sábado, 13 de junho de 2009

Diga lá...


Uma colega ligou-me a dizer que estava a fazer um trabalho académico que tinha que incluir duas entrevistas a políticos no activo.

Disse-me que tinha pensado em mim, lançou-me o desafio e eu aceitei.

Depois de ler o resultado pensei… “olha, é engraçado. Já tinha feito muitas mas sempre a outras pessoas. Aqui sou eu mesmo…”.


1 - Pode descrever o seu percurso político e profissional?
Terminei a licenciatura em Comunicação Social, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em 1995. Fui o segundo melhor classificado do curso, com uma média de 14 valores que me abria as portas do mestrado. Por motivos familiares, decidi deixar Lisboa e regressar à minha terra natal. A minha grande esperança de então era fazer carreira académica como docente no ensino superior em Portalegre. Cheguei a apresentar currículos e ter quase garantida a entrada mas esbarrei com compadrios e jogos de interesses. Não calculo como funciona actualmente, mas nesses anos, a vida académica distrital era gerida por uma espécie de máfia que se preocupava apenas em satisfazer os seus próprios interesses. Deles e dos amigos...
Comecei então a procurar emprego na área da comunicação e ainda trabalhei numa rádio local, a Rádio São Mamede, na área da publicidade. Como não me pagavam, saí desiludido ao fim de 3 ou 4 meses. Tomei então conhecimento através de um jornal local que o Agrupamento de Instrução de Portalegre da Guarda Nacional Republicana tinha aberto um concurso para professores civis e concorri ao lugar para ensino da língua inglesa. Tive a sorte de entrar e fiquei durante 3 anos onde me senti muito bem e fui muito bem tratado. O ambiente era fantástico. Porém, como não me garantiam a continuidade e eu necessitava estabilidade para a minha vida, decidi ingressar num estágio Agir do IPJ e fui colocado na Câmara Municipal de Marvão, durante um ano.
Quando terminou esta iniciativa, concorri a um lugar de Chefe de Vendas na Opel do Grupo A. Matos, em Castelo Branco e fui seleccionado. Trabalhei ali durante 5 meses e saí porque entretanto fui admitido para o Ministério das Finanças como técnico de administração tributária adjunto estagiário, como resultado da minha classificação no maior concurso público a nível nacional, a que me tinha submetido meses atrás. Fui colocado em Nisa e 2 anos depois, fui colocado definitivamente em Marvão.
Sempre me interessei pela política. Colaborei activamente em diversas eleições e sobretudo nas autárquicas onde tive um papel muito activo como organizador de campanha do PSD, embora preferisse sempre ficar na sombra e em cargos menores.
Há 4 anos fui convidado pelo candidato a presidente pelo PSD para avançar como seu nº 2 e aceitei. Fizemos uma campanha exemplar e contra todas as expectativas, alcançámos uma vitória retumbante de mais de 600 votos de diferença num universo de pouco mais de 2.500 eleitores.
Concorri como independente.
Um ano após ter ganho as eleições, precisamente no dia em que cumpria um ano de mandato, tornei-me militante do PSD por decisão exclusivamente pessoal.

2 - Quem influenciou a sua entrada na política? E o que o atrai na política?
A minha família sempre viveu a política. O meu pai chegou a fazer parte de um executivo da Junta de Freguesia da minha aldeia e tenho uma tia paterna que me é muito próxima e sempre foi uma fervorosa adepta do PSD e do Sá Carneiro. Pegou-me o bichinho. Enquanto criança e adolescente, colaborei com amigos em algumas campanhas sempre como apoiante do PSD ou da ala mais direita do espectro político. Fui interveniente activo, sobretudo das autárquicas no meu concelho. Fiz parte de diversas candidaturas ao longo dos anos.
Já na Universidade, fui muito influenciado pelo professor Basílio Horta que mudou a minha visão ao explicar-me que a política é apenas a escolha de um entre muitos caminhos e que passamos as nossas vidas a tomar decisões políticas. Na conversas que mantinha após as aulas com alguns alunos mais interessados, informalmente, entre um ou dois cigarros, ajudou-nos a desmistificar a ideia da política como algo que é nocivo e de puro interesse, mostrando-nos o seu lado mais nobre.
O que mais me atrai na política é a capacidade de poder melhorar a vida das pessoas. Há sorrisos que me enchem a alma.

3 - Qual a sua ideia e opinião de Francisco Sá Carneiro? Considera-o o líder carismático?
Sá Carneiro faleceu quando eu era muito jovem e não estava ainda desperto para a questão política. Consumo tudo o que me chega às mãos sobre a sua visão e a sua vida mas ainda assim nunca é suficiente. Está para mim como o Eusébio, como alguém excepcional, absolutamente fora de série, mas que não é do meu tempo. Conheço mais o mito do que a obra, se é que me consigo fazer explicar.
Como homem era uma figura carismática que cativava pela sua humildade e eloquência.
Acredito na sua direita, numa direita social, que compreende as desigualdades e luta diariamente para as esbater, para tornar o mundo mais justo e mais fraterno.
A sua morte trágica e ainda hoje inexplicável, acabou por influenciar enormemente o nascimento da lenda à sua volta.

4 - Considera que os resultados eleitorais para as europeias foram uma reacção dos portugueses à política do Eng.º Sócrates, nas palavras de Rui Rio, ou considera que foi sobretudo fruto do trabalho do candidato Paulo Rangel e de todo o PSD, mostrando-se inequivocamente como uma alternativa ao PS?
As eleições não se ganham, antes se perdem.
Quanto a esta questão das europeias, parece-me que devemos separar as águas. Considero que é precipitado tentar extrapolar daqui indicações para as autárquicas e legislativas que hão-de vir.
Em primeiro lugar, os valores da abstenção são aterradores e no meu entender, castigam as propostas dos candidatos que falharam por não terem conseguido explicar aos portugueses a importância do seu voto nestas eleições. A Europa está longe demais do nosso povo que pensa que tem mais que fazer do que andar metido nestas andanças.
Em segundo lugar, a extraordinária e surpreendente vitória do PSD não significa que em Outubro as tendências se mantenham. Cabe ao partido compreender o sentido desta votação e pensar rapidamente de que forma pode ganhar balanço e afirmar uma dinâmica vencedora. Há muito trabalho por fazer. Quando os milhões que agora se abstiveram forem votar para a sua câmara e para o governo do nosso país, as expressões de voto podem ser diferentes.
No entanto, há um dado que é inquestionável, os portugueses aproveitaram a ocasião para mostrarem um cartão laranja-avermelhado ao Eng.º Sócrates como forma de os castigarem sobretudo pela sua prepotência e arrogância. Parece-me que a crítica vai mais pela forma do que pelo conteúdo. Veremos qual será o desfecho.

5 - Acha que a liderança da Dr.ª Manuela Ferreira Leite saiu reforçada?
Sem qualquer margem de dúvida. A Dr.ª Ferreira Leite foi uma das grandes vencedoras deste processo eleitoral. Assumiu a responsabilidade da escolha do Dr. Rangel e revelou-se uma aposta ganha. O PSD ganhou um nome emergente que para além de ser um brilhante académico mostrou ter garra e valor para ir muito mais longe.

6 - E o PSD?
Desde a trágica saída do Dr. Durão Barroso que trocou o voto de confiança dos portugueses pelo seu futuro dourado europeu, que o PSD se perdeu para nunca mais se encontrar. Depois da dramática prestação governativa de Pedro Santana Lopes e da trágica liderança de Luís Filipe Menezes, o partido bateu no fundo. Precisava de uma imagem que lhe conferisse estabilidade e lhe devolvesse a credibilidade aos olhos dos portugueses. Foi por isso que apoiei a candidatura à liderança da Dr.ª Ferreira Leite, porque me pareceu a mais adequada para a vida de então do partido. A recuperação tem sido lenta e conquistada a pulso. Esta vitória, a primeira em eleições do género, é um bálsamo revigorante que pode trazer o partido de volta em toda a sua força.

7 - Como vê o desempenho (ou o empenho) da líder? Acha que deve manter-se na liderança? Com ela c PSD tem boas hipóteses de ganhar as próximas eleições?
A actual líder do partido deve manter-se até às eleições e aproveitar ao máximo o balanço positivo deste escrutínio. Deve trabalhar no programa eleitoral, na elaboração das listas com as pessoas mais adequadas e evitar a todo o custo as gaffes tremendas que custam muitos milhares de votos. Os episódios das críticas aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e da suspensão da democracia são ridículas e podem deitar tudo a perder.

8 - Com maioria absoluta?
Nem os mais optimistas, aqueles que sempre acreditaram na possibilidade desta vitória nas europeias, conseguem ser optimistas a esse ponto.

9 - Quais seriam para si as prioridades dadas pela líder para sair triunfante nas próximas eleições?
Em primeiro lugar, e porque a política de hoje em dia vive muito à base da imagem, deveria rever a sua postura e a sua prestação pública. Deveria corrigir o ar cinzento e tentar aproximar-se das pessoas. O Portas é mestre nisso. Apesar de ser o mais elitista que pode haver, consegue mergulhar nos mercados deste país e passar uma imagem de quem se sente como peixe na água. Os portugueses gostam disso. Consegue imaginar uma Manuela Ferreira Leite a passear confortável no Bulhão?
Estamos a falar de uma candidata, de uma mulher, que deveria rentabilizar mais essa sua condição, de se fazer valer do seu instinto feminino para chegar às pessoas. Ter essa coragem num meio que ainda é muito dominado pelos homens poderia ser um trunfo fabuloso.
No que diz respeito às políticas, penso que está no bom caminho. Criticar a arrogância, o despesismo e os projectos megalómanos do actual governo são propostas que vão de encontro ao sentir dos portugueses.

10 - O que acha da posição de Pedro Passos Coelho sobre a ideia de que o Estado deve retirar-se rapidamente da economia, restringindo-se a intervenções excepcionais como é o caso no actual estado de crise financeira?
Deixar a economia funcionar ao seu livre arbítrio pode conduzir a um estado de canibalismo puro dos mercados. O Estado deve, no meu entender, assumir um distanciamento que permita o normal desenvolvimento dos processos financeiros mas sem nunca os perder de vista. A imagem correcta é a do pai que lê o jornal no parque infantil mas não nunca perde de vista as brincadeiras do filho no escorrega. Só age se for estritamente necessário para garantir a sua segurança e integridade.

11 - Considera importante o Estado intervir e legislar de maneira a distribuir a população de forma equilibrada pelo território, atendendo ao facto da maioria das pessoas se concentrar no litoral, desertificando o país no interior?
Sem dúvida alguma. Uma das principais funções do Estado é a de gerir o território que ocupa. Para que serve um Estado se falhar nesta missão primordial? Um dos erros crassos que actualmente estão a ser cometidos em Portugal é precisamente esse, o de ter um Estado que não sabe administrar de forma equilibrada o seu território.
Hoje em dia, Lisboa governa apenas com olhos nos números, pelos números e para os números. O interior, assolado por um despovoamento galopante, perde expressão eleitoral e está cada vez mais relegado para segundo plano. Este é um fenómeno assustador, que aterra todos os que vivem nestas zonas.
Por outro lado, as grandes urbes estão cada vez mais populosas e nelas ganham expressão fenómenos como o da criminalidade ultra-violenta e outros males das grande metrópoles.
O Estado deveria incentivar a vinda de novos habitantes para o interior, legislando, criando medidas específicas que fizessem sentido aos portugueses,
Cabe na cabeça de alguém, eu ter uma casa onde tenho uma sala e um quarto com tudo o que é do bom e do melhor e ter um quintal cheio de ervas daninhas, sem qualquer adorno e arrumação? Temos de ser equilibrados.
A desertificação do interior preocupa-me mesmo muito e é um pensamento constante em mim. Como sou uma pessoal naturalmente bem disposta e brincalhona, costumo dizer que a desertificação e o abandono do interior actual é de tal ordem que se os espanhóis decidissem, por absurdo, conquistar o nosso país e entrassem com os tanques pela fronteira dos Galegos, chegavam no mínimo a Santarém sem que ninguém os impedisse. É de loucos!

12 - Considera importante o TGV? Ou acho que esse dinheiro deveria ser canalizado para outras prioridades?
O TGV é uma medida megalómana que se tornou uma mania deste governo. No meu entender, as actuais ligações existentes à Europa (aéreas, ferroviárias e rodoviárias) são suficientes. Existem outras prioridades mais básicas e elementares, como por exemplo, ao nível do sistema de saúde e do funcionamento judicial que é uma verdadeira vergonha. O TGV é um capricho do governo do Eng.º Sócrates e também uma forma de alimentar e satisfazer os lobbies da construção que lhes estão associados.
O nosso país é perito neste tipo de disparates. Recordo os estádios de futebol construídos propositadamente por motivo do Euro, alguns em regiões que nem sequer tinham equipas a disputar a 1ª Liga Nacional. Rios de dinheiro gastos sem critério.
Quanto ao TGV, quando se analisa e estuda a construção de uma ligação deste tipo, devem ser muito bem analisados todos os prós e os contras. Por exemplo, quando se construiu a auto-estrada para o Algarve, quantas famílias que viviam e trabalhavam nos restaurantes na berma das estradas nacionais ficaram no desemprego e sem meio de subsistência? Quando se dá um passo com esta profundidade, devem-se prever as contrapartidas necessárias.
Na situação actual, o TGV é uma excentricidade.

13 - Porque razão não se fez ainda uma auto-estrada com ligação a Portalegre?
Porque a voz da nossa cidade soa baixinho no Terreiro do Paço. Por tudo aquilo que disse atrás. Com Estremoz e a A23 a curtas distâncias, já não estamos tão longe do progresso quanto isso. Já nos pudemos queixar mais. Mas não haja dúvida que para o Distrito, uma auto-estrada até Portalegre seria um passo de gigante em direcção a quase tudo.

14 - Tendo Portalegre uma situação geográfica privilegiada com a Raia, com a Beira (1 hora, 80 Km de Castelo Branco), com Lisboa (2 horas, 230 Km ), porque razão não se investe mais nesta zona tanto a nível de empreendimentos hoteleiros, espaços comerciais, de lazer e de saúde?
Não nos pudemos esquecer que ainda hoje estamos a pagar a terrível factura dos erros crassos que antigos dirigentes cometeram em décadas anteriores. Conheço bem a cidade de Castelo Branco, até por motivos familiares, e nos últimos 20 anos pude acompanhar com uma pacata cidadezinha do interior passou a case study e a capital modelo de uma região. Não nos podemos esquecer que muito deste sucesso foi conquistado à custa dos erros e das desgraças de Portalegre.
Comparem-se as zonas industriais… Quando aqui pediam preços exorbitantes pelos terrenos, lá eram praticamente cedidos a custo zero. Quem semeia ventos…
No meu entender, os políticos que estão à frente da Câmara de Portalegre nunca se podem esquecer que para além de estarem à frente dos destinos do seu concelho, estão à frente de uma cidade que é capital de distrito. Por muito que Elvas e Ponte de Sôr clamem por atenção, o centro nevrálgico está em Portalegre e é importante que essa consciência nunca se perca. Os líderes podem e devem sempre lutar pela região.
Infelizmente, não me parece que os cenários se possam mudar radicalmente.
Évora e Beja ganham cada vez mais peso face às novas conjuntura e isso preocupa-me.
Há uns tempos, fui daqui precisamente a Beja para uma reunião com a Presidente do Turismo de Portugal onde esta se propunha explicar quais os projectos Pin e as grandes estratégias do governo para o turismo no Alentejo. E que ouvi eu então? Que tudo o que não fosse Costa Vicentina e Alqueva, era uma carta fora do baralho. Falei-lhe em Marvão, na importância da candidatura a património mundial, no facto de sermos uma das 21 maravilhas de Portugal, na possibilidade de sermos discriminados positivamente mas nesse dia, a única coisa que ganhei foi uma multa por excesso de velocidade que tive de pagar na hora e do meu bolso.

15 - Na actual conjuntura de que depende o arranque da economia?
No meu entender, da confiança. Esta crise tenebrosa, profunda e mundial, é também psicológica. As pessoas têm medo de gastar e a economia retrai-se muito. Eu, como toda a gente, também gosto de ter coisas boas. Gosto de me sentir bem, de viver com conforto e qualidade, de usufruir dos prazeres da vida, de ser feliz com aquilo que posso ter à medida das minhas posses. Nos últimos tempos, quando compro qualquer coisa, em vez da habitual felicidade, tenho dado por mim a sentir-me culpado por ter gasto, por consumir quando tantos não têm sequer para comer ou comprar medicamentos. É este o actual campeonato.
Atenda-se ao caso BPP… quem é que acredita numa economia, num sistema financeiro que permite que gatunos de gravata abrasem as poupanças de uma vida que os clientes lhes confiaram? Isto é terceiro-mundista e inacreditável.

16 - Considera importante a projecção da imagem do Presidente Obama a nível internacional para injectar confiança nos mercados?
Não é só nos mercados. É no planeta, à escala global e a todos os níveis. Obama é a personificação da esperança numa América e num mundo melhor. Ouvi, na íntegra, via internet, o seu discurso de vitória eleitoral e cheguei a arrepiar-me. É um homem único e muito especial que marca uma ruptura com a tirania dos Bush. É um homem de paz, de diálogo, um humanista. Uma pessoa que diz “ouvir-vos-ei sempre, sobretudo quando estivermos em desacordo” , só pode ser alguém que nos abre as portas de um amanhã melhor. Eu acredito nele. É um dos meus heróis actuais. Oxalá não me deixe ficar mal.
17 - Na sua opinião considera que as linhas de crédito pelo Governo às PME são medidas positivas?
Sem dúvida alguma. Podem ser um estímulo e um balão de oxigénio em direcção à continuidade e um regresso ao caminho da sustentabilidade. Resta agora saber, se nas actuais condições, serão suficientes.

18 - O que pensa do braço de ferro entre o Ministério da Educação e os professores?
O Ministério da Educação, na pessoa da ministra, pecou pela teimosia e pela arrogância. Considero, no entanto, que a avaliação deve de existir porque nenhuma classe profissional pode estar acima da legislação e das restantes classes. Faltou o diálogo e uma aproximação entre as partes.
Urge que se encontre um consenso. Os professores são o motor da função educativa. Se estão contrariados, frustrados, revoltados, acabarão por passar esse sentir para os alunos e aí o processo complica muito.
As posições estão extremadas, com a ministra fechada sobre as suas convicções e os professores nas ruas. É um processo muito complicado que só pode ser ultrapassado com cedências de parte a parte.

19 - Entre os funcionários das finanças e do Ministério das Finanças e da Administração Pública na questão da alteração dos vínculos laborais?
Este é processo que me diz particularmente respeito por motivos profissionais e me preocupa bastante. Concordo em absoluto com a proposta dos deputados do Bloco de Esquerda quando expressa que “a liquidação e cobrança de impostos constitui um meio necessário à satisfação das necessidades do Estado e das suas funções públicas e sociais, devendo, por isso, ser considerada uma função nuclear, fazendo portanto parte integrante das funções de soberania do Estado. As funções exercidas pelos trabalhadores da Administração Fiscal são essenciais para o combate contra a fraude e a evasão fiscal pelo que a colocação destes trabalhadores no âmbito do contrato individual de trabalho, remete-os para uma situação de menor protecção na luta contra a fraude e a evasão fiscal. O vínculo de nomeação é um dos garantes, perante o contribuinte, de uma posição de maior respeitabilidade, para além de facilitar o exercício da sua profissão, pelo que é da mais elementar justiça que o governo reconheça que estes trabalhadores desenvolvem funções consideradas de soberania do Estado, devendo-lhes ser garantido o vínculo de nomeação”.


20 - Qual deveria ser o papel de Portugal em relação aos países da CPLP?
Portugal, sobretudo por uma questão histórica, deve assumir o seu papel de centro nevrálgico desta comunidade. Deve trabalhar em conjunto, deve ouvir os restantes membros mas nunca se deve demitir da responsabilidade de ter estado na génese desta comunidade, de ser o ponto fulcral a partir do qual ela se criou. Sou contra o acordo ortográfico, por exemplo. É uma questão de princípios.

21 - Considera-se português, ou, atendendo à nossa história, um lusófono? E em que medida esse sentimento pode ser enriquecedor e recíproco, dando-nos vantagens em relação aos parceiros europeus?
Sou um português convicto que acredita que esta casa gigantesca que é a língua portuguesa nos pode trazer muito mais vantagens que desvantagens, a todos os níveis. Deve-se trabalhar com honestidade, com integridade, com espírito de equipa e se assim for, os bons resultados surgem por acréscimo. O peso enorme da nossa história pode e deve sempre acompanhar-nos porque nos torna únicos e autênticos. Quantos países se podem gabar de ter dividido o mundo ao meio?

22 - Que mensagem deixaria para os portugueses para este ao económico e 2009?
Deixo uma mensagem de esperança e de fé, nem que seja neles próprios. Já estivemos bem pior e demos sempre a volta por cima. Desta vez não há-de ser diferente. Corre-nos nas veias o sangue de uma nação que deu novos mundos ao mundo. Essa grandeza, mesmo que invisível, há-de sempre viver dentro de cada um de nós.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Vinhetas e Pranchadas - Especial Eleições Europeias

Clica e amplia.
Imprime e cola no teu local de trabalho.
Tens grande hipóteses de ser promovido.
Como as coisas estão... se fores funcionário público... então é subida garantida!

Clica, amplia e imprime este bonito poster para colorir.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dia da Criança de Marvão 2009

No Dia da Criança cheguei a casa completamente rebentado.

Foi um dos dias mais quentes do ano.

Tinha os pés requeimados, as mãos com bolhas… doía-me o corpo todo de tanta pega, de tanta faena, de ter morrido tanta vez (12 vezes num só dia!).

Encostei-me na cama eram 7h da tarde. Acordei eram 8h da manhã. Dormi 13 horas de esticão.

Estava tão cansado… e ainda assim, não podia estar mais feliz.

Podia escrever um tratado sobre este Dia da Criança… mas acho que os registos dizem tudo.

Os que acreditam… Desfrutem!





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E a grande revelação deste ano, Filipe, o Travolta da Beirã, o descendente directo do Bez dos Happy Mondays, o raver nº 1 de Marvão. Que ritmo! Que técnica! Um prodígio da natureza a bombar! Grande!
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terça-feira, 2 de junho de 2009

E o povo, pá?


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Eu estou numa fase em que a política me mete nojo e custa-me cada vez mais acreditar naquele professor que há muitos anos atrás me ensinou que há nobreza e força de carácter por detrás desta missão.

Dá-me azia ver as supostas “ovelhas negras” do Bloco de Esquerda entrarem no jogo cínico e ganancioso que criticaram na sua génese;

Causa-me repugna ver a Ilda do PC a alimentar-se da angústia do fantasma do desemprego que paira sobre os proletários, à saída dos turnos;

Não compreendo a euforia de pré-vitória e o ar de mártir do Avô Cantigas do PS, como se fosse um predestinado que emerge do meio dos trauliteiros…

Faz-me transtorno ver o Portas e o boneco do Nuno Melo a cortejarem as peixeiras num mercado qualquer, numa de Teddy Boys camuflados de homens do povo;

Não acredito que o Rangel possa devolver ao PSD o “regresso à origens” de que o partido tanto precisa. Jovens vestidos de laranja aos gritos rua abaixo, cantando slogans “à hooligan” como se estivessem numa final distrital qualquer?

Mas será que esta gente toda não tem vergonha?!?!?!?

Ao menos que tenham coragem e frontalidade de surgirem às claras e dizerem sem medo ao que vêm e o que pretendem. Que mostrem as cartas. Que sejam honestos. Que falem nos salários chorudos; em todas as mordomias acrescidas; na maravilha de viverem no estrangeiro, livres de toda esta miséria de espírito; e que refiram então depois o pouco que podem fazer pelo país numa máquina trituradora chamada Europa.

Os únicos políticos em que acredito actualmente são aqueles que não se rendem, os que resistem, os que aceitam poder estar enganados mas continuam fiéis aos princípios.

Os homens da luta, Neto e Falâncio, resistentes da SIC Radical, e em força no my space, são os únicos que conseguem provar que bastar querer para poder.

Depois de ajudarem a eleger um desconhecido chamado Obama nos Estados Unidos, preparam-se agora para tomar conta do nosso país.

“E o povo, pá?
Quer dinheiro p’ra comprar um carro novo, pá!”

Prometo que no domingo, vou dar voltas e voltas ao boletim a ver se encontro esta sigla…

Ao menos, são honestos!




Quando falta o tempo…

O Atlântico como eu o vi, em Parnaíba... como nunca antes o tinha visto. Imenso, gigantesco, tão cheio de água, com um sol enorme a fundir-se a norte, bem no coração da terra. Foi neste horizonte que caiu o A330.

Falta-me o tempo para escrever… para dizer… para contar tanta coisa boa que me tem acontecido nestes dias…

Corro da Câmara para a Pós-Graduação, dos encontros de família para o estudo, dos amigos para os compromissos institucionais em que se tem mesmo de estar, dos eventos para o lar…

Pareço o Variações… quero estar em todo o lado sem nunca saber se chegarei a lado algum.

Quero tanto partilhar a alegria imensa de um Dia da Criança que me encheu o coração de sorrisos, gargalhadas e cumplicidades que hão-de durar a vida toda…

Mas falta-me tempo…

Entretanto… vou arranjando fotos, compilando emoções, articulando memórias para que possa quanto antes postá-las nesta janela para o mundo.

Pelo meio e entrementes, há coisas que me comovem…

Como ver os rostos, os projectos, as expectativas dos passageiros do malfadado voo do Rio para Paris que terminou abruptamente no meio do Atlântico.

Uma coisa é ouvir falar em vítimas. Essa, infelizmente, é uma realidade com a qual temos de lidar diariamente. Outra é conhecer-lhe as ambições, o querer, o seu lado humano.

Que dizer do maestro que sonhava numa fusão de sons e se preparava para mais um concerto de projecção na Europa?

Que dizer da cantora lírica que regressava para o estrelato europeu depois de umas férias com os seus no Brasil?

Que dizer dos pais que finalmente contavam conhecer a glória da Grécia Antiga com a filha, nuns dias de sonho que viraram pesadelo?

Que dizer da família que nunca viajava junta para, no caso de catástrofe, não perecerem todos? Havia a vida de lhes dar razão, levando a mãe e o filho, deixando o pai e a filha em terra…

Crianças e bebés…

Vidas interrompidas…

Eu também já passei por ali. Eu também já senti as turbulências características da zona de convergência equatorial, mas tive de me aguentar e fazer de forte, com ar normal, quando uns dormiam e outros sorriam como se fosse coisa habitual. Eu também senti o rabo a meter-se para dentro mas tive de fazer ar de duro, mesmo para os que olhavam em volta à espera de uma explicação. Sabia lá eu o que viria a seguir…

O destino é lixado porque por mais voltas que se lhe dê… acaba sempre por ter razão.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O dia Maior


Há dias, quando fui levar a minha filha à minha escola, como de resto faço todas as manhãs, encontrei os coleguinhas dela todos juntos e como se aproxima o Dia da Criança de Marvão, pensei… deixa cá animar a malta…

“Ó pessoal! Querem saber as novidades deste Dia da Criança?”

“Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmm”.

“Vai haver um insuflável gigante que são uns matraquilhos humanos!”.

E eles todos em coro: “Yyyyeeeeeeeeeeeeeeeeessssssssssssss!”.

“Vai haver duas cabeleireiras só para fazer penteados fixes e meter gel e pintar as meninas”.

“Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!”.

“Vai haver uma quermesse onde saem sempre prémios!”.

“Eeeeeeeeeehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh”.

“E vai haver muitas coisas mais… um barco novo para andar no rio, a discoteca gigante, um espectáculo de magia…”

“Uuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”.

“E vai haver uma tourada……..”

E eles gritaram tanto que a escola vinha vindo abaixo.

“A sério, Pedro?”, perguntaram dois ou três.

“E eu respondi: claro que não! Ainda morria algum”.

E eles: “Ooooooohhhhh”.

E eu fiquei a pensar naquilo…

“epá… se arranjasse uma carreta daquelas com cornos que eles utilizam nas práticas de toureio, e me vestisse a rigor… temos o anfiteatro da Portagem que é uma praça autêntica… metíamos as grades a fazer de redondel e de baias, arranjávamos umas jaquetas de forcados, uns cavalos de pau que lá tenho em casa, um ou dois chapéus de cavaleiros, uns pasodobles… é isso!!!!”.

Caraças, pá! Até se vão passar… Móoooon!”.

As actividades do dia
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Noite de reis


A noite de ontem há-de ficar para a história do futebol como aquela em que os espanhóis do Barcelona deram um monumental banho de bola aos ingleses do Manchester, ao ponto de ainda hoje estarem para perceber como foram tão facilmente dominados.

Foi a noite de um menino que há custa de muito acreditar e de muito trabalhar, passou de apanha-bolas a titular indiscutível, chegou a capitão e dali a treinador consagrado, o primeiro e único a conquistar o triplete: Liga, Taça e Título de Campeão da Europa.

Foi a noite em que um velhinho que pensava que sabia tudo se viu enrolar por esse mesmo talentoso jovem que tem idade para ser seu neto.

Foi a noite do trabalho de equipa e da prata da casa.

Foi a noite de uma genial pulga argentina que encantou o mundo e até marcou de cabeça saltando por entre os gigantes.

Foi a noite em que o nosso Ronaldo mostrou como nunca estar cego pelo seu narcisismo.

Foi uma noite em grande e ainda estou meio enfeitiçado por aquele futebol de relógio suíço, de passes premeditados, que funciona até de olhos fechados. Que fácil que parece, que simples que é quando se é quase perfeito. Como a bola se lhes colava aos pés e parecia repelir os adversários… Muito bom!

Vivam os campeões da Europa.

Por falar nisso, lembrei-me que o primeiro ou segundo post que fiz foi sobre uma final da champions e descobri que o meu blogue fez dois anos há poucos dias. Mais de três centenas de posts depois, muitas horas passadas, mais de 125.000 visitantes depois, não podia estar mais satisfeito com o resultado.
E o que eu tenho poupado em psicanalistas, ó valha-me Deus.

Este é sobretudo um espaço de partilha e de vivência. Grande parte da minha vida e do meu sentir estão aqui plasmados.

Bem hajam por aparecerem.

Um graaaaande abraço,

Do vosso,

Tio Sabi

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Os homens de leme




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Os Xutos e Pontapés já ganharam há muito o estatuto de símbolo nacional.

Estão assim ao nível da sardinha assada, do garrafão tinto de 5 litros, do galo de Barcelos, da meia branca com sandálias, do palito ao canto da boca, das tatuagens do ultramar, da unha grande no dedo mindinho, de coçar as partes baixas em público, do dizer mal dos outros só por inveja…

São daquelas cenas que a gente vi e diz assim: é de portuga!

Eles comemoraram agora 30 anos.

Eu tenho 36 e em grande parte da minha vida estiveram sempre ali, lado a lado.

Agora andam na estrada com disco novo mas o fulgor dos velhos tempos já lá vai há muito… A idade tudo traz…

E por mais que queiram manter o espírito roqueiro, as palavras que saem daquelas gargantas já não nos soam tão autênticas como antigamente. Digamos que… estão aburguesados e isso era das piores coisas que lhe podia acontecer (antes acabar…) mas o negócio é mesmo assim.

Parecem assim uns Rolling Stones de terceira divisão mas eles dizem que andam nisto por gosto e a gente finge que acredita, nem que seja pelos bons velhos tempos…

Mas no concerto de sábado passado em Portalegre, no âmbito das festas da cidade, enquanto a minha filha me pulava nas costas e cantava em coro o “Não sou o único”, eu não conseguia parar de sorrir e de pensar como o tempo passa depressa.

Ainda ontem estava deitado no meu quarto adolescente, a sorver a revolta em cada acorde do magnífico “Circo de Feras”, um verdadeiro manifesto de juventude e rebelião então acabadinho de sair… quando dou por mim a fazer o papel de cota… num concerto de estádio… a ouvir a minha própria descendência a curtir a cena como se não houvesse amanhã.

Isto… a vida tem porras…









PS: A voz que se ouve a cantar no vídeo não é a minha, que eu estava tão caladinho a gozar o prato. A voz é dela!!!

PS1: Adorei ouvir o velho Kalu quando tomou a dianteira. Aquele sim é a alma da coisa. Um autêntico duro!

PS2: Depois desta experiência, já não me restam dúvidas… se Deus nos der saúde, daqui a 7 ou 8 anos já estou a fazer os festivais de Verão com as pequenas de mochila às costas. YYEEEEEEEESSSSSSSSSSSSS!

domingo, 24 de maio de 2009

Rumo a Mértola



Na passada quinta-feira, dia 21 de Maio, Mértola inaugurou oficialmente o seu V festival islâmico. Entendendo que na área da programação cultural é fundamental o contacto com experiências análogas para poder estabelecer termos comparativos, colher boas práticas e sobretudo, fomentar a ligação a novos artesãos, artistas, animadores, conferencistas e organizadores; desloquei-me a esta vila alentejana acompanhado da equipa que me apoia directamente na organização do Al Mossassa, a festa islâmica de Marvão que celebra as suas raízes e o momento da fundação.

Foi muito assim que consegui rechear e dar credibilidade à nossa festa em anos anteriores, quando começou praticamente do zero, visitando a minhas expensas as feiras de Silves, Óbidos e outros mercados de referência. Fazendo trabalho de campo, de pesquisa, de fundo…

A viagem é longa, de mais de 3 horas, e o Alentejo daquela área pouco ou nada tem a ver com o nosso, mas parece-me que aqui a excentricidade é nossa. Na verdade, aquelas terras secas, áridas, quase desertas e inóspitas correspondem muito mais à imagem que a generalidade das pessoas tem do Alentejo do que a nossa região verde, fértil, minifundiária e repleta de declives; de transição com a Beira Baixa e muito marcada pelo rio Tejo e o seu afluente Sever.

Viajar, como sempre, e neste caso que não foi excepção, permitiu-me tirar algumas conclusões…



A terra

Em primeiro lugar, permitiu-me constatar uma vez mais, o extraordinário potencial turístico de Marvão. Por exclusão de partes, apercebemo-nos, comparando, de como somos fortes e singulares.

A vila de Mértola goza de há uns anos a esta parte, de um prestígio científico, cultural e turístico que não me parece (passo a imodéstia) ter correspondência real.

Portugal é assim… às vezes basta o trabalho de um homem, neste caso o do Prof. Cláudio Torres, mas poderia citar outro caso emblemático no Alentejo, o da ligação entre Montemor-o-Novo e o bailarino Rui Horta; para captar fundos, as atenções dos centros de decisão e assim meter uma localidade no mapa e frente às luzes da ribalta.

Reconheço em absoluto a importância estratégia do trabalho de décadas do historiador nesta localidade, esforço esse que teve o mérito de a transportar para outra divisão, mas a verdade é que o turista encontra à chegada uma vila pacata e com graves lacunas que a impedem de poder ser considerada como um destino turístico de referência: faltam os espaços para estacionamento (tivemos sorte de chegar cedo e no primeiro dia); faltam estruturas de apoio e segurança (escadarias íngremes sem corrimão… uma ravina de muitos metros sem qualquer tipo de guarda junto à rotunda da entrada); há muita casa fechada e com sinais evidentes de degradação no centro; alguns painéis de informação não estão em condições e nalguns casos sobra apenas a estrutura porque as informações já desapareceram há muito; e falta sobretudo aproveitar a grande mais-valia em termos turísticos, o rio Guadiana, que lhe deu fama enquanto último porto navegável a partir do mar e se encontra sujo e está subaproveitado.



Entre o carro e o rio... apenas uma ravina de muitos metros

Casas degradadas...

Telhados ruídos...
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Comércios fechados...

e uma pensão ao lado de uma oficina...

vale, ao menos, o Guadiana...
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Chocou-me a falta de preparação dos recursos humanos com quem lidámos e cito apenas dois casos:

Como chegámos com tempo e ainda faltava 1 hora para a abertura do Souk, decidimos conhecer a viagem de barco que permitia ter uma panorâmica geral da vila e da sua envolvente. Chegados ao cais de embarque, nem informação, nem informador, nem barqueiro. Procurámos o telefone do turismo no folheto e pasme-se… nada! Tentámos via internet e o número nem sequer chamava. Chegou entretanto o responsável pelo barco a quem me dirigi de forma educada no sentido de obter algumas informações. A muito custo, lá me foi respondendo assim sempre de esguelha e sem parar a sua marcha em direcção ao rio, dizendo-me que “não tinha nada a ver com bilhetes”, que “só lhe pagavam para andar com o barco” e que “os bilhetes vendem-se lá em cima”. Bom… a escadaria até ao ponto de informações era íngreme mas percebi que não tinha outra solução, de forma que fiz-me à estrada. Depois de galgar sei lá quantos degraus, dou com o ponto de apoio onde uma menina me responde com ar espantado que os bilhetes se vendiam junto ao barco!!!

O empregado de mesa do jantar também foi engraçado. O rapaz não parecia ser novato, de todo, mas o jeitinho que tem para aquilo é tanto como o meu para pilotar biplanos. Tal e qual. O restaurante era central, os preços em conta, o forte eram os grelhados e pareceu-me bem mas este jovem era um poço de surpresas. Perguntei-lhe: “Para acompanhar as carnes na brasa talvez um tinto… tem assim algum da casa que tenha bom preço e seja da região?”.
Resposta: “Não. Aqui só temos a carta de vinhos”.
“Traga-ma então, por favor, para podermos escolher. Olhe… talvez um Monsaraz que é próximo e não está caro…”.
Veio a refeição, comemos e de vinho… nada. Já nos finalmentes, quisemos ainda assim saber o que se tinha passado: “olhe desculpe… então e o vinho?”.
“Ah… não há!”.
“Então… mas não há e o senhor não nos disse nada?”.
“Pois… mas deixe que eu trago-lhe outro. Tenho aqui um da casa que está barato e é ao jarro…”.
Ainda cheguei a pensar que fosse para os apanhados mas pelos vistos era a sério.
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O "Vendaval"...

O bonito palco num aprazível espaço para espectáculos

A suposta informação turística que... não está. À volta... tudo seco. Ai... que saudades dos jardins floridos de Marvão... das ruas limpinhas... das casas branquinhas...



Mais uma escadaria sem qualquer tipo de protecção e ao fundo, o Hotel-Museu em construção

A magnífica porta de entrada do Souk, de contraplacado como a nossa mas muito mais trabalhada e com um tratamento especial a nível da tinta. Aqui há que aprender com quem sabe...

O festival

Quanto ao festival, que foi o assunto que verdadeiramente ali nos levou, devo dizer que também aí as expectativas foram altas demais. As ruas eram exíguas, as bancas eram curtas, os produtos expostos eram muito repetidos e faltava uma orientação, um fio condutor…
Em Marvão temos o cuidado de seleccionar com critério posto a posto; privilegiamos aqueles que trabalham ao vivo e mostram a sua arte; temos a preocupação de ir variando os têxteis com as loiças, as pratas com os brinquedos, as madeiras com a bijutaria e de ter zonas específicas, por exemplo para as crianças e para a alimentação; temos o cuidado de apertar com os expositores para se vestirem a rigor e para serem pontuais. Nada disso vimos ali. Antes vi pessoas de jeans a venderem velharias e mel, e electricistas a fazerem montagens em cima da hora da abertura.

É certo que também tivemos oportunidade de conhecer e de convidar a Marvão alguns postos muito interessantes que oxalá consigam mesmo cá estar… gostava muito de poder trazer a espanholita das tatuagens temporárias Hena; a vistosa banca das tâmaras e frutos secos (quase certa!) e a impressionante exposição de tapetes feitos à mão, bem encaminhada após a conversa que tive com o presidente da associação de artesãos que os elaboram. A ver vamos…

Em termos de animação também me parece que levamos a melhor. Ali estavam como animadores residentes, o grande Eduardo Ramos, mestre do alaúde que bem conheço e consegui colocar no ano passado em Badajoz após convencer a Vereadora Consuelo; e os Gwana Al Baraka com quem já tinha trocado e-mails e com quem ali tive oportunidade de negociar, ficando já apalavrados para Marvão em Outubro a uma preço imbatível. Ambos são valores inquestionáveis mas nós tivemos sempre muito mais diversidade. Ali faltaram as bailarinas de ventre (cá são mais de 15, lá vimos apenas uma), faltaram as serpentes, faltaram as aves de rapina, faltaram os grupos de animação cómica (em 2008 tivemos o grande bobo Pedro Charneca, os ultra-profissionais Animamundy e os hilariantes Compinxas), faltaram os malabaristas de fogo... E nós tivemos essa oferta todos os dias!!!

Concluímos, como disse a Felicidade e bem: “Assim é que percebemos como nós temos uma festa a sério!”. Estamos no campeonato!
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Olá... Cristina... Turismo de Marvão... Al Mossassa...

Uma outra medida inteligente: panos estampados e coloridos cosidos de forma sequencial, suportados por uma estrutura de ferros ao longo das ruas. Dá, de facto, a ideia perfeita de um verdadeiro mercado islâmico. Como em Marrocos...
Sabemos, no entanto, que o vento de Outubro de Marvão não permite mais do que as faixas que habitualmente colocamos. É pena...




Esta não lembra a ninguém... velharias e calças de ganga num festival que se quer nacional?
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"Y donde queda eso?"


"Si, si... muy bonito, te va a gustar Marvao".
Eu queria que esta cachopa viesse e é só mesmo pela qualidade das tatuagens que faz...

Esta foi o Hernâni que pediu: "Olha os gajos a montarem as luzes a esta hora! Tira lá!"

Conhecendo um mestre na arte de trabalhar as madeiras. Um segredo de família.
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Eu vi um filme em que uma piquena usava uma bandolete destas mas ficava-lhe melhor a ela do que a mim

O espaço do Kebab, que é do mesmo proprietário que veio a Marvão, mas aqui num espaço bem mais "in"

A animação dos Al Baraka

Um stand bem interessante este, o dos frutos secos caramelizados. Pode ser...

Encontrei os meus amigos paquistaneses. Conheceram-me logo os gajos... espertos!

Este nosso compadre está bem islâmico, não está?

Se houvesse um concurso nacional de caras lindas da cultura nas autarquias, aposto que ficávamos melhor posicionados do que ficou Portugal no Festival da Canção. Não acham?

O centro da vila

O Cine-Teatro (com traços de arquitectura islâmica e com um toque algarvio)

Os espectáculos nocturnos são sempre o ponto alto da programação. Um nível muito forte.

A grande alegria do mercado foi termos visto tantos e tão bons amigos que já são indefectíveis de Marvão, que nos reconheceram de imediato e que nos receberam com beijos e de braços abertos, que perguntaram pelos nossos familiares e pelos nossos filhos e nos disseram com um sorriso rasgado que claro que sim, que neste ano vão voltar a Marvão, que Marvão é incontornável e que anseiam mesmo por esta feira e este local magnífico onde são tão bem tratados e se sentem tão bem.

Cá vos esperamos! (enquanto trabalhamos com afinco para fazer mais um evento memorável para todos vocês, para os habitantes, visitantes e claro, para nós próprios que desfrutamos tanto enquanto pugnamos pela excelência!).

Até Outubro! Inshallah!
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Ficámos bem, não ficámos?
Obrigado pelo dia e pela companhia., ó rapaziada.
Uma equipa motivada tem que se lhe diga...
É um orgulho poder contar com o vosso empenho e dedicação.
Se pudesse ser assim com todos... imagino onde não chegaria esta nossa casa...