quarta-feira, 12 de junho de 2013

O Domingos é cavaleiro

O facebook é poderoso mas é volátil. Tenho a impressão que aqui no meu blogue as coisas são mais perenes. Pode ser impressão minha mas aqui, ficam. Posso estar armado em carapau de corrida mas eu sou o gerente desta taberna e os clientes habituais já sabem o que a casa gasta. E voltam cá!

Ontem passei por lá e dei com a publicação da minha amiga Isabel Bucho que dizia “Em nome do Domingos, obrigada a todos os que aqui e de outras maneiras nos deram os parabéns. É bom ver o trabalho reconhecido, estamos felizes.”


Claro que carreguei no botão gosto e tive de meter uma perninha: “O meu orgulho é enorme. Eu que sou da ralé, tenho a sorte de ser amigo de um condecorado pelo presidente da república. É uma honra minha. É uma distinção merecidíssima para ele e pelo seu trabalho. Eu, Pedro Sobreiro, sou amigo de um Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique. Eu, que não tenho cavalo nem burro (tenho apenas um Renault Twingo azul comprado em 2ª mão) sou amigo de um cavaleiro! UM CAVALEIRO! Detesto pés descalços e gentalha sem nível. Muitos parabéns Domingos! Assim que tiver tempo vou escrever sobre este assunto no meu blogue e darei notícias aqui no facebook. Assim que puder… vou-lhe dar aquele abraço, campeão!"



A Isabel agradeceu: "Amigos, muito obrigada a todos, é bom ver que partilham a nossa alegria. (…) Pedro Sobreiro, as suas palavras são sempre do coração, obrigada."

Bem haja. Bondade sua, minha querida. Mas digo mais aqui no blogue, Isabel: o Domingos Bucho não serviu para quem manda aqui no concelho de Marvão. Foi encostado. Foi metido de lado. Elvas reconheceu as suas capacidades e agora estão à vista de todos. Até do órgão máximo do nosso país que percebeu bem isso. Não serve para uns mas serviu para outros e aqui bem perto.

E a candidatura de Marvão? Alguém a viu por aí?


segunda-feira, 10 de junho de 2013

A ternura dos 40



Completar 40 anos não é o mesmo que completar 30, ou 20, ou menos.

Completar 40 anos de vida é um marco e por isso reuni algumas das pessoas que mais amo no mundo para estarem nessa data junto a mim. Não estiveram todos mas essa era uma tarefa impossível de alcançar. Alguns não puderam estar presentes por motivos de distância ou porque trabalhavam nesse dia. E eu sabia muito bem que não podia convidar todos os amigos que queria. Eu queria que a prenda fosse a presença de todos mas sabia que não podia. Era grande demais! L

Os meus pais não me deixaram grande fortuna. Não ganhei muita riqueza material. Mas aprendi quase tudo com eles. A fortuna imaterial, a que se aprende, é tão valiosa que vale muito daquilo que sou hoje. Essa, tudo potencia. Os valores importantes da vida que me ajudaram a uma longa carreira como aluno e me fazem grande parte do homem que sou hoje, vieram deles. Voltando há ideia que aqui aprendi (e defendi) há dias com o Luís Represas que comparou a vida de um homem a uma casa; ontem comecei a construir um piso novo, o dos quarenta. Mas as fundações, os alicerces que são a infância são fortíssimos e de uma resistência anti sísmica, se é que me faço entender. O amor que senti dos pais, do meu irmão, das minhas tias, madrinha e avós na infância são valiosíssimos. Não há dinheiro que os pague.

Entre muitas coisas aprendi com os meus pais é que os amigos são irmãos não sanguíneos mas dos quais se gosta como se fossem do nosso sangue. Gostaria então de os ter no dia 8 de Junho, todos junto a mim. Sobretudo os que me telefonaram ou mandaram mensagem (vocês sabem quem são). Mas também os que me felicitaram aqui pela internet, pelo facebook. É óbvio que não tenho 900 amigos como os que tenho no facebook mas tenho lá alguns bons amigos.

Este 8 de Junho caiu num sábado e isso tornou-se perfeito. Fazer 40 anos num fim-de-semana tornou-se uma bênção e fiz tudo para saber agradecer. Foi bonito. Foi um dia muito feliz. MUITO feliz.

As pessoas que estavam junto a mim, tiveram de levar comigo e deixarem-me dizer algumas palavras. A ocasião merecia um discurso. Como queria dizer tanta coisa cometi a imprudência de não levar o discurso escrito. Escrito sai sempre melhor que dito. Sempre… quer dizer, nem sempre porque da última vez que levei um discurso escrito, rasguei-o na frente de toda a gente e não li nada. A cena passou-se no almoço de encerramento da campanha do PSD que nos daria a vitória nas eleições autárquicas de 2004. Já não me consigo lembrar muito bem porquê mas o homem que haveria de ser eleito presidente falou antes de mim. A sala estava repleta de pessoas que iriam votar em nós. Ainda assim, o homem que não tem DE TODO o dom da palavra, começou a falar. A falar muito baixinho, muito devagarinho, sem ideias fortes, sem força. Ora a sala estava cheia de pessoas que de certeza iriam votar em nós e que tinham muito pouca vontade de ouvir maçada depois de almoço. Com a barriguinha cheia e as gargantas bem molhadas começaram a dar cabeçadas, a deixarem-se dormir. Eu espreitava detrás do cortinado, fiquei em pânico a assistir áquilo. Só o homem que falava é que não percebia a sonolência geral que ia na sala. Assim, para solucionar a coisa cheguei ao micro quando foi a minha vez e falei. Em vez de ler, rasguei o discurso que me tinha levantado para escrever às 6 da manhã nesse dia. Quando rasguei o discurso, o pessoal acordou todo. Falei e fiz aquilo que tinha de fazer: mobilizei-os para espalharem a boa nova da mudança que eles queriam para o concelho aos vizinhos, amigos e familiares. A coisa correu bem e tenho ideia (não posso precisar porque já não me recordo bem) que quem veio do PSD a apoiar foi o Miguel Relvas (?!?!?). Fonte segura que esteve com ele junto ao carro avançou-me que ele disse que em Marvão se tinham enganado e quem deveria ser o candidato era o vice-presidente e não o atual presidente. Se isto foi realmente verdade, digamos que tive um apoio sentimental de um homem que pela história recente não abona lá muito a meu favor.

Ontem levei algumas notas orientando-me sobre o que queria dizer mas essas notas tiveram o mesmo destino das do discurso que tinha escrito na política. Desta vez não foi preciso rasgá-las porque nem sequer as tirei do bolso. Mas o que eu disse foi que na sala estavam muitas das pessoas que realmente amava no mundo. Não todas as que amava mas todas as que lá estavam eram amadas por mim (e estava certo que era mútuo). Tinha lá amigos que tinham vindo de propósito de longe, de Vendas Novas, de Santarém, que puderam e não quiseram deixar de estar presentes. Fui feliz. Comemos, bebemos, rimo-nos, conversámos… fizemos aquilo que chamo de verdadeira riqueza da vida: desfrutamos uns dos outros e do momento. Quando morrermos não levamos as casas, nem os terrenos, nem as riquezas terrenas. Vai só alma e fica cá a carcaça para os bichos comerem. O que nós levamos são estes momentos que já ninguém nos tira!
Eu pedi que não me levassem prendas. A prenda que queria era a presença de cada um. Ainda assim tive algumas prendas. Mais do que aquelas que queria. A prenda que mais gostei foi a da família Machado porque foi a mais inteligente: “Como não querias prendas, oferecemos uma em teu nome. Beijinhos de parabéns do Nuno, Catarina (+1), Isabel e Zé Pedro” com um donativo de 20 euros aos bombeiros voluntários de Marvão. Realmente, se não fossem os bombeiros voluntários de Marvão a socorrerem-me naquela noite do acidente, não estaria cá para celebrar o quadragésimo aniversário.

Outra prenda excelente a destacar foi a que recebi dos meus sogros que não me ofertaram dinheiro mas sim os ingredientes necessários para elaborar a festa. Aquilo basicamente foi uma festa que os meus sogros, os meus santos sogros como lhes costumo chamar, deram a todos em meu nome. Obrigado Dona Jacinta e Chefe João Manuel! Olha, como diz o outro: “que nunca vos doam as maõs!”. Eu sei que são só filhas e nunca tiveram um filho varão mas eu e meu santo cunhado somos tão bons rapazinhos, ó valha-me Deus.

Já a minha mãe e tias optaram pelo tradicional pilim que sabe sempre bem porque nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Recebi também prendas úteis como a dos meus amigos Escarameia e Cristina que me equiparam a bicicleta com alguns apetrechos que necessitava e sabendo ele dessa necessidade, aproveitaram. E bem. Recebi também imensos livros recentes de autores portugueses.

Foi como eu previa: muita alegria, muito comer (que sobrou como eu antevia) e bebida que nunca foi a mais para ninguém porque todos se comportaram do melhor.

E eu digo e penso: “graças a Deus. Graças a Deus estou vivo, faço anos e posso dar esta alegria a tantos que me amam que passariam um dia tão triste se eu tivesse acabado.”

Fiz o discurso que quis. Quando estava na câmara, o Hernâni e o Barradas, os meus braços direitos na organização dos eventos da cultura (o primeiro) e no terreno (o segundo) estavam sempre a pedir-me para não discursar. Começava a falar e sei que não era chato, não aborrecia, dizia o que queria depressa e com clareza, não era maçudo como o outro mas assim que falava, os dois começavam logo a fingir que estavam a abrir a boca e a apontar para o relógio. Desta vez eu sabia que tinha o direito de falar porque quem ali estava sabia que a festa era minha mas mesmo assim não me livrei do Pescada que de vez em quando interrompia a perguntar em alto se ainda não chegava, se queria falar mais e a ameaçar que ia para o restaurante o Sever onde tinha marcado mesa a pensar que a minha comida era pouca ou não prestava. Com amigos destes… quem é que precisa de inimigos?

Tive de agradecer à minha mulher e à minha sogra que se fartaram de trabalhar para que eu pudesse ter a minha festa de anos. Na sexta-feira, eu e a Cris tivemos de tirar o dia de férias para ir fazer as compras para a festa em Portalegre. Fartamo-nos de correr, de gastar heróis (euros) e andámos todo o dia a rodar. Quando chegámos, encontrámos a minha sogra e a nossa amiga Maria Joaquina que tinham estado a tarde inteira a trabalhar, a fazer a sopa, a feijoada, o bacalhau com natas, os bolos e doces. Como eram quase 8 horas ainda tive de ir buscar um fogão a casa e uma panela gigante. Saí então para os anos do meu amigo Garraio que teve lugar na taberna da Dona Maria da Cruz na Escusa. Reparem que foi todo o dia a trabalhar e à noite estive fora. No dia dos anos mal vi a Cristina porque saiu logo às 7h da manhã para ir ao mercado (adivinhem? Isso mesmo: a fazer compras para a festa!) No dia em que fiz 40 anos tive de me despachar sozinho, de dar banho às duas pequenas e ir à Olga do Prado ver dos frangos assados antes do almoço. Durante a manhã, ainda em casa, a Alice perguntou-me como é que se lia, como é que se rezava e mais duas ou três das dela. Expliquei-lhe que era muito pequenina, que quando fosse para a escola aprenderia a ler e a rezar. Mas não! Ela queria era saber a Avé Maria. Lá tentei e lhe fui ensinando como podia. Ela que quer sempre saber tudo e é desenrascada que eu sei lá teimou que já sabia e avançou: “olha aqui como é pai: “AVÉ MARIA… GRAÇAS A DEUS”.

Isto reforçou a minha decisão: Esta seria a última festa de anos que organizaria. Tinha que o dizer e disse-o, apesar de a minha sogra ter gozado comigo e dito: “ai sim? A última? Isso já disseste tu no ano passado!” Eu tento explicar-lhe mas não consigo. A ver se por aqui a ler-me, a coisa vai. No ano passado eu tinha renascido e havia imensas pessoas a quem queria e tinha de agradecer, pessoas que me ajudaram imenso neste processo, que me emprestaram casa em Lisboa para ficar quando necessitava, pessoas que me tinham apoiado imenso nos hospitais quando estive internado e homens que me foram levar e buscar a Lisboa. A festa deste ano era a da ternura dos 40 anos e tinha de a fazer. 40 anos são um marco e é o momento ideal para virar uma página. A dos 40 é a última porque se Deus nos der saúde, já é o momento certo para me tornar egoísta, ou pelo menos mais egoísta.

Isto foi a dos 40 mas a dos 41, caso lá chegue, queria que fosse pequenina. Muito mais pequenina que esta que por mais pequena que a quisesse sempre meteu mais de 60 Adultos e 20 crianças. Para o ano eu queria ter mais tempo para mim e a minha família. 20, 20 e poucos no máximo. E como é que isso poderia ser possível? Simples: dividindo para reinar.

Ai mais isso fica mais caro! (isto é a fala da minha mulher se isto fosse um teatro).

(Agora é a minha fala!) E eu quero lá saber do dinheiro! Tenham calma, eu vou explicar. Eu ganho bem. O vencimento da minha mulher também é alto. Os dois ganhamos bem acima da média portuguesa onde há tanto desemprego. Mas também ganhamos acima da média porque temos um nível de escolaridade bem acima da média. Ela é doutora, licenciada em Turismo e Termalismo. Concorreu ao lugar na câmara municipal de Marvão e foi escolhida pelos seus conhecimentos históricos e geográficos do concelho, pelas suas capacidades e pela fluência em línguas. Ficou pelo seu mérito. Eu também fiquei pelo mérito mas não contou aqui a licenciatura em comunicação social e a pós-graduação em gestão autárquica. Concorri no maior concurso da função pública em Portugal sobre cultura geral (língua portuguesa, história, matemática, cultura, lógica) e dos mais de 80 mil a concurso fiquei classificado em 2053. Depois, durante os 3 anos de estágio tive de aprovar em Lisboa nos 3 exames específicos internos sobre os impostos. Aprovei e progredi sempre porque me esforcei imenso. Tenho subido sempre na carreira porque tenho sempre aprovado nos concursos a que tenho sido submetido. Estamos bem. Estamos com Deus, estamos bem. Mas quem gere o dinheiro e veste as calças é ela. Ela é que é a patroa!

Nem sei ao certo quanto nós temos no banco. Não sei! Palavra. Isso é com a Cris. Mas desde que o dinheiro seja bem gerido como eu tenho a certeza absoluta que é, e não falte para o nível de vida que pretendo, estou bem. A prioridade é: as minhas filhas. Sempre elas em primeiro. Não pode faltar roupa, alimentação, um ou outro brinquedo, alguma guloseima (e eu ajudo a pedir à mãe). Desde que assim esteja, tá-se bem! Os meus carros estão bons. Dão para nos transportar onde nós queremos e chegam. A nossa casinha é o único empréstimo que temos e haveremos de a pagar nem que isso dure mais anos (já não são muitos…)

Como é que eu divido para reinar não dando trabalho quanto aos anos? Separando as águas. Por exemplo: no ano passado tive na minha festa de anos, todas as tertúlias a que pertenço. Neste ano já não convidei a tertúlia que me foi transferida pelo meu sogro que adoro e da qual fazem parte homens que têm idade para serem meus pais ou avós até! Vou organizar só para eles um almoço no restaurante da Olga do prado, como costumava fazer antes. A minha outra tertúlia que se chama tortulha porque começou com um petisco de tortulhos, foi também desta vez mas para o ano, para aliviar a barra, terá um petisco à parte. Perceberam? Dividir para reinar. Paga-se mais mas eu fico mais feliz porque não dou trabalho a quem amo e fico com mais tempo para mim e para os meus. Com mais tempo para desfrutar o aniversário.

Quando um gajo faz 40 deixa de ter idade para festas de aniversário grandes. Quem as fazia sempre enormes era o meu vizinho Zé Manuel Bonacho que já lá está na terra da verdade. Eram festas grandiosas, enormes porque os pais podiam e ele nunca casou, nunca teve filhos e assim acabou. Mas eu tenho é de dar prioridade às princesas. Festas grandes são para elas. Para mim, já nunca mais faço, mesmo que tenha saúde. Agora… com amigos destes...

Ontem já me disseram que mesmo que eu não organize uma festa de anos para o ano e passe o dia sozinho, vão organizar eles uma festa de anos em meu nome e talvez me convidem. Já viram isto?!?!? É demais! Olha… agora que penso nisso, até era engraçado e talvez aparecesse no Guiness: o homem que foi convidado para a sua festa de anos. Era bem. Colocavam lá uma foto minha de robe e chinelos como o Hugh Hefner. Se for com umas coelhinhas da mansão Playboy até que nem era mal pensado. Psssshhhiiiiuuuu… vem aí a Cris e já estou a escrever há muito tempo.

Este loooongo texto é dedicado a todos aqueles que me querem bem e me felicitaram: pessoalmente, por telefone, pelo facebook (sei que foram mesmo muitos), a todos. Mesmo todos! OBRIGADO!

O povo diz que “quem semeia ventos, colhe tempestades”. Aqui o vosso amigo  tio Sabi tem uma versão diferente que é um lema de vida: “quem semeia sorrisos e entreajuda, colhe amor, ternura e abraços.” Como o que vos mando a todos agora!

Agora que deixei os “…intes”, os “…intas” e entrei nos “entas”, faço votos de chegar aos cem. A gente quando pede tem de pedir à boca cheia e não estar com miudezas. Se é para pedir, ou é ou não é! Não acham?

PS: O Paco Bandeira também foi convidado para cantar “a ternura dos 40”. Era apropriado e bem. Já tinha convocado 2 seguranças à paisana para protegerem as senhoras caso ele quisesse casar com alguma ali e malhá-la na hora.









terça-feira, 4 de junho de 2013

Dia da Criança – 1 de Junho

Imagem captada hoje de manhã frente à pintura coletiva que fez no infantário

Hoje, dia 4 de Junho foi o dia da criança em Marvão. Três dias após o dia da criança em todo o mundo.

Dia 1 de Junho foi o dia da criança do Chipre ao Japão, da Jamaica à Gronelândia, do Zimbabué à Finlândia. Em todo o mundo mas… em Marvão não. Marvão é diferente do resto do mundo.

Escolhi propositadamente este dia, dia 4 de Junho, para fazer esta publicação no blogue como foi meu dia da criança, dia 1 de Junho como em todo o mundo.

O meu dia da criança foi grande. O meu dia da criança foi glorioso. O meu dia da criança foi o meu dia da criança e o dia da criança das minhas filhas.

O dia da criança foi o meu dia porque o herói da minha vida é o Peter Pan, o rapaz que nunca quis crescer. O Pedro, como eu em inglês, nunca quis crescer como eu não quero. O Peter Pan é o único herói que tenho na vida. Também sou da opinião que tudo o que temos dentro de nós em criança, é o melhor que temos. Tento preservar a criança que há em mim, em ver o mundo com os olhos de criança todos os dias. Vejo o mundo assim, sempre, até pelo blogue: verdadeiro, ingénuo, imaginário, por vezes cruel, mas sempre infantil.

O meu dia da criança foi o dia da criança das minhas filhas porque me esforcei para que tivessem um dia único e inesquecível. Das minhas filhas… quer dizer… da minha filha Alice porque a Leonor já diz que está na pré-adolescência e teve só direito a meio dia. Foi à piscina com uma amiga e quis distância de nós, de mim e da mana Alice. Paciência. Aceita-se o choque geracional. Que remédio…

Vivi, ou melhor… vivemos um dia da criança inesquecível, eu, a Alice e a mãe Cris. Creio que as fotos que fui tirando com o telemóvel durante o dia, dão para perceber isso.

Foi um dia da criança que terminei cansado. Caí na cama esgotado da energia de tanta alegria que vivi. Vivi tantos momentos bons, deliciosos, inesquecíveis... Nem sequer tive forças para fazer algo que tinha projetado para o meu dia da criança filho (que é bem diferente do Pedro Sobreiro pai!) que era ver o Django Unchained, o novo Quentin Tarantino. Fiquei para último mas antes eu que elas a ficar em último neste dia. Vejo-o noutra altura. O videoclube do MEO está sempre disponível, 24h/dia.

Eu vivi o dia da criança, o universal, o que é igual em todo o mundo, de uma forma absoluta. O dia da criança não é passível de ser uma data alterada. É o dia mundial da criança e isso de ser mundial diz tudo.

Vivi o meu com essa consciência. Fomos almoçar fora por isso, ao restaurante do meu querido amigo e quinto, João José Videira, na Portagem e tudo! Foi um dia grande e até me permiti uma mousse de chocolate deliciosa regada com um cheirinho de brandy. Coisa boa! Até me lambo só de me lembrar!

O dia da criança é a 1 de Junho em todo o mundo. Menos em Marvão. Em Marvão foi hoje, dia 4 de Junho, terça-feira porque os adultos que estão na câmara, chamo-lhe adultos para não lhes chamar burros, assim se lembraram de o fazer. Fizeram hoje porque lhes deu jeito, porque as crianças não reclamam, porque as crianças não votam, porque eles são adultos e a criança dentro deles morreu há muito.

Deus escreve direito por linhas tortas e o dia da criança que era para acontecer hoje em Marvão, correu mal e teve de ser deslocado para a Portagem, à última hora. Uma praga de rapas assolou a vila e afugentou tudo, crianças e turistas.

Para quem trabalhou tanto e sonhou tanto com o dia da criança em Marvão como eu, custou muito saber que o dia da criança em Marvão era uns dias atrasado neste ano. Mas as crianças de Marvão são inocentes e não têm culpa de nada. Não têm culpa que os pais tivessem escolhido esta gente para chefiar o concelho. As crianças de Marvão são como os filhos dos judeus que morreram nas câmaras de gás nazis. São vítimas.

Vítimas até um dia!

A esperança é a última a morrer.

CRIANÇAS DE MARVÃO, (independentemente da vossa idade, crianças como os meus queridos amigos Catarina Bucho e o João Escarameia, crianças que apesar da idade deixam sempre a criança que vive neles falar mais alto que o corpo adulto. Dedico este meu texto aos dois. É a minha prenda de dia da criança para vocês! Acreditem que ainda vamos voltar a viver este dia juntos como os que já vivemos no passado. Tão felizes que nós fomos… Tão felizes que vamos ser! Esperança! ):

VIVAM SEMPRE O DIA DA CRIANÇA COM GRANDE ALEGRIA!

A CRIANÇA É LIVRE.

A CRIANÇA NUNCA MORRE!



fez questão de levar esta varinha de condão que a mãe lhe fez

o Rui Boto sentiu bem que era o dia da criança. Ela quis que lhe comprasse quase a loja toda!
Dia da criança, o que é que se há-de fazer? Dar negas não vale!

Até houve direito a uma história contada pela avó Alzira!



com uma amiga que fez no momento

deu direito a bolinha, deu

e cavalitas do pai





a pré-adolescente também teve direito a foto com a amiga Joana

"hum... estava capaz de me mandar mas... é capaz de ser um bocadinho alto, não?"


da pré adolescente só ficaram as pernas no mergulho








assim era como eu gostaria que se recordasse deste dia: os dois a molharmos o pézinho.
Vá lá que a mãe Cristina não viu senão era ralhete certo. Para os dois...

E não meteu latinha de gomas? Ai meteu, meteu

no carrinho já pode ler a Xana Toc Toc

ler e... adormecer

 Mas depois da sesta, ainda deu para estrear o microfone do dj!
E cantar! E dançar!
Como se estivesse nova.
Pronta para outro dia!
(o velhinho é que arreou... Há que dar a vez aos mais novos. O mundo é deles!)

domingo, 2 de junho de 2013

O povo é sábio porque a sabe toda



O povo diz que quando um homem é corno é sempre o último a saber. 

Quando a mulher o trai, todos sabem.
Menos ele.

Sabe a família. Sabem os amigos. Sabem os vizinhos.
Mas ele não.

Tenham calma! Sosseguem. Não há novidades neste assunto quanto a mim. Tenho total confiança na minha cara-metade que me merece toda a confiança para a vida.

Mas hoje eu, tal como os cornos, fui o último a saber duas grande alegrias que o meu clube do coração, a minha paixão chamada BENFICA me deu hoje.

Em primeiro lugar sagrou-se hoje pela primeira vez campeão europeu de hóquei em patins, ao derrotar, no golo de ouro, o FC Porto, no porto!!! Lindo demais para ser verdade!

A notícia já é boa só por si, mas sagrar-se assim os maiores da europA no ninho da víbora, no Dragão Caixa, no Porto… é bom demais!

Nunca liguei ao hóquei em patins mas hoje estava capaz de dormir com os patins em linha da minha filha Leonor calçados.

E olhem que os gajos foram duros de roer, o que ainda torna a coisa melhor e mais saborosa. Empatámos 5-5 no tempo regulamentar e só com um golo de ouro é que conseguimos rebentar o animal! Ver a carinha de desgosto do Pinto da Costa no final foi uma delícia. Tão esmorecido que o homem estava… Tanto sofrimento só tornava o troféu ainda mais brilhante! (Cliquem nesta hiperligação para verem as imagens!)

Mas a boa notícia não foi só esta: conseguimos o empate a uma bola no último minuto que nos permitiu garantir o título de campeão juvenil de futebol, ainda por cima no terreno do FC Porto!

Para culminar, tudo não poderia acabar melhor que com uma ''batalha campal". Ao melhor estilo do Porto, diria eu.

Isto é tão bom que estou sempre à espera que me belisquem para que acorde. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O novo castelo de Marvão

Há dias, porque a vida e os compromissos assim o propiciaram, almocei em Marvão. Comi no café lounge do meu primo amigo Jorge e despachei-me rápido. Como tive tempo livre de sobra nessa hora de almoço, decidi dar um passeio pelo castelo para descobrir as novidades. Sabia que o castelo estava com utilização remodelada e já se pagava na entrada. Quis saber mais. Pagava-se mas fui logo informado que os naturais ou residentes do concelho entram de borla. Melhor.


O jovem Américo que estava de plantão, recebia as pessoas numa estrutura moderna do tipo aquário que tem todas as condições (para quem está e para quem chega). Tem umas linhas arrojadas que não chocam com o que já existia ali. O que é antigo, deve-se preservar mas o que é novo, novo deve ser. Deve parecer recente com linhas modernas sem imitações do que estava. Aqui, apenas o bom gosto deve reinar. Respeitar mas não imitar.


A minha ideia revelou-se muito positiva e constituiu uma excelente surpresa para mim. Sempre defendi o pagamento de entrada no castelo. Quando era vice-presidente da câmara e vereador responsável pelo turismo, sempre me bati para que isso fosse feito. A maior fonte de receitas de Marvão não era aproveitada e esse sentimento derrotava-me. Sempre defendi o pagamento da entrada no castelo.

Como sempre defendi que a maior parte dos visitantes que vinham a Marvão nunca entravam no posto de turismo. O posto de turismo era deslocado do principal percurso: entrada – castelo - saída. Ficava situado nos baixos do edifício da câmara e muitos turistas iam direitos ao castelo e nem se davam ao trabalho de o procurar. Entravam, viam o que há para ver e saiam. Sempre defendi que o posto de turismo deveria ser na entrada da vila, onde está hoje. Eu já não estava no executivo quando o inauguraram mas quem sabe a verdade do assunto, sabe que o grande responsável pela localização do posto de turismo ali fui eu. Eu. Sozinho fui a inúmeras reuniões com os mesários da Santa Casa da Misericórdia. Reuni com os proprietários das duas garagens que ali estavam onde hoje está o posto de turismo e convenci-os a aceitarem os espaços alternativos que lhes propus. Consegui o triunfo mas foram outros, os que estão hoje lá em cima que colheram os louros. Quando passo a deixar a minha mulher nesse posto de turismo da entrada da vila onde trabalha e trabalhava já antes de ser vereador (muitos anos antes!), sorrio sozinho. Um sorriso de vitória que ninguém me tira. E olhem que vai de orelha a orelha.


Deu-se um passo grande e agora deu-se outro com o começo da cobrança da entrada no castelo. A cobrança da maior receita da vila que foi entregue… ao Centro Cultural. A câmara entregou a maior receita ao centro cultural de Marvão!

Entregou e o Centro Cultural tem aproveitado bem a oportunidade explorando aquilo que os outros não têm capacidade para perceber. Realizou um folheto primoroso que é entregue na entrada aos visitantes aquando cobram a entrada. O projeto de folheto que conheci em embrião não mencionava quem são os obreiros da sua feitura. Nem os autores dos textos,  nem os autores do design. Como isso não se pode admitir e é um trabalho que se não foi gracioso, andou por lá perto, propus que seja o que for deve sempre conter o nome do autor. Propus isso ao presidente do Centro Cultural de Marvão, o meu primo Jorge Rosado que é um rapaz inteligente e desenrascado. Ele aceitou a proposta e agiu em conformidade.



 Quem dantes vinha ao castelo ficava com a sensação que era bonito mas era terra de ninguém. Era como se não tivesse dono. O desassombro era total. Reinava o abandono.

Desta última visita, fiquei agradavelmente surpreendido com o meu passeio. O castelo está bonito, está bem recuperado e o dinheirinho que se paga, como refere no folheto “reverte na totalidade para a conservação e manutenção do monumento. O património é de todos, ajude-nos a conserva-lo.” Centro cultural de Marvão: mais 1 ponto. Câmara Municipal de Marvão : 0. Bem… zero mais meio ponto. E meio ponto porquê? Porque quando a gente não é capaz, dar lugar e dar oportunidade a quem sabe e prova que é capaz tem de valer alguma coisa. Não chega a 1 ponto. Mas vale meio ponto.


O espaço está do mais aprazível possível. Bonito mesmo. Vi visitantes a pintarem nos locais que foram criados para contemplar a paisagem. Vi turistas a admirarem os espaços envolventes e a vegetação. Vi fotógrafos a desfrutarem o monumento muito bonito e bem cuidado. Tudo muito bom. Isto nem parece Marvão! Parece que estamos no estrangeiro. (Onde o respeito pelo património de todos é por demais evidente).

Eu quero lá saber se essa estupidez que foi a eleição das 7 maravilhas de Portugal não distinguiu Marvão. Essa história das 7 maravilhas não foi mais que a ideia duns meninos espertos para ganharem muita massa. Como era votado por telefone ou internet ou lá o que era, claro que os grandes centros populacionais elegeram logo os que queriam e eram localizados na área. Os grandes centros votaram. Nós, os pequeninos, os do interior, ficámos a perder. Agora os meninos das “7 qualquer coisa” viraram-se para as 7 praias de Portugal. É um filão que não tem fim. Só quando os bornais das televisões perceberem que o rei vai nú é que abrem os olhos. Um filão construído com muito merchandising, muita t-shirt, muita caneca, muito autocolante, muito telefonema e as contas bancárias deles a aumentarem muito.


Bom, voltando ao castelo. Está bonito, está bom. Para utilizar a linguagem da minha filha Alice, “dá orgulho a mim”.



Dá orgulho e enfeirei logo num íman de uma rua para o frigorífico a dizer Marvão na loja do meu amigo Garraio.






Dá orgulho e quando estiver aberto o café na antiga casa do forno, com esplanada e sombras que já está concessionado, creio que às Pousadas de Portugal, ainda deve dar mais orgulho a mim.

Aceitem o convite do meu blogue e venham conhecer melhor o novo castelo de Marvão. Não é por 1 euro e pouco que ficam mais pobres. E garanto-vos que vão ficar mais ricos. E de certeza mais felizes!




Olhando o trabalho que fez o Jorge Rosado e o Centro Cultural de Marvão que deram uns bigodes a quem de direito, lembro-me das palavras do presidente John Fitzgerald Kennedy que já lá está na terra da verdade e não deve ter facebook. Ele disse uma frase lapidar que adoro e pode ser aplicada a muita coisa na vida: “não perguntes o que é que o teu país pode fazer por ti. Pergunta o que é que tu podes fazer pelo teu país.” Centro Cultural de Marvão: “não perguntes o que é que a câmara municipal de Marvão pode fazer pela tua terra, pelo teu concelho e pelo teu castelo. Pergunta-te como te perguntaste e bem, o que é que o Centro Cultural pode fazer pela sua terra, pelo seu concelho e pelo castelo de Marvão.” 



No facebook vou referenciar os visados no texto e vou colocar um texto a dizer:

Estas palavras que devem agradar a:
Jorge Rosado, presidente do Centro Cultural de Marvão; ao marvanense Jorge Alberto cujo nome foi bem referenciado mas deveria conter uma nota de rodapé dizendo que é um rapaz de Marvão licenciado em história que escreveu o texto; ao João Bucho que tem um talento imenso e desenha primorosamente; aos Buchos todos (Isabel Bucho e Domingos Bucho porque devem gostar de ler bem sobre a família), ao Posto de turismo de Marvão que sei que tem facebook; ao meu amigo António Garraio, proprietário da loja “Cá de Marvão” e à Mercearia de Marvão que é da minha amiga Catarina Bucho. Estes Buchos metem-se em todas e isso é bom porque fazem tudo bem. Desta gente é que a gente precisa. O patriarca Domingos Bucho foi chutado para fora da candidatura a património mundial pelas eminências da câmara e esteve por trás da candidatura de Elvas que foi considerada património mundial. Ele há bofetadas que devem doer menos!

Palavras que devem agradar a pessoas que não devem ter facebook: as jardineiras da câmara: Maria do Céu, Maria João e Ana. Não devem ter facebook mas surgem na fotografia que fecha este texto e eu fiz questão de lhes dar os parabéns pelo excelente trabalho em voz alta no jardim. Claro que ficaram todas babadas porque devem mais levar pontapés que elogios. Como o facebook pode não chegar lá, cheguei eu!


As palavras não devem agradar lá muito porque são verdadeiras e isso é sempre inconveniente: à Câmara Municipal de Marvão e ao Posto de Turismo de Marvão que têm facebook.