sábado, 28 de março de 2009
Off to Finland!
Bom, meus amiguinhos… o Tio Sabi está de malinhas aviadas. Se a Finlândia for como eu espero, toda high tech, com Internet sem fios por todo o lado, talvez dê novidades.
A ver vamos…
Bye!
Laçarotinho... Descansa em paz
Não cantavas grande coisa mas prontos… eras muito engraçado.
A Cris bem dizia que andavas estranho. O vizinho Mário disse que andavas saído… Antes fosse…
Ao menos tiveste uma morte santa.... como um passarinho. Valha-nos ao menos isso.

Delirium!
Na minha opinião, os anos em Portugal deveriam de começar agora a contar do zero.
Para trás teríamos o período A.P. (Antes da Playboy) e começaria agora o D.P. (Depois da Playboy). Só de pensar que eu nem sequer sabia disto, ó valha-me Deus!
E a forma como soube não podia ser mais discreta e profissional. O meu fornecedor habitual de jornais e revistas, o meu estimado amigo Rui Boto (passo a publicidade), enviou-me um sms que dizia simplesmente “Playboy nº 1”.
E eu respondi: “QUERO!”.
Corri e dou de caras com aquela que é para mim, uma das mulheres mais bonitas e sensuais de todo Portugal, a portentosa Mónica Sofia.
As fotos estão absolutamente deslumbrantes e capazes de deixar qualquer um de “cara à banda”. Isto para não falar nos restantes portfolios desta edição. A das amazonas então… Muito bom!
E eu digo “Aleluia!”. Porra pá! Já merecíamos isto!
A Maxmen e a FHM ficaram agora a anos-luz para trás, a lamberem a poeira. Estamos fartos de fatos-de-banho, caraças! A Playboy é letra! Um hino à mulher!
Adoro! Ainda falta um mês para a próxima? Raios!
sexta-feira, 27 de março de 2009
Dias de Rock
Agora que os meses que distam do final do mandato já permitem olhar para a frente com indisfarçável alívio e para trás com o discernimento que só tempo traz, recordo o Rockfest com orgulho pelo que foi, com tristeza pelo final abrupto e sobretudo, com muita saudade.


O Marvão Rockfest foi uma das minhas grandes promessas e ambições para o Pelouro da Juventude, na tentativa de fazer um grande festival que celebrasse Marvão e o colocasse na rota da malta nova de todo o país.
Nas suas duas breves, mas muito intensas, edições, senti que quase o consegui.
Recordo como foi difícil convencer a quem de direito de que valeria a pena, de como trabalhei para recrutar promotores (Luís Montez e Álvaro Covões incluídos) e de como tudo se tornou possível graças ao apoio da Delta e da Heineken, conseguido pelo espírito persistente e empresarial do meu amigo e colega Zé Manel, honra lhe seja feita.
Depois foram dias de trabalho árduo de volta da programação e promoção; montando uma estrutura pesadíssima ao nível de palco, som e luz; acertando todos os detalhes de logística (comidas, dormidas e caterings para aquela gente toda), de presença constante e sempre disponível no terreno para que nada falhasse.
Foram dias disto tudo mas sobretudo de sonho, divertimento e de pura ilusão, sempre trabalhando em equipa.
O Rockfest teve tudo para vingar e crescer. Estiveram então entre nós alguns dos nomes maiores da música nacional e contámos com um forte apoio financeiro que no primeiro ano chegou a custear a totalidade das bandas. Chegámos inclusive a ter a família Nabeiro e a director nacional de marketing da Heineken a jantar e dar o seu aval na estreia connosco. Jamais esquecerei os rasgados elogios que teceu à beleza do espaço e a toda a organização por não ter descurado o mais menor detalhe.
Após a primeira edição chegou a projectar-se um grande festival ibérico a realizar na fronteira de Marvão com bandas dos dois países num line-up conjunto que atrairia assistências das grandes cidades limítrofes num universo de muitos milhares de potenciais consumidores. Chegámos inclusive a reunir com a equipa que realiza o festival de Paredes de Coura e estivemos a um passo da concretização. Faltou uma atitude política de força e confiança. Teríamos de ser nós a assumir a parte de leão e não houve vontade superior de arriscar.
Foi preferível ceder à mentalidade curta e cinzenta, às críticas fáceis, aos comentários de esquina e o projecto foi assim encerrado e engavetado, tendo sido selado numa Assembleia de má memória em que só faltou apedrejarem-no.
É certo que em ambas edições o tempo inexplicavelmente nos falhou apesar de ser Junho. É certo que o sucesso seria outro se o tivéssemos realizado num outro fim-de-semana mesmo que coincidisse com uma festa popular do concelho, num mês de garantia meteorológica e de assistência, mas o respeito pelo que estava instituído assim não o permitiu.
Podia ter sido e não foi mas mesmo assim foram muitas e muitas as centenas de pessoas que tiveram a sorte de assistir a noites únicas com um cenário indescritível do Marvão à noite, a emoldurar actuações memoráveis.
O Rockfest foi também uma semente que poderia ter sido explorada nas mais diversas vertentes. Pelo menos conseguiu colocar a música ao serviço da divulgação da nossa terra e nessa medida foi um sucesso absoluto.
Na primeira edição, tive oportunidade de conhecer o Paulo Furtado dos Wraygunn e convidei-o a fazer um retiro no nosso concelho para compor o próximo disco da banda. O convite foi aceite e o produto desse trabalho, “Shangri-la”, foi considerado o disco do ano pela crítica nacional e não houve uma única entrevista em que o frontman da banda conimbricense não se referisse a Marvão e não publicitasse o “paraíso” que deu o título a este trabalho de longa duração. Os Wraygunn levaram Marvão por esse país fora e recebi há semanas um gentil sms de Furtado a convidar-me para estar presente num sábado, na Aula Magna, para o espectáculo de encerramento da tournée. Não esqueceu...
Eu sei que é o meu nome que vem em segundo lugar na vasta lista de agradecimentos desse trabalho, mas enquanto representante de todos aqueles que tiveram a capacidade de acreditar comigo e aqui tenho mesmo de destacar o Hernâni, o Barradas, incansáveis braços-direitos, e o empresário Nuno Madeiras que foi sobretudo um amigo e companheiro.
A aventura voltou a repetir-se com os Poppers, brilhantes cabeças-de-cartaz do segundo ano, que estiveram em Outubro último entre nós a compor o trabalho que verá em breve a luz do dia. Fiz tudo para que se sentissem em casa e fossem felizes. É óbvio que ganhámos respeito mútuo, afecto e amizade. Quem semeia…
Fiz de anfitrião e conduzi-os ao retiro noite dentro, garanti-lhes conforto e que nada lhes faltasse, levei-os a conhecer o melhor da nossa cozinha alentejana num jantar de boa memória pago do meu próprio bolso, na Varanda do Alentejo. De resto, a casa onde permaneceram foi cedida a título gratuito e a Câmara não teve de gastar um cêntimo com qualquer uma destas operações. Foi apenas uma questão de ajudar e esperar o retorno em divulgação para a nossa terra.
Há dias li na revista especializada Blitz que o disco novo está para sair e lá vinha a inevitável referência a Marvão. Nos mails que troco com o vocalista Rai e nalgumas conversas informais que mantivemos, chegou-me a falar que o festival de Marvão já era conhecido na cena lisboeta e as bandas comentavam entre si a onda fantástica de tocar num sítio tão especial. Os hypes criam-se assim…
Com esta proximidade das estrelas nacionais percebi que os artistas, e tenho a certeza absoluta que neste dois casos assim o é, são pessoas como nós. É certo que com uma aura especial, com um talento e um virtuosismo que os distinguem mas na verdade, gente de carne e osso com aspirações, sonhos e sentimentos, tal como todos nós.
Voltemos então à encomenda que recebi há dias no correio…
Lá dentro, um presente e uma nota que dizia: “Caro amigo, ofereço-te esta harmónica por significar muito para mim, mas sei que cuidarás dela melhor que eu. Gravou a “Days of Summer” e andou em tournée connosco, mesmo quando fomos aí a Marvão. 1 forte abraço deste teu amigo: Rai”. 06.01.09.
Espero que ele me perdoe a inconfidência, mas agora, passado este tempo todo, percebo assim a força do Rockfest e que ele jamais se perderá. Poderá estar adormecido, em silêncio, como um vulcão à espera do seu momento… mas nunca morto.
Pode ser que venha quem lhe pegue. Pode ser que venha quem lhe saiba dar o real valor e o traga de volta. Pode ser que entre para a Câmara quem o faça viver outra vez e torne realidade o meu sonho de tantas noites, em que centenas de jovens acampam, namoram e caminham pelas encostas de Marvão, sorrindo e curtindo o som no mais lindo dos festivais de Portugal.
Keep on Rockin’ Boys!

terça-feira, 24 de março de 2009
Having fun… in Lisbon
Ontem, à hora de almoço, tentava explicar à minha filha (pareceu-me que em vão…) a contingência da relatividade do tempo.
Isto a propósito do último fim-de-semana. Vivemos tantos e tão bons momentos nestes dois dias que mais pareceram… duas semanas. E não consigo, de cada vez que isto me acontece, deixar de pensar se não estarei (como todos nós) a perder os melhores anos da minha vida refém da forma mecânica e previsível como o mundo moderno a projectou, hipnotizado pelo binómio casa /emprego.
Há dias vi o perturbante e “Curioso caso de Benjamin Button” e impressionou-me imenso a forma como ele decidiu, quando percebeu que o seu tempo estava a andar para trás, deixar a família e o lar para correr o mundo e viver como nunca antes…
Com a varinha mágica espalhando magia no escuro...No Reino de Magix
Tudo isto a propósito de um weekend passado na nossa lindíssima capital, numa deslocação em família despoletada pelo espectáculo das Winx no Pavilhão Atlântico. A minha filha não se calava desde que ouviu o anúncio por aí algures e como a afilhada também é fã, lá foram os cotas com as meninas ao show.
Aviso de navegação aos pais e encarregados de educação - Aqui o Tio Sabi já vai estando experiente na coisa e não resiste a deixar-vos a dica: tudo o que seja espectáculo da Disney é de avançar sem medos e de olhos fechados. Se for no gelo então é um deslumbramento, com patinadores de primeira linha (muitos deles ex-olímpicos), cenários fabulosos e toda a magia a que a Disney nos habituou. Vale mesmo muito a pena e que se amole o dinheiro. No final, pais e filhos, saem todos a sorrir. Quando não for coisa com o selo da casa do Mickey… a coisa é assim mais para o fraco.
Eu já vi Rucas, já vi Noddys, já vi Zig Zags e… não é bem o mesmo campeonato. Desta vez também não foi surpresa. Para os mais distraídos, as Winx são umas fadinhas de animação feitas em Itália que passam com muita frequência no Canal Panda e têm uma capacidade fora do normal para atrair a criançada. Não sei se será por ser uma de cada cor, se por terem diferentes personalidades mas a verdade é que juntem-se umas bonecas jovens e de ar saudável, com uns feitiços, uns namorados cavaleiros e uns maus à mistura e está tudo garantido.
O espectáculo foi de palco e nessa medida, pobrezinho. Ao contrário dos da Disney, que ocupam uma área enorme, há uma grande deslocação e interacção entre os artistas e a assistência em volta, com estes fica tudo muito longe, distante demais. Claro que a sala ideal teria de ser mais pequena e eu arrisco a dizer que o Coliseu seria a dimensão ideal. Mas nos tempos que correm, o dinheiro fala sempre mais alto e os pais que se lixem. A pequenada, mesmo que veja os artistas como formigas à distância, vai pedir sempre para voltar no próximo e os promotores agradecem.
Deus queira que a minha filha não chegue a ler isto…eu até acho que estiveram o tempo todo a fazer playback. Instrumental foi de certeza e vocal… eu quase que arriscava um dedo em como sim mas…
E isto para não falar da habitual roubalheira, com o merchandising ali a atacar em peso, mais pipocas, ou algodão doce, ou gelado, ou queijada de Sintra… bem… Se forem daqui, é meterem 150 eurozitos de lado que o mais certo é levarem caminho.
Já a antever este desfecho, desta vez optamos por ir apenas um progenitor a acompanhar cada rebento, em vez de ir a família toda de acampamento para dentro do pavilhão. Sempre fica mais em conta e quem fica de fora pode aproveitar para ir de compras tranquilamente. A velhice sempre é um posto.
Apesar de certamente concordarem comigo, as pequenas adoraram e isso é que interessa. O resto é conversa.

Getting Ink done!
Depois da visita e almoço ao tradicional M da praxe, lá tive direito ao meu tempo livre que aproveitei da melhor maneira para realizar um sonho de há muito. Depois de ter estabelecido os contactos via net e telefone, rumei ao Bairro Alto e aproveito agora para dizer que o GPS é uma invenção do caraças. Só agora tive oportunidade de aproveitar o maquinão que os cunhados me ofertaram no Natal e digo-vos que aquilo é letra. Eu faço tudo o que a menina me diz e pareço um taxista encartado a conduzir em Lisboa. Alto espectáculo! “Depois de 220 metros, vire à direita”, “encoste à esquerda e vire depois de 400 metros”, até que “chegou ao seu destino”. Filha da mãe da boneca aquela. Esperta como o raio. Em pouco mais de 20 minutos já estava em plena Rua do Norte, à porta de uma das mais antigas e no meu entender, da mais emblemática loja de tatuagens de Portugal, a Bad Bones.
Situada num prédio antigo, num rés-do-chão perfeitamente recuperado, a loja impressiona logo pelo exterior, quanto mais pelo recheio. Logo à porta, somos recebidos por um Frankenstein de proporções reais que nos introduz numa decoração inexplicável onde não falta uma Nossa Senhora de Fátima com colares havaianos e um chapéu de sol chinês, uma flipper clássica, instrumentos musicais, action figures variadas, vitrinas cheias de pins e piercings, centenas de pastas com tatuagens e as paredes repletas de quadros de alguns dos mais belos exemplares ali produzidos. O som é alto e de matriz rockabilly e tudo aquilo é tão extravagante, tão excêntrico, tão bizarro que é impossível não ficar seduzido. Há ali muito imaginário de filmes de terror Série B, muita cultura alternativa, muito espírito transgressor e sobretudo… muita personalidade. Na soleira da entrada, três figuras de aspecto nada convencional dialogavam entre si. Dois mais jovens, um não tanto, conversam com ar batido e indisfarçável familiaridade. Um de t-shirt à marinheiro, ganga clássica, bota de motard, cara de garoto e penteado com gel para trás; outro de ar mais moderno, argolas largas nos ouvidos e ar mais rodado e um outro com patilhas à lobisomem, óculos de massa preta e penteado a rigor… em comum, as tatuagens por todo o corpo, tão reais que pareciam poder saltar a cada momento e saírem pela sala fora. Num cadeirão, um casal de namorados clientes sussurra enquanto admira tudo em volta. Têm um ar normal e certamente estão tão deslumbrados com tudo aquilo como eu mas parecem estar mais à vontade. Faço um esforço para parecer que estou tranquilo e disfarçar algum óbvio nervosismo apesar de toda a simpatia do staff. Afinal não é todos os dias que gravamos algo que vai ficar para sempre connosco. E se corre mal? E se não gostamos? São sempre perguntas a mais.
Estava eu nestas conjecturas quando um homem XXL me aparece à frente a perguntar se eu sou eu.
“Sou”, respondi.
“E andorinhas porquê? Sabes o que significam?”.
“Para mim sei. Mas já agora, diz lá tu…”.
“Entre outras coisas significam liberdade. São aves que morrem em cativeiro”.
Por acaso até já sabia essa e também vai por aí, mas para mim são muito mais que isso. Andei meses, anos a pensar gravar em mim algo que tivesse a ver com o imaginário do meu herói de toda a vida, o rapaz que nunca cresceu, que assina por Pan quando corta o vento com a sua espada. Mas nesta última semana, vá-se lá saber porquê, meteu-se-me esta das andorinhas na cabeça e tudo se conjugou de forma quase mágica para que se tornasse realidade.
As andorinhas são um ícone de Portugal e fazem-me lembrar a minha infância, quando ficava tempos e tempos a vê-las fazer o ninho no beirado alto da casa da minha tia, a trabalharem incessantemente para darem guarita à sua família.
As andorinhas vêm apenas no tempo quente, quando os dias são longos e a vida se torna mais aberta, maior.
Estas duas andorinhas podem ser a minha filha e a minha mulher… podem ser o meu pai e a minha mãe… podem ser eu e o meu irmão… podem ser as minhas tias que tanto valem para mim… podem ser os meus dois afilhados… podem ser a minha força e a minha capacidade de me superar.
Estas duas andorinhas são originais, são únicas e são minhas. Feitas com base numa imagem iconográfica do Estado Novo, foram retocadas pelo “Mestre” Fontinha, o proprietário da Bad Bones, que lhes deu cor e vida, que lhes alterou a inclinação e as tornou quase de verdade.
Não estava nada para ser assim, por impossibilidade de agenda, mas estas andorinhas foram gravadas em mim no dia de aniversário de uma das pessoas mais importantes da minha vida, a minha querida Cali, no dia em que começa tradicionalmente a Primavera.
Se a sala de espera é exótica, o estúdio está repleto de tudo o que tem a ver com este mundo e possam imaginar. Senti-me bem e confiante. Isto de ter honras de ser tatuado pelo patrão, expert em tatoos “Old School” não é para todos. O ipod debitava standarts pop em versão ska e clássicos hillbilly enquanto o trabalho se iniciava. Apesar do seu aspecto enorme e encorpado, do seu ar de segurança de um clube qualquer de má vida, Fontinha é educado, até dócil mesmo e extremamente profissional. Faz questão de explicar todo o processo e de mostrar como todo o material está selado e é igual ao utilizado em unidades hospitalares, para evitar qualquer tipo de problemas. Avisa para eu dizer qualquer coisa se porventura me sentisse mal e avança para a gravação.
Mentiria se dissesse que não dói. Dói… e quando se trata de contornos, dói mesmo mas é uma dor suportável e depende dos sítios. A jovem que estava ao meu lado e devia de estar a tatuar o nome do namorado nas costas (de tão bem disposto que o rapaz estava) parecia estar a passar um bom bocado. Ou então tinha levado epidural…
A primeira andorinha demorou meia hora a gravar. A segunda demorou quase uma hora porque entretanto começámos à conversa sobre Marvão (que o Fontinha conhece e adora), sobre Portugal, sobre a crise, sobre o mundo, sobre o Bairro Alto, a cidade, as máfias de leste, o Paulo Furtado e o tempo foi passando. Muito agradável mesmo…
No final fomos dos dois espreitar ao espelho e sorrimos. Ficou à maneira!
Agora há-de haver um período de adaptação, muitos cuidados com a pele e depois… já fazem parte de mim. O meu lado mais rebelde e original ficou satisfeito e eu também. Há tanta coisa que a vida gravou em mim e eu não queria. Desta vez ao menos pude escolher.
Sejam bem vindas, meninas! Lindas!
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A taça é nossa!
Depois de estar daqui aviado, o resto da tarde meteu uma visita às catedrais do consumo onde não faltaram Vascos da Gama, Decathlons (baratinho, bom!) e Ikeas (deslumbrante em tudo, no conceito, no design, nos preços, moderno como o caraças!). Para não impedir o processo aquisitivo, andei feito tonto de auscultadores nos ouvidos, a sofrer em silêncio por entre as prateleiras com o meu Benfica, até que Deus teve pena de mim e me deu a graça de levar as coisas até aos penáltis, aos quais já assisti pela televisão num bar do Colombo, enquanto bebia uma Sagres geladinha. Fantástico! Eu sei que foi roubado, mas assim também é tão bom! Adoro! Com os lagartos e os gajos do Porto é bom de qualquer maneira desde que a taça venha para casa connosco.
Este artigo não está para vendaSofres mais quando corres ou quando não corres?
(Conforme lido numa t-shirt que por ali passou)
A alvorada foi pouco depois das 7h. Às 8h e 20h já estava na linha 4 da Estação de Entrecampos, à espera do comboio para o Pragal. Áquela hora já passavam cheinhos de malta equipada a rigor, fosse para correr ou marchar, para os 8 km ou 21 km. A família Bucho / Machado, mentalizada para ir atrás dos mínimos olímpicos, entregou-me o dorsal 3011 e fez companhia durante a viagem. Acabei por me perder deles já na outra margem, na tentativa de fintar as filas e chegar mais cedo à linha de partida.
Aqueles momentos antes de soar a largada são sempre de alguma ansiedade. Não existe na maior parte daqueles atletas um espírito de verdadeira competição, no sentido de querer ver quem é que chega primeiro. Ali cada um corre contra o relógio, contra si mesmo, contra a fadiga, contra o cansaço, contra o sofrimento e a inércia. Correr para estar vivo.
Estava eu a pensar que o nevoeiro daquela manhã cinzenta iria impedir as melhores vistas para a Lisboa ainda adormecida, deitada no leito do rio quando o sacana do juiz aquele dá a partida sem me avisar e logo eu que ia sendo atropelado por aquela maralha toda. Ò abre!
Só o atravessar a ponte já vale a emoção e todo o esforço para ali estar. Magnífica, cheia de gente, tudo a dar à perna e o Tejo cá em baixo, admirado daquilo tudo. Esta foi a prova da minha Lisboa, de Alcântara, de Santos, das Janelas Verdes, do Calvário, da Junqueira, das ruas e praças por onde eu andei durante 4 longos anos. Foi um belo motivo para o reencontro!
Passou tudo num instantinho e em menos de nada já estávamos na 24 de Julho, caminho do Cais do Sodré, com muita gente a ver, a bater palmas e a incentivar. Na primeira viragem contei 6 quilómetros onde pensei que fossem 10! Não sei como, meti na cabeça que a prova virava no Sodré e terminava em Belém e quando vi que pouco antes do Padrão dos Descobrimentos ainda íamos só com 14 km ia-me dando uma coisa ruim. Não sabendo ao certo a distância física deste percurso, convencei-me que acabava ali quando os gajos mandam meter pela marginal, para Algés, Oeiras e por aí fora que nunca mais acaba e ó valha-me Deus que estamos aqui estamos em Cascais. Foi então que percebi que ia depressa demais, que ia à frente do meu rimo normal, galvanizado por aquela turba dinâmica e tive de abrandar o passo mas sem nunca parar que isso para mim é desistir, é derrota! E repetia mentalmente com os meus atacadores: “é corrida não é marcha! É corrida, não é marcha!”.
A coisa estabilizou, à viragem dos 15 ou 16 km aviaram-me uma metadinha de laranja que foi ouro e depois, com a proximidade da meta ganha-se ânimo e a coisa fica com outra cara. Quando faltavam 3 quilómetros ia com 1 hora e 37m. Óptimo tempo mas as gâmbias já não davam azo a mais velocidade.
Achei curioso o anúncio da EDP que dizia que a energia que despendemos até ali dava para acender 50 lâmpadas durante 1 hora. Se o Sócrates descobre isto, para a próxima ainda nos enfia uma gambiarra no cú e vai de produzir para acumular. Por falar nessa menina… nunca o vi. Também… ele é dos 8 km, não é dos 21 km. É rapazito da mini… não se aguenta com mais. Normal. Era o que eu esperava...
Com tudo isto estou em plena recta da meta e é sempre uma emoção, caraças. Querer é poder! Depois de ter estado à altura na primeira em que participei, esta era a da confirmação e não podia falhar. Missão cumprida! Dá para cá o saquinho com os souvenirs, as garrafinhas de água e o geladinho que o pai já vem.
Nota mais, para a organização ao nível da assistência médica em moto 4 e muitos desfibrilhadores nos passeios com pessoal especializado de prevenção.
Nota menos, para os acessos e saídas. Vergonhoso o acesso à ponte no Pragal, querendo passar milhares no buraco da agulha e na saída dos Jerónimos, onde juntaram malta da meia e da mini, obrigando a quem fez um esforço brutal de 2 horas a correr a estar ao lado de quem parecia vindo de um piquenique. Não se podem fazer paragens bruscas a este nível, meus senhores! É dos livros!
Nota menos também para os abastecimentos que continuam a entregar garrafas com tampa, que após deixadas pelos atletas mais irresponsáveis, pela estrada fora sem critério, criam verdadeiros campos de minas enviando directamente para o estaleiro o desgraçado que tenha o azar de lhes meter a pata em cima.
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Quando pariu a galega.


Um africano trajado a rigor.
A luz...Na categoria Veteranos I (sim porque já sou veterano!) fiquei em 444 de um total de 827. Bem bom!
Ali esperava eu o autocarro, todas as manhãs. A parede ainda tem a marca das minhas botas...
A Pampulha... Mais acima, a Tasca do Zé Magala. E na Manuel Arriaga... as minhas águas furtadas.
É para mim?Como não há esforço sem recompensa… depois da maratona já é tradição a canequinha gelada da Portugália com um camarãozinho fresquinho e o tal bifinho da ordem, com muita nata que é para um gajo não desfalecer logo ali. Espectáculo. Para desmoer, um shoppingzito e um passeio no Jardim do último piso do Colombo que mais parece um dos suspensos da Babilónia. Muito sol, bela tarde, qualidade!
A pequena ainda descobriu o Fun Center e prontos… teve de ser. Hoje, nos chaamados “Convívios” vá, já não há o gajo que troca as moedas. Agora é tudo muito mais sofisticado, com direito a cartãozinho recarregável e tudo. Toma lá! Deu direito a carrinhos de choque, o joguinho de futebol estilo hóquei no gelo, máquina de fotografias automática que fazia desenhos, um carrossel de balões mágicos, um Jipe de carris e para mim, obviously, a mini montanha russa que deu para matar o bicho por ser às claras e dentro de casa. Fixolas!
"Ó pai... olha aí!".Estava eu a pensar para comigo que até estranhei ter tudo corrido tão bem, já as pequenas se ajeitavam no banco de trás da viatura quando a merda do cartão de estacionamento, já pago, me foge por uma das fisgas do tablier junto ao cinzeiro.
Da puta que o pariu!
Lá andei eu a ver do gajo da motinha, lá bati um couro à menina da administração, que me disse: “desta escapa, para a próxima tem de entrar com o guito!”.
“Está bem amiga, Nossa Senhor te pague! Adeus e deixa-me ir embora que já chega e estou com saudades da minha casinha…”.
Dizia o gajo da segurança, que era porreiro: “tenha cuidado, ó chefe! Para a próxima!”.
E eu respondi com ar de duro: “ó amigo, tenho pinta de quem anda aqui a embarrolar?”.
“Não! Por acaso não tem!”-
“Então…”.
Que vos sirva de lição, ãh? Para a próxima, vejam lá onde é que o enfiam!
Do vosso,
Tio Sabi

sexta-feira, 20 de março de 2009
Dia do Pai

Trouxe-me os desenhos e as prendinhas da escola e confessou-me que tinha pedido à mãe para me fazerem um jantar especial hoje.
Prometi-lhe que a ia buscar à escola, que íamos comprar um geladinho e ao parque infantil e eu sei que foi a correr para a sala de aula a pensar nesse fim de tarde a dois.
Calhou que tivesse um convite para ir almoçar à sua escola. Quando perguntei por ela aos colegas disseram-me que ainda lá estava no refeitório, que era sempre a última a comer, que era uma guerra de todos os dias com o que lhe metiam à frente no prato. Difícil…
Deu para matar saudadinhas e tal como lhe disse então, num instante já estávamos juntos outra vez. Cumprimos o programa à risca, rimos muito, brincámos e a pizza caseira estava deliciosa, tal como sonhou.
Vimos um filme dos Marretas, ainda a ajudei a fazer os trabalhos de casa e só uma reunião de preparação do S. Marcos na Junta de Freguesia me roubou o prazer de nos deitarmos os dois agarradinhos depois de ler a história. Sei que percebeu… desde que amanhã lhe confirme se os carrosséis sempre vêm.
No fundo resume-se tudo ao que lhe disse de manhã, ao acordar… que se tivesse de escolher uma única coisa, pessoa ou momento da minha vida, não hesitaria. Não sei se sou o melhor pai do mundo, como me diz tanta vez, mas sei que faço por isso e tudo por ela. E é isso que faz este dia tão especial e toda uma vida valer a pena.
Tudo isto numa data em que recordo com particular saudade o meu… um companheiro, um amigo e sobretudo um modelo, um ídolo que me acompanha todos os dias em pensamento. Sempre presente. Sempre comigo.




























