sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Nas terras do Católico

Sos del rey Católico. Magnífica e perfeitamente encaixada na paisagem
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O último fim-de-semana foi passado em Sos del Rey Católico, vila que também faz parte da Rede de Vilas Medievais a que aderimos recentemente (saiba mais aqui) e foi seleccionada para a primeira reunião entre autarcas dos municípios que as integram e para a apresentação oficial à comunicação social.

Se há uma coisa que eu aprendi na Câmara é que a este nível, as coisas demoram sempre muito mais tempo do que aquele que nós pensamos. A gente quando está de fora é só “Eu chego, eu faço, eu digo, eu aconteço” mas depois… esbarramos com burocracias, com faltas de vontades, com múltiplos entraves com os quais não contávamos e nos atrasam as intenções.

Veja-se o caso do relvado sintético, uma verdadeira novela mexicana que felizmente terminou ontem (eu nem acredito), com a aprovação final da candidatura, depois de quase 3 anos de trabalho e inúmeras mudanças de figurino por parte do nosso governo.

No que diz respeito à Rede de Vilas Medievais, que também conheceu o “preto-no-branco” há relativamente bem pouco tempo, muito houve que pedalar desde essa reunião em Olivença, numa manhã fria de Inverno, há quase 2 anos.

Assim que soube da ideia, fiquei logo com a”pulga de trás da orelha” e não descansei enquanto não me “montei nesse comboio”. Guillermo explicou e o projecto pareceu-me brilhante. Já existiam um conjunto de vilas medievais espanholas (todas elas com características desse período e com menos de 5.000 habitantes) decididas a unirem-se em termos de promoção turística e procuravam agora parceiros portugueses. Estávamos nós, Estremoz, Campo Maior e Castelo de Vide. Na altura, havendo intenção de haver continuidade também para França, propus uma linha de continuidade em território português até Lisboa. Nasceram assim as hipóteses de Belver (Gavião) e de Óbidos (numa cartada de luxo…). Perto de Lisboa, perto do aeroporto… abrindo mais uma porta de entrada no circuito. O nosso amigo espanhol ficou encantado mas infelizmente e apesar de todos os esforços, os outros parceiros foram-se desinteressando e deixaram cair o sonho. Dos 6 portugueses, apenas nós e o Gavião não baixámos os braços e ainda bem. A candidatura foi aprovada, estão aí a achegar 100.000 euros para promoção e ¼ deles será exclusivo para a Al Mossassa que ganha assim um importante balão de oxigénio nesta última edição sob minha tutela.

Para já, a possibilidade de patrocínio da rede por parte de uma grande construtora de automóveis fica ainda adiada mas quem sabe… no futuro...

Porém, há já muitas vantagens a enaltecer e para além das mencionadas, só o facto de levar Marvão tão longe e poder incluir a minha terra neste cartaz de luxo já é uma enorme vitória.

E eu, de cada vez que vou representar o Município ao mais alto nível, sinto-me investido de uma força qualquer que não sei explicar, como se as boas vontades de todos se apoderassem de mim. È um orgulho enorme e só me apetece meter toda a comunidade a que pertenço na mala do carro e levá-la comigo.

Não podendo, esforço-me por fazer a melhor figura possível nunca deixando de ser eu próprio e dando, como sempre, o melhor de mim.

Foram 3 dias duríssimos com 900 quilómetros para cada lado e ainda por cima partindo com apenas 1 hora de sono (depois do concerto do Senhor Cohen) e com 500 quilómetros de ida e volta a Lisboa por minha conta. Essa manhã de sexta-feira, com o sol a dar-me de frente, parecia que estava no Twilight Zone… Vá lá que depois de chegado e de um duche gelado tudo se recompôs. O corpo humano é uma grande máquina…

Foram 3 dias ao mais alto nível vividos com competência, profissionalismo, mas também com cultura, com gastronomia, com vivência e divertimento que não somos nenhuns bichos e toda a gente sabe que também nos divertimos nestas coisas, como é óbvio. Mentir é feio e eu não estou para isso.

Não sei se os meus companheiros desses dias por aqui passarão, mas ainda assim faço questão de deixar alguns agradecimentos.

Em primeiro lugar, aos anfitriões e aos nossos parceiros que nos trataram de uma forma… ternurenta. É a palavra que melhor me ocorre. Sempre atenciosos, afáveis, simpáticos, cordatos, preocupados com o nosso bem-estar, foram, de facto, incansáveis. Do melhor, mesmo!

Depois queria agradecer aos meus dois companheiros de viagem:

Ao meu amigo e motorista Manuel Filipe pelo seu extraordinário profissionalismo (este homem dura… dura… dura… sempre agarrado à roda… sem pestanejar… ele já nasceu a conduzir!) e pela sua tão bem conhecida boa disposição.

E ao meu amigo Ricardo, responsável pelo projecto no Município do Gavião que foi uma agradabilíssima surpresa. Sempre animado, sempre conversador, sempre disposto a andar para a frente… Uma máquina e um grande recurso a preservar!

Foi muito bom, foi fenomenal e passou num instante, o que é sintomático.

Queria ainda agradecer a hospitalidade do hotel "El Peirón" que tem muito mais do que as 3 estrelas da fachada. Um bom gosto incrível em tudo, muita simpatia e muito saber receber. Oxalá este negócio de família floresça porque têm tudo para vencer. Classe e humildade que encantam e deveriam de ser uma lição para muita gente que eu conheço no negócio... e mais não digo. Podem visitar as instalações aqui.

Chegámos exaustos, chegámos com saudades, mas ainda com vontade de rir e de nos sentarmos na esplanada do Xalipas a matar saudades da cerveja portuguesa, sinal de que gostámos de estar juntos.

No balanço final de tudo o que vivi, digo aquilo que tanto defendo e em que tanto acredito: gente boa há em toda a parte. É preciso é saber encontrá-la!

Grande abraço! Bem hajam!

Ruas sinuosoas, estreitas... labirínticas

O Ayuntamiento local

De conto de fadas...




Na reunião com os alcaldes responsáveis pelos ayuntamientos parceiros

Um pôr-do-sol único visto da varanda do Parador (Pousada) local

Há 9 anos que a autarquia local organiza um festival de música que já é uma referência em termos nacionais. Muitos dos espectáculos são trasmitidos pela TVE e ali não faltam artistas de renome. A edição deste ano contou com o Bunbury dos "Heroes del Silêncio", o Manolo Garcia dos "Último de la Fila" e a Amaia dos "La Oreja de Van Gogh". Mas esteve também a Luz Casal, o projecto paralelo de alguns membros dos REM e a cantora country Lucinda Williams. (Saiba tudo clicando aqui)
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O espaço onde decorre o festival foi literalmente "inventado" num pequeno átrio situado no coração da vila. Uma estrutura complexa e gigantesca de andaimes possibilitou os cerca de 500 lugares sentados. Para tal teve de se cortar uma rua e tapar por completo a fachada de diversas habitações. Notável! E o maluco sou eu...



Os arcos do pátio de uma habitação servem de palco, acolhedor e intimista

Nessa noite tivemos a sorte de poder assistir ao concerto de Joan Manuel Serrat, uma espécie de Jorge Palma em versão espanhola, mais sóbrio mas não tão genial, no meu modesto entender. A assistência estava estarrecida a assistir à actuação de alguém que é considerado "um mito vivo da música espanhola". Bilhetes a 80 euros cada, que isto de ter as estrelas tão perto custa dinheiro. É outro andamento...

Pequeno almoço servido na garagem do nosso amigo consejal Javier Machín, uma figura encantadora. Sócio e amante do Saraçoça que brindou com champanhe a descida do Sevilha. Quem faz uma confissão destas tem de ser boa pessoa. Migas com carne de porco com ovo a cavalo, acompanhadas por tinto da região. Saber viver é uma arte...


E comentei com o alcalde: "Isto não há dúvida que é brilhante. Só é pena é não dar para levar mais gente...". E ele respondeu-me "Sabes... se o proprrietário da casa que fica do outro lado da rua me deixasse meter um pilar no meio do telhado, eu fazia mais uma fiada de cadeiras e sempre entravam mais uns 100...". Vendo a minha cara de parvo, apressou-se a dizer que "claro que se isso acontecesse, eu lhe garantia uns bilhetes grátis...". Ai eu...

A Casa-Palácio da Família Sada, onde a 10 de Março de 1452 nasceu o Rei Fernando II de Aragão. Hoje funciona como Posto de Turismo

Tinha uma pinta fantástica, o tipo este. Também... naquela altura em que não existiam máquinas fotográficas, quem é que se arriscava a fazer um boneco menos feliz? De resto, deveria ser um ser humano incrível. Foi um dos grandes impulsionadores da criação da Inquisição e o responsável, juntamente com a sua extremada esposa Isabelinha, pelo édito de expulsão dos Judeus em 1492. O papa espanhol Alexandre VI, emocionadíssimo com o gesto, deu-lhes o título de Reis Católicos. Os judeus que passaram pela Portagem fugidos desta gente só nos contaram coisas boas do casal...
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Facsimile do testamento da Sabelinha, a Católica. Inexplicavelmente, não me deixou nadinha. Ele há coisas...

Com esta fiquei eu de boca aberta: trata-se da capela interior do Palácio dos Sada, a capela de San Martín de Tours que funciona como Centro de Interpetação. Simples, barato e altamente funcional. Depois de devidamente sentados (a capacidade deve dar para 100 almas), um sistema de video som e luz explica o fresco que foi recentemente recuperado. Depois, desce uma cortina electrónica que serve de ecrã e em 10 minutos conta-se, em traços largos, a história de Sos do Rey Católico. Que linda que havia de ficar uma coisa destas na Torre de Menagem do Castelo de Marvão. Se eu mandasse de verdade, chegava cá e dizia: "Quero uma coisa destas!".


Estes são os Lurte que faziam a animação da feira medieval que ali decorria nesse fim-de-semana. Muito bons tecnicamente, com grande impacto visual mas ficam muito longe, logo são muito caros, logo não vai dar para trabalhar em conjunto. Mas que são bons... são. (E o site está aqui)

Um momento de descontracção. Ao fundo estou eu, todo contente. Do meu lado esquerdo está Ignácio Alegre, Alcalde de Sos. Do lado direito, Guillermo Echenique González, o homem que me apresentou a rede e um dos responsáveis pela nossa integração. Recentemente teve a honra de ser convidado para ser o Secretário Geral dos Assuntos Exteriores do Governo Basco, uma espécie de ministro dos negócios estrangeiros lá do sítio, cargo que desempenha há semanas. Ele é realmente um diplomata notável e um ser humano extraordinário como tive oportunidade de lhe transmitir pessoalmente. Certamente que será mais do que merecedor desta honra. Ao seu lado está Fernando González Olveira, o actual cérebro da rede que também adorei conhecer pessoalmente.
Só uma nota acerca do Guillermo, para que notem a coragem desta gente. Como membro do Governo Basco tem direito a duas escoltas permanentes, noite e dia. A sua esposa, que também é deputada, tem direito às suas duas. O que significa que estando em solo basco, as lindíssimas filhas gémeas do casal têm a companhia permanante de 4 pessoas encarregues de zelar pela sua segurança. E ainda assim... sorriem despreocupados. Chega a ser tocante...

A notável rede de paradores espanhola

Aqui o rapaz Fernando com a mamã, quando ainda se portava bem (0 filho)

De tarde, a inevitável passagem por Pamplona, cidade mítica de Navarra que todos conhecemos pela sua aficción e ancestrais largadas. Na imagem, o seu padroeiro, San Fermín, que tivemos a sorte de apanhar na sua guarita

Quantas vezes vi eu pela televisão a rapaziada a fugir esgalgada para esta porta que dá para a Praça de Touros, todos vestidinhos de branco, com a cintinha vermelha e cara de medo, correndo à frente dos maduros? A origem do "Encierro" (é assim que chama) remonta à Época Medieval. Os touros para a lide eram conduzidos pelas ruas ao amanhecer, desde extramuros até à Praça que servia de curral. Muitos dos habitantes de Pamplona habituaram-se a correr à frente dos animais (aposto que a ideia partiu de alguns que ainda não se tinham deitado e ainda estavam em "vinha d'alho"). A prática foi proibida pelas autoridades mas eles cada vez eram mais (logo, o vinho cada vez melhor!). Fazendo justiça à máxima "se não os consegues vencer... junta-te a eles", este exercício passou a ser permitido e foi transformado em tradição. Hoje, o "Encierro" é considerado o momento alto dos San Fermines e realiza-se de 7 a 14 de Julho, sempre pelas 8 da manhã.

Ernest Hemingway, escritor americano, prémio Nobel da literatura, um amigo da cidade, das gentes e das suas tradições é uma figura omnipresente. Aqui a estátua que perpetua a sua memória.

Pela cidade estão colocados estrategicamente diversos painéis informativos que traçam a "Rota Hemingway", os sítios por onde costumava passar e que marcou com a sua presença. Muitos são bares e botequins e com isto digo tudo. Gostavas pouco, gostavas...

A porta de entrada da 3ª maior praça de touros do mundo em termos de assistência, depois de uma no México e de Las Ventas, em Madrid. 19 mil e tal lugares sentados. É obra!

Nós também fizemos o percurso do "Encierro" (cerca de 1 Km) só que foi ao contrário e claro... sem touros!

Entrei numa lojinha de souvenirs e fiquei banzado com isto! Se é a cabeça de touro que eu sempre sonhei para a tourada do Dia da Criança... Perfeita! Parecia de verdade! Ainda avancei para o balcão, decidido a arrematá-la... mas o meu companheiro do lado foi mais realista: "vais comprar isso para quê? Para o ano não estás lá... Quem é que vai andar com ela?"...

Eu suspirei, respirei fundo para que não me faltasse o ar (sim, sou asmático) e saí porta fora porque, de repente, a sala ficou apertada demais para mim...

Ahhh. É bom...

A terra em que os touros vêem quem passa à varanda. E podem ser azuis e ter um par de tomates enorme que ninguém se zanga. Se fosse em Portugal, vinham logo os gajos que proibiram as tipas em topless no ecrã do Magalhães no corso carnavalesco... Ai eu...

"Bar Txoko. Hemingway foi cliente antes e depois das corridas de touros (vejam bem o nível! Antes e depois...). Aqui saboreava o seu cognac preferido".
Eu, para conhaques não dou muito, mas uns tintinhos em copos de papo alto com umas tapazinhas à maneira já ninguém me tira! Olé!

Vejam-me estas! Vjam-me isto e digam-me se não é arte! Pão integral, pimentos, chouriço frito e ovos de codorniz! Que coisa... É de fazer crescer água na boquita!


O Ayuntamiento que vigia a praça onde se iniciam os festejos. Neste ano, a metros dali, perdeu a vida um inglês, o pobre, em plena largada

Hasta Siempre!
Que bien fue todo!

Cruzamento para Tordesilhas. Aqui dividimos nós o mundo ao meio.
Nos dias de hoje... dá para acreditar?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A caminho



Agora parece que é oficial...

Diz quem sabe… que vem uma vida a caminho.

E eu sinto-me… abençoado.



PS: E a banda sonora do momento na minha cabeça é só uma...

Prodígios

A música deixa-me louco e a pensar (arrepiado!):

Como é que é possível que uma jovem de 21 anos (La Roux) consiga meter num cd recheado de hits instantâneos (e candidato imediato a disco do ano) toda a magia dos anos 80 (que terminaram dois anos após ter nascido…). É que está lá tudo: os ritmos, os sintetizadores, as vozes, os coros, o imaginário lírico, os neons fluorescentes... Nasceu uma estrela! E que deslumbrante ela é!



E como é que um outro jovem, português apesar do pseudónimo, me lança um disco em 2009 capaz de pertencer à melhor linhagem de cantautores americanos, de Dylan a Young… Um clássico instantâneo!



Epá… isto é do caraças!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

The preacher (O pregador) e a bênção de Lisboa


Os muitos milhares que ontem quase esgotaram o Pavilhão Atlântico saíram certamente com a clara sensação de que tinham sido testemunhas de uma celebração única e irrepetível, que está muito mais próxima de uma experiência religiosa do que de um mero espectáculo de entretenimento.

A despedida de Leonard Cohen, depois de 3 horas de memorável concerto e após ter regressado pela quarta vez ao palco do alto dos seus 74 anos(!!!) para encores muito aplaudidos foi um momento capaz de enternecer o coração mais insensível. Uns de lágrima no olho, uns de pele de galinha, uns com arrepios na espinha, outros experimentando todas essas sensações (adivinhem quem…), mas todos, todos percebendo a grandiosidade do que tinham vivido.

Com toda a sua banda abraçada de frente para o público, enquanto alguns cantavam em sussurro um belíssimo tema a capella, depois de agradecer a todo o staff, dos técnicos de som aos condutores dos autocarros, dirigiu-se a nós, a quem tratou durante toda a noite como amigos…

Agradeceu a bênção da “recepção tão calorosa e acolhedora num mundo cruel e louco como é o nosso” e disse-nos, com a sua voz apaziguadora, quente e cavernosa, que aquilo a que assistimos foi “apenas um espectáculo e há coisas mais importantes como a família e os amigos” para junto dos quais nos desejava um bom regresso. “Se tiverem que cair… que caíam no lado bom da vida… e nunca se esqueçam de uma coisa muito mais importante: esforcem-se por ser amáveis…”. Nisto uniu as mãos em prece como sinal de agradecimento, ajoelhou-se, levantou-se lentamente, tirou o chapéu, olhou em redor com um sorriso terno e reconhecido, e saiu lentamente do palco, não saltando e dançando em pulinhos graciosos como das outras vezes, mas como se fosse o mais humilde dos servos, encantado por saber que cumpriu a sua missão.

Um rapaz que caminhava para a saída ao meu lado comentou com uma amiga: “só me apetece abraçar e beijar as outras pessoas…”.

Este não foi o concerto promocional de um disco. Esta não é uma tournée pensada para enriquecer. Esta foi antes a forma ideal de celebrar a música, a genial poesia e a arte de um homem cuja carreira e obra são maiores que a vida e enfeitiçaram gerações e gerações de melómanos que com ele aprenderam, riram, choraram e sobretudo viveram ao longo dos tempos. Quantos amantes proibidos em quartos de hotel… quantos beijos de jardim… quantos jantares ao luar… quantas noites de mão dada não terão tido a sua música como fundo.

Leonard Cohen não é um artista qualquer… Arrisco mesmo a dizer que nenhum outro vivo pode aspirar a ter o seu estatuto. Ainda temos o Reed, o Bowie, o Richards mas mesmo esses sabem que este (ele) é território sagrado. A classe, o talento, a inteligência, a sobriedade, a sabedoria e ainda assim, a humildade e a entrega deste ser humano são inexcedíveis. Sabendo sempre qual era o seu caminho, nunca cedendo a exigências, nunca fazendo concessões, traçou um percurso e um perfil ímpares que o colocaram no pedestal que ele nunca quis mas que é hoje seu de pleno direito.

Sempre à margem, sempre um passo à frente, sempre desalinhado e sempre coerente foi mestre e senhor, ídolo para tantas outras das minhas referências, do Nick Cave ao Rufus Wainwright, do Antony à Regina Spektor.

Eu sei que há quem seja contra os discos de tributo mais foi precisamente através de um deles, o “I’m your fan” que muito ouvi por alturas do Liceu, em que os músicos que eu adorava na altura, dos That Petrol Emotion aos House of Love, tocavam temas seus, que eu o conheci. Mergulhei depois no seu trabalho mas foi esse disco, que cheguei a oferecer e mais tarde comprei para mim em cd, que me levou ao memorável concerto de ontem.

Os que já conheciam a tournée através do cd e do dvd “Live in London” que inclusivamente já passou na RTP2 sabiam o que os esperava. A qualidade musical, os arranjos e o nível de execução são primorosos. Os músicos, todos eles (!) são de encantar. Como não levei bloco de notas, escuso-me a detalhes de nomes, mas faço questão de referenciar que a banda era constituída (da direita para a esquerda) por um clarinetista/saxofonista/tocador de harmónica que levantava o pavilhão de cada vez que solava; um espanhol que toca uma espécie de guitarra com uma sonoridade parecida à portuguesa; um guitarrista ultra competente; um baterista sul-americano de grande categoria; um teclista exemplar e com grande swing; um baixista que é director musical e nos coros… a fabulosa Sharon Robinson que é companheira de longa data e co-autora de alguns dos temas do mestre e as Webb SIsters que mais parecem dois anjinhos caídos do céu, de tão lindas que são, deslumbrantes com as suas vozes celestiais. (Para os especialistas… a banda está aqui).

Ah, meus amigos… Valeu cada um dos 500 quilómetros que percorri! Cada segundo da viagem! Cada cêntimo do bilhete! Não é todos os dias que se pode ter a graça divina de ser testemunha do brilho de uma lenda viva desta dimensão.

O público soube estar e foi merecedor. Guardou respeito, percebeu as deixas e foi notável ao revelar-se conhecedor, como quando o aplaudiu de pé ao cantar em “Tower of song”, “I was born with the gift a golden voice”… A golden talent, diria eu.

Momento alto: quase todos! Os grande êxitos desfilaram na perfeição. Eu encanto-me sempre com o “The Future”, mas o “Tower of Song” só com coro e ao piano, seguido do “Suzanne” foram de deixar qualquer um bêbado de alegria. Adorei as deixas inteligentes e as “buchas” metidas nas músicas para as apropriar ao local: “I didn´t come to Lisbon to fool you”.

Momentos baixos: O som ao início estava estupidamente fraco. A sala era demasiadamente grande. Eu via muito bem e estava bem localizado, mas os desgraçados das últimas filas de trás só devem ter visto pelos ecrãs. Mais valia terem optado por salas mais pequenas, com mais noites, mas… o dinheiro fala mais alto… Eu imagino este espectáculo num Coliseu… num Politeama… numa Aula Magna… num Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre. Ai eu… deve de ser de ir ao céu e ficar por lá.

Um abraço muito grande aos companheiros de jornada, ao meu Bitchi Pescada que os queria a tocar na sala da casinha dele, à Susana Roldão que eu tanto gostei de conhecer e à minha Cris, pela companhia incansável. Ao grande ausente, o meu muito estimado Chico, votos de rápidas melhoras e muita força. Ânimo rapaz! Tu és grande! (Não tanto como o Cohen, mas bastante grande também).

Ao Senhor Cohen… o sábio… o guru… o gentleman… que me perdoe mas tenho de lhe dizer que estava enganado….

Foi muito mais que um concerto…

IT WAS FUCKIN’ MAGICAL!

“THERE IS NO CURE FOR LOVE”


PS: O ambiente era de tal forma especial que não o quis interromper com fotos nem cometer o sacrilégio de fazer vídeos manhosos. Se querem ter ideia do que falo, corram a comprar o dvd e depois digam qualquer coisa… Beijinhos!
PS1: Este post foi escrito durante a viagem a caminho de Pamplona em representação dâ Câmara Municipal de Marvão. Coisas da tecnologia...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sonhando acordado com o Verão 2009

A foto oficial do Verão 2009
(Para meter por cima da lareira. A cara da minha filha explica-se: ela já percebeu que não somos muito normais)

Ai eu…

Parece que foi há meses, já.

A nossa vida do dia-a-dia tem este poder imenso de, por mais voltas que se lhe dê para ser diferente, conseguir hipnotizar-nos com a normalidade.

Que belos e grandiosos e felizes dias nós passámos.

Tenho a sensação que podia estar aqui um dia inteiro a escrever sobre estes 8 dias mas vou guardar cá dentro de mim.

Tanta coisa boa…

Um grande abraço aos amigos (tantos!) que encontrámos ou fizemos e um abraço especial aos nossos anfitriões. Foi de luxo, bebés! Sinto-me melhor aí do que certamente me sentiria na suite presidencial do Sheraton. Foi demais!

E o dia de praia perfeito poderia ser algo como:

Chegada ao areal por volta das 9 horas.
Céu limpo, 30 graus de temperatura máxima, água a 24º, ondas de 2 metros.
Encontro lugar para estacionar a 10 metros do areal, assim que chego e o banhista oferece-me um guarda-sol com 2 esperguiçadeiras porque é leitor assíduo do meu blogue.
Reparo que à minha volta só há mulheres, todas com menos de 28 anos, todas em top less e vestidas com mini tangas brasileiras amarelas. Louras, ruivas e morenas…
Mergulho rápido para acordar com as minhas pequenas.
Corrida de 1 hora à beira-mar, cerca de 9 km, com passagem pelo farol e pela marina.
Mergulho refrescante seguido da inevitável Bola de Berlim. Reparo que me esqueci de comprar o meu exemplar na pastelaria da esquina mas eis que chega o director da Asae que me pede desculpa pelos seus pecados, de joelhos, e me oferece uma bolinha com creme extra recém-feita.
Leitura dos jornais da manhã. Mergulho.
Jogo de raquetes com a pequena. Mergulho.
Passeio de gaivota com a pequena. Mergulho.
Beijinhos e abraços com ambas debaixo do guarda-sol. Mergulho.
Almoço frugal que pode ser uma salada seguida de fruta. Minis geladas da minha geleira de sonho. Mergulho.
Resto da tarde a ler, pensar, observar em volta e quem sabe… dormir a sesta, sempre com mergulhos pelo meio para ir refrescando.
Sempre mais disto, mais do mesmo até às 20 horas.
Regresso a casa para junto da família. Banhinho.
Brincadeiras com o Johnny e o Broki. Jantar fora na Barca Velha, debaixo da ponte. Ementa? Isso pergunta-se? Sardinhas!
Passagem pelo Cáubi para duas ou três ou quatro caipirinhas.
Xixi e cama.
Porque é que será que eu acho que jamais me cansaria disto?

A Rocha, a magnífica Rocha... linda, imensa...

A felicidade numa pocinha de água salgada junto às rochas
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Bravinho... o mar. Mesmo como eu gosto...

O ar dela diz tudo...

Parece que tem um motorzinho nos pés...

Pose Bo Derek nº 2

Jogando raquetes. Querendo jogar raquetes a toda a hora, ó valha-me Deus...

A bolinha... uma instituição balnear... agora sem creme...


Este ano, como se pode comprovar por esta imagem e pelas seguintes, foi o ano da descoberta da escrita e de todas as leituras...
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Se pudesse... aposto que vivia numa gaivota destas com escorrega...

A magnífica Praia do Vau... a eleita deste ano!

Ah, ah, ah, ah, ah, ah. ah... Alguém disse Asae? Ou foi Azar?

Só parei quando começaram a sair cangurus...
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Vestida de sereia num coração de areia. Os dias haviam de ser sempre assim...


Com uma toalhinha destas... é de fazer parar a praia. Um luxo!

Os Habibies que vendiam na praia eram mais que as mães. Este era o máximo! Dizia que vendia a crédito...
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Killer look number four, styled by Ray-Ban made in loja do Chinês (3 euros e meio)

Esta dupla vai fazer furor daqui a uns anos... Eu tb quero ir...


O ar destes dois é algo indescritível

O grande João Sobreiro! O da Rocha! Todo ele personalidade...

O Júnior explicando à praia porque é que deveria ser ele e não o Ronaldo a ser a contratação do ano no Madrid. O gajo executa isto na perfeição. Quem é que assim consegue dizer que está a segurar a bola com o braço direito?

João, o Baptista... banhando o Senhor no Jordão


É isso aí, ó Brother! Legalizem a cena, man!

A vista da esplanada do Arrais

Os resistentes de Marvão na Rocha sob o olhar atento do mítico Poucochinho. Grandes companheiros e um almoço daqueles... para a história!

O Ireland's Eye... Um must absoluto!
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Ai eu... pedi um café com leite e uma torrada e vejam só o que me trouxeram...
"Olhe, prontos... agora deixe ficar... Já está, já está"
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Amor de Pai... Amor Filha... estilo José e Ana Malhoa!

O único, irrepetível e inimitável Luís Marreco performing live na Rocha, com o número do carrinho do supermercado e da bicicleta, aquele em que o seu pai, filhos e priminhos perderam a vida...
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Aqui em tronco nú, prestes a atingir o ponto alto do show

Pois... tanta festa tinha de dar nisto...

Para o ano compro um quarteirão aqui. Jeitosas as casinhas...

Eu bem me fartei de dizer que não, mas... quem é que convencia o meu querido presidente da Câmara de Portimão, Manuel da Luz, a não dar o meu nome a uma rua? Gostei da descrição por baixo... Ora clique na imagem...

Saudades... destes dias... Para quando mais... please...