terça-feira, 22 de abril de 2014

O campeão está de volta outra vez! (Pintez, diga 33!)



Foi uma vitória merecidíssima e incontestável. Os meus adversários distinguem-se entre os que sabem dar os parabéns e os que calam. Dos que se manifestam, uns cumprimentam, outros ligam ou mandam sms, outros felicitam pelo facebook, como sabem que eu lhes costumo fazer a eles. Dizem alguma coisa para parabenizar. Outros apenas calam e isso diz (quase) tudo sobre quem são. (e como são perante a bola e… a vida).


Foi uma grande barrigada ainda antes do São Marcos, quando habitualmente tudo se costuma decidir, lá para os fins de Abril. Acredito que pode ser a primeira de várias alegrias nesta época. Não sou como aqueles que nos comparam ao Bayern de Munique que numa época perdeu tudo na fase final e na outra ganhou tudo. É preciso ter calma e aprender com os erros do passado. Nunca mais embandeiro em arco. Sei que a Liga Europa já está num nível altíssimo e poder lá continuar, já nas meias, encontrando a vechia signora na quinta-feira, é todo um feito. Sobretudo para um finalista do ano passado que praticou melhor futebol e caiu por terra mal batido. Mas há esperança. Como há esperança na Taça de Portugal…que tanto queria ganhar e até na taça de lata, que eles desdenhavam mas provavelmente será a única que conseguirão alcançar, provando que (mais uma vez) pela boca morre o peixe. 

No pré-jogo, ainda em aquecimento... Sem vestir a camisola de campeão não fosse o diabo tece-las (outra vez como em 2013)

Junto a um grande amigo benfiquista com o bigode de sonho que me proíbem ter...


Uma dupla (tripla) de centrais (de airbags) de luxo

Esta vitória tem dois artífices diretos, para além do extraordinário plantel e da sempre impressionante mole humana que acompanha o coletivo: Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus.

O primeiro é um Presidente de luxo. Talvez o mais importante que conheci na minha vida, desde que tenho consciência (futebolística). Quando toda a gente cruxificava o Jesus no final da época passada, grupo no qual me incluo à cabeça, optou por dar continuidade ao fio condutor. Arriscou … e venceu. O timoneiro é ele. Chefe do centro de estágios, dessa aventura tão arrojada e bem sucedida que é a Benfica TV, do Museu e de todas as infra-estruturas… sempre ele.


O outro é o JJ que pode ser uma cabeça tonta, teimosa, maluca mas tinha um objetivo e cumpriu-o. Ninguém duvida que tem uma excelente relação com os jogadores e é um brilhante condutor de homens. O Benfica já ganhou muito dinheiro com jogadores que valorizou. Tem um exército montado que brilha porque tem valor e não é nada barato mas que o respeita e ouve. Oxalá o Benfica o consiga vender aos “bifes” e ganhar muito papel com ele no fim da época. A substituição? O Marco Silva do Estoril sim, já! (e fica a lume brando porque já provou que é de categoria). O Espírito Santo do Rio Ave, não!

Aqui já era!





Uma plateia de luxo. Poucos mas bons! Então não?!?!

Houve vezes (anos) em que sonhei que a imagem de entrada do céu era esta. Tal e qual. Só que em vez de pequeninas eram normais. E sempre com. Agora é sempre sem. Servidas sem eu ver a garrafa para dar a ideia que é mesmo assim que sabem. Não são cervejas sem álcool! São imperiais especiais!

Bem sei que a vitória é dedicada a nós todos mas vai endossada ao Eusébio e ao Coluna. E vai bem.

Uma última nota para o grande Luisão que provou que é o capitão de todos nós e teve a inteligência de ir buscar os dois artífices na hora de levantar a taça. Nota mais.


Foi memorável. Vamos saborear. Se fosse sempre nossa, não lhe saberíamos dar tanto valor. Assim, saibamos defendê-la com valor, provando em campo que somos os melhores. O campeão está de volta outra vez! (no cântico mai lindo que anda agora aí)

Como as caravanas sairam já a horas proibitivas para crianças e quarentões com (algum) juízo, hoje de tarde fizemos a caravana da juventude e 3ª idade. Só de Twingo, os dois, trajados a rigor. Fomos à rotunda do "marquês eucalipto queimado" à Portagem, Santo António e Beirã









Os meus meninos: Kikas e Katita. Sócios fundadores!

Eu e o meu querido amigo Quim Maridalho, a fazer pose para entrarmos na foto onde não aparecermos por distração. Até dá a ideia que estamos também lá, agarrados ao Oblak e ao Luisão, não dá? (a ideia era essa... :(

O programa "Querido, mudei a casa" veio ao meu sótão fazer tudo vermelhão com o poster que saiu no Correio da Manhã. A Fáfá de Belém foi convidada para cantar o "Vermelho, vermelhinho, vermelhão" mas não conseguiu subir as escadas do sótão. As mam... não coube, prontos!

Ficou giro, não ficou?

Como disse este adepto de Gaia com o ar de felicidade que transborda a fotografia: “o Benfica é o maior! É meu partido e a minha religião!”. Mai nada! 


Isto está giro não está, Bruninho? Deu trabalho mas a ocasião merece. Da última vez que fomos campeões, a minha Alice tinha acabado de nascer, vê-me bem.
"Bruno, para onde vais?"
"Para a festa!"
"Bruno, de onde vens com a trompete e a tarola às costas?"
"Da festa" (Muito murcho, com os olhos de soldar. Mas sempre bem disposto! CAMPEÃO!) 

sábado, 19 de abril de 2014

Madrinhas... Feliz Páscoa 2014

As madrinhas e o pequenote
(num encontro fortuito na rua numa manhã destas, à hora do café)


Palavras esgalhadas em uma hora depois do serviço, até às 19h, como agradecimento à prenda há minutos recebida


Sozinho nas Finanças,
A minutos da hora de fechar,
Tocou de surpresa o telefone,
Quem é que teria de aturar?!?!? (a esta hora… L)

Do outro lado da linha,
Uma voz delicada, bem bonita e feminina,
Disse-me que o assunto era pessoal
Que não tinha nada a ver com a batina.

Tratou-me por afilhado
E aí fiquei logo a saber,
Que só uma das duas,
que tenho no mundo, poderia ser.

A de batismo é arrediça,
não gosta de beijos, pode até parecer agressiva.
Dá folares fornecidos pela mãe,
É assim meio esquiva.

Sendo assim só podia ser,
a minha madrinha adotiva,
Aquela a quem hei-de estar grato,
Para sempre e toda a vida.

Foi por ela que soube do concurso,
Que admitia tropas para a máquina fiscal.
Um sopro de alento e esperança,
Para um emigrado, longe da terra natal.
(Era só em Castelo Branco mas era longe na mesma!)

Na altura vendia carros,
na Opel para o pai Matos,
Mas sonhava vir para mais perto,
Para uma coisa fixa, mais de actos.

Na altura só tinha uma pequena,
Aquela com quem casei,
E foi por ela, vizinha da madrinha, (no Turismo)
Que soube que entrei.

A contratação foi tão feliz,
Que ainda ali continuo a jogar,
No mesmo sítio onde o marido da madrinha, (também será padrinho?)
Se tornou aposentado.

No serviço fui surpreendido,
Pelas prendinhas da nova madrinha,
Não resistindo, fui metendo
A mãozinha na saquinha.

Um bolo finto de grande categoria,
Que ainda vinha quente,
Por isso não lhe meti mão,
Porque ainda vinha com o Sol Nascente. (de Castelo Vide).

Amêndoas tradicionais de chocolate,
Daquelas gordas de Portalegre.
Das que se desfazem na boca,
Daquelas que não há com as quais quem se enerve.

Se o que cá há é bom,
E aquela cidade nisto é de primeira,
Vá lá um saquinho de rebuçados de ovo,
P´ra me encher a regaleira. (deixa cá provar um. Huuummmm… Aaaaaaahhhh….

Fiquei assim sem jeito, sem saber como agradecer,
A este gesto tão ternurento,
Pois eu também queria contribuir
Para adornar o mágico momento.

Que não, que se ia embora para o Porto da Espada,
Que eram coisas sem importância.
Mas que não! disse eu.
Também lhe queria trazer uma lembrança. (da santa sogra que é boleira)

Que isto não é troca por troca,
Que só me via depois, (da Páscoa)
Que ficava bem assim,
Amigos como sempre, os dois.

Pois com todo o respeito lhe digo,
Que para o ano fica combinado,
Que passamos a trocar prendas na quarta,
Para evitar os erros do passado. (deste ano)

Se somos madrinha e afilhado diferentes
Daquilo que é convencional,
Passamos a trocar prendas na quarta-feira de cinzas,
Bem diferente da Páscoa habitual (que é ao domingo).

E assim lhe digo,
Minha querida madrinha adotada,
Que não querendo (e não tendo tempo para) uma prenda.
Dou-lhe uma coisa por mim muito estimada.

Sou financeiro por necessidade,
Ganho ali para viver.
Mas trabalhar as palavras,
É realmente o meu ofício e saber.

Não aprendi em curso algum,
Apesar de para isso ter estudado,
Mas é coisa que sai cá de dentro,
Um mistério que não pode ser explicado.

Há coisas na vida,
Que parecem ter uma orientação divina.
Temos assim de saber seguir,
Com a orientação superior, a nossa sina.

Superior como a nossa relação,
Que é tão antiga e tão amiga,
Extensiva a filhos e netos,
Tão autêntica e tão expressiva.

Desejo-lhe assim,
Do fundo do meu coração,
Uma Páscoa sagrada
Cheia de amor e união.

Sorte e saúde,
Que o dinheiro sempre se arranja.
É o que costumo dizer,
E quem o diz não o esbanja. (Não sobeja…)

Desejo-lhe tudo o melhor,
Uma excelente continuação,
Oxalá para o ano,
Demos continuidade a esta nova tradição.



16 de Abril de 2012
Quarta-feira de Cinzas

Prenda do afilhado




Pedro Alexandre Ereio Lopes Sobreiro

quinta-feira, 17 de abril de 2014

ÉPICO


A primeira coisa que fiz ao acordar foi ver as 1as páginas dos jornais desta manhã. A noite de glória merecia este amanhecer. De todas elas, a melhor de todas foi a do Correio da Manhã, pasmem-se. A imagem é do mais feliz que pode haver. O nosso símbolo da vitória em tronco nú, sequinho e com os abdominais desenhados, gritando um golo de antologia com o mago Sálvio, sempre ele, o iniciador da revolta, a gritar por trás.

A palavra do cabeçalho escolhida foi certeira, melhor do que a que eu pensava: Épico.

A montagem em Photoshop é também belíssima, com as botas e a cabeça a fugirem ao retângulo da imagem, a darem uma ideia de movimento, como se estivessem a saltar da banca. Parece que grita golo. Até se ouve. Ainda soa aqui.

Comentei no facebook a abordagem do meu querido amigo portista Francisco Serôdio e meti a carne toda no assador ao opinar. Disse que os alunos da GNR do norte que estavam atrás de nós no JJ ainda levantaram a cabecita com o golo do Varela. Mas há coisas que são por demais evidentes e ontem, o André com o nome de um grande deles deu a estocada de morte. Passei-me. Tanto que eu gritei também. 



É certo que ter o meu querido Nuno Pires picado pelo ambiente com uma força tremenda e disposto a virar a casa também ajudou. Eu disse ao JJ: “meu amigo, para a próxima vez tens de o fechar numa arrecadação, ou comprar-lhe um ençaime gigante senão isto dá pró torto e ele espanta-te a clientela.” Ele riu-se e eu também porque mostrei o ar da minha graça. A dada altura já só gritava: “A MINHA AFILHADA MARIA ESTÁ LÁ A SER BATIZADA NA CATEDRAL!!!!”

Certamente nunca mais se vai esquecer. Mas eu, como padrinho, vou ter de falar com ela a sós, e dizer-lhe, com grande mágoa minha: “filha, olha que jogos daqueles acontecem uma vez na vida, ou duas, ou três com muita sorte. Mas aquilo não é sempre assim. Um padrinho tem de preparar também as crianças para a dureza da vida.

Épico e impróprio para cardíacos.

Como digo no comentário: não ganhámos nada, mas ganhei muito! A mística está de volta!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Melhor do que falecer


O sempre genial Ricardo Araújo Pereira deu finalmente o salto para o estrelato que merece. O melhor humorista português de sempre (para mim. Sei o que digo. Perito em gargalhada cerebral surda.) deitou finalmente ao rio o saco de gatos fedorentos que não estorvavam e até ajudavam a criar a ideia de grupo nas cenas teatralizadas mas que nada aportavam ao seu brilhantismo.



Sendo amigos de escola, não os quis deixar para trás e foi-os levando ao colo até que a sua colaboração individual com a Rádio Comercial na rubrica Mixórdia de Temáticas, no seio da grande equipa das manhãs, acabou por ser a parteira que lhe cortou o cordão umbilical de vez.

Foram-se os gatos (já milionários) com o futuro garantido pela colaboração publicitária com a PT (Meo e TMN), ficou o artista livre para ocupar (para nossa sorte) o palco todo. Gato com ele até eu podia ter sido e bem assanhado! Fácil com um génio destes.


O programa diário de sketches na TVI depois do jornal das 20h “Melhor que falecer” dá continuidade com o trabalho com o grupo Medial Capital que o “saca” ao Impresa e lhe abre portas a novas parcerias e possibilidades. A escolha do fantástico Miguel Guilherme como partenaire é do mais feliz que pode haver. Um tiro na mouche.



7 ou 8 minutos e 1 ou 2 episódios avulsos com dois atores de craveira chegam. Com o Ricardo acordamos melhor e rimo-nos ao jantar. Portugal com ele fica melhor.



(inclui um fantástico genérico escrito pelo próprio, musicado pelo Armando Teixeira dos Balla e cantado por Camané. Tudo bons rapazes. Tudo escolhido a dedo.)

Run(ning) (again...)

Press play for ambience sound




Ontem acordei com vontade de concretizar uma aspiração já antiga e fiz-me à estrada (por e com muitos caminhos velhos) para conseguir retomar um dos meus percursos antigos de corrida antes do acidente. Um daqueles que cheguei a pensar muitas vezes que nunca iria a ele regressar. Consistia em ir dar a volta pelos Barretos, cortando pelos Vales em terra batida. Um total de 8 quilómetros, numa duração de 1 hora e 10 minutos até ao regresso a casa sem nunca parar apesar das (duras) subidas. Muito lento, dirão alguns. Lento, certamente diria eu, antes disto acontecer. Para quem, há 4 anos e com apenas pouco mais que meia-hora para além deste tempo fazia 21 quilómetros (1h 48m)… é assim um retrocesso considerável. 8 minutos e 75 segundos ao km numa distância de 8; quando em 2010 fazia em média 5 minutos em cada um dos 21… Pois sim, mas pelo meio houve o que já sabem e a coisa esteve grave. Nisso ia eu pensando enquanto corria e tentava perceber o meu desânimo quando voltei a tentar correr por diversas vezes até desistir. Desistir até (ter força para) recomeçar.



Quando quis recomeçar a correr há ano e meio/dois anos atrás, o processo era penoso. A sensação era que tinha dois pesos de toneladas presos às pernas. Um peso horrível que impossibilitava a marcha rápida. Correr é impossível quando um se sente colado ao chão. Sentia-me como o Pinóquio, a afundar-me com as pernas de madeira sem articulação, como se estivessem presas com Supercola. Peso agora 12 quilos a mais que nessa altura e o peso aqui já se nota bem.



Mas como eu de Pinóquio nunca tive nada e o meu herói sempre foi aquele que nunca deixou de sonhar, a Sininho soprou, sonhei e voltei a correr. Agora, é difícil quando um gajo que corria como se fosse o vento, se vê assim desamparado, por sua própria conta e risco, a começar do nada, como se voltasse aprender a correr outra vez, como teve de aprender a andar neste regresso à vida. Mas a força de vontade, esse bicho…


Dantes era:
- Olha, lá ao fundo vem o Pedro a correr.
- Onde?
- Já passou!



Eu era o símbolo da Nike, o swosh, a correr. Agora é devagar, não tão devagarinho assim, mas mais devagar. E não me venham cá com merdas que aquilo não é correr porque eu sei que é. A distância e o tempo provam-no. E eu vou sempre a pensar que se estivesse a participar numa prova de marcha olímpica era desclassificado pelos júris porque os pés não estão sempre os dois em contato com o chão como mandam as regras. O que significa que o que faço é correr.

Hoje assim. Amanhã, assim e assado. Sempre mais. Sempre sem baixar a guarda. Nunca satisfeito. Sem limites.


Dantes eram 21 km sempre a bombar. Depois foi (fui) reduzido a zero. 50 metros pareciam impossíveis. Agora já vou nos 10 quilómetros. Metro a metro... grão a grão... Mas sei que nunca serei capaz de “limpar” maratonas como os meus amigos Domingos Bucho e o André Costa, este último, um craque que tive de puxar anímicamente para cruzar a sua primeira meia de braço dado comigo (ver foto de chegada porque Pinóquio não). Mas maratonas (daquelas de 42 quilómetros) nunca seria capaz de fazer (porque exige muito treino incompatível com a minha vida atual), quanto mais depois da arraia. Agora, mais uma meia a saber à glória do Carlos Lopes na maratona de Los Angeles… (já não me parece tão louca)...




quinta-feira, 10 de abril de 2014

(Vitória na) Eurovisão

Rodrigo foi grande, mas Sálvio, o recém regressado de uma baixa demorada e inesperada, ainda à procura da plena forma foi GIGANTESCO!
Foi uma noite europeia de glória para mim, que Benfiquista e anti-portista me assumo.(ainda mais? Outra vez?!?!?)

A vitória (incontestável e tranquila) por 2 na Luz selou a nossa supremacia nesta fase da Liga Europa.

A derrota (humilhante para eles) do Porto em Sevilha foi também motivo de regozijo. Sabem como eu sou: claro e direto. O que é, é! E não há como fugir às realidades. Eu sei que é mau para o futebol português por causa dos rankings, do prestígio e dessas merdas todas. Mas dá prazer a mim. Eu gosto que o Porto perca. E porquê? Será que sou refundido? Será que não consigo lidar com o triunfo de um outro clube nacional? Será que penso que o sol quando nasce é só para o Benfica?

Nada disso e quem me conhece (bem) sabe que não gosto da maneira do Porto estar no futebol e na vida. Tenho amigos que são do Porto, é um facto, mas ninguém é perfeito e todos temos de ter algum defeito.

Tomemos o caso Quaresma que penso que ilustra bem aquilo que digo (e penso). Foi um jogador criado no Sporting Clube de Portugal onde se estreou com 17 anos e brilhou ainda antes de Cristiano Ronaldo. Ali se formou, ali aprendeu quase tudo e desenvolveu a sua técnica primorosa. Entrou para o Porto em 2004, mas renega por completo o seu passado sportinguista e refere-se sempre ao Porto como sendo a sua paixão (bem ao contrário do Futre). Teve uma atitude absolutamente lamentável no final do jogo em que o Nacional venceu o Porto e perdeu a cabeça sobretudo com Marçal que não afiambrou porque os colegas (de profissão) se meteram ao barulho. Reação do clube? O Papa do norte acusa os outros de xenófobos, defendendo o menino. Mesmo que lhe tenha dado uma reprimenda interna (o que eu não acredito), tudo isto é um comportamento do tipo camorra, do mais requintado estilo cosa nostra.

Aeeeeeeeeeeeeeeeeeeee ê vô chamá mê pai, mês primes e mês irmões e te façu a fôlha...

Isto não é salutar, isto não faz bem, isto não causa bom impacto nos outros. O que me choca no Porto e com o que não posso de todo concordar é com a arrogância, o ar de supremacia.  

Podem ter ganho a Liga dos Campeões há 10 anos com o Mourinho que foram buscar ao Benfica. Nada a dizer. Ninguém tem culpa das preferências etílicas do Vilarinho pelo Toni. Tudo legal, portanto. Mas a altivez que se seguiu é o que me enoja. Não há ali um pingo de humanismo. Vê-los agora cair… é bom.

O Benfica segue glorioso e merecedor do que vier amanhã no sorteio às 11h. Vamos lutar pela final que esperamos não perder de forma inglória como a do ano passado. Sei que eles nos desejam o pior. Eu compreendo. Sou um espelho, aqui.

A fratura de tíbia do Sílvio foi o único (grande) senão numa noite que tinha tudo para ser grande. É (tão) lamentável que o lance fortuito com um colega de equipa tenha colocado fatidicamente termo a época e rasgado os bilhetes de avião para o Brasil. Mas o futebol é tão imprevisível como a vida e há que aceitar que as coisas nem sempre são como queremos.   

Hoje, para mim, foram.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Nebraska



Com a primeira-dama a trabalhar na Tower of Marvão, a Leonor na piscina em competição de natação e a benjamim a passar a tarde com a prima na casa dos avós depois da aula de zumba no GDA, naquele que diz ter sido o seu “dia mais feliz de sempre” fiquei com a tarde… livre para mim! Uma coisa verdadeiramente extraordinária porque viver dá imenso trabalho. Como o meu smartphone indica onde gasta a energia (W no monitor, Y no android, Z na web), também eu gasto a minha energia em ser pai, ser marido, ser trabalhador do estado, ser chefe de redação do blogue, ser amigo, ser parente e… fico com pouco tempo para mim. Para mim sozinho. Para fazer o que me dá na bolha. Para ser egoísta.

Sou um apaixonado de cinema. Se há arte que me gala a gata, é a cinematográfica. Gosto muito de um bom disco, de um jornal, de um bom programa de televisão, não sou tanto de livros, mas não há nada, nada, que chegue a um bom filme.

Para a vida correr como eu quero que ela corra bem, um filme por semana deveria ser o mínimo. Sei que nem sempre me dou ao luxo de ter essa regalia mas desta vez foi demais. O último filme que vi com olhos de ver (dentro da cabeça) já foi há quase 2 anos: “Os Descendentes”. Deste mesmo realizador, Alexander Payne, do qual já vi todos os filmes.

Confesso que sou um cinéfilo atípico. Porquê? Quem percebe de filmes fala de fotografia, luz, planos e outras cenas técnicas. Para mim, um filme ou é bom e eu gosto ou não gosto e ponto. Se gosto é porque transmite alguma coisa ou porque dá prazer a ver. Os filmes bons podem ser de 2 tipos, portanto. E sou um gajo que funciona muito por realizadores. Há tipos dos quais sigo o rasto e não falho uma pegada. Quentin Tarantino, Tim Burton, o tal Alexander Payne, Darren Aronofsky. Depois há os clássicos que convém revisitar: Scorcese, Coppola, Kubrik e afins.

Outra prova que sou atípico é porque na faculdade levaram-me a ver “O Leopardo” do Luchino Visconti dizendo que era uma obra magistral muito recomendada por um professor e eu, devo ser muita burro porque achei aquilo uma real cagada. Bonitas imagens, bonitas cenas nos bailes mas… uma obra prima?!?!?! For god’s sake. Obra-prima é o “Reservoir Dogs” onde com um low budget, com recurso à sabedoria e experiência dos atores, à mestria do argumento e à sapiência de Quentin Tarantino em mexer nas câmaras e orientar a orquestra, se fez um hino ao cinema. Isto para não falar na bomba celestial que se seguiu em Pulp Fiction.

O Alexander Payne é muito bom. Tudo o que toca... é bom, ponto. O “About Schmidt” com um Jack Nicholson superlativo levou-me às lágrimas no final. E quando um realizador consegue fazer essa proeza, prova-me que vale a pena. Sempre.

“Sideways” é um road movie com humor muito próprio e gostoso. “Os Descendentes” recorda-nos aquilo que é realmente importante na vida e vi-o numa altura da minha em que também ela me tinha ensinado isso.

Antes de escrever sobre Nebraska, tenho de escrever como e onde o vi. Hoje os cinemas estão quase todos a fechar portas por falta de público e o MEO cobra caro por um filme no videoclube quando já pagamos tanto de assinatura. Pior que os 3 euros desembolsados na nossa própria casa, é o atraso inexplicável com que os filmes são disponibilizados que mais choca. Contra tudo isto e sem ter de fazer qualquer download ilegal, bastou-me pesquisar na net para poder ir ao tuga-filmes.com e ver o filme legendado em português com óptima qualidade. Os apoiantes no facebook já são mais de 15.000. Muita gente para se prender de uma assentada. Tudo poderia ser muito mais legal se cobrassem 1 ou 2 euros e disponibilizassem logo os filmes. Ça va? Ora tudo isto era o meu sonho de criança que queria tanto um cinema quando não havia um e teve de ir pela mão das tias ver a estreia do E.T. a Valência de Alcântara. Esta era uma possibilidade inimaginável num futuro próximo nesse então. È uma realidade hoje em dia. Admirável mundo novo, como eu costumo dizer.


O cartaz dava boas pistas. Chamava-lhe “o melhor, mais completo e satisfatório do realizador”; “um dos melhores do ano” e “uma obra de arte”. Quem o diz deve ser entendido apesar de desconhecido e deve saber da coisa mas eu apenas digo que Nebraska conta a história do idoso com um passado alcoólico e muito pouco crédito na família que se convence que ganhou 1 milhão de dólares numa publicidade enganosa que recebeu no correio. Decidido a ir levantar o prémio, contra o vontade da mulher e do filho mais velho, conta apenas com a determinação do filho solteirão, um perfect nobody que vive sozinho porque a namorada o deixou, farta de lidar com a sua total indefinição. Apesar de saber que o prémio não existia, David decidiu apoiar o pai e fazer a viagem que ele tanto queria para ver se o conseguia convencer do logro quando chegasse ao final. Uma viagem nada fácil porque o fantasma do álcool se foi atravessando no caminho de ambos e ao regressarem onde já tinham vivido, tiveram de lidar com problemas com a família e antigos “amigos” potenciados pelo drama da fortuna. Mais um caso que prova que o dinheiro e o poder que tudo transformam e tudo revelam.
  


Num preto e branco belíssimo, duro como o horizonte sempre nevado, vai-se desenhando um filme de afectos no qual o filho vai conhecendo melhor o pai e este se vai revelando pelas pessoas que foram povoando a sua vida como os sócios nos negócios falhados ou o grande amor perdido. A redescoberta pessoal do pai na viagem acabou por ser o milhão de dólares para o filho. Para o pai, bastou-lhe o chapéu de milionário de consolação e, no final, uma camionete nova como queria, carregada com o ar comprimido que tanto desejava se o dinheiro existisse mesmo. David fez-lhe a vontade, trocou de carro e deixou-o voltar a conduzir. Entrou assim para a minha galeria de heróis na tela, aqueles que conseguem dar um pouco de si para que os outros sejam felizes. Para fazer o pai feliz, deu de si e fez-lhe a vontade.






Pejado de grandes actores, Bruce Dern destaca-se pelo papel de pai que representa o culminar de uma carreira. Will Forte está muito bem como David.

7/9 no Internet Movie Data Base

8 em 10 para Pedro Sobreiro.


domingo, 6 de abril de 2014

Kumba. Iálá!


É com grande pesar que o blogue Vendo o Mundo de Binóculos do Alto de Marvão comunica a todos os seus leitores a triste notícia do falecimento do nosso colaborador na República de Guiné Bissau, Kumba Yalá. Quando realizámos as provas para admitirmos colaboradores deste blogue para Àfrica, foi o primeiro a apresentar-se a exame na 24 de Julho, logo pelas 5h da manhã, ainda nós não nos tínhamos deitado.

Presidente da República da Guiné-Bissau, porta-voz do continente africano e apoiante deste blogue desde a primeira hora, nunca cedeu às pressões políticas do PAIGC de Nino Vieira, nem do general Ansumane Mané e sempre nos defendeu, nem que para isso fosse preciso carregar a escopetas que os bolcheviques lhe regalaram em Moscovo ou afiar a catana que trazia sempre consigo para coçar um ou dois.


Homem de fortes valores e princípios, não foi por ter sido o vigésimo filho de um casal de agricultores que não tinham dinheiro nem para comprar a roda de um trator que se deixou intimidar. Chegou a ser presidente do seu país e foi um homem que apareceu muitas vezes na televisão. Mais de 10.

Singular e primando sempre pela rebeldia que nos caracteriza nesta redação da Manuel Pedro da Paz, nunca adotou um nome português e converteu-se ao islamismo quando toda a gente lá na sua terra acredita no nosso senhor Jesus Cristo. Poliglota, sabia falar muita língua para além de saber saborear língua viva de cachopa gostosa e de vaca estufada tenrinha. Sabia português, crioulo, espanhol, francês,inglês e podia ler em latim, grego e hebraico o que é uma proeza extremamente difícil quando não se é judeu.

Estudou Teologia na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa que é uma das melhores do país a ensinar esta matéria nada fácil, depois estudou Filosofia e ainda Direito. Apesar deste currículo que deixa qualquer membro do governo a abanar (sobretudo o Relvas que já lá não está), toda a gente se lembra dele como o homem do barrete vermelho. E o burro, sou eu?


Barrete que ainda hoje me leva às lágrimas de tantas recordações. Aquela gofia vermelha foi tricotada pela minha tia Natércia e foi-lhe oferecido por mim no Parque das Nações de Santo António (aka. Mercado Municipal) quando assinámos o acordo de colaboração entre o blogue e ele, com Àfrica pelo meio.

Ainda me lembro desse momento como se fosse hoje:

- Kumba, para selar este ato tão solene e para que recordes esta ligação que hoje aqui estreitamos, gostaria de te ofertar este barrete vermelho porque te sei fã do glorioso, feito à mão, com muito amor para que nunca tenhas frio na cabecita quando dormes.


Ele, sempre simpático, agradeceu e, não percebendo nada do que lhe tinha dito porque o vinho tinto que bebemos antes era bruto, pensou que lhe tinha dito que se tirasse o barrete deixaria de ser colaborador do blogue. Nunca mais o tirou! Nem sequer para tomar banho porque as pessoas realmente asseadas não precisam de água. São como os gatos. Ele deu-me um dente de elefante que acho que anda ali para a garagem. Duma vez quis mete-lo no maxilar de cima como a minha tia Maria tem um de ouro e o dentista disse que não conseguia. Nunca mais lá voltei.

Kumba partiu. Mas há-de estar sempre aqui no meio da gente. E agente sempre com ele. Kumba foi para baixo da terra. Despido de pertences mundanos. Mas com o barrete enfiado.



Até sempre, camarada Kumba. Iá lá, camarada!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Olhó carapau!



Tasca do Binóculo:

Hoje:
Entrada: Carapaus de escabeche

Na Assembleia da República, um deputado do Bloco de Esquerda no seu estilo cassete comunista/versão ipod reclama que a situação está de tal forma gravosa que até as licenciadas têm de se prostituir para conseguirem sobreviver.
O Pedrocas, no seu estilo agastado e esmorecido de tanto embate, contradiz o evidente  alegando que “o senhor deputado é que insiste em inverter as coisas. O prisma correto é que o nosso sistema de ensino está tão bom que até as putas são licenciadas.




Prato do dia: Lacão assado no forno (de primeiríssima água)