quinta-feira, 24 de julho de 2014

A nossa adesão oficial à comunidade EFA - É Fartar Vilanagem!

(ou será que já lá estávamos?)

Ai querem comunidade de países de língua portuguesa? Vou dizer (de memória) de Augusto Gil, a balada da neve. E aì de quem se deixar dormir ou rir...
"Batem leve, levemente;
como quem chama por mim,
Será chuva, será gente,
gente não é certamente e a chuva não bate assim, 
É talvez..."

A notícia diz assim:

Guiné Equatorial já é membro de pleno direito da CPLP
O país terá que abolir a pena de morte e promover o uso do português como língua oficial.

Comentário do vosso tio Sabi: epá… azar do c*****o! Então um gajo para entrar para a comunidade de países da língua portuguesa tem de promover o português como língua oficial?!?! C’a granda merda. Paneleirices, pá! Minhoquices… Tchhhh… Então um país é o único de Africa que tem o castelhano como língua oficial e agora tem de ser portuga a falar? Chatice… Lá que um gajo tenha de falar os idiomas fang e o Pidgin Inglês, ainda vá que não vá. Agora o português?!?!? È que não lembra a ninguém... Na ilha de Ano Bom, onde ainda se usa o chamado Fá d'Ambô, ou seja o Falar de Ano Bom, uma língua crioula de base portuguesa que mantém uma semelhança muito grande com o são-tomense falada nas ilhas vizinhas de São Tomé e Príncipe, ainda vá que não vá mas… é sempre chato. Realmente…





O presidente Teodoro deve pensar: “epá, isto de alinhar nesta cena é capaz de ser uma boa forma de entrar nos grupos dos países civilizados mas há sempre que ter cautelas. Um gajo quer limpar meia dúzia deles e começa a ter aquela maralha dos direitos humanos a chatear a molécula. Que maçada…”

A Guiné Equatorial é pequenina, tem um território pouco maior que o Alentejo, mas é o terceiro maior exportador de petróleo do continente africano! TERCEIRO! Para além disso, a cada cavadela sai dinheiro e aquela cena tem gás natural e outras riquezas escondidas no subsolo que mais parece a gruta do Ali Bábá. Sim, porque os ladrões ali são bem mais que 40 e estão à superfície.


O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo (que tem um nome lindo, como ele), está no poder há 30 anos. 30 anos. Coisa pouca. Nas últimas eleições, ganhou com mais de 90 por cento dos votos, que é como dizia o Jorge Jasus dos jogos na última temporada: “foi limpinho, limpinho”.

Na descrição que faz do país, a norte-americana CIA diz que as eleições das últimas décadas foram sempre «imperfeitas», o que é a mesma coisa que dizer que aquilo que a Al Qaeda fez às torres gémeas em Nova Iorque, foi uma maldadezinha. Se se fossem pró…

Os pouco mais de meio milhão de habitantes passam muito mal. Têm fome e se reclamam é capaz de lhes sair a taluda que os gajos do regime (armados até aos dentes) limpam almas contrariadas em linchamentos públicos que é um vê se te avias.

Mas… (e há sempre um mas), neste ano a cimeira da CPLP foi em Díli, Timor-Leste. O nosso tio Aníbal chamou o Pedroca e disse-lhe: “Olha lá, rapaz: vamos estar na casa dos nossos primos em Timor e convém não dar barraca. Isto é para passar, não achas?”.
Manda quem pode, cumpre quem deve.


Assim, através de um consenso (!!!!), a Guiné Equatorial foi aceite como um membro de pleno direito, no entanto, terá que abolir a pena de morte. O nosso tio Cavaco assobiou ao Teodoro e disse-lhe: “Olha lá, menino: tu entras com a tua canalha mas tens de te deixar dessas merdas da pena de norte, pá! Olha a tua vida…”

Fonte da delegação brasileira, questionada pela Lusa, afirmou que os Estados-membros da CPLP "decidiram incorporar" a Guiné Equatorial, não tendo havido uma votação, mas "uma formação de uma opinião geral", que envolveu um debate: "As pessoas discutem, colocam os seus problemas, as suas visões".

Comentário do vosso tio Sabi: A democracia é linda.
Um conselho aos políticos: Quando forem às reuniões, levem luvas descartáveis porque podem vir com as mãos cheias de sangue.



Esta decisão foi tomada na sessão restrita da X Cimeira da CPLP, que decorreu em Díli, Timor-Leste, na qual a Guiné Equatorial não participou.
Coisa de nível: Ir lá pra quê? Eles que telefonem.

2 links fundamentais para compreender a complexidade da besta que se segue (a pessoa que tem um mandato de captura internacional em França e um processo por corrupção nos Estados Unidos da América), no clássico Público e o extraordinário Observador, um jornal diferente (como são os jornais hoje) da net:



http://www.publico.pt/mundo/noticia/emitido-mandado-de-detencao-contra-filho-do-presidente-da-guine-equatorial--1554841~

O verdadeiro motivo porque odeio este gajo:


terça-feira, 15 de julho de 2014

A Ti Bia apagou-se.

(Deus, como custa escrever estas coisas que são tão dolorosas... Vim de visitar a Cali na Santa Casa de Misericórdia, onde permanece sem sequer ter dado por falta da irmã e fechei-me no quarto. Liguei o ar condicionado, fui buscar o “meu puf” de estimação ao sótão e sentei-me a escrever. Em silêncio. À minha Cris disse apenas: “vou escrever…”. Ela já me conhece o suficiente para saber que entrei no consultório do meu psicólogo.
Há tempos encontrei o meu amigo Zé Manel Gavancha acompanhado da mulher com quem foi alterar o cartão do cidadão e assim que me viu, abriu a boca e deixou sair a emoção com espanto e em lágrimas. “Zé Manel, não faças isso”, dissemos alguns e ela respondeu, mulher coragem, “deixem-no chorar, deitar cá para fora.” Assim estou eu agora. A deitar cá para fora.

A Ti Bia adorava ler os meus textos. Dizia que ainda havia de ter um computador para os ler. Espero que este tenha ficado bem para ela. É quem interessa.)


Com as florzinhas que lhe levámos no ano passado, no dia de anos.

Morreu a Ti Bia. Morreu o último bastião da família Sobreiro.
A matriarca.
E eu vejo-me assim, aos 41 anos e pelas atuais circunstâncias como sendo o na detentor do ceptro da família. Uma família sem grandes posses, terras ou propriedades, sem títulos ou historial mas uma família rica, com honra, valores e que sempre trepou na vida por si, pelas suas capacidades.
Não esperava por isto. Estava em Lisboa desnoitado, cansadíssimo da jornada de festival de música que já não é para a minha idade, quase 20 horas a pé com apenas 4 horas dormidas quando o telefone toca para me dar a notícia assim a seco, de rompante com a voz do genro e o choro incrédulo da sua filha por trás. Duro. Coisas que nos marcam, que nos fazem subir um degrau. A vida é fodida e não traz um livro de instruções a explicar como é que se faz. Tem de se passar por elas. Felizmente sentei-me no chão da casa de banho para não acordar a Leonor e tentar perceber o que me estavam a dizer. Devo ter estado uma meia hora aparvalhado a olhar para o nada sem a conseguir encaixar. A velocidade com que o nosso cérebro processa os pensamentos nestas situações é estonteante. Tanta coisa e tão rápida… mas um enorme sentimento de culpa. Fui eu, fui eu, fui eu… desejando que tivesse tudo acontecido antes, quando ainda as duas estavam juntas na Beirã, quando eu não tinha sido chamado a intervir pelas circunstâncias da vida. Na praia apercebi-me de que ia com regularidade ao hospital, até que ficou internada; de como o genro Carlos estava sempre na retaguarda a orientar os comprimidos para a duas irmãs; de como a filha servia de ama de companhia à noite, dormindo separada do marido e na casa da tia; e eu sempre disse aquilo que aprendi depois do acidente: uma coisa de cada vez. Quando chegar aí, eu trato. E tratei.

O ideal seria que as coisas continuassem como até aqui. As duas juntas, levando a vida que queriam, continuando a ir para a loja todas as manhãs e tardes (só iam a casa dormir) onde “A Anta” lhes levava as refeições, onde as vizinhas iam passar horas na conversa e em tertúlias à volta do café e do rádio sempre ligado no terço da Renascença, dormindo as duas juntas na casa da Cremilde, vivendo já sem as condições, o asseio e a arrumação que sempre lhes conheci mas… juntas! (e isso era tudo.)



Mas a Maria já não podia mais e se morrer depressa é terrível, sobretudo para quem fica, morrer assim, com a lucidez de sempre e a força dos 20 anos aprisionadas num corpo de 80 já sem força, doente, a definhar e a precisar sempre dos outros… não deve ser muito melhor. Não pode ser muito melhor. Não pode. Num destes dias em que fui vê-la de manhã ao hospital, pediu-me que queria ver a irmã.
“Se queres, eu trago-ta cá”.


“Cali, sabes quem vamos ver? A tua irmã. Sabes como se chama?”
“A minha irmã? Sei. É a Maria”
No carro, no caminho: “E quem vamos ver agora, menina?”
“Oh… Agora… já não me lembro…”
Lá chegados, ficaram as duas em lágrimas, assim que se avistaram. A Maria, de saudade. A visitante, porque reconhecia as feições.
“Quem é Cali?”
“A minha mãe.”




 Na segunda-feira passada fui conhecer a médica que me fez o relatório e me disse que lhe ia dar alta. “Como está, doutora? Mal? É para morrer? Diga-me, eu quero saber o que aí vem.”
“Não. A sua tia está bem. São 86 mas desde que tome o Lasix para colocar os rins a funcionar, não lhe incham as pernas, não sobrecarrega o coração, fica bem. Prova disso é que está normalizada e vai ter alta ainda hoje!”
Eu, inocente e acreditando piamente no à vontade e não pensando na idade já tão avançada, cheguei junto a ela, radiante e disse-lhe: “Maria, ainda não é desta. És rija e vais-te aguentar.”
Ela sorriu.
“Quando fizeres 90, organizo-te uma grande festa de anos. Vou contratar a banda de Castelo de Vide para tocar os parabéns e tudo. Vais ver.”
“Maluco!”
“Não acreditas que sou capaz de fazer isso?!?”
“Ah, maluco… tu és capaz disso e muito mais”.
  
“Como é que te sentes, Ti Bia?”
“Cansada. Custa-me a respirar e as pernas pesam quilos.”
“E consegues dormir?”
“Há noite dá-me uma grande ansiedade. Acordo e fico a pensar. Custa-me não ter força.”
“Mas os teus olhos são tão bonitos, tão espertos, tão lúcidos...”
“A minha cabeça está sempre a pensar. Nunca estou parada. Se eu tivesse 20 anos…”
 “Eu também sou assim. Nunca me sinto só. Gosto de ter o meu espaço e estar sozinho a pensar.”




O dia em que as fui levar à Santa Casa da Misericórdia de Marvão foi dos mais difíceis da minha vida. Ainda bem que há estas casas mas… eu sei que há passos que se dão com convicção e aceitam bem como quando as duas me foram levar de comboio à universidade para gáudio dos meus amigos que as batizaram de pronto como as tias do Vasco Santana. Mas este… A Ti Bia ia contrariada que eu conhecia-a bem. Aceitou mas… Eu sentei-me à sua frente e expliquei-lhe antes de partirmos: “Ti Bia, a ida para este lugar não é por ti. Não és tu que precisas porque ainda tens a lucidez para seguir pelo teu pé. Mas tu és inteligente e compreendes que já não tens força suficiente para tomar conta e tratar da higiene da Cali. Com os amassos de saúde que tens tido ultimamente, já nem quase de ti consegues, quanto mais… Ali podem ter tudo aquilo que me pediste: um quartinho só para as duas, com muita categoria e higiene, acessível para as vossas possibilidades e reformas, com um pessoal especializado a nível técnico para vos apoiar e uma equipa de auxiliares de luxo, queridas e atenciosas. Ti Bia, não é por ti, é por ela, para estarem juntas. Repara que nem sequer aquele estigma que existe quanto aos horários tem fundamento. As horas fixas são para as refeições que são normais, como em nossas casas e à noite podem ficar até querer a ver televisão, por exemplo.




Perguntava-me muitas vezes: “ai filho, o que vai ser disto tudo quando morrermos. Que vai ser desta casa da Cali com tanto livro, tanto bibelot, tanto vestido, tanto sapato…”
“Ti Bia, depois logo se vê. Agora vamos para a Santa Casa e depois pensamos nisso.”

Mas ela não percebeu quando se mudou. A vizinha Manuela confidenciou-me depois que nessa primeira noite pediu-lhe que não a deixasse porque ia morrer.
“Ó Dona Maria, disparate. Então a senhora está aqui tão bem. Já viu? É de não estar habituada. Ande que eu levanto-lhe a caminha para que se sinta melhor.”
“Eu sei que isto é tudo muito bom e a minha irmã ficará bem entregue. Eu posso ir descansada sei que ela irá estar bem cuidada. Mas eu não quero a cama. É nela que vou morrer.”
Não foi nessa noite mas foi na noite seguinte. A equipa médica e a VMER ainda acorreram mas já não estava lá, naquele corpo cansado.
Podem dizer eu “ele há coisas” mas eu digo que os elefantes também pressentem a morte. Se não houver caçadores furtivos ou outra morte súbita, atravessam a selva para morrerem NO lugar. Se os outros animais a pressentem…
Não se ficou na primeira noite, como temeu. Foi na segunda. Ontem vi uma senhora que está lá a dormir, sem se mexer da cama há 18 anos. 18 anos. Não tem uma única ferida. O destino… Sobreviveu a um cancro de pele, suportou a diabetes, a dificuldade em e respirar mas…


Tinha uma relação muito especial com ela. Sempre me senti muito mais próximo da sua irmã Cremilde, na casa de quem fui quase sempre criado enquanto os pais trabalhavam e não havia prés. Mas sempre me senti muito parecido com ela. O meu lado rijo, duro, cerebral, obstinado, dedicado, certeiro. Ela achava-me parecido com o seu pai, o avô Sobreiro. Ainda há dias me disse: “Tu és o avôzinho, Pedro. Adoras ver-nos todos juntos e fazes tudo pela família. O avôzinho também era assim. Quando lhe dava saudades do nosso pessoal da Covilhã, metia-nos a todos no comboio e não descansava enquanto não estávamos todos à mesma mesa.”
Quando eu era estudante, havia sempre uma notinha e um macinho de cigarros. Gostava de me ver bem tratado e com coisas boas. Dizia-me que o meu pai (que foi quase seu filho, pela diferença de idades) também era assim e andava sempre uma estampa em Castelo Branco. Agora que as visitava com muita frequência, todas as semanas diversas vezes, exclamava: “mas hoje com outra toilette?”.
“Ó Ti Bia, temos de vestir diferente todos os dias… Agora é toda a gente assim…”


Ficámos ainda mais próximos depois do acidente. Deixou tudo, a casa, a loja e foi atrás de mim. Visitava-me todos os dias. Deu-me de comer na boca. Assustou-se da primeira vez que eu, sôfrego, comi peixe, cansado de tanto soro e tanta droga. Quis saber dos meus dentes que tinham voado no acidente e afinal já estavam todos no lugar. Mais tortos, com diferente inclinação mas os meus. Acidente que deixou marcas. Insisti depois do hospital: “Ti Bia, estás fraca, anda para minha casa, com a Cris e as miúdas até recuperares.”
“Para a tua casa? Dar trabalho? Deus me livre! Eu e a Cristina já passámos muito juntas (por ti) e não vou ser um peso. “
Não adiantava dizer-lhe o contrário porque já sabia como era. E foi como queria.



Esforcei-me ao máximo para que as minhas filhas bebessem dela e ela adorava isso. Adorava os natais, as páscoas e as festas de anos em minha casa; adorava o asseio, a arrumação e a minha casa toda que elogiava à exaustão. Queria a Cristina como uma filha que não teve.

A Leonor frequentou muito a loja quando ainda funcionava. Adorava os ovos estrelados com salsichas e as batatas fritas em azeite da Ti Bia, almoços que repetiu muitas vezes. Andava a dizer que agora nas férias haveriam de recuperar isso. Depois do choque da notícia, de conseguir andar, estive meia hora deitado na cama com a cabeça a mil à hora. A Leonor dormia ainda extenuada. Tomei banho em silêncio. Fiz a barba. Vesti-me e fui tomar o pequeno-almoço. Subi e acordei-a com um beijo. Tinha consulta e disse-lhe que tinha de se despachar. Desceu para tomar o pequeno almoço. Quando subiu, perguntei-lhe: “Então e essa noite? Dormiste bem? Descansaste? Eu também…
(minutos)
“O dia é que não começou muito bem”, disse.
“Então?”
“O coração da Ti Bia… Não aguentou…”
“A TI BIA MORREU?!?!?” e rompe num choro compulsivo de soluçar que eu tentei compreender enquanto a abraçava porque percebi que nunca tinha perdido ninguém assim tão próximo. Custou a passar, a entrar em si, a encaixar.
Na viajem perguntei-lhe se queria ir ver o corpo e disse-me que preferia não. Eu queria que percebesse que é normal, que é a coisa mais certa que temos todos na vida e que o que estava em câmara ardente é o corpo onde viveu a sua alma. Preferiu manter a imagem dela viva e eu aceitei. Seria como preferisse. A idade pode ainda não ser a suficiente.

Leonor na Beirã com 2 anos. Há 11.


A Alice está como a Cremilde. Ainda não se apercebeu. Quando der pela sua falta há-de saber que foi para o céu, para junto do Jesus. Mas guardou muito da Ti Bia e certamente não se irá esquecer de como iam as duas regar as árvores, das bolachinhas com chocolate da Biá, dos lanchinhos de pão com manteiga com leite e um bocadinho de café, dos geladinhos que comprava para si na carrinha do Xinóni (Family Frost), do antigo expositor de batatas fritas onde afixava todos os desenhinhos que ela fazia e de um quadro grande em papel da festa de despedida do vereador Pedro feito pela Catarina Bucho onde apontava a esferográfica todas as datas em que a íamos visitar.





Sinto um luto cá dentro. Silencioso. Escuro. Que dói e custa a passar. Mas que já começou. Aqui, no blogue.

Que fique em paz. E olhe por nós.

As manhãs que eu adorava passar agora, no Inverno, com sol e muita luz. Todos juntos. Ia sempre que podia.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Zé Manel Gavancha


Soube que estava menos bem de saúde, que lhe tinha dado “uma coisa qualquer”. Porque sou amigo preocupei-me. Mas a falta de tempo fez com que houvesse sempre um… mas. Ou o trabalho, ou as filhas, ou a vida me levaram a saber sempre mais de mim e a não me preocupar em saber mais… dele. Depois, nesta terra pequena sofre-se do mesmo que nas outras terras pequenas e o boato começa a ganhar força de facto. Que estava melhor, que estava muito mal, que teve uma recaída, que lhe tinha dado outra vez.

Há semanas encontrei a mulher e a filha junto ao posto da GNR e pude saber mais ao certo, em concreto. Que estava melhor e internado na Anta da Beirã. “E recebe visitas? Hei-de lá ir vê-lo.”

Encontrei durante esta semana nas finanças, uma empregada que me garantiu que poderia lá ir a qualquer hora. “Assim que for ver as minhas tias à Beirã com tempo, hei-de lá passar.” E foi no sábado.
 

No caminho parei-me, sentei-me a olhar a estação e reencontrei uma beiranense com idade para ser minha avó que comentou comigo o inevitável nestes casos: como era e como está aquela que há-de ser sempre a nossa terra. Fomos andando e voltei a sentar-me já a sós, para ganhar tempo e fôlego para o que iria encontrar. Reparei que me tinha esquecido da net ligada no telemóvel e recebi um comentário do Brasil à imagem de perfil que tinha acabado de meter no facebook, com uma camiseta do Cachaçafest do Piauí de 2008, ano da minha visita lá. Se é verdade que a internet é a maior invenção do meu tempo (a roda já lá vai há muito e os computadores já existiam quando eu era puto) e transforma o mundo numa aldeia global, o facebook faz dessa aldeia uma rua. O Brasil é logo ali, logo aqui no meu telefone.


Mas eu ia a outra coisa. Olhei o edifício de fora e pareceu-me enorme. Maior do que o imaginava. Assim olhado de frente, e não de passagem de carro, parece que a dignificação o tornou ainda mais alto, mais importante e imponente. Respirei fundo e entrei. Uma senhora muito dócil de mais de meia idade perguntou-me o que queria e mandou-me sentar numa salinha de espera, pequena, simples mas muito confortável com poucos adereços. Olhei pela janela e fui pensando. Pensando que curiosamente a Beirã de hoje parece ter sido abandonada pela Beirã saudável e próspera do meu tempo mas aquele edifício que foi residência dos alfandegários na minha meninice e abandonado na minha adolescência, renasceu agora fruto do trabalho de uma associação à génese da qual a minha mãe esteve ligada porque nasceu da vontade de um grupo esclarecido de amigos que hoje é o santo graal da Beirã. Sem ela, provavelmente já não haveria nada ali.



Estava expectante. Horas antes tinha ouvido ao balcão do Adro, onde bebi café que o Zé estava mal. Quão mal estaria ele? Será que não conhecia mesmo ninguém como comentavam? Aquela sensação que os segundos pareciam horas… O Zé chegou acompanhado, numa cadeira adaptada à sua condição. Achei-o mais magro, com os olhos salientes que sempre o caracterizaram a parecerem ainda mais esbugalhados na cara esquálida. Os seus problemas com a visão, muito castigada pela diabetes, amorteceram o não me ter reconhecido logo. Foi a voz.

“E o senhor, o que lhe é a ele? Família?”
“Amigo.” (com A grande… há muitos anos. O Zé Manel zangava-se quando eu o tratava por você. “Epá não consigo que sejas tu, o que é queres? Acho que é do seu bigode. Mete respeito.)
“E o seu nome?”
“Pedro. Pedro Sobreiro”
As palavras surtiram nele o mesmo efeito que o “Abre-te sésamo” dos 40 ladrões. O meu nome despoletou um efeito que lhe abriu a gruta das emoções. Ainda com algumas limitações na mobilidade, foram os olhos ou a emoção que caiu deles em catadupa que abriram o jogo. O Zé Manel estava lá, aprisionado naquele corpo que o limitava mas com o mesmo cérebro, o mesmo sentir, o mesmo coração. A amizade, o querer bem aproxima muito as pessoas. Às vezes, faz delas mais próximas do que se fossem família. Cada lágrima era um grito de revolta por se ver assim de um momento para o outro depois de ter sofrido tanto com a saúde, um lamento, uma dor. E ficámos ali assim em silêncio, os dois, de mãos dadas. Ele a gritar em silêncio com os olhos fitos no nada e eu a olhar para o chão, para não interferir com aquele momento tão íntimo, tão seu. Muitos minutos muito grandes.

Silêncio e dor.

Quando voltou a pouco e pouco a si, foi respirando mais e mais fundo.

Dei-lhe espaço e vagar. “E então, Zé? Como te sentes?” foi a forma de entrar neste mundo ainda novo ao qual se está a ambientar. Com um discurso completamente lógico e compreensível, talvez um pouco limitado com a articulação das palavras, disse que se sentia muito bem apoiado e instalado. Disse que o apoio da família o motiva muito e que a mulher, a filha e o filho nunca o deixam sentir só. Disse-me que está à espera de ser avô nos tempos mais próximos e no rosto acendeu-lhe uma esperança que lhe fez brilhar os olhos. “É o meu filho… está quase a ser pai.”
“Mais um benfiquista, Zé! Tem de ser!”
Ele sorriu, disse que sim e a bola tirou-nos dali, fez-nos ir um bocadinho ao campo dos sonhos embalado pela paixão benfiquista que nos assola a ambos. Com a sua maneira generosa e bondosa de ser, fiquei com a impressão que ainda me perguntou pelas minhas pequenas mas a estrela ali era ele e não eu.  

“Tratam-te bem, Zé? Comes bem? Não te falta nada? Vês televisão? Ouves rádio?”
Disse-me que perdeu muito o apetite e pela falta de visão não se sente muito impelido a ler mas que a televisão é sempre uma boa opção embora os jogos do mundial sejam a horas difíceis. Relembrou-me de cabeça os jogos do calendário desse dia e afastou-me os fantasmas de que poderia estar menos bem de cabeça.

“Sabes o que te aconteceu, Zé?” (fiz um esforço pelo tu de há umas semanas a esta parte e tem resultado) e quando lho perguntei também eu não sabia ao certo. Provavelmente já me deveriam ter dito o que foi mas a minha cabeça já não é a mesma e quando perguntei, não sabia, de facto. Ele também não. “Achas que foi uma coisa que te deu? Achas que foi a tensão?”

“Não sei. Foi de tarde. Não sei o que foi mas acho que foi de tarde.”

O seu quinto Machado esclareceu-me depois no regresso à aldeia que foram 3 AVCs que fizeram mossa. Segundo soube, esteve no hospital já com sintomas e a triagem pode não ter sido exímia porque se repetiram. Agora está a recuperar, a apostar que a fisioterapia lhe consegue devolver alguma da qualidade de vida que perdeu.

De vez em quando olhava a janela e queria ver o que se passava lá fora. Mas senti-o machucado, como se um comboio lhe tivesse passado por cima.

Eram horas de jantar e ainda tinha de passar a ver as minhas meninas (de 84 e 86). Mas hei-de lá regressar. Com muito mais frequência. É nestas alturas que os amigos nos podem ajudar. E eu já estou a pensar no que lhe vou dizer em próximas conversas, que há-de passar muito pela ideia que apesar de tudo, teve uma nova oportunidade de ver as coisas que a vida ainda lhe pode dar, como um neto.


Tem 58 anos. O meu pai tinha 49 e naquela manhã só queria acordar. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Alemanha: 4 - Portugal: 0 / Uma entrrada nos mundial a matarr!!

- Pffffffffffffffffffffffff que calor... Na minha câmara de musculação está-se mais fresquinho
- Ronas, vais a deixar cair a carteira do bolso de trás...

Hum, Herrr Platinis, ests portuguesis bin sehr intersantzzz.Ich les din eres mas ils savoir que si ganhem se lhes acabem...

A equipa de futsal dos Escalos de Baixo
Pergunta para queijo: onde está o sósia do Variações?

Era enorme a expectativa,
Da estreia no mundial,
Queríamos conquistar o Brasil,
Como fez o bom do Cabral (há 500 anos atrás.)

Tava todo o mundo virado,
Prá nossa seleção,
Já ninguém se lembrava do BPN,
Dos impostos e da falta de pão. (que afeta todos e aqui o pão pode ser tudo o que falte)

Bem dizia o velhinho Esteves (Esteve aqui, Esteve ali),
Mas conhecido por Salazar,
Que para a malta andar animada,
Fado e muita bola não deviam de faltar.

Toda a gente em cima,
A acompanhar e a jogar por fora,
Que mal nos distraímos uns minutos,
Já estávamos a mamar uma tora.

Que o penálti não o era,
Que foi excesso do árbitro e do Pereira,
O primeiro porque podia ter deixado passar,
O segundo porque aquilo não são maneiras.

Dois lances decidiram o jogo,
Uma falta e uma expulsão,
Podiam não ter sido marcados, é certo,
Mas temos de acatar a decisão.

O Pepe é um tuga naturalizado,
Com pouco sangue de Viriato a bombar no coração,
Mas é um verdadeiro catedrático das expulsões,
Que quis dar um brilho da sua atuação.

(A verdade é que já) Mandamos muito pouco no mundo,
Onde fala alto a Alemanha,
(Por isso) Temos de piar fininho e aceitar,
Esta força ariana tamanha.

“Quem se deve estar a rir é o cigano!”,
“Isto é um jogo de treino para a Alemanha.”,
 “Hoje passa da meia dúzia”,
“Temos aqui outra Espanha”.

“Está tudo roto, é só arames”,
“Já podiam era fazer as malas”,
Foram os comentários que se ouviram,
aos meus colegas camaradas.

O que eu vi foi a Merkel de rosinha,
a desfilar na bancada,
Quanto aos representantes de Portugal,
Não apareceram mesmo nada.

Para fazer frente aos Fritz,
Nem Cavaco, nem Coelho,
O alemão agigantou-se
E mingou o nosso Paulinho.

Foi a pior exibição de sempre,
Demos uma imagem fraquinha,
Joga com a imagem da economia, digo eu,
E assim fica toda certinha.

Tivesse entrado a borla,
Dada ao Kedhira, pelo Patrício,
E a desgraça não tinha sido só a derrota,
A expulsão e tudo o resto, um suplício.

Quatro foram muitos,
por quatro é pesada.
Mas eu digo que por 20 causa igual mossa,
Na nossa lusitana armada.

Perder por 100 ou por mil
Dá igual, têm de pensar,
Não se podem ir abaixo,
Não podem mesmo traumatizar.

Agora faltam 6 pontos a jogo,
E 6 temos que ganhar,
Aos States e ao (ma)Gana,
Se quisermos lá ficar.

Vamos já lamber as feridas,
Limpar as armas, carregar o canhão,
Acreditar que tudo é possível,
Com muito esforço e união.

Ter o melhor do mundo dá jeito,
Mas os outros têm de ajudar,
Senão ficamos a ver navios,
No oceano a patinar. (perdidos, a naufragar…)

É já no domingo que nos vamos a eles,
Os yankees vamos trincar,
Vão ver bem o que é os tugas,
Plenos de força, a bombar.

Não sabemos fazer isto doutra forma,
Senão correndo atrás do prejuízo,
Só assim conseguimos fazer contas de cabeça,
E saber bem o que é preciso.

Se acredito que podemos ganhar a copa,
Claro que sim, como não?!?!?
Também me acho é sério candidato,
A presidente do Cazaquistão.

Copa é sonho, Copa é querer,
Se o Paulinho não a traz,
É porque não é capaz__________________________________________FIM

Aluno: Pedro Sobreiro

Idade: 41 anos

Ia batendo no poste. (de tão bem marcado que foi)

Eu sou fã do Uri Geller e vou fazer desaparecer o Nani

Cara, não brinqui. Eu só lhi vou dár uma cabeçada, valeu?

A minha Cristina vai estar parada mais tempo e pode não jogar já este mundial

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O nosso fado, Aníbal

Se não se mexerem... é capaz de demorar... mas uma a um... vão!

Hoje, com mais calma que os ânimos já estão mais serenados, é altura de falar com o nosso tio-avô Cavaco. O homem não pode estar bem. E não foi só de ontem. É certo que ter estado a querer cantar o hino com aquela turba toda aos gritos não ajudou a sua (a)tensão em nada. Mas ele já não andava bom. Há muito tempo. E eu já andava desconfiado só que não disse nada para não assustar os credores que sei que são leitores assíduos do meu blogue. Não há reunião da Troika que comece sem antes por aqui passarem para saber se tenho novidades. O “Vendo o mundo…” e o facebook de Pedro Sobreiro estão ao nível d’ “O Crime”, da “Nova Gente” e do “Dicas da Semana” do Lidl. Obrigatórios para quem quer saber o pulsar do país.

Quando Cavaco disse que a 7ª avaliação da Troika foi favorável por se ter sido a 13 de Maio e mais um milagre de Fátima, achei que a coisa ia rebentar. Mas safou-se na autópsia. Depois disso têm sido muitas e mais do que evidentes.

Quando se despediu dos jogadores, ao partirem para o Mundial do Brásiu, pagou um almocito mas em vez da bela da feijoada, ou de uma sardinhada que ali nos jardins de Belém, com tantas sombras para quem se embezanásse (e se há lá gente com boa pinta para o fazer) poder dormir a sesta, ou uma frangalhada assada bem regada com uns tintos que são bem tugas, mandou servir uma “carne à bolonhesa”!?!?!? Desculpe? Se é bem verdade que os jogadores precisam de comer hidratos, davam-lhe batata que estes pratos bem tugas têm muita. Se não chegava davam-lhe supositórios de hidratos. O Veloso e o Meireles têm ar de quem não se preocuparia muito com o negócio. “Carne à bolonhesa” não lembra a ninguém. Pior só um “Arroz à Valenciana” servido à moda de Sevilha.

Pode estar bem? Não pode!


Por falar nos vizinhos, o rei de Espanha tem mais um ano e já decidiu bater asa. É certo que o monarca toda a vida se meteu em caçadas de animais de grande porte  (do peito para cima)e da fama de Onassis não se livra, enquanto que o nosso Aníbal venera a sua Maria que tem mesmo ar de quem dá ordens lá na casa. Mas ele já tem idade, vá. E não vai ter tempo para fazer muita coisa já. Há que definir prioridades.

Aníbal, eu se fosse a ti mudava o hino, pá! Este é velho, está desatualizado e já não vai tendo jeito de nada. Aníbal, o teu tio sabi explica:

Como sabes, o hino nacional é um símbolo nacional, como tu, mas é mais antigo uns anitos. Tem a ver com o ultimatum dos ingleses e como se tornou marcha dos revoltosos, até foi proibida pelo regime monárquico. Só com a implantação da república é que se oficializou e desde então, é presença certa em tudo o que é de Estado. Tem música de Alfredo Keil que até nem está mal de todo mas o problema é a letra do Henrique Lopes de Mendonça que está do mais destualizado que possas imaginar. Eu explico:

Alfredo Keil: antigo
Henrique Lopes Mendonça: mais antigo ainda


Senão vejamos e analisemos, os dois:


A Portuguesa

Heróis do mar(está certo porque fomos mesmo, já dividimos o mundo ao meio com os espanhóis no Tratado de Tortesilhas), nobre povo, (já não somos lá muito nobres, vendemos os dedos e foram-se os anéis),
Nação valente (isso sim! com eles no sítio!), imortal (isso não. Todos morrem e a gente também não fica cá para semente),
Levantai hoje de novo (outra vez?!? Só com Viagra!)
O esplendor de Portugal! (tá correto e tá bonito)
Entre as brumas da memória (onde não se deve ver um palmo à frente do nariz),
Ó Pátria, sente-se a voz (sente-se a voz?!? Não ficaria aqui melhor o ouve-se?)
Dos teus egrégios avós (egr… quê?),
Que há-de guiar-te à vitória! (conduzir—te não ficaria melhor? È que guiar-te faz lembrar um volante)

Às armas, às armas! (Isso já não se usa. Ainda se fosse Aos mísseis, Aos mísseis)
Sobre a terra, sobre o mar, (todo o terreno, portanto)
Às armas, às armas! (ver duas linhas acima)
Pela Pátria lutar (lutar q.b. que isto não está para lutas. Há muita fome)
Contra os canhões marchar, marchar! (marchar contra os canhões? É capaz de dar barraca)

É certo que ficar sem hino não dá jeito nenhum e eu já te arranjei um substituto. Uma música que verdadeiramente diz e define o que é ser português: “Desfado”, cantado pela Ana Moura. A intérprete é um exemplar belíssimo da raça lusitana (feminina… calma!) e impõe-se por si. Enquanto estiver dentro do prazo (e ainda tem muitos e bons anos pela frente) evitaria que ao hino se sobrepusessem outros temas que roubassem protagonismo ao nosso tema nacional. Dou-te um exemplo: evitar que o Paulo de Carvalho fosse de brinco para a Assembleia da República cantar o “E depois do Adeus” que serviu de senha para os militares do 25 de Abril. Para já, o rapaz já não canta nada, depois vai para lá fazer show-off e não dignifica nada em nada, pá. Apanhar a Ana ali de vestidinho justo e de cavas, era outra música, dava outra solenidade, não sei se estás a ver.


Se a interprete é do melhor e está a um nível que a Amália nunca esteve nem mesmo nos tempos áureos porque sempre bebeu muito, a estrela da companhia é a letra do tema. Nunca vi, nunca conheci, nunca imaginei um tema que pudesse dizer tanto sobre o que é ser português em meia dúzia de linhas. Um portento. Uma verdadeira obra-prima. O Pedro da Silva Martins é conhecido como sendo um dos barbudos dos Deolinda. Aquilo é tudo primos e família, mas não é nem o dos óculos que está casado com a donzela, toca contrabaixo e é imberbe, nem o outro da guitarra. É um que parece o D’Artagnan e o cachopo merecia uma medalha dessas que tu dás no 10 de Junho. Este ano já vai tarde mas pensa nisso pró que vem.

https://www.facebook.com/pedrodasilvamartins2?fref=ts
Vê o vídeo, lê a letra, pensa no poema e diz-me lá se não tenho razão. Cada palavra tem um sentido, cada verso é poderoso. Podes comentar utilizando a caixa do meu correio sentimental que vem no cabeçalho do blogue para o fazeres. É sigiloso.

Aníbal, um abraço e lembra-te que há coisas sempre piores que podem acontecer. Lembra-te do Relvas a cantar “o povo é quem mais ordenha” quando foi interrompido por manifestantes numa universidade qualquer onde estava infiltrado. Mais uma…

Admira isto:


E diz assim (e está tão perfeito que nem toco em nada nem anoto):

Quer o destino que eu não creia no destino
E o meu fado é nem ter fado nenhum
Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido
Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum

Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente

Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém
Que aqui está e não existe
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste

Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentasse não ter mais nenhum lamento
Talvez ouvisse no silêncio que fizesse
Uma voz que fosse minha cantar alguém cá dentro

Ai que desgraça esta sorte que me assiste
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada
Na incerteza que nada mais certo existe
Além da grande incerteza de não estar certa de nada
  
Já que chegámos à conversa e para ultimar, Aníbal, sem te querer chatear, quero dizer-te que essa de entrares nas selfies com a selecção é coisa que não te dignifica e que te deverias aplicar mais na escolha dos rapazes que vão representar as nossas quinas. Para já, todos deveriam de ter um bigode ou uma barba, pelo menos, para homenagearem o Camões. Depois não deveria de haver por lá tatuagens a não ser como as minhas que são andorinhas, tipicamente portuguesas e hábito de marinheiros. Nada de tatoos: “Kátia Vanessa amo-te”.





Isto para não falar daquela coisa chamada Raúl Meireles que parece um índio mohicano raçado de Variações que não lembra o diabo. Mas que raio de cabelo é aquele?!?!? Tem cuidado nisso, Aníbal. O Ronaldo está bem. Alinha-os por aí. Tem muito músculo. Mete-os a encher.

Adeus,

Dom Pedro
Alentejano marvanense beiranense arenense