quarta-feira, 17 de junho de 2009

Do 1º Real Encontro de Tertúlias

O magnífico cartaz alusivo, obra pioneira do artista Salvador Sabis. O original encontra-se actualmente em exposição no MOMA de Nova Iorque.

Uma entrada a "pés juntos": saladinha de orelha com branquinhos traçados. Fresquinhos...

A boa disposição inicial de quem parece que se conhecia há décadas...

A cerimónia de entrega das t-shirts oficiais, especialmente criadas para o efeito.

Enquanto o nosso Cavaco condecorava anónimos... O descendente do pintor Velásquez vivia um dia de glória na longa história da sua família.

Ole-hops...

Lolita!

Que bonito é o amor em português!

Início da Real comezaina...

A retribuição das cortesias. Os marujos trouxeram nas suas embarcações, não ouro, incenço e mirra; mas antes "D. Rodrigos" e aguardente de medronho. Classe!

O Bóbi gosta muito...
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O nosso Sargento também...
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Aaahhh. Magníficas! Como só a nossa Olga sabe fazer...

Real Tertúúúúúúúlia.....

Tchim - Tchim

Capitão Bruno contou a todos os presentes como descobriu sozinho, numa noite de nevoeiro, o caminho marítimo para a Fuzeta...

Humberto ficou extasiado com a espectacularidade do relato...

O resto dos convivas também!

Momento em que Sabi Júnior, ou melhor, Sabu, pediu a Rainha em casamento. Ela disse que sim, obviamente.

"Comemoremos então", disse o nosso Primeiro...

Ai que docinho estava...

Uma camisola que já é um mito. Vende mais que as do Cristiano Ronaldo na Megastore do Real Madrid!

Bananitas dá o corpo às balas e personifica a máxima "bêbados e gulosos" com distinção!

O exterminador implacável da Ramila. "I'll be back!"

Foto de Família que será vendida a 2 euros no estabelecimento e será colada pela proprietária no frigorífico que está avariado nas traseiras...

Neste tempo de crise... tudo se aproveita até à última gota e o medronho está tão caro...
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A branquinha na rua ao sol também sabe tão bem...

Visita ao resort fluvial da Portagem,

Vista panorâmica para a banhação. Quem não ter mar... tem tanques!
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As esplanadas são locais ideiais para longas tardes de namoro...

A atribulada chegada a Marvão em caravana e fila pirilau.

"Tão alto..." diziam eles. É, não é?

Weeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

Conforme deliberação régia... as bestas não puderam entrar na vila. Ficaram estacionadas à entrada...

Pelos caminhos de Portugal... eu vi tanta coisa linda, vi um mundo sem igual...

De visita ao artesanato da nossa Maria Joaquim

E já no novo micro-espaço museológico de Marvão: a escolinha antiga.

Onde a rainha estudou para a prova de aferição de aritmética...

E o Fernando para o exame de "Alentejano Aplicado", a língua estrangeira oficial

A seguir ao "A"? Isso mesmo! O "U"! Correcto! Prova superada!

A professora desmaiou em pleno Tribunal com a excitação da aula...

"Ó pessoal: acho que o vosso presidente baldou a varanda lá para baixo..."

Bonito postal ilustrado deste verdadeiro ninho d'águias. Parece a capa de um disco dos Trovante...

Desfile para o Tenente. Primavera-Verão 2010

Na lojinha do Sr. Garraio, os "algarveses" adquiriram cinzeiros para levarem às esposas e às filhas. Ali encontrámos o Paulo Portas, como podem comprovar pela imagem.

Eras cheio de sorte, não eras?

This side... the Ramila... my house... beautiful...

Pequenina mas poderosa. Asi me gusta a mi! Esta acabou por falecer no topo do mundo...

Digam olá à senhora, digam... bonitos!

O Careca chegou então do México e como trazia uma camada do vírus H1N1 teve de usar uma máscara invísivel e ser identificado com uma t-shirt amarela.

Começaram então de imediato os tratamentos para lhe extrair o mal.

O Senhor Ventura soube receber com maestria. As minis estavam divinais. É da Beirã e basta...

Estava-se tão bem ao solinho...

E os ovinhos com farinheira? Hummm... deliciosos!

Regra elementar: Nunca, mas nunca perder de vista o suporte básico de vida.

E não é que fizeram uma tourada em nossa homenagem? Lindo!

De repente... apareceu o cavalo do Bastinhas desembestado e foi uma arraia para o sigurar!

Tivemos de o abater a tiro. Caiu redondo na ervinha, o pobre...

Depois demos-lhe banhinho num tanque ali ao pé e ficou como novo!

"Ó menina... quanto se paga para entrar?"
"3 euros"
"A esta hora? Ainda? E se formos lá para baixo?"
"Nada"
"Ai sim? Bem dito, melhor feito. E olé!"
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O nosso Barradas esteve quase para lhe rebentarem ali as águas... Vá lá que se aguentou... Ai que nervos...

Parecia que estávamos em Las Ventas.

Os animais eram bravíssimos.

Bonita foto dos Forcados Amadores Tertulianos do Camarão

Bruno perdeu então completamente o juízo e quis apanhar uma vaca bem pretinha só com os dentes. Vá lá que o segurámos...
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Mas eu senti que o dia, a Praça e a companhia mereciam um gesto heróico e fiz-me à maior bezerra que já pisou solo alentejano... Uma besta autêntica vinda dos confins dos infernos só para me atormentar.
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Avancei, seguro, firme e hirto e com o segunda ajuda, um anónimo que nada percebia destas andanças, a mais de 20 metros de distância de mim. "Quero uma pega larguinha. Dá-me espaço, ok?".

E foi à primeira. Linda! O Maurício do Vale disse aos microfones da Renascença que não assistia a uma pega tão brilhante desde que viu o vídeo do Taveira!

Um brinde à Praça que entrou em delírio. 3 senhoras e o homem dos gelados desmairam. O das queijadas de Sintra sentiu-se só mal, com a emoção. Parecia um concerto dos Beatles. Caíam que nem tordos...

E a entrega do barrete de forcado à Presidente da Casa do Povo, D.ª Cristina Almeida, que também desmaiou por segundos. Ao meu lado, outra glória da forcadagem municipal... Chico Estoura.

Não há crime sem castigo. Não há acto heróico sem recompensa. As gloriosas e o nosso maestro Choca. Este homem é um santo! Cancelou as férias para nos receber... Já ganhaste o teu pedacinho de céu, nas palhinhas deitado, nas palhinhas dormido...

Quero mais, quero mais, gritavam eles. Calma... Chega para todos...

Enquanto alguns jovens bebiam e conversavam, conviviam, no fundo... Dois outros esperavam ansiosos a abertura da sede do PS para se alistarem.

E a eles mais se juntaram, galvanizados pelo momento...

Mas o sol já ia baixo e o dever chamava-nos... Tinha chegado a grande hora...

O ganadeiro Fernando Andrade, da Ilha dos Cucos, abriu as hostilidades...

E a malta adorou!

O que se seguiu foi pura magia...

Uma festa da amizade entre dois povos... os alentejeses e os algarveses

Que terminou da maneira mais óbvia.
Obigado por me terem feito tão feliz! Que entrem os videos e os discursos:
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sábado, 13 de junho de 2009

Diga lá...


Uma colega ligou-me a dizer que estava a fazer um trabalho académico que tinha que incluir duas entrevistas a políticos no activo.

Disse-me que tinha pensado em mim, lançou-me o desafio e eu aceitei.

Depois de ler o resultado pensei… “olha, é engraçado. Já tinha feito muitas mas sempre a outras pessoas. Aqui sou eu mesmo…”.


1 - Pode descrever o seu percurso político e profissional?
Terminei a licenciatura em Comunicação Social, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em 1995. Fui o segundo melhor classificado do curso, com uma média de 14 valores que me abria as portas do mestrado. Por motivos familiares, decidi deixar Lisboa e regressar à minha terra natal. A minha grande esperança de então era fazer carreira académica como docente no ensino superior em Portalegre. Cheguei a apresentar currículos e ter quase garantida a entrada mas esbarrei com compadrios e jogos de interesses. Não calculo como funciona actualmente, mas nesses anos, a vida académica distrital era gerida por uma espécie de máfia que se preocupava apenas em satisfazer os seus próprios interesses. Deles e dos amigos...
Comecei então a procurar emprego na área da comunicação e ainda trabalhei numa rádio local, a Rádio São Mamede, na área da publicidade. Como não me pagavam, saí desiludido ao fim de 3 ou 4 meses. Tomei então conhecimento através de um jornal local que o Agrupamento de Instrução de Portalegre da Guarda Nacional Republicana tinha aberto um concurso para professores civis e concorri ao lugar para ensino da língua inglesa. Tive a sorte de entrar e fiquei durante 3 anos onde me senti muito bem e fui muito bem tratado. O ambiente era fantástico. Porém, como não me garantiam a continuidade e eu necessitava estabilidade para a minha vida, decidi ingressar num estágio Agir do IPJ e fui colocado na Câmara Municipal de Marvão, durante um ano.
Quando terminou esta iniciativa, concorri a um lugar de Chefe de Vendas na Opel do Grupo A. Matos, em Castelo Branco e fui seleccionado. Trabalhei ali durante 5 meses e saí porque entretanto fui admitido para o Ministério das Finanças como técnico de administração tributária adjunto estagiário, como resultado da minha classificação no maior concurso público a nível nacional, a que me tinha submetido meses atrás. Fui colocado em Nisa e 2 anos depois, fui colocado definitivamente em Marvão.
Sempre me interessei pela política. Colaborei activamente em diversas eleições e sobretudo nas autárquicas onde tive um papel muito activo como organizador de campanha do PSD, embora preferisse sempre ficar na sombra e em cargos menores.
Há 4 anos fui convidado pelo candidato a presidente pelo PSD para avançar como seu nº 2 e aceitei. Fizemos uma campanha exemplar e contra todas as expectativas, alcançámos uma vitória retumbante de mais de 600 votos de diferença num universo de pouco mais de 2.500 eleitores.
Concorri como independente.
Um ano após ter ganho as eleições, precisamente no dia em que cumpria um ano de mandato, tornei-me militante do PSD por decisão exclusivamente pessoal.

2 - Quem influenciou a sua entrada na política? E o que o atrai na política?
A minha família sempre viveu a política. O meu pai chegou a fazer parte de um executivo da Junta de Freguesia da minha aldeia e tenho uma tia paterna que me é muito próxima e sempre foi uma fervorosa adepta do PSD e do Sá Carneiro. Pegou-me o bichinho. Enquanto criança e adolescente, colaborei com amigos em algumas campanhas sempre como apoiante do PSD ou da ala mais direita do espectro político. Fui interveniente activo, sobretudo das autárquicas no meu concelho. Fiz parte de diversas candidaturas ao longo dos anos.
Já na Universidade, fui muito influenciado pelo professor Basílio Horta que mudou a minha visão ao explicar-me que a política é apenas a escolha de um entre muitos caminhos e que passamos as nossas vidas a tomar decisões políticas. Na conversas que mantinha após as aulas com alguns alunos mais interessados, informalmente, entre um ou dois cigarros, ajudou-nos a desmistificar a ideia da política como algo que é nocivo e de puro interesse, mostrando-nos o seu lado mais nobre.
O que mais me atrai na política é a capacidade de poder melhorar a vida das pessoas. Há sorrisos que me enchem a alma.

3 - Qual a sua ideia e opinião de Francisco Sá Carneiro? Considera-o o líder carismático?
Sá Carneiro faleceu quando eu era muito jovem e não estava ainda desperto para a questão política. Consumo tudo o que me chega às mãos sobre a sua visão e a sua vida mas ainda assim nunca é suficiente. Está para mim como o Eusébio, como alguém excepcional, absolutamente fora de série, mas que não é do meu tempo. Conheço mais o mito do que a obra, se é que me consigo fazer explicar.
Como homem era uma figura carismática que cativava pela sua humildade e eloquência.
Acredito na sua direita, numa direita social, que compreende as desigualdades e luta diariamente para as esbater, para tornar o mundo mais justo e mais fraterno.
A sua morte trágica e ainda hoje inexplicável, acabou por influenciar enormemente o nascimento da lenda à sua volta.

4 - Considera que os resultados eleitorais para as europeias foram uma reacção dos portugueses à política do Eng.º Sócrates, nas palavras de Rui Rio, ou considera que foi sobretudo fruto do trabalho do candidato Paulo Rangel e de todo o PSD, mostrando-se inequivocamente como uma alternativa ao PS?
As eleições não se ganham, antes se perdem.
Quanto a esta questão das europeias, parece-me que devemos separar as águas. Considero que é precipitado tentar extrapolar daqui indicações para as autárquicas e legislativas que hão-de vir.
Em primeiro lugar, os valores da abstenção são aterradores e no meu entender, castigam as propostas dos candidatos que falharam por não terem conseguido explicar aos portugueses a importância do seu voto nestas eleições. A Europa está longe demais do nosso povo que pensa que tem mais que fazer do que andar metido nestas andanças.
Em segundo lugar, a extraordinária e surpreendente vitória do PSD não significa que em Outubro as tendências se mantenham. Cabe ao partido compreender o sentido desta votação e pensar rapidamente de que forma pode ganhar balanço e afirmar uma dinâmica vencedora. Há muito trabalho por fazer. Quando os milhões que agora se abstiveram forem votar para a sua câmara e para o governo do nosso país, as expressões de voto podem ser diferentes.
No entanto, há um dado que é inquestionável, os portugueses aproveitaram a ocasião para mostrarem um cartão laranja-avermelhado ao Eng.º Sócrates como forma de os castigarem sobretudo pela sua prepotência e arrogância. Parece-me que a crítica vai mais pela forma do que pelo conteúdo. Veremos qual será o desfecho.

5 - Acha que a liderança da Dr.ª Manuela Ferreira Leite saiu reforçada?
Sem qualquer margem de dúvida. A Dr.ª Ferreira Leite foi uma das grandes vencedoras deste processo eleitoral. Assumiu a responsabilidade da escolha do Dr. Rangel e revelou-se uma aposta ganha. O PSD ganhou um nome emergente que para além de ser um brilhante académico mostrou ter garra e valor para ir muito mais longe.

6 - E o PSD?
Desde a trágica saída do Dr. Durão Barroso que trocou o voto de confiança dos portugueses pelo seu futuro dourado europeu, que o PSD se perdeu para nunca mais se encontrar. Depois da dramática prestação governativa de Pedro Santana Lopes e da trágica liderança de Luís Filipe Menezes, o partido bateu no fundo. Precisava de uma imagem que lhe conferisse estabilidade e lhe devolvesse a credibilidade aos olhos dos portugueses. Foi por isso que apoiei a candidatura à liderança da Dr.ª Ferreira Leite, porque me pareceu a mais adequada para a vida de então do partido. A recuperação tem sido lenta e conquistada a pulso. Esta vitória, a primeira em eleições do género, é um bálsamo revigorante que pode trazer o partido de volta em toda a sua força.

7 - Como vê o desempenho (ou o empenho) da líder? Acha que deve manter-se na liderança? Com ela c PSD tem boas hipóteses de ganhar as próximas eleições?
A actual líder do partido deve manter-se até às eleições e aproveitar ao máximo o balanço positivo deste escrutínio. Deve trabalhar no programa eleitoral, na elaboração das listas com as pessoas mais adequadas e evitar a todo o custo as gaffes tremendas que custam muitos milhares de votos. Os episódios das críticas aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e da suspensão da democracia são ridículas e podem deitar tudo a perder.

8 - Com maioria absoluta?
Nem os mais optimistas, aqueles que sempre acreditaram na possibilidade desta vitória nas europeias, conseguem ser optimistas a esse ponto.

9 - Quais seriam para si as prioridades dadas pela líder para sair triunfante nas próximas eleições?
Em primeiro lugar, e porque a política de hoje em dia vive muito à base da imagem, deveria rever a sua postura e a sua prestação pública. Deveria corrigir o ar cinzento e tentar aproximar-se das pessoas. O Portas é mestre nisso. Apesar de ser o mais elitista que pode haver, consegue mergulhar nos mercados deste país e passar uma imagem de quem se sente como peixe na água. Os portugueses gostam disso. Consegue imaginar uma Manuela Ferreira Leite a passear confortável no Bulhão?
Estamos a falar de uma candidata, de uma mulher, que deveria rentabilizar mais essa sua condição, de se fazer valer do seu instinto feminino para chegar às pessoas. Ter essa coragem num meio que ainda é muito dominado pelos homens poderia ser um trunfo fabuloso.
No que diz respeito às políticas, penso que está no bom caminho. Criticar a arrogância, o despesismo e os projectos megalómanos do actual governo são propostas que vão de encontro ao sentir dos portugueses.

10 - O que acha da posição de Pedro Passos Coelho sobre a ideia de que o Estado deve retirar-se rapidamente da economia, restringindo-se a intervenções excepcionais como é o caso no actual estado de crise financeira?
Deixar a economia funcionar ao seu livre arbítrio pode conduzir a um estado de canibalismo puro dos mercados. O Estado deve, no meu entender, assumir um distanciamento que permita o normal desenvolvimento dos processos financeiros mas sem nunca os perder de vista. A imagem correcta é a do pai que lê o jornal no parque infantil mas não nunca perde de vista as brincadeiras do filho no escorrega. Só age se for estritamente necessário para garantir a sua segurança e integridade.

11 - Considera importante o Estado intervir e legislar de maneira a distribuir a população de forma equilibrada pelo território, atendendo ao facto da maioria das pessoas se concentrar no litoral, desertificando o país no interior?
Sem dúvida alguma. Uma das principais funções do Estado é a de gerir o território que ocupa. Para que serve um Estado se falhar nesta missão primordial? Um dos erros crassos que actualmente estão a ser cometidos em Portugal é precisamente esse, o de ter um Estado que não sabe administrar de forma equilibrada o seu território.
Hoje em dia, Lisboa governa apenas com olhos nos números, pelos números e para os números. O interior, assolado por um despovoamento galopante, perde expressão eleitoral e está cada vez mais relegado para segundo plano. Este é um fenómeno assustador, que aterra todos os que vivem nestas zonas.
Por outro lado, as grandes urbes estão cada vez mais populosas e nelas ganham expressão fenómenos como o da criminalidade ultra-violenta e outros males das grande metrópoles.
O Estado deveria incentivar a vinda de novos habitantes para o interior, legislando, criando medidas específicas que fizessem sentido aos portugueses,
Cabe na cabeça de alguém, eu ter uma casa onde tenho uma sala e um quarto com tudo o que é do bom e do melhor e ter um quintal cheio de ervas daninhas, sem qualquer adorno e arrumação? Temos de ser equilibrados.
A desertificação do interior preocupa-me mesmo muito e é um pensamento constante em mim. Como sou uma pessoal naturalmente bem disposta e brincalhona, costumo dizer que a desertificação e o abandono do interior actual é de tal ordem que se os espanhóis decidissem, por absurdo, conquistar o nosso país e entrassem com os tanques pela fronteira dos Galegos, chegavam no mínimo a Santarém sem que ninguém os impedisse. É de loucos!

12 - Considera importante o TGV? Ou acho que esse dinheiro deveria ser canalizado para outras prioridades?
O TGV é uma medida megalómana que se tornou uma mania deste governo. No meu entender, as actuais ligações existentes à Europa (aéreas, ferroviárias e rodoviárias) são suficientes. Existem outras prioridades mais básicas e elementares, como por exemplo, ao nível do sistema de saúde e do funcionamento judicial que é uma verdadeira vergonha. O TGV é um capricho do governo do Eng.º Sócrates e também uma forma de alimentar e satisfazer os lobbies da construção que lhes estão associados.
O nosso país é perito neste tipo de disparates. Recordo os estádios de futebol construídos propositadamente por motivo do Euro, alguns em regiões que nem sequer tinham equipas a disputar a 1ª Liga Nacional. Rios de dinheiro gastos sem critério.
Quanto ao TGV, quando se analisa e estuda a construção de uma ligação deste tipo, devem ser muito bem analisados todos os prós e os contras. Por exemplo, quando se construiu a auto-estrada para o Algarve, quantas famílias que viviam e trabalhavam nos restaurantes na berma das estradas nacionais ficaram no desemprego e sem meio de subsistência? Quando se dá um passo com esta profundidade, devem-se prever as contrapartidas necessárias.
Na situação actual, o TGV é uma excentricidade.

13 - Porque razão não se fez ainda uma auto-estrada com ligação a Portalegre?
Porque a voz da nossa cidade soa baixinho no Terreiro do Paço. Por tudo aquilo que disse atrás. Com Estremoz e a A23 a curtas distâncias, já não estamos tão longe do progresso quanto isso. Já nos pudemos queixar mais. Mas não haja dúvida que para o Distrito, uma auto-estrada até Portalegre seria um passo de gigante em direcção a quase tudo.

14 - Tendo Portalegre uma situação geográfica privilegiada com a Raia, com a Beira (1 hora, 80 Km de Castelo Branco), com Lisboa (2 horas, 230 Km ), porque razão não se investe mais nesta zona tanto a nível de empreendimentos hoteleiros, espaços comerciais, de lazer e de saúde?
Não nos pudemos esquecer que ainda hoje estamos a pagar a terrível factura dos erros crassos que antigos dirigentes cometeram em décadas anteriores. Conheço bem a cidade de Castelo Branco, até por motivos familiares, e nos últimos 20 anos pude acompanhar com uma pacata cidadezinha do interior passou a case study e a capital modelo de uma região. Não nos podemos esquecer que muito deste sucesso foi conquistado à custa dos erros e das desgraças de Portalegre.
Comparem-se as zonas industriais… Quando aqui pediam preços exorbitantes pelos terrenos, lá eram praticamente cedidos a custo zero. Quem semeia ventos…
No meu entender, os políticos que estão à frente da Câmara de Portalegre nunca se podem esquecer que para além de estarem à frente dos destinos do seu concelho, estão à frente de uma cidade que é capital de distrito. Por muito que Elvas e Ponte de Sôr clamem por atenção, o centro nevrálgico está em Portalegre e é importante que essa consciência nunca se perca. Os líderes podem e devem sempre lutar pela região.
Infelizmente, não me parece que os cenários se possam mudar radicalmente.
Évora e Beja ganham cada vez mais peso face às novas conjuntura e isso preocupa-me.
Há uns tempos, fui daqui precisamente a Beja para uma reunião com a Presidente do Turismo de Portugal onde esta se propunha explicar quais os projectos Pin e as grandes estratégias do governo para o turismo no Alentejo. E que ouvi eu então? Que tudo o que não fosse Costa Vicentina e Alqueva, era uma carta fora do baralho. Falei-lhe em Marvão, na importância da candidatura a património mundial, no facto de sermos uma das 21 maravilhas de Portugal, na possibilidade de sermos discriminados positivamente mas nesse dia, a única coisa que ganhei foi uma multa por excesso de velocidade que tive de pagar na hora e do meu bolso.

15 - Na actual conjuntura de que depende o arranque da economia?
No meu entender, da confiança. Esta crise tenebrosa, profunda e mundial, é também psicológica. As pessoas têm medo de gastar e a economia retrai-se muito. Eu, como toda a gente, também gosto de ter coisas boas. Gosto de me sentir bem, de viver com conforto e qualidade, de usufruir dos prazeres da vida, de ser feliz com aquilo que posso ter à medida das minhas posses. Nos últimos tempos, quando compro qualquer coisa, em vez da habitual felicidade, tenho dado por mim a sentir-me culpado por ter gasto, por consumir quando tantos não têm sequer para comer ou comprar medicamentos. É este o actual campeonato.
Atenda-se ao caso BPP… quem é que acredita numa economia, num sistema financeiro que permite que gatunos de gravata abrasem as poupanças de uma vida que os clientes lhes confiaram? Isto é terceiro-mundista e inacreditável.

16 - Considera importante a projecção da imagem do Presidente Obama a nível internacional para injectar confiança nos mercados?
Não é só nos mercados. É no planeta, à escala global e a todos os níveis. Obama é a personificação da esperança numa América e num mundo melhor. Ouvi, na íntegra, via internet, o seu discurso de vitória eleitoral e cheguei a arrepiar-me. É um homem único e muito especial que marca uma ruptura com a tirania dos Bush. É um homem de paz, de diálogo, um humanista. Uma pessoa que diz “ouvir-vos-ei sempre, sobretudo quando estivermos em desacordo” , só pode ser alguém que nos abre as portas de um amanhã melhor. Eu acredito nele. É um dos meus heróis actuais. Oxalá não me deixe ficar mal.
17 - Na sua opinião considera que as linhas de crédito pelo Governo às PME são medidas positivas?
Sem dúvida alguma. Podem ser um estímulo e um balão de oxigénio em direcção à continuidade e um regresso ao caminho da sustentabilidade. Resta agora saber, se nas actuais condições, serão suficientes.

18 - O que pensa do braço de ferro entre o Ministério da Educação e os professores?
O Ministério da Educação, na pessoa da ministra, pecou pela teimosia e pela arrogância. Considero, no entanto, que a avaliação deve de existir porque nenhuma classe profissional pode estar acima da legislação e das restantes classes. Faltou o diálogo e uma aproximação entre as partes.
Urge que se encontre um consenso. Os professores são o motor da função educativa. Se estão contrariados, frustrados, revoltados, acabarão por passar esse sentir para os alunos e aí o processo complica muito.
As posições estão extremadas, com a ministra fechada sobre as suas convicções e os professores nas ruas. É um processo muito complicado que só pode ser ultrapassado com cedências de parte a parte.

19 - Entre os funcionários das finanças e do Ministério das Finanças e da Administração Pública na questão da alteração dos vínculos laborais?
Este é processo que me diz particularmente respeito por motivos profissionais e me preocupa bastante. Concordo em absoluto com a proposta dos deputados do Bloco de Esquerda quando expressa que “a liquidação e cobrança de impostos constitui um meio necessário à satisfação das necessidades do Estado e das suas funções públicas e sociais, devendo, por isso, ser considerada uma função nuclear, fazendo portanto parte integrante das funções de soberania do Estado. As funções exercidas pelos trabalhadores da Administração Fiscal são essenciais para o combate contra a fraude e a evasão fiscal pelo que a colocação destes trabalhadores no âmbito do contrato individual de trabalho, remete-os para uma situação de menor protecção na luta contra a fraude e a evasão fiscal. O vínculo de nomeação é um dos garantes, perante o contribuinte, de uma posição de maior respeitabilidade, para além de facilitar o exercício da sua profissão, pelo que é da mais elementar justiça que o governo reconheça que estes trabalhadores desenvolvem funções consideradas de soberania do Estado, devendo-lhes ser garantido o vínculo de nomeação”.


20 - Qual deveria ser o papel de Portugal em relação aos países da CPLP?
Portugal, sobretudo por uma questão histórica, deve assumir o seu papel de centro nevrálgico desta comunidade. Deve trabalhar em conjunto, deve ouvir os restantes membros mas nunca se deve demitir da responsabilidade de ter estado na génese desta comunidade, de ser o ponto fulcral a partir do qual ela se criou. Sou contra o acordo ortográfico, por exemplo. É uma questão de princípios.

21 - Considera-se português, ou, atendendo à nossa história, um lusófono? E em que medida esse sentimento pode ser enriquecedor e recíproco, dando-nos vantagens em relação aos parceiros europeus?
Sou um português convicto que acredita que esta casa gigantesca que é a língua portuguesa nos pode trazer muito mais vantagens que desvantagens, a todos os níveis. Deve-se trabalhar com honestidade, com integridade, com espírito de equipa e se assim for, os bons resultados surgem por acréscimo. O peso enorme da nossa história pode e deve sempre acompanhar-nos porque nos torna únicos e autênticos. Quantos países se podem gabar de ter dividido o mundo ao meio?

22 - Que mensagem deixaria para os portugueses para este ao económico e 2009?
Deixo uma mensagem de esperança e de fé, nem que seja neles próprios. Já estivemos bem pior e demos sempre a volta por cima. Desta vez não há-de ser diferente. Corre-nos nas veias o sangue de uma nação que deu novos mundos ao mundo. Essa grandeza, mesmo que invisível, há-de sempre viver dentro de cada um de nós.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Vinhetas e Pranchadas - Especial Eleições Europeias

Clica e amplia.
Imprime e cola no teu local de trabalho.
Tens grande hipóteses de ser promovido.
Como as coisas estão... se fores funcionário público... então é subida garantida!

Clica, amplia e imprime este bonito poster para colorir.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dia da Criança de Marvão 2009

No Dia da Criança cheguei a casa completamente rebentado.

Foi um dos dias mais quentes do ano.

Tinha os pés requeimados, as mãos com bolhas… doía-me o corpo todo de tanta pega, de tanta faena, de ter morrido tanta vez (12 vezes num só dia!).

Encostei-me na cama eram 7h da tarde. Acordei eram 8h da manhã. Dormi 13 horas de esticão.

Estava tão cansado… e ainda assim, não podia estar mais feliz.

Podia escrever um tratado sobre este Dia da Criança… mas acho que os registos dizem tudo.

Os que acreditam… Desfrutem!





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E a grande revelação deste ano, Filipe, o Travolta da Beirã, o descendente directo do Bez dos Happy Mondays, o raver nº 1 de Marvão. Que ritmo! Que técnica! Um prodígio da natureza a bombar! Grande!
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terça-feira, 2 de junho de 2009

E o povo, pá?


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Eu estou numa fase em que a política me mete nojo e custa-me cada vez mais acreditar naquele professor que há muitos anos atrás me ensinou que há nobreza e força de carácter por detrás desta missão.

Dá-me azia ver as supostas “ovelhas negras” do Bloco de Esquerda entrarem no jogo cínico e ganancioso que criticaram na sua génese;

Causa-me repugna ver a Ilda do PC a alimentar-se da angústia do fantasma do desemprego que paira sobre os proletários, à saída dos turnos;

Não compreendo a euforia de pré-vitória e o ar de mártir do Avô Cantigas do PS, como se fosse um predestinado que emerge do meio dos trauliteiros…

Faz-me transtorno ver o Portas e o boneco do Nuno Melo a cortejarem as peixeiras num mercado qualquer, numa de Teddy Boys camuflados de homens do povo;

Não acredito que o Rangel possa devolver ao PSD o “regresso à origens” de que o partido tanto precisa. Jovens vestidos de laranja aos gritos rua abaixo, cantando slogans “à hooligan” como se estivessem numa final distrital qualquer?

Mas será que esta gente toda não tem vergonha?!?!?!?

Ao menos que tenham coragem e frontalidade de surgirem às claras e dizerem sem medo ao que vêm e o que pretendem. Que mostrem as cartas. Que sejam honestos. Que falem nos salários chorudos; em todas as mordomias acrescidas; na maravilha de viverem no estrangeiro, livres de toda esta miséria de espírito; e que refiram então depois o pouco que podem fazer pelo país numa máquina trituradora chamada Europa.

Os únicos políticos em que acredito actualmente são aqueles que não se rendem, os que resistem, os que aceitam poder estar enganados mas continuam fiéis aos princípios.

Os homens da luta, Neto e Falâncio, resistentes da SIC Radical, e em força no my space, são os únicos que conseguem provar que bastar querer para poder.

Depois de ajudarem a eleger um desconhecido chamado Obama nos Estados Unidos, preparam-se agora para tomar conta do nosso país.

“E o povo, pá?
Quer dinheiro p’ra comprar um carro novo, pá!”

Prometo que no domingo, vou dar voltas e voltas ao boletim a ver se encontro esta sigla…

Ao menos, são honestos!




Quando falta o tempo…

O Atlântico como eu o vi, em Parnaíba... como nunca antes o tinha visto. Imenso, gigantesco, tão cheio de água, com um sol enorme a fundir-se a norte, bem no coração da terra. Foi neste horizonte que caiu o A330.

Falta-me o tempo para escrever… para dizer… para contar tanta coisa boa que me tem acontecido nestes dias…

Corro da Câmara para a Pós-Graduação, dos encontros de família para o estudo, dos amigos para os compromissos institucionais em que se tem mesmo de estar, dos eventos para o lar…

Pareço o Variações… quero estar em todo o lado sem nunca saber se chegarei a lado algum.

Quero tanto partilhar a alegria imensa de um Dia da Criança que me encheu o coração de sorrisos, gargalhadas e cumplicidades que hão-de durar a vida toda…

Mas falta-me tempo…

Entretanto… vou arranjando fotos, compilando emoções, articulando memórias para que possa quanto antes postá-las nesta janela para o mundo.

Pelo meio e entrementes, há coisas que me comovem…

Como ver os rostos, os projectos, as expectativas dos passageiros do malfadado voo do Rio para Paris que terminou abruptamente no meio do Atlântico.

Uma coisa é ouvir falar em vítimas. Essa, infelizmente, é uma realidade com a qual temos de lidar diariamente. Outra é conhecer-lhe as ambições, o querer, o seu lado humano.

Que dizer do maestro que sonhava numa fusão de sons e se preparava para mais um concerto de projecção na Europa?

Que dizer da cantora lírica que regressava para o estrelato europeu depois de umas férias com os seus no Brasil?

Que dizer dos pais que finalmente contavam conhecer a glória da Grécia Antiga com a filha, nuns dias de sonho que viraram pesadelo?

Que dizer da família que nunca viajava junta para, no caso de catástrofe, não perecerem todos? Havia a vida de lhes dar razão, levando a mãe e o filho, deixando o pai e a filha em terra…

Crianças e bebés…

Vidas interrompidas…

Eu também já passei por ali. Eu também já senti as turbulências características da zona de convergência equatorial, mas tive de me aguentar e fazer de forte, com ar normal, quando uns dormiam e outros sorriam como se fosse coisa habitual. Eu também senti o rabo a meter-se para dentro mas tive de fazer ar de duro, mesmo para os que olhavam em volta à espera de uma explicação. Sabia lá eu o que viria a seguir…

O destino é lixado porque por mais voltas que se lhe dê… acaba sempre por ter razão.