terça-feira, 4 de junho de 2013

Dia da Criança – 1 de Junho

Imagem captada hoje de manhã frente à pintura coletiva que fez no infantário

Hoje, dia 4 de Junho foi o dia da criança em Marvão. Três dias após o dia da criança em todo o mundo.

Dia 1 de Junho foi o dia da criança do Chipre ao Japão, da Jamaica à Gronelândia, do Zimbabué à Finlândia. Em todo o mundo mas… em Marvão não. Marvão é diferente do resto do mundo.

Escolhi propositadamente este dia, dia 4 de Junho, para fazer esta publicação no blogue como foi meu dia da criança, dia 1 de Junho como em todo o mundo.

O meu dia da criança foi grande. O meu dia da criança foi glorioso. O meu dia da criança foi o meu dia da criança e o dia da criança das minhas filhas.

O dia da criança foi o meu dia porque o herói da minha vida é o Peter Pan, o rapaz que nunca quis crescer. O Pedro, como eu em inglês, nunca quis crescer como eu não quero. O Peter Pan é o único herói que tenho na vida. Também sou da opinião que tudo o que temos dentro de nós em criança, é o melhor que temos. Tento preservar a criança que há em mim, em ver o mundo com os olhos de criança todos os dias. Vejo o mundo assim, sempre, até pelo blogue: verdadeiro, ingénuo, imaginário, por vezes cruel, mas sempre infantil.

O meu dia da criança foi o dia da criança das minhas filhas porque me esforcei para que tivessem um dia único e inesquecível. Das minhas filhas… quer dizer… da minha filha Alice porque a Leonor já diz que está na pré-adolescência e teve só direito a meio dia. Foi à piscina com uma amiga e quis distância de nós, de mim e da mana Alice. Paciência. Aceita-se o choque geracional. Que remédio…

Vivi, ou melhor… vivemos um dia da criança inesquecível, eu, a Alice e a mãe Cris. Creio que as fotos que fui tirando com o telemóvel durante o dia, dão para perceber isso.

Foi um dia da criança que terminei cansado. Caí na cama esgotado da energia de tanta alegria que vivi. Vivi tantos momentos bons, deliciosos, inesquecíveis... Nem sequer tive forças para fazer algo que tinha projetado para o meu dia da criança filho (que é bem diferente do Pedro Sobreiro pai!) que era ver o Django Unchained, o novo Quentin Tarantino. Fiquei para último mas antes eu que elas a ficar em último neste dia. Vejo-o noutra altura. O videoclube do MEO está sempre disponível, 24h/dia.

Eu vivi o dia da criança, o universal, o que é igual em todo o mundo, de uma forma absoluta. O dia da criança não é passível de ser uma data alterada. É o dia mundial da criança e isso de ser mundial diz tudo.

Vivi o meu com essa consciência. Fomos almoçar fora por isso, ao restaurante do meu querido amigo e quinto, João José Videira, na Portagem e tudo! Foi um dia grande e até me permiti uma mousse de chocolate deliciosa regada com um cheirinho de brandy. Coisa boa! Até me lambo só de me lembrar!

O dia da criança é a 1 de Junho em todo o mundo. Menos em Marvão. Em Marvão foi hoje, dia 4 de Junho, terça-feira porque os adultos que estão na câmara, chamo-lhe adultos para não lhes chamar burros, assim se lembraram de o fazer. Fizeram hoje porque lhes deu jeito, porque as crianças não reclamam, porque as crianças não votam, porque eles são adultos e a criança dentro deles morreu há muito.

Deus escreve direito por linhas tortas e o dia da criança que era para acontecer hoje em Marvão, correu mal e teve de ser deslocado para a Portagem, à última hora. Uma praga de rapas assolou a vila e afugentou tudo, crianças e turistas.

Para quem trabalhou tanto e sonhou tanto com o dia da criança em Marvão como eu, custou muito saber que o dia da criança em Marvão era uns dias atrasado neste ano. Mas as crianças de Marvão são inocentes e não têm culpa de nada. Não têm culpa que os pais tivessem escolhido esta gente para chefiar o concelho. As crianças de Marvão são como os filhos dos judeus que morreram nas câmaras de gás nazis. São vítimas.

Vítimas até um dia!

A esperança é a última a morrer.

CRIANÇAS DE MARVÃO, (independentemente da vossa idade, crianças como os meus queridos amigos Catarina Bucho e o João Escarameia, crianças que apesar da idade deixam sempre a criança que vive neles falar mais alto que o corpo adulto. Dedico este meu texto aos dois. É a minha prenda de dia da criança para vocês! Acreditem que ainda vamos voltar a viver este dia juntos como os que já vivemos no passado. Tão felizes que nós fomos… Tão felizes que vamos ser! Esperança! ):

VIVAM SEMPRE O DIA DA CRIANÇA COM GRANDE ALEGRIA!

A CRIANÇA É LIVRE.

A CRIANÇA NUNCA MORRE!



fez questão de levar esta varinha de condão que a mãe lhe fez

o Rui Boto sentiu bem que era o dia da criança. Ela quis que lhe comprasse quase a loja toda!
Dia da criança, o que é que se há-de fazer? Dar negas não vale!

Até houve direito a uma história contada pela avó Alzira!



com uma amiga que fez no momento

deu direito a bolinha, deu

e cavalitas do pai





a pré-adolescente também teve direito a foto com a amiga Joana

"hum... estava capaz de me mandar mas... é capaz de ser um bocadinho alto, não?"


da pré adolescente só ficaram as pernas no mergulho








assim era como eu gostaria que se recordasse deste dia: os dois a molharmos o pézinho.
Vá lá que a mãe Cristina não viu senão era ralhete certo. Para os dois...

E não meteu latinha de gomas? Ai meteu, meteu

no carrinho já pode ler a Xana Toc Toc

ler e... adormecer

 Mas depois da sesta, ainda deu para estrear o microfone do dj!
E cantar! E dançar!
Como se estivesse nova.
Pronta para outro dia!
(o velhinho é que arreou... Há que dar a vez aos mais novos. O mundo é deles!)

domingo, 2 de junho de 2013

O povo é sábio porque a sabe toda



O povo diz que quando um homem é corno é sempre o último a saber. 

Quando a mulher o trai, todos sabem.
Menos ele.

Sabe a família. Sabem os amigos. Sabem os vizinhos.
Mas ele não.

Tenham calma! Sosseguem. Não há novidades neste assunto quanto a mim. Tenho total confiança na minha cara-metade que me merece toda a confiança para a vida.

Mas hoje eu, tal como os cornos, fui o último a saber duas grande alegrias que o meu clube do coração, a minha paixão chamada BENFICA me deu hoje.

Em primeiro lugar sagrou-se hoje pela primeira vez campeão europeu de hóquei em patins, ao derrotar, no golo de ouro, o FC Porto, no porto!!! Lindo demais para ser verdade!

A notícia já é boa só por si, mas sagrar-se assim os maiores da europA no ninho da víbora, no Dragão Caixa, no Porto… é bom demais!

Nunca liguei ao hóquei em patins mas hoje estava capaz de dormir com os patins em linha da minha filha Leonor calçados.

E olhem que os gajos foram duros de roer, o que ainda torna a coisa melhor e mais saborosa. Empatámos 5-5 no tempo regulamentar e só com um golo de ouro é que conseguimos rebentar o animal! Ver a carinha de desgosto do Pinto da Costa no final foi uma delícia. Tão esmorecido que o homem estava… Tanto sofrimento só tornava o troféu ainda mais brilhante! (Cliquem nesta hiperligação para verem as imagens!)

Mas a boa notícia não foi só esta: conseguimos o empate a uma bola no último minuto que nos permitiu garantir o título de campeão juvenil de futebol, ainda por cima no terreno do FC Porto!

Para culminar, tudo não poderia acabar melhor que com uma ''batalha campal". Ao melhor estilo do Porto, diria eu.

Isto é tão bom que estou sempre à espera que me belisquem para que acorde. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O novo castelo de Marvão

Há dias, porque a vida e os compromissos assim o propiciaram, almocei em Marvão. Comi no café lounge do meu primo amigo Jorge e despachei-me rápido. Como tive tempo livre de sobra nessa hora de almoço, decidi dar um passeio pelo castelo para descobrir as novidades. Sabia que o castelo estava com utilização remodelada e já se pagava na entrada. Quis saber mais. Pagava-se mas fui logo informado que os naturais ou residentes do concelho entram de borla. Melhor.


O jovem Américo que estava de plantão, recebia as pessoas numa estrutura moderna do tipo aquário que tem todas as condições (para quem está e para quem chega). Tem umas linhas arrojadas que não chocam com o que já existia ali. O que é antigo, deve-se preservar mas o que é novo, novo deve ser. Deve parecer recente com linhas modernas sem imitações do que estava. Aqui, apenas o bom gosto deve reinar. Respeitar mas não imitar.


A minha ideia revelou-se muito positiva e constituiu uma excelente surpresa para mim. Sempre defendi o pagamento de entrada no castelo. Quando era vice-presidente da câmara e vereador responsável pelo turismo, sempre me bati para que isso fosse feito. A maior fonte de receitas de Marvão não era aproveitada e esse sentimento derrotava-me. Sempre defendi o pagamento da entrada no castelo.

Como sempre defendi que a maior parte dos visitantes que vinham a Marvão nunca entravam no posto de turismo. O posto de turismo era deslocado do principal percurso: entrada – castelo - saída. Ficava situado nos baixos do edifício da câmara e muitos turistas iam direitos ao castelo e nem se davam ao trabalho de o procurar. Entravam, viam o que há para ver e saiam. Sempre defendi que o posto de turismo deveria ser na entrada da vila, onde está hoje. Eu já não estava no executivo quando o inauguraram mas quem sabe a verdade do assunto, sabe que o grande responsável pela localização do posto de turismo ali fui eu. Eu. Sozinho fui a inúmeras reuniões com os mesários da Santa Casa da Misericórdia. Reuni com os proprietários das duas garagens que ali estavam onde hoje está o posto de turismo e convenci-os a aceitarem os espaços alternativos que lhes propus. Consegui o triunfo mas foram outros, os que estão hoje lá em cima que colheram os louros. Quando passo a deixar a minha mulher nesse posto de turismo da entrada da vila onde trabalha e trabalhava já antes de ser vereador (muitos anos antes!), sorrio sozinho. Um sorriso de vitória que ninguém me tira. E olhem que vai de orelha a orelha.


Deu-se um passo grande e agora deu-se outro com o começo da cobrança da entrada no castelo. A cobrança da maior receita da vila que foi entregue… ao Centro Cultural. A câmara entregou a maior receita ao centro cultural de Marvão!

Entregou e o Centro Cultural tem aproveitado bem a oportunidade explorando aquilo que os outros não têm capacidade para perceber. Realizou um folheto primoroso que é entregue na entrada aos visitantes aquando cobram a entrada. O projeto de folheto que conheci em embrião não mencionava quem são os obreiros da sua feitura. Nem os autores dos textos,  nem os autores do design. Como isso não se pode admitir e é um trabalho que se não foi gracioso, andou por lá perto, propus que seja o que for deve sempre conter o nome do autor. Propus isso ao presidente do Centro Cultural de Marvão, o meu primo Jorge Rosado que é um rapaz inteligente e desenrascado. Ele aceitou a proposta e agiu em conformidade.



 Quem dantes vinha ao castelo ficava com a sensação que era bonito mas era terra de ninguém. Era como se não tivesse dono. O desassombro era total. Reinava o abandono.

Desta última visita, fiquei agradavelmente surpreendido com o meu passeio. O castelo está bonito, está bem recuperado e o dinheirinho que se paga, como refere no folheto “reverte na totalidade para a conservação e manutenção do monumento. O património é de todos, ajude-nos a conserva-lo.” Centro cultural de Marvão: mais 1 ponto. Câmara Municipal de Marvão : 0. Bem… zero mais meio ponto. E meio ponto porquê? Porque quando a gente não é capaz, dar lugar e dar oportunidade a quem sabe e prova que é capaz tem de valer alguma coisa. Não chega a 1 ponto. Mas vale meio ponto.


O espaço está do mais aprazível possível. Bonito mesmo. Vi visitantes a pintarem nos locais que foram criados para contemplar a paisagem. Vi turistas a admirarem os espaços envolventes e a vegetação. Vi fotógrafos a desfrutarem o monumento muito bonito e bem cuidado. Tudo muito bom. Isto nem parece Marvão! Parece que estamos no estrangeiro. (Onde o respeito pelo património de todos é por demais evidente).

Eu quero lá saber se essa estupidez que foi a eleição das 7 maravilhas de Portugal não distinguiu Marvão. Essa história das 7 maravilhas não foi mais que a ideia duns meninos espertos para ganharem muita massa. Como era votado por telefone ou internet ou lá o que era, claro que os grandes centros populacionais elegeram logo os que queriam e eram localizados na área. Os grandes centros votaram. Nós, os pequeninos, os do interior, ficámos a perder. Agora os meninos das “7 qualquer coisa” viraram-se para as 7 praias de Portugal. É um filão que não tem fim. Só quando os bornais das televisões perceberem que o rei vai nú é que abrem os olhos. Um filão construído com muito merchandising, muita t-shirt, muita caneca, muito autocolante, muito telefonema e as contas bancárias deles a aumentarem muito.


Bom, voltando ao castelo. Está bonito, está bom. Para utilizar a linguagem da minha filha Alice, “dá orgulho a mim”.



Dá orgulho e enfeirei logo num íman de uma rua para o frigorífico a dizer Marvão na loja do meu amigo Garraio.






Dá orgulho e quando estiver aberto o café na antiga casa do forno, com esplanada e sombras que já está concessionado, creio que às Pousadas de Portugal, ainda deve dar mais orgulho a mim.

Aceitem o convite do meu blogue e venham conhecer melhor o novo castelo de Marvão. Não é por 1 euro e pouco que ficam mais pobres. E garanto-vos que vão ficar mais ricos. E de certeza mais felizes!




Olhando o trabalho que fez o Jorge Rosado e o Centro Cultural de Marvão que deram uns bigodes a quem de direito, lembro-me das palavras do presidente John Fitzgerald Kennedy que já lá está na terra da verdade e não deve ter facebook. Ele disse uma frase lapidar que adoro e pode ser aplicada a muita coisa na vida: “não perguntes o que é que o teu país pode fazer por ti. Pergunta o que é que tu podes fazer pelo teu país.” Centro Cultural de Marvão: “não perguntes o que é que a câmara municipal de Marvão pode fazer pela tua terra, pelo teu concelho e pelo teu castelo. Pergunta-te como te perguntaste e bem, o que é que o Centro Cultural pode fazer pela sua terra, pelo seu concelho e pelo castelo de Marvão.” 



No facebook vou referenciar os visados no texto e vou colocar um texto a dizer:

Estas palavras que devem agradar a:
Jorge Rosado, presidente do Centro Cultural de Marvão; ao marvanense Jorge Alberto cujo nome foi bem referenciado mas deveria conter uma nota de rodapé dizendo que é um rapaz de Marvão licenciado em história que escreveu o texto; ao João Bucho que tem um talento imenso e desenha primorosamente; aos Buchos todos (Isabel Bucho e Domingos Bucho porque devem gostar de ler bem sobre a família), ao Posto de turismo de Marvão que sei que tem facebook; ao meu amigo António Garraio, proprietário da loja “Cá de Marvão” e à Mercearia de Marvão que é da minha amiga Catarina Bucho. Estes Buchos metem-se em todas e isso é bom porque fazem tudo bem. Desta gente é que a gente precisa. O patriarca Domingos Bucho foi chutado para fora da candidatura a património mundial pelas eminências da câmara e esteve por trás da candidatura de Elvas que foi considerada património mundial. Ele há bofetadas que devem doer menos!

Palavras que devem agradar a pessoas que não devem ter facebook: as jardineiras da câmara: Maria do Céu, Maria João e Ana. Não devem ter facebook mas surgem na fotografia que fecha este texto e eu fiz questão de lhes dar os parabéns pelo excelente trabalho em voz alta no jardim. Claro que ficaram todas babadas porque devem mais levar pontapés que elogios. Como o facebook pode não chegar lá, cheguei eu!


As palavras não devem agradar lá muito porque são verdadeiras e isso é sempre inconveniente: à Câmara Municipal de Marvão e ao Posto de Turismo de Marvão que têm facebook.   


terça-feira, 28 de maio de 2013

Então... mas onde é que fica ser grande? E o crescer?

(Com a amiga Eva no escorrega do infantário, há dias)


O carro ia cheio. Íamos no caminho para Portalegre, para almoçarmos a convite da madrinha Paula que nesse dia fazia anos. Sem mais, na boa, a minha Alice começou a fazer uma das birras já típicas que hão-de ficar conhecidas como as birras da sua chancela. Uma cena de antologia ao nível da que quando queria à força ser loira.

Sem nada o fazer prever e quando íamos todos bem na viagem, começa-me a chorar e a falar alto, do nada. Desta vez a bom som, sem mais, teimava… “eu quero crescer. Eu quero ser grande”.

Silêncio e admiração geral.

“Mas porque é que eu não sou grande? EU QUERO SER GRANDE! EU QUERO CRESCER. MAS QUANTO É QUE FALTA PARA EU SER GRANDE?!?!? EU QUERO CRESCER!!!! EU QUERO SER GRANDE!!!!”.

Eu, impávido, sereno, continuei a conduzir, a agir com a naturalidade que podia. As mães, a dela e a minha, desdobravam-se em justificações, em argumentos, em baldes de água para apagar o incêndio que ardia bravo e já queimava as redondezas. “Mas querida, tu já és grande e cresces todos os dias” avançava uma, “Não vês que as calças te vão ficando cada vez mais pequenas? É sinal que estás a crescer!” retorquia a outra, E ela, nada! Fechada em si. A resmungar já assim a atirar para o desespero e a olhar de soslaio para o vidro.

“Temos o baile armado!” pensei eu…“Não se vai calar tão cedo…”

Mas depois, vinda do nada, a solução instalou-se e a birra apagou-se de vez. Sozinha, sem argumentação contra. A crise morreu como nasceu: do nada. Ela esqueceu-se, ou então distraiu-se. Nunca a paisagem da serra meu pareceu tão bela. Nunca as curvas se revelaram tão desconcertantes.

Afinal foi como veio. Sem deixar rasto. Tanto barulho para nada.

O veto é o melhor bloqueio.


Mas para alguma coisa serviu e eu quis plastificar esta polaroid em palavras porque sei que a Alice vai gostar de se descobrir quando já não se recordar de nada disto. Vale por isso. Quanto mais não seja. E acreditem que é muito.