segunda-feira, 11 de maio de 2009

West Side Story

Há uma grande diferença entre ir a Lisboa ver um jogo de futebol ou um espectáculo, dois dos motivos que me metem a caminho da capital com mais frequência.

A diferença é que os jogos raramente correm bem e os espectáculos quase nunca correm mal.

E este “West side story” filipelaferiano é absolutamente deslumbrante e arrebatador. È tudo bom… os cenários magníficos, a iluminação belíssima e sempre em cima do acontecimento e depois… as coreografias, os cantores, a adaptação, a sala…

É um verdadeiro encanto!

E depois, a história ajuda e muito... Esta lenda de amor, um upgrade do intemporal romance sonhado um dia pelo bardo Shakespeare, entre um homem e uma mulher pertencentes a grupos rivais, deixa-nos sempre arrebatados.

Desta vez não temos Verona mas temos a Nova Iorque do final dos anos 50, com muitos jeans, muita sapatilha All Star, muita brilhantina, muito rock’n’roll e muita violência juvenil a disputar cada metro do bairro, sempre no fio da navalha. De um lado os já nascidos em terras do Tio Sam e do outro os porto-riquenhos que também não são de assoar. Isto promete…

E eu, que sempre sonhei viver naqueles tempos que George Lucas plasmou de forma intocável no seu “American Graffiti” ou o mestre Coppola eternizou no brilhante “Peggy Sue got married”, fico a sonhar alto…

Imaginando-me de blusão de cabedal vermelho, montado na minha Harley reluzente, a chegar triunfal à geladaria da beira da estrada onde as miúdas todas tremem de emoção nos seus vestidinhos azuis de saia rodada, enquanto cochicham e agitam os rabinhos-de-cavalo dourados, suspirando pelo meu convite para o baile de finalistas…

Isto ainda vai sendo das coisas que vamos podendo fazer sem pagar imposto ou ter de bater continência. Sonhemos, então!

Pois perante tudo isto, não podia estar de outra forma que não extasiado e desertinho de saltar lá para o palco e fugir à polícia no meio daquela rapaziada toda.

Este La Féria é magnífico e tudo aquilo que faz brilha como ouro. 5 estrelas, meus amigos. 5 estrelas mesmo!

A minha pequena adorou e apesar de não parar quieta na cadeira, a verdade é que não tirou os olhitos de cima do palco. Se para mim isto tem este impacto… imaginem para ela… o efeito que não terá ao longo da sua vida.

Podemos não ter a Broadway… mas enquanto houver La Feria… a malta está safa.

E é por isso que eu tenho tanta pena de, apesar de toda a divulgação, o autocarro de 43 lugares não ter ido cheio. Eu sei que o momento é de crise, a altura pode não ser a melhor para muitas famílias e compreendo e lamento o aperto, mas o mês de Maio também já é o mês da tradição de Marvão ir ao musical a Lisboa e garanto-vos que 30 euros para se meterem daqui descansadinhos num autocarro que vos levava a Lisboa e trazia de volta a porto seguro, com oportunidade de assistirem a uma obra deste gabarito… não é caro.

Mas bem… é o que há.

Imaginem só quanto não custa uma sessão de um espectáculo destes, contabilizando, quanto mais não seja, os recursos humanos, dos bailarinos aos cantores, passando pela orquestra imensa e toda malta da logística…

Só espero que o motivo tenha sido mesmo a questão económica, porque todos os outros não têm desculpa. E o La Feria tem a particularidade extraordinária de chegar a todos os públicos, sem ser demasiado elitista ou cair no fácil popularucho. É mesmo para todos e quem é que nunca se encantou antes com o tema “Maria”, ou o “América”… nem que fosse no cinema? Agora imaginem ao vivo… é de arrepiar.

Isto não falando em tudo o resto que é tão bom e vem por acréscimo… a agradável companhia na viagem, o banhinho de civilização, a alegria das pequenas a almoçarem no Macdonald’s, as comprinhas, as fresquinhas ali pelos restauradores, a bela da bifana ao final… bem… demais! Dia graaaaande!

Para a próxima… deixem-se de tretas e ALINHEM!

Ser feliz é isto, caraças!


Pois... a gente dantes aborrecia-se nos autocarros... Só havia a paisagem...

Passaste nos castings, filhota?


Outra sala magnífica da baixa alfacinha, o mítico Coliseu dos Recreios onde passei noites inesquecíveis na companhia dos Pogues, Pixies, Nick Cave, Radiohead... enfim...

Há por ali muitos e belíssimas. Como a do Choca... nenhuma.

Até dei um passo atrás quando vi este cartaz. Então não é que eu já estou tão fã do homem e ele agora decide meter mãos à adaptação de uma das minhas histórias de culto? O feiticeiro de Oz? Nem dá para acreditar. Eu... que tenho uma magnânime edição em dvd, especialíssima e de coleccionador, com uma cópia esplendorosa e recheada de extras, com dois discos e uma capa onde os sapatinhos da Dorothy estão em relevo e brilham no escuro? Eu... que me apaixonei por esta aventura com um livro animado que me compraram em Valência quando ainda nem tinha altura para chegar aos balcões dos cafés? Eu quero ir... eu quero ir tanto... Será que falta muito?

150.000? É obra!

Já que não se pode fotografar durante o espectáculo... aqui fica o magnífico tecto do efício Politeama. "Ó pai... porque é que as senhoras estão com as maminhas e o rabo de fora?". "Ó filha... são musas. Musas inspiradoras dos artistas... elas podem estar assim". "Ó pai então e se...". "Ó filha... está caladinha e vira-te para a frente. Vê. Vê."

Ah! Ainda deu tempo para uma gasosa no Hard Rock, também ele fascinante!

Estas paredes, senhores... são as paredes do céu.
Em baixo, um blusão de cabedal que andou a tapar as costinhas do Sid Vicious, mítico baixista dos Sex Pistols, a banda que devolveu a alma ao rock quando inventou o Punk na Inglaterra dos finais dos 70. Agarradíssimo à heroína e sempre perdidinho da vida, fez uma dupla iconográfica com a sua namorada Nancy que foi assassinada no mítico Chelsea Hotel, sendo ele o principal suspeito. Incapaz de lidar com a perda e a culpa, haveria de mandar, tempos depois, um chuto de misericórdia que o levou a fazer estragos para o além. My way...

Um cadillac no tecto? Luxo! Quero!

Os "fab four" na fase inicial que é também a minha favorita. Nos tempos do Shea Stadium e da conquista dos EUA, quando os gritos das fãs abafavam a música por completo. O casaco promocional usado pelos mesmos? Nunca estive tão perto de roubar uma coisa assim a sério.

Adeus ó minha Lisboa... de Alcântara, do Calvário, da Junqueira, da Ajuda, da antiga FIL, do palácio Burnay... e um raio de sol lindíssimo lá ao fundo, rasgando o manto cinza de nuvens carregadas.

PS: Já repararam como eu sou capaz de não falar em futebol? E já não vejo mais jogos até ao fim do campeonato. Meus Deus... quererá isto dizer que estou curado? Aleluia!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Os 80 estão de volta!

Quem já reparou nos acessórios...


Nos ténis...


Nos óculos...


Nos penteados...


E sobretudo na música...

Já percebeu que os gloriosos 80 estão de volta!

Bem dizia o Tio Lavoisier: "Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma".

Belos tempos para se viver, caraças!

Todos para a pista!!!!!!!
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LADY GAGA - JUST DANCE
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LA ROUX - IN IT FOR THE KILL
(aqui)
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NOISETTES - DON'T UPSET THE RHYTHM
[Go Baby Go] (live at Later... with Jools Holland)
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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Dias da Televisão

A televisão... vista por dentro

Antes de mais, parece-me bem confessar que este foi um dos fretes que menos me custou fazer na vida.

Como fiz parte do júri do concurso da liberdade promovido pela Biblioteca da Escola de Santo António, o convite para acompanhar os vencedores na visita-prémio para conhecer a seda da RTP em Lisboa estava implícito. Mas como não queria ocupar o lugar de uma criança e cortar-lhe essa oportunidade única … a coisa estava difícil…

Foi por isso que calhou mesmo bem a falta de disponibilidade dos motoristas, tão ocupados com outros serviços já confirmados. De forma que… passem para cá a chave que o senhor já resolve. Ala que se faz tarde!

Já agora, também aproveito a oportunidade para explicar que fiz parte do Júri, juntamente com outros convidados e professores, mas os trabalhos foram todos apresentados sob pseudónimos que desconhecíamos por completo e que os trabalhos foram todos concebidos e entregues no espaço escolar pelo que qualquer interferência externa estava vedada.

Isto tudo para tranquilizar as mentes mais perversas que borbulham por aí que a filha do vereador ganhou… precisamente por ter essa condição. Para quem quiser acreditar na verdade até devo dizer que eu, que vejo praticamente todos os desenhos que a Leonor faz todos os dias, não fui capaz de vislumbrar naquele que foi por todos designado como um dos mais bonitos, traços ou características que a pudessem identificar. Desenhou uma criança feliz numa horta com cenouras, couves e rabanetes e como hortas é coisa que não existe na família, como nunca esboçou o mínimo jeito para agricultora, sempre pensei que pudesse ser obra de alguma menina que tivesse pessoal dedicado a essa actividade. Surpreendeu-me deveras e ainda bem! O desenho era magnífico e devo dizer, sem sequer temer a imodéstia, que era de longe o mais bonito. Que me perdoem os outros participantes mas eu estou cada vez mais assim: o que é, é! E ponto final!

Bem dizia a minha mãe que mais vale terem inveja que chamarem-nos coitadinhos. Ai que razão tinhas…


Quanto à visita em si… os estúdios da RTP assentaram praça ali para os lados de Cabo Ruivo, numa zona alta por cima do Parque das Nações, há cerca de 2 anos e impressionam pela dimensão e pela arquitectura. Se a mim me causaram algum espanto, imaginem o efeito que não tiveram nas crianças.



Chegámos em cima da hora e minutos depois já estávamos na companhia da simpática Cristina Castro, das relações públicas, que foi uma cicerone muito esmerada. Visitámos as rádios estatais Antena 1, 2 e 3 e pudemos interagir com os locutores, jornalistas e demais pessoal técnico.

Na RDP África, durante as notícias. Esta é a antena com maior audiência. Muitos, muitos milhões em todo o mundo

Com o grande mago sonoro César Martins. Muito atencioso e delicado com as crianças. 5 estrelas!

Digam lá que não parece o Ringo Starr ou o Keith Moon. É só pose!
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Com o famoso radialista e DJ Rui Estevão que fez a cortesia de meter um "olá" da pequenada no ar

Na elitista Antena 2, a da música clássica

Nos estúdios da Antena 1

Já na televisão visitámos todo o sector da informação com direito a passear nos cenários que nos habituámos todos os dias a ver em casa através do quadradinho mágico. Pudemos contemplar também as régies de continuidade e depois de desbloqueado um ligeiro contratempo burocrático abriram-se as portas dos estúdios onde são gravados diariamente o “Portugal no Coração”, “o Preço Certo”, o novo do Jorge Gabriel e por aí fora. Os pequenotes deliraram com a possibilidade de assistirem em directo à dobragem de uns desenhos animados no próprio estúdio onde a Ana Zanatti coordenava as operações e por poderem estar no estúdio virtual onde se grava o famoso Zig Zag.
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Onde é que eu já vi isto?

O imenso plateau da informação

Pois... é de sonho... é.

No palco da informação da RTPN

Quem é que não reconhece esta vista para a redacção?

À última da hora... ligaram a dizer que um cameraman torceu um pé a jogar ao berlinde. "Não há problema... eu desenrasco!". E assegurei assim a emissão. Disseram-me que vão fazer um especial disto apresentado pelo Eládio Clímaco.

Ai tanto botão...

Digam lá se não tem mais estilo que o Zé Alberto Carvalho aquele...

Eu ralhei. Mas fazer de escorrega onde todos os dias desfila o mundo inteiro... não é coisa que se possa fazer com frequência. Olha... que se amole!

A régie de continuidade
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O Carlos do Carmo interpretou "Os putos" só para os nossos

Cadê o Baião?

Parecemos duas fufas de Arcozelo...
O anúncio no Correio da Manhã dizia: "Jovens garbosos, livres e despretenciosos, sem qualquer espécie de tabus ou restrições, oferecem esmerada companhia a senhoras ou meninas que se sintam sós. Tudo muito século XXI. Cumprimos as suas fantasias. Venha delirar connosco. Fazemos domicílios. 24 h. 3 pratos em promoção! Discrição total. Ligue já! Descontos cartão jovem".

Quiseram-me ficar com a piquena. Tudo bem... mas só depois de acabar a 4ª classe!

Quem dá mais?

Umas gracinhas...
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No novo Gabriel

No reino do Zig Zag

Aprendendo a dobrar. Afinal é complicado...

O almoço foi no meio das caras conhecidas e com cortesia do meu querido amigo Francisco Serôdio, que há-de ser sempre para mim o Chico da Portela, ainda houve tempo para beijinhos e autógrafos da Tânia (lindíssima e muito mais jovem sem maquilhagem) e do frenético João Baião.

Com as estrelas maiores da estação

"ó Sr. Serôdio... vá fazer um xixizinho..."

Para mais tarde recordar... a foto de família.

Pudera!

Vieram todo o caminho a dormir, os pardalinhos estes, com a barriguinha cheia de tanta novidade.

Tinham motivo para isso, não acham?


PS: Um beijinho muito grande à Cristina Castro pela amabilidade e um abraço do tamanho do mundo ao grande Chico por ter deixado quase tudo para trás para que fossemos felizes. Foste impagável, ó meu irmão! Beijinho à Paula e à Fernanda pela boa companhia e ao resto da chavalada. Foi impec, não foi?

A plenos pulmões

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Soube pelas notícias que hoje (2009.05.05) é o Dia Mundial da Asma.

Vejam bem…

Eu, que durante quase toda a minha vida andei com esta cruz às costas… ou melhor… ao peito, nem sabia disto.

Apareceu uma senhora a falar do custo dos medicamentos e da falta de apoios e não sei quê… e fez-se um flashback na minha cabeça.

Até ao dia em que uma enfermeira num consultório de Castelo Branco me escreveu muitos números nos bracitos frágeis de criança e depois começou a espetar agulhas embebidas em frasquinhos que diziam “tabaco”, “pólen”, “pêlos de animais”… e por aí fora.

Lembrei-me que junto de alguns desses números cresceram depois, como por magia negra, ampolas enormes, algumas cheias de água e esse foi o meu veredicto para muitos, tantos anos de vacinas, de crises de pieira, de bombas e aerossóis.

Apesar de, Graças a Deus, nunca ter chegado ao ponto de ser hospitalizado, cheguei a pensar que jamais me veria livre desta sina.

E hoje em dia, perante a inimaginável (há uns anos atrás) situação atlética em que me encontro, parece-me justo e quase uma obrigação deixar o meu testemunho a esse milhão de pessoas que sofre actualmente em Portugal com a doença (número que pode duplicar ou triplicar se contabilizarmos os familiares que são arrastados pelo flagelo):

Se sofrerem de asma, o melhor remédio (ao contrário do que me ensinou quase toda a classe médica quando era pequeno) é mexerem-se!

Mexam-se, pela vossa saúde!

Façam tudo para abandonarem progressivamente os pesados medicamentos e mexam-se, não se deixem ficar prisioneiros pela doença.

Se não puderem nadar, corram. Se não puderem correr, andem. Se não puderem andar façam qualquer coisa nem que seja apenas moverem-se.

Este é o conselho de uma pessoa que dos 4 ou 5 ou 6 até aos 30 e muitos anos, todos os dias teve de tomar qualquer espécie de medicamentos e hoje reduziu a doença ao nível praticamente zero, ao ponto de não tomar nada.

Com muita força de vontade, muita mesmo, comecei por correr 10 minutos e terminar quase extenuado. Depois fui progressivamente passando para 20, 30, 40 (levando por vezes meses a aumentar a resistência), 50 e por aí fora até já ter corrido 2 horas e 20 minutos, ininterruptamente, sem parar, e chegar ao fim num boa condição aeróbica.

Com a natação foi o mesmo… primeiro nadava 1 piscina, depois 2 seguidas e por aí fora até chegar à condição actual de nadar quase 2 quilómetros numa hora, quase sem parar e chegar ao final com uma boa pulsação, capaz de fazer muito mais.

O metabolismo treina-se. Os alvéolos pulmonares também.
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E para quem não me conhece… acreditem que a única coisa que tenho de Super-homem é uma t-shirt já bem velhinha com o símbolo no peito que anda lá para o sótão. Aqui de Super-homem não há nada!

Acreditem que desde que se queira… qualquer um consegue. È apenas uma questão de força de vontade.

Muito treino, disciplina, rigor faça chuva ou faça sol e os resultados têm de aparecer.

Por isso, sobretudo para os pais: não deixem de vigiar do ponto de vista médico os vossos filhos mas, por favor, não ceguem com esperança nos milagres que a medicina não faz.

Seja futebol, natação, atletismo, raguêbi… qualquer tipo de desporto vale.

Só o desporto pode ser a definitiva solução para o vosso problema.

Palavra de escuta!
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Nem a propósito... encontrei esta curiosa notícia...

Notícia do portal Webrun (Brasil)

http://www.webrun.com.br/home/conteudo/noticias/index/id/7752

Asmáticos são os maiores corredores do mundo
Por Harry Thomas Jr. 10/03/2008 - Atualizada às 20:00


Que a inglesa Paula Radcliffe tinha asma era um fato que já sabia há tempos. Mas que Haile Gebrselassie era asmático fiquei sabendo somente hoje, quando o etíope anunciou sua desistência de competir a maratona olímpica, em Pequim, no próximo mês de agosto.

Acho que assim configura-se pela primeira vez na história da maratona e talvez do atletismo que seus dois recordistas mundiais - no masculino e feminino – se dizem portadores de asma, doença respiratória que acomete milhões de pessoas ao redor do mundo. Outro fato que chama a atenção é que Gebrselassie e Radcliffe, além de recordistas, são considerados os maiores e mais completos corredores de toda a história do fundo e meio fundo.

E as vezes achamos que caímos no lugar comum quando citamos alguns "clichês" do tipo “um exemplo a ser seguido; não desista de seus sonhos; superação; garra” entre outros, quando nos referimos a muitos campeões.Mas eu pergunto: não é um exemplo de determinação para milhões de pessoas que sofrem ou não da doença?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Num Além aos quadradinhos

Vasco de Oliveira Granja
(Campo de Ourique - 10 de Julho de 1925 / Cascais - 4 de Maio de 2009)


Morreu hoje o Avô Vasco.

Mais que um guru da minha geração, o Vasco Granja foi uma autêntica personagem de BD que fez milhares de crianças felizes ao sonharem acordadas com os seus mundos mirabolantes.

Hoje o céu deve ser feito de vinhetas e pranchas.

Ele merece. Mesmo!



Foi o primeiro a usar o termo "banda desenhada".
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Vasco Granja morreu esta madrugada em Cascais
04.05.2009 - 16h04 Carlos Pessoa

Jornal Público

Vasco Granja, divulgador de banda desenhada e do cinema de animação em Portugal, morreu esta madrugada em Cascais. Tinha 83 anos.
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Autodidacta e com múltiplos interesses culturais ao longo da sua vida, Vasco Granja nasceu em Campo de Ourique (Lisboa) a 10 de Julho de 1925. Começou a trabalhar, ainda muito novo, nos antigos Grandes Armazéns do Chiado, e depois ao balcão da Tabacaria Travassos, na baixa lisboeta, que consideraria, anos mais tarde, a sua universidade. O seu interesse pelo cinema surge na adolescência e aos 16 anos chegaria a ser admitido como segundo assistente de fotografia no filme “A Noiva do Brasil”, de Santos Neves.
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No início da década de 50 envolve-se no movimento cineclubista, tendo desempenhado funções directivas no Cine-Clube Imagem. Granja foi preso pela primeira vez pela polícia política do Estado Novo em Novembro de 1954, quando militava clandestinamente no PCP. Esteve preso sem julgamento seis meses e quando foi libertado voltou às suas actividades cineclubísticas e à divulgação cultural na imprensa. Datam de 1958 os seus primeiros artigos sobre o cinema de animação, nomeadamente na sequência da descoberta dos filmes experimentais do canadiano Norman McLaren.
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No início da década de 60 arranja trabalho na Livraria Bertrand, onde se manteve até à reforma. É preso de novo em 1963, julgado e condenado a 18 meses de prisão. Quando foi libertado, em 1965, Vasco Granja retoma a sua actividade cultural, com artigos nos “media” sobre cinema e literatura.O seu nome é habitualmente associado à divulgação da banda desenhada em Portugal. O termo “banda desenhada” é, aliás, utilizado pela primeira vez por Granja num artigo publicado pelo “Diário Popular” em 19 de Novembro de 1966.
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Integra a equipa fundadora da revista francesa de crítica e ensaio de banda desenhada “Phénix”, nos anos 60 e participa regularmente no Salone Internazionale dei Comics, em Lucca (Itália), o mais importante encontro do género nos anos 70.
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Em Portugal, a sua actividade de divulgação da banda desenhada intensifica-se a partir do aparecimento da edição portuguesa da revista “Tintin”, em Junho de 1968, onde escrevia e traduzia artigos, além de ter a responsabilidade da secção de cartas aos leitores. Foi director da segunda série da revista “Spirou” (edição portuguesa) e coordenador da edição de banda desenhada da Bertrand. Animou o “Quadrinhos”, um dos primeiros fanzines surgidos em Portugal, em 1972. Esteve ligado à fundação da primeira livraria especializada de BD em Lisboa, O Mundo da Banda Desenhada, em 1978.
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Em 1974 e 1975 integra o júri do Salão Internacional de BD de Angoulême. Depois de 25 de Abril de 1974, Vasco Granja mantém um programa regular sobre cinema de animação na RTP, que teve mais de 1000 emissões e divulgou sistematicamente as grandes escolas internacionais do género. Estava reformado desde 1990.

domingo, 3 de maio de 2009

Dia 1 de Maio - Dia do Trabalhador



No dia 1 de Maio celebrou-se mais um Dia do Trabalhador e eu lamento informar-vos, estimados amigos e leitores, mas esta data não passa de um enorme contra-senso.
Sim! O dia do trabalhador é um embuste, uma coisa que está toda trocada e vocês andam enganados pelas televisões e pelas centrais sindicais e por essa malta toda e ainda bem que este blogue existe para vos abrir a pestana e fazer-vos ver a verdade.

Duvidam?

Então, pensem comigo…

No Dia do Livro, o que é que se faz? Lê-se! Fazem-se conferências, exposições, palestras com os autores, mil e uma coisas relacionadas com os livros.

No Dia do Teatro, o que é que se faz? Espectáculos, muitos e para todos os gostos. Milhares de peças são levadas à cena para honrar esta arte tão nobre.

No Dia da Mãe? Lembramos aquela que fez o favor de nos meter neste mundo, celebram-se as mães todas que existem.

No Dia da Árvore? Plantam-se muitas, muitas e promove-se o ambiente.

E por aí fora… no Dia da Criança, no Dia dos Museus, no Dia do Pai… enfim.

E o que é que se faz no Dia do Trabalhador?

DESCANSA-SE! NÃO SE FAZ NADA!

Passamos o dia a “bater charuto” e tirando aqueles que vão passear para as avenidas aos gritos de bandeirinha na mão, ninguém mais faz a ponta de um corno.

E ISTO ESTÁ ERRADO!

Mas será que ninguém tem coragem para assumir isso?

No dia do trabalhador devíamos de começar a bolir às 6 da matina e só parar quando o sol se pusesse. Devíamos passar o dia a partir piornos, a levantar panos de tijolo, na estiva, no duro, até ficarmos sem forças.

E o quê?

Nada. Nada. Só preguiça.

Isto faz-me cá uma confusão…

A minha mente não atinge…


Se não os consegues vencer... junta-te a eles!
Mas há melhor forma de passar este dia do que refastelado ao sol, na tranquilidade do meu logradouro, lendo as revistas para o público dito masculino, acabadinhas de sair?
FHM, Maxman e a segunda edição da magnífica Playboy portuguesa fizeram parte do cardápio.
Aaaaahhhh! Muito bom!
Se o Zézé Camarinha visse este seu discípulo, iria certamente ficar orgulhoso...
Estão à espera do quê? Vão trabalhar, malandros!

Coisas de Nível


O Festival de Música dos Covões que viveu a sua primeira edição neste dia 1 de Maio, é uma espécie de “Woodstock pimba alternativo” que junta no mesmo cartaz bandas de rock pesado com ranchos folclóricos a fim de juntar algum para a Associação lá do sítio.
Uma cena de classe com tudo o que faz falta para uma grande festa… a bela da bifana, a imperial geladinha, o balão para a criança, a indispensável fartura e um caldinho verde de estalo.

O grande cabeça-de-cartaz foi o já lendário Joselito Maia que tive oportunidade de cumprimentar quando passeava o seu estilo gitano por entre os populares. Sempre simpático, impecavelmente vestido no seu traje negro, prometia mais uma actuação de luxo que infelizmente não viria a acontecer por problemas técnicos ao nível do som.

A actuação ficou-se por um único faduncho.

Agora imaginem vocês… a velocidade a que batia o meu coraçãozito de pardal quando o homem me dedicou a música, “ao meu amigo vereador Pedro de Marvão”, o único tema daquele que foi provavelmente o concerto mais curto que deu e há-de dar na sua mirabolante vida.

Eina pá… que emoção.

Que nível!

Esta já ninguém ma tira!