segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

AI SPIK DA TRÚ!


A cena é absolutamente hilariante e tem feito as delícias das redes sociais nesta semana que passou. A mim divertiu-me imenso porque é inimaginável e do nunca visto. Não acredito que não haja quem não tenha visionado mas ainda assim, para que conste nos anais, eu explico: o Vítor Pereira nunca soube grande coisa de futebol mas em Portugal teve a sorte de cair no Porto, onde a máquina está mais que bem montada e foi por 2 vezes campeão nacional, a última das quais quase sem saber ler nem escrever. Caiu-lhe do céu com um remate e ele agradeceu de joelhos . Não contente com todo este fortuito foi ganhar ainda mais para as arábias, para onde foi treinar o Al-Ahli.

A cena dá-se numa conferência de imprensa. Um bornal qualquer que está a traduzir as palavras do mister, começa a repreendê-lo. Desautoriza-o em direto dizendo aquilo que pode e não dizer. Uma cena de antologia.


Disse-lhe: ““Epá, ó Zezinho, olha lá que não te podes meter a falar disto e daquilo e nem pensas em falares do outro. Tens que falar só sobre o jogo, ok? Olha lá a tua vida!”



Só consegui apanhar a reportagem da RTP, feita pela RTP norte que claro defende o treinador deles, quando a da SIC o deixava exibir o ridículo. O que safa é que na busca, apanhei esta versão de ir às lágrimas do Nilton num nível altíssimo.




Pois o que realmente aconteceu é que o Vítor tentou levantar cabelo respondendo de uma forma e num inglês delicioso, pela entoação e vocabulário. A brilhante marca Cão Azul já se soube muito bem aproveitar assim:


  
E o Markl também esteve muito bem quando utilizou as palavras para fazer com elas uma versão clássica do tema dos Spandau Ballet.



Não esteve tão bem quando classificou a atitude do mister Vitor Pereira de ter tido uma atitude punk, do tipo de rasgar tudo. Na verdade, o Vítor Pereira foi um derinho, um bornal a quem disseram como é que era. Se ele os tivesse no sítio e bem grandes como ouvi dizer nos comentários, tinha batido com a porta e vindo-se embora, deixando o árabe a falar sozinho. Mas aquilo com que se compram os melões fala mais alto e o Arafat aquele avisou-o: “Ó rapazinho, nota bem: estes moços estão aqui para te ouvirem falar do jogo como eu quero e não lhe vais fazer essa desfeita de te ires embora.” Ele sentou-se e amouchou como um bezerrinho. Caro Markl, foi punk o catano! Punk punk, foi o grande Toni numa atitude “punk à Benfica” que meteu os Ayatollahs jornalistas no lugar. Assim, sim! “Punk à Benfica”, c***lho!




www.youtube.com/watch?v=YmRK4cPmMI0

sábado, 18 de janeiro de 2014

O grande Bruno Mars


Depois de um dia inteiro passado em limpezas (aspirar, limpar o pó, fazer as camas, arrumar, não é exclusivo das mulheres e a mim não me custa nada nem me caem os parentes na lama, antes pelo contrário que até gosto de ajudar no que também é meu), termino o dia dando-me banhinho também a mim que até fico a destoar em tanto asseio.

A banda sonora vem, como é habitual, da Comercial onde ouço o João Vaz a apresentar o itunes Chart. Assim de empreitada, ouço dois temas seguidos do Bruno Mars e enquanto o ouço, penso no post que ando a pensar fazer sobre ele há muito tempo. Decidi no chuveiro que não pode passar de hoje.

A notícia indicava que o Bruno vai atuar no intervalo do Super Bowl que é o momento televisivo de maior audiência nos Estados Unidos. Os americanos ficam doidos a ver esta transmissão de um jogo que só eles percebem e só eles têm paciência para aturar.

Espero que não mostre uma mama como a mana do outro mas de certeza que vai dar espectáculo, porque este menino é grande, este rapaz é ENORME. Vai a todos os estilos de música, toca tudo e compõe. Acho que a haver um rei da Pop no tempo da minha vida não é certamente o Michael Jackson que tinha o Quincy Jones por trás, e não vai de certeza aparecer outro como o Bruno tão depressa. Só espero que ele não queira ficar branco como o outro, nem se meta nas drogas, nem nas velocidades porque vai com toda a certeza compor muitíssimos belíssimos temas para figurarem na banda sonora da minha vida, como expliquei aqui.

Para provar o grande que é aqui em casa, a minha filha tem um poster dele colado na porta do armário, de raibantes, camisa havaiana e um estilo do catano. Com a idade dela, eu tinha os Scorpions e os A-ha no meu. L A miúda está muito à frente.

A primeira música que passou hoje na rádio é um tema belíssimo que graças a Deus não me serve porque estou casado com a que amo. Quem canta é um homem que ama uma mulher que perdeu, presume-se que por ciúmes. Mas apesar dessa perda, o amor perdura e continua a quere-la bem e a desejar-lhe o melhor. Se se pensar bem, dói até de ouvir.



A segunda música continua a ser um tema de amor, mas desta vez é dançável e típico dos anos 70 que recria na perfeição a nível sonoro e visual (coreografia incluída) num vídeo absolutamente delicioso. 



Ponho-me a ouvir isto e só me apetece dançar. Eu que nunca fui assim um dançarino de nível, tive a sorte de partilhar a pista de dança com monstros sagrados dos anos 80 como os amigos “Chico da Cavalinha”, “Dimas”, ou “Palita”, autênticos reis d’ “A Cave” cujas coreografias ainda sei imitar de cor. Mas com esta banda sonora só me apetece ligar ao Luís Barradas que agora preside o Grupo Desportivo Arenense e muito bem, para chamar o DJ Luís Reis e voltar a fazer matinées aos domingos como dantes. Isso é que era! Quem sabe? Vou publicar na página de facebook do GDA a ver se cola. J


Se não se tentar… o não está certo. J

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Enfim salvo



O portátil é muito bem capaz de ser hoje o eletrodoméstico mais importante cá de casa. Isto numa altura em que comprovo que o computador tem uma força incrível que nunca imaginei que pudesse vir a ter. Bem sei que há outros domésticos eletrónicos importantíssimos como a televisão, o frigorífico, as máquinas de lavar a roupa e louça, o microondas, o fogão, a aparelhagem, o dvd, o vídeo, o esquentador (que se deixou minorar há anos pelas placas solares), a máquina de café mas… o computador, o computador tem que se lhe diga porque conjuga muitos deles. Ainda não tira cafés mas dá para ver filmes e ouvir música, por exemplo.

         Para já, o pc dá para nos relacionarmos com o mundo que com ele conseguimos reduzir a uma aldeia global. Dá-nos assim uma forma privilegiada para nos envolvermos com esse meio e os seus habitantes. Potenciado pelo facebook que transforma essa mesma aldeia numa rua, agora desde que o ligamos, podemos encontrar o pessoal todo que agora sempre tem que dizer, que comentar, que potenciar e hiperligar. Toda a gente domina, toda a gente é um blogger. O facebook está para os blogues como as “Novas Oportunidades” do Sócrates estão para a escolaridade convencional.

         Depois, como em minha casa manda o M4o, com a fantástica opção do Meo go!, o ecrã do computador é também a televisão que anda pela casa toda, até onde dantes não havia uma. Anda pela cozinha onde deixou de funcionar a que lá estava em cima do frigorífico por causa da TDT, anda pelas casas de banho, anda pelo sótão… Hoje, o pc é também tv!

          Além disso, o pc é também a discoteca ideal, ou seja, a discoteca que vamos construindo à medida dos desejos diários, daquela música que ouvimos e procuramos. O mais fácil é recorrer ao Spotify ou a torrents, mas sacamos o que queremos em mp3 até do youtube, quanto mais. Vêem como o computador vale muito?

         Quem fala em discos, fala em filmes, programas, livros, revistas, jornais e até o futebol que se vê à borliú.

Pois o computador é muito importante… quando trabalha. Há dias empancou e nem para trás, nem para a frente. O Sony Vaio é uma boa máquina mas estava lento, pesado, sem andar e eu, o craque a informática na ótica do utilizador, mais parecia um boi a olhar para um palácio. Zero, nada, niente. Quem me valeu, como sempre, foi o meu amigo Márcio Almeida que pelo preço da amizade me ajudou e salvou do vazio. Ele com a sua forma bonacheira, calma e tranquila de ver o mundo disse que não fez nada demais. Ah pois é… Ajudar um amigo não custa mas… só o ajudado sabe realmente valorizar o apoio.

Neste dias andei feito crava a suplicar à Leonor para me deixar dar uma voltinha no Toshiba, à Alice para me emprestar o tablet dela mas hoje, com tempo e vagar, desfruto finalmente do renascimento do meu pequenino, depois de estar refém do Alien Nation, o vírus zombie que me fez quase regressar à idade da pedra e me tem mantido afastado destas lides.

Regresso assim, salvo pelo Márcio, o meu endireita informático, que fez com o meu computador o que o tio Chico de Alter do Chão fazia com os pés inchados e torcidos das quedas e correrias.


Bem hajas, amigo. I´m back. Again. J

domingo, 12 de janeiro de 2014

A Ana do Infantário



A Ana Pinheiro é amiga de longa data, mesmo muito longa data e só não digo quão longa é a data porque pode dar azo a pensarem que a gente é velhos e a gente não é, prontos. Eu posso já não ser assim um rapazola e ter pouca penugem no casco (sim, porque olheiras sempre tive!) e ela pode ter cabelinhos brancos mas ainda somos novos. Sempre me habituei à presença dela e da mana que, quando eu era puto, eram duas cachopas novas ali das beiras que tinham vindo trabalhar cá para o infantário. Depois a mana casou e emigrou para Espanha mas a Ana sempre foi ficando por cá. Sendo das amizades dos meus pais, foi uma amizade herdada por mim, em muito reforçada pelo seu casamento com o Zé Manuel Baltazar, um companheirão das Covilhãs, a quem sou muito chegado.

Maneira que a Ana e o Infantário foram sempre, no meu universo mental, dois conjuntos interligados. A Ana foi responsável pela sala da minha Alice e sempre nos demos do melhor. Neste tempo de atividade, nestes anos todos, ajudou a educar gerações de arenenses e marvanense que hoje têm com ela uma boa relação. Pelo que me é dado a saber, é uma relação mais ou menos próxima porque nem todos podemos agradar a toda a gente e cada um nutrirá por ela maior ou menor afeto, e é natural que assim seja. Como eu costumo dizer, “Cristo que foi Cristo, com 33 anos já estava cravado no barrote. Se isto aconteceu com ele e tinha a cunha do Pai, não se pode mesmo agradar a toda a gente”.´

Já estive muito ligado à câmara municipal, à educação e à ação social. Agora, de longe, vou acompanhando o que posso e apanho. É certo que não me esforço muito. Não vou assistir às reuniões de câmara, nem às assembleias municipais porque não quero e estou a viver assim uma fase de negação, de “euquélásabêdisse”, como era o grupo do meu amigo Manuel Coelho.

Entretanto, a minha Alice passou para o pré-escolar que funciona na escola, mas sei que quanto ao infantário houve recentemente grandes alterações. Penso que com anuência do município, a segurança social deu espaço à APPCDM de Portalegre e a Ana foi convidada a sair. Aconselhada a descontinuar o seu trabalho naquele local. Foi transferida para a Segurança Social em Marvão e ela diz-me que se sente feliz ali, que gosta de estar onde está. Eu sei que pode estar, de facto, e quero muito que esteja. Não tenho falado muito com ela sobre o assunto, nem tenho intimidade para tal. Mas preocupo-me.

Pelo que me foi dado a saber, a sua mudança foi motivada pelas queixas de alguns pais e é isso que me preocupa. Que queixas terão feito dela quando nada em concreto lhe foi apontado? Se não foi acusada de nenhuma agressão, nenhum gesto óbvio que a incompatibilizasse com uma criança/pai/mãe, porquê esta mudança? Será que desaprendeu aquilo que sempre fez ou será que “dantes comiam porque estavam menos informados e não tinham novas tecnologias, internet e smartphones?”

Ou será que são os pais de agora que estão mais despertos, a quererem melhores profissionais que a Ana que ajudou a criar tantos arenenses? Será que os pais de hoje estão mais preocupados com a educação dos filhos do que estavam os nossos? E será que a gente, os produtos daquela educação que agora não querem, não presta?

Há dias, a Ana pediu-me boleia de Marvão e eu trouxe-a até casa. Falou-me vagamente neste texto que aqui vou publicar. Disse-me que tinha escrito um agradecimento a quem a tinha apoiado e gostava de o publicar num jornal. Falou-me se não conhecia ninguém no “Fonte Nova”. Disse-lhe que sim, que conhecia o Aurélio Bentes Bravo que era o diretor, mas disse-lhe também, sem me ter perguntado, que esse jornal é mais lido na cidade e tem pouca expressão aqui no concelho. Falei-lhe que era muito amigo do Manuel Isaac do “Alto Alentejo”, desde os tempos (curiosamente) em que ele era jornalista do “Fonte Nova” e eu, diretor do “Altaneiro”. Falei com ele e acordámos o valor para esta publicidade pessoal por forma a não ferir susceptibilidades nas entidades envolvidas.

A Ana tem uma sobrinha que está a fazer uma pós-graduação em jornalismo que a ajudou a fazer o texto. Publico-o como o recebi, como o publicou no jornal.

Percebendo-o, sentindo-o, desejando-lhe o melhor.


Espero ter ajudado a fazer justiça, querida.


Eu, Ana Maria Serôdia Pinheiro, venho por este meio, deixar uma palavra de agradecimento a todas as pessoas que de uma forma ou outra, estiveram do meu lado, me apoiaram, ajudaram e tiveram sempre uma palavra amiga para me confortar, numa fase complicada e desagradável, a qual também aproveito para clarificar.

Há cerca de 33 anos que me encontrava a trabalhar no Centro Infantil de Santo António das Areias, 7 anos dos quais como responsável, possuindo um contrato de trabalho com afectação à Segurança Social. Em 2013, face à reestruturação imposta ao nível Governamental e após a realização de um Protocolo entre a Câmara Municipal e a APPACDM, esta entidade assumiu a gestão do Infantário. Assim, a partir Setembro 2013, a Direcção do Centro Infantil de Santo António das Areias ficou a cargo da Instituição APPACDM. 

Antes de mais gostaria de deixar claro, que nunca pertenci nem pertenço contratualmente a esta Instituição. Aquando da reunião de tomada de posse desta entidade, bem como, da definição e atribuição das funções da equipa constituída, fui confrontada com uma série de situações que considero injustas e as quais pretendo aqui descrever e esclarecer, visto nunca me ter sido dada essa oportunidade.

Logo no primeiro dia de trabalho após a entrada desta entidade, a mãe de uma criança referiu-me que não pretendia que o seu filho ficasse na minha sala, situação à qual a educadora lhe referiu que qualquer tipo de queixa que pretendesse fazer, só seria aceite por escrito. Nos dias seguintes, o pai da criança só deixava a criança na minha sala caso eu não estivesse lá sozinha.

Posteriormente numa conversa com a nova Diretora foi-me comunicado, que este era apenas um caso de entre outros existentes, observação que mais uma vez me surpreendeu visto o Infantário ser detentor de um livro de reclamações onde até à data, não existia nenhuma reclamação com referência ao meu nome. Sublinho, que também nunca me foram mostradas provas evidentes das acusações que me estavam a ser efectuadas, facto que me leva a crer a inexistência das mesmas.

Para além deste facto, e segundo me foi relatado, no decorrer da primeira reunião de pais com a nova Direção, foi também questionada a existência de um atestado médico o qual justificava a minha permanência definitiva como responsável do Berçário 1. Sublinho, que este atestado existe já desde 2002, o qual apesar da sua veracidade dei indicação que ignorassem, com receio não me trouxesse futuros dissabores.

Bem, perante a minha perplexidade face a esta situação, na medida em que, e quem me conhece sabe, nunca apresentei comportamentos que levassem a algum tipo de descontentamento por parte dos pais das crianças, solicitei que me fosse mostrada ou me fosse dado conhecimento do conteúdo exato da referida reclamação, o que nunca chegou a acontecer. Solicitei uma reunião conjunta com a anterior Diretora do Infantário, a nova Direção e os pais da respectiva criança o que também nunca veio a acontecer. Os pertences queixosos, tem certamente muito pouco conhecimento sobre o trabalho até aqui desenvolvido por mim, desconhecendo o elevado desconforto e descontrolo profissional que a partir daqui se gerou.

Ora perante tudo isto, gostaria de deixar claro, que sempre tentei primar por uma postura de elevado profissionalismo no decorrer destes 33 anos de serviço no mesmo estabelecimento, não admitindo por isso que o meu bom nome seja posto em causa desta forma.

É importante que se perceba, que quando se acusa alguém, devemos ter provas concretas das afirmações que fazemos, quem analisa deverá ter pois a capacidade de, já que mais não seja, analisar e debater os factos, não os tratando de forma banal, e acima de tudo conhecer as pessoas de quem falamos na medida em que podemos estar a cometer uma forte injustiça a alguém, tomando as posições erradas.

Porque esclarecer é necessário, porque confiar no trabalho dos outros é importante e porque há histórias que merecem ser conhecidas, obrigada a todas as pessoas que continuam a merecer a minha consideração.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Eusébio



Não quero destoar do sentimento geral porque também lamento a perda de um homem cuja grandiosidade futebolística, humildade em campo e na vida, fizeram dele um caso único. Mas também não me posso deixar enrolar na onda de consternação gratuita que leva crianças e gente que nunca o viu jogar, chorar comovidos só porque sim, só porque ele morreu, com muitas lágrimas para a câmara que sabem que está ali a registar cada gota.

Era muito novo, como disse o grande Ricardo Araújo Pereira, mas ainda assim, passava dos 70 e a sua morte, atendendo ao seu estilo de vida muito pouco regrado, não foi tão chocante como a da princesa Diana que foi ainda mais trágica pela sua tenra idade, beleza, contornos palacianos conspirativos e pela forma acidental como aconteceu.

Custa-me a sua perda mas choca-me muito viver num país onde ontem não houve mais notícias em qualquer um dos canais. Só aquela notícia interessava. Nem crise, nem tempo, nem qualquer problema. Um homem morreu.

Choca-me como me chocou o funeral transmitido em direto quando caia a noite e só a luz das câmaras iluminava, num espectáculo que ainda me custa descrever. Ainda não mastiguei cerebralmente e acho que vou passar a noite e talvez o dia de amanhã a ruminar a coisa.

Estranho país, este. Estranho país, o nosso. Estranho mundo.

Por grande que fosse, era apenas um homem que dava uns chutos na bola. Carlos Mozer tocou no cerne da questão com este comentário, partilhado pelo meu Chico da Portela.



Nelson Mandela foi um homem cuja alma ultrapassou em muito a nossa vivência de comuns mortais. Viveu numa cela exígua durante quase 40 anos, soube perdoar a quem o torturou e chefiou a sua nação, espalhando o bem e o amor quando o ódio era o sentimento mais óbvio.

Há que saber separar as águas. O meu, o nosso campeonato é um. O do Eusébio é outro e o de homens como o Nélson Mandela é outro, à parte, de outra galáxia.

Como neste caso não se aplica o “rei morto, rei posto” porque não há quem possa ocupar o cargo, marco a data com as publicações no meu mural do facebook, de amigos que muito estimo e aos quais agradeço o gesto: o meu querido primo e amigo Jorge Rosado e da minha querida amiga Maria da Conceição Mota, com as queridas Cidália, Teresa Maria Reis e auxiliares que nos acompanharam nessa visita inesquecível.




sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Quando a bússola (que norteia os nossos dias) falha







 Era a última noite de 2013 e eu tinha de ir ver delas. Tinha de ir à Beirã para de lhes dar o último beijo do ano. Tinha de ir à Beirã, a minha Beirã, à qual me custa cada vez mais regressar, de tão triste, tão de memórias, tão esquecida e cada vez mais só. Na forja levava dois polvorones, um tradicional doce espanhol para cada uma. Anos houve, há muitos anos, em que a Cali os comprava às dúzias em Valência para nosso regozijo. Agora a Troika fez um rateio de uma dúzia cá para casa e dessa dúzia saquei dois, sem saquinho, sem rodeios, sem salamaleques. Entrei na loja que outrora via sempre cheia de mercearias, luz, gente e homens na taberna com o meu pai. Agora estava às escuras e elas dormiam, à braseira, com o terço na rádio Renascença de fundo, como sempre.
  
         Silencioso, sentei-me e fitei-as. A Cali dormia tranquilamente, com a cabeça tombada sobre a mesa. A Maria, num sono mais de vigília, dormia de cabeça erguida, encostada às escadas. Meti um polvorón à frente de cada uma. Esperei que uma acordasse. Olhei e recordei. Tanta coisa que passou no filme da minha cabeça… Minutos que foram horas.

         Muito tempo depois, a Maria acordou e riu-se quando me viu. Admirada, perguntou-me o que fazia ali. As perguntas perderam-se noutras que nasceram sobre o presente que levava. Curiosa, abrindo a embalagem, riu pela lembrança. Começou logo a comê-lo e a colega acordou minutos depois, pela conversa. Saborearam-no com prazer, com o ar que eu queria quando me lembrei de lhos dar. De tantos que me deram em garoto, retribuí com um. Valeu pela recompensa.
        
A Cremilde, a do poupo, tem tido uma velhice mais irregular, menos condizente com a mulher que foi durante a vida. Sempre esmerada, muito cuidada, muito perfeitinha em tudo o que fazia, viveu sempre dedicada aos outros, à família, a mim que sempre me quis como um filho. Pelos outros, abdicou de casar, de procriar e vê-se agora na última reta da vida, a precisar de todos nós. Tem dias em que sinto que não me conhece, em que é apenas simpática só por ser. Tem outros em que a sinto como ela era, sempre bem disposta, mexida, animada. Uma ou outra vez experimentei-a para ver se me reconhecia. Num dia não, a reação perante o meu passo em falso foi tão evidente que não me deixou vontade de o repetir.  

A irmã, sempre companheira, nunca a larga mas a Beirã já vai conhecendo a forma como a cabeça a trai e a leva para a parte das tabernas a ver do irmão que já morreu há quase 20 anos, ou a leva à unidade de cuidados continuados da Anta à procura da mãe, que nos deixou também nessa terrível altura. Conhecendo a sua boa maneira de ser e o seu bom trato sempre simpático, costumam levá-la na carrinha à procedência, de volta à loja. Loja onde já nada se vende mas que continua a funcionar como “Ponto de Convívio” das mulheres que se prezam por continuar a resistir conta a solidão e isolamento. Sentam-se à braseira, bebem um cafezinho, comem um bolo, riem, falam, vivem.

Desta vez, quando acordou, a Cali ficou muito admirada por me ver ali.

- “Então mas tu! O que fazes aqui?!?!” (não me esperava…)

- “Vim-te ver a dormir. Apareci do nada. É uma magia que eu aprendi a fazer. Já aqui estou há horas.” (mentira)

Quando olhou o presente que lhe levei, “E esto niño? Que es?” (viveu anos em Valência de Alcântara, quando o meu avô foi ali chefe da estação, antes de se reformar como inspetor e fala fluentemente castelhano).

“Pues, un dulce de alli. A ver si te gusta. Lo conoces? A ver…”

“Hum… que rico. (provando) Muy bueno”.

Depois começou a balbuciar algumas palavras sem nexo. Fazia expressões faciais de acordo com o que dizia mas eu não a conseguia perceber. Fazia o ar de quem falava e percebia o que dizia mas era imperceptível para mim.

         “Quando ele ia… lá para mim” e ria. “E ela não podia…” dizendo que não com a cabeça e sorria. Ria e parava de falar.

A Ti Bia, companheira de todos os dias e todas as noites, companheira de cama e refeições, perguntou-lhe baixinho:

- “O que é Cali? Ele ia lá para o pé de ti quando era pequenino, era?”

Que sim com a cabeça.

- “E os pais iam trabalhar, era?

Que sim, que sim.

- “Tu gostas muito dele?”

Que sim, olhando com ternura para mim.

- “E o pai dele? Quem era?”

- “Era eu. Eras tu.”

- “Não Cali, diz lá quem era o pai dele. Lembraste?”

Que não, a cabeça a dizer que não.

- “O João, Cali. Era o nosso João”.

E os olhos foram ficando sérios. Foram-se transformando, ficando tristes, perdidos, fundos. Tão tristes que se encheram de lágrimas e começou um chorar triste. Silencioso, de falta, de saudade.

Agarrei-a junto a mim. “Já passou, Cali. Já passou”. E ficámos os três em silêncio, de mãos dadas, a pensar, a sentir a força uns dos outros.


Feliz ano novo, pensei. Esperança no bem… (num bom ano novo)

domingo, 29 de dezembro de 2013

Para os braços de Portugal

Das notícias que consigo apanhar nesta época festiva (sempre poucas num rally de reuniões familiares, comeres e prendas que é o Natal), impressionou-me especialmente esta que compara a nova vaga de emigração de 2013 à registada no estado novo porque já a supera.

Marca a diferença entre um tempo e outro, termos agora como banda sonora este tema absolutamente magistral de um grande Pedro Abrunhosa ao seu melhor nível, acompanhado pelo gigante Camané, com uma voz e uma interpretação arrepiante.


Fabulosas palavras, enternecedora melodia. Grande vídeo para um marco na canção nacional.



domingo, 22 de dezembro de 2013

Sobreiro's LX Christmas 2013





É certo que uma hora tem 60 minutos e um dia tem 24 delas.

Mas há dias e dias.

Há dias, como os dois que vivemos em Lisboa na semana passada… que se tornaram numa jornada inesquecível. Fomos por obrigação, mas soubemos pela imaginação, pela recriação, torná-los numa jornada inesquecível. Para os quatro.

Eu era o chato que andava sempre de máquina na mão mas não maçava muito. Não interrompia, nem pedia poses. Apenas fui registando, captando de soslaio, como quem não queria a coisa.

Assim, para além daquilo que guardámos na memória e nos nossos corações, cristalizei em mais de 600 imagens (com muitas ainda por limpar, arranjar e ordenar) momentos que ficam para sempre.    

Do pote fui tirando estas que durante o dia arranjei e me preparo agora para fazer a première caseira.


Sobreiro’s LX Xmas 2013






quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sê feliz, Cris

A melhor foto que encontrei tua, das centenas que tenho, é nossa.
Daquilo que construímos os dois, da nossa família.

Depois disto: 

Isto:


O Michael Bublé, um crooner do nosso tempo, conseguiu recentemente esgotar a Meo Arena no dia 1 de Fevereiro e vai ter uma data extra no dia 2 porque canta músicas assim.

Este tema parece que foi escrito para eu dedicar à mulher da minha vida no dia em que completa 38 anos, 18 de Dezembro.

Mais que as vidas que me geraram e as vidas que gerei, ela é A tal.


Fernanda Cristina, vai por ti…



Fecha os olhos…
Deixa-me dizer-te todas as razões porque,
Sinto que és a tal.
Aqui está para ti,
Aquela que sempre nos puxa para a frente,
Sempre faz aquilo que tem de ser feito,
És a única.
Graças a Deus que és minha.

És um anjo, numa armadura.
És a fada em cada luta.
És a minha vida e o meu porto de abrigo,
Quando o sol se põe em cada noite,
E se o meu amor é cego,
Eu não quero ver a luz.

É a tua beleza que te trai,
O teu sorriso que te leva,
Porque és feita de força e misericórdia.
E a minha alma é tua para ser salva,
Eu sei que tudo isto é verdade.
Quando o meu mundo foi escuro e azul (como no Hospital de S. José…),
Sei que a única a salvar-me eras tu. (por isso ficava tão feliz quando te via e tão triste quando partias e me deixavas ali…)

Fecha os olhos,
Deixa-me dizer-te todas as razões porque,
Nunca vais ter de chorar,
Porque és A tal.
Sim, aqui está para ti,
Aquela que sempre nos empurra para a frente,
Sempre fazes o que tens de fazer, querida,
Porque és a tal, (a única).

Quando o teu amor cai em mim,
Sei que finalmente sou livre.
Por isso te agradeço,
Cada batida do meu coracão é tua, para guardares.

Então, fecha os olhos,
Deixa-me dizer-te todas as razões porque,
Nunca vais ter de chorar
Porque és A tal (a única).

Tu és as a razão porque estou a respirar,
Com um olhar de relance,
És a razão porque estou a sentir,
Que é finalmente seguro ficar!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A banda sonora das nossas vidas

Hoje de tarde vinha com ela de Castelo de Vide, da explicação de matemática. Ao que parece tem resultado. Foi uma das duas positivas da turma no último teste. Ouvimos esta música e cantou. Cantámos os dois. Também gosto muito. Acho que é uma excelente prova que os novos autores também escrevem muito bem em português.


Comentou e disse-me que achava muito estranho como as músicas passam de moda, como o que se ouvia há 6 meses já parece antiquado.

Expliquei-lhe a importância das playlists, de como a indústria musical e as editoras manobram os artistas, as rádios e as audiências. Expliquei-lhe que sempre foi assim e sempre assim há-de ser. Disse-lhe que se ela gosta realmente de música, como eu, pode aproveitar estas variações e estas tenências para ir construindo a banda sonora da sua vida.

Expliquei-lhe que eu, assim que ouço um tema, mesmo que não goste dele, consigo imediatamente situar em que período da minha vida me encontrava quando o costumava ouvir, com maior ou menor prazer. Para mim, é essa a grande magia da música. Há os que se adoram, os que passam ao lado e aqueles dos quais não se gosta mesmo nada.

Nisto tocam os Wham com isto que ela disse que gostava muito. Que era do meu tempo e ela gostava.


Eu disse-lhe que este era um caso paradigmático. Sempre detestei os Wham! Sempre achei que eram um grupo de pretensos rapazes bonitos que as raparigas adoravam mas que nunca tinham trazido nada de novo e bom à música. Apesar disso. Apesar desse mau começo, aprendi a ouvir e a gostar e a às vezes adorar o trabalho de George Michael a solo. Revelou-se um vocalista tremendo, com um bom gosto extremo capaz de coisas fantásticas como estas:



Um performer com uma carreira e um percurso em tudo idêntico ao do Robbie Williams, outro dos meus eleitos. Achava-o mais um, o irrequieto dos execráveis Take That. A solo teve uma entrada menos boa mas acabou por se revelar um artista assombroso, com um bom gosto imensurável e uma grande voz que o tornaram no Artista com A grande, no Performer com P grande dos nossos tempos. 



Disse-lhe que a música é sempre assim: supreendente. Está sempre ali, à nossa espreita, na rádio, na tv ou na net.

Palpito que com isto, no futuro, quando ouvir os azeitonas a cantar "o tonto de ti"... é capaz de se lembrar desta conversa.

Faço realmente votos (e sonho) que quando for já quarentona e eu setentão, a cantemos os dois, com os filhos dela e os meus netos a fazerem o coro por trás, com a mãe e a mana e a família da mana a acompanharem.