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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Ser espiritual... escrevendo



A cada dia que passa sem que escreva, é um dia que sinto como perdido.

Se não escrevo, não transmito, não comunico, não respiro.

Nesta cápsula em forma de blogue que inventei na internet para viver também, ficam páginas em vazio, vagas, sem existência. Eu, que sonho com os netos, dos netos, dos netos, a recriarem-se com esta vida passada, como eu o faria se pudesse ler o testemunho de antepassados meus de há uns séculos atrás, não consigo deixar de me sentir vazio nestas alturas.

Porque se há fases em que escrever é tão essencial à vida sã, tão compulsivo e obrigatório… há outras em que o movimento da vida dos dias nos centrifuga, acomoda, e torna distante dos outros.

Toda a gente sabe que eu passo muito tempo a pensar. Gosto. Por vezes tenho alturas em que posso estar com ar aparvalhado, sorumbático (enfim, o meu), a parecer que estou a pensar na morte da bezerra, a pobre, mas não! Garanto que nessas fases, até nessas fases, ou sobretudo nessas fases, estou a pensar.

Ultimamente tenho pensado muito que a grande maioria das pessoas tem pouca consciência de que somos mortais, efémeros, e esta passagem nesta vida terrena é do mais volátil que pode haver. Eu sei que toda a gente sabe que todos iremos morrer um dia, mas o que quero realmente dizer, é que a grande maioria tem pouca consciência da espiritualidade que temos dentro de nós, e, ou a relega para um plano inferior, ou a renega.

Ninguém sobrevive mais que 3 semanas sem alimentação, ou 3 dias sem água, mas pode viver uma vida inteira sem falar consigo, sem ter uma força que o alimente e oriente, sem ter um norte na bússola espiritual que tem dentro de si.

Há pessoas que vivem apenas a responder a estímulos externos. Desde que acordam com o despertador, levam o dia em respostas a reações, à mulher, aos filhos, à escola, ao trabalho, aos colegas, aos “amigos” ao final do dia, à família outra vez, 24h/24h , 7/7,  ano por ano, década a década, até que tudo acaba.

E mesmo alguns daqueles que frequentam a igreja… (por Deus, sei que vou ser criticado por isso, mas é aquilo que penso, e se não o posso dizer aqui… digo onde?), eu disse ALGUMAS PESSOAS, NÃO TODAS, COMO É OBVIO, ALGUMAS… muitas vezes, tantas vezes, não têm consciência onde estão, quando esperam pelo nosso pároco, quando aguardam que comece a eucaristia dominical.

Domingo é um dia especial, é o primeiro da semana, aquele em que Cristo ressuscitou, aquele em que nós, cristãos, damos graças por tudo aquilo que temos, e pedimos perdão pelos nossos erros naturais da condição de humanos.
Mas nesses instantes antes do início da eucaristia, em que gosto sempre de estar em silêncio, muitas vezes, ou quase sempre de joelhos perante o altar, o ruído de fundo, das conversas entre presentes, chega a ser de tal ordem que já ouvi uns ssshhhhhhhhhhhhh… mais austeros.

Sempre ensinei aos meus meninos da catequese que quando se entra na casa do Jesus, se tem de fazer silêncio, porque Ele vive ali, em sentido figurado, dentro do sacrário. Eles, contrariados pela idade tão naturalmente rebelde, aceitaram com dificuldade, mas foram aceitando. No final, sentia que já respeitavam.
Às vezes sinto que poderia dar reciclagem, a estas pessoas mais velhinhas.

Compreendam, não é que eu me sinta melhor, que de verdade sinto que não sou melhor que ninguém; não é que eu me sinta mais… mas sinto-me no direito de opinar sobre assuntos que mexem comigo, e o respeito, é um deles.

Quem fala disto, tem também de obviamente falar sobre a vivência da espiritualidade, e do respeito por ela, nos funerais. Aquilo que escrevi sobre o nível de sussurros, alegres, de cavaqueira e convívio antes da missa, atinge nos velórios um nível absolutamente incomportável.

Na última homenagem que fui prestar a um filho ilustre desta terra, do qual gostava muito e admirava, a família da qual era oriundo e a atual; o trato distinto, e o extraordinário grau de benfiquismo; em que orei e pedi clemência por si, pela sua alma, e pelo seus; saí completamente consternado pelo nível de ruído que se respirava lá dentro da casa mortuária. Que coisa incrível!
Para aquilo, mais valia que tivessem ficado cá fora com os homens que “matam” o tempo que falta até ao enterro do cadáver, encostados ao muro da casa mortuária, a falarem de tudo e mais alguma coisa, fazendo apenas pausas para irem molhando a goela com um tintinho ou uma imperial babosa na casa mais próxima.

E não há pessoas que lamentem uma vida inteira que se perdeu, pessoas que pensem em todas as vivências que deve ter tido, boas e más; pessoas que verdadeiramente lamentem a sua perda, por tudo aquilo que deu, pelos frutos que deixou neste mundo?
Há!
Eu faço-o sempre que me despeço, em silêncio, de um corpo no qual viveu uma alma da qual eu gostava, e me sentia amigo.
Despeço-me sempre de pessoas que considerava. Na casa mortuária.
Na verdade, evito cada vez mais entrar no cemitério porque considero que aquele último momento é tão íntimo, que deveria ser fechado apenas para os familiares mais próximos.
Lá está… toda a gente “gosta” de ver, sente-se aliviada ao emocionar-se, por isso… vai.

Eu… não. A menos que haja uma proximidade tão grande com quem fica, que sinta que posso apoiar, auxiliar, servir de conforto.

Acho tão importante esta dimensão espiritual que rezo com frequência durante o dia, “falo” a força que me apoia, me empurra, me protege.

Ser cristão não é ser maricas, como muitos pensam. Ser cristão é ser bravo, é ser forte, é ser consciente, é acreditar que aqueles que são mortos diariamente por esse mundo fora por defenderem essa condição, não partiram à força deste mundo em vão.

Quando se preserva, acalenta, e estimula a dimensão espiritual, o ser humano sobe a uma dimensão diferente, muito mais proveitosa e satisfatória para si.

Recomendo uma leitura, que já foi aqui proposta creio que mais de uma vez, mas que serve na perfeição este propósito, escrita por um Homem da ciência, com o qual partilho este entendimento filosófico.
  



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Retratos da Cegueira


A tradicional reportagem do Jornal da Noite da SIC de hoje, tinha o inusitado título/assunto “Retratos da Cegueira”. Confiante no nível qualitativo das antecessoras, comecei a ver, levado pela estranheza. “Que coisa esta de meter cegos a fotografar?!?”

Surpreendeu-me uma reportagem de qualidade rara e de uma sensibilidade extrema de enorme saber jornalístico de Ana Sofia Fonseca. A minha vénia. 


Tocante em diversos pontos, profunda em muitos outros, para mim foi mais um marco jornalístico no historial do canal.

Dramática em cada cegueira, em cada relato, em cada interlocutor. Se há quem me ache um vencedor pelo passado recente, fico rendido à força destes titãs de querer viver.

Terminou da melhor forma, com o ouro do relato da Patrícia Arsénio. 


Uma Lutadora colega blogger com quem tive prazer imediato de comunicar ainda que sem resposta. Para já. Caiu no coma sem saber bem porquê e dali teve de aprender a refazer toda a sua vida. Não ficou a chorar o que perdeu. Antes olhou para a frente para voltar a andar, a falar e ainda conseguiu encontrar força para escrever. Tudo isto sem conseguir ver. Estes exemplos fazem-me perceber o quão maravilhosa é a vida. O milagre de estar vivo.







Diz que tem um blogue para “escrever aquilo que lhe vai na alma, afastar os fantasmas, dizer às pessoas que podem ter esperança”. Colega blogger. Com um pelos mesmos motivos.

A Patrícia pode ser lida aqui http://pandora-ogum.blogspot.pt/, no seu sítio. Que recomendo.


Força e até que a gente se veja.

domingo, 12 de outubro de 2014

O novo blogue (facebookado)


Ultimamente, de cada vez que por aqui passo, um misto de tristeza e lamento apodera-se de mim. Longe daqueles tristes períodos tão difíceis depois do acidente em que questionei tudo e cheguei a pensar pôr um fim a esta minha encarnação cibernética, vivo agora com uma desolação permanente pela minha ausência por estas paragens. Os tempos mudaram e essa é que é a verdade. A força está em saber acompanhá-los.


Este blogue nasceu porque a vida em carne e osso não chegava para eu viver tudo o que queria. Precisava disto para postar a memória, para criar um álbum de víveres com recurso a tudo o que fosse multimédia para chegar a quem me quer bem; para deixar o legado às minhas filhas e aos filhos das minhas filhas para verem quem era aquele que as antecedeu; para mim quando for velhinho (se lá chegar porque se for antes, de certeza absoluta que vou contrariado) e a vida me passar. Como eu gostaria de ter conhecido os pensares do meu avô e do meu bisavô e dos que foram antes de mim se tivessem tido acesso às tecnologias que eu tenho.


Empurrado pelo ímpeto dos “Desabafos” da Rádio Portalegre que passei a integrar por convite do meu amigo Joaquim Barbas, tomei balanço depois de finda a temporada e segui por minha conta, criando o meu próprio espaço, deixando a política e a vida dos portugueses; passando a centrar-me na minha.


Como o subtítulo que coloquei na imagem do cabeçalho indica, por aqui desabafei, exultei e descomprimi. Dando largas à minha formação jornalística abandonada por uma vida mais certinha, melhor remunerada, mais perto do meu sítio e no fundo, melhor; aqui arranjei forma de fazer uma grande reportagem da minha vida com tudo o que isso tem de bom e mau. Quem não deve, não teme e até posso ter telhados de vidro porque não vou numa de virtudes públicas, vícios privados. Exponho-me demais, é certo, mas isso até me agrada. Faz-me sentir assim uma rockstar de subúrbio rural que é considerada porque é assim que me sinto habitualmente. Pode ser só impressão minha e algum (muito) convencimento mas as mulheres até me olham com o ar de “este gajo até é fixe e estar ao pé dele nem deve ser assim tão mau” e os bacanos olham-me de duas formas: ou são amigos e também sabem que eu sou-o deles e pensam ao ler-me: “o velho Sabi…” e sorriem; se não são amigos, ou sabem ler e pensam “é pena não nos darmos bem que o gajo até deve ser fixe”; ou não sabem ler e só invejam enquanto se entretêm com as rudimentares alfaias mundanas de que é feita a sua existência.


Mas este recomeço não é um fim; antes é um princípio. Se o BES deu barraca da grande, o Salgado se safou à prisa pagando os 3 milhões que davam para comprar um avançado assim jeitoso e isso não foi o fim mas antes o princípio do Novo Banco, também este post pode ser o começo do novo blogue com direito a nova imagem no cabeçalho com ligações e tudo.


Esta vai ser assim uma mudança ao nível da do Expresso que como diz o periódico: faz opinião. O Expresso continua a ser o mesmo, um calhamaço impossível de ler todo porque o tempo escasseia, é coisa rara e exige concentração, mas… agora também é diário. Aproveitam recursos, fazem sinergias e com o mesmo, produzem mais. Eu também quero que o meu blogue se ajuste aos tempos. Ao meu tempo (already forty one and after being a Vespa Test Dummy), ao tempo da minha famíla (3 patroas a mandarem com intensidade crescente num sentido decrescente) e ao tempo da vida (mais caseira, mais centrada na sala de estar, bem longe dos tempos da meteórica carreira d’A GRUPA quando se vivia na vertigem rock’n’roll.)


Traduzido por miúdos diz-te o quê a ti, que passas por aqui agora porque não tens mais nada interessante que fazer, com tanta coisa boa a dar na televisão? Que este blogue já me consumiu muitas horas de vida mas que de agora em diante não vai ser o exclusivo porque as ferramentas são outras e possibilitam “Ver o Mundo pelo Telemóvel com ajuda do Facebook onde quer que se esteja.” Dois saltos brutais permitiram que assim fosse:

1)    A minha descoberta do Facebook, depois de o ter menosprezado a início, como uma ferramenta verdadeiramente vertiginosa que eleva a comunicação entre os seres vivos a um expoente nunca antes imaginado. Se a internet faz o mundo parecer uma aldeia global, o facebook faz da aldeia, uma praça onde cabe o pessoal todo à janela.

2)    A revolução dos telemóveis quando evoluíram para smartphones, ou seja em linguajar do vosso tio Sabi, em pequenos computadores de bolso que até, e também, dão para falar. Eu vinha de um Nokia Xpress Music com quase 4 anos completely old fashioned quando num ataque de fúria pela sua inoperância, o desfiz na calçada do quintal. Depois de muitas ouvir, passei umas semanas por um Sony Xperia que parecia fantástico mas avariava vezes demais para lhe continuar a dar o benefício da dúvida; até que aterrei num Samsung Galaxy Mini SIII e fiquei rendido. É certo que sonho com Samsung Alpha ou até mesmo um iphone mas… sim. Este dá. Para falar, para fotografar, para ouvir música, para ir à internet. Como diz o meu novo amigo Dino Mafra: “Siga!”


Então passa a ser assim: todas as semanas irei publicar por aqui no blogue a espaços, quando tiver tempo porque assuntos há sempre em demasia, arquivados em papelinhos amarelos post it numa das minhas gavetas. O mais provável é ser ao fim de semana mas nunca se sabe quando sairá por aqui mais alguma coisa. Pode ser amanhã, mas como não há remuneração fixa e sou freelancer..

Paralelamente, terei sempre o telemóvel ligado na net assim que seja oportuno e a ligação a todos será permanente.

Sempre que tenha um assunto que mereça mais texto, mais espaço, mais fotos e vídeos ou que seja mais rebuscado, virei por aqui. Sempre que surja o imediato, o momento, o instante, o dia-a-dia, o trivial vai por ali, pelo facebook em https://www.facebook.com/pedro.sobreiro.14  (onde o 14 vem do nome do burro do avô da Cristina) para os de fora da onda ou para os que estão dentro da cena do facebook, procurando apenas por Pedro Sobreiro. Por razões de segurança, preferi nesta encarnação facebuquiana manter-me no anonimato e abandonar a nomenclatura mundialmente conhecida de Tio Sabi. Assim passarei a assinar pelo anonimato garantido pelo nome próprio, estratégia que certamente me permitirá passar muito mais despercebido. Ninguém conhece o Pedro Sobreiro.


Com o blogue e o facebook a funcionarem em simultâneo e em dimensões distintas, penso conseguir… isso mesmo: tirar o melhor de cada uma, como eu sempre defendo.

O facebook contudo tem alguns perigos e/ou limitações: imiscui-se demais ao querer saber quem és, onde estás, qual é o estado de espírito e se isto não é um Big Brother do Orwell agradavelmente aceite não sei o que será; tem uma enorme limitação de espaço que trata todos por igual e lhes dá as mesmas linhas de tempo de antena queira dizer muito ou pouco e seja mais ou menos importante, tenha maior ou menor interesse; e tem excesso de gente. Não é eu que seja a favor de limpezas étnicas cibernéticas mas em cada facebookiano está um potencial blogger só que não têm nada a ver. Podem utilizar as potencialidades estonteantes e o imediatismo de poder brutal do facebook mas não têm nada a ver. Os blogues estão para o facebook como a feira das Galveias está para uma coisa que eu cá sei e começa por um f e termina na letra r, tendo pelo meio as letras ode. O blogger gere um espaço só seu e tem de saber geri-lo com assuntos suficientemente pertinentes para o manter válido. Um chamariz sem que seja brejeiro, a chama sempre acesa independentemente do assunto tratado. Tem de ter algo que “faça” as pessoas voltarem. E gostarem         do que vêem.

Já no facebook há sempre imagens engraçadas a partilhar, pensamentos profundos a granel copiados de algures, uma prato recém-fotografado qualquer coisa nova nem que seja gamada, ou apenas para desejar uma boa noite ou um bom concerto. Se um gajo criasse um blogue para dizer isso, era capaz de ter poucas visitas, digo eu. Há quem tente criar um blogue mas… mantê-lo visitável é que é um bocadinho mais dificil. Já no facebook… tudo passa.

No imenso mar turbulento do facebook é mais difícil ser como eu sempre fui no blogue: nem melhor, nem pior, apenas diferente. Pode ser uma foto, uma notícia, um lugar comum, uma outra perspectiva mas sempre, sempre, sempre, única. Como eu sou único. Não há mais nenhum igual.


Maneiras que resumindo e concluindo, a sede deixará de ser o blogue para passar a ser o facebook onde se divulgará ou o “Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão diário em diversas edições que serão tantas quanto os assuntos” ou o “Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão principal no sítio do costume que não o Pingo Doce” mas que será sempre divulgada ali no facebook.


E esse vai ser o denominador comum ao Pedro Sobreiro do blogue, do facebook e em carne e osso: EU. Há quem lhe possa chamar egoísmo, percebo, mas a vida é só uma e se eu não gostar de mim, quem gostará? E eu, tirando uma coisinha ou outra que tento sempre limar… gosto.


Quem gosta e eu graças a Deus sei que são muitos, consomem (quanto mais não seja porque a mim me faz bem) e comentam comigo quando me apanham. Quem não gosta, mete para o lado e come só o ovo e as batatinhas fritas, porque: (Velha máxima do vosso tio Sabi) Cristo que foi Cristo e tinha a cunha do pai, com 33 anos já lá estava cravado no barrote). Portanto, eu sei que agradar a todos não dá so… live and let live dedicado a todos vocêis com o vídeo dos grandes G’n’R que tinham de fechar este post e mais ainda um outro vídeo... 



que tinha de ser dedicado à minha profissão e escolha de vida que não m’alembra se já o publiquei aqui mas não podia ser melhor. With lyrics to understand better what they say.

Now my advice for those who die
Declare the pennies on your eyes
Cos I'm the taxman, yeah, I'm the taxman

And you're working for no one but me

Taxman!



domingo, 6 de abril de 2014

Kumba. Iálá!


É com grande pesar que o blogue Vendo o Mundo de Binóculos do Alto de Marvão comunica a todos os seus leitores a triste notícia do falecimento do nosso colaborador na República de Guiné Bissau, Kumba Yalá. Quando realizámos as provas para admitirmos colaboradores deste blogue para Àfrica, foi o primeiro a apresentar-se a exame na 24 de Julho, logo pelas 5h da manhã, ainda nós não nos tínhamos deitado.

Presidente da República da Guiné-Bissau, porta-voz do continente africano e apoiante deste blogue desde a primeira hora, nunca cedeu às pressões políticas do PAIGC de Nino Vieira, nem do general Ansumane Mané e sempre nos defendeu, nem que para isso fosse preciso carregar a escopetas que os bolcheviques lhe regalaram em Moscovo ou afiar a catana que trazia sempre consigo para coçar um ou dois.


Homem de fortes valores e princípios, não foi por ter sido o vigésimo filho de um casal de agricultores que não tinham dinheiro nem para comprar a roda de um trator que se deixou intimidar. Chegou a ser presidente do seu país e foi um homem que apareceu muitas vezes na televisão. Mais de 10.

Singular e primando sempre pela rebeldia que nos caracteriza nesta redação da Manuel Pedro da Paz, nunca adotou um nome português e converteu-se ao islamismo quando toda a gente lá na sua terra acredita no nosso senhor Jesus Cristo. Poliglota, sabia falar muita língua para além de saber saborear língua viva de cachopa gostosa e de vaca estufada tenrinha. Sabia português, crioulo, espanhol, francês,inglês e podia ler em latim, grego e hebraico o que é uma proeza extremamente difícil quando não se é judeu.

Estudou Teologia na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa que é uma das melhores do país a ensinar esta matéria nada fácil, depois estudou Filosofia e ainda Direito. Apesar deste currículo que deixa qualquer membro do governo a abanar (sobretudo o Relvas que já lá não está), toda a gente se lembra dele como o homem do barrete vermelho. E o burro, sou eu?


Barrete que ainda hoje me leva às lágrimas de tantas recordações. Aquela gofia vermelha foi tricotada pela minha tia Natércia e foi-lhe oferecido por mim no Parque das Nações de Santo António (aka. Mercado Municipal) quando assinámos o acordo de colaboração entre o blogue e ele, com Àfrica pelo meio.

Ainda me lembro desse momento como se fosse hoje:

- Kumba, para selar este ato tão solene e para que recordes esta ligação que hoje aqui estreitamos, gostaria de te ofertar este barrete vermelho porque te sei fã do glorioso, feito à mão, com muito amor para que nunca tenhas frio na cabecita quando dormes.


Ele, sempre simpático, agradeceu e, não percebendo nada do que lhe tinha dito porque o vinho tinto que bebemos antes era bruto, pensou que lhe tinha dito que se tirasse o barrete deixaria de ser colaborador do blogue. Nunca mais o tirou! Nem sequer para tomar banho porque as pessoas realmente asseadas não precisam de água. São como os gatos. Ele deu-me um dente de elefante que acho que anda ali para a garagem. Duma vez quis mete-lo no maxilar de cima como a minha tia Maria tem um de ouro e o dentista disse que não conseguia. Nunca mais lá voltei.

Kumba partiu. Mas há-de estar sempre aqui no meio da gente. E agente sempre com ele. Kumba foi para baixo da terra. Despido de pertences mundanos. Mas com o barrete enfiado.



Até sempre, camarada Kumba. Iá lá, camarada!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

The end



A ideia já andava na minha cabeça há algum tempo mas nada como concretizá-la.

Poderia ser um abandono progressivo, lento, como se deixam os animaizinhos na berma da estrada mas isso é de uma crueldade tamanha que não me ficaria de todo bem e não seria justo para os leitores, nem para mim que criei este “filho” com tanto amor e o estimei com tanta dedicação. Há que aceitar a vida e as coisas como são, meus amigos. Ninguém o lamenta mais do que eu, mas isto tudo que começou por ser um prazer e me deu tantas horas de diversão, chegou ao ponto de ter de ser uma obrigação, coisa que nunca foi a minha intenção. Nada dura para sempre.

Fecha-se o livro, fecha-se esta vista de Marvão para o mundo, mas ficam os textos e as memórias que vão sempre permanecer para recordação e como um álbum de “fotos” de um determinado período da minha vida pelo menos até que os senhores do blogspot assim o entendam e o deixem.

A todos fico grato, pelo apoio, até por alguma crítica, por terem estado presentes e sempre do outro lado.
Foi uma viagem que valeu a pena!

Foi uma viagem que valeu MESMO  a pena!

Terminou esta mas outras se seguirão e tendo a vida toda pela frente e uma família linda que amo com toda a minha força e os melhores amigos e amigas do mundo, novas aventuras esperam por nós a cada esquina.

Bem hajam por tudo!

Que Deus vos abençoe e encha os vossos corações de amor, carinho e alegria.

Até sempre, camaradas!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ir a jogo!



Por estes dias tomei a decisão de não voltar a falar na minha saúde, na minha convalescença, neste problema que me afetou e pelo qual estou a passar. Ponto final sobre o assunto pelo simples motivo de que não me traz nada de novo ou de melhor. Não vale a pena bater mais no ceguinho e assim sendo, há que caminhar e andar para a frente. Quando nasceu, este blogue era também o meu caderninho de notas digital, o bloquinho de papel que eu trazia no bolso de trás dos calções onde tomava nota de tudo e assim foi até agora mas eu nunca pensei que as coisas escurecessem tanto. Fazendo o ponto da situação, o melhor é separar as águas e meter o blogue num patamar e deixar os pensamentos e as dúvidas, noutro. Nunca antes tinha pensado nisso mas é melhor assim. No blogue escrevo aquilo que os outros podem ler, aquilo que posso tornar público e sempre que eu preciso escrever algo mais pessoal, tenho de arranjar maneira criando um diário daqueles pequenino que têm uma chave e tudo. As coisas ficam mais limitadas assim, esta “tabanca” fica reduzida a ser um miradouro de onde apenas posso escrever e pensar sobre aquilo que me rodeia e vejo. “De dentro para fora” e não o contrário para assim blindar a carroçaria e tornar a couraça mais homogénea. Não quero que quem me quer bem fique mais preocupado comigo, a pensar se as coisas estarão bem, se estou mais preocupado ou taciturno. Eu quero é um “virar de página”. O que foi, foi e não se ganha nada em escamotear as coisas, em dar voltas e mais voltas. O que sucedeu, sucedeu e há que seguir em frente.


Eu digo limitado porque nunca vim para aqui “vender jogo”, contar mentiras ou armar-me ao “pingarelho” mas tenho de me cingir ao que me rodeia, ao que está à volta e o meu universo agora cinge-se a ver o mundo não de binóculos porque se não estrago a vista, mas à vista desarmada. É o que há! Quem quiser compra, quem não gostar pode meter para o lado e comer só as batatas fritas.


Agora apetece-me falar e escrever sobre o estado político da nação porque é um assunto muito atual que nos preenche os noticiários e vai enchendo as páginas dos jornais. Ainda na sexta-feira passada li no Público, uma crónica do Vasco Pulido Valente que se referia ao “fantasma” do Sócrates e eu concordo com ele porque penso que o gajo ganhou um estatuto e uma projeção que assombrou não só o partido socialista mas até o próprio país. Fez uma política de terra queimada que depois dele não deixou nada. Pedro Passos Coelho é um bom homem, um homem sério, um homem que se esforça por conduzir o país, um homem que tenta dentro das enormes limitações que são impostas pela Europa, traçar o melhor dos cenários mas não é fácil porque Portugal é um país periférico que está muito arredado dos grandes centros de decisão que passam muito pela Alemanha e até por França. Apesar de tudo, tenta ser um timoneiro e um resistente, alguém que não baixa a guarda. Já António José Seguro e a sua rapaziada do PS, fazem a triste figura de alguém que diz mal só por dizer e fazem oposição só para não estarem calados, o que confunde quem está a ver e não ajuda em nada porque trata-se de uma oposição retórica. Eu acho piada porque até os antigos rapazes do séquito, agora são os primeiros a dizer que de Sócrates não querem nada e são os que se destacam do grosso da coluna em primeiro lugar. Rei posto… rei morto, e isso é algo que se constata todos os dias.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O meu blogue


Há dias vinha eu a descer uma rua da minha terra com as minhas duas pequenas (todo babado… não há coisa que eu mais adore) quando esta senhora me abordou:

- Ai tão lindas… Esta é a mais pequenina, não? Tão gira… Eu li lá no seu blogue quando ela nasceu. Eu gosto muito do seu blogue, sabe? Todas as semanas lá vou. (Olhando para o lado e rindo) Eu acho aquilo um espectáculo.

-Ai sim? Olhe… fico muito contente com isso. Obrigado.

E fiquei a pensar…. Isto vindo de uma pessoa que eu estava longe de pensar que fosse frequentadora do meu blogue. Não porque eu tenha uma ideia pré-concebida de quem é o meu leitor/a tipo mas porque pensava sinceramente que aquela pessoa deveria ter mais coisas com que se ocupar/entreter do que com o meu blogue. Fiquei lisonjeado. Fico sempre quando me dizem coisas simpáticas do meu blogue.

Ter um blogue não é fácil, sobretudo quando o tratamos com o carinho e a assiduidade com que trato o meu. São muitas horas de trabalho que acabam sempre por compensar, sobretudo nestes momentos.

Já são anos e há dias em que não nos apetece. Há dias em que pensamos se valerá realmente a pena e depois há momentos como este. Que dão sentido a tudo.

Há dias comentava com uns colegas a triste situação em que o nosso país e o nosso concelho se encontram. Falávamos de um Portugal em crise, desempregado, cabisbaixo, taciturno, apático. Falávamos de um Marvão despovoado, sem iniciativa, sem perspectivas de futuro, com os serviços públicos cada vez com menos movimento. Arrematei a parte que me tocava com um “ainda assim… eu digo como o outro: quando a tristeza me invade… canto o fado!”.

E dizem-me do outro lado do balcão: “é o que vale é a alegria deste Pedro e as coisas lindas que escreve no blogue. Sabes, Pedro? Vou-te dizer uma coisa que tu podes não acreditar mas é muito verdade. Uma vez mostraram-me um texto que tu escreveste quando morreu um amigo teu… um mocinho lá de Santo António… sim, esse… e eu li aquilo e fiquei de uma maneira que nem te consigo explicar. Achei aquilo uma coisa tão linda, tão linda que só de pensar nela até parece que me sobe uma coisa no peito e me fica aqui na garganta. Sabes o que fiz? Guardei-o! E de vez em quando… leio-o. Quando me sinto triste e aborrecida com a vida… lembro-me do texto, vou lê-lo e fico logo melhor. Palavra de honra”.

Se algum dia eu precisar de me explicar porque faço isto, vou voltar aqui.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

“Vendo o Mundo” é blogue do ano!

A 1ª página histórica.
Clica para ampliar





Numa iniciativa inédita e conjunta, Governo e Presidência da República decidiram criar e atribuir um prémio ao blogue que na sua opinião mais se destacou no ano de 2010. O Conselho de Estado e o Conselho de Ministros foram unânimes em escolher o “Vendo o Mundo de Binóculos” como o melhor blogue de Portugal em 2010. O prémio consiste num belíssimo exemplar de louça das Caldas da Rainha, daqueles de 5 litros, um Magalhães de 3ª geração, acções da EDP, um passe da Carris e um “prize money” de 250 euros que será pago em 12 suaves transferências mensais. A cerimónia decorrerá no coreto do Jardim da Estrela numa tarde de domingo a definir. A animação musical estará a cargo da “Fanfarra do Bombarral” e do “Grupo de Amigos das Gaitas de Beiços de Santa Cona do Assobio”.

Cavaco Silva deixou em off record, algumas palavras de homenagem ao premiado: “Como sabem, o cargo de Presidente da República é extremamente exigente. Passo os dias enfiado em pilhas de papelada para assinar e a aturar as maluqueiras aqui do Sócrates, de forma que não tenho praticamente tempo para nada. E nem quando recolho aos aposentos e procuro ter algum espaço só para mim, me safo. Ou é o (Nunes) Liberato que me vem “chagar” com mais uns calhamaços para rever, ou é a Maria que me obriga a fazer as tabuadas, sobretudo aquelas em que tenho mais dificuldade que é as do 5 para a frente. É por isso que, sempre que posso, tantas vezes já debaixo dos lençóis, ligo o Magalhães que Hugo Chávez me ofereceu no Natal de 2008 e visito este blogue tão interessante. Levo sempre umas Lindor anatómicas porque as vezes não me aguento. Este Sabi é de partir o côco a rir. Adoro os textos mas também as montagens como aquela que ele fez da Cimeira da Nato. Aquilo está com um nível bestial. Nem no “Inimigo Público” fazem tão bem. É por isso que eu o considero um verdadeiro homem da Renascença que pinta, que monta com categoria, que escreve… e até pega vacas. Ou bezerros… ou lá o que aquilo era. Não se lembram? No encontro de Tertúlias? O que eu gostava de poder privar mais com ele, de passarmos tardes a conversar com uns tintos no Saúl, umas imperiais no Choca ou umas minis na Velhaca. Mas é assim a vida… Quem opta por estes cargos de responsabilidade acaba sempre por passar ao lado dos grandes homens do seu tempo”.

Já José Sócrates revelou que “os Magalhães foram criados para que eu pudesse levar o blogue do Sabi para todo o lado. Nos dias mais difíceis, tem sido ele que me tem ajudado a andar para a frente. Isto é tudo tão cinzento e triste que só ele, com aquele humor tão peculiar, me consegue animar o dia. Até tenho o meu pc na AR com o blogue dele como homepage. Não falha! O Louçã e o Portas pensam que eu me estou a rir deles mas coitados, nem sonham com qual é o real motivo. Eu sei que eles também são leitores. Não sabem é que eu espreito logo ali pelas novidades. Tenho a maior consideração pelo Sabi. Não se esqueçam que somos quase vizinhos. Quando ele ia à Covilhã ver os primos passava sempre pela minha casa. Passámos muitas tardes a jogar ao Risco e ao Monopólio. Foi ele que me transmitiu os conceitos básicos de diplomacia e economia que ainda hoje me ajudam. Isto num tempo em que eu nem uma marquise sabia desenhar. É um homem claramente à frente do seu tempo. Todos os dias falamos. Ele diz-me o que hei-de fazer. É uma espécie de guru”.



Num gesto também inédito, já que é uma personagem muito tímida e reservada, o autor do blogue acedeu a responder a algumas das nossas questões previamente enviadas por e-mail:

O que o levou a criar este blogue?


O blogue é muito mais que um hobbie. É uma forma de conseguir fazer o que realmente mais gosto de fazer na vida: comunicar. Não foi em vão que andei 4 anos a caminhar para Lisboa para cursar na área. Faço-o porque tenho prazer nisso, seja a escrever ou manipular imagens. Se assim não fosse, não passaria horas e horas nessa labuta sem ganhar um tusto. Faço-o por prazer mas também, obviamente, para todos aqueles e aquelas que me lêem e me visitam com regularidade. Se não fossem eles não valeria a pena tanto trabalho. Costumo pensar para comigo que desde que haja uma só pessoa que pense ou sorria por algo que postei, já valeu a pena o trabalho. É por isso que este blogue há-de existir enquanto for visitado e estimado pelos seguidores.

Quais são os seus objectivos?


Eu gostava de viver só disto. Poder passar os dias de pantufas a ver o Goucha e a Júlia Pinheiro (que são as minhas musas inspiradoras) e a mandar bitaites na net. Gostava de ter uma bolsa do Ministério da Cultura para me dedicar de corpo e alma a esta causa. Se há bailarinos que recebem milhares para darem 3 pinotes por mês, eu acho que também mereço porque me farto aqui de dar ao cabedal. Isto não faz suar mas implica um grande esforço mental e concentração. Queima muitas calorias. Às vezes tomo o pequeno almoço e ao fim de meia hora de trabalho no blogue já me está a apetecer um pãozinho de leite do Maridalho com manteiga de vaca e uma fatia de fiambre da pá. É desgastante… Uma bolsa de 2.500 euros era suficiente. O que é isso para o Governo? Nada! Todos os dias falo com a Canavilhas mas ela não está desperta para estas coisas. Ela é mais pianos… Mas ainda não perdi a esperança.

E o que representa este prémio para si?

É um espectáculo mas é poucochinho. Já viu? Eu não quero parecer pretensioso mas acho que eles se estão mas é a aproveitar da minha popularidade. Veja a foto… Está na cara! O Cavaco precisa de votos como de pão para a boca e para o Sócrates, que está preso pelos tintins, poder surgir ao meu lado é meio-caminho andado para se manter no cargo. Eu sou um balão de oxigénio para ele e para este Governo em colapso. Todos temos consciência disso.

Qual acha que seria o prémio razoável?

Eu mandei-lhe uma listagem mas eles não fizeram caso. Eram coisas simples como cheques-compra na Modalfa, uma colecção integral de sapatilhas Sanjo número 43 (como os que o meu pai me comprava no Triste), um cartão VIP para entrar na Central de Cervejas e poder tomar banho naquelas tinas gigantes, ser accionista da Toblerone, ter a Catarina Furtado e a Bárbara Guimarães como damas de companhia e assim… Cenas que estão ao alcance deles e que me davam alegria. Também pedi para darem o meu nome a uma das avenidas da minha terra (Como só há duas, podia ser a 25 de Abril que é nome que já não se usa e a do Dr. Machado está bem entregue) e também pedi para me montarem o Circo Chen no quintal. Assim podia ir ver todas as matinées. Mas o meu sonho mesmo era ir trabalhar para a Eurodisney. Se me deixassem escolher… queria ser o maquinista do comboiozinho que anda há volta de todo o Parque mas agora que penso nisso, lembrei-me que não estou encartado.

Há limites para o humor?

Então não há? Vejam lá o que aconteceu a este meu colega da Wikileaks… já foi dentro e está aqui… está embalsamado. Mas eu não publico nada que a minha mulher não deixe. Ela lê tudo antes e quando faz que “não” com a cabeça… já sei que vou encher a reciclagem. Mas no meu blogue também há textos sérios só que as pessoas começam-se logo a rir quando lá entram e depois prontos. Não percebem.

Para finalizar… uma curiosidade: Facebook ou Blogger?

Blogues, claro! O Facebook é uma ferramenta bestial sobretudo para encontrar amigos que nós fizemos quando não existiam telemóveis e computadores e internet que eu ainda sou desse tempo. Também é porreiro para falar com pessoal que está longe e não vemos há muito. Ainda há dias estive a falar com o meu amigo Zé Pop que está em Angola, com uma facilidade como se estivesse aqui na minha arrecadação. Admirável. Mas não curto nada os jogos da quinta e essas merdas. Não tenho nada disso. Se tivesse que comparar, o Facebook é um armazém cheio de pessoal com tudo aos gritos ao mesmo tempo. Não se percebe nada. Parecem os corretores da bolsa de Nova Iorque a minutos do fecho diário. Um blogue é mais intimista, mais elaborado, outra onda. Uma boca qualquer um manda. Dizer o que se pensa… dar o corpo ao manifesto… meter o courato à frente das balas… é outra loiça.

Quer mandar uma mensagem aos seus leitores?


Primeiros quero desejar que tenham um bom ano. Depois quero dizer que adquiram o disco da Leopoldina porque ao comprarem já estão a ajudar, e o último do Graciano Saga que está ao nível do melhor do grego Demis Russos. Para finalizar, gostava de deixá-los com um pensamento. Sempre que vou ao Estádio da Luz e o vejo a rebentar pelas costuras, há um pensamento que me assola: se cada pessoa daquelas me desse 1 euro que fosse, o que não custa a ninguém, eu ficava com a minha vida orientada. O meu blogue passou há dias as 300.000 visitas...

Pelo sim, pelo não… Vou deixar uma cestinha junto ao portão do meu quintal.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Noite de reis


A noite de ontem há-de ficar para a história do futebol como aquela em que os espanhóis do Barcelona deram um monumental banho de bola aos ingleses do Manchester, ao ponto de ainda hoje estarem para perceber como foram tão facilmente dominados.

Foi a noite de um menino que há custa de muito acreditar e de muito trabalhar, passou de apanha-bolas a titular indiscutível, chegou a capitão e dali a treinador consagrado, o primeiro e único a conquistar o triplete: Liga, Taça e Título de Campeão da Europa.

Foi a noite em que um velhinho que pensava que sabia tudo se viu enrolar por esse mesmo talentoso jovem que tem idade para ser seu neto.

Foi a noite do trabalho de equipa e da prata da casa.

Foi a noite de uma genial pulga argentina que encantou o mundo e até marcou de cabeça saltando por entre os gigantes.

Foi a noite em que o nosso Ronaldo mostrou como nunca estar cego pelo seu narcisismo.

Foi uma noite em grande e ainda estou meio enfeitiçado por aquele futebol de relógio suíço, de passes premeditados, que funciona até de olhos fechados. Que fácil que parece, que simples que é quando se é quase perfeito. Como a bola se lhes colava aos pés e parecia repelir os adversários… Muito bom!

Vivam os campeões da Europa.

Por falar nisso, lembrei-me que o primeiro ou segundo post que fiz foi sobre uma final da champions e descobri que o meu blogue fez dois anos há poucos dias. Mais de três centenas de posts depois, muitas horas passadas, mais de 125.000 visitantes depois, não podia estar mais satisfeito com o resultado.
E o que eu tenho poupado em psicanalistas, ó valha-me Deus.

Este é sobretudo um espaço de partilha e de vivência. Grande parte da minha vida e do meu sentir estão aqui plasmados.

Bem hajam por aparecerem.

Um graaaaande abraço,

Do vosso,

Tio Sabi

quarta-feira, 26 de março de 2008

2º Grandioso Passeio Pedestre do Blogue - Livro de Memórias

1. Line up inicial: Bonacho, Mário, Luís Bugalhão, Clarimundo (só prá foto), moi même, Buga, Jorge, Paula, Bonito, Conceição, Garraio, Nuno Pires

2. Velocidade cruzeiro em direcção à Relva da Asseiceira

3. O "nosso" Alentejo


4. O Mário conta mais uma das suas... Grande contratação!

5. Uma platéia... estilosa.


6. Vidas boas...

7. Garraio... o nosso Indiana Jorge!

8. Serpenteando por entre as rochas e a vegetação

9. Esta é para meter em cima da televisão. A moldura tem de ser uma daquelas da Loja do Chinês que diz "Amo-te", a euro e meio.

10. Fim de semana alucinante...

11. O Bonachinho pensava para consigo mesmo: "isto está bom para a boga..."

12. No alto... ao cimo de tudo.

13. A caminho da Fontanheira

14. Matando a sede...

15. Numa fonte com um santo muito especial...


16. O nosso amigo Pires deu cartas, com bolinhos e moscatel...

17. Abismados com a solenidade dos caminhantes, os nativos mudaram o nome de uma avenida para comemorar a efeméride...

18. O antigo salão de baile e as janelas por onde saltavam os mancebos em noite de porrada.

19. Custou... mas foi! Eu não disse que o auto-temporizador funcionava?

20. No dia em que começava a Primavera e a minha querida Cali celebrava mais um aniversário

21. As filhas do Luís, não desistiam de procurar o pai por entre as giestas floridas

22. Tás lindo, estás! Estás mesmo bom para ir à faca!
Esta foto sai em poster na Mulher Moderna da semana que vem

23. Eu e as minhas amigas da Pitaranha. Junto a mim, a contrabandista que levei ao Goucha. Uma jóia!

24. As placas bem avisavam... Cuidado com as picadas mais à frente...

25. "É além", diz o Buga, "já lá estive antes..."

26. Em San Pedro, uma "finca" de encantar...

27. A comitiva junto ao Gabinete de Relações Transfronteiriças.
Uma casa de culto...

28. Finalmente, o Pino!

29. A cerveza pré-jantar

30. Dona Estrella: "usted no puede existir! Que rico!"

31. Com o nosso anfitrião e as últimas incorporações
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“Até qu’enfim!” dirão muitos e eu também, mas sabem como é…

Meteu-se a Páscoa, o Torneio de Futebol Infantil, a família, algum descanso, jornais e leituras em atraso, música por ouvir, uma ou outra reunião de trabalho, alguma papelada e… só agora.

Só hoje, mas mais vale tarde do que nunca.

Primeiro seleccionei e trabalhei as fotos. Depois, era para escrever tanta coisa que eu queria mas sinceramente, acho que não é preciso. Não é mesmo porque está tudo aqui, nas imagens. Acho que está um roadbook bem à maneira e dá para os que foram poderem recordar e para os que não foram, poderem ter uma ideia do quanto desfrutámos todos.

Foi um dia glorioso… uma temperatura e um sol maravilhosos, uma companhia muito bem disposta, uma grande jornada de camaradagem e de amizade também.

Esta é a face visível da família cibernética que se formou nesta taberna virtual.

Saúdo as novas aquisições, todas elas de luxo e oxalá para a próxima, haja ainda mais. Quando formos mais de 100, espero fundar uma nova religião.

Ainda foram 4 horas a dar ao pé, partindo de tarde e chegando bem de noitinha.

Digo-vos com sinceridade: passei um pedaço 5 estrelas e no fim… não me cabia um feijãozinho no tal orifício.

Uma maravilha!

A todos, mesmo todos, incluindo os que não quiseram deixar de estar no jantar, o meu muito e muito e muito obrigado.

São vocês também, que fazem tudo ser assim e valer a pena. Um estabelecimento sem clientes, só tem uma alternativa.

Grande abraço…