domingo, 25 de outubro de 2009

Na casa do Senhor



A questão foi-me colocada nos seguintes termos: “O Senhor Padre disse que os meninos que forem à missa podem fazer a primeira comunhão. Os que não forem… nem por isso”.

Perante isto e não havendo alternativa, sendo co-responsável pela educação da piquena, nada mais me restou que vestir o fatinho domingueiro e rumar à igreja local.

Ali chegado, com um quarto de hora de adianto, sentei-me num dos muitos lugares disponíveis e entretive-me a olhar os raios de sol que espreitavam pela porta entreaberta, pintando o granito do chão de tons dourados. A penumbra e o silêncio reinantes contrastavam com o lindíssimo dia de Outono que convidava a longas jornadas ao ar livre.

Os fiéis, ou melhor, as fiéis (que eram claramente predominantes) cochichavam entre si e só muito raramente moviam as cabeleiras brancas armadas propositadamente para aquele efeito. A média de idades deveria então rondar os “sessenta e muitos”. Junto ao altar, uma senhora com ar de freira mas sem o respectivo uniforme dava as últimas instruções ao coro informal. Reconheci alguns dos hits entoados que ainda são do meu tempo de infância. Pelos vistos, os loucos “Anos 80” estão na moda também nos tops religiosos.

A maior parte da assistência entrou já depois das badaladas do meio dia e só então a casa ficou mais composta, sobretudo com a chegada destes familiares do defunto recordado/homenageado nesta cerimónia.

E eu perguntei-me: Porque estão as pessoas da minha aldeia afastadas da igreja?

Com o missal como banda sonora de fundo, fui pensando no assunto.

No meu entender, o divórcio deu-se porque a Igreja não os ouve, não lhes apresenta soluções, não lhes clarifica o futuro, não os ajuda a pensar e a viver. Para esses e essas tantos, a Igreja parou no tempo e não se modernizou, não actualizou os temas e os discursos, perdeu o comboio dos tempos.

Tomemos o caso da missa: para além da leitura das sagradas escrituras, da homilia e do simbolismo da comunhão, que mais tem para dar a um comum mortal para além de séries de repetições de frases feitas? Nos dias que correm, uma celebração deste género, com um só orador e sem qualquer espaço para o diálogo, começa a fazer cada vez menos sentido na cabeça de muitas pessoas que não se revendo no ritual, acabam por se afastar.

Será que não ganhávamos todos com uma Igreja mais aberta, mais interventiva, com espaço para a partilha e o diálogo, actual nos temas a abordar e mais virada para as populações?

Com este afastamento que eu tanto lamento, perde-se à ligação à palavra e assim, as bases da fé.

Eu sou um fã de Jesus Cristo e tenho pena que não possamos viver de forma mais intensa o poder deslumbrante dos seus ensinamentos. Cristo foi a primeira estrela pop à escala planetária, um aventureiro, um rebelde, um duro, o primeiro hippie e um verdadeiro rocker disposto a tudo, capaz até de recorrer à violência quando as circunstâncias assim o exigiam, como no famoso episódio em que expulsou os vendilhões do templo do seu pai à paulada. Um castiço! Um Homem muito à frente!

De tudo o que nos deixou, bastava que “não fizéssemos aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós” para que o mundo fosse tão diferente…

Eu gostava que a nossa Igreja fosse mais a de Cristo e menos a da poderosa organização que é hoje em dia, com todos os seus luxos e contra-sensos.

A minha filha vai fazer a primeira comunhão mas… será que sonha ao que vai?
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Na missa, os homens são poucos e sentam-se atrás. Eu tenho uma proposta rápida e eficaz para que o número duplique num ápice. No momento da comunhão em que se revive a última ceia de Cristo com os apóstolos, o sacerdote partilha o pão mas não o vinho, o que vai, de resto, contra as sagradas escrituras: “Tomai, todos e bebei. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança que será derramado por vós e por todos os homens para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim”. Cumpra-se pois, o superiormente estipulado, de preferência com um bom tinto da região e depois falamos.

sábado, 24 de outubro de 2009

Aleluia! Uma mão cheia de tudo!

Benfica 5 - Everton 0
Estádio da Luz, Lisboa
22 de Outubro de 2009


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Aleluia! Aleluia irmãos porque o “meu” Benfica europeu ressuscitou ontem em plena catedral da Luz para gáudio de muitos milhares (mais de 40 mil) adeptos.

Para mim, o Benfica europeu, o do Eusébio, o das Taças dos Campeões, faleceu há 10 anos na cidade espanhola de Vigo, vítima de 7 facadas mortais na região lombar de um orgulho conquistado com o suor de muitas décadas.

Ao longo dos anos, esforçou-se por regressar ao mundo dos vivos e eu até presenciei algumas dessas memoráveis incursões, como quando malhámos o Manchester (7 de Dezembro de 2005, por 2-1) ou o Liverpool (21 de Fevereiro de 2006, por 1-0) na Liga dos Campeões mas só desta vez, com uma sova à antiga por 5 “secas” ao Everton, conseguiu recuperar o respeito da comunidade futebolística internacional.

Eina pá! Este foi daqueles que a gente sonha contar aos netos de volta da lareira…

“Vinde cá pequeninos, sentem-se à minha beira. Sabem? Há muitos, muitos anos atrás, este vosso avôzinho foi daqui à catedral da Luz ver o Glorioso, com o bisavô João Manuel (que faleceu há dias com 110 anos), o Tio-Avô Bonito (que se reformou como dono da Caixa Geral de Depósitos) e o Tio-Amigo João Carlos (que comprou a Opel, a Nissan e a Seat Portugal). Saímos bem cedinho (tirávamos o dia para aquilo…) e fomos direitinhos ao restaurante de um senhor que tinha Barbas até quase aos pés e era um grande benfiquista, ao ponto de os adeptos fazerem ali romarias antes dos jogos. Lá bebemos umas imperiaizinhas muito boas, um branco fresquinho, comemos muitas coisinhas boas e depois arreámos um arroz de marisco categórico que nos deixou muito felizes com a vida. Pelo menos, deu para matar a fome aí até às 4 horas da tarde, quando chegámos junto às roulotes do courato, já então bem animadas pelos ingleses. Ali confraternizámos com os “bifes” e depois fomos para o estádio. Se bem me lembro, até vimos o jogo nas escadas porque o vosso avô velhinho (Deus o tenha em descanso) fez o favor de comprar os lugares mesmo de frente para uma das entradas e aquilo era um corrupio tamanho que não se via nada. Eh, eh. E ainda se zangou connosco quando reclamámos porque dizia que na internet (que tinha acabado de ser inventada), não dava para ver a porra das entradas. Foi um jogo lindo… Os ingleses cantaram, cantaram, pensando que iam ganhar, mas à medida que os golos entravam, foram perdendo o pio e muitos saíram a correr chorando para os aviões. Foi lindo de se ver. O Benfica, na primeira parte só marcou 1, a ver se a outra equipa não fugia. Mas na segunda parte… tínhamos um bandido dum argentino chamado Di Maria que parecia que tinha fogo nos pés. Corria, corria tão depressa que quase tinha tempo de chegar à linha e fumar um charuto antes de centrar, à espera de enganar o defesa contrário. Depois… os avançados só tinham de empurrar lá para dentro e fosse o piquinino Saviola ou o gigante Cardozo, o que importava era que entrassem. Que grande equipa… tínhamos o Aimar, o espanhol Javi Garcia… o Luisão… Ai eu… Gritámos muito, demos muitos abraços e fomos muito felizes. Quando regressámos ainda passámos por Vendas Novas, para matar o bicho durante o caminho. A gente dantes divertia-se assim… É claro que nesse ano ainda fomos campeões europeus e nacionais!".

“Mas ó avô… esse jogo não foi para a Liga Europa?… uma que inventaram para os clubes que não podiam jogar na melhor? Como é que podem ter sido campeões europeus assim?”.

“Pxiiit, vá, caladinhos e já p’ra caminha que é tarde. Amanhã conto-vos o resto… Esta pequenada… Eh, eh. Tontinhos…”
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Eu vou, eu vou... para o Barbas eu vou... tralalalala, tralalalala... eu vou, eu vou, eu vou, eu vou


Às vezes a expressão "Vida de cão" nem sempre é sinal de sofrimento. Vejam só a curtição deste... Ai... que descanso...

A catedral II


Um mítico! Um histórico! Mais um incontornável na galeria de cromos benfiquistas: o Grande Máximo, o taxista, que apareceu com a Benfica TV atrás. Diz-lhe alguém de uma das mesas: "Ó Máximo... é Benfica até morrer!". Ele responde, categórico: "Até morrer?!?!? Benfica até depois de morto!". Grande!

A foto de família oficial para meter por cima da lareira até ao Natal ou junto ao naperon da máquina de lavar a louça

Os ingleses estavam um pouco... excitados. Faziam muito barulho mas depois passou-lhe...

Nós até tirámos uma foto com algumas das feras e chegámos a trocar cachecóis. O futebol também é isto... Uma paixão que une nações...

Olhós tão lindos lá na capoeira. Nunca eles pensaram que a incubadora aquecesse tanto...

Let the show begin...
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Aqui podem ver os golinhos, o que é muito engraçado...
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PS: Com os puritanismos que há para aí em comentários a posts anteriores, com professores desertos de atear a fogueira quando nem sequer eram chamados para a questão (reagem com violência ao mínimo toque, mesmo que colateral), só me faltava vir aqui a casa um bacano de sotaina a puxar-me as orelhas por ter utilizado termos bíblicos de forma indecorosa… Pode ser que não… andam todos tão entretidos em roer a carne que resta ao frágil esqueleto do Saramago que pode ser que me safe…

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Circos e Afins (Carta ao Sr. Tavares)


Comecemos pelo princípio, como diz o outro.

Eu adoro o Miguel Sousa Tavares. Acho o homem o máximo. O máximo a escrever, o máximo a pensar, o máximo até em estilo e postura. Sou fã há muitos, muitos anos, desde que meti a vista em cima naquilo que faz.

Até costumo pensar cá para comigo que ando deserto de o apanhar para aí num show case qualquer para lhe dar um valente aperto de mão e um abraço, se ele deixar, é claro.

Só a ele tolero que diga mal do meu Benfica. A ele, nem isso lhe fica mal.

Há uns anos, quando o Mourinho veio para o Porto, o Sousa Tavares arrasou-o num crónica inesquecível onde até gozou com a terminologia técnica com que o outro descrevia os exercícios que fazia com os jogadores nos treinos. Quando Mourinho ganhou o que ganhou (tudo!), Sousa Tavares escreveu uma crónica a desculpar-se e a render-se à evidência.

Este gajo é feito desta massa. Tem muito nível, é o que é! Também, com pais como teve, nada é de estranhar.

Para mim, o Sousa Tavares é o grande opinion maker do nosso país. O Sousa Tavares parte a louça toda, não teme nada nem ninguém e não tem pejo em ir de peito aberto em direcção aos professores todos (que são bem f*****s quando se juntam), ou passar pelo meio de uma multidão irada de estivadores (que não são nada mansinhos…) aquando da última polémica dos contentores junto ao Tejo. É um tipo valente!

O Sousa Tavares rebenta com lobbies, arreia nos políticos em igual medida, é um duro à moda antiga e ainda por cima escreve livros maravilhosos.

As suas crónicas no Expresso são a minha primeira leitura de cada edição. Há tempos postei aqui uma fantástica na qual traça um retrato negro e hiper-realista do nosso país. Na semana passada escreveu uma sobre o Outono, de uma delicadeza que é uma coisa do outro mundo.

Eu gostava de ser amigo dele e poder desfrutar do prazer da sua companhia.

Defende tão bem os fumadores que só me dá vontade de puxar por um Marlboro outra vez.

Falo no Tavares por dois motivos:

O primeiro é porque não gostei nada de uma coisa da sua última crónica. A linhas tantas, quando aborda o tema da nova portaria que impede a aquisição de animais selvagens cita Victor Hugo Cardinali e escreve: “Eu também posso fazer algo como o Cirque du Soleil, para os intelectuais de Lisboa e do Porto. Mas experimentem levar isso a Portalegre e eles vão perguntar ‘que porra é essa’?”

Meu caríssimo amigo (e agora dirijo-me a si em particular), sendo Portalegre a minha cidade, a minha capital de distrito, a terra onde este escriba desaguou neste mundo cruel, mais propriamente num quartinho do hospital velho em frente ao Convívio do Sr. Artur Matos, aquele que fica na segunda janela a contar da direita, há coisas que lhe tenho que dizer:

Para já, intelectuais não há só em Lisboa e no Porto. Eu agora assim de repente não me lembro de nenhum mas Portalegre deverá certamente também ter os seus. O Padre Patrão, meu estimado professor de Antropologia no Liceu, lamentavelmente falecido há poucos dias, sabia muitíssima coisa. Não sei se dava para ser intelectual, mas acho que sim. Para mim, pelo menos, era.

Eu até perdoo as palavras do Victor Cardinalli (o homem vale o que vale. Para além de tigres, leões, leopardos e focas anãs, não vai muito mais longe). Não lhe perdoo é a citação a si. Tem que haver algum cuidado nestas merdas. Nós aqui em Portalegre não somos propriamente labregos ou trogloditas. Temos um belíssimo Centro de Artes do Espectáculo onde vemos muitíssimos espectáculos e o Circo do Soleil seria um dos que esgotaria certamente.

Eu até tenho televisão, telemóvel, máquina de lavar a louça e outras mordomias modernas. Infelizmente não temos metro (nem de superfície sequer…), nem TGV, mas isso ninguém tem em Portugal pelo que estamos perdoados. Como temos internet e MEO, obviamente sabemos o que é o Circo do Soleil e eu até tenho amigos de cá que já viram um espectáculo deles em Lisboa. Eu nunca vi (prefiro ir ver concertos ou o meu Benfica, como vou amanhã com o Everton) mas há dias tirei umas fotografias em Munique (algumas das pessoas de Portalegre já andaram de avião...) a uma sessão promocional do novo espectáculo "Las Vegas" e acho que isso vale como prova de que sei do que se trata. Ora veja lá.



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Por tudo isto e muitas outras razões, sugiro que da próxima vez substitua o “Portalegre do Cardinali” por uma outra localidade do terceiro mundo (há muitíssimas e o Sr. sabe porque já esteve em tantas) onde não leiam o Expresso e onde não lhe enviem textos aborrecidos a reclamar como este.

Muito obrigado.

Deste seu seguidor,

Tio Sabi
(legítimo proprietário do blogue “Vendo o Mundo de Binóculos do Alto de Marvão”)


O segundo motivo porque me lembrei agora do Sousa Tavares tem a ver com um texto, belíssimo e cheio de razão que li há uns anos e guardei para mim. Guardei com intenção. Guardei porque mais uma vez concordo em absoluto com ele e me revi nas suas palavras. Guardei-o com emoção porque sei que me ia fazer falta. Guardei porque o queria publicar agora, a escassos dias da tomada de posse do novo executivo camarário e da minha saída definitiva.

O título é “Largar lastro”.

Espero que a publicação deste texto sirva para agradecer do fundo do coração aos tantos amigos que têm por aqui passado a dar-me força (todos eles dando a cara) e calar de vez os cobardes que aproveitam o manto vergonhoso do anonimato (nenhum diz quem é, o que atesta bem o seu carácter) para me criticar.
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(Clicar para ampliar)

(Sem) Saia Justa

Eu também fiquei tristinho com a Maitê Proença e a velhaca da reportagem na qual goza com todos nós.



Mas não suficientemente zangado para rasgar a Playboy especial em que foi estrela da capa, a que guardo religiosamente há 13 anos num sítio recôndito, livre de humidades e com temperatura constante e controlada.

Ele há coisas que nos fazem perdoar tudo…

Ora espreitem lá… (clicando aqui).


Na praça



Eu devo ser o único português que não simpatiza com o Jorge Gabriel e lamento muito mas não dá.

Opá… o homem soa-me a fingido, que hei-de eu fazer?

Gozando uns dias de férias para preparar o regresso à nova velha vida, enquanto cozinhava o almoço, junto-me às donas de casa de todó Portugal e espreito a Praça da Alegria pelo canto do olho.

O nosso Gabriel insiste em dar-me motivos para que não mude de opinião.

Nesse então, entrevistava o pai de uma jovem que faleceu num trágico acidente de carro lá para os lados de Penafiel. Uma tragédia que roubou a vida a 7 amigas.

Só o convite para ir a estúdio já é suficientemente tétrico e bizarro, quanto mais brindar-nos com perguntas como: “Sente muito a falta da sua filha? Acha que vai conseguir recuperar desta tragédia? O acidente afectou o seu negócio?”…

Ó Jorginho, porra pá! Só as audiências é que contam? E o decoro? Valha-me Deus…

Antes o Cláudio Ramos, ou o Goucha. Esses, ao menos, dizem ao que vão…

PS: Abona apenas a teu favor o facto de eu saber que não faço parte do target do programa. Imagino as lágrimas a caírem dentro dos caldos verdes e das sopas de feijão com couve por esse país fora…

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O GRITO (as eleições de Marvão à lupa)

O Grito (no original Skrik) é uma pintura do norueguês Edvard Munch, datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-Sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. (in Wikipedia)
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Até ao último domingo, data em que aconteceram as eleições nas quais os marvanenses escolheram o elenco que nos há-de governar nos próximos 4 anos, coibi-me de publicamente expor opiniões políticas concretas para além daquelas que diziam respeito à minha esfera pessoal.

Falei da política, mas sempre da minha política, da política em que eu estava envolvido, escusando-me de opinar sobre os demais candidatos, programas e candidaturas, por me parecer que era:
a) Pouco ético;
b) Passível de ser considerado oportunista;
c) De mau tom;
d) Todas as alíneas acima.

Agora que o sufrágio passou, que os novos responsáveis foram escolhidos, que o meu cordão umbilical autárquico foi finalmente cortado, sinto que entreguei o bastão do poder que me foi confiado nos últimos quatro anos mas recuperei finalmente a licença que me permite ser verdadeiramente livre e poder dizer tudo aquilo que quiser tendo de prestar contas única e somente à minha consciência.

Eles podem ter-se livrado de um vereador incómodo mas ganharam uma consciência sempre presente e sempre atenta. Investi aqui a minha vida. Jamais abdicarei do meu direito à opinião e por consequência, à indignação.

O povo decidiu e está decidido. Contra isto, nada a dizer. O povo é soberano. O povo de Marvão vai ter, no próximo quadriénio, o presidente que merece.

As eleições foram claras, inequívocas e expressivas. O vencedor foi só um. A vitória tem o rosto de Vítor Frutuoso.

Resta saber a que preço e aqui entro eu.

Cada um tem direito e até o dever de ter a sua visão mas Frutuoso sabe a que custo obteve este sucesso.

Esta não foi uma vitória óbvia. Foi preciso muita pressão, muita manipulação, muita promessa vã, muito uso de poder para se lá chegar.

Quem sabe ler os dados, os factos e o quotidiano, sabe que esta foi uma vitória alicerçada sobretudo no voto dos mais idosos, nos que estão mais desprotegidos, nos que mais facilmente caem no engodo, naqueles que basta uma lâmpada à porta de casa; uma passadeira na rua; uns metros de alcatrão de uma carrinha branca que esteve permanentemente ao serviço do partido e dos votos; uns minutos de graxa; ou um favor, por fortuito que fosse, para os convencer. Foram eles, a parte mais significativa da nossa pirâmide demográfica, a facção mais expressiva do eleitorado que lhe entregou de novo o poder. “Ele fazer… não faz… Mas fala-nos tão bem, é tão meiguinho… é como se fosse da família e a gente gosta tanto dele…”. E assim… seja!

Depois, nestes quatro anos à frente da câmara, Frutuoso soube criar e consolidar uma forte base social de apoio conseguida à custa de pessoas que se encontravam fragilizadas pelo desemprego e passaram a ter uma ocupação fixa gerada pela criação de novas empresas dependentes da autarquia e da vontade do presidente (Marvãorur e afins). Mesmo que nunca alguém saiba dizer onde é que termina a promiscuidade, onde começa a câmara e acabam as afiliadas, vale tudo desde que se garanta um tacho, mesmo que temporário. Os tentáculos estenderam-se à Anta, à nova Unidade de Cuidados Continuados e continuaram por todos os campos e territórios (chegando até a Portalegre!), todos onde pudesse fazer valer o seu raio de influência. Dizia-se a viva voz, nas conversas de bastidores que “o Senhor Presidente meteu…”, “o Senhor Presidente encaixou” e todos eles bem sabiam que atrás de um emprego, vêm no mínimo quatro votos. Mais uma jogada certeira.

A vitória foi clara, mas na sua génese está também a fineza fria de quem se soube alimentar de falsas solidariedades e do sofrimento alheio para alargar a sua base de apoiantes, que nunca são demais! Se alguém na família adoecia e precisava de apoio, lá aparecia ele oferecendo o cartão e os préstimos “para o que fizesse falta” e só quem nunca teve um familiar nessas condições é que não sabe o real valor que esse gesto tem num momento de fragilidade. Ficaram também célebres os seus raides aéreos de beijos e cumprimentos nos funerais e quem é que verdadeiramente se importava se conhecia ou não o(a) infeliz que levou caminho? Há melhor maneira de arrematar uma vida do que com um adeus com o selo da autarquia? Votem então!

A guerra dos votos é crua e dura e nestes domínios vale tudo nem que seja fazer propaganda utilizando os dinheiros da autarquia. Editar dois boletins informativos a escassos meses das eleições, utilizando os recursos e as verbas que são públicas, não é jogada para todos. É preciso ter saber e arte e não ter um pingo de dignidade ou escrúpulos. O culminar deste processo chegou aos funcionários por correio, a escassos dias das eleições, através de uma carta em papel timbrado da autarquia onde Frutuoso bateu no limite da humilhação, dizendo-se amigo de todos, disponível para tudo, sempre ao lado de quem trabalha. Haver pessoas que ainda hoje acham o acto justo e legítimo, é algo que está para além dos limites da minha compreensão.

Todas estas são pistas para uma imenso desfile que terminou em grande, com a sua reeleição.

Episódios e exemplos são coisas que não faltam. Tomemos o caso da Fonte da Portagem, obra polémica e que tanto deu que falar. Uns concordam, outros discordam mas numa coisa estamos todos certamente de acordo: demorou muuuuuito, muito tempo a ser concluída. Não houve pessoa que por ali passasse que não comentasse a lentidão do andamento dos trabalhos, sobretudo num sítio central onde todos os dias passam centenas de pessoas. Que a obra dos Currais Martins tenha demorado anos e anos, já ninguém estranha. No ermo onde estava localizada, do mal o menos… agora ali, na Portagem? Não houve quem não reparasse, incluindo os próprios funcionários… E que decidiu Vitor Frutuoso perante o exemplar desempenho dos trabalhadores? Nada mais simples: uma bruta almoçarada para todos, paga com verbas do erário público, que o que é falta é animar a malta.

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Os funcionários, por muito que o neguem como Pedro ao cantar do galo, também votaram Frutuoso. Já diz o povo: "Antes burro que me carregue que cavalo que me derrube". Certo?

Isto para não falar nas sondagens informais sobre tendência de voto familiar feitas à revelia… as promessas fosse do que fosse… casas, empregos, apoios… convém não esquecer que em tempo de guerra não se limpam armas.

Foi, de facto, uma grande vitória. Indiscutível na forma. Muito pouco verosímil na legitimidade.

Escreve movido a rancor, dirão uns. É uma vingançazinha rasteira, alvitrarão outros.

Nem uma coisa nem outra, respondo eu a todos de uma vez só. Apenas um homem que em democracia, dando a cara, defende aquilo em que acredita e está disposto a não calar. Jamais!

Vão ser 4 anos muito duros. A andar para trás…

Eu conheço o Presidente da Câmara. Fui um dos que ajudei a criar o mito e o monstro. Sei o que (não) vale e daquilo que é (in)capaz e de cada vez que penso nisto, digo-vos com sinceridade, mais feliz e aliviado fico por saber que vou virar as costas a tudo e ver-me livre da incompetência e da falta de rigor com a qual me vi obrigado a lidar. Lamento pelos funcionários, sobretudo pelos exemplares, os mais competentes, os que dão de si pelo bem da instituição. Esses sabem que não vai ser fácil. Mesmo!

E ao Presidente deixo, apesar de tudo, um conselho: um pouco mais de trabalho! Fazer Marvão andar para a frente não é compatível com o part-time de chauffeur que entra às 10h e sai às 16h. Uma votação destas merece, no mínimo, um pouco mais de dedicação e de trabalho. Há que se aplicar mais!

Por falar em trabalho, uma palavra especial de apreço para o novo Vice-Presidente, Luís Vitorino. Atendendo às suas capacidades e ao seu extraordinário percurso pessoal, profissional e social, somos todos de esperar o melhor. As gerações de homens e mulheres que tiveram o prazer de serem seus contemporâneos nos tempos de escola da Beirã, sabem que desde bem cedo se afirmou como uma figura emergente, como um líder nato, uma pessoa que parece talhada para o cargo. Sem margem de dúvidas…

Valeu ainda a vitória para a concelhia do PSD que ganhou créditos na distrital e ao nível nacional ao conseguir reafirmar o candidato pelo qual todos lutámos há 4 anos. Cada vez mais presa aos barões do costume, cada vez mais limitada e caciquista. Uma mágoa… ver o meu partido assim… descaracterizado. Uns por protagonismo, outros por claro interesse, todos juntos e blindados para que nada lhes escape. Cá estaremos no palanque, para quando as promessas começarem a ser cobradas. A ver vamos… Será que dá para todos?

Mudando o baile…

O Partido Socialista foi, sem sombra de dúvida, o grande derrotado destas eleições. O erro de casting do candidato pagou-se caro e a aposta falhada da direcção da concelhia liderada por Vitor Nicau deveria, no mínimo, custar também a cabeça da actual liderança. Nuno Lopes pode ser um excelente técnico, faculdade da qual penso que ninguém dúvida, mas isso não chega para Marvão. Faltou-lhe o carisma, a popularidade, o saber estar entre as nossas gentes. O Nuno não é natural concelho e por muito que seja actualmente do Porto da Espada, não consegue disfarçar a costela citadina que amputa a sua livre convivência com o povão. Nem nos cartazes conseguiu disfarçar o seu ar de boxeur destemido que afugenta a clientela e faltando-lhe a oratória, como ficou mais do que provado na sua desastrosa prestação no debate da Rádio Portalegre, deitou tudo a perder. Seria um Presidente esforçado e certamente valoroso, porque o vejo preocupado com o futuro do concelho onde também investiu e reconheço-lhe a dinâmica e a vontade de fazer mais, mais isso não chegou.

O sufrágio para o PS saldou-se ainda por um puxão de orelhas à contratação de um médio-centro que nem para apanha-bolas deu. Ao candidato Raposo, não restam mais partidos para onde fugir.

Quanto ao Luís Costa, percebeu da maneira mais sofrida que muitas vezes não basta a simpatia, a boa vontade e uma imagem para singrar.

Os louros da vitória foram inteirinhos para o Presidente da Junta de Santo António, o já consagrado José Luís que foi o único a safar-se e volta a brilhar como um oásis num deserto… laranja.

Os Juntos por Marvão de Madalena Tavares ficaram aquém das expectativas mas conseguiram, ainda assim, uma votação expressiva e que deve de ser levada em linha de conta. Madalena foi corajosa e teve o mérito de contra tudo e contra todos ter conseguido orientar a sua vontade própria e sua determinação em direcção a um sonho que passou a ser de muitos. Passo a passo, com ponderação, reuniu à sua volta um conjunto de ilustres figuras da nossa praça que certamente seriam desdenhados por muitas outras listas e partidos. Muitos amigos, muita gente de valor, muita crença e um movimento que me fez recordar o nosso de há quatro anos, sobretudo quando me chegaram relatos da forma como foi elaborado o programa, em assembleias abertas e participadas, de ouvidos colocados em todos. Acontece que os programas são importantes… mas não para Marvão. Aqui, valores mais altos se levantaram… A vida continua.

Duas notas finais de apreço…

Uma para o Fernando Gomes e os seus românticos (sem nenhum sentido pejorativo, antes pelo contrário) do Movimento com Marvão, a candidatura que apresentou, de longe, a melhor concepção gráfica e a melhor imagem. Revelaram uma dedicação à causa e ao concelho que me chegaram a emocionar. Sinceros nos projectos e nos relatos, foram o David que se sabia incapaz de derrotar o agora poderoso Golias mas foram tão puros e tão bravos que mereciam o “Prémio Consolação”. Conheço Gomes desde os tempos de ciclo e sei que sempre foi assim… um animal político. Aquilo está-lhe na massa do sangue e quando assim é, há que dar largas à paixão. Tem aprendido muito nos campeonatos sindicais por onde se move lá pela capital e está mais refinado e eloquente. Ele, mais do que ninguém, sabia o risco desta aventura, como sabia que só por ter ido às urnas já teve a sua própria vitória. Soube chamar a si jovens de grande valor e futuro e pontuou. Parabéns, meu caro!

Contudo, a esquerda de Marvão aprendeu a lição,
Só reunindo os filhos perdidos, pode chegar a ser opção.

A nota finalíssima vai para o Dr. Brites. Goste-se ou deteste-se, é um enfant terrible e uma figura que conquista pela galhardia e irreverência. Só um homem como ele seria capaz de ir às urnas apresentando uns cartazes em que mais parece ter saído de Alcoentre ou Pinheiro da Cruz. É o último dos aventureiros e uma personagem digna de romance. Pode-se questionar o estilo, a pose, os métodos, a linguagem e as tomadas de posição mas… a inteligência e sobretudo, o amor pelo concelho, não!

Ao deixar cair o pano, um abraço reconhecido a dois companheiros de luta que me marcaram pela sua forma de estar na política. O meu muito estimado Presidente da Assembleia, meu querido amigo Dr. Carlos Sequeira e o meu cunhado e amigo de longa data, Dr. Fernando Dias (que esquisito que isto soa assim, pá! Bonito é mais fácil!). Um elogio sincero pela elevação, pelo altíssimo nível de intervenção política e pela notável representação do concelho e das suas gentes. Os nossos antepassados estarão certamente orgulhosos do vosso trabalho. Merecem tudo! O concelho vai voltar a precisar dos vossos préstimos no futuro. Disso não duvido.

E prontos, meus amigos, assim se faz política em Portugal e no concelho e eu aqui vos deixo, que o relato já vai longo.

E perguntam-me: “Ó Pedrocas, não tens pena?”
“Tenho!”.

“Não te custa que tenha sido assim?”
“Muito!”.

“Não fica mais difícil respirar num concelho assim dirigido?”
“Fica! Sobretudo para um asmático…”.

Mas digo, “Ainda assim… há coisas piores. Vamos vivendo!”

A vontade era atar uns balões à casa e fazer como o outro que se marchou para a Patagónia mas que fazer? Os alicerces da minha são fundos que eu sei lá…

Há que gramar o “prato do dia” mas sempre… de olho vivo e língua afiada.

Um abraço, do vosso,

Pedro Sobreiro

domingo, 11 de outubro de 2009

As mil e uma noites (da Al Mossassa)










E como foram muitos, muitos, muito mais que os 8.000 visitantes em questão (entre 13.000 e 14.000!!!!), e como ainda há homens de palavra... alguém teve de ir ao banho!

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E para terminar… a reportagem fotográfica inédita de Luís Barradas, um autêntico todo-o-terreno. Apesar das mil e uma tarefas que teve de desempenhar, ainda teve tempo para registar para a posteridade a sua visão da Al Mossassa. Espectáculos nocturnos, aves de rapina, amigos e conhecidos, artesãos a dormir na formatura, o incansável e imprescindível trabalho de limpeza e recolha de lixos, o carrossel e os desfiles, a inesquecível festa de anos da belíssima Sueli Shamsa e a saída em ombros do vereador, tudo cabe nestas belíssimas e exclusivas imagens. Imperdíveis!

sábado, 10 de outubro de 2009

Alice será... no País das Maravilhas


Fomos daqui todos três a caminho de Lisboa, em excursão familiar, para a ecografia morfológica da nova contratação.

Parámos na clínica Maternus, modernaça e com ares chique, bem próxima da Segunda Circular, a poucos metros do Colombo e da Catedral da Luz , o que calhou bem a todos, por diferentes motivos.

Eu estava nervoso, bem mais nervoso que qualquer uma delas e fiz um esforço para não me revelar. Na verdade, acho que estava mais nervoso do que alguma vez a Cris vai estar, incluindo mesmo antes de dar à luz. É nestas alturas que percebo a sapiência da Mãe Natureza ao ter reservado a exclusividade destas missões para as mulheres. Isto não é coisa de gajos…

O médico era um jovem de ar simpático com quarenta e muitos e óculos à ponta do nariz que o obrigavam a inclinar a cabeça para trás quando nos queria olhar de frente. A sala era pequena e escura e a cachopinha que fazia de assistente parecia uma hospedeira de bordo que tinha decidido mudar de vida depois de meia dúzia de sustos por esse mundo fora. Trocou o uniforme azul e o cabelo apanhado por uma bata branca mas o ar era o mesmo. A máquina das ecografias era um aparelho enorme cheio de botões com um ecrã no topo e a Cris esticou-se ao comprido na maca para iniciar a sessão.

Ele espalhou-lhe um gel gelatinoso na barriga, encostou-lhe uma espécie de telefone branco e começou a transmissão. Eu, com a pequena ao colo, sentado num banco, acompanhava tudo num pequeno ecrã situado do outro lado da parede. Era uma televisão barata, daquelas que se compram em promoção nas grandes superfícies por 80 euros. Lembro-me de ter pensado: “com tanta modernice e finura, bem podiam ter um LCD daqueles de 107 centímetros. De certeza que o valor que vão cobrar na consulta a esta gente toda há-de dar para isso e muito mais… mas não. A minha sogra costuma dizer que é assim que se fazem as fortunas… poupando”.

“Então o seu médico já lhe disse o sexo do bébé?”.

“Não tem a certeza, mas diz que lhe parece uma menina…”.

A primeiríssima imagem que apareceu no ecrã afastou todas as dúvidas e colocou um ponto final imediato nas esperanças vãs do meu sogro de finalmente ter direito ao ponta-de-lança com que sempre sonhou para o Arenense. “Ao menos sempre se livra de ir a pé a Fátima, como tinha prometido…” pensei, enquanto me ria sozinho.

Alice. Alice será.

A rapariga esta não podia ser mais óbvia e exuberante. Quis Deus que a primeiríssima imagem dela fosse assim, com a pechonchita em grande plano, como se estivesse a descer nua de páraquedas.

O homem começou a analisar tudo em pormenor, com grande detalhe e eu e a pequena acompanhámos em silêncio religioso, com a atenção e a emoção com que dantes se ouviam os relatos de futebol nos rádios dos cafés.

“Cabeça… normal. Membros superiores… membros inferiores, bexiga, rins, coluna… tudo normal…”.

E nós em suspenso, ganhando fôlego, ânimo e alívio a cada ponto marcado. Só nos faltou fazer a onda…

E quando apenas faltava ver o coração, a pequena decidiu meter-se encarquilhada e não deixou lá chegar a máquina nem por nada.

“Desculpem lá mas têm de esperar… Enquanto assim estiver… não dá…”, e lá fomos nós para a sala, a fazer tempo, a ver se se decidia.

Entretanto iam chegando mais mulheres grávidas, muitas mulheres grávidas, tantas mulheres grávidas, umas com as mães, outras com os namorados e maridos, outras com amigas e saiam lá de dentro todas a sorrir, com ar satisfeito e eu também queria mas a minha não deixava.
Fui-me entretendo a olhar para as pessoas e a imaginar de onde eram, o que faziam, se estavam casadas ou não… enfim, uma estratégia meio psicótica para ir passando o tempo.

“Vamos ver se já está?”.

“É o estás… é! Nada! A torta da cachopa pá! Tem a quem sair…”.

“Olhem, vão dar uma voltinha às lojas. Pode ser que ela se decida”.

E não é que decidiu mesmo? Gosta da gandaia. Estou feito…

“E prontos, está tudo bem… boa viagem… felicidades… quantas horas para Marvão? É longe…”.

E bem, nós três que não cabíamos de contentes. Agora é a ansiedade do tempo que não passa…

E eu que ando cá com uma vontade de a ter nos meus braços, cheirá-la, sentir a respiração de passarinho no meu pescoço… dar-lhe banhinho, espelhar os cremes, metê-la encavalitada no ombro para arrotar depois de beber o leitinho, vê-la sorrir e balbuciar as primeiras palavras, vestir-lhe os fatos da mana e da prima… Adormecê-la e deixá-la descansar no meu peito…

(suspiro)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Chucram! Salaam Aleikum!

(Obrigado! Que a paz esteja sobre vós!)


(clique para ampliar)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Os dias da Al Mossassa (2 a 5 de Outubro)


Serão dias de muito trabalho, muita correria, total disponibilidade e de adrenalina.
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Mas serão também dias de tanta, tanta felicidade, no meio de gente tão boa...
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E Marvão assim vestido... é uma benção (Não sei é se de Deus ou de Alá)!
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