quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Finalmente! (De azul)

Velhas Guardas do Arenense. 07.11.2008


No passado sábado concretizei um dos meus sonhos: jogar com a camisola do Arenense. Há sonhos que nascem connosco e são da vida toda. Há outros que nos surgem à medida que o tempo vai passando e outros há ainda que são as próprias circunstâncias da nossa existência que os criam. Este foi um caso desses.

E nem sequer posso dizer que não tive a minha oportunidade no passado…

Numa tarde qualquer da minha adolescência, em pleno cruzamento da Beirã, fui interceptado pelo então Mister Bugalhão, que me tentou convencer a integrar os quadros do time local. Os argumentos apresentados (que já me tinha visto jogar e que não era mau de todo, que tinha lá muitos amigos, que me fazia bem à saúde…) eram deveras convincentes mas na altura a minha agenda do fim-de-semana passava inevitavelmente por uma Sexta e um Sábado de recruta na Maluka dos Fortios até às tantas da manhã, pelo que lhe expliquei as óbvias incompatibilidades dos dois ofícios. A juventude era para ser gozada e andar a treinar ao frio, de noite e levantar quase de madrugada (9h/10h da manhã) para andar por aí a correr atrás de uma bola não encaixava bem no meu conceito de divertimento.

E eu se eu gostava de futebol! De ver e de jogar! Em miúdo nunca saía de casa sem uma bola no pé. Recordo com tanta saudade as tardes passadas em partidas infinitas com os amigos da terra no campo pelado do João Forte (em que tínhamos primeiro que desviar as bostas de vaca que por lá pastavam e despejar a família de lacraus que se escondiam debaixo do calhau maior que fazia de poste da baliza lá do fundo) e as noites de dérbis entre as equipas dos que viviam “De cima da linha do comboio” e “De baixo da linha do comboio”, em frente ao adro da Igreja.

Mais tarde, quando a Beirã se tornou pequena e já passava os dias a cirandar com os meus companheiros de Santo António, fui fundador do meu primeiro equipão de futsal criado exclusivamente para os torneios de Verão: os míticos “Couve Roxa”, juntamente com o Bananitas, o Jaimita, o Reis… e o Andorinha na baliza que saiu lesionado logo num dos primeiros jogos em que foi baleado nos tintins por um pontapé fulminante qualquer. Iam-mo matando, o pobre, que caiu redondo e quase inanimado. Até a mim me doeu… Os “Couve Roxa” fizeram história tanto pela péssima qualidade do futebol praticado quanto pela exuberância técnica dos seus membros e haviam de, por circunstâncias várias, se fundir com os “Volk Selvagens”, gerando os inter-galácticos “Couve Selvagem” (com o Machado, o Mário e o Santana…) que também haveriam de deixar marca.

O destino encarregou-se pois, quase desde sempre, de me manter ligado ao futebol mas naquela altura… Arenense a sério… não obrigado. A onda era mais Portalegre, namoricos e andamento…

E o que eu me havia de arrepender de ter dito não, tempos depois…

O gajo sempre tinha razão…

Quando o namoro me trouxe de volta à terra e não perdia um jogo do meu Arenense em casa, habituei-me a ver da bancada os amigos a jogar e não podendo ir a mais, criei os “Ultras dos Outeiros”, a primeira claque oficial do distrital, dos quais era Presidente e único sócio efectivo. Do cadastro ainda constam uma ou duas invasões solitárias do campo (uma delas quando um cabrão qualquer quase me deu cabo do mano) e um ou outro ameaço de identificação pelas autoridades.

A vontade de entrar lá para dentro já era muita mas o talento não chegava e eu sabia que o meu tempo tinha passado.

Da bancada sofri, da bancada rejubilei com as vitórias e a subida da Divisão nos tempos da euforia da Era “Brítica Mena Antúnica”, da bancada assisti à ascenção e queda da equipa sénior, até o campo ficar deserto…

Sócio 806 com as quotas em dia até ao final do ano passado (não é Adriano? Agora não te tenho visto…), nunca deixei de vibrar com o meu clube e lamentar por não ter querido em tempos estar mais por dentro.

Mais do que um clube, o Arenense foi uma escola de vida para muitas gerações de crianças e jovens da terra que ali aprenderam conceitos absolutos como os de camaradagem, organização, liderança, disciplina, espírito de equipa, entrega… Nunca me hei-de esquecer que num dos momentos mais negros da nossa existência, quando perdemos quem mais queríamos, o Arenense foi uma das luzes que guiou o meu irmão, levando-o sempre pelo caminho certo, responsabilizando-o com a entrega de uma braçadeira de capitão que lhe pesava quilos no braço e o reposicionou perante os colegas e a vida.

O Arenense importa e muito! Sempre importou!

E foi por todas estas razões e mais algumas que me encheu de alegria o desafio e o convite colocado em jeito de brincadeira pelos actuais Presidente (J. Buga) e Mister (Bonito Dias) para alinhar pelas Velhas Guardas frente às de S. Mamede. Eu já tinha metido a cabeça a ver se colava mas como desta vez a coisa me pareceu mais séria, decidi arriscar.

“Mas eu nunca joguei…”.
“Mas treinaste. E és de lá. E gostas…”.
(Se gosto…)
“Olha que Sábado contamos contigo. Às 4h, no Estádio de Portalegre.”.

Até se me meteu um frio no estômago… Estaria mesmo convocado?

E assim fiz… como mandam as regras. Na sexta deitei cedinho. Portei-me exemplarmente tendo inclusive que fugir aos convites marotos de noitada dos amigos que não me largavam o telefone e negar duas outras solicitações para Jantar na Fonte Souto (o que bem me custou!) aos meus queridos Chico Conchinha e Joaquim Manuel.

Sábado de manhã fui à piscina com a pequena para preparar a musculatura e a resistência, comi um peixinho grelhado ao almoço e às 3 e meia lá estava o gajo, comparecendo à concentração na Pastelaria do Choca.

Chegados a Portalegre, aguentei as naturais bocas de craques e companheiros (“Eina pá… Olhem-me só a fera que eles trazem escondida…”) e fiz por parecer natural. É certo que entrar em campo com as sapatilhas de futsal quando tudo andava de botas XPTO não ajudou nada (falhaste-me Barradinhas!) mas até por isso mesmo me soube melhor o comentário do Presidente: “Assim vestido até pareces um jogador…”.

Oxalá…

Eu sempre disse que só o ir para o banco, ver o jogo dali e poder desfrutar do ambiente da cabine já eram suficientes, mas se pudesse fazer o gosto ao pé…

Como era de esperar não fiz parte dos titulares e até fiquei surpreendido quando o Mister me mandou aquecer ao intervalo. Faria eu a segunda parte toda?

Parece que o estou a ver numa nuvem, a dizer em câmara lenta: “Conto com a tua velocidade…..”. Opá… Ainda me virei para trás para me assegurar se não estaria a falar para outro…

Porra pá que aquilo foi uma emoção! O cheirinho da relva sintética… aquela adrenalina toda… Poder partilhar o rectângulo sagrado com “monstros” do nosso futebol como o Miguel de Castelo de Vide, o João Vitorino, o Malu, o Beto, até o Barradas vá!, foi do caraças… Um passe a desmarcar um, uma bola recebida por outro… E eu ali… Espectáculo!

E se fiz por ser competente! Pelo menos, fartei-me de correr. A certa altura, vendo-me todo suado, o Beto até me perguntou… “mas já estiveste a tomar banho?”. E eu… “não pá! È dos sprints!”. Caraças! Que nível!

Rematei uma série de vezes. O Bonacho perguntou-me se eu tinha acertado na baliza nalguma delas. Maldade dele… Eu acho que acertei diversas vezes mesmo, mas prontos…

Reconheço que exagerei um pouquinho nos fora-de-jogo, mas os gajos eram uma máquina a jogar em linha pá! Mas também nunca cheguei aos trinta e tal como disse o Barradas. Justifiquei-me com a fome de golos e a vontade de legitimar a contratação mas nem mesmo assim…

Estivemos bem. Já estava em campo quando desfizeram o nulo e não fiz nada no nosso lance do empate mas estava lá próximo e senti que a minha energia ajudou…

Mais coisas… Eeeeeeeeeehhhhhh… Anularam-me um golo LIMPINHO, DE PÉ ESQUERDO!!!!!, o que para mim valeu por meio. Foi um patardo… uma cena do outro mundo! Bem, na verdade foi fraquinho e entrou a pingar, mas mesmo assim não contou, prontos.

Deram-me uma canelada, meteram-me uma rasteira, esfolaram-me o joelho esquerdo. Fiz cortes, passes em profundidade, passes curtos, tabelinhas, dribles, parei no peito, corri com a redondinha no pé, fiz centros para a área, desdobrei-me, fiz por estar em campo.

E só pensava: “Não metas as mãos nas ancas… não te dobres…”, não fossem eles pensar que estava cansado. E não estava, de facto. Rijo como um pêro!

Para além de ver mal, também não ouço grande coisa ao longe, sobretudo quando estão aos gritos à minha volta. Vejam bem a minha humildade, que quando o Mister chamou pelo Peixe para ser substituído, assim que ouvi chamar por um “P…” fui logo a correr feito tonto. “Não és tu, pá! È o Peixe!”. Pensei: “Ai posso jogar mais um bocadinho? Tudo bem!”.

O árbitro chamou-me jogador. “Ó jogador, passe aí essa bola”. Ò senhor juiz, pela parte que me toca… obrigadinho!

Eu não quis dizer nada a ninguém, mas da última vez que joguei naquele estádio foi com os meus colegas das Finanças e marquei um golão da entrada da área, daqueles que entram mesmo pelo buraquinho da agulha no ângulo esquerdo. Sem defesa! E o jogo acabou de seguida. Convenci-me: “Se entrou uma vez…”. Mas desta vez não tive essa sorte. Paciência…

Mas ainda tive a minha oportunidade para brilhar… Nos minutos finais, quando o jogo ainda estava empatado, um dos baixinhos gorduchos habilidosos da equipa adversária começou a fintar colegas meus do lado esquerdo, num drible fulminante que gerou o pânico. O Mister gritou-me: “Pedro, ajuda lá atrás agora que está quase a acabar!”. E lá fui eu, esbaforido, dando tudo para chegar a tempo… E não é que cheguei atrasado por milésimas de segundo? Por mais um bocadinho, tinha conseguido cortar a bola que o sacana do brasileiro do cabelo pintado (já de barriguinha mas talentoso e muito boa onda) acabou por empurrar para as malhas da baliza mesmo sobre a linha. Que droga! Por um pouquinho, tinha feito um corte providencial e um brilharete. Era de sair em ombros… Enfim… não se pode ter tudo e eu, nessa tarde, já tinha tido tanto…

E tivemos mais. O simpático convite das Velhas Guardas de São Mamede para conhecer a sua confortável e recém-inaugurada sede no antigo edifício da Câmara Municipal de Portalegre (minis geladas, amendoins torradinhos à descrição) e um jantar que foi quase de gala no Jorge Isidro. Excelente companhia, repasto aprimorado, óptimo ambiente… tudo do melhor! Estão todos de parabéns. Foi uma grande oportunidade para rever alguns amigos e conhecer novos e isso é tão bom.

Como já vai sendo habitual… não quero terminar o relato sem fazer alguns agradecimentos:

Em primeiro lugar ao Bonito e ao Buga, pela oportunidade única que me deram. Quando me vi na foto que o João publicou no Fórum Marvão até estremeci. O que eu sonhei em ver-me um dia assim, numa foto daquelas, entre os jogadores. Será que dá para a meter na sede? Orgulho… Bem hajam. Às vezes há gestos que podem parecer simples mas que são tão valiosos para os outros. Eu gostava que vocês sentissem o que foi para mim.

Em segundo lugar quero agradecer aos colegas de equipa que me receberam tão bem e tudo fizeram para me integrar no espírito, sem olhar de soslaio ou sem qualquer estranheza. Estar ali é demais!

Agradecer também aos amigos da outra equipa (Delgado, Gandum, ao Brasileiro e todos os demais) pela simpatia e excelente acolhimento.

E finalmente agradecer aos meus companheiros de jornada nesse dia/noite. Dureza, pá!

Ai eu… que foi tão bom.

PS: Tenho imensa pena de não poder estar convosco em Nisa no próximo dia 21 (o que eu dava para jogar contra o meu amigo Carlinhos…), mas nessa data já tenho marcado o derby anual de futsal em Santarém e se falto mandam-me abater, pelo que… não há hipótese.

Mas na próxima… juram que não se esquecem de mim?

Grande abraço!



Um banco de luxo. Ao fundo, sempre a ler o jogo, Mister e Presidente trocavam opiniões...


Esta é o máximo! Então não é que apanho o árbitro equipado com um fato de treino das Velhas Guardas a cantar o hino oficial da equipa?!?!?! Eu logo vi... Está tudo explicado! Tanto fora de jogo...
Vou apresentar queixa à FIFA. Desta não se livra!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eu fico feliz quando…


Um ex-colega de trabalho vai de propósito ver de mim às Finanças só para me cumprimentar e saber como é que estou.

Também fico feliz quando logo de seguida alguém me diz… “ai o que eu me ri ontem consigo e com as coisas que escreveu no seu blogue”.

Como fico feliz quando um vizinho nos chama do muro do quintal para nos dar um magusto de castanhas já descascadas, desejando uma boa noite de S. Martinho.

Ser feliz é muito bom mesmo que seja só às vezes.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um adeus ao passado



Há filmes que são maiores do que a vida porque nos conseguem transmitir em pouco mais de hora e meia, aquilo que muito provavelmente levaria anos a explicar.

Se eu mandasse na nossa televisão, nesta noite, passados 20 anos da queda do muro, era este o filme que eu passava em todos os canais ao mesmo tempo.

São duas horas que valem por dias de documentários.

E foi tão bom revê-lo…

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

À Campeão!


Eu não sei o que é que o futuro nos reserva, mas acho...
que um Benfica destes só merece ser campeão.
GIGANTES!

domingo, 8 de novembro de 2009

Girls



É tão bom… quando a nossa nova banda favorita nos entra pela vida adentro sem pedir licença.

Os Girls são de São Francisco e editaram “Album” no passado 22 de Setembro.

Assombroso, o vídeo.

Assombrosa a poesia… que me assenta assim… quase como uma luva.


Hellhole Ratrace

I’m sick and tired of the way that I feel,
I’m sick of dreaming and it’s never for real,
I’m all alone with my deep thoughts,
I’m all alone with my heartache and my good intentions.

I work to eat and drink and sleep just to live,
feels like I’m never getting back what I give.
I’ve got a sad song in my sweet heart.
And all I really am is needing some love and attention.

And I don’t want to cry my whole life through,
I want to do some laughing too.
so come on, come on, come on, come on, laugh with me. and I don’t want to die without shaking up a thing or two,
Yeah, I want to do some dancing too.

So come on, come on, come on, come on, dance with me.
Sometimes You’ve just gotta make it for yourself.
Sometimes sugar, it just takes someone else.
Sometimes You’ve just gotta make it for yourself.
Sometimes baby, You just need someone else.
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Estou farto e cansado da forma como me sinto,
Estou farto de sonhar e nunca ser de verdade.
Estou sozinho com os meus pensamentos mais profundos,
Estou só com o coração partido e as minhas boas intenções.

Trabalho para comer e beber e durmo apenas para viver.
Sinto que nunca receberei de volta o que dei.
Tenho uma canção triste no meu coração doce.
E tudo aquilo que sou precisa de algum amor e atenção
E eu não quero chorar a minha vida toda,
Quero rir-me também.
Então vem, vem, vem, vem e ri comigo.

E não quero morrer sem abanar algumas coisas à volta,
Sim, eu quero dançar também.
Por isso vem, vem, vem, vem e dança comigo.
Às vezes tens de ser tu próprio a fazer por ti.
Outras vezes, necessitas de mais alguém.
Às vezes tens de ser tu próprio a fazer por ti.
Outras vezes, precisas de mais alguém.

Eu televejo


Há duas formas de percebermos o grau de degradação e desnorte a que chegou o nosso país: lendo jornais ou vendo os concursos que dominam o horário nobre dos canais nacionais.

E custa-me sinceramente que tenha gasto a noite da passada Sexta-Feira (que é o meu dia preferido, logo a seguir ao Sábado) a assistir (pelo canto do olho) num serão caseiro, ao novíssimo concurso das famílias da RTP1. Nele, duas tribos concorrentes, uma a atirar para o fino, a outra do mais “tuga” que pode haver, esgrimiram “argumentos” para saber qual tinha mais “talento” para as artes. As piquenas cantaram, os mais velhos dançaram… bem… um horror. Pergunto-me como é que ainda existem pessoas capazes de se expor a tamanha humilhação e logo de seguida, dou por mim embasbacado a pensar onde é que as direcções de programas têm a cabeça. Finalmente, penso ainda como é que há telespectadores (como eu) para gramarem aquela “estucha” com tanta coisa boa que há para fazer nesta vida.

O momento em que o pai da família do povão tenta reproduzir a cena de um filme do Vasco Santana é sério candidato a um dos mais infelizes da história da nossa televisão. Ver o homem aquele sem ritmo, sem voz, sem coordenação de movimentos, sem saber o que estava ali a fazer, com o suor a correr-lhe em bica e as mãos a tremer, olhos colados ao infinito como que a suplicar uma ajuda divina que o levasse dali depressa para outro sítio qualquer… foi coisa penosa.

E o Júri? Safa-se a belíssima Maria João Abreu (que bem que lhe fez o divórcio…) porque de resto… o grosseiro do Manuel Serrão, um panasca qualquer lá da RTP e o Pacman dos Da Weasel, valha-me Deus que me custou tanto de o ver ali, vendido e submisso, rendido aos euros e à popularidade. Realmente… estavas melhor a fumar berlaites no café de uma esquina qualquer da tua Almada.

A nossa televisão é uma cena deplorável.

E ontem parece que começou o Dança Comigo no gelo. No gelo?!?!? Ai eu… E o que virá depois? O Dança comigo na Margarina? Dança comigo na vaselina? Dança comigo no arame farpado? Dança comigo sobre as brasas? Dança comigo descascados? (Esse eu via! E se fosse com a Madame Furtado a apresentar… então… gravava todos e até me oferecia para ir bater palminhas lá para o público).

Está tudo louco!

Já agora, uma palavra para outro abominável, o “Ídolos” da SIC. De vez em quando lá os apanho, ou porque a pequena vê, ou porque passa de relance e eu… pasmo-me com a estupidez daquele Júri. Aproveitando-se dos sonhos e ambições dos pobres concorrentes que esperam horas em filas para tentarem a sua sorte, aquelas bestas do júri não se fazem rogados e divertem-se a derreter a mais ténue esperança de vir a ser artista da grande maioria. Insultam, enxovalham, gozam, diminuem, envergonham e é suposto que os espectadores achem piada.

Eu achava engraçado era se um dia, um maduro assim mais afoito lhes saltasse para cima e lhes fosse pró focinho. Isso sim tinha piada!

Seria interessante se alguém lhes explicasse que há formas mais educadas e simpáticas de dizer as coisas e que tanta arrogância não ajuda em nada.

Mas afinal, aqueles cabrões pensam que são quem?

Estava capaz de me inscrever para um casting só para lhes pagar na mesma moeda, para ver se gostavam…

Pois… já sei, mas isso era capaz de não ir para o ar, pelo que…

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A Tertúlia na prensa!

(clica na imagem para veres melhor)
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Eu sei que a notícia já não é fresca e o que o jornalito já está amarelo de uma semana…

Mas não é todos os dias que se tem a honra de aparecer assim na imprensa cá da zona, a cores e tudo!

Tão bonitos…

Toct! (Um brinde em russo)

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Estas chegaram por mail e eu não resisti.

Pelo que parece, os homens poderosos do planeta têm os mesmos gostos dos comuns mortais.

Que o diga o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que na última cimeira dos G8, meteu-se nos tintos ao almoço e ficou neste estado. Aposto que a nação russa ficou orgulhosa...

Valeu-lhe o anfitrião Berlusconi, cada vez mais de cera, que ajudou a não dar mais nas vistas.

Como se diz na minha terra: “Estás lindo, Ti Pedro!”.





PS: Um bem haja ao fornecedor habitual que me cedeu as imagens que eu agora já não me alembra quem foi. Manda sempre!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Homem da frente

António Sérgio faleceu ontem, aos 59 anos
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A sua voz quente e cavernosa encheu as noites da nossa juventude com sons alternativos vindos de todo o mundo.

No tempo em que os discos eram caros (demasiado para todos os que queríamos ter)…

Quando os canais temáticos de música eram uma miragem…

Quando a música em papel (sobre)vivia nos resistentes Blitz e Se7e…

Quando as cassetes, o vinil e o VHS eram os formatos da moda…

Quando a rádio era o único território aberto à diferença…

Quando a internet era ainda e só uma visão futurista…

Nesse então…

O António Sérgio foi o guru da nossa melomania.

Com um extremo bom gosto, uma atitude sempre generosa e de entrega total, uma paixão imensa pelo rock e pelos seus seguidores, Sérgio foi um farol para os desalinhados que bebiam a rebelião da sua cartilha.

Hoje, gerações de homens e mulheres que vivem apaixonados pela música (muitos graças a ele), que não sabem viver sem a busca incessante da nova banda sonora das suas vidas, prestam-lhe homenagem sentida.

O nosso lobo partiu cedo demais.

Despeço-me dele como tanta vez se despediu de mim e dos seus fieis ouvintes no éter:

“Vai em paz e que o som te acompanhe!”.

...



Eu subia as escadas para a rua de cima em silêncio e apanhei-a de surpresa quando varria as folhas secas que se acumularam junto à entrada da casa da frente, cansadas de tanto bailar ao sabor do vento de um Outono absurdamente quente.

“Estás boa, miga?”.

“Ai eu! Que me assustaste…”, disse-me enquanto levava a mão ao peito e sorria, de olhos fechados, como que troçando da sua própria admiração.

“Eu estou boa e tu?”, respondeu assim que retomou o ânimo.

“Eu?... … … estou bem. Vou andando…”, disse-lhe eu, não conseguindo disfarçar a pouca convicção.

Ficámos uns segundos assim, a olharmo-nos e a rir-nos um para o outro. Eu para enganar o que me ia na alma, ela… sem esconder alguma compaixão.

“Ai pá… a gente agora até te estranha…”.

“Eu sei e não me admiro…”, deixei escapar enquanto retomava o meu caminho.

“Até eu me estranho a mim próprio…”

(mas nesta altura já só as pedras da calçada me ouviam…).