domingo, 12 de outubro de 2014

O novo blogue (facebookado)


Ultimamente, de cada vez que por aqui passo, um misto de tristeza e lamento apodera-se de mim. Longe daqueles tristes períodos tão difíceis depois do acidente em que questionei tudo e cheguei a pensar pôr um fim a esta minha encarnação cibernética, vivo agora com uma desolação permanente pela minha ausência por estas paragens. Os tempos mudaram e essa é que é a verdade. A força está em saber acompanhá-los.


Este blogue nasceu porque a vida em carne e osso não chegava para eu viver tudo o que queria. Precisava disto para postar a memória, para criar um álbum de víveres com recurso a tudo o que fosse multimédia para chegar a quem me quer bem; para deixar o legado às minhas filhas e aos filhos das minhas filhas para verem quem era aquele que as antecedeu; para mim quando for velhinho (se lá chegar porque se for antes, de certeza absoluta que vou contrariado) e a vida me passar. Como eu gostaria de ter conhecido os pensares do meu avô e do meu bisavô e dos que foram antes de mim se tivessem tido acesso às tecnologias que eu tenho.


Empurrado pelo ímpeto dos “Desabafos” da Rádio Portalegre que passei a integrar por convite do meu amigo Joaquim Barbas, tomei balanço depois de finda a temporada e segui por minha conta, criando o meu próprio espaço, deixando a política e a vida dos portugueses; passando a centrar-me na minha.


Como o subtítulo que coloquei na imagem do cabeçalho indica, por aqui desabafei, exultei e descomprimi. Dando largas à minha formação jornalística abandonada por uma vida mais certinha, melhor remunerada, mais perto do meu sítio e no fundo, melhor; aqui arranjei forma de fazer uma grande reportagem da minha vida com tudo o que isso tem de bom e mau. Quem não deve, não teme e até posso ter telhados de vidro porque não vou numa de virtudes públicas, vícios privados. Exponho-me demais, é certo, mas isso até me agrada. Faz-me sentir assim uma rockstar de subúrbio rural que é considerada porque é assim que me sinto habitualmente. Pode ser só impressão minha e algum (muito) convencimento mas as mulheres até me olham com o ar de “este gajo até é fixe e estar ao pé dele nem deve ser assim tão mau” e os bacanos olham-me de duas formas: ou são amigos e também sabem que eu sou-o deles e pensam ao ler-me: “o velho Sabi…” e sorriem; se não são amigos, ou sabem ler e pensam “é pena não nos darmos bem que o gajo até deve ser fixe”; ou não sabem ler e só invejam enquanto se entretêm com as rudimentares alfaias mundanas de que é feita a sua existência.


Mas este recomeço não é um fim; antes é um princípio. Se o BES deu barraca da grande, o Salgado se safou à prisa pagando os 3 milhões que davam para comprar um avançado assim jeitoso e isso não foi o fim mas antes o princípio do Novo Banco, também este post pode ser o começo do novo blogue com direito a nova imagem no cabeçalho com ligações e tudo.


Esta vai ser assim uma mudança ao nível da do Expresso que como diz o periódico: faz opinião. O Expresso continua a ser o mesmo, um calhamaço impossível de ler todo porque o tempo escasseia, é coisa rara e exige concentração, mas… agora também é diário. Aproveitam recursos, fazem sinergias e com o mesmo, produzem mais. Eu também quero que o meu blogue se ajuste aos tempos. Ao meu tempo (already forty one and after being a Vespa Test Dummy), ao tempo da minha famíla (3 patroas a mandarem com intensidade crescente num sentido decrescente) e ao tempo da vida (mais caseira, mais centrada na sala de estar, bem longe dos tempos da meteórica carreira d’A GRUPA quando se vivia na vertigem rock’n’roll.)


Traduzido por miúdos diz-te o quê a ti, que passas por aqui agora porque não tens mais nada interessante que fazer, com tanta coisa boa a dar na televisão? Que este blogue já me consumiu muitas horas de vida mas que de agora em diante não vai ser o exclusivo porque as ferramentas são outras e possibilitam “Ver o Mundo pelo Telemóvel com ajuda do Facebook onde quer que se esteja.” Dois saltos brutais permitiram que assim fosse:

1)    A minha descoberta do Facebook, depois de o ter menosprezado a início, como uma ferramenta verdadeiramente vertiginosa que eleva a comunicação entre os seres vivos a um expoente nunca antes imaginado. Se a internet faz o mundo parecer uma aldeia global, o facebook faz da aldeia, uma praça onde cabe o pessoal todo à janela.

2)    A revolução dos telemóveis quando evoluíram para smartphones, ou seja em linguajar do vosso tio Sabi, em pequenos computadores de bolso que até, e também, dão para falar. Eu vinha de um Nokia Xpress Music com quase 4 anos completely old fashioned quando num ataque de fúria pela sua inoperância, o desfiz na calçada do quintal. Depois de muitas ouvir, passei umas semanas por um Sony Xperia que parecia fantástico mas avariava vezes demais para lhe continuar a dar o benefício da dúvida; até que aterrei num Samsung Galaxy Mini SIII e fiquei rendido. É certo que sonho com Samsung Alpha ou até mesmo um iphone mas… sim. Este dá. Para falar, para fotografar, para ouvir música, para ir à internet. Como diz o meu novo amigo Dino Mafra: “Siga!”


Então passa a ser assim: todas as semanas irei publicar por aqui no blogue a espaços, quando tiver tempo porque assuntos há sempre em demasia, arquivados em papelinhos amarelos post it numa das minhas gavetas. O mais provável é ser ao fim de semana mas nunca se sabe quando sairá por aqui mais alguma coisa. Pode ser amanhã, mas como não há remuneração fixa e sou freelancer..

Paralelamente, terei sempre o telemóvel ligado na net assim que seja oportuno e a ligação a todos será permanente.

Sempre que tenha um assunto que mereça mais texto, mais espaço, mais fotos e vídeos ou que seja mais rebuscado, virei por aqui. Sempre que surja o imediato, o momento, o instante, o dia-a-dia, o trivial vai por ali, pelo facebook em https://www.facebook.com/pedro.sobreiro.14  (onde o 14 vem do nome do burro do avô da Cristina) para os de fora da onda ou para os que estão dentro da cena do facebook, procurando apenas por Pedro Sobreiro. Por razões de segurança, preferi nesta encarnação facebuquiana manter-me no anonimato e abandonar a nomenclatura mundialmente conhecida de Tio Sabi. Assim passarei a assinar pelo anonimato garantido pelo nome próprio, estratégia que certamente me permitirá passar muito mais despercebido. Ninguém conhece o Pedro Sobreiro.


Com o blogue e o facebook a funcionarem em simultâneo e em dimensões distintas, penso conseguir… isso mesmo: tirar o melhor de cada uma, como eu sempre defendo.

O facebook contudo tem alguns perigos e/ou limitações: imiscui-se demais ao querer saber quem és, onde estás, qual é o estado de espírito e se isto não é um Big Brother do Orwell agradavelmente aceite não sei o que será; tem uma enorme limitação de espaço que trata todos por igual e lhes dá as mesmas linhas de tempo de antena queira dizer muito ou pouco e seja mais ou menos importante, tenha maior ou menor interesse; e tem excesso de gente. Não é eu que seja a favor de limpezas étnicas cibernéticas mas em cada facebookiano está um potencial blogger só que não têm nada a ver. Podem utilizar as potencialidades estonteantes e o imediatismo de poder brutal do facebook mas não têm nada a ver. Os blogues estão para o facebook como a feira das Galveias está para uma coisa que eu cá sei e começa por um f e termina na letra r, tendo pelo meio as letras ode. O blogger gere um espaço só seu e tem de saber geri-lo com assuntos suficientemente pertinentes para o manter válido. Um chamariz sem que seja brejeiro, a chama sempre acesa independentemente do assunto tratado. Tem de ter algo que “faça” as pessoas voltarem. E gostarem         do que vêem.

Já no facebook há sempre imagens engraçadas a partilhar, pensamentos profundos a granel copiados de algures, uma prato recém-fotografado qualquer coisa nova nem que seja gamada, ou apenas para desejar uma boa noite ou um bom concerto. Se um gajo criasse um blogue para dizer isso, era capaz de ter poucas visitas, digo eu. Há quem tente criar um blogue mas… mantê-lo visitável é que é um bocadinho mais dificil. Já no facebook… tudo passa.

No imenso mar turbulento do facebook é mais difícil ser como eu sempre fui no blogue: nem melhor, nem pior, apenas diferente. Pode ser uma foto, uma notícia, um lugar comum, uma outra perspectiva mas sempre, sempre, sempre, única. Como eu sou único. Não há mais nenhum igual.


Maneiras que resumindo e concluindo, a sede deixará de ser o blogue para passar a ser o facebook onde se divulgará ou o “Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão diário em diversas edições que serão tantas quanto os assuntos” ou o “Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão principal no sítio do costume que não o Pingo Doce” mas que será sempre divulgada ali no facebook.


E esse vai ser o denominador comum ao Pedro Sobreiro do blogue, do facebook e em carne e osso: EU. Há quem lhe possa chamar egoísmo, percebo, mas a vida é só uma e se eu não gostar de mim, quem gostará? E eu, tirando uma coisinha ou outra que tento sempre limar… gosto.


Quem gosta e eu graças a Deus sei que são muitos, consomem (quanto mais não seja porque a mim me faz bem) e comentam comigo quando me apanham. Quem não gosta, mete para o lado e come só o ovo e as batatinhas fritas, porque: (Velha máxima do vosso tio Sabi) Cristo que foi Cristo e tinha a cunha do pai, com 33 anos já lá estava cravado no barrote). Portanto, eu sei que agradar a todos não dá so… live and let live dedicado a todos vocêis com o vídeo dos grandes G’n’R que tinham de fechar este post e mais ainda um outro vídeo... 



que tinha de ser dedicado à minha profissão e escolha de vida que não m’alembra se já o publiquei aqui mas não podia ser melhor. With lyrics to understand better what they say.

Now my advice for those who die
Declare the pennies on your eyes
Cos I'm the taxman, yeah, I'm the taxman

And you're working for no one but me

Taxman!



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Portugal: à venda!



A minha alma fica parva,
a ver as notícias na televisão.
Que isto está mal já se sabe,
Mas tanto assim nunca pensei, não.

Os estranjas compram o país,
Ou tudo o que resta dele,
O saque é total e varre tudo,
Ficamos sem alma e sem pele.

Andou D. Afonso Henriques a bater na velha,
E os navegantes a correr mundo,
Para chegarmos a esta altura,
E perdermos tudo num segundo. (ou nuns anitos, vá!)

10 mil milhões vale a venda,
Que entra para estourar,
Mais dia, menos dia,
Estamos (outra vez) de mãos a abanar.

Os chineses querem tudo,
A Espírito Santo Saúde e a EDP,
A REN e mais que sobre,
Vá-se lá saber porquê. (só querem guito)

Qualquer dia acordamos todos,
Com os nossos olhinhos em bico,
E se assim não for,
Falaremos esbeleleu como o Chico.

Se não amarelos, serão pretos,
Que já controlam bancos e jornais (BCP, BPI) + (Controlinveste)
Gasolineiras (GALP) e Saúde (HPP Saúde)
Mas também telemóveis e que tais. (NOS)

Os amaricanos querem os Correios (CTT),
Os espanhóis, os jornais (Media Capital que inclui a TVI) pra meter no saco,
Os Brazucas, a PT (para juntar à CIMPOR)
E quem sabe o Novo Banco.

Se nos resta a TAP,
A nossa querida e mui estimada companhia de aviação
Que tem… um brasileiro.
à frente do concelho de administração!!!

Eu volto a dizer,
Volta velhinho Salazar,
Tu metias-nos na guerra
Tu não nos deixavas falar.

Tu fazias-nos ser pobrezinhos,
Mas com muito orgulho neste lar à beira mar plantado.
O orgulho em ser português, naquilo que é nosso,
Morreu contigo e foi-se de vez, p'ra não mais ser encontrado.

De tudo isto só vai sobrando,
A CGD da minha patroa Maria Luís,
Que diz que é lá cliente,
Me dá confiança e deixa feliz.

Uma pena ver isto tudo assim,
A ser desbaratado,
Os outros povos tudo arrasam e desmancham,
Nesta tática do quadrado (como em Aljubarota).

É pena que isto acabe assim.
Isto até estava a ser bonito.
Acaba com o Zé Povinho,
a ser vendido com um manguito.

Um dia explico às minhas filhas,
Que nasceram num país com grande historial,
Mas que acabou vendido aos bochechos,
E se chamava Portugal.

Tanto andou, tanto andou,
Que para tudo fazer sentido,
Acabou em desgraça,

Para dar razão ao destino.



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Na equipa da LORDE


Regresso depois de tanto tempo, mesmo antes da apresentação do novo blogue… que é o mesmo. Tal e qual a história do Novo Banco e do BES. Tudo muda… para ficar na mesma. Mas o novo blogue vai ter uma nova incursão no design e alguns aperfeiçoamentos… para melhor. Passe a redundância que não existe. Depois o vosso tio Sabi explica.

Avancemos porque a razão de ser deste post é outra. É que eu adoro esta miúda, a LORDE. 17 aninhos. Da Nova Zelândia. Adoro particularmente esta música, este hino aos novos vampiros que andam por aí, renascidos e ressurgidos pela saga Twilight da qual nunca vi sequer um trailer, quanto mais. Os meus vampiros são o Peter Curshing, o Christopher Lee e o Vicent Price. Old School, man. 

O grande Peter Curshing
Sua majestade Christopher Lee
O imperial Vicent Price
Eu gostava de ter esta por cima da lareira mas... parece que não vivo sozinho... :(  Estes olhares davam-me uma confiança para enfrentar o dia-a-dia... Parece que me estão a dizer: "Vai Pedro! Tu consegues!
Mas a música é a razão deste post. Tema hipnótico, inebriante, anestésico. Assim que começo a ouvir isto, esteja eu onde estiver, começo a imaginar-me numa cave de muitas luzes assim ao estilo Borderline da Madonna, cheio de pulseiras fluorescentes, camisa de braceletes, todo suado de tanto dançar. Claro que ouço isto muitas vezes na rádio quando estou a ser um senhor ou algo que se pareça, onde me tenho que controlar e tentar manter íntegro. Mas a vontade…

Adoro estas versões traduzidas do youtube num português bra-si-lei-ro. Um must do kitch. Se a música por si só já é uma delícia… assim com a letrinha toda traduzida e a papinha feita, é mais fácil perceber o ingléis. O difícil é traduzir o brasileiro. :(




PÕE MAIS ALTOOOOOOOOOOOOOOOOOOO………………………

terça-feira, 16 de setembro de 2014

(Se assim tem de ser...) De leituras...

Que me desculpe quem me desafiou mas eu não sou muito bom rapaz para entrar assim em ondas, sejam elas de solidariedade, de cultura ou de outra coisa qualquer. Por estranho que pareça a alguns menos bem intencionados, não sou de me exibir. Não sou introvertido, é certo que sou vaidoso, reconheço, mas quem não o é? Quem não gosta de estar no melhor de si? Mas isto não quer dizer que gosto de me exibir. Tento passear na passerelle que é a vida e desfruto daquilo de bom que Deus me dá. Só. E não é pouco.



Tenho maior respeito pelos bombeiros voluntários de marvão. Ninguém me tira da cabeça que é graças a eles e aos seu pronto socorro naquela noite terrível que ainda respiro e estou vivo. Sou sócio e pago religiosamente as quotas. Em sinal da minha gratidão, darei tudo de mim para que à instituição nada falte. Não terei a disponibilidade e o altruísmo corajoso de quem é um soldado naquela armada da paz, mas colaborarei em tudo o que me for pedido. Mas esses donativos não serão públicos. Serão. Apenas serão. Quando puder e achar que tem de ser.


Dos livros também não vou em ondas. Peço desculpa por ser o “desmancha o prazer de quem quer saber o que me mudou lendo”. Para já, nunca fui muito de leituras. De ler livros. Criado numa casa onde os havia às centenas, onde fui muito convidado a gostar pela paixão materna, enjoei sem lhe agarrar o gosto. Esse, tinha-o pela minha praia que desde miúdo foi a imagem, o cinema que desde sempre devorei. Agora, desde que li a placa da farmácia Romba em Portalegre (a primeira vez na vida que juntei a sonoridade dos caracteres e ainda bem me lembro) leio de tudo. Jornais, revistas, nets e blogues; nada há que me escape.

Mas, posto isto e depois de muito ter pensado, acho que nem 10 livros li na vida, quanto mais. Agora... quanto a aprender com alguns aprendi, lá isso sim, acho que aprendi. “O principezinho” de Saint Exupéry e o mágico “Peter Pan” do escocês J. M. Barrie certamente me influenciaram porque conseguiram plasmar em folhas de papel todo o imaginário infantil, aquilo que é ver o mundo pelos olhos puros de uma criança. Vou lá sempre que me quero recordar desse tempo. Partindo dali comecei a aprender a ser homem seguindo as coisas dos crescidos com o “Manual do Lobito” anotado por Lord Baden-Powell que poderia também ser identificado como o “Manual do Homenzinho” porque os faz nascer.






“O Estrangeiro” de Camus impressionou-me anos depois pelo absurdo e pela forma cruel de ver o quotidiano e o mundo. Frio e poético.


Passado isto, Steinbeck trouxe-me poesia, um lento e belo bailado na narrativa de descrever o mundo à nossa volta. “A Pérola” de tão bela, tão delicada marcou por ser tão singela e poderosa; mas foi “A um Deus desconhecido” que bateu fundo e marcou mesmo, pela busca da centelha de espiritualidade que há em cada um de nós.
Numa idade já mais crescida mas mais ou menos na mesma altura veio o romance “Siddaharta” de Herman Hesse que conta a história de Buda e os diferentes estágios e passos para se conseguir a plenitude espiritual.




Toda essa espiritualidade era sempre contraposta com o outro lado do vórtice, muito marcado pela beaten generation com “On the road”de Jack Kerouac e “Uma Oração Americana” daquele homem por muitos conhecido como uma rockstar mas que para mim, para além disso, foi talvez aquele que melhor conseguiu escrever poesia sobre o que é estar vivo: Jim Morrison.



Termino com um livro que estou a ler, há meses (“Ser Espiritual” de Luís Portela, o homem forte da Bial, um médico empresário dedicado à psicologia e às neurociências), a ler lentamente entre todos os outros compromissos que já assumi e aos quais não quero falhar. 


Ser marido e ser pai de duas vidas consome imenso tempo. Digo imeeeeeennnnssssooo tempo. Os espaços entre ver filmes, que apenas têm duas horas de duração, demoram meses. Quanto a livros… é melhor pensar nisso para depois. Sentar-me num sítio descansado com tempo para mim e um bom livro por companhia, é um luxo… inalcançável.
Mas não posso dizer que estou mal ou que queria que passasse depressa. Se este tempo assim depressa passar… é capaz de passar a vida também.
Sabem como dizia o outro? Deixem-me estar assim que também sou capaz de não estar mal.
E já foram 10?… agora que pensava que nunca lá chegaria…

Para encher poderia meter um Eça que sempre me assombra pela facilidade com que trabalha a língua, um Esteves Cardoso que corta sempre a direito e desarma pelo repentismo ou um Sousa Tavares que realmente escreve muito bem.

O Livro das Páginas Amarelas ou o de São Cipriano seriam também hipóteses a conjecturar.





quarta-feira, 10 de setembro de 2014

8 do 9. O dia de Marvão. O dia do concelho. O meu dia




O 8 de Setembro é o dia grande do meu concelho e claro que tinha que estar presente. Como munícipe, atendendo à caça que hoje em dia há a tudo o que não seja central, era uma obrigação, em muito reforçada pelo facto de ser feriado por isso, sublimada pelo cargo que já ali desempenhei naquela casa.


Fui como eu gosto de ser. Outsider, desalinhado de tudo, vi e vendo as coisas sempre pelo meu prisma. Não sou assim tão livre quanto isso porque durmo com a censura, com quem partilho a cama e a vida, e por mais que me explique que cada um é como cada qual… não dá. Mas quem me lê/conhece sabe que eu não sou de mentiras, rodriguinhos, salamaleques. Para mim, o que é, é. A verdade acima de tudo. Quem não deve, não teme e sempre que posso, corto a direito. Nisso sou da cepa do general sem medo. Quando lhe perguntaram o que fazia ao velhinho Esteves se ganhasse as eleições, tiveram um “obviamente demito-o” como resposta. Infelizmente pagou com a vida por isso mas também, as eleições estavam mais que cozinhadas e nunca as poderia ganhar, enquanto que por aqui, sempre foi tudo jogado às claras e nunca houve promessas de empregos em “situações estranhas” ligadas à autarquia. Ou…








Os Discursos

O do Alcaide que habitualmente abre as hostilidades (?) foi na linha do que já nos tem habituado nestes últimos anos e diga-se de passagem que tem sido mais que suficiente para as absolutamente esmagadoras maiorias que tem vindo a obter. Em Roma, sê romano, por isso… quem dá o que tem e não lhe pedem que a mais do que isso seja obrigado… siga para bingo! Ou então façam como diz o bom do Passos: se não gostam, “que emigrem, emigrem.”


Infelizmente, por mais uma vez (acho que todas! Não! Pera aí! Ele nunca foi, foi ao 25 de Abril porque dizem as más línguas que é contra. Mas ao feriado municipal, não sei se já foi a alguma), o presidente da assembleia municipal não nos deu a alegria da sua comparência, o que por si só já é bastante revelador da enorme preocupação que tem vindo a revelar pela vida do concelho. Mais estranho isto se torna porque tem sido uma presença sempre constante em tudo o que acontece no burgo. Desde que foi eleito há quem diga que já foi visto por aqui quase que uma dezena de vezes (muito mais que o abominável homem das neves). Mas é a velha história… Chega para ganhar? Siga!



Confesso que sei que sou um pouco suspeito e talvez seja pouco credível, mas na minha modesta opinião, foi o deputado da assembleia que é enfermeiro e falou em representação do mais alto na hierarquia que fez o melhor discurso do dia. Leu, não vacilou, não se enganou, não perdeu ideias que abalaram com o vento, não foi derrotista, não enalteceu mais o trabalho das instituições que se dedicam ao apoio social como motor de desenvolvimento em detrimento da indústria ou outras mais construtivas, falou do concelho e da grandeza do dia. Citou Pessoa em qualquer coisa como “um copo de vinho com pouco vinho é meio copo de vinho, mas qualquer coisa com pouca dignidade é coisa sem dignidade alguma”. Porque será que ficou bem? O homem era da oposição? Porquê a citação? Não percebi. De todas as formas foi uma alocução irrepreensível. Não tivessem as folhas do discurso sido escritas em páginas de verso de gráficos desaproveitadas e teria sido perfeito. Esteticamente não foi a melhor opção mas de qualquer das formas, há-de ter sido bem visto pelos ambientalistas, à pala do aproveitamento e reciclagem. Duvido é que houvesse por lá algum ecologista encartado.



As medalhas de mérito

As medalhas de mérito para as quais tanto trabalhei (estudando regulamentos de outros concelhos e adaptando-os; aprendendo com quem faz bem, para conseguir fazer ainda melhor) para que dessem dignidade ao dia e enobrecessem a cerimónia que as antecedeu, transfiguraram-se. O regulamento definia 3 tipos de medalha diferentes que se destinavam a figuras cuja distinção estava perfeitamente tipificada: ouro, prata e bronze; e pela diferente natureza do material delas quase que se percebia logo tudo. Agora são de mérito e ponto.


Em primeiro lugar distinguiu-se o maestro Christoph Poppen, grande responsável pelo 1º Festival Internacional de Música de Marvão que longe e bem alto levou o nome da vila. A atribuição não poderia ter sido mais merecida. Humilde, de trato muito fácil, sempre simpático, tem uma forma de estar desarmante que nos deixa pequeninos por nos deixar tão à vontade. De cada vez que o contato, sinto tanto aquilo em que acredito que até me arrepio: quanto maior é o homem, mais simples se torna. Acho que por não ter nada a perder. Apaixonou-se por Marvão, por aqui comprou uma casinha e decidiu, num feliz momento de inspiração divina, unir o mundo erudito das grandes orquestras por onde se move com este lugar onde, segundo ele, é mais fácil sentir a presença de Deus na terra. Já é um marvanense também. Há dias disse-lho e deu-me 3 beijos. Creio que serem 3 é uma forma de afeto reforçada usada de onde é. Agradeceu num português perfeito e completamente percetível. Como germânico que é, não brinca em serviço e está já a preparar a edição de 2014. Disse que de todas as distinções que tem tido ao longo da vida (presumo que muitas) esta é uma das mais importantes. Temos casamento.

Não percebi porque é que foi mencionado que a decisão da atribuição tinha sido sugerida pelo senhor presidente. É que no meu tempo era uma decisão do município e ponto. Se não pode ir mais a eleições à cabeça, não percebo o porquê desta contagem de pontos. Porquê esta busca incessante de ser o faroleiro, o timoneiro, sempre o homem da frente?!?!? Será trauma? Quererá uma estátua na Escusa de onde não é, mas vive?



O segundo homenageado foi o meu querido amigo João Sequeira Carlos, que recentemente nos deixou. Há homens que deixam vazios que não são preenchíveis. Com eles vai um legado, uma vida de trabalho, um amor à terra como nunca conheci. O neto, ilustre neto doutor (aqui), como ele sempre fazia questão de referir, (que recebeu o galardão acompanhado da neta, também ela doutora) recordou essa paixão pelo Porto da Espada e por Marvão num pequeno discurso de agradecimento que mostrou bem que o nível da família não se perdeu e antes passa de geração em geração. Disse que os pais do homenageado (seus bisavós) sempre tudo fizeram para que o filho João seguisse a vida por Lisboa mas, o vínculo umbilical com Marvão era de tal forma forte que o puxava sempre para o ventre.
Belos tempos passámos no seu lagar e foi com ele, por sugestão do seu querido sobrinho e meu querido amigo  Dr. Sequeira Carlos, ilustre Presidente da Assembleia, que criámos juntos as Comidas d’Azeite. Foi ele que me ensinou como se fazia uma tiborna e lembro-me sempre bem da enorme alegria que sentia quando via o recinto das festas do Porto da Espada cheio de convivas bem alegres e em saudável convívio no almoço convívio de abertura desta semana gastronómica.
“Amigo Pedro: quando é que volta lá acima? Olhe que fazem cá falta homens como o senhor.”
“Amigo João, por agora fiquei vacinado. O casamento correu mal e deu divórcio ruim. Mas nunca poderei dizer que não voltarei a casar, que não voltarei a tentar ser feliz como eu quero. À política… nunca poderei dizer que desta água não beberei. O futuro a Deus pertence. Nós somos pedras num xadrez onde ele é que manda. Faça-se em nós a sua vontade. Maneiras que… se estiver no meu caminho, saberei ser homem e responder à altura. Se não… tenho tanto onde ser feliz e graças a Deus, sou tão feliz…”
Lembrei esses tempos de convivência com um homem de uma geração que já não se fabrica, que admirava muito e bateu saudades, muito por me ter lembrado do seu fim.



Homenageou-se também Vítor Caldeira que deve ser a figura mais elogiável e meritória, até porque tudo quanto leio sobre ele é do melhor que se possa imaginar. Foi reeleito presidente do Tribunal de Contas Europeu pela terceira vez, e tornou-se o primeiro presidente da instituição a cumprir um terceiro mandato, o que é prova por demais evidente das suas capacidades. Mas não só não é de Marvão, como não estava presente. Factos que no meu entender, desmontam qualquer tentativa de o “puxar” para Marvão, tirar partido de uma situação que não é nossa. Nasceu em Campo Maior. Tem ligações ao concelho por via do matrimónio mas nunca se envolveu na vida do concelho. Em tempos consultei nas finanças um livro onde era referenciado e há pouco tempo, apercebendo-me que estava em Marvão, desci para cumprimentá-lo. Apresentei-me, disse quem era e onde trabalhava (somos vizinhos) e foi simpático. Só. Quase mudo, muito tímido, não sei se consegui mais que um sorriso. Nós, os comuns mortais, temos cada ousadia... A razão desta medalha está para além do meu conhecimento. A seguir, poderia ser atribuída uma ao Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a superfície lunar. Daqui também se vê a lua. Teria era de ser póstuma. He passed away 2 years ago. 


Mais uma tocata da banda seguida de um beberete aberto a toda a população onde os convivas se misturam entre os que tomam um drink e um canapé para celebrar o dia de festa; e aqueles que parece que fazem ali a última refeição antes de morrer, fação muitas vezes reforçada por malta turista das excursões que de passo se apercebe de um beberete e dali à festa rija é um passinho. Só falta o acordeão para ser o mega piquenicão do Continente. Ah… falta isso e o Tony Carreira.


Segui para a Igreja de Nossa Senhora da Estrela para assistir à missa da padroeira do concelho. Assim que cheguei à Santa Casa, falei com quem de direito e tive o desgosto de não poder ir almoçar com a minha tia, embora compreendendo a impossibilidade de cair no erro de se abrirem exceções. Mas a culpa foi minha. Já estive neste almoço noutro anos (onde levava sempre o meu filho Manuel Gira, aka Manél Bodes que faz anos nesse dia) e como as mesas eram tão corridas e havia sempre tanta gente que me encostei e pensei sempre que caberia mais um. Afinal, as mesas passaram a redondas, as marcações são limitadas e exclusivas a sócios. Assunto a tratar no próximo dia útil onde marcarei já (e se for preciso pagarei já) a inscrição de 2015.

A igreja estava repleta de gente vinda de todos os pontos do concelho e de fora. Lotação esgotada de prever. O homem de serviço era o próprio bispo Antonino, apoiado por diversos sacerdotes ligados ao concelho e na nave não cabia mesmo mais ninguém. Tivemos de nos sentar nos claustros, sempre reservados aos utentes, onde a visibilidade era reduzida. Curioso ter de ver dali, mas há sempre uma primeira vez. A partir dali já é sempre para a frente. Mas em 2015 também haverá ajustes a fazer: terei de vir para a apanhar antes, terei de…



 

Mas desta vez assistimos juntos e isso foi o que importou.



Incrível como uma senhora que era tão católica, tão cumpridora de todos os compromissos, sempre pontual aos domingos e aos terços, com o arranjo do “seu altar”, que não falhava a tudo quanto eram religioso e agora está ali… por estar. De vez em quando olhava para mim. Sorria. Fazia uma expressão com a cara como se não estivesse a compreender. Balbuciava qualquer coisa intraduzível. Sorria. E isso era o que importava.

E isso foi o que importou.


Manhã pesada com muita coisa para digerir. A minha preta sem chumbo e um american cigarette “olhando o mundo de lentes de contato da esplanada do café lounge em Marvão.” (Onde é que eu já vi este título?) 

Enfim, coisas de rico...