sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Translating (nota do editor: traduzindo)

Post dedicado à mulher que amo



Este blogue é poderoso. Pensar que quis acabar com ele é desolador. Como é que fui capaz?!?!

Eu também vivo aqui. Por aqui chego a quem quero. Isto vale muito mais que um livro, uma revista ou outra publicação qualquer. Isto vale muito. Isto vale-me a mim. Quanto mais não seja, vale por isso.

Há muito tempo que ando a querer explicar à minha Leonor a importância que tem em se perceber a língua inglesa quando se gosta de música. Quando se compreende o inglês, a música ganha outro sentido porque a mensagem que ganha terreno à musicalidade.

O inglês que sei aprendi-o muito pela música e pelos filmes e por nada ser dobrado em português. A dobragem torna as pessoas cómodas, egoístas, fechadas, lazeirentas. O cérebro pára, só consome. Enquanto a legendagem nos faz estar permanentemente a dobrar a nossa própria língua. A ver os erros, a corrigir. O cérebro está sempre a trabalhar em dois caminhos, em duas vertentes, em duas pistas.

O inglês aprendi-o por mim. Os meus pais nunca me ensinaram a língua inglesa porque nunca souberam para eles, quanto mais. A minha mãe dá uns toques mas limitados. O convencional. Quanto ao meu pai, os únicos toques que dava era na bateria Ludwig igual à do Ringo Starr e na viola. Inglish? No, Só de praia!

Chegado ao ciclo preparatório, a língua estrangeira de escolha foi a francesa, considerada a segunda, desde o tempo da minha mãe, quando a cultura francesa tinha muita força. A minha geração foi a de confirmação de viragem para a língua das terras de sua majestade. O inglês que é a língua universal, a maior do globo, a mais falada, à frente do castelhano e do chinês que só é percebida pelo raio dos “amarelos”.

Aprendi o inglês tão bem na vida que cheguei a ser professor da língua inglesa na Guarda Nacional Republicana, onde ensinei o idioma a centenas de alistados durante três anos. Tirei o curso, não tinha emprego e tinha de me desenrascar, ganhar dinheiro para dar alegria à minha vida. Não tinha habilitação própria mas como tinha muitos anos de inglês, incluindo na universidade, desenrascava. Vim-me embora porque aquilo não era certo, já estava casado e tinha de me virar por mim. Como os contratos eram anuais, revalidados em Dezembro e o Natal era sempre incerto e angustiante em vez de ser tempo de família e de paz, decidi sair, por mim. Para grande pena dos meus superiores lá que gostavam muito de mim. Como sou bom rapaz, educado, respeitador, deixei marca. Ainda alguns quando me revêem me tratam por professor. E eu gosto. J

Há dias traduzi em direto e no momento esta música dos Coldplay. A Leonor estava a ver o vídeo na MTV e eu expliquei-lhe no momento, a importância de se compreender o inglês. Não traduzi tão bem como aqui está agora, mas passei as linhas gerais. Um misto de emoções atropelaram-me nesse instante. Isto não é apenas uma música. Isto é um hino à vida. Um hino dos Coldplay que conseguem ser brilhantes quando são assim simples e desarmantes. Quando acabei de traduzir isto à Leonor, eu que quase morri de um estúpido acidente de Vespa, senti-me tão bem por lhe conseguir passar esta mensagem à filha já adolescente que comecei a chorar. Não foi um pranto, mas um choro contido, de glória, com as lágrimas a correrem-me cara abaixo, em silêncio como na música.



Quando tentas o melhor mas não consegues,
                                                   When you try your best but you don't succeed,
Quando alcanças o que queres mas não o que precisas,
When you get what you want but not what you need,
Quando te sentes tão cansada mas não consegues dormir,
When you feel so tired but you can't sleep,
Presa em voltar atrás,
Stuck in reverse

E as lágrimas correm-te pela cara abaixo,
And the tears come streaming down your face,
Quando perdes alguma coisa que não consegues voltar a pôr no lugar,
When you lose something you can't replace,
Quando amas alguém mas deitas fora,
When you love someone but it goes to waste,
Poderá ser pior?
Could it be worse?


As luzes irão guiar-te a casa,
Lights will guide you home
E fazer-te mexer,
And ignite your pulse,
E eu irei tentar arranjar-te.
And I will try to fix you.


E lá bem alto ou muito em baixo,
And high up above or down below,
Quando estás tão apaixonada para o deixar partir,
When you're too in love to let it go,
Mas se nunca tentares, nunca irás saber,
But if you never try you'll never know
Quanto realmente vales
Just what you're worth


As luzes irão guiar-te a casa,
Lights will guide you home,
E fazer-te mexer,
And ignite your pulse,
E eu irei tentar arranjar-te.
And I will try to fix you.


Depois desafiei a Leonor para traduzir uma música das que ambos gostamos e agora passam muito na rádio. Junta o vocalista dos Fun e a Pink que agora está em grande e em todas as frentes.

O resultado que vem a seguir, com o vídeo e a tradução feita por ela surpreendeu-me. A tradução é mesmo dela e é bem feita. Tinha uma série de músicas que lhe queria pedir para traduzir. Mas para uma miúda de 11 anos, passou com tanta distinção e feeling musical que rebentou com as que se músicas que se seguiam. Traduziu a música melhor que a mãe que é técnica superior de turismo. Não sabe tanto de inglês mas soube procurar e já vai sabendo mais de música e poesia. Não valem a pena mais traduções. Passaste Leonor. E com distinção!



Desde o princípio,
Right from the start
Eras um ladrão,
You were a thief
Roubaste o meu coração
You stole my heart
E eu… (não traduziu o resto da frase “your willing victim” porque não sabia traduzir. Viu no dicionário e não conseguia perceber. Deixou em branco. Prova que a tradução é mesmo verdade, feita por ela, como ela me jurou, olhando-me para os olhos e eu acreditei nela. Como sempre acredito quando lhe olho para os seus olhos)
And I your willing victim
(Traduz o pai)         E eu, a tua vítima voluntária

Deixei-te ver as minhas partes
I let you see the parts of me
Que não eram tão bonitas
That weren't all that pretty
E com cada toque tu arranjaste-as
And with every touch you fixed them

Agora tu tens falado a dormir
Now you've been talking in your sleep, oh, oh
Coisas que tu nunca me disseste
Things you never say to me, oh, oh
Diz que já tiveste o suficiente
Tell me that you've had enough
Do nosso amor, nosso amor
                                                                                                   In our love, our love

Dá-me apenas uma razão
Just give me a reason
Apenas um pouco é suficiente
Just a little bit's enough
Apenas um segundo quando o partido está apenas dobrado
Just a second we're not broken just bent
Para podermos voltar a amar
And we can learn to love again
Está nas estrelas
It's in the stars
Está escrito nas cicatrizes dos nossos corações
It's been written in the scars on our hearts
Nós não estamos partidos mas apenas dobrados
We're not broken just bent
Para podermos voltar a amar
And we can learn to love again



Desculpa não estou a entender
I'm sorry I don't understand
De onde está a vir isto tudo
Where all of this is coming from
Pensei que estávamos bem
I thought that we were fine (Oh, we had everything)
A tua cabeça está num caos outra vez
Your head is running wild again
Minha querida ainda temos tudo
My dear we still have everythin'
E são só coisas da tua mente
And it's all in your mind (Yeah, but this is happenin')

Tu tens tido pesadelos horríveis
You've been havin' real bad dreams, oh, oh
Tu costumavas deitar-te ao pé de mim´
Used to lie so close to me, oh, oh
Não há mais do que lençóis vazios
There's nothing more than empty sheets
No nosso amor
 In our love, our love


Just give me a reason
Dá-me apenas uma razão
Apenas um pouco é suficiente
Just a little bit's enough
Apenas um segundo quando o partido está apenas dobrado
Just a second we're not broken just bent
Para podermos voltar a amar
And we can learn to love again
Está nas estrelas, está escrito nas cicatrizes dos nossos corações
You're still written in the scars on my heart
Nós não estamos partidos mas apenas dobrados
You're not broken just bent
Eu nunca parei, para podermos voltar a amar
I never stopped, and we can learn to love again


Our tear ducts can rust
Vou arranjar isso para nós
I'll fix it for us
Nós estamos a ganhar pó
We're collecting dust
Mas o nosso amor é bastante
But our love's enough
Tu estás a segurá-lo
You're holding it in
Tu estás a servir uma bebida
You're pouring a drink
Não, nada é tão mau como parece
No,nothing is as bad as it seems
Vamos dizer a verdade
We'll come clean

Tradução de Leonor Sobreiro de 11 anos
(nota do pai, editor e dono desta taberna virtual): às vezes parece incrível mas é verdade, verdadinha, verdadeira) 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A GRANDE pequena Alice (de 3 anos)



A minha Leonor é muito inteligente. Digo isto com muita alegria e alguma vaidade mas sem me querer armar aos cágados. É a constatação de uma realidade. Dizer isto para mim é tão óbvio como dizer que a Alicia Keys é linda, tem uma voz soberba é uma artista que não dá um tiro ao lado. A Leonor sempre teve uma inteligência pacífica, tranquila.

A minha Maria, filha pelo baptismo, também é muito inteligente. Mas já é uma inteligência rebelde, algo desassossegada. Muito desassossegada. Questiona tudo o que mexe.

A ver se consigo explicar a diferença: pela Leonor ainda vivíamos no tempo do Salazar se ele não tivesse caído da cadeira, o pobre do velhinho. Para não fazer reboliço, ela aguentava o Antigo Regime. Sofria em silêncio.

Isto para dizer que se as grandes são assim, a minha Alice é um upgrade da Maria. É a inteligência dela em versão de 2010. Rebelde ao cubo. Um cubo em 3 dimensões e virtual.

Dois apontamentos deste domingo passado:

Fomos almoçar fora com as tias do Vasco Santana (as minhas…) no sítio do costume quando saímos para comer no Verão, à beira rio e a ver Marvão. Onde se paga não só a comida mas o espaço também. Tudo muito bom, tudo muito fantástico. Mas a Dona Alice, que tinha ido de manhã para a piscina comigo e com a mana, arreou depois do peixinho grelhado. Não foi ao tapete, resistiu mas quando fomos dar uma voltinha a Castelo de Vide para apresentar às minhas tias que estavam desertas de ver gente e coisas novas, a loja da mãe da minha amiga Sofia Borges, a Alice deixou-se dormir no carro. Aí só não foi ao tapete como se diz no boxe porque ficou encostada na cadeirinha. Ficou com guarda mas a descansar no carro. “Coitadinha… eu sabia que se ia deixar dormir”, pensei. Uma meia hora depois decidimos regressar a casa. Eu arrisquei-me na condução e desci uma rua mais estreitinha do que eu me lembrava, que vai da igreja matriz à fonte da vila. Raspei um bocadinho com o espelho. Um bocadinho, porque o Astra é largo que se farta e eu estava habituado a descer aquilo à pendura nos carros dos meus pais, mais franceses e mais fininhos, um Renault e um Peugeot. Tudo tranquilo. Tudo calmo. Mas a menina Alice, de 3 anos, acordou com uma energia que foi como a inteligência dela. Quando ouviu o carro a raspar, saltou e disse bem alto e a ralhar: “se a mãe tivesse vindo não te tinha deixado vir por aqui!” Logo assim, de rompante e à primeira, sem medir as distâncias. Como eu não tinha medido com o carro.

Como se não bastasse, de tarde outra pérola, esta relatada pela mãe que a presenciou. Como almocei bem, apenas jantei uma sopa e uma peça de fruta. A Cris falou com a Tia Bia e ela disse que a Alice tinha comido bolachas na Beirã. Houve mal entendido e a Cris que é uma mãe zelosa foi-se na conversa da minha tia que tem quase 90 anos e já se alimenta com muito pouco porque os anos não querem fartazanas. Confiaram uma na outra. Descuraram a Alice. A Alice também comeu uma sopa fantástica que a mãe tinha estado a fazer nessa tarde, para desenjoar. Quando acabou de comer a sopinha, achando que o convés ainda não estava bem arrumado, disse: “ó mãe: eu agora queria um bocadinho daquilo que se come depois da sopa ao jantar.”


Compreendem agora o que escrevi no princípio do texto?

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Espelhos

Hoje apercebi-me pela radio que o Justin Timberlake tinha vencido ontem o MTV vídeo music awards. Uma cerimónia de prémios que era um must imperdível para mim quando era teenager. Hoje estou quarentão e já me passa ao lado. Mas a música não. O vídeo é verdadeiramente impressionante. Compreender a letra ajuda muito. Vou abrir neste blogue o capítulo da tradução em breve (era para ser hoje...) e esta é uma das sérias candidatas para ficar na calha.

O Justino Timberlaquiano aprimorou-se e ter o mago Timbaland por trás ajuda. E muito.

Eu gosto muito de música pop. Pop de popular, inteligente, orelhuda. Pop como o meu amigo Zé Manel Dias que o meu pai numa tirada ao seu melhor estilo, alcunhou de Zé Pop.


Esta pop não é uma pop qualquer. É envolvente…


Professor Bama, ali na 5 de Outubro, em Pistalegre

Este Verão tem sido mesmo para viver o Verão. Família, piscina e amigos são os pratos do dia desta ementa mediterrânica do summer. Só há noite tenho tempo para ir tratando da minha vida na net.

Enquanto preparo as novas publicações que vão sair amanhã fresquinhas, tempo agora para um conselho. Uma palavra de apoio recebida há dias no vidro do carro em Portalegre.

Quando os tempos são de aflição… 

É favor não confundir este Bama que é o verdadeiro com o primo escurinho que é presidente dos Estados Unidos da América. Esse tem a letra O antes do nome e é um fraco pensador. Bama é um e Obama é ligeiramente diferente. O que é nacional é bom... Vejam apenas as credenciais: Mestre, astrólogo, curandeiro, espiritualista e como se não chegasse, ainda por cima é cientista. Nível!



terça-feira, 20 de agosto de 2013

Prato do dia: iscas de sebolada (com o novo acordo ortográfico?) e um espadarte (grande e velho e xéxé)

Nestes dias, ter um blogue é fácil. Quer dizer… é fácil em termos de assuntos. As matérias blogáveis são tantas, tantas, tantas e surgem de tantos pontos do dia que são como os tortulhos: basta um bocadinho de humidade e nascem logo uns poucos. A informação é tão abundante e as formas de chegar a ela são tão variadas que podia levar o dia inteiro a alimentar o meu blogue, sem me repetir. O menu poderia ser tão rico e variado que o prato do dia nesta tasca nunca se repetiria. O problema é que este prazer não dá rendimento ou como diz o meu grande amigo Pescada, não me dá o dinheiro “que dá alegria à minha vida”. À minha e às minhas pequenas…

O problema é o tempo. Assuntos que deito fora e deixo cair chegam a ser aos pares por dia. Mandar para o lixo petiscos como punhetas de bacalhau e toucinho frito, com tanta fome que há no mundo, dá pena! E o vinho? Eu sei que é carrascão, de baixa qualidade e preço, mas é vinho, que diabo! O tempo não chega… Não dá! No Inverno sempre tenho mais tempo. Quando tudo vai prá caminha, fico acordado a fazer o gosto aos dedos e aos miolos. Agora no verão… com o sol, o calor, a piscina maravilhosa que temos na Portagem… não dá! Ontem à noite, os meus santos sogros deram uma excelsa sardinhada. Hoje outra, na casa do meu querido Escarameia. As solicitações são mais que muitas e eu pareço uma dondoca daquelas que andam a correr de festa em festa para aparecer nas revistas do social. Que cabra vadia me saí!
 

O meu querido Vítor Hugo, colega no fisco e iscspiano como eu, mandou-me esta pérola que adorei. Já tinha recebido há tempos mas voltei a rir-me muito. O português espalhou uma língua lindíssima pelo mundo. África, Ásia e América do Sul. Agora aprende com eles essa mesma língua com o novo acordo ortográfico. Cedendo aos recetores. Saudade… a única palavra que não tem tradução. Saudade desse tempo atrás. Pensar que andou o D. Afonso Henriques a espetar surras na mãe para fundar este condado… Se tivesse estado sossegado a ver o Meo…



Outro amigo do fisco que foi colega nos tempos de liceu, o grande Gonçalo, mandou-me esta belíssima crónica da grande jornalista e escritora Clara Ferreira Alves que eu sigo sempre no Expresso (revista) e na televisão (Eixo do Mal na SIC Notícias). Brilhante, como sempre, sem papas na língua. (clicar nas ligações em cima dos nomes para saber mais)

Para vós, meus petizes, do vosso tio sabi, com amor…

Texto original:

"Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.

A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante uma longa carreira politica. A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo de Paris.

A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma "brilhante" que se viu o processo de descolonização.

A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.

A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.

A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.

A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os "dossiers"…

A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.

A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.

A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com "testas de ferro" no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.

A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.

A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume ao caso Emaudio e ao caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.

A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, "Contos Proibidos", que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume as "ligações perigosas" com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse transportando diamantes, no dizer do então Ministro da Comunicação Social de Angola).

A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países ("record" absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).

A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal, aproveitando para dar uma voltinha de tartaruga.

A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.

A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da República.

A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.

A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.

A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.

A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente num incêndio dos Paços do Concelho.

A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a um milhão de contos.

A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de quinhentos mil contos, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.

A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.

A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na... Fundação Mário Soares.

A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.

A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era... João Soares.

A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do "Público", José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.

A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.

A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates "o pior do guterrismo" e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.

A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais mais uma vez.

A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.

A lucidez que lhe permitiu ler os artigos "O Polvo" de Joaquim Vieira na "Grande Reportagem", baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.

No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai.
Vai.... e não volta mais.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O homem da ciência que é livre a pensar


O jornal “Expresso” faz mesmo opinião, como diz o slogan publicitário. Tenho o hábito de o comprar todas as semanas. Não há sábado sem o “Expresso”, um hábito que ganhei antes de ir estudar jornalismo para Lisboa. O “Expresso” faz escola. Este hábito só foi bruscamente interrompido quando estava em coma. Retomei-o pouco tempo depois de estar de volta a esta vida. É o único jornal a que não sou capaz de dizer que não. Umas vezes dedico-lhe mais tempo. Outras vezes, os afazeres de pai e marido e funcionário do estado e amigo… não me deixam despender na sempre prazenteira leitura do periódico mais tempo. Às vezes queria mas… o tempo passa e com um novo sábado, nova edição. De forma que… nem sempre chego a ele.

Mas a revista desta edição de 15 de Junho ficou. “O homem da ciência que acredita na reencarnação” foi um isco apelativo demais para ser perdido. O subtítulo “O espírito é o tema do novo livro do chairman da Bial, onde fala da vida além da morte ou da telepatia, citando estudos científicos”, adensou ainda mais o apetite.

Ter um homem da ciência que se dedicou à ciência para poder ajudar os outros, a defender uma teoria que defendo há tanto tempo de que esta vida é demasiado curta para acabar tudo aqui, pareceu-me maravilhoso. Demorei semanas a poder ter tempo para a ler em silêncio, podendo refletir e pensar nas palavras. Mas tive um prazer tão, tão grande a ler assuntos como a sua visão da religião que afinal tem tanto em semelhante à minha que não descansei enquanto não conseguisse este pdf da entrevista para a publicar no meu blogue. Tive de ir editora Gradiva para a conseguir. Mas aqui está ela, na íntegra, para partilhar com os meus leitores.

O ouro do século XXI, a informação, multiplica-se sem se perder.

O livro já está na mira das aquisições.

O pdf da entrevista surge clicando aquiDesfrutem! (É de borla...)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

ABELWATCH (a última versão do swiss watch, ou seja SWATCH)

Álbum de memórias: momento da entrega do relógio novo ao Abel, que o segura e exibe na mão


Este artista já não é novidade aqui no palco de variedades que é esta taberna virtual (taberna com b em vez de v no novo acordo ortográfico do vosso Tio Sabi) ou seja, neste blogue. Mas justifica-se. Porque o Abel, como ele se apresenta sempre, é bom. “O Abel é bom”, dito por ele, pelo Abel, pode parecer uma redundância mas não é. Quem o conhece, sabe bem que é verdade. É um bom coração, um pobre diabo que não faz mal nem quer mal a ninguém. Só o vejo zangado comigo de vez em quando e tem razão para estar. Eu gosto tanto dele que quando o apanho distraído, como ele é tão maneirinho e tão pequenino, o agarro por trás e o levanto no ar, o meu amor pequenino. Ele fica bruto, quer-me morder e dar murros e dá uma série deles no ar. Só que nunca me apanha com um gancho daqueles. Também… eu gosto do risco e se me acertar, não lhe posso levar a mal porque quem brinca com o fogo, arrisca-se a queimar o rabo.

Quando alguém de novo assiste às nossas brincadeiras, ele explica baixinho, como se estivesse a traduzir, “somos muito amigos…”. E somos. Adoro quando ele me dá um abraço apertado e me diz a sorrir: “olha o meu grande amigo…”

O Abel vive hoje na Santa Casa da Misericórdia. Que é mesmo santa, mesmo grande casa e tem a enorme misericórdia de albergar estes homens como ele, filhos de Marvão perdidos. Lá come, dorme e veste. Lá é bem tratado. Isso vê-se. Isso sente-se quando se fala com ele.

Não resisto a contar e a publicar esta história porque é mesmo deliciosa e sem maldade.

Eu sei que ele faz 66 anos a 23 de Outubro. Sei porque ele mo disse. E quando me disse a data cravou-me logo para lhe oferecer um relógio.

Eu tenho em casa uma coleção considerável de Swatches. Adoro relógios e na impossibilidade de ter um caro, tenho comprado estes são mais económicos e sempre marcam momentos da minha vida. Não passam de 10. Mas sempre são alguns e como sou vaidoso, reconheço-o, vou variando diariamente, consoante a toilette.
Há dias, o Abel disse-me que precisava de uma pilha para o antigo dele que tinha deixado de trabalhar. “Mas para quê é que tu queres uma pilha nesse relógio se te vou oferecer um nos anos, Abel ?! E o Gonçalo já me disse que te ofereceu um!”

“Mentira! É mentira.” Respondeu. “Ele disse que m’ia dar um mas não deu. Diz que não tem pilha.”

“Ai Abel, Abel que és tão chato!” e lá vim eu com o bom do relógio à Casa Moura, na hora do almoço. A pobre da Susana fartou-se de tentar mas não conseguiu abrir a caixa do aparelho. Ela mostrou-me e o relógio tinha uma grande pancada na caixa atrás que não deixava mudar a pilha. Tentou, tentou com uma navalha mas nada. Aquilo deve ter sido feito numa noite de vida artística quando eu o conheci, há muitos, muitos anos atrás. Num baile qualquer e quando as cervejas o tornavam por vezes mau e agressivo por ser gozado pelos outros, pelos homens maus, por ser o elo mais fraco.

Disse-lhe então para deitar o relógio fora, que não tinha arranjo, que eu tinha tentado mas não fui capaz, que o tinha levado à loja mas não se tinha safado na autópsia. “Deixa Abel… não fiques triste. Eu vou –te oferecer um. Já não é novo, mas é meu, jóia de família e uma recordação antiga. (Uma mentirinha para fazer alguém ainda mais feliz não é pecado.) E é especialmente dedicado a ti, Abel!

O tempo passou e como ele não foi insistindo, pensei que a febre tinha terminado.

Até há dias. Eu vinha almoçar e ele mandou-me parar o carro junto à GNR. “O que é que se passa, patrão?”, perguntei-lhe.

Com um ar muito triste. “É o relógio… Não funciona mesmo. Nada!”

“Mas qual é a urgência do relógio, Abel?!? Tu não tens de cumprir horas porque não trabalhas. Não tens de ir buscar os putos à escola, para quê o raio do relógio se tu és livre?”

“Eaaaaaaahhh… para saber as horas!”

Boa resposta! “Então fica descansado que eu trago-te um logo lá de casa. Mas olha que era aquele que era para te dar nos anos! Se to dou agora, depois não te dou nada!”

“Tá bem! Trás lá! A que horas vais ao correio?”, perguntou.

“Eu não sei se hoje há correio para ir levar. Mas deixa lá que eu não me esqueço e quando sair vou ver de ti ao Jorge.”

“A que horas?”

“5  e meia, Abel. 5 e meia.”

E havia mesmo correio para ir levar. Não me esqueci do relógio, que levei no bolso escondido e ia à espera de o encontrar. Mas nada.

Quando chego ao bar “o Castelo” lá estava ele, à porta.

“Ai meu menino, tenho aqui uma prendinha guardada para ti…”, disse-lhe.

Adorou. Agarrou-se logo a mim. Tirámos uma foto para a posteridade, para o meu álbum de fotografias, para meter na pasta “Amigos”. Se as vir aqui no blogue, fica todo contente. No outro dia mostrei-lhe a dos óculos escuros através do wi-fi do bar e ele disse logo ao Fernando: “tás a ver coméque é! Aqui no computador?” (todo convencido!)

O meu primo Jorge, como é bom homem, quis assinalar o momento solene da prenda com uma bebida oferta da casa. E levantou o castigo ao Abel que estava proibido de beber álcool ali. Alguma boa deve ter feito. Um tintinho para ele e uma imperialzinha cá para mim. Oferta da casa, uma categoria! Estava eu a refrescar-me com aquela delícia quando me engasguei de tanto rir e ia ficando sem ar para respirar. Estava eu a dar um gole quando o Abel me pergunta com a maior desfaçatez:

“Então e agora nos anos, o que é que me dás?”

Quando consegui falar, disse: “Ó Abel, por mais que eu te dê, tu nunca estás satisfeito!”

“Pssssssssshiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuu” (metendo a mão na boca para me calar)

“Se te dou o relógio, que é um bom relógio e é caro e é igual ao meu, queres mais coisas. As minhas camisas estão-te grandes. A minha roupa está-te larga. Mas deixa lá que eu hei-de ver se o meu sogro que é assim pouco mais alto que tu lá tem alguma coisa de sobra.

Este Abel é demais… (olhando em volta) se te dou corda metes-me uma coleira e andas-me a passear como o Boris ao cabo Simão!

Fazer feliz faz-me feliz.

Ser bom não custa! E vale tanto a pena…

Dá tanto sentido à vida. J


Lindo, mostrando o novo exemplar.
Parece uma capa de revista masculina.
Ainda mo levam p'ra modelo...


Argumentando com o Jorge já com o bébé no braço esquerdo...

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Os mundos da Leonor (de canetas na mão...)


Na praia neste Verão, com duas conchas que encontrou a fazerem de headphones


A minha Leonor tem um talento especial diferente do “jeito” que eu tenho. Jeito é uma boa palavra para definir a minha apetência pelas palavras.

Desde muito pequenina, sempre revelou traços de curiosidade e inteligência. Com menos de 3 anos, já resolvia puzzles de uma forma tão fácil que me deixava boquiaberto. Parecia que sabia aquilo de ginja.

Sempre adorou desenhar. Enquanto que para mim, uma folha em branco sempre foi a porta de entrada para um maravilhoso reino de palavras por descobrir, ela via nessa folha sempre uma tela em branco. Ainda hoje gosta muito de desenhar.

Tem um blogue chamado “O arco-íris da Leonor” por influência minha. Nasceu pouco depois do meu. Gostava de me ver e imitar. Eu ajudei-a.

Por vezes, pico-a, para que escreva por lá o que lhe vai na cabecita. Dentro em breve, vou publicar no me blogue uma tradução que fez e saiu de forma exemplar.

Quanto aos desenhos, eu, que sou um patudo nisso para grande pena minha, até já pedi ajuda ao meu amigo liceal Luís Vintém, sobre algumas dicas para workshops ou orientações. Hoje em dia, o Luís está mais dedicado à fotografia, mas o tem um talento para criar mundos desenhados fascinante. Nas reuniões de finalistas do 12º ano em Portalegre, ia desenhando no quadro enquanto nós fingíamos que reuníamos e dava pena ter de apagar aquilo no final.

Ele e o grande Nuno Saraiva que conheci na juventude na Beirã, quando o seu pai trabalhava na alfândega (saudades desse tempo…) tinham graças que eu não me envergonhava,  nem envergonho em invejar.


Quanto à Leonor, aqui deixo alguns trabalhos dela que têm colorido a minha vida:



Em pleno atelier, no Bairro Manuel Pedro da Paz



Desenho que fez no jantar de anos do tio Fernando, no J J Videira.
Recortei-o da toalha da mesa, colori-o e hoje decora o móvel junto à minha secretária nas finanças de Marvão.
Nesse então, final de Junho, sonhava com a praia. Adoro a minha mulher, de magra que está! E o rádio cantante a bombar! E o sol... e o gelado... e eu a fazer surf... que equilíbrio!


Na porta do frigorífico de casa.
Sempre adorou a Mafalda do Quino. É uma heroína dela. De vez em quando apanho-a a lê-los. Tenho os volumes todos num calhamaço que comprei numa feira do livro em Castelo de Vide quando ainda namorava a mãe. Já o herdou em vida. Dorme no seu quarto. Presumo que vai consigo quando sair de casa...

Segue-se um tríptico com um desenho que me fez no 40º aniversário. Eu decorei uma lata para as canetas e plastifiquei-a com ele. Eu e a mãe... (reparem na qualidade do meu cabelo... E nos lábios da bomboca?)

A pequenita Alice com uns balões com a idade feita por mim

As princesas. As mais que tudo... (reparem no coração dela...)



Os Sobreiros em Portimão em 2013
(quadro oficial pintado por ela. Vou mandar emoldurar...)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sons das canículas

Quando eu era assim mais puto, mais jovem vá, eu e o meu pessoal amigo só ouvíamos os sons que vinham das ilhas britânicas. Já falei de alguns aqui há dias. Depois as gerações seguintes, dos putos que chegaram cá (a este mundo) a seguir, viraram-se para os Estados Unidos, para Seattle e o fenómeno grunge, encabeçado pelos Nirvana e Pearl Jam.

Por cá só consumíamos de peito e ouvidos abertos os Mão Morta e os Pop dell'arte. Os GNR eram muito pop e os Xutos já tinham ficado no 9º ano, no ciclo.

A malta parece que tinha vergonha do que era português. 

Mas os tempos mudaram e ouve uma revolução silenciosa que virou tudo do avesso. Génios como os de David Fonseca ou Tiago Bettencourt que glorificam tudo onde tocam eram impossíveis de existir no meu tempo de jovem.

Um mergulho sonoro que sabe sempre bem neste tempo de calor, agora baralhado pelas canículas:


Projeto que junta dois dos mais bem sucedidos fenómenos pop de Portugal: os Virgem Suta e os Pinto Ferreira. A música é deliciosa e cada palavra parece encaixar num som delicioso que se conhece ao primeiro acorde.

Video Os azeitonas – "Ray-Dee-O" aqui

O azeite destas azeitonas nem sempre é do melhor. Desta vez é de qualidade superior mas colaram-se logo à ideia de vídeo com palavras como os anteriores que já não é novidade desde que o Prince se lembrou de mostrar ao mundo um sinal dos tempos. 

Mas o Miguel Araújo é muito bom e tabela a coisa por cima. Querem ver como coloca a sua classe ao serviço dos outros, num original seu gravado em disco próprio?



Há dias ouvi este fado  que se segue no P.R.I.M.O. (Programa Realmente Incrível Mas Obtuso) dos grandes Vasco Palmeirim e Nuno Markl e fiquei maravilhado. É um fado absolutamente delicioso. Não ouvi a apresentação e tive de ir descobrir quem era. Afinal era o Zambujo que já juntei em Marvão com os Azeitonas quando era vereador da cultura, numas festas de Nossa Senhora da Estrela. Era uma questão de ir ver da foto do cartaz nos meus arquivos multimédia…



Tempo para o B Fachada que fui ver de propósito no CAEP há uns anos atrás. Rapaz que é um caso raro de talento e humildade. Comovente…


Agora, o génio de Variações revisto pelos novos tempos e apenas uma guitarra e uma voz desarmante mas singela.



Segue-se um dueto incrível, por ser tão simples e tão belo… Márcia e João Paulo Simões, aqui.

Para terminar, um grande Abrunhosa que tem tanto de mau cantor (só fala! Canto melhor que ele…) como de grandioso compositor.

Isto já tinha sido evidente aqui...



E agora, em 2013, comprova-se…



Tempos bons para se viver…

domingo, 4 de agosto de 2013

Um pedido de desculpas


Fotografia tirada por ele com o meu telemóvel. Estou-me a rir porque tirei 5 ou 6 seguidas e ficaram todas tremidas e horríveis. Vejam o ar dele e a minha cara de parvo


Agora que é fim de semana e estou mais calmo, com mais vontade de escrever ao computador, tenho tempo e vontade de vir ao blogue.

O desgaste no meu trabalho, nas finanças tem sido tão grande que chego muitas vezes ao fim do dia sem vontade de ver computadores, sem vontade de ler jornais, sem vontade de ver televisão, sem sequer vontade de passear à noite com a minha mulher e as minhas filhas que deveria ser um prazer enorme mas para o qual não tenho tido sequer força. Elas, mãe e filhas, compreensivas, percebem que é preferível verem o pai bem e a descansar em casa do que o terem ao pé de si, em passeio, cansado. Elas, que já tiveram sem mim meses a fio quando estava do outro lado, em coma, no hospital, preferem ter o pai bem do que não o terem como no passado recente.

Bom, mas não foi para isso que eu aqui vim hoje. A minha ideia e intenção é apresentar um pedido de desculpas ao meu irmão, Miguel Eduardo Lopes Sobreiro, 6 anos mais novo que eu. Aqui há dias, uns textos atrás, escrevi que eu era o Sabi original e havia uma imitação algarvia barata, vizinha do Camarinha mas era do Sporting e como tal, não era a autêntica. Fui duro. O gajo… fino, nem sequer ripostou. Passou-lhe ao lado. Nível.

Eu estava ferido porque por vezes, os da idade dele dizem-me: “ Aaahh… tu és o irmão do Sabi”. E eu respondo: “Não bébé, EU SOU o Sabi. O outro, quando muito, é o júnior, como eu lhe chamo. Mas eu sou o Sabi. O original. Foi a mim que me batizaram assim no ciclo.”

Hoje venho aqui publicamente pedir-lhe desculpas. Ao meu irmão, o Sabi Jr. Ele que é em muitas coisas superior ao original. Para já é muito inteligente e considero que aqui não leva grande vantagem. Não há falsas modéstias. Mas há áreas em que se destaca de mim, claramente. Em matemática (tirou Gestão de Empresas), a informática, em futebol, em beleza… (porque sempre o achei muito mais bonito que eu que não me considero nada bonito, palavra!) e já não posso dizer mais senão fica baboso.

Vou sempre de férias para Portimão, para junto dele. Já que as minhas pequenas, as 3, querem praia e eu também, sabendo que o Algarve é o melhor destino no nosso país… já que temos de descer, ao menos acampamos junto a ele, que vive lá. Alugamos uma casinha muito simpática há muitos anos e é um desfrute total. É só atravessar a estrada e estamos logo no areal, no Vau. Ele mora a minutos e mete-se facilmente lá. De Vespa 125 cc é um salto.

Isto tudo para contar uma história que é privada mas que quero aqui tornar pública. Há dias, estando de férias no Algarve, deixámos os putos e as mulheres em casa à noite e fomos sair os dois. Nada de noitada, nada de discos, nada de gajedo, apenas uma voltinha até cedo, meia–noite e tal. Atracámos no Aqua, o maior centro comercial do Algarve. A ideia era ajudar-me a escolher o meu novo telemóvel. Não queria gastar muito mas queria uma coisa em condições, que desse para ouvir música, ir à net e, já agora, telefonar!

Como aderi ao M4O recentemente, fomos à loja do MEO e aconselhou-me o Sony Xperia Go. Eu sou um  nhurro na matéria, apenas percebo a óptica do utilizador e nem sei se o utilizador tem uma óptica. Ele é um crânio a informática, como lhe chama o nosso grande amigo Rui Felino, e eu embarquei naquela. Comprei cá na Worten em Portalegre, para deixar aqui o dinheiro e para não permitir que acabe tudo no interior mas ainda nem sequer o utilizei. Ainda não tive tempo de o estudar como gosto e aquilo parece-me um mundo. Modernices… Aquela cena parece-me mais um computador de bolso do que um telefone. 199, 90€. Bom! Barato e está quase a esgotar em todo o país pela relação preço/qualidade.

Nessa noite, dois alentejanos no Algarve foram jantar… (suspense)… ÀS BIFANAS DE VENDAS NOVAS! Maravilhosas! E liguei logo ao Rui porque mora lá, no Alentejo. Um franchising de sonho.

No dia seguinte mandei ums sms ao meu irmão a agradecer a ajuda dizendo algo como isto (desculpa revelar): “Obrigado pela noite que passámos juntos e pela tua ajuda. Foi muito importante na nova aquisição. Só houve dois homens que eu amei na vida. Um partiu cedo demais, com apenas mais 9 anos que eu agora. Mas se lhe dissesse que o amava, ele que foi um revolucionário e um gajo que sempre foi a todas, chamava-me logo paneleiro. “ Ó Pedro: aos gajos não se diz que se ama. Isso é às mulheres! Vai-te lá amolar!” (Parece que o estou a imaginar). Mas a ti, Miguel, posso dizer-te que te amo.”

Minutos depois respondeu-me: “És um paneleiro!”

Fartei-me de rir e respondi-lhe: “Quando mais não seja, por ti, o pai continua vivo.”

Um abraço,

Fica bem.