final dos homens com uns bisontes que pesavam mais de 100 quilos e devem de comer para aí uns 300 papossecos com marmelada ao pequeno-almoço. Devem ter sido criados a peito até aos 9 anos porque se um daqueles me caísse em cima, eu tinha o ataque de asma do século e só saía de lá enfiado num saco preto. Mas é giro. Cada combate dura quatro minutos e tal, desses todos, gastam 3 agarrados, a rosnar um para o outro e de repente, há o que mete o pé e lá vai o outro de cangalhas. Pensei que a nossa sociedade é injusta. Castigamos os colegas da minha filha que andam na escola a rasteirarem os companheiros e damos medalhas de ouro a estes que levam o tempo todo a fazer o mesmo, ainda por cima de pijama e em público. Vá-se lá perceber…
No entanto, não há coisa que me comova mais que ver um atleta a ouvir o hino no pódio, de medalha ao peito, enquanto é hasteada a bandeira do seu país. Não é por nada mas se repararem bem, na expressão do olhar que fazem nesse instante, vêem-se as horas de treino e os sacrifícios todos evaporarem-se numa lágrima fugidia que transforma a expressão num sorriso de “valeu a pena!”.
É bonito.