quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O homem da ciência que é livre a pensar


O jornal “Expresso” faz mesmo opinião, como diz o slogan publicitário. Tenho o hábito de o comprar todas as semanas. Não há sábado sem o “Expresso”, um hábito que ganhei antes de ir estudar jornalismo para Lisboa. O “Expresso” faz escola. Este hábito só foi bruscamente interrompido quando estava em coma. Retomei-o pouco tempo depois de estar de volta a esta vida. É o único jornal a que não sou capaz de dizer que não. Umas vezes dedico-lhe mais tempo. Outras vezes, os afazeres de pai e marido e funcionário do estado e amigo… não me deixam despender na sempre prazenteira leitura do periódico mais tempo. Às vezes queria mas… o tempo passa e com um novo sábado, nova edição. De forma que… nem sempre chego a ele.

Mas a revista desta edição de 15 de Junho ficou. “O homem da ciência que acredita na reencarnação” foi um isco apelativo demais para ser perdido. O subtítulo “O espírito é o tema do novo livro do chairman da Bial, onde fala da vida além da morte ou da telepatia, citando estudos científicos”, adensou ainda mais o apetite.

Ter um homem da ciência que se dedicou à ciência para poder ajudar os outros, a defender uma teoria que defendo há tanto tempo de que esta vida é demasiado curta para acabar tudo aqui, pareceu-me maravilhoso. Demorei semanas a poder ter tempo para a ler em silêncio, podendo refletir e pensar nas palavras. Mas tive um prazer tão, tão grande a ler assuntos como a sua visão da religião que afinal tem tanto em semelhante à minha que não descansei enquanto não conseguisse este pdf da entrevista para a publicar no meu blogue. Tive de ir editora Gradiva para a conseguir. Mas aqui está ela, na íntegra, para partilhar com os meus leitores.

O ouro do século XXI, a informação, multiplica-se sem se perder.

O livro já está na mira das aquisições.

O pdf da entrevista surge clicando aquiDesfrutem! (É de borla...)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

ABELWATCH (a última versão do swiss watch, ou seja SWATCH)

Álbum de memórias: momento da entrega do relógio novo ao Abel, que o segura e exibe na mão


Este artista já não é novidade aqui no palco de variedades que é esta taberna virtual (taberna com b em vez de v no novo acordo ortográfico do vosso Tio Sabi) ou seja, neste blogue. Mas justifica-se. Porque o Abel, como ele se apresenta sempre, é bom. “O Abel é bom”, dito por ele, pelo Abel, pode parecer uma redundância mas não é. Quem o conhece, sabe bem que é verdade. É um bom coração, um pobre diabo que não faz mal nem quer mal a ninguém. Só o vejo zangado comigo de vez em quando e tem razão para estar. Eu gosto tanto dele que quando o apanho distraído, como ele é tão maneirinho e tão pequenino, o agarro por trás e o levanto no ar, o meu amor pequenino. Ele fica bruto, quer-me morder e dar murros e dá uma série deles no ar. Só que nunca me apanha com um gancho daqueles. Também… eu gosto do risco e se me acertar, não lhe posso levar a mal porque quem brinca com o fogo, arrisca-se a queimar o rabo.

Quando alguém de novo assiste às nossas brincadeiras, ele explica baixinho, como se estivesse a traduzir, “somos muito amigos…”. E somos. Adoro quando ele me dá um abraço apertado e me diz a sorrir: “olha o meu grande amigo…”

O Abel vive hoje na Santa Casa da Misericórdia. Que é mesmo santa, mesmo grande casa e tem a enorme misericórdia de albergar estes homens como ele, filhos de Marvão perdidos. Lá come, dorme e veste. Lá é bem tratado. Isso vê-se. Isso sente-se quando se fala com ele.

Não resisto a contar e a publicar esta história porque é mesmo deliciosa e sem maldade.

Eu sei que ele faz 66 anos a 23 de Outubro. Sei porque ele mo disse. E quando me disse a data cravou-me logo para lhe oferecer um relógio.

Eu tenho em casa uma coleção considerável de Swatches. Adoro relógios e na impossibilidade de ter um caro, tenho comprado estes são mais económicos e sempre marcam momentos da minha vida. Não passam de 10. Mas sempre são alguns e como sou vaidoso, reconheço-o, vou variando diariamente, consoante a toilette.
Há dias, o Abel disse-me que precisava de uma pilha para o antigo dele que tinha deixado de trabalhar. “Mas para quê é que tu queres uma pilha nesse relógio se te vou oferecer um nos anos, Abel ?! E o Gonçalo já me disse que te ofereceu um!”

“Mentira! É mentira.” Respondeu. “Ele disse que m’ia dar um mas não deu. Diz que não tem pilha.”

“Ai Abel, Abel que és tão chato!” e lá vim eu com o bom do relógio à Casa Moura, na hora do almoço. A pobre da Susana fartou-se de tentar mas não conseguiu abrir a caixa do aparelho. Ela mostrou-me e o relógio tinha uma grande pancada na caixa atrás que não deixava mudar a pilha. Tentou, tentou com uma navalha mas nada. Aquilo deve ter sido feito numa noite de vida artística quando eu o conheci, há muitos, muitos anos atrás. Num baile qualquer e quando as cervejas o tornavam por vezes mau e agressivo por ser gozado pelos outros, pelos homens maus, por ser o elo mais fraco.

Disse-lhe então para deitar o relógio fora, que não tinha arranjo, que eu tinha tentado mas não fui capaz, que o tinha levado à loja mas não se tinha safado na autópsia. “Deixa Abel… não fiques triste. Eu vou –te oferecer um. Já não é novo, mas é meu, jóia de família e uma recordação antiga. (Uma mentirinha para fazer alguém ainda mais feliz não é pecado.) E é especialmente dedicado a ti, Abel!

O tempo passou e como ele não foi insistindo, pensei que a febre tinha terminado.

Até há dias. Eu vinha almoçar e ele mandou-me parar o carro junto à GNR. “O que é que se passa, patrão?”, perguntei-lhe.

Com um ar muito triste. “É o relógio… Não funciona mesmo. Nada!”

“Mas qual é a urgência do relógio, Abel?!? Tu não tens de cumprir horas porque não trabalhas. Não tens de ir buscar os putos à escola, para quê o raio do relógio se tu és livre?”

“Eaaaaaaahhh… para saber as horas!”

Boa resposta! “Então fica descansado que eu trago-te um logo lá de casa. Mas olha que era aquele que era para te dar nos anos! Se to dou agora, depois não te dou nada!”

“Tá bem! Trás lá! A que horas vais ao correio?”, perguntou.

“Eu não sei se hoje há correio para ir levar. Mas deixa lá que eu não me esqueço e quando sair vou ver de ti ao Jorge.”

“A que horas?”

“5  e meia, Abel. 5 e meia.”

E havia mesmo correio para ir levar. Não me esqueci do relógio, que levei no bolso escondido e ia à espera de o encontrar. Mas nada.

Quando chego ao bar “o Castelo” lá estava ele, à porta.

“Ai meu menino, tenho aqui uma prendinha guardada para ti…”, disse-lhe.

Adorou. Agarrou-se logo a mim. Tirámos uma foto para a posteridade, para o meu álbum de fotografias, para meter na pasta “Amigos”. Se as vir aqui no blogue, fica todo contente. No outro dia mostrei-lhe a dos óculos escuros através do wi-fi do bar e ele disse logo ao Fernando: “tás a ver coméque é! Aqui no computador?” (todo convencido!)

O meu primo Jorge, como é bom homem, quis assinalar o momento solene da prenda com uma bebida oferta da casa. E levantou o castigo ao Abel que estava proibido de beber álcool ali. Alguma boa deve ter feito. Um tintinho para ele e uma imperialzinha cá para mim. Oferta da casa, uma categoria! Estava eu a refrescar-me com aquela delícia quando me engasguei de tanto rir e ia ficando sem ar para respirar. Estava eu a dar um gole quando o Abel me pergunta com a maior desfaçatez:

“Então e agora nos anos, o que é que me dás?”

Quando consegui falar, disse: “Ó Abel, por mais que eu te dê, tu nunca estás satisfeito!”

“Pssssssssshiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuu” (metendo a mão na boca para me calar)

“Se te dou o relógio, que é um bom relógio e é caro e é igual ao meu, queres mais coisas. As minhas camisas estão-te grandes. A minha roupa está-te larga. Mas deixa lá que eu hei-de ver se o meu sogro que é assim pouco mais alto que tu lá tem alguma coisa de sobra.

Este Abel é demais… (olhando em volta) se te dou corda metes-me uma coleira e andas-me a passear como o Boris ao cabo Simão!

Fazer feliz faz-me feliz.

Ser bom não custa! E vale tanto a pena…

Dá tanto sentido à vida. J


Lindo, mostrando o novo exemplar.
Parece uma capa de revista masculina.
Ainda mo levam p'ra modelo...


Argumentando com o Jorge já com o bébé no braço esquerdo...

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Os mundos da Leonor (de canetas na mão...)


Na praia neste Verão, com duas conchas que encontrou a fazerem de headphones


A minha Leonor tem um talento especial diferente do “jeito” que eu tenho. Jeito é uma boa palavra para definir a minha apetência pelas palavras.

Desde muito pequenina, sempre revelou traços de curiosidade e inteligência. Com menos de 3 anos, já resolvia puzzles de uma forma tão fácil que me deixava boquiaberto. Parecia que sabia aquilo de ginja.

Sempre adorou desenhar. Enquanto que para mim, uma folha em branco sempre foi a porta de entrada para um maravilhoso reino de palavras por descobrir, ela via nessa folha sempre uma tela em branco. Ainda hoje gosta muito de desenhar.

Tem um blogue chamado “O arco-íris da Leonor” por influência minha. Nasceu pouco depois do meu. Gostava de me ver e imitar. Eu ajudei-a.

Por vezes, pico-a, para que escreva por lá o que lhe vai na cabecita. Dentro em breve, vou publicar no me blogue uma tradução que fez e saiu de forma exemplar.

Quanto aos desenhos, eu, que sou um patudo nisso para grande pena minha, até já pedi ajuda ao meu amigo liceal Luís Vintém, sobre algumas dicas para workshops ou orientações. Hoje em dia, o Luís está mais dedicado à fotografia, mas o tem um talento para criar mundos desenhados fascinante. Nas reuniões de finalistas do 12º ano em Portalegre, ia desenhando no quadro enquanto nós fingíamos que reuníamos e dava pena ter de apagar aquilo no final.

Ele e o grande Nuno Saraiva que conheci na juventude na Beirã, quando o seu pai trabalhava na alfândega (saudades desse tempo…) tinham graças que eu não me envergonhava,  nem envergonho em invejar.


Quanto à Leonor, aqui deixo alguns trabalhos dela que têm colorido a minha vida:



Em pleno atelier, no Bairro Manuel Pedro da Paz



Desenho que fez no jantar de anos do tio Fernando, no J J Videira.
Recortei-o da toalha da mesa, colori-o e hoje decora o móvel junto à minha secretária nas finanças de Marvão.
Nesse então, final de Junho, sonhava com a praia. Adoro a minha mulher, de magra que está! E o rádio cantante a bombar! E o sol... e o gelado... e eu a fazer surf... que equilíbrio!


Na porta do frigorífico de casa.
Sempre adorou a Mafalda do Quino. É uma heroína dela. De vez em quando apanho-a a lê-los. Tenho os volumes todos num calhamaço que comprei numa feira do livro em Castelo de Vide quando ainda namorava a mãe. Já o herdou em vida. Dorme no seu quarto. Presumo que vai consigo quando sair de casa...

Segue-se um tríptico com um desenho que me fez no 40º aniversário. Eu decorei uma lata para as canetas e plastifiquei-a com ele. Eu e a mãe... (reparem na qualidade do meu cabelo... E nos lábios da bomboca?)

A pequenita Alice com uns balões com a idade feita por mim

As princesas. As mais que tudo... (reparem no coração dela...)



Os Sobreiros em Portimão em 2013
(quadro oficial pintado por ela. Vou mandar emoldurar...)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sons das canículas

Quando eu era assim mais puto, mais jovem vá, eu e o meu pessoal amigo só ouvíamos os sons que vinham das ilhas britânicas. Já falei de alguns aqui há dias. Depois as gerações seguintes, dos putos que chegaram cá (a este mundo) a seguir, viraram-se para os Estados Unidos, para Seattle e o fenómeno grunge, encabeçado pelos Nirvana e Pearl Jam.

Por cá só consumíamos de peito e ouvidos abertos os Mão Morta e os Pop dell'arte. Os GNR eram muito pop e os Xutos já tinham ficado no 9º ano, no ciclo.

A malta parece que tinha vergonha do que era português. 

Mas os tempos mudaram e ouve uma revolução silenciosa que virou tudo do avesso. Génios como os de David Fonseca ou Tiago Bettencourt que glorificam tudo onde tocam eram impossíveis de existir no meu tempo de jovem.

Um mergulho sonoro que sabe sempre bem neste tempo de calor, agora baralhado pelas canículas:


Projeto que junta dois dos mais bem sucedidos fenómenos pop de Portugal: os Virgem Suta e os Pinto Ferreira. A música é deliciosa e cada palavra parece encaixar num som delicioso que se conhece ao primeiro acorde.

Video Os azeitonas – "Ray-Dee-O" aqui

O azeite destas azeitonas nem sempre é do melhor. Desta vez é de qualidade superior mas colaram-se logo à ideia de vídeo com palavras como os anteriores que já não é novidade desde que o Prince se lembrou de mostrar ao mundo um sinal dos tempos. 

Mas o Miguel Araújo é muito bom e tabela a coisa por cima. Querem ver como coloca a sua classe ao serviço dos outros, num original seu gravado em disco próprio?



Há dias ouvi este fado  que se segue no P.R.I.M.O. (Programa Realmente Incrível Mas Obtuso) dos grandes Vasco Palmeirim e Nuno Markl e fiquei maravilhado. É um fado absolutamente delicioso. Não ouvi a apresentação e tive de ir descobrir quem era. Afinal era o Zambujo que já juntei em Marvão com os Azeitonas quando era vereador da cultura, numas festas de Nossa Senhora da Estrela. Era uma questão de ir ver da foto do cartaz nos meus arquivos multimédia…



Tempo para o B Fachada que fui ver de propósito no CAEP há uns anos atrás. Rapaz que é um caso raro de talento e humildade. Comovente…


Agora, o génio de Variações revisto pelos novos tempos e apenas uma guitarra e uma voz desarmante mas singela.



Segue-se um dueto incrível, por ser tão simples e tão belo… Márcia e João Paulo Simões, aqui.

Para terminar, um grande Abrunhosa que tem tanto de mau cantor (só fala! Canto melhor que ele…) como de grandioso compositor.

Isto já tinha sido evidente aqui...



E agora, em 2013, comprova-se…



Tempos bons para se viver…

domingo, 4 de agosto de 2013

Um pedido de desculpas


Fotografia tirada por ele com o meu telemóvel. Estou-me a rir porque tirei 5 ou 6 seguidas e ficaram todas tremidas e horríveis. Vejam o ar dele e a minha cara de parvo


Agora que é fim de semana e estou mais calmo, com mais vontade de escrever ao computador, tenho tempo e vontade de vir ao blogue.

O desgaste no meu trabalho, nas finanças tem sido tão grande que chego muitas vezes ao fim do dia sem vontade de ver computadores, sem vontade de ler jornais, sem vontade de ver televisão, sem sequer vontade de passear à noite com a minha mulher e as minhas filhas que deveria ser um prazer enorme mas para o qual não tenho tido sequer força. Elas, mãe e filhas, compreensivas, percebem que é preferível verem o pai bem e a descansar em casa do que o terem ao pé de si, em passeio, cansado. Elas, que já tiveram sem mim meses a fio quando estava do outro lado, em coma, no hospital, preferem ter o pai bem do que não o terem como no passado recente.

Bom, mas não foi para isso que eu aqui vim hoje. A minha ideia e intenção é apresentar um pedido de desculpas ao meu irmão, Miguel Eduardo Lopes Sobreiro, 6 anos mais novo que eu. Aqui há dias, uns textos atrás, escrevi que eu era o Sabi original e havia uma imitação algarvia barata, vizinha do Camarinha mas era do Sporting e como tal, não era a autêntica. Fui duro. O gajo… fino, nem sequer ripostou. Passou-lhe ao lado. Nível.

Eu estava ferido porque por vezes, os da idade dele dizem-me: “ Aaahh… tu és o irmão do Sabi”. E eu respondo: “Não bébé, EU SOU o Sabi. O outro, quando muito, é o júnior, como eu lhe chamo. Mas eu sou o Sabi. O original. Foi a mim que me batizaram assim no ciclo.”

Hoje venho aqui publicamente pedir-lhe desculpas. Ao meu irmão, o Sabi Jr. Ele que é em muitas coisas superior ao original. Para já é muito inteligente e considero que aqui não leva grande vantagem. Não há falsas modéstias. Mas há áreas em que se destaca de mim, claramente. Em matemática (tirou Gestão de Empresas), a informática, em futebol, em beleza… (porque sempre o achei muito mais bonito que eu que não me considero nada bonito, palavra!) e já não posso dizer mais senão fica baboso.

Vou sempre de férias para Portimão, para junto dele. Já que as minhas pequenas, as 3, querem praia e eu também, sabendo que o Algarve é o melhor destino no nosso país… já que temos de descer, ao menos acampamos junto a ele, que vive lá. Alugamos uma casinha muito simpática há muitos anos e é um desfrute total. É só atravessar a estrada e estamos logo no areal, no Vau. Ele mora a minutos e mete-se facilmente lá. De Vespa 125 cc é um salto.

Isto tudo para contar uma história que é privada mas que quero aqui tornar pública. Há dias, estando de férias no Algarve, deixámos os putos e as mulheres em casa à noite e fomos sair os dois. Nada de noitada, nada de discos, nada de gajedo, apenas uma voltinha até cedo, meia–noite e tal. Atracámos no Aqua, o maior centro comercial do Algarve. A ideia era ajudar-me a escolher o meu novo telemóvel. Não queria gastar muito mas queria uma coisa em condições, que desse para ouvir música, ir à net e, já agora, telefonar!

Como aderi ao M4O recentemente, fomos à loja do MEO e aconselhou-me o Sony Xperia Go. Eu sou um  nhurro na matéria, apenas percebo a óptica do utilizador e nem sei se o utilizador tem uma óptica. Ele é um crânio a informática, como lhe chama o nosso grande amigo Rui Felino, e eu embarquei naquela. Comprei cá na Worten em Portalegre, para deixar aqui o dinheiro e para não permitir que acabe tudo no interior mas ainda nem sequer o utilizei. Ainda não tive tempo de o estudar como gosto e aquilo parece-me um mundo. Modernices… Aquela cena parece-me mais um computador de bolso do que um telefone. 199, 90€. Bom! Barato e está quase a esgotar em todo o país pela relação preço/qualidade.

Nessa noite, dois alentejanos no Algarve foram jantar… (suspense)… ÀS BIFANAS DE VENDAS NOVAS! Maravilhosas! E liguei logo ao Rui porque mora lá, no Alentejo. Um franchising de sonho.

No dia seguinte mandei ums sms ao meu irmão a agradecer a ajuda dizendo algo como isto (desculpa revelar): “Obrigado pela noite que passámos juntos e pela tua ajuda. Foi muito importante na nova aquisição. Só houve dois homens que eu amei na vida. Um partiu cedo demais, com apenas mais 9 anos que eu agora. Mas se lhe dissesse que o amava, ele que foi um revolucionário e um gajo que sempre foi a todas, chamava-me logo paneleiro. “ Ó Pedro: aos gajos não se diz que se ama. Isso é às mulheres! Vai-te lá amolar!” (Parece que o estou a imaginar). Mas a ti, Miguel, posso dizer-te que te amo.”

Minutos depois respondeu-me: “És um paneleiro!”

Fartei-me de rir e respondi-lhe: “Quando mais não seja, por ti, o pai continua vivo.”

Um abraço,

Fica bem.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A televisão é SIC, sic, sic...




A SIC é a minha televisão, porque é, de longe, a melhor. Nada de TVIs que é só brejeirice e nada de nada estatal porque a RTP está subjugada há muito tempo ao poder estatal.

Antes de ser vice-primeiro ministro e número 2 do governo, o Paulinho das feiras, depois de ter desancado forte e feio no Cavaco no jornal Independente, já temia que corressem atrás dele. Dizia então para terem “cuidado com a televisão do Balsemão!” Medo… Muito medo…

As voltas que o mundo dá… Há meses foram juntos ao funeral do abrasado do Hugo Chávez, em representação do Estado Português. Lado a lado… Imagino as conversas, tomando um Licor Beirão, claro! porque temos de defender o que é nosso.

Quanto à SIC, hoje deu-me dois momentos altos do dia.


Momento 1 – A notícia era: O Tribunal da Relação do Porto mandou readmitir um trabalhador do lixo por trabalhar embriagado. Os juízes consideraram que o álcool até pode atenuar as agruras da vida e melhorar a produtividade. A empresa de gestão de resíduos Greendays vai recorrer da sentença, considera que a decisão do Tribunal da Relação do Porto é "surreal".
Leiam bem outra vez e segurem-se! Isto é mesmo verdade! A gente vive num país assim! Absolutamente genial. Nem os Monty Python se lembrariam de um momento destes num momento de criação pura a roçar a loucura. O pessoal lá do tribunal pensou assim: “epá, mas o gajo andava grosso a acartar com o lixo? Não há mal nenhum nisso! A ver tudo aos S e sem poder cheirar, até lhe custaria certamente menos!” Tá bem! Pode voltar!



Momento 2 – A notícia era: Em Marvão, a piscina fluvial e o centro de lazer de Portagem são o centro das atenções nos dias de calor. A população chega a aumentar cinco vezes e os negócios locais agradecem.

Para um gajo como eu que tirou o curso superior de comunicação social sonhando ser jornalista, sei que é pouco. Mas se repararem bem, no final, a nadar na piscina, de óculos pretos apareço eu! É certo que quando a SIC nasceu e eu estudava em Lisboa, tinha ideia de aparecer mais vezes, mas… assim sempre é melhor que nada! Pelo menos a minha querida cunhada que está a passar férias no Algarve ligou-me logo de manhã a perguntar se era eu e o meu querido irmão Pescada, colega nas finanças desde o princípio onde formámos uma dupla imbatível em Nisa, tipo Batman e Robin dos tempos modernos, também me perguntou o mesmo. Viram que não foi casualidade? Posso aparecer menos que o Baião mas sempre apareci. E eu sou mais melhor bom como diz a minha Alice porque gosto mais de mulheres que ele que de pegar de marcha-atrás não se livra da matrícula!

nota: os vídeos só foram publicados na minha página do facebook. Por pura azelhice minha ou do pc, não entraram aqui. Vejam na outra taberna que vale mesmo a pena!


terça-feira, 30 de julho de 2013

Lisboa… és só tu e eu

Breve nota explicativa do autor, o vosso tio sabi: este post é uma aula gratuita que vos dou, meus pequenitos e pequenitas, sobre música moderna portuguesa. Quer isto dizer que o texto deu trabalho a fazer. Cada palavra sublinhada tem um link associado. Se clicarem em cima, têm acesso direto ao assunto em questão. Têm tempo? Pagaram o estacionamento do carro? Pode demorar 5 minutos a ler, mas também pode levar meia-hora e umas minis. Vai partir o comboio fantasma. À borla!  





Eu já não sou do tempo do punk.

O punk rock nasceu poucos anos depois de mim. Os Sex Pistols, os grandes embaixadores, muito mais radicais que por exemplo, os geniais Clash, lançaram o seminal “Never mind the bollocks” quando tinha 4 anos. Nessa altura, eu andava mais com a Abelha Maia, aquela doida varrida, a saltar de nenúfar em nenúfar com o saltarico Flip.

A revolução “do it yourself” com 3 apenas 3 acordes foi uma bomba e “bateu-me” anos depois. Bateu muito.

Sou mais da pop, dos Smiths e dos primeiros The Cure, mas as repercussões da pedrada no charco nunca deixaram de se fazer sentir.

Em Portugal, os Peste e Sida e os Tara Perdida do mítico João Ribas, davam cartas altas. Vi-o na rua quando estudava em Lisboa e naquele então, os tempos agrestes eram bem visíveis nele. Pensei que tinham acabado.

Sou hoje surpreendido com o fabuloso hino à capital que fizeram com o Tim, dos Xutos e Pontapés. Esse Tim que cada vez mais se torna uma figura incontornável do rock-pop português, pelos inúmeros projectos de qualidade em que já se envolveu. Eu que me considero um melómano, recordo apenas os Resistência e os Rio Grande para justificar o estatuto.



Um grande tema dedicado à nossa capital que já bem o merecia. A Lisboa de Alfama, do Bairro Alto, da Mouraria tem agora um tema à sua altura. “Lisboa és só tu e eu”, cantam.

Muito bom. Uma taça de Portugal a fazer lembrar o troféu da Liga dos Campeões que os míticos The Pogues, os punk folk Pogues do grande Shane Macgowan fizeram a Londres quando a compararam a uma senhora. Pogues que foram a minha estreia em concertos internacionais num Coliseu dos Recreios apinhado, numa noite apadrinhada pelo meu querido amigo Chico Serôdio. Noite quente, noite bem vivida, noite imemorável que terminou com um vai-vem de cacilheiro que há-de ficar gravado a ouro para todo o sempre. 

Carregar na ligação em baixo para ver o video com a letra lindissíma a decorrer


sábado, 27 de julho de 2013

Saudades da idade da pedra (acho que já nasci depois...)



A minha filha Leonor, de 11 anos, 11 ANOS !!!!!! meteu esta fotografia no facebook, tirada há dias neste Verão em Portimão, na praia do Vau.

Analisem lá a minha reação e as outras todas que se seguiram (likes e comentários) na última imagem que aqui publico e digam lá se o título deste post não está bem metido. 

Quando digo que ao primeiro pretendente começo aos tiros, o mato e espero que a notícia se espalhe depressa, ela costuma responder-me: 

"Nãããoooo... tu deves é querer que eu fique para tia, velhota e com a minha casa cheia de gatos!".

Dá para resistir a isto?!?!?!

O prognóstico do Fernando Ulrich, presidente do BPI sobre se o povo aguentava esta crise, também se aplica a mim quanto a este assunto..."ai aguenta, aguenta!".


quinta-feira, 25 de julho de 2013

O horror

(clicar para ver)










Hoje tinha ideia de publicar um ou outro de uma série de assuntos que me foram chegando à cabeça durante o dia. Matérias a escolher de um rol que fui apontando num post it, como sempre.

Por mais importante que fosse, seria uma merda qualquer comparada com o assunto negro do dia: mais de 80 mortos e muitos mais feridos para o resto da vida num acidente num comboio de alta velocidade em Espanha. O pior em 40 anos.

Eu posso ser muita burro mas nem sequer sonhava que isto poderia ser possível: uma máquina daquelas, um avanço daqueles passar a 190 quilómetros por hora numa curva onde o máximo era 80 km/h. Posso ser muita possidónio, muita labrego mas realmente acreditava que numa máquina assim tão sofisticada, de tecnologia de ponta, os computadores não poderiam permitir um erro humano desta natureza. Pensava eu que à frente das máquinas estaria um técnico, ou vários técnicos especializados apenas ao controlo das operações. Nunca um homem, um burro, um filha da puta que sobreviveu e pediu que não houvessem mortos porque lhe iriam pesar na consciência. Pesar?!?!?!? O RAIO QUE O PARTA! Onde diabo teria a cabeça ?!?!?

A mais do dobro da velocidade.

Somos humanos e o mais precioso que temos é a vida. Estes abanões metem-nos no lugar. Fazem-nos perceber quão passageiro é isto tudo. Nada temos. Nada possuímos. Apenas o que sentimos e vivemos. Somos passageiros desta jornada. Não sei nem de onde vimos, nem para onde vamos. Como dizem os padres na quarta-feira de cinzas que é o primeiro dia da Quaresma: “lembra-te que és pó e em pó te hás-de tornar”. E é tudo. O resumo do filme da vida numa frase. Crú e duro mas quem disse que viver era fácil? E o livro de instruções, onde está?

A minha oração vai para aqueles que partiram. Também para os que ficaram com marcas para toda a vida. Imagino os instantes antes do horror. O conforto das carruagens, uns a dormitarem, outros a ouvirem música, a falarem ao telefone, a verem filmes no pc, a jogarem psp, a lerem jornais, uns namorados a beijarem-se e a pensarem na vida que iriam construir a dois, nos filhos, no futuro…

Tudo se desvaneceu em segundos.

O choque ao ver as imagens foi tremendo.

Difícil de recuperar dele.

Não tendo nada a ver connosco, tinham tudo! Eram humanos. Eram colegas. Eram seres com ambições.

Nos outros, estremecemos ao imaginar a visão das nossas costas.

Que estejam em paz.

Que Deus os guarde.

E renasçam algures numa nova vida. Que possam dar significado a tudo isto.

Era duro demais acabar ali.


Para eles e para nós.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O papa Chico é fixe (e já agora que vem a talho de foice: o Soares está xéxé e que se lixe)





Quem ler este texto depois do último aqui publicado dirá certamente que não foi escrito pela mesma pessoa. Mas quem conhece o “artigo” por trás do enredo, sabe que o vosso Tio Sabi de certinho nunca teve nada.

Agora assino por Pedro Sobreiro porque se me varreu a password de quando assinava Tio Sabi mas vocês sabem que o animal é o mesmo. Sabi só há um. O verdadeiro e mais nenhum! Acho que há uma réplica no Algarve mas é vizinha do Zézé Camarinha e é do Sporting. Só pode ser contrafacção, coisa de loja do chinês, agora que já não há loja dos 300.

Agora assino por Pedro Sobreiro, o meu nome falso de travesti de pessoa normal. Disfarça…

Este intróito para falar do papa Chico. O papa Chico é gajo valente e que me enche cá as medidas. Façamos um pouco de história. Só me lembro do Karol Wojtyła que era um bom homem. Lutador mas muito doente nos últimos tempos, exercendo um mandato em que a fé se sobrepunha quase a tudo. No final, não exercia: arrastava-se. Sofria vê-lo sofrer. Era uma cruz pesada demais.

O Ratzinger não jogava cá no meu clube. Eu acredito em Deus, na força que rege o mundo, mas a igreja… deixa um bocadinho muito a desejar. Tanta coisa má… Só aquela dos padres não poderem amar uma mulher e terem de ser celibatários, quando o próprio Jesus amou Maria Madalena! Só pode ser disparate ou brincadeira. Tal deve ser cá a fomeca… Pois o Ratzinger poderia ser o melhor ser do mundo mas a mim… não me convencia. Havia ali qualquer coisa…

O papa Chico é gajo fixe. É de Buenos Aires, da Argentina. Gosta de vinho. Gosta de bola. De certeza que gosta de mulheres mas só de as ver que o homem é celibatário (mas tem olhos…  e  de certeza que a sua vista gosta de ver as irmãs converterem-se. Não se pode fugir à natureza!).

No Brasil baldou o faval e mandou a polícia de segurança pastar. O Miguel Sousa Tavares disse que o homem não podia estar bom ao fugir à proteção da bófia. Disse que qualquer dia não há nenhum estado que o queira receber. E ele quer lá saber! Ele é amigo dos pobres, dos desgraçados, dos sem nada e por isso escolheu o nome Francisco em nome do exemplo do de Assis.

Nas primeiras declarações que fez ao chegar a terras de Vera Cruz, o papa Chico disse que não trazia ouro, nem prata, mas sim Jesus Cristo.

Isto é de um poder brutal.

Jesus era o rebelde. O rebelde. Nada temia e nada o parava. Nem os sábios, nem o poderoso exército romano, nem os poderes instituídos, nada! O episódio em que expulsou os vendilhões do templo do seu pai exemplifica bem o doce que era. À paulada!  Mas Jesus também era compreensão. Perdão. Amor ao próprio. Inteligência.

O papa Chico é grande! Long life to the pope. Prometo que assim que vir uma t-shirt dele, a compro de cruz. E era gajo para beber um tinto com ele. Deve-se estar bem na sua companhia. Assim sim: a igreja vai lá. Próxima dos homens. Acessível. Humana. Terrena. Nada de opas douradas nem varas de ouro. Nada do Vaticano como um dos estados mais ricos do mundo. Pequenino e cheio do papel.Com tanta gente a morrer à fome! Se ele cá viesse a baixo ver isto…


O Chico leva a malinha na mão para o avião. O Chico é cá da gente! Viva o Chico!