Parem lá só um segundo na vossa vida, ó fachavore! Têm tempo para ler isto? Então, ópá, facam-no por favor, porque são notícias muito esperançosas e verdadeiramente inspiradoras.
Este jovem da imagem, chamado Sam Izadloo, de apenas 26 anos, nasceu num Irão tirano, onde jamais poderia estudar, onde teria de cumprir o serviço militar obrigatório, e o mais certo era ser carne para canhão. Fugiu e refugiou-se na Ucrânia, da qual fugiu por causa da guerra que a assola também.
Nessa altura, teve muita dificuldade em entrar por ter passaporte do Irão, aliado na Rússia no conflito. “Tinha passado a ser uma ameaça no país a que chamava casa”. Também não podia retornar ao Irão. Tentou ir para a Áustria. Voltou a ter problemas por causa da sua nacionalidade, que se repetiram na Alemanha. Até que percebeu que “Portugal estava a aceitar refugiados vindos da Ucrânia”. Voou para o Porto, mas, por não haver vaga no Centro Nacional de Apoio à Integração de Imigrantes, foi alojado numa Pousada da Juventude em Lagos, no Algarve. E ali esteve seis meses sem saber como seria o seu futuro.
Em abril de 2023, já com toda a documentação, partiu para Coimbra para tentar voltar a estudar. Até que soube que a Universidade Católica Portuguesa tinha bolsas para estudantes refugiados. Candidatou-se. “O dia em que fui aceite foi o melhor dia da minha vida. Depois de um ano e meio de incerteza, pude respirar de alívio”, recorda.
Ambicionando especializar-se em Medicina Familiar, Sam Izadloo conseguiu prosseguir a sua formação graças às bolsas de estudo para refugiados, no âmbito do programa de apoio a estudantes em situação de emergência humanitária. Em 2025 foram disponibilizadas 14 bolsas para cursos de licenciatura e de mestrado nos quatro campus da Universidade.
Este é o quarto ano consecutivo em que a Católica promove esta iniciativa que surge no âmbito do esforço nacional de acolhimento e integração dos refugiados e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pelas Nações Unidas (ONU). Recentemente distinguido pela ONU, este programa visa promover a inclusão e a integração de refugiados, fortalecendo o compromisso da universidade com a diversidade e responsabilidade social.
“A jornada para chegar a este ponto foi cheia de obstáculos e tribulações, e estou profundamente grato pelo apoio e orientação inabaláveis que me acompanharam ao longo do caminho”, já tinha assegurado Sam Izadloo num evento da UCP, salientando que a bolsa lhe mudou a vida. “Abriu portas que normalmente não estão ao alcance” de pessoas nas minhas circunstâncias”, assegurou, elogiando a “abordagem inclusiva” da Católica.
Estuda hoje no terceiro ano de Medicina na Católica Medical School, que frequenta graças à atribuição de uma bolsa de estudos da Universidade Católica Portuguesa dedicada a refugiados, e acabou de descobrir uma aplicação chamada "Dermamatica", que apresentou na Web Summit revolucionando a forma como a temática é tratada, e oferecendo uma Nova Visão para a Detecção Precoce do Cancro da Pele.
Desenvolvida para apoiar médicos de cuidados de saúde primários no primeiro contacto com o paciente, a Dermamatica utiliza IA explicável e multimodal, para analisar imagens da pele e fornecer uma avaliação de risco imediata e transparente.
Com apenas o envio de uma normal fotografia de telemóvel, os clínicos recebem um risk score e um heatmap (mapa de calor) visual que destaca as características que motivaram a avaliação da IA. Esta abordagem oferece clareza, acelera a tomada de decisão e reforça a confiança clínica.
A Dermamatica responde a um desafio persistente na área da saúde: os atrasos e incertezas que frequentemente dificultam a identificação precoce do cancro da pele.
Muitos pacientes obtêm diagnósticos tardios devido ao acesso limitado à dermatologia, sistemas de referenciação sobrecarregados e à dificuldade dos médicos de família em avaliar lesões ambíguas durante consultas de rotina. Ao equipar os cuidados primários com inteligência visual avançada, a Dermamatica pretende agilizar este percurso, permitindo que pacientes de alto risco cheguem mais cedo aos cuidados especializados.
Um dos aspetos mais relevantes da plataforma é o seu compromisso com a explicabilidade — um requisito essencial para a confiança na IA aplicada à medicina. Em vez de fornecer previsões opacas, a Dermamatica oferece resultados interpretáveis, ajudando os clínicos a compreender por que motivo uma lesão pode ser suspeita e apoiando decisões mais informadas.
A presença de Sam no Web Summit marca um marco importante para o projeto e sublinha o papel crescente dos jovens inovadores na definição do futuro do diagnóstico médico. O seu trabalho tem despertado grande interesse entre profissionais de saúde que procuram soluções práticas e escaláveis para melhorar os resultados clínicos através da deteção mais precoce.
Não é de ter esperança na Inteligência Artificial, e no tanto de bom que pode trazer à nossa vida, em vez de se estar sempre a criticar? Na minha opinião, todas as ferramentas que a tecnologia nos coloca ao nosso dispor para poder ir mais além, são muito positivas. Tudo depende da utilização que se lhe dá, mas aí... já é o nosso critério que importa.
