Há
homens e homens. Há almas que vivem no corpo humano mas cuja existência transcende
o corpo onde estão enclausurados. Ghandi passou a Mahatma em sânscrito, passou a ser a
alma grande pela forma como defendeu a não violência como via da revolução. Não foi um homem
qualquer. Não se esvaziou no egoísmo de criar um lar e um filho. Fundou o
estado indiano como o conhecemos hoje e passou ensinamentos que perduram há gerações.
O
mundo perdeu ontem mais um desses homens. Nelson Mandela. Um homem que passou 3
décadas preso, quase 30 anos e ensinou o mundo a perdoar. Um homem que passou ensinamentos
como:
As
dificuldades dobram alguns homens mas constroem outros.
Um
vencedor é um sonhador que nunca desiste.
Parece
sempre impossível até estar feito.
Ressentimento
é como beber veneno e esperar que ele mate os inimigos.
O
que conta na vida não é termos vivido mas a diferença que fizemos.
Alguns
dos muitos exemplos que provam a sua dimensão. Foi Nobel da Paz mas neste caso,
é um título que sabe a pouco. O que fez foi maior. Muito maior.
Depois
de tanto tempo privado da liberdade, viveu os seus últimos tempos encarcerado
num corpo. Agora é livre. Como um pássaro.
O
meu trabalho é um trabalho sério. Já sou das Finanças há 13 anos mas hoje em
dia, com as voltas que o país deu, pertenço à Autoridade Tributária que congregou
a Direção Geral das Contribuições e Impostos com as Alfândegas. Resumindo, trabalho
para a Autoridade e nessa linha de pensamento, posso-me considerar uma. Sem
uniforme, sem crachat, mas uma. Num país em que a populaça tem dificuldades em
compreender a importância de contribuir para o bem de todos, em que fugir ao
fisco era um desporto nacional, sou uma autoridade pouco considerada, mas ainda
assim, um elemento da autoridade. Tributar para o país avançar e funcionar.
Consegui-o
com muito esforço, muito trabalho. Hoje sou feliz. Sinto-me realizado a fazer o
que faço, a trabalhar no meu concelho. Se no dia em que terminei o curso de
Comunicação Social e deixei o Palácio Burnay a sonhar que iria ser jornalista e
correr mundo, me dissessem que ia acabar por trabalhar num gabinete fechado como
mangas de alpaca, ter-me-ia atirado para baixo do primeiro eléctrico que
passava ali na Rua da Junqueira, tal era a desilusão. Mas as certezas de hoje
são voláteis e as possíveis incertezas de amanhã. A vida dá muitas voltas. Sabendo
que não há certezas, tem de saber surfar a onda que só se conhece depois de
formada. A dimensão e a força dela são as variáveis que a nossa vontade tem de
saber domar.
A
minha secretária está sempre limpa e arrumada como é meu apanágio. Entre o
computador e os dossiers tenho, longe dos olhos do público que acorre ao
serviço, um “bunker” de afetos que me dá o conforto e o calor que me sabe bem
ir reencontrando com os olhos ao longo do dia (e da noite, agora que saímos de
noite cerrada, depois das 18h).
O
talento da Leonor vem de muito pequenina, de andar sempre a rabiscar. Foi de
sua iniciativa esta ilustração que me ofereceu do Circo Cardinas. Olhá-lo
faz-me sempre recordar esse momento absolutamente mágico de um grupo de amigos
que vibrou e fez vibrar num Carnaval que ajudou a criar e agora está mais que morto
e enterrado.
A
Alice, não sei se por imitação da mana, dá-me muitas vezes papéis feitos por
ela para “tu meteres lá nas finanças, pai”. Assim nasceu este retrato da irmã que
adoro porque me faz recordar imenso os comics “Terrance and Philip” da saudosa
série “South Park”.
Leonor por Alice (3 anos e 10 meses)
Os originais
Também me deu um auto retrato feito no fim de semana com ajuda da irmã no pontilhismo.
E
para terminar nesta galeria que ilustra os meus dias, um retrato da família feito
pela pequena do alto dos seus 3 anos e meio. Ofereceu-mo e eu, armado no
psiquiatra Daniel Sampaio com quem me dizem parecido, pensei: ela e a mana de
uma cor, o pai e a mãe de outra; eu com os óculos na direita, a mãe como a mais
alta apesar de já ser a 3ª na casa em tamanho… e uma série de outras ilações
que ela desmontou de imediato quando me explicou o que tinha desenhado, a sua
intenção como eu escrevi debaixo das figuras: ela e a mãe sendo as duas
pequenas, eu o caixa de óculos e a Leonor a mais alta da família. A figura
central. A Alice manda. E manda bem.
O que é que eu levava para uma ilha deserta? Estas duas e a mãe tinham de ir. O mais certo era virarem aquilo ao contrário, mas entretinham muito. Podia levar uma telefonia também para ouvir a Comercial e um barco para voltar à costa. E era isso. ;)
A
minha Leonor fez ontem 12 anos. Leonor só Leonor. Lança da Mãe, Sobreiro do
pai.
12
anos.
Já
passaram 12 anos desde aquela noite fria que haveria de mudar a minha vida para sempre. Eu, o Pedro menino, passava a ser o Pedro pai. Um homem que tinha
gerado uma vida. Muito querida. Muito desejada.
Foi
numa noite fria de inverno. Bem me avisaram que o médico não subiria enquanto o
Benfica não acabasse o jogo. Eu, em silêncio, esperei no fundo do corredor que me
chamassem. Não queria perder por nada o nascimento da minha filha. Conforme
o vaticinado pelas previsões, só depois de o Benfica ganhar por 2-1 ao Santa Clara com golo do Mantorras houve lugar a boas novas. Já há muito que eu ouvia os
gemidos das contracções e a ânsia de a ver cá fora. Sofria ao longe e olhava
para a luz do quarto dos fundos. O último, bem lá ao fundinho.
Passou
o médico e nada. Eu bem tinha avisado que queria assistir, mas não me chamavam
e as movimentações de camas deixaram-me ao longe. Fui-me esgueirando por entre
as portas, aproximando-me a medo. Seria mesmo ela? Se falhasse na intromissão, o
mais certo era levar um cartão vermelho que me colocaria fora de campo. Fui a
medo e com a alegria de ter acertado na previsão, forcei a entrada. Com o piso
dos partos em obras, nasceu na Ortopedia (daí ser tão torta…) e a sala era
diminuta. Barrado à porta por uma enfermeira com cara de bruxa má, fiz-me duro
com ar de mau nº 2. Ela entrou e falou: “Doutor, o pai está ali fora e diz que
quer entrar”. “O pai?!? O pai é muitagrande
e não cabe cá. Diga-lhe que estamos aqui muito apertados”. Eu vi que estavam e
a senhora bem me disse mas quando quero muito uma coisa, sei que sou resistente
e dos mais duros de roer. Dali não saía nem que chamassem a polícia de choque.
Se saísse, levava a minha senhora e ela dava à luz no elevador. Podia ser noutro
sítio, mas tinha de ser comigo perto.
Entrei.
Consegui mas em vez de ficar de lado da parturiente, como ficam todos os pais
treinados, fiquei de frente, o que é um tratado. Mas um tratado nada aconselhável
a espíritos sensíveis. Vi a criança chegar a este mundo. Fui o primeiro a vê-la,
mas e ela que não chorava como nos filmes? Tiveram que lhe aspirar o narizito, eu
a sofrer com a angústia e a mãe com uma com uma cara de tranquilidade tão grande
que podia estar a desabar o mundo e ela ali, na maior, triunfante.
Já
passaram12 anos. Já me corrige. Já me contradiz. Já faz um ar aborrecido quando
lhe falo a sério. Já suspira no fim dos sermões. Já me quer é ver pelas costas.
Já é uma senhorinha. É linda e já tem mamocas. Cada vez estou mais velho e careca.
Sei que os meus problemas vão começar. A sério. Mas eu tenho um lema de vida
que diz que não podemos sofrer por antecipação. Eu sei lá como é que vai ser a
minha morte! Não sei, nem quero saber. Era o que mais faltava perder tempo em
vida a pensar no fim. Um homem tem de lidar com os problemas quando eles
surgem.
12
anos não são 3, nem 4. Não são bonecas, nem caixas grandes. A minha prenda foi
a oportunidade de ir a algo que deseja muito, muito, muito e foi muito difícil
de conseguir arranjar. Prestes a esgotar e apenas disponível na net, chegou por
correio no próprio dia e retirado da caixa do correio à hora que ela nasceu: Passava
das 23 e 30.
Parabéns
cibernéticos, filha! J
Prenda dada artista a artista que vai ver, a ver se adivinhava. Aos bochechos. Falhou no primeiro mas o António Manuel Ribeiro dos UHF, deu bandeira! Foi logo!
Com a Comercial, o Natal vai ser no MeoArena. Que granda frete vou fazer, Que aborrecimento... Eu que ouço sempre os "Discos Pedidos" na Rádio Clube Monsanto
Apesar
da crise que aperta, há que saber resistir.
Não
podemos deixar de ser felizes.
Não
podendo esbanjar aquilo com que se compram os melões, há que recorrer aos recursos
disponíveis.
Esta
felicidade de que vos falo aqui não paga imposto. Requer apenas de muita
energia, força de vontade q.b. e umas boas sapatilhas.
Podem
ser adicionadas aplicações gratuitas que enriquecem a experiência como o
maravilhoso novo disco do grande Robbie Williams, o Frank Sinatra dos nossos
tempos que me foi servindo nos auriculares do telefone de banda sonora à corrida de cerca de 7 km. A sua recente
versão de um original que amo desde que vi pela primeira vez “O livro da selva”,da Disney.
Perto
de 1 hora do mais puro prazer.
Tax
free!
(podem fazer com'a mim: metem a telefonia a trabalhar e imaginam como será, com o sangue a pulsar em todo o corpo e a sentirem-se vivos, com o coração a bater, bater, bater...)
o fiel companheiro já me vai conhecendo. Está sempre lá de guarda, intimida pelo tamanho mas é tranquilo. Até já posso ir acelerando mais um pouco o passo que ele não corre atrás.
Subida de montanha de nível 2. Piso assim para o irregular.
Ladeira do Tragasal. Nesta altura do campeonato já era subida de nível +1 Mas foi todinha até lá arriba!
O percurso do centro de marcha e corrida do concelho ao qual pensei que já nunca chegaria. Passei-o certamente muitas vezes desta vez. Bem sei que não é para troféus, mas a medalha é minha e vale muito.
A rampa final de entrada no bairro.
Pedra à porta de casa onde sempre parava dantes nos meus percursos. Passei meses a olhar para ela de soslaio, com pena e afastamento. Voltou a ser pódio
A
vida tem assim destas coisas curiosas. Coisas raras que a tornam especial.
Tinha
ido aos Correios em serviço e no caminho, ao parar para tomar um café,
encontro-me casualmente com os meus dois bébés, os meus amores pequeninos que
nunca tinha visto assim
juntos. O Manuel nunca costumava andar de noite e o Abel dos tempos áureos, nunca
via a luz do dia. Quando bebia (muito…) e se atiravam foguetes para anunciar as
festas populares, desaparecia na festa da Abegoa que abria o programa estival e
só fechava a época nas largadas do Porto da Espada. Sempre em grande e sempre
em vinha de alho. Agora que a Santa Casa lhe estendeu os braços e foi mesmo de
misericórdia, arrisca-se a terminar os seus dias onde os começou porque foi lá
que nasceu. A vida…
Claro
que hoje foi uma festa (para mim sobretudo) e tivemos logo de tirar uma foto
para a posteridade.
Tenho
dois afilhados que amo como se fossem meus filhos. Só não os gerei mas quero-os
como às minhas filhas e quero que saibam que podem sempre contar comigo. Para
tudo. Não tenho duas, tenho quatro, com o João e a Maria.
Esses
são os oficiais. Estes dois bébés da fotografia são os afilhados bastardos,
cotadinhos. Mas gostam tanto de mim e eu tanto deles que sou quase pai, com
idade para ser neto.
Ultimamente,
o Abel tem privado mais comigo. Como está na Santa Casa da Misericórdia de Marvão,
vai-me visitar quase todos os dias e sabe que o padrinho sempre cai com uma
onça de tabaco ou um copinho de vinho tinto. Quando me vê, como me dá pelo
peito, ferra-me sempre um abraço apertado que o deixa com a cabecinha encostada
a mim. Fotogénico, bem disposto, muito educado e sempre amigo, quando está bem
barbeado, vai servindo de modelo para mim e para o amigo Bruno que trabalha na “Pensão
Dom Dinis” e no bar “O Castelo” do meu primaço Jorge. È uma bela equipa. Com
elementos destes dá gosto ver Marvão assim.
Esta
relíquia é para eu emoldurar e meter por cima da lareira ao lado da que tenho
cá com o Papa Chico ou da comigo em tronco nú com a Jennifer Lopez numa ilha
tropical.Caliente…
Linda,
não está? Olhem para a carinha de felicidade e de tonto (minha) e para o ar de
frete (deles).
Vou
oferecer uma dos três a cada um. Palavra de escuteiro!
Com o meu casaco de pele virado ao contrário para se ver a pele a fazer de ovelhinha. Tão amorosa...
Uma clássica instantânea. Ao melhor estilo Humphrey Bogart, com o Pall Mall recém adquirido e um tintinho servido pelo Bruno. Só falta o piano...
Com o apaixonado Dom Dinis, de tacinha na mão. Duas aves exóticas.
Sem medo dos dentes do animal feroz. Mais difícil ainda.
Faz lembrar "Cheers", a série de tv dos anos 80, "where everybody knows your name..."
Até
percebo que para as gerações atrás da minha, os grandes vultos da mpb (música
popular brasileira) sejam os grandes ícones (con)sagrados por muitos, por quase
todos. Falo de nomes intocáveis. Querem idolatrar o Chico (Buarque de Holanda),
o Caetano (Veloso), o Tom (Jobim) e pouco mais, que assim já chegam.
A
mim, salvo casos muito pontuais em cada um deles, passam-me todos ao lado.
Nunca comprei um disco deles, nunca os vi ao vivo. Sei reconhecer que são muito
bons mas… são apenas muito bons.
Do
Brasil, gosto muito já há alguns anos do Marcelo D2, um rapper capaz de usar a
língua portuguesa com maestria, sempre em grande batida e cruzando o hip-hop
com ritmos brasileiros. Dele encontrei o vídeo credencial de apresentação de um
canal de música brasileiro.
Morou aqui nêssa ligaçãu em baixu? Valeu!
http://www.youtube.com/watch?v=NqKNqPFrv08
Mas
de quem eu gosto mesmo muito é deste negão que nasceu na favela e descobri representando
no assombroso filme “Cidade de Deus” como Mané Galinha. Este homem é um músico
soberbo, capaz de criar ambientes linguísticos deliciosos, como na música que
agora roda muito na rádio e ouço sempre com redobrado prazer.
Num
dia desta semana, a Alice disse que tinha de ir para a escola de pijama. Havia
um dia em que era assim o fardamento: de pijama. A educadora confirmou e enviou
um folheto muito elucidativo que aqui reproduzo em imagem. Seguiu com o fato de
gala e não compreendeu bem a minha graça por a ver assim de pijama na rua.
Queria que também fosse assim para as finanças.
Traduzido
por linguajar do vosso Tio Sabi: a ideia era que os miúdos, estando na escola, se
sentissem em casa e na alegria de viverem numa família. A ideia era lembrar os
que não têm a possibilidade de usufruir desse direito e sensibilizar os portugueses
para os acolher.
Achei
uma iniciativa muito interessante e capaz de gerar resultados.
Na
sala de aula, aguardavam-nos duas tendas montadas para o efeito com o intuito
de darem enquadramento à iniciativa e um mural com desenhos dos pequenos onde retractavam
a sua família. Todos a sorrir, com a família a sorrir. Tudo bom, tudo normal,
nada de armas brancas, nem nódoas negras, nem cenários de conflito mais comuns
nas urbes. Muitos corações vermelhões e a minha Alice deixou-me algo perturbado
com o desenho dela. Uma coisa boa foi que fiquei retratado com mais cabelo
daquele que tenho na realidade, ao vivo, umas teias de aranha no alto da testa
como lhe chamou um vizinho meu. Mas desenhou os olhos tão escuros… e os lábios
tão rosados…
Em
boa hora decidi ver o jogo com amigos, num ambiente verdadeiramente familiar, na
resistente Real Tertúlia do Camarão de Marvão, agora adaptada aos ventos de
suão da Troika. Tertúlia resistente apesar dos difíceis novos tempos.
O
jogo começou com espaços, a medo, com as equipas a medirem-se à distância.
Depois
o Ronaldo marcou e tudo ficou mais fácil. Parecia que iria ser tranquilo até ao
final. Bastava deixar o tempo passar.
Depois
o gigante Ibrahimovic fez das suas e ameaçou o nosso sonho brazuca. Começámos a
ficar piquininos, sem pio, a respirar fininho só pelo canto da boca. A medo…
Enquanto
me encaminhava a pé para “O Adro” fui pensando na noite fria que os grandes
homens vêem-se nos grandes momentos. Ou estão à altura, ou ficam pelo caminho.
Assim foi.
Não
tendo que provar nada a ninguém, Ronaldo reconquistou o Brasil, 500 anos depois
do meu homónimo. Em apenas 90 minutos, numa exibição de sonho que lhe valeu a
classificação máxima de “A BOLA” (nota 10/10 que poucas vezes me lembro de ter
visto…), reconquistou o respeito de todo o mundo do futebol, fez crescer imenso
a auto estima de um país (desgraçado que tem andado pelas ruas da amargura) e escreveu
uma das mais belas páginas de ouro da história do nosso futebol.
Grande gaiatão. Belo rapagão. Em vez deste nome renhónhó que a Tia Dolores lhe deu
para homenagear a eleição do presidente Reagan (Ronald Reagan), haveria era de se chamar Viriato, para fazer
bater o nome com a sua figura e performance.
Contudo,
este é o melhor dos Cristianos Ronaldos, com66 golos em 55 jogos. Veremos se a alcunha de “Comandante”
chega para “a pulga” argentina.
Este
é Cristiano é o melhor do Mundo. (ponto final).
Venha a bola de Ouro! (ou a
porra e ou os gajos são cegos?!?!?”)
Sei
que a coisa não foi assim tão grave mas… sempre tinha uma esperança secreta que
o JJ fosse engavetado e a malta se visse livre daquela cabeleira tresloucada.
Nada
feito. Passou. Safou-se na autópsia. Como eu.
Pelo
andar da carruagem e a jogar assim de mal, mais depressa dou eu em maluco (mais?)
que vejo o meu Benfica campeão.