sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Guerra e Paz (além de Tolstoi...)



O Nobel da Paz foi ontem entregue a um homem (e se eu admiro esse homem…) que ainda há dias mandou, enquanto responsável máximo pelas Forças Armadas do seu país, mais 30.000 soldados para a guerra, dispostos a matar ou morrer.

Sem entrarmos no campo dos motivos que legitimaram esse acto, que são muito discutíveis e só por eles já davam “pano para mangas”, a situação não deixa de ser irónica...

Já estou a imaginar a pergunta num concurso qualquer de cultura geral do horário nobre da televisão de um planeta perdido noutra galáxia: “Diga em que planeta, o Nobel da Paz mandou 30.000 soldados direitinhos para a guerra nos dias antes da cerimónia de entrega…”.
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Gargalhada geral nos concorrentes e na plateia. Todos em coro: “Cenas dessas… só na Terra! Aqueles terráqueos são loucos!”.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Felismina e Sabastião - Palhaçadas...

(Carrega pra cresceri...)

Hoje de tarde, na primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde, em plena Casa da Democracia, a menina Nogueira Pinto chamou palhaço a um palhaço qualquer do PS.



Este país está a ficar cada vez mais engraçado…

Com políticos destes gabarito, quem é que se arrisca a viver do humor?



Nota do Taberneiro: A notícia com direito a vídeo e tudo, clicando aqui.

Por falar em heróis...

João Oliveira, de 31 anos, faz parte do Porto Runners desde 2004



João Oliveira correu 246 quilómetros em 34 horas

Por João Pedro Barros
In Público, 06.12.2009


O maratonista foi o segundo português a terminar a Spartathlon, a rainha das ultramaratonas de estrada

A lenda que sustenta a existência da maratona é relativamente popular: Filípides, um soldado grego, terá corrido os cerca de 42 quilómetros entre Maratona e Atenas para anunciar a vitória sobre os persas, em 490 a.C, falecendo logo após cumprir a missão. Mas esta história tem um lado B, bem menos conhecido do que o lado A: segundo algumas fontes, o mesmo Filípides teria percorrido anteriormente 246 quilómetros, sem parar, entre Atenas e Esparta, para chamar reforços. É nesta lenda que se baseia a Spartathlon, uma ultramaratona de 246 quilómetros cuja 27.ª edição, que se realizou no final de Setembro, foi terminada por João Oliveira, do Porto Runners, no 64.º lugar, com o tempo de 34h01m52s. Antes dele, só outra portuguesa - Alzira Portela Lário, em 2001 - tinha sido capaz de concluir a prova grega. O percurso foi cumprido com muitas dificuldades, até porque o atleta, que treina de forma amadora - apesar de cumprir um plano de treino - não levou ninguém para o apoiar.


"Quando cheguei à mesa da organização, para me identificar, perguntaram-me qual era a minha equipa de apoio. Eu disse que não tinha, e eles não se riram às gargalhadas mas riram-se entre eles. Participei na mesma, mas por volta dos 70 quilómetros vi pessoal a estacionar, a trocar de sapatilhas, com roupa seca. A partir daí é que percebi: afinal isto vai doer", contou João Oliveira. Nessa altura, a meio da tarde, a temperatura rondaria os "32 graus", mas desceria abaixo dos 5 graus durante a noite. "Os pés ferveram e tinha bolhas nos dedos. Foi a catástrofe, queria correr, correr, mas a dor era infernal. Foi aí que comecei a reduzir a passada, porque antes dos 70 quilómetros era quinto ou sexto". A dureza foi agravada pela falta de apoio, mas uma desgraça nunca vem só: "De madrugada, começou uma chuva gelada. Já estava cheio de frio, e por mais que a gente corra nunca aquece. O meu objectivo passou a ser chegar ao checkpoint". Ao longo do percurso há 75 destes pontos, onde os corredores (maioritariamente mais velhos do que o português, que se sentiu um "puto") têm de passar antes de um determinado tempo-limite e onde se podem reabastecer.

Vício de correr


Chegados a este ponto da história, coloca-se a pergunta: o que pode levar alguém a, voluntariamente, querer correr durante mais de um dia, ininterruptamente, passando as passas do Algarve? Para João Oliveira, a corrida tornou-se um vício e um desafio de superação quase sem limites. No seu caso, esse vício foi ainda mais estimulado a partir de 2004, quando se juntou ao Porto Runners, um clube formado por amadores que se encontravam habitualmente no Parque da Cidade.


No ensino secundário, este guarda prisional de 31 anos gostava de correr, porque "ganhava aos outros". Em Chaves, de onde é natural, os cinco quilómetros entre casa e a escola serviam de treino. Por isso, quando chegou ao serviço militar tinha "pedalada": "Fiz as provas para as Forças de Operações Especiais e entrei na equipa deles, a competir com outros quartéis. Quando fui dar instrução em Chaves, um tenente, também das operações especiais, percebeu que eu tinha mais rendimento nos 10.000 metros", explica. Passou pelas meias-maratonas e pelas maratonas, até que, no regresso de uma prova de montanha de 101 quilómetros, em Ronda, no Sul de Espanha, ouviu falar da Spartathlon, onde um dos mínimos exigidos é cumprir 100 quilómetros em menos de 10h30. João Oliveira é detentor da melhor marca nacional, com 8h29m33s, obtidos numa prova no Norte de Espanha.


Para chegar a este nível, são precisos muitos quilómetros nas pernas e espírito de sacrifício. Cinco a seis dias por semana, o flaviense corre cerca de três horas. Um mês antes das provas, as três horas passam a cinco. O treino militar também foi uma grande ajuda, porque, garante, houve momentos em que pensou que devia ter ficado em casa. Quando o ritmo é bom, "não há problema", mas nos instantes de sacrifício é preciso adoptar estratégias que afastem da mente a sensação de dor, como pensar em assuntos profissionais. "Um comando não desiste de uma luta, enquanto tiver sangue nas veias luta, e agarrei-me a essa ideia. Nestas provas, para chegar ao fim é preciso sofrer", assume. A noção de que dezenas de corredores estavam atrás de si, num sofrimento ainda maior, foi outro pensamento que, ironicamente, o confortou.

Lágrimas na chegada


Os últimos quilómetros de Oliveira na Spartathlon foram bem a prova disso: o português cortou a meta ao lado de um francês que corria "com os pés de lado" e de um japonês que "só caminhava". "Eu ia de calcanhares, para evitar os choques no pé, mas o francês ainda ia pior. Já que não ia ganhar, disse-lhe que terminávamos a prova juntos. Sem dar conta, apanhámos o japonês, que estava ainda pior do que nós os dois." Os números finais são claros: 380 inscritos, 320 atletas à partida, apenas 133 a terminaram. "Quando se entra na avenida da meta, vê-se ao fundo a estátua do rei Leónidas. Foi aí que acreditei que ia mesmo acabar e fiz um esforço para não chorar. Quando terminei não aguentei, caíram mesmo umas lagrimazinhas", recorda. No final, recebeu uma coroa de oliveira e água do mítico rio Eurotas. Esta é uma história de desporto por puro prazer (ou sofrimento, dependendo da perspectiva): não só não há prémios como cada participante tem ainda de pagar 250 euros pelo alojamento, transporte e alimentação, sem contar com a deslocação à Grécia.


Agora, João Oliveira quer regressar ao Spartathlon, para baixar para um tempo a rondar as 28 horas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

POLADROID ME!

Ó para elas tão lindas... Parece que foi tirada em 67...

Eu nunca fui gajo de andar com caixinhas, caraças! Nunca! Nem na escola, nem no emprego, nem na vida. O que é meu é público, é de todos… sobretudo nestes tempos em que o ouro é a informação, que se multiplica e não perde propriedades na partilha.

Nesta altura já toda a gente sabe que sou um apaixonado pelas imagens, pelo design, pelos grafismos, um entusiasta amador do Photoshop e foi nessa condição que dei por mim, há dias, a pensar nas Polaroids.

As Polaroids eram umas máquinas do catano, pá! Muito nível!

Eu ainda sou do tempo desses aparelhos deslumbrantes que mais pareciam torradeiras portáteis e cuspiam fotografias pelo rabo. E as imagens não eram imagens quaisquer... Tinham personalidade! Tinham uma moldura com uma margem maior na base, tinham uma textura rugosa, tinham os cantos escurecidos, tinham um tom amarelado, blasé e old-fashioned que lhes dava um toque de distinção, enfim e em suma… tinham pinta!

Parece que já não se fabricam. Parece que estão na moda mas já há poucas e são caríssimas… verdadeira peças de museu.

E eu pus-me a pensar. Na net arranja-se tudo ou quase tudo… Será que eu não dou com um programa que crie o efeito Polaroid numa foto normal?

Tanto andei, tanto andei… até que… bingo! Depois de diversas tentativas, eu sozinho, pela minha cabecinha, sem ler em lado algum, descobri o POLADROID, precisamente o que procurava só que muito mais perfeito!

Este software, ABSOLUTAMENTE GRATUITO, recicla em linguagem Polaroid toda e qualquer imagem digital… com um nível nunca imaginado, nem nas melhores expectativas! O programa coloca uma máquina Polaroid virtual no ambiente de trabalho e tudo o que o utilizador tem a fazer é arrastar a imagem escolhida e depois é deixar a magia trabalhar! Nem sequer falta o detalhe de também nós termos de abanar a foto no ecrã para que se revele mais depressa. Pura magia! Agora… ao alcance de todos… clicando aqui.

Polaroids instantâneas e à pala para todos os meus queridos leitores, todos vocês pequenitos! Quem é amigo, quem é?

Vendo o Mundo de Binóculos do Alto de Marvão… Trivialidades, mexericos, maluquices, cultura e humor ao seu serviço desde 2007.*

*Blogue candidato ao Globo de Ouro de blogue do ano. Vote já!

A passagem...


Agora que passou… acho que já podemos falar nisso.

As primeiras semanas foram duras…

A bem dizer… estranhei tudo… o ritmo, a subserviência, a clausura… a solidão…

A falta de stress chegou a sufocar-me. O fardo pesava toneladas.

Percebi que capacidade de adaptação do homem tem tanto de assombrosa como de revigorante.

Hoje já posso dizer que quanto mais distante estou do poder, melhor lhe conheço a força, o hipnótico fascínio, a voragem manipuladora.

Soltei amarras. Tomei o antídoto.

Já não dói.

Agora sinto-me mais meu a cada dia que passa. Mais livre, mais solto, mais dono de mim, mais desperto para os pequenos detalhes que agora fazem os grandes momentos.

Lembro-me muita vez do Peter Falk nas “Asas do Desejo” do Wim Wenders, do anjo caído que após a perda da eternidade se consolou com uma simples chávena de café.

Mais confortável.

Com tempo…

Celebro a nova fase, esta auspiciosa aurora, com a banda sonora perfeita para a ocasião. Grande canção, assombroso vídeo (Top 10 dos 90’s) e um grande, grande artista que adoro ouvir e respeitar.

As vezes que eu tenho nesta música nos últimos dias…


domingo, 6 de dezembro de 2009

Coisas que me deixam mesmo, mesmo, mesmo feliz…

Por falar em coisas que me deixam feliz, mesmo muito feliz, quase mesmo a rebentar...

Uma delas é ir às compras de Natal para os hipers da cidade mais próxima da minha casa (Castelo Branco. Portalegre não é vila?) e encontrar pérolas preciosas, algumas das quais tentava pescar há anos, a preços ridículos… como:
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A edição especial (2 discos) em dvd do “Lost Boys”, a obra perdida da minha colecção de filmes de vampiros, por 6 euros e 70. Aahhh… muito bom! Um Kiefer Sutherland novíssimo… banda sonora com os Echo and the Bunnyman a tocarem versões dos Doors… um derradeiro e transgressor filme teenager. Deixa cá ver onde é que vais ficar… sim. Aqui! Ao lado do “Drácula” original com Bela Lugosi, “Drácula” de Coppola, “Entrevista com o Vampiro” do Neil Jordan, “A sombra do Vampiro”…
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E...
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A edição especial “Backbeat” por 3 euros e 90 cêntimos. 3 euros e 90 cêntimos?!?!!?!? 3 euros e 90 cêntimos, meus amigos, apenas. Uma verdadeira pechincha pela obra que nos revela em definitivo tudo o que há para saber sobre os anos loucos dos Beatles em Hamburgo, quando Stuart Sutcliffe, o guitarrista prematuramente desaparecido, ainda fazia parte do line up, e as drogas e o álcool eram os prato do dia da vida destes jovens rockers que haviam de mudar o mundo. A banda sonora, gravada por uma super banda criada para o efeito que contava com Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters), Dave Pirner (Sou Asylum), Mike Mills (R.E.M), Greg Dully (Afghan Whigs) e Thurston Moore (Sonic Youth), já cá canta desde 94 e é uma das minhas favoritas de sempre. Agora… o ramalhete está composto!
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E ainda… por 7 euros e 90… “The Sun Records Anthology”, uma edição em 3 discos (belíssimos graficamente, a recordar os velhinhos vinis…) que reúne os grandes êxitos desta emblemática editora que foi a verdadeira maternidade do Rock’n’Roll. São muitas dezenas de êxitos pela voz dos maiores de sempre… Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins e Johnny Cash que surgem muito jovens na capa, a afinarem as vozes num coro ao piano. É caso para dizer que só a fotografia vale o dinheiro.
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Por ser o menos conhecido, sai um videozinho do grande Carl Perkins, que criou inúmeros hits celebrizados por outras estrelas e por essa mesma razão nunca atingiu o topo do estrelato, mas que era tão gigante quanto os maiores. Malha! (Reparem no jogo de pés...)
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Para finalizar… na Brinka, enquanto a minha filha pagava a boneca, ainda tive tempo de comprar às escondidas um Playmobil da novíssima colecção do Egipto, por ser a verdadeira recriação do nosso Ibn-Marúan. E que bem que fica, altaneiro e insolente, no cimo da estante da minha sala…
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PS: No que diz respeito a dvds que nunca deixarei de procurar… ainda não desisti de deitar a mão aos brilhantes “Rumble Fish”(Juventude Inquieta) e “The Outlaws” (Os Marginais), ambos do mestre Coppola. O primeiro, um grito de revolta a preto e branco, a película que cristaliza como nenhuma outra toda a revolta de ser jovem e a segunda… uma ode à rebelião, uma passadeira dourada onde desfila em grande estilo toda uma geração de jovens actores que hoje dominam a Meca do cinema. Um dia… um dia… sei que vão ser meus e baratos!

Chhhhhhhhhhhhh. Apaguem as luzes!

O estranho mundo de... Tim


Ainda há dias regressei de Londres que visitei propositadamente para a exposição o último rei Azteca (era bom… era…) e já estou de malas aviadas para Nova Iorque a fim de explorar a deslumbrante exposição retrospectiva da obra gráfica de Tim Burton patente no MoMa (Museum of Modern Art).

Eu adoro Nova Iorque no Natal dos filmes e das séries de televisão e só isso já basta para me meter na porra do avião. Com este extra então… a Big Apple fica irresistível!

De todos os realizadores que me enchem completamente as medidas, Burton é o indiscutível número 1. Por mais que o Lynch, o Tarantino, o Kubrick, o Coppola, o Scorcese, o Payne me encantem… nenhum deles consegue provocar em mim o deslumbramento que renasce a cada nova obra do universo Burtoniano. Ainda há dias revi “The Corpse Bride” e voltei a ficar rendido à genialidade.

De forma que são mais de 700 peças, entre desenhos, pinturas, esculturas, filmes e afins, de um criador absolutamente singular que se move pelas diversas formas de expressão artística com o à vontade de quem sabe o que quer e o que tem de fazer para dar vida e forma aos mundos singulares que traz na sua imaginação.

Tim Burton representa o triunfo dos “nerds”, dos desalinhados, dos que vivem à margem, dos que não se rendem às massas e lutam pela diferença. Disse Rita Siza, a correspondente do “Público” nos States que “Burton nunca transpõe a linha do terror. Ele quer-nos impressionar, provocar e desafiar, mas não nos quer aterrorizar. Os seus monstros maravilham-nos, não nos metem medo. Podem ser horripilendos, mas dificilmente são maus; são sempre uma materialização de qualquer emoção com que nos identificamos. Há energia e destruição, mas também ternura e sedução. Ele sabe ser perverso sem deixar nunca de ser adorável”. Eu não podia estar mais de acordo. Burton é isso mesmo.

Que outro autor poderia ter uma exposição onde a porta “é a boca escancarada de um dos seus muitos monstros, mandíbula carregada de cones brancos, olhos escondidos, uma passadeira vermelha a fazer a vez de língua, empurrando as entranhas para as suas entranhas…”.

Ahhhhhh................................................................................. morri!

Nós, que somos pobres e vivemos longe, sempre nos podemos contentar com o magnífico site da exposição que nos dá uma overview bastante aproximada da grandiosidade desta mostra única. Andei a pesquisar a encontrei-a aqui. Merece um olhar atento. Quem é amigo, quem é?

E o clima? Olha... que se f...



Prostitutas dinamarquesas oferecem sexo grátis durante cimeira em protesto contra desincentivo camarário

Copenhaga, 05 Dez (Lusa) - Prostitutas dinamarquesas anunciaram hoje que vão oferecer "sexo grátis" aos participantes na cimeira da ONU sobre alterações climáticas, em Copenhaga, em protesto contra a atitude da câmara local de desincentivar o recurso ao sexo pago por parte dos conferencistas.

A informação foi avançada pelo jornal "The Copenhagen Post", que escreve que a autarquia local apelou a uma centena de hotéis da cidade para que não facilitem o encontro entre hóspedes e prostitutas, tendo ainda, em parceria com as entidades não-governamentais, distribuído panfletos em que se pode ler: "Seja responsável. Não compre sexo".
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A iniciativa autárquica não agradou a uma associação que defende os direitos das trabalhadoras de sexo dinamarquesas.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

8 anos de... Leonor

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A pequena fez ontem anos. 8 anos.

Já não é bem só criança. É assim uma menina com um pé na infância e outro na adolescência. As prendas que pediu dizem tudo: um cd com os artistas da moda da pré-juventude actual (Hannah Montana, Selena Gomez, Demi Lovato, Jonas Brothers e afins…) e o Hospital das Barriguitas!

Fala pelos cotovelos, está respondona, teimosa e até nisso é divertida. Adora andar de patins pela casa fora, ver o Disney Channel (ao qual está colada horas a fio… o dia inteiro se deixássemos) e tudo o que sejam livros, revistas, música, filmes, playstation e internet. Na escola vai bem embora já tivéssemos oportunidade de perceber que ainda não é desta que temos um cérebro a matemática na família. É muito sensível, feminina e emotiva. É vaidosa, distrai-se com muita facilidade, é muito carinhosa e mimosa. É muito bonita e parecida com a mãe.

Às vezes ponho-me a pensar do que seria a vida se ela não existisse, o para quê ter uma casa daquele tamanho todo. Eu sei que é errado viver em função dos filhos porque eles jamais quererão carregar o fardo dessa responsabilidade. Todos os casos que conheço assim terminaram mal. Cada um tem de viver por si, sempre o mais próximo que possamos uns dos outros, sem exigências ou cobranças, celebrando as alegrias, mitigando as tristezas, caminhando passo a passo, lado a lado.

Que bom que é poder desfrutar dela e vê-la crescer…

Neste dia feliz, de festa, lembrei-me de uma coisa que escrevi há uns anos atrás e permanece actual.



Marvão, 12 de Fevereiro de 2003


Há muito que a sua presença se pressentia entre nós. Foi como se a conhecêssemos de sempre. O tempo começou a passar de outra forma desde a manhã em que espreitámos a caixinha branca do teste até hoje, dia em que a sua respiração, suave como um murmúrio, aquece o quarto onde dormimos os três. Há sonhos que por serem tão queridos se tornam realidade. Este é um deles…

Se tivesse que escolher um momento, de entre os milhares de maravilhosos de que são feitos os nossos dias agora, seria aquele quando o sono lhe foge a meio da noite e nos procura num soluço perdido. Ao acendermos a luz, sorriem-nos aqueles dois olhitos pretos e chamam-nos os braços que de seguida nos afagam. Depois, procura o seu ninho e adormece descansada, com ar triunfante, entre nós dois, de mãozinha na cara, corpo aconchegado e pés enrolados.

Era para ter sido Laura ou Matilde ou um rapagão futebolista se Deus tivesse feito a vontade ao avô João Manuel… mas que fazer se tinha carinha de Leonor quando a vimos pela primeira vez numa tarde quente de Julho, no dia a seguir à prova final das Finanças, na ecografia feita num consultório moderno da capital. Nessa tarde apaixonei-me por um nariz… que só voltei a ver em Dezembro, já a noite ia longa, num hospital quase vazio onde os bebés chegavam pela Ortopedia por terem o seu piso em obras. Como custou a passar esse dia 2, em que tanto pensei sozinho, sentado ao fundo do corredor… Que longa se fazia a espera e que ansiedade me entrou quando a pediatra subiu e entrou a correr pela enfermaria adentro. Já passava das 23h. Eu ali não podia ficar. Fui sorrateiro de porta em porta, esgueirando-me pelas sombras do corredor. Não podia perder O momento por nada deste mundo, com ou sem autorização. Seria a hora da Cris? Já não era sem tempo depois de um dia inteirinho torcido entre contracções. Eu sabia que o preço a pagar era alto. Se me apanhassem era cartão vermelho certo.

Mas não me enganei. Espreitei e vi o reboliço de volta da cama. A Cris impando, o médico sentado num banco, de frente para ela, cabeça metida entre as pernas, armado em guarda-redes antes do penálti, estudando as contracções e as enfermeiras rodando de um lado para o outro.

Uma delas, a nariguda com cara de bruxa viu-me, virou-se e disse: “Doutor, está ali o pai”.

“E…”.

“Diz que quer assistir”.

“Não pode. Diga-lhe que não temos espaço. Não vê que isto aqui é muito apertado? Ele é muito grande e não cabe cá. Isto não é a pediatria, nem a maternidade…”.

Ela dirigiu-se a mim e disse com ar grave: “Não pode estar aqui”.

“Eu daqui não saio. Eu conheço os meus direitos. Daqui não me arrancam. Eu não perco isto”.

“Mas o Dr. diss…

“Deixe-o estar! Venha-me mas é aqui ajudar…”.

Viste! Ainda bem! E assim fiquei… sem direito a bata, luvas ou tapa-tapa na boca. Foi mesmo a seco e directamente dali, da porta do quarto que assisti a tudo o que me deixaram.

Depois… que o bebé era muito grande… que a mãe estava cansada de tantas horas à espera… que assim não saía… que já era tarde para a cesariana… até que… “tragam os ferros!”.

“Os ferros?!?!?”, pensei para comigo. “Então mas isto é assim? Os ferros? Vão ferrar alguém?”. Os ferros eram uma torquez enorme que estava lá na prateleira de baixo de um armário. “Vão arrancar a minha filha com aquilo?”. Já me começava a faltar o ar…

Nesta altura brilhava uma piquena que devia de ser especialista em saltos (até tinha uma bata de cor diferente) que se atirava dum tropeço colocado ao lado da cama para cima da barriga da Cris quando recomeçavam as contracções. O médico ajudava ao baile: “Força Fernanda. Força que é desta. Força Fernandaaaa!”.

Ainda estive para lhe dizer que ela prefere que lhe chamem Cris mas cala-te boca!, não fosse o gajo dar o dito por não dito.

“Força, força… fooooorçaaa…” e olha! já se via a cabecita a querer sair quase, quase, quase e depois, se há coisas bem feitas na vida, uma delas foi aquela tesourada, tão atempada e certeira que a fez desaguar num instante cá para fora. Ai eu… que só pensava, “Não ma estrague que só tenho essa…”.

A cara de tranquilidade da Cris… Já imaginaram aquela cara? E eu sem saber o que dizer no meio de tanto sangue, tanta alegria e tanta confusão, valha-me Deus que isto não são coisas para homens, porra! Se fossem, Deus tinha-nos escolhido para podermos parir também e toda a gente sabe que nós não podemos.

Eis então que surgiu ela, dessa torrente de fumo e calor, até que aterrou cega pela luz nos meus braços, ainda a cheirar ao ventre da mãe. Os olhos… pareciam dois infinitos que me fitavam e varriam corpo e alma. Jamais esquecerei e é certinho, de cada vez que a memória me leva de volta a esse momento, todo eu tremo por dentro. Uma filha… minha… carne da minha carne, sangue do meu sangue, como um “eu” novo em ponto pequeno.

Deixei então de estar só dentro de mim para estar sempre comigo e também onde ela está.

Seguiu-se a aventura mais maravilhosa das nossas vidas com a chegada a casa, as primeiras refeições, os primeiros banhos, as primeiras toilettes, os primeiros medos… a responsabilidade. Bem digo que o tempo deixou de ser o tempo que era porque parece sempre que passaram anos mas também parece que passou a voar. Estranho…

A Leonor é assim… um sopro enorme de vida que nos faz rodar a todos. É tanta coisa junta que não se explica. Antes se suspira. A Leonor nunca foi muito de bonecos que adora pisar. Prefere o comando da televisão que quer sempre devorar, o teclado do computador, a máquina de lavar, o secador, o telefone e sobretudo os telemóveis. Recordista mundial de destruição de revistas (7 segundos!), é também atleta da chupeta de nível 2, com um domínio quase insuperável.

A Leonor é essa força gigantesca que nos consome e nos impele. É uma delícia que já anda e fala e se move com perícia em raides aéreos às esquinas dos móveis. “Eh quéi. Eh nã quéi!”. “Ah pá, Ah ma, ah ga”. Gostas? “Gó, gó, gó”. O Som da vaquinha dos pacotes de leite, o gatinho do livro, o cão, o pastor do quadro da casa da avó e o carrapito da Dona Aurora. Como faz o passarinho? Um “pi, pi” nervoso e estridente. Mal sabendo falar, ensinou-nos a soletrar e-s-p-e-r-a-n-ç-a a tantos que quase tinham esquecido o som da palavra. Vejo-a assim, montada nos baús ou a sprintar por entre os sofás. “Eu quéi”. Dizia que se chamava mãe. O banhinho com a bonequita Alice, o genérico das notícias da SIC, a senhora despida que toma duche no anúncio do Fa e o boletim meteorológico. Gosta de lavar os dentes e meter as gotas na vista como o pai, gestos diários que conhece ao pormenor depois de estudados com minúcia, com aquela carinha de espanto, cabecita inclinada para o lado, boquita aberta e olhitos sempre ávidos de tudo o que seja novo.

O calor de uma manhã fria de Sábado, a respirar juntinhos debaixo das mantas. A adorá-la…

Já tem um namorado que é só uma cabeça e mora na loja das tias da Beirã, dentro do armário do pão. Chama-se Boomer e foi em tempos um recipiente de chupa-chupas. É um gosto vê-la chegar e correr direitinha para o balcão gritando “eu quéi, eu quéi” e só pára quando vê a cara em cima do balcão, para de seguida lhe dizer o “Olháa” mais terno do mundo. Dá espectáculo garantido onde quer que vá, seja a tocar corneta na casa da Vó Zhira, no consultório do pediatra ou no Modelo, onde teima em arrancar das prateleiras tudo aquilo a que consegue deitar mão, sejam cassetes de vídeo, sacos de pão ou garrafas de lixívia. Quem é que é capaz de resistir a uma coisinha assim?

Dou por mim a querer para ela aquilo que sempre ouvi dizer que queriam para mim.

O que desejo mesmo é que seja feliz e saiba sempre luzir aquele sorriso contagiante que tem desde que chegou e é a sua imagem de marca. Li numa moldura que “Alguns procuram a felicidade. Outros criam-na”. Eu sei que a felicidade existe. Tem duas perninhas e até já sabe dizer que a primita que vem a caminho se chama Maria e está dentro da Tia Paula.

A vida há-de passar e fazer dela o que quiser. Só Deus sabe. Nós sabemos que não pode ficar sempre assim, mas esta Leonorzinha de palmo e meio há-de ficar gravada a fogo e guardada no cantinho mais bonito dos corações de todos aqueles que já conquistou.
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Ficará no meu também, como a melhor coisa que já me aconteceu na vida.
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Ela faz tudo valer a pena!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

II Meia Maratona da Independência - A por ellos...


Já é oficial, meus amigos!

Depois do negativo no controlo anti-doping que apenas registou um iogurte líquido e quatro bolachas de água e sal (nada de barras energéticas ou substâncias potenciadoras, tudo ao natural…), já se pode anunciar ao mundo o nome do vencedor da 2ª edição da Meia Maratona da Independência que decorreu entre Santo António das Areias e Valência de Alcântara: nada mais, nada menos que o próprio fundador… Pedro Sobreiro, ou seja, o Tio Sabi, o mesmo que será dizer.. Eu próprio!

Eina pá… mas foi duro!

Se bem se recordam, esta meia maratona foi inaugurada no ano passado com o intuito de comemorar a data da independência de Portugal, honrando o acto de bravura dos nossos conjurados (quem come muito queijo pode recordar essa iniciativa única clicando aqui) e neste ano, como não podia deixar de ser, cumpriu-se a tradição.

No que diz respeito a novidades, devemos desde já registar o enorme número de inscritos entre os quais contavam grandes nomes do atletismo internacional vindos dos quatro cantos do mundo que acabaram por desistir em bloco assim que se aperceberam da dificuldade do percurso e sobretudo da agreste adversidade das condições climatéricas. Fartei-me de rir junto à roulote dos etíopes, com eles todos lá dentro enroladinhos num edredão quentinho, a beberem chocolate quente e mesmo assim, a baterem o dente. Pobrezinhos… Eu, cá fora, enquanto arrancava tufos de pêlos do peito, armado em Tarzan, gritei-lhes: “Isto aqui é só para homens e os verdadeiros não são os que comem o mel mas antes os que trincam as abelhas! Para que conste!”.

Foi portanto, uma cavalgada heróica e solitária, sempre debaixo de uma “chuvinha molha parvos” que eu, por razões óbvias, prefiro chamar de cacimba. 2/3 do percurso foram debaixo de molho e só após passar o sítio histórico denominado Tabarin, agora Património da Unesco, o tempo levantou um pouquinho.

Meia maratona sempre são 21 quilómetros, cerca de duas horas a correr e é sempre com indisfarçável orgulho que se corta a meta mesmo que seja imaginária e deixe os velhinhos que estavam sentados no muro do Jardim de Valência a fumar, de boca aberta com os festejos.

Eu sei que não é normal ver um gajo a correr com estas intempéries (se vissem as carinhas de espanto dos automobilistas quando passavam…) mas se soubessem o prazer que dá vencer-nos a nós próprios e sentirmo-nos vivos e em forma… Ahhhh… Não tem preço! E o duche retemperador de águinha quente depois? E a roupa quentinha? E o almocinho a preceito? E a tarde no conforto do lar, a ver chover?

O diploma de vencedor deste ano já está na parede da sala de jantar. Amanhã começo os treinos para a edição do ano que vem!


N.A.: O gerente agradece à Nike Portugal e à Decathlon por terem vendido os equipamentos precisamente ao mesmo preço do público em geral. Bem hajam!