quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ó Flááááávia... Não fáis anssim...


Eu não resisto e acho que é justo. So help me God.

Primeiros: a Playboy não é uma revista qualquer.

Segundos: a Playboy é uma instituição.

Terceiros: a Playboy é um império que tem franchisings em todo o mundo. Essas sucursais, chamemos-lhe assim, têm a função de adaptar o conceito-chave da casa-mãe à realidade do público-alvo. É esse o motivo pelo qual a edição chinesa é distinta da portuguesa (a primeira tem de ser obviamente lida de lado…), e a americana é diferente da russa, se é que me faço entender.

Já aqui tenho dissertado sobre esta publicação, por aqui rejubilei sobre o nascimento da versão portuguesa, mas nunca é tarde para reafirmar a minha devoção.

Preconceitos à parte, eu defendo que a Playboy deveria ser respeitada tanto por homens como por mulheres.

Os homens deveriam louvá-la pela razão óbvia que a revista lhes proporciona o prazer de poderem admirar o que mais gostam. As mulheres poderiam ao menos simpatizar porque a Playboy lhes presta contínua homenagem em cada nova edição e as reconhece sempre como o ser mais maravilhoso à face da terra, que são.

E já nem falo na qualidade excelsa dos grafismos, nas belíssimas reportagens, na profundidade das crónicas e dos cronistas, nos divertidos cartoons, até no papel que cheira bem, enfim…

Somos todos crescidos. Deixemo-nos de parvoeiras. Falemos verdade e esta verdade, meus amigos e amigas… é absoluta.

Quando compro uma Playboy no meu dealer habitual (viva Sr. Engenheiro!) nunca espero que as clientes ao lado me vejam como um depravado. Enquanto pago, gosto de me recordar de memória o slogan… “para o homem sofisticado…”. Sim...

Tudo isto a propósito da edição de Natal da Playboy Brasil (de longe a minha sucursal favorita!) e o… eu nem sei como hei-de dizer isto… sublime vá lá, ensaio com a Flávia Alessandra.

E vocês exclamam todos em coro: “Flávia Alessandra?!?!? Mas quem raio é a Flávia Alessandra?”. E eu respondo: “Ah… pois é, bebés! A Flávia Alessandra parece que é uma actriz… das novelas… que dão na nossa televisão… e vocês… se calhar… nunca tinham visto assim…”.

Olhem… eu não sei… mas fiquei… deveras impressionado, com pena de não ser brasileiro e receitei-me 500 chicotadas auto-inflingidas por me armar em snob e não ver novelas.

DEUS, Ó DEUS!!! MAS ONDE É QUE EU TINHA A CABEÇA?!?!?!

Sei que posso ser preso por isto, mas que se amole! Pelo menos… é por uma boa, melhor, por uma excelente causa. As fotos estão aqui.

Só mais uma coisinha 1: Caso a detenção se confirme, tenciono voltar a fumar. Se quiserem levar alguma coisinha na hora da visita, informo que vou recomeçar com os Lucky Strike que não eram os cigarros que sabiam melhor mas davam-me uma auto-confiança brutal de cada vez que sacava do maço.

Só mais uma coisinha 2: Um grande abraço / beijo de saudades a todos os bons amigos que deixei no Brasil, Robson, Bia, Lucy e toda a comitiva que nos visitou. Bateu saudade...
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Só mais uma coisinha 3: Já agora… se não nos virmos… Boas saídas e melhores entradas (sempre a fazer peão!). Feliz 2010!

Rockfolio 2009

Se tiverem um tempinho, não deixem de passar pelo sempre excelente site da Rolling Stone para poderem admirar a galeria das 153 fotos mais selvagens do Rock em 2009.

Oportunidade para verem a nossa Amy a tripar em topless numas férias tropicais…


Ou o lendário Robert Plant a perguntar ao Carlinhos de Inglaterra se tinha mortalhas ou "fazia um", enquanto este lhe entregava a medalha de cavaleiro do reino,


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Ou o Billie Joe e o Tré Cool dos Green Day a chegarem-se à frente e encarnarem as personagens que dão corpo à imagem do seu mais recente longa duração, o excelente “21st Century Breakdown”…


Ou o nosso Obama a condecorar o Boss e o Grande De Niro em plena Casa Branca,


Ou os Pearl Jam no raro papel de fãs, posando com o já mítico Conan O’Brien após a sua estreia à frente do “Tonight Show” da CBS (Em Portugal, na SIC Radical, sempre com umas semanas de atraso…),


Ou o Bono e o Adam Clayton a dizerem que… prontos… são muito amigos de infância.


É um quarto de hora que vale mesmo a pena e está aqui.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O "tal" estandarte

Ficou lindo, não ficou?


Com a azáfama toda dos últimos dias, esqueci-me de vos contar que também eu aderi à moda do estandarte do menino Jesus, embora não tenha resistido a fazer-lhe uma ligeira adaptação…

Contaram-me que os originais, os bentos, os que têm o selo da Igreja Católica são caríssimos (uns exorbitantes 15 euros!!!). Valha-nos ao menos, em tempos de crise, os que têm a bênção das 300 lojas do chinês de Portalegre que os vendem bem mais em conta, por pouco mais que 5 euros.

Eu decidi-me pelo meio termo e afixei o preço de cada exemplar dos meus nuns psicológicos 9,99 €, para ver se convenço o pessoal.

Trata-se de uma obra de design que de tão perfeita quase parece um plágio… mas não é! O Andy Warhol que quase só se limitou a colorir imagens da Marilyn e do Elvis foi consagrado, por muito menos, como Rei da Pop Art, pelo que…

O meu estandarte do Menino Jorge Jesus, criado a partir de um sonho que tive na noite em que esmagámos o Porto, é uma homenagem, não só ao J. Cristo mas também aos 4 pontos de avanço que fizeram as delícias do nosso Natal encarnado.

Já tem o seu?

Aceitam-se encomendas. Fazemos entregas ao domicílio. Comprem já antes que esgote.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Balanços

Chegados ao final de mais um ano e de uma década, não faltarão os balanços de toda a espécie.

Alguns deles, para além de obrigatórios, são gratuitos. O Tio Sabi recomenda a selecção das fotos que contam a história de 2009, no site do Expresso (os meses serão adicionados na íntegra até 31 de Dezembro)…
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e a história da década em 100 fotografias pela agência Reuters, no site do Público.

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De coleccionador é também a “Visão” da semana passada, inteiramente dedicada à última década num trabalho de fundo e de grande rigor e espectacularidade.
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Na próxima quinta-feira será a vez do Expresso fazer o seu apanhado dos anos 00. É de reservar já no dealer habitual sem pensar duas vezes.

Quem é amigo, quem é?

Vendo o mundo de binóculos do Alto de Marvão. Informação, cultura e variedades desde 2007.

Festas Felizes


(Aqui em casa, o Jack Skellington é o rei absoluto e indiscutível da quadra desde que trancou o velhinho das barbas brancas e as renas na arrecadação...)


Reconheço que o timing pode não ser o ideal mas de qualquer das formas, este blogue primou sempre pela diferença e nos últimos dias, todo o tempo foi pouco para a família e amigos.

Ainda assim, mais vale tarde do que nunca pelo que aproveito a ocasião para desejar a todos(as) os(as) leitores(as) e amigos(as) a continuação de Festas Felizes (não se esqueçam que o Natal dura até aos Reis…) e um excelente ano de 2010.

Tempos uma década novinha por estrear! Que haja saúde que no resto… a gente desenrasca-se!

Abraço a todos!

(Em particular a todos os amigos e amigas que pelas mais diversas formas, via postal, e-mail, sms ou pombos-correio, me fizeram chegar os seus votos. Bem hajam!).

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

“You Tube” – 2009 d.c.


Há muito que o “You Tube” deixou de ser apenas mais um site.

Considerado por muitos como o futuro imediato para a televisão convencional, esta plataforma electrónica perante a qual o espectador tem a total liberdade de decidir quais são os conteúdos que mais lhe interessam e de criar a sua própria programação, é já uma referência incontornável dos nossos tempos.

Um fenómeno desta dimensão é sempre suficientemente profundo e revolucionário para provocar ondas de choque irreversíveis.

Uma das consequências que estão associados a esta nova coqueluche é o fabrico de estrelas que têm tanto de importantes quanto de efémeras.

Tudo isto a propósito dos 3 vídeos mais vistos no “You Tube” no ano que agora cessa.

Em primeiríssimo lugar ficou a actuação da então ilustre anónima Susan Boyle no programa “Britain’s got talent”, no qual interpretou o tema “I dreamed a dream” do musical “Les Misérables” que de tão visto dispensa qualquer exibição extra. Somou 120 milhões de visualizações!

Em segundo lugar, com 37 milhões de plays ficou um vídeo bastante curioso de uma criança de que se deu muito mal com a anestesia do dentista. O líquido bateu-lhe mal e o jovem, ainda combalido e mal chegado ao carro do pai, foi apanhado numa trip filosófica onde chega a questionar se a vida real é de facto assim e se a “nóia” lhe irá um dia passar. A era “You Tube” é cruel e o papá, em vez de apoiar e tranquilizar o petiz, vampirizou-lhe o relato alucinado que fez a delícia de milhões, nos quais obviamente me incluo.
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Não menos alucinados são os padrinhos, as damas de honra e os próprios noivos Kevin e Jill que optaram por uma entrada bastante original na capela, no dia do seu casamento. Preteriram a já batida “Marcha Nupcial” em favor do “hit” Hip Hop “Forever” do rapper Chris Brown e foram estrelas de uma inusitada coreografia que encantou 33 milhões de visualizações.

Impressionante, ãh?

El Diós



Assisto embevecido à sentida homenagem cinematográfica que mestre Kusturica dedicou a Diego Armando Maradona e constato com regalo que todas as minhas convicções tinham afinal fundamento.

“El Pibe” foi mesmo o maior futebolista de todos os tempos.

É certo que nunca assisti a um jogo completo dos seus eternos rivais pelo título, Eusébio ou do Pélé (habituei-me a ver as mesmíssimas imagens e os tais golos de sempre…), mas estou certo que por mais talento, velocidade, visão de jogo ou capacidade concretizadora que tivessem, nenhum deles atingiu a dimensão do argentino.

Maradona foi o verdadeiro jogador Rock’n’Roll.

Carismático, revolucionário, indomável, demolidor, incendiou os estádios e as ligas por onde passou, elevando o futebol ao patamar máximo da insurreição.

Apesar da sua baixa estatura, quando enchia o peito e olhava o adversário de frente, todos sabiam que ninguém o podia parar. Todo ele era magia, convicção, luta, determinação e poder.

Maradona foi um dos maiores heróis do meu tempo, um ícone moderno, sempre digno na glória dos golos e no inferno das drogas, nunca deixando de viver de coração aberto, com as forças e fraquezas a saltarem-lhe do peito.

Os outros têm fãs. Os dele… criaram uma religião. Deus no céu… Maradona na terra.

Imperdível!
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Extracto do filme/documentário no qual o astro sobe ao palco para, acompanhado pelas filhas, cantar o tema que os adeptos lhe dedicaram. As enternecedoras imagens de fundo são do arquivo pessoal do craque
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Trailer oficial

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Um banho de… classe!


Apesar de desfalcado de alguns titulares preciosos e indiscutíveis (Pablito Aimar, Fábio Coentrão, Angel Di Maria…), foi um Benfica guerreiro, de luxo e com estofo de campeão, o que brilhou nesta noite fria da Catedral frente a um Porto que foi incapaz de explanar o seu futebol, totalmente asfixiado pelo mérito do anfitrião.

Foi preciso muito suor, muita garra e muita dedicação para conseguir levar a também muita água que caiu na capital ao nosso moinho e poder arrecadar os 3 valiosos pontos que estavam em jogo. Custou mas foi!

E já nem vamos falar no penálti claríssimo que foi perdoado ao rapaz que foi para o Porto para poder ganhar tudo (tão fraquinho que eu nem sequer já me lembro do nome…), nem no cartão vermelho directo que lhe foi perdoado aquando da entrada duríssima sobre o Javi Garcia. Mas enfim… equipas como a nossa dão a volta mesmo sem essas coisas.

O Pai Natal deve ter a casa cheia com cartas de meninos do Benfica que pediam isto de prenda no sapatinho… ganhar aos morcões em casa! Pela parte que me toca… bem haja. Soube tãããão bem.

Hoje vou antecipar a minha reportagem que vai ser publicada amanhã na Bola, a convite do director Vítor Serpa e vou postá-la aqui em primeira mão para todos os meus estimados leitores. Então sendo assim… de 0 a 5:

Quim - (4) - Este homem tem a particularidade de me fazer tremer todo por dentro de cada vez que tem de jogar a bola com os pés ou sair dos postes a um cruzamento. Logo no início, teve um pontapé de baliza daqueles que são a sua imagem de marca, dos que nem sequer chegam ao meio-campo adversário, direitinho para um gajo do Porto, o que lhe valeu um ralhete de Jesus, filho de Deus. Depois endireitou-se e melhorou. Esteve ao melhor nível ao parar um remate fortíssimo do Álvaro Pereira. Quanto menos aparecer… melhor.

Maxi Pereira - (4) - Está raçudo, combativo e é um pilar fundamental quer na defesa, quer nas movimentações atacantes benfiquistas. Está certinho, lutador, veloz… é um gosto. Falhou num corte traiçoeiro em que isolou o Falcão mas compensou porque foi muito inteligente no lance do golo, quando permaneceu imóvel em cima da linha de golo para não influenciar negativamente os juízes da partida. Ao não interferir na jogada garantiu a legalidade da sua posição e ao não comemorar o tento encarnado evitou que lhe apitassem o fora-de-jogo. Com o poder da pressão de um jogo destes, bastava um movimento mais brusco para levar o fiscal a levantar a bandeirola. Muito bem.

Luisão – (5) – O patrão absoluto e indiscutível da defesa encarnada. Só por magia é que um matulão com quase 2 metros consegue jogar futebol como se tivesse a dançar ballet. Cada vez que penso que foi vaiado quando chegou à Luz… Faça o que fizer, já conquistou o seu lugar no panteão dos grandes defesas benfiquistas (ao lado do Mozer e do Ricardo e…).

David Luiz – (5) – O menino está feito num Senhor Jogador. Uma verdadeira máquina infernal! Este nem os deixa pousar em ramo verde… Teve uma actuação imaculada. No final agradeceu aos adeptos e beijou o símbolo na camisola. Parte-me todo…

César Peixoto – (4) – Como é que um homem que partilha a cama com a bomba da Diana Chaves consegue jogar a este nível? Este é um dos grandes mistérios da natureza que actualmente me fascinam. Competente e concentrado. Para mim já ganhou a titularidade.

Javi García – (5) – Qualquer cabrão que se atreva a passar do meio-campo com a bola nos pés já sabe que tem de levar com ele. E se ele não perdoa! Duro, rijíssimo, todo-o-terreno, Javi é o homem que tranca com chave de ouro a porta da defesa benfiquista. Impecável!

Ramires- (5) – Um mouro de trabalho que deu tudo pela equipa como de resto, sempre faz. Mesmo depois de bastante lesionado por uma entrada duríssima de Fucile, não baixou os braços e voltou ao jogo, do qual só saiu em lágrimas quando percebeu que lhe era impossível continuar. Fossem todos assim…

Carlos Martins – (4) – O Benfica bem precisava deste Martins dos velhos tempos. Foi muito, muito bom enquanto durou e se ele deu tudo… Provou que é opção e que podemos contar com ele. Só por isso já valeu!

Urreta – (4) – A grande surpresa do line-up inicial também esteve à altura da titularidade e fez uma primeira parte de grande nível. Em grande a defender, certinho nos passes, voluntarioso nos ataques. Nota mais. Saiu rebentado pelo desgaste e pela falta de rotação.

Saviola – (5) – O conejito é a minha coqueluche do actual plantel. Vê-lo jogar é uma delícia... Começou por ensaiar uns raides pelo meio da defesa adversária, só para a experimentar e assim que teve a oportunidade nos pés, espetou-lhe um tiro que só parou no fundo das redes do Helton. Depois foi perdendo visibilidade mas andou sempre por lá… O seu trabalho já tinha sido feito. E que bem!

Cardozo – (2) – Não me venham cá com histórias que estava desapoiado e muito sozinho... O Cardozo de hoje não foi o “Cardozo Matador”, foi o “Cardozo menina Adélia”. Que cabra! Não ganhou os lances, não fez posse de bola, não chutou direito e até o remate de baliza aberta antes do golo do Saviola ele falhou! Dass… Se eu mandasse, passava o Natal trancado numa das arrecadações da Luz a ouvir o último cd do José Cid e a comer apenas couratos fora de prazo. Sem direito a minis!

Luís Filipe – (3) – Entrou bem e estorvou. Pelo menos não comprometeu.

Felipe Menezes – (2) – Este ainda não me convenceu. Falhou o penálti contra os gregos e no jogo de hoje, pouco se viu. Ou mostra mais raça e capacidade ou será um belíssimo reforço para uma equipa satélite. O Braga, por exemplo.

Weldon – (3) – Este entrou bem melhor, com vontade, com velocidade e sempre ganhou uns cantos. Era para levar 2 pontos mas como pediu força às bancadas perto do fim, que é uma coisa que me derrete sempre (o que eu gritaria se lá estivesse…), leva mais um.

Foi excelente, caraças!

O Natal assim até é bem melhor!

Boas Festas!

Nota 1: Um adepto do Porto tinha um cartaz que dizia: “Acima de nós, só Deus”. Estava capaz de lhe oferecer um a dizer: “E o Benfica e o Braga, qualquer uma com mais 4 pontos…”. Tótó!

Nota 2: Durante a confecção desta crónica, tive oportunidade de ouvir o Professor Jesualdo a dizer na sala de conferências que “não fomos suficientemente maduros e inteligentes para podermos estar à altura das expectativas”. Ai que bem que fala o homem…

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Deus ou a mulher?


Claro que não perdi o happening televisivo do momento, a reportagem da jornalista Mafalda Gameiro que incluía uma entrevista com o Padre Rui, o tal que fugiu com a paroquiana que lhe fazia as vezes de secretária e pelos vistos… de mais alguma coisa.

O rapaz defendeu-se bem. Todos nós sabemos que nos seminários falta mesmo muita coisa mas a formação é sólida e isso saltou à vista. Ponderado, bem falante, expôs com clareza os motivos que o levaram a tomar a solução de ruptura que fez as delícias da imprensa nacional.

A cachopinha já me pareceu muito apagaducha, insonsa, sem grandes certezas mas enfim… com 18 anitos, também não se podia esperar que fizesse revelações supreendentes.

Disse então o nosso Rui que estava cansado de umas ameaças que lhe andavam a fazer… Um dia acordou com uma faca e um alguidar à porta de casa e como engraçava com a piquena sua aia, passou-se e lançou-lhe o repto de darem o salto.

A peça jornalística está muito conseguida e chegou até a tocar naquele que é o ponto-chave de toda esta questão: o celibato dos sacerdotes.

Eu tenho o maior respeito por todos os credos e pelos profissionais da fé e não quero andar aqui com Saramaguices mas a verdade é que o celibato é uma estupidez do caraças e os padres, todos e sem excepção, têm de andar rebarbados. Rebarbados e amordaçados e recalcados e oprimidos.

E porquê? Porque os padres não são estrumfes, não são seres assexuados que vivem felizes nas florestas. Os padres são homens, caraças! E não há crença, divindade ou amor a Deus que os consiga fazer esquecer essa sua condição humana. É impossível isto não seja verdade.

Aprendi nas aulas de Antropologia do meu querido Professor Pereira Neto que o homem é um animal que tem uma camada de verniz cultural. Quando o verniz estala é o c******! Vemos isso acontecer todos os dias… no trânsito, nas notícias… e no meu caso, nos últimos jogos do Benfica com o Di Maria a jogar daquela maneira absurda. Os padres também são assim: querem parecer sem maldade como os querubins do altar mas lá por baixo são como os outros homens todos com vísceras, carne e muito pêlo. Para além do órgão da igreja têm órgãos sexuais, têm hormonas, têm um coração que bate e sendo assim… o óbvio tem de se levantar (não sei se me faço entender).

E mesmo que queiram resistir e renegar essa sua masculinidade, nunca o conseguirão fazer na íntegra. Eles não dizem que são contra os “homens sexuais” porque o que é natural é o homem amar uma mulher? Então! Se isso é verdade para os outros, porque não para eles?

Eles vêm televisão e cinema. Mas alguém acredita que vejam aqueles filmes americanos com altos mulherões e assobiem para o lado, comentando uns com os outros nas casas paroquiais… “eh… coisa do Demo! Cá a mim, vê-las assim desnudas causa-me cá um horror… Vá de retro!”. Ah… Balelas!

Ainda por cima neste nosso tempo em que o corpo da mulher nú aparece em todo o lado… nos anúncios publicitários, nos classificados dos jornais, nos frascos do gel de banho, nas revistas do coração, nos banners da internet… Mesmo que finjam que não vêem, a mensagem subliminar sempre passa. Passa e fica, disso vos garanto.

E vamos supor que o padre em questão tem um controle em si mesmo absolutamente fora do normal. É cerebral, concentrado e tem um mecanismo interno em que debita “avés marias” em velocidade cruzeiro assim que toca o alarme interno de “gaja à vista” e a afasta do pensamento. Mas e os sonhos? Os sonhos, por Deus! Quem é que controla os sonhos? Se os meus sonhos fossem visionados por outras pessoas já me tinham vestido um casaco daqueles brancos com umas correias nas costas e já me tinham levado dentro há muito. Mas eu tenho desculpa, porque os sonhos, simplesmente não se controlam. Por exemplo, nas maratonas cinéfilas que tenho feito por estes dias saborosíssimos de férias, consegui finalmente arranjar tempo para ver o fabuloso “Black Hawk Down” que o meu irmão me vinha aconselhando há anos e retrata o dramático confronto entre rangers americanos e os guerrilheiros de Mogadíscio. O filme é de tal maneira violento, intenso e brutal (digno de ir direitinho para o lado do “Apocalypse Now”, do “Platoon” e do “Nascido para matar”, os melhores filmes de guerra de sempre) que já sei que vou levar a noite inteira a sonhar com resmas de pretos em tronco nú, de óculos escuros Ray Ban e com uma canhota nas unhas a entrarem-me pelo quarto adentro aos gritos. Percebem o que vos digno? Eu li o Freud. O Freud já me salvou e com ele aprendi que os sonhos são tramados e selvagens e ninguém, nem mesmo os padres mais puritanos, estão livres de levarem a noite inteira a sonhar que estão hospedados na Mansão da Playboy e que a Miss Arkansas e a Miss Tenessee lhe vão levar o pequeno almoço à cama vestidas apenas com umas penas e um par de brincos.

E imaginem que há uma paroquiana tão sensual que parece que os anos não lhe passaram por cima… uma que sorri sempre de forma suspeita… E a outra que tem um perfume matador? E que dizer da cachopinha roliça que depressa se fez mulherão e não larga a sacristia? Pois é…

O tempo do Salazar já lá vai. O tempo em que o seminário era garantia de uma educação melhor que só assim se podia alcançar já passou. Com o nível de vida actual, com a informação que circula vertiginosamente à nossa volta, não é de estranhar que os jovens queiram cada vez menos ser padres. Quem é que cai numa dessas? Basta o handicap de não poderem ter uma mulher para viver a seu lado que fogem logo a sete pés. Compreende-se…

A Igreja é egoísta porque não deixa os padres amarem outras pessoas. É só Deus e prontos.

Será que o celibato faz deles melhores homens, melhores pastores, melhores sacerdotes? Não creio. Antes pelo contrário. A possibilidade de serem chefes de família, maridos e pais, dar-lhes-ia uma visão muito mais abrangente da vida, com uma outra densidade, com maior profundidade e isso seria certamente benéfico.

Então porquê meterem os homens de castigo, caraças?

Mas cabe na cabeça de alguém que uma pessoa vá pedir conselhos amorosos a um padre e ele tenha a lata de os dar? Eles não percebem nada da matéria!

O argumento que a ideia do celibato veio de Jesus Cristo, para além de descabido, também já não cola. Toda gente sabe que o homem teve companheira, o que de resto não admira porque charme e magnetismo pessoal certamente não lhe faltariam.

Eu não sou nada Zandinga mas tenho cá metido que ou a Igreja abre mão desta parvoeira do celibato ou em breve nem com mulher lá os apanham.

E também podia aqui falar que sou a favor das padras, das mulheres-padres, porque elas fazem tudo melhor que nós, à excepção de trabalhos de força bruta e bricolages. Mas essa é uma guerra para depois. Com esta já eu tenho a fogueira garantida.

Quanto ao Rui, desejo-lhe felicidades e que não se arrependa. Pelo menos foi digno e honesto. Deu a cara e assumiu. Não fez como muitos outros que as pregam pela calada ou então ainda pior, abusam de inocentes que estão à sua guarda.

Como diz o da RFM… talvez valha a pena pensar nisto.

Nota 1: Só espero que os padres que são meus amigos não se zanguem comigo. Eu não quis ofender ninguém, quis apenas “Speak my mind” como dizem os americanos. E depois, se um gajo não tem um blogue para estas coisas, quere-o para quê?

Nota 2: A liberdade é uma grande coisa mesmo. Imaginem este texto na Idade Média… Já tinha o cabrão do Torquemada à perna. Que se amole!

Vem aí a outra Alice

Desconfio que 2010 vai ser o ano das Alices.

Estou maravilhado.