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terça-feira, 14 de julho de 2026

Festival Benefício de Marvão a encantar as Areias, e todos quantos a ele acorreram...

  



Santo António das Areias, uma pequena aldeia norte alentejana encostada à fronteira com Espanha, situada mesmo a meio do mapa de Portugal, bem à direita de quem o fita, a escassos 6 quilómetros da muy nobre, sempre leal e bem conhecida por todos vila de Marvão; tem hoje muito menos de um milhar de almas no total da sua freguesia segundo a última contagem oficial, o que reduz o número dos habitantes na localidade a umas escassas centenas.

Desertificada, como praticamente todo o interior, esquecida por uma classe que dá primazia às grandes urbes e ao litoral, onde estão maioritariamente centralizados os votos, vê muito longe as décadas de 30 e 50 do século passado, nas quais a família tutelar Nunes Sequeira garantiu o desenvolvimento industrial com um impacto muito forte na economia local, criando emprego estável, dinamizando a agricultura e o comércio, ajudando a transformar a freguesia quase apenas de matriz rural, numa com  base industrial relevante.

Pois entre esses poucos viventes que há por aqui hoje em dia, muitos houve (entre os quais, obviamente me incluo) para além dos muitos que vieram de outras paragens, que foram imensamente felizes com o Festival Benefício de Marvão, cuja comercialização do produto nasceu da iniciativa baseada na amizade de universitários de Coimbra, Ricardo Nunes, e de um colega de República autóctone, Jaime Miranda. Esta história de Amor que esteve na génese do produto original, culminou num Festival que aconteceu neste fim de semana.


 Paulo Fernandes (esq.) e Ricardo Nunesdo Benefício Gin


Pois foi o Benefício Gin que estabeleceu parcerias estratégicas em rede, e se destacou como principal impulsionador deste Festival com o seu nome, com patrocinadores oficiais que incluem os Institucionais (Município de Marvão e a Freguesia de Santo António das Areias); os culturais e musicais (a Ovo Estrelado Records, editora responsável pela curadoria artística); os comunitários e associativos (Grupo Desportivo Arenense), e as marcas locais (Cerveja Barona), que deram as mãos, integram o evento e colaboram na sua dinamização turística e comercial. Neste caso, o apoio da Antena 3, a filha mais jovem da rádio pública portuguesa, revelou-se absolutamente estratégica e fundamental, quer através da divulgação promocional diária que muito nos orgulhou, quer pelos diretos e entrevistas, que voltaram a colocar Marvão no centro das atenções. 

A terra engalanou-se para receber o evento com o largo do adro da igreja a acolher sete bungalows de madeira com alimentação, bebidas, e promoção, que juntamente com os diversos pontos de venda de discos, adereços, peças de vestuário, produtos locais e outros situados na sala nº 1 do Grupo  Desportivo Arenense, criaram uma ambiência diferente, única, mesmo.




Na primeira noite, dia 10, apesar de não estar agendada uma atuação ao vivo de um artista, à exceção do DJ set indoor de A boy named Sue, e Bunny O’Williams, aglomerou-se perto de uma centena de visitantes, a grande parte dela vinda de outras paragens, e serviu de aquecimento para o seguinte dia 11. 

Quando a hora atingiu a meia-noite e as licenças de ruído terminaram, todos acorreram à sala do GDA para ouvir os DJs. A Boy named Sue, que como o nome bem indica, remete para o imaginário do lendário Johnny Cash, e iniciou a exploração do universo Rock’n’Roll com lotes que funcionam como uma autêntica "máquina do tempo" da música popular, muito baseada no rock 'n' roll clássico e o garage punk, mas com escolhas que viajaram muy livremente pelo rhythm & blues, soul, psych, surf rock, exotica, world grooves e ritmos tropicais. Este braço direito de Paulo Furtado, com quem colabora de perto nos projetos The Legendary Tigerman e Wraygunn, que se recusa trabalhar com playlists fixas, e adata sempre a música à energia da pista de dança, não ganhou o 1º prémio de visual da noite porque o concurso não se realizou. É que… realmente, tanto estilo numa pessoa só, devia ser motivo de imposto! Nas colunas domadas por ele passaram ritmos que mais pareciam magrebinos, clássicos como os Kraftwerk e muita classe, a escorrer pelas colunas abaixo.




Quem estava à espera de um set primeiro e a Bunny depois, enganou-se e percebeu isso de imediato quando os viu aos dois a dominar os pratos em parceria, ao mesmo tempo.

Bunny O'Williams, figura marcante da cena underground lisboeta, conhecida pela sua energia crua focada no rock & rol, senhora dum estilo eclético, que vai muito além do rock tradicional e explora sonoridades como o dream rock, o krautwave ou o raw punk foi sempre alternando a sua atuação e a pista de dança, incitando os presentes a mexerem-se, e a contribuirem para aquecer o ambiente. Nesse então, animados pelo excelente som debitado pelas colunas da sala, e pelo altíssimo nível dos animadores, mais de uma centena de presentes, com muita cara vinda de fora, moveram-se ao som do groove, quando se ouvia uma versão alternativa de Personal Jesus,dos Depeche Mode.



Já no sábado, nem sei bem se por ser fim de semana e a malta estar mais liberta, parece que toda a povoação foi invadida por uma espécie indie rara, de gente bem disposta com trajares e poses nada usuais por aqui: uns que chegaram obviamente de outras paragens, e outros que conheço vagamente porque apesar de serem estrangeiros aqui residentes, são utilizadores habituais do serviço de finanças onde exerço o meu mister para viver, e foram coabitando com os locais que acorriam à chamada das atuações ao vivo, atraídos pela curiosidade potenciada pela gratuitidade do evento.




A flauta de Violeta Azevedo e as composições sonoras por si criadas, sempre com uma margem muito grande de improvisação, tiveram início já quando os raios de sol a descer caiam dourados nas escadas de granito que conduzem à igreja da terra, e foram admiradas por algumas dezenas, muitos locais, que se deixaram levar pelo ambiente onírico, mais contemplativo que foi muito agradável apesar da temperatura ter baixado em relação aos últimos dias e de um vento teimoso que não deixou de soprar.



Quando muitos dos presentes já circulavam pelos bungalows de madeira do município de Marvão, situados junto ao topo do Largo Ricardo Vaz Monteiro, em busca de algo que os saciasse à hora de algo mastigar, “Acid Acid”, o projeto a solo do músico e radialista português Tiago Castro, criado em 2014, agitou num concerto instrumental one man band onde sobrepôs guitarras, sintetizadores e pedais de efeitos para criar uma sonoridade cósmica, psicadélica e de inspiração krautrock, esse género de rock experimental desenvolvido na Alemanha Ocidental no final dos anos 60 e início dos 70, que se afasta das estruturas anglo-americanas, e se destaca por ritmos hipnóticos, improvisação e pelo uso pioneiro de sintetizadores.




Não vos garanto que a criação de longas texturas instrumentais sem interrupção caísse muito no goto dos presentes da terra, mas a verdade é que esta experiência de meditação coletiva, esta verdadeira viagem espacial, fortemente influenciada pela psicadelia dos sixties, foi muito apreciada pelos jovens chegados de além.



A terceira atuação ao vivo da noite, ao ar livre, que já muito refrescava, foi a de Teresa Castro, que dessa forma ninguém a reconhecerá, mas se dissermos que foi Calcutá, uma compositora e multi-instrumentista lisboeta sediada no Porto, já causará outro impacto. A artista, com formação em guitarra clássica, mistura folk, drone e música ambiente, nessa noite fez-se acompanhar por uma violoncelista e um harmónio (esse instrumento musical de teclas com funcionamento semelhante ao de um órgão, mas sem tubos), e impactou. O som era verdadeiramente belo e inebriante, estranho, etéreo, e encantou a centena de presentes.








De seguida, tudo rumou para a sala nº 1 do Grupo Desportivo Arenense, o clube desportivo local que serviu de palco para os eventos  indoor, e para todo o apoio backstage, onde o já aqui falado Tiago Castro, se juntou ao seu colega do éter Ricardo Mariano, e atuou sob a forma de dupla de DJs portugueses Les Lads (SBSR.fm), que se destacam pelos seus sets dinâmicos que misturam indie, eletrónica, psicadelismo, world music e rock dançável. 

Nesta sala muito, mas mesmo muito mais composta foram imensos os que acorreram ao espaço, que passou a agregar todo o pessoal que estava presente não só nos concertos, mas também nas áreas destinadas a alimentação e refrigeração, compondo um aglomerado de mais de uma centena de pessoas, muito satisfatório para este primeiro ano de edição.






Na opinião de Ricardo Nunes e Paulo Fernandes, co-fundadores do Benefício Gin, este foi um evento que correspondeu plenamente à sua visão de marca: "Correu muito bem, e irá repetir-se para o ano. Teve os seus desafios, mas foi altamente recompensador, pois demonstrou que há público e que este é o tipo de statement estético, cultural e de marca que nós queremos continuar a trilhar." Para estes dois fundadores, que escolheram Marvão como território de eleição para criar, este festival não é um simples evento de marca: é a expressão mais completa de uma filosofia que une a inovação à valorização do território. "Queremos agradecer a Santo António das Areias por ter recebido tão bem as pessoas e por esta ter sido uma festa tão bonita", acrescentam, resumindo o espírito do evento no claim que escolheram: "Dois dias de festival, uma aldeia inteira."

Uma marca nascida da amizade aposta, desde a origem, numa lógica de ecossistema local, com parcerias com produtores regionais e impacto direto na economia da região, e comprova, com este festival, que a sustentabilidade que pratica não é apenas ambiental: é também humana, cultural, económica e social.

 

Reportagem que teve a honra da publicação na Ritmos e Batidas do grande jornalista na revista Blitz, radialista na Antena 3 e director do projecto Rimas & Batidas, Rui Miguel Abreu

A Ritmos e Batidas é publicação digital especializada na cultura hip hop e nas músicas urbanas, jazz e zonas estéticas circundantes, nas músicas experimentais e criativas, numa perspetiva aberta, crítica e atenta à atualidade artística, social e cultural contemporânea. A publicação foi num formato muito mais reduzido a nivel multimédia, adequado à dimensão nacional do projeto que a recebeu, mas cujo texto acolheu na íntegra, o que muito agradeço.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Ajudar... (Hoje ele, amanhã...)


 O Paulo Mota é um Amigo de sempre... de toda a vida.


Primo pelo casamento, crescemos juntos, vivemos sempre aqui na mesma terra, e tivemos tantas aventuras e desventuras, tantos episódios e rocambolices na nossa adolescência (porque os anos são praticamente os mesmos...) que davam para estar umas boas horas à mesa, à conversa, a recordar... 


A certa altura seguimos rumos diferentes, quando eu saí para Lisboa para estudar... e quando voltei, já ele não estava tanto aqui, ou estava mais em Portalegre e... os anos já eram outros... pelo que...fomos-nos vendo menos. 


Com pais (Nuno Mota e Catarina Silveira) muito próximos dos meus (os homens reuniam-se com frequência em altas fadistagens, guitarradas, e saraus de cantigas de intervenção), sempre nos sentimos muito próximos. 


Apesar da distância, era sempre com grande alegria que nos revíamos e voltávamos a estar juntos. 


Soube há tempos que tinha também ele sido apanhado pela mais temida das doenças, que causa sempre muito sofrimento, sobretudo para quem dela padece, mas também por todos quantos estão, impotentes e incrédulos, à sua volta. 


Só um transplante de medula óssea lhe pode voltar a dar toda a alegria e esperança de vida de volta, libertando-o das prisões das viagens e dos tratamentos para se conseguir continuar a manter vivo. 


E um transplante de medula óssea não é nada de ficção científica, e que obrigue a uma operação ou estratégia muito completa, mas é uma doação muito similar à de uma dádiva de sangue. 


Eu, que fui doador de sangue com muito orgulho durante muitos e muitos anos, e que lamentavelmente deixei de o poder fazer quando recebi doações no seguimento do meu acidente de viação de 2011, no mês e meio em que estive em coma induzido; também quando me surgiu a possibilidade de ser doador de medula óssea, decidi de imediato e sem pestanejar, ser doador também, e é por esse motivo que faço parte de uma rede internacional em que se houver alguém que necessite do meu contributo para viver, eu irei de pronto realizar essa doação. 


O pedido que vos faço é que sejam capazes de muito mais que partilhar, é que saiam dos sofás e se cheguem à frente, porque o que distingue os Heróis dos... coisinhos... 😏 é que os Homens a sério têm a capacidade de se meter no corpo de quem precisa e pensam: 🥺😬 e se fosse eu?!? 😱🫣 ou o meu filho... ou o meu pai, mãe... ou a minha namorada...


Em Portalegre, podem inscrever-se para ser dadores de medula óssea no Serviço de Imunohemoterapia da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), localizado no Hospital de Portalegre - 245 301 000


Para verificar se são elegíveis e formalizar a inscrição, sigam estes passos e informações:


1. Requisitos para ser Dador


Para integrar o Registo Português de Dadores de Medula Óssea (CEDACE), precisam de cumprir os seguintes critérios:


Ter entre 18 e 35 anos de idade (a inscrição é feita apenas uma vez na vida).


Pesar mais de 50 kg.Ter altura igual ou superior a 1,50 m.Estar de boa saúde.Nunca ter recebido uma transfusão de sangue.


2. Como se Inscrever

A inscrição passou a ser feita de forma totalmente digital. O processo é o seguinte:Preencha o questionário online no site do Instituto Português do Sangue e da Transplantação.


Após o preenchimento, dirija-se ao Hospital de Portalegre (Serviço de Imunohemoterapia) para a colheita de uma pequena amostra de sangue, que permitirá avaliar a sua compatibilidade.


Alternativamente, pode acompanhar as colheitas móveis de sangue e medula óssea dinamizadas pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre nos vários concelhos da região.

Morada: Hospital Dr. José Maria Grande (integrado na ULS do Alto Alentejo), Av. Santo António, 7301-853 Portalegre.


Telemóvel: 936 665 277.

E-mail:dadores.sangue@ulsna.min-saude.pt


Se tiver alguma dúvida sobre o atendimento ou horários, não se esqueça que pode contactar o hospital diretamente pelo telefone 245 301 000.


Façam um esforço para se colocarem no lugar do nosso Paulo, vejam a vossa vida a andar para trás, e a sua continuidade obrigada a deslocações exaustivas, extensas, e consecutivas de horas e horas à capital. 


Sabia tão bem uma ajuda, não era?!? 


Isso? 👍💪😘


Muito obrigado pela atenção!!! ✌️

Estamos Juntos!!! 


A chave do sucesso pode estar em TI!!! ♥️

sábado, 31 de janeiro de 2026

Tó, o poeta, já foi na frente...

 

Curiosamente, uma das poucas imagens que tenho suas...

O meu Tó... O meu grande Amigo há décadas, o meu amado poeta quando ainda escrevia, quem agora subia a Marvão só para me ver, conversar, ter uns trocos para o café no Sr. Vítor (Malaquias de que ele tanto gostava de beber), umas bolachas no Supermercado Tapas, um extra... acabou. 


O Tó morreu-me, já não há mais, e deixa um vazio do seu tamanho em mim. Como é que nunca mais o vou ver?!? Como é que nunca mais vou ralhar com ele quando vinha a pé da Beirã à minha casa, à chuva, "e depois as pessoas gozam contigo e dizem que és maluco, e tu não és, e eu não gosto disso, porra pá!!!", para depois o ir levar a casa.


O Tó não é mais, e com ele vai parte de mim.


Há aqui um contrasenso, um amargo de boca, qualquer coisa muito estranha e rara que me atormenta e deixa atónito porque... não estava doente, aparentemente, tinha apenas 61, mais 9 que eu, muito longe dos 80as e 90as de esperança média de vida com o avanço da nossa medicina e sociedade, e parece que se está sempre à espera de um aviso, não é?!? 


"Bem podia eu ligar toda a manhã... que ele nunca haveria de me responder", contou-me a mãe, muito chocada e abatida, quando lhes liguei para a Santa Casa, onde vivem os pais, num quartinho, quando lhe quis dar as condolências, e me manifestar completamente disponível para tudo o que entendam. 


Choca sobretudo porque não estava gravemente doente para morrer. Vivia naquela sua forma tão peculiar de ver o mundo, completamente sem maldade e com alguma distância dos limites da sanidade, mas com um espírito, como hei-de dizer sem maldade: inócuo e sem ruins intenções. Era um bebê grande de metro e 80, com barbas que vinha aparar com frequência à minha vizinha Rosa, e  causava impacto visual mas não ia mais que isso.. 


A morte abraçou-o em casa, na sua caminha, onde me mostrou, por exemplo, o FMI do José Mário Branco, há muitos anos atrás, e eu nunca mais esqueci daquela forma poderosa de cantar e como a música pode ser trágica, visceral, e mudar a vida de uma pessoa. 

O manto negro foi sorrateiro, silencioso, mas clemente e piedoso. Cobriu-o e levou-o, sem o deixar a arrastar ou a sofrer.


Sabendo nós que 9 anos é uma eternidade que coloca dois jovens da mesma aldeia quase que em galáxias diferentes (quando cumpriu 18, e atingiu a maioridade, eu estava, aos, 9, numa de Heidi, Marco, Tom Sawyer e Abelha Maia, todos no Verão Azul), ou seja, passávamos na mesma rua e ele era capaz de olhar de soslaio perante o meu ar de fascínio.


Sim porque o Tó, dono de uma inteligência rara, foi muitas vezes apontado pelos pais beiranenses como um exemplo a seguir: "Mete os olhos no Tó..., como o Tó é que tu devias ser..." ecoava pelos quintais da minha aldeia.


As primeiras memórias vivas de convívio que tenho do Tó, foi num encontro de jovens promovido pelo Sr. Padre Fernando Farinha, uma figura apaixonante e muito influente por estas bandas, que aqui fez chegar um grupo chegado de fora, para creio eu, fortalecer laços cristãos/grupos de trabalho sobre Cristo e a Igreja, que eu era muito novo para perceber aquilo. Só ia aos almoços que eram balíssimos! Naquela altura, o Tó já estava em todo o seu esplendor! Cabelo encaracolado pelos ombros, camisa branca com colete de fazenda aberto, medalhinha de Taizé, jeans e sapatinhos pretos clássicos engraxados.


Como excelente aluno que sempre foi, entrou para Filosofia, creio que na Clássica, e era comum ver os pais mandarem-lhe encomendas pelos comboios que passavam na aldeia. Meses depois, em que fui com a minha família por aquelas paragens, encontrá-mo-lo, e recordo-me de ver a minha mãe chorar,  tal foi o choque ao constatar o estado de alienação daquele menino bonito, que agora vimos em Santa Apolónia, de calções desportivos, t-shirt e chanatos.


Segundo o que soube então, vim a saber depois e lhe perguntei a ele, o problema nunca foram as drogas mas sim o álcool. Muito, mas muito álcool e ele, figura carismática como sempre foi, diabolizou-se, e fez-se dono e senhor do Bairro Alto, com lugar cativo ao balcão do Arroz Doce, da tia Alice, famoso pelos "Pontapés na Con@", bebida composta por cerveja, café e um ingrediente X... do qual nunca se veio a saber muito bem qual era, mas pelo estaladão que se lhe seguia, era tudo menos fraco, e certamente, gasolina de avião.


Nesta fase de voragem alcoólica, que o envolveu com amigos de perdição, mas o distanciou da vida académica, da família, da vida afinal, acabou por o fazer regressar à terra, à casa de partida. Aqui protagonizou episódios caricatos com laivos de insanidade que envolveram desfiles menos próprios na Av.Pio XII em Portalegre, e relatos de violência que o levaram ao internamento compulsivo no nosso hospital, e até estadias no Hospital Júlio de Matos (Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa).

Dessa estadia não falava muito, nem gostava abordar, mas saiu de lá com vida.


Foi já na casa da Beirã, com o Amor imensurável dos pais como combustível emocional, que se conseguiu regenerar por completo (nunca mais o vi tocar numa gota de álcool que fosse!), voltar a ler, a escrever, a estudar!!!!, tendo até conseguido terminar o curso de Português - Inglês no Politécnico de Portalegre e chegado a dar aulas!, estando agora reformado dessa atividade.


Por ter estado sozinho quando a encarou de frente, mandam as leis, e a prudência, que tenha de ser autopsiado e aqui entramos no drama dos homens e das suas limitações, dos dias em que podem ser realizadas, e apenas na 3a feira, dia 3, quando terei de estar obrigatoriamente em Lisboa, e me será impossível estar presente cá, como tanto queria, sobretudo para amparar os pais...; o seu corpo será devolvido à terra, após autópsia, e câmara ardente na Capela Mortuária da Beirã, a partir das 9:30h, seguida das cerimónias religiosas que terão início às 11h, após exéquias fúnebres, seguindo o funeral para o cemitério local da sua Beirã.


Que a terra te seja leve, camarada... 

Descansa em paz...

domingo, 9 de novembro de 2025

Jornada de glória europeia, onde só faltou... o que nos levou lá

VALEU ISTO!!!! <3


Quando o meu querido Amigo e antigo patrão Pedro Matos da Amatoscar (que conheci por intermédio do meu João Carlos Anselmo), onde trabalhava quando saí para a casa dos Impostos, há mais de 25 anos atrás; me contatou há dias a fazer o convite para assistir ao Benfica - 0 x B. Leverkusen - 1, nem queria acreditar, mas antes de conseguir emitir um som, disse logo que SIIIM!!!!

 

Aaah, foi uma jornada inolvidável porque viajei com companheiros fantásticos: Luís Miguel Barreto (obrigado pela excelente condução profissional(; e Dr. Marcelo Evangelista, (pela maravilhosa carona!), tive acesso a lugares onde nunca pensei entrar (o buffet do lounge do estádio, o estacionamento por baixo do relvado, o assento num local ⭐⭐⭐⭐⭐, na fiada com a baliza sul, perto das claques...)

  

O assunto principal é que foi mais do mesmo, de tal forma que já estou tão habituado a vir cá e levar no tótiço, que quando assim não for, mais vale levarem-me logo para Hospital S. Francisco Xavier, onde trabalha o Luís Sancho da minha Leonor, porque me deve dar uma coisinha ruim.

 

Curto e grosso, fomos melhores, fomos mais fortes, metemos bolas nos ferros e tudo, tivemos 3 ou 4 hipóteses claríssimas de golo que... não soubemos concretizar.

 

Ora, como quem não marca, regra geral, sofre, e os golos é que contam, no final, lá seguimos nós com 0 vitórias, 0 pontos, num honroso 35° lugar de 36, e apontados para ir direitinhos para o olho da rua, com uma cabeça que não cabe nas portas!!! Fdssssssssss....

 

E que golo sofremos... com um alívio que tinha de ser para fora, mas antes foi mesmo mesmo para a zona de tiro ao boneco...

 

Vou deixar uma mensagem bem clara para todos os benfiquistas: esqueçam! Este ano vai ser do Sporting (o mais certo), ou do Porto.

 

Esta mrda de turma construída com nomes avulsos que nunca formaram, nem formarão alguma vez uma verdadeira equipa, treinados por uma porra de um treinador que já foi o maior, mas agora está a ver a equipa a afogar-se para conseguir respirar, e é incapaz de lhe mexer para a dinamizar e espevitar... não tem hipótese!

 

E bem pode vir para a televisão dizer que ninguém o convence que a equipa está afastada da fase seguinte, ou que a matemática está do seu lado... que eu vou ali e já venho...

Está bem abelha...

 

Por isso, e desta é que é, não meto cá tão depressa os pés! (e perdoa-me Joãozinho... mas nem o Real Madrid me traz cá...)

 

Eu sei que estava sozinho, mas ainda cantei: joguem à bola, lariló joguem à bola, joguem à booooooola, ó-i-ó joguem à booooooooooooola!!!!

 

Em casa, a gente desliga a TV, vai-se deitar e tudo passa. Aqui, assim, são mais 2 horas e meia de caminho (de 4,5h / 5h do total, e aquela moínha...)

 

Conclusão: Não foi, mas podia ter sido, e eu hei-de estar sempre imensamente grato ao tão ilustre benfeito, que se lembrou de mim depois de taaaantos anos, de entre tantos colaboradores, trabalhadores e Amigos a quem poderia agraciar; junto a quem não estava desde esse então, e dou sempre o tempo por mais que vê empregue, por aprender tanto junto dele..

 

Muito obrigado, meu querido Pedro.

 

Aquele abração!!!!





 

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Em Elvas... façam "Acontece"r

 




Ora quem passa em Elvas, cidade que subiu à divisão do Património da Humanidade com o apoio do grande trabalho do nosso Professor Domingos Bucho, e quer também experimentar uma refeição num restaurante digno dessa gama, terá de ir conhecer o "Acontece", dos meus queridos Ruy Pedro d'Andrade e Ana Rita Andrade, (minha querida colega quando ambos fomos professores no C.I.P. da GNR de Portalegre, durante cerca de 3 anos seguidos, há cerca de 30 atrás...), espaço que é... uma coisa do outro 🌍





Sítio encantador com cozinha de autor (e muita mão do Ruy), decoração de nos deixar 😯, empregados simpatiquíssimos que explicam cada prato, y la comida, como dicen nuestros hermanos... de chuparse los dedos!!! 


O atum brasonado que ganhou um dos prémios das 7 Maravilhas, Gastronómicas de Portugal 🫣, o polvo 😳... as carnes grelhadas 🤤... tudo ⭐⭐⭐⭐⭐😘







O convite já tinha surgido há tanto, tanto tempo... que eu já me envergonhava, e agora, com todos de férias, teve mesmo de ser! 👍❤️👌🙏


Assim que nos souberam lá... (só lhes disse quando nos sentamos, para não importunar os seus horários e agendas... e até poderiam estar a viajar, em Marraquexe, por exemplo, como tanto gostam!!!), mas eles, os meus Amores, acorreram logo os dois para uma confraternização tão boa, tão agradável,  tão sã... que se todos pudéssemos, acho que ainda lá estávamos todos sentados! 🫢 


E... sim! As pessoas quando são mesmo boas, puras, nunca enganam, nem envelhecem! Amamo-vos quiduchos!!!!




Malta Amiga por aí: já sabem, se forem aqui, darão o tempo, a operação, e o estômago como muito bem empregues!!! 👌