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quinta-feira, 26 de março de 2026

Sobre voar...


Claro que é com grande Alegria e enorme satisfação que leio no consagrado Expresso, o meu querido colega estudantil, Amigo e Marvanense Fernando Gomes espetar uma sarabanda de alto a baixo no nosso governo por não se entender com a CGTP Intersindical, que tão bem defende. 

Claro que preferiria se pudesse haver um entendimento, e uma base comum favorável a todas as partes, que protegesse os trabalhadores e favorecesse a evolução da nossa economia, mas não sento possível, não consigo esconder a vaidade de o ver brilhar nestes palcos mediáticos! 

Bravo, Caríssimo! 👍🙏❤️

https://expresso.pt/opiniao/2026-03-26

18:00
A concertação social é um dos pilares fundamentais do regime democrático consagrado na Constituição da República Portuguesa.

Não é um mero mecanismo consultivo ou decorativo: é um espaço institucional de diálogo, negociação e compromisso entre o Governo e os parceiros sociais, onde se devem construir, na área laboral, políticas públicas para o desenvolvimento económico e social do país.

O que hoje se observa, com o afastamento da CGTP-IN das negociações sobre o pacote laboral, é um sinal preocupante de degradação desse modelo. Mais do que um conflito conjuntural, trata-se de um problema estrutural que levanta sérias dúvidas sobre o respeito do Governo pelo quadro constitucional e legal da concertação social.

A concertação social não é facultativa, é constitucional

O artigo 56.º da Constituição consagra um conjunto de direitos fundamentais das associações sindicais, afirmando o seu papel central na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores. Entre esses direitos, destaca-se a participação na elaboração da legislação laboral, a intervenção nos planos económico-sociais e a representação nos organismos de concertação social.

Este preceito constitucional garante ainda o direito à contratação colectiva, constituindo uma base essencial para o exercício do diálogo social e para a regulação das relações de trabalho num quadro democrático.

O artigo 92.º da Constituição estabelece a existência do Conselho Económico e Social (CES) como órgão de consulta e concertação no domínio das políticas económicas e sociais.

Neste âmbito, a Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), que funciona junto do CES, afirma-se como o espaço institucional próprio para a negociação entre o Governo e os parceiros sociais, nomeadamente as confederações sindicais (CGTP-IN e UGT) e patronais (CAP, CCP, CIP e CTP).

A Lei n.º 108/91, que regula o funcionamento do CES, concretiza o disposto no artigo 92.º da Constituição, atribuindo à CPCS competências específicas no domínio do diálogo social. Entre estas, incluem-se a discussão e negociação de matérias como as políticas laborais, os salários, as condições de trabalho e a legislação laboral, dando expressão prática ao quadro constitucional de participação das organizações sindicais na definição das políticas públicas.

Ou seja, a concertação social não é uma opção política do Governo do momento, é uma obrigação constitucional e legal. Ignorá-la, esvaziá-la ou instrumentalizá-la é, na prática, fragilizar a própria democracia.

Um Governo que simula diálogo, mas impõe decisões

O que está em causa não é apenas o afastamento da CGTP-IN, mas a forma como o Governo conduz o processo: apresenta propostas fechadas, limita o espaço negocial e, na prática, transforma a concertação social num ritual formal sem conteúdo.

Este comportamento contraria frontalmente o espírito e a letra da Constituição e da Lei. A concertação social exige negociação de boa-fé, abertura ao compromisso e respeito pelos parceiros sociais, independentemente das suas posições de partida.

Ao marginalizar a CGTP-IN, a maior e mais representativa Confederação sindical do país, que congrega centenas de milhares de trabalhadores, o Governo não está apenas a excluir um interlocutor, está a deslegitimar o próprio processo de concertação.

Enfraquecer os sindicatos é enfraquecer a democracia

O ataque à concertação social não pode ser dissociado do conteúdo do pacote laboral. As propostas em discussão apontam, em muitos casos, para uma regressão de direitos, desvalorização da contratação colectiva e maior desequilíbrio nas relações laborais.

Como tem sido afirmado pela Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN, o trabalho digno assenta em pilares inseparáveis: direitos no trabalho, emprego de qualidade, protecção social e diálogo social.

Quando se enfraquece o diálogo social, está-se a minar um desses pilares fundamentais. E quando se enfraquecem os sindicatos, abre-se caminho a uma maior precariedade, desigualdade e insegurança.

A morte lenta da concertação social

O que está em curso não é um episódio isolado, é um processo de erosão. Primeiro, esvazia-se o conteúdo das negociações, depois, desvaloriza-se o papel dos parceiros sociais e, por fim, transforma-se a concertação social numa formalidade irrelevante.

Este caminho conduz a uma conclusão clara: o Governo está a matar a concertação social.

E fá-lo não apenas por omissão, mas por opção política, ao privilegiar decisões unilaterais, ao reduzir o espaço de negociação e ao ignorar o pluralismo que caracteriza o movimento sindical português.

Defender a concertação social é defender a democracia

Perante este cenário, torna-se urgente reafirmar princípios fundamentais:

· a concertação social deve ser respeitada como espaço real de negociação;

· todos os parceiros sociais devem ser envolvidos de forma efectiva;

· o Governo deve agir de boa-fé e com abertura ao compromisso;

· o diálogo social não pode ser substituído por imposições políticas.

A história do movimento sindical português demonstra que os maiores avanços sociais foram alcançados através da negociação colectiva e do diálogo social, nunca pela imposição.

Defender a concertação social é, por isso, defender a democracia, o Estado Social e os direitos dos trabalhadores.

Se o Governo persistir neste caminho, não estará apenas a romper com a CGTP-IN, com os seus sindicatos, estará a romper com um dos pilares essenciais do regime democrático construído após o 25 de Abril.
 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Chegar de Chega! De vez...

Texto dedicado aos meus queridos António Parra e Isabel Barradas Ludovino, meus paladinos na luta do Bem.


O nosso povo português, inquestionavelmente um dos mais bravos que já pisou este planeta, que já ousou até dividir ao mundo com os espanhóis em Tordesilhas, numa era em que rasgava mares sem fim para descobrir continentes... é por vezes também um dos mais mansos, dos que se deixa levar, que adormece e não reage, que ainda hoje não consegue explicar como se deixou hipnotizar e amordaçar numa ditadura de 48 anos (28/05/1926 - 25/04/1974, que nos cortou as pernas no século XX)

 

A crítica que fiz no facebook ao comportamento vil e ultrajante dos deputados do Chega à vice-presidente da Assembleia da República, Teresa Morais, há dias, gerou, como de resto era por mim até já esperado, a manifestação de diversos amigos que não compreenderam como o Diogo Saldanha, o Carlitos Amador, ou o Marco Barreto que se mostraram solidários e apoiantes destas... criaturas

 

Não é que tenha a pretensão de evangelizar as massas, até porque de pastor não tenho nada, mas palavra que dá vontade de lhes responder, como irei fazer agora, apenas enumerando fatos históricos, embora seja da opinião que o lugar certo para a emitir, não deve ser num comentário de comentário, que se perca na voragem da espuma dos dias do facebook, e por isso responderei no meu blogue, que tem perdido em favor do imediatismo desta rede, mas onde gosto de continuar a "colar" os episódios da minha vida cibernauta.

 

Pela importância do tema, e pela relevância para as nossas vidas, peço que os “Cheguistas” mencionados façam o favor de ler o que escrevi de seguida, e não me venham depois com a reação, como têm tanta vez, "ehhhh paaaahhh... aquilo é tão comprido... 😱 que não tive paciência”... porque para se saber, tem de se ler!

 

Basicamente, muitos de vós, apologistas do Ventura, o charmoso, o bem falante, o galã do Tik Tok; vêem no Chega o fim de um sistema bipartidário (os governos há muito que são ou do PS, ou do PSD... e as diferenças entre o dois são praticamente nulas, quando eram muito mais óbvias quando era garoto), dizia eu que o sistema já está obsoleto, marcado pela corrupção, lhe falta capacidade de resposta imediata aos problemas do dia a dia, resposta para recuperar o poder de compra face à tenebrosa inflação, mais habitação, mais emprego e... têm de haver culpados!!!

Como toda e em qualquer ditadura ou tirania, os culpados são sempre os mais fracos! O bode expiatório são os imigrantes, os que chegaram vindos de fora, ou que garantem que não falte mão de obra nas estufas do Baixo Alentejo, nas entregas porta a porta, ou na construção civil, mas que apesar de respeitadores e explorados, maltratados em esquadras de rua por agentes mal formados, e anichados como ratos em garagens e barracões que pagam a peso de ouro, são alvo de uma campanha discriminatório que quer que passem por párias (excluídos sociais) quando na realidade são os contribuintes líquidos muito importantes para a Segurança Social em Portugal, pois pagam muito mais do que recebem em prestações.

 

As contribuições dos imigrantes ultrapassaram os 4 mil milhões de euros, gerando mais de 3 mil milhões de euros de “lucro” para a Segurança Social.

 

Representam pois uma fatia crescente dos contribuintes (em alguns anos cerca de 9–20% da população ativa), ajudando a compensar o envelhecimento e a quebra de trabalhadores portugueses.

 

Pois bem, essa é uma das grandes falácias (erro de raciocínio que faz um argumento parecer correto ou convincente, mas que na verdade é inválido ou não sustenta a conclusão) do Chega, como aquela tormenta sempre constante de chamarem o abominável (adjetivo em português que significa algo ou alguém que merece ser abominado, isto é, detestável, execrável, horrível ou que causa forte repulsa e aversão) Salazar, ditador que nos cerceou (cortou pela raiz ou pela base, limitou em sentido figurado), que pedem em duplicado, (ainda por cima!!!), enquanto desfilam de camisa branca, exibindo saudosas saudações nazis de braços esticados pela avenida da liberdade abaixo.

 

Saberão eles, e vocês, jovens meninos, meus doces petizes, que em relação a assuntos tão fundamentais, qual era o estado da situação nesse então, que agora querem de volta?

 

Sendo a liberdade o valor que mais defendo na vida, o poder decidir pela minha própria vontade e só essa, para onde quero ir, por onde quero caminhar, com quem quis casar, o que ler, ver, ouvir, ler e escrever, quem quero ter como Amigos, onde quero trabalhar, onde, com quem e quando vou comer ou estar, isso seria impossível então porque existia a CENSURA, um dos pilares fundamentais do Estado Novo para garantir a sobrevivência do regime, que não se tratava apenas de uma questão de "apagar frases", mas sim um sistema burocrático complexo e omnipresente.


 

Existia o "Exame Prévio", a principal característica da censura portuguesa, ao contrário de outros regimes onde se punia depois de publicar. Em Portugal nada podia sair a público sem autorização. Por isso, todas as provas tipográficas, jornais e outras publicações tinham de ser enviadas para a Direção-Geral de Informação, também conhecida como o "Lápis Azul", onde os censores riscavam textos, frases ou até anúncios publicitários que considerassem perigosos.

O termo ficou famoso porque os censores usavam literalmente lápis de cor azul para riscar os textos, um símbolo de autoridade silenciosa que condicionou a mentalidade portuguesa durante quase meio século.

 

Temas como a política (críticas ao Governo, notícias sobre greves, movimentos operários, oposição política ou problemas nas colónias); a moral (o divórcio, o aborto, referências sexuais explícitas ou comportamentos que desafiassem a "família tradicional") e a religião ou ordem pública (crimes violentos ou suicídios eram frequentemente cortados para dar a ideia de que Portugal era um "oásis" de paz e segurança), eram liminarmente proibidos!

 

Havia um total controlo das artes e do espetáculo, uma vez que a censura não se limitava ao papel. Os guiões de teatro e cinema tinham de ser aprovados antes da produção e o resultado final era revisto antes da estreia. As letras de intervenção (como as de Zeca Afonso) eram proibidas ou alteradas, e até o fado foi vigiado para garantir que não transmitia mensagens de revolta social.

 

A PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) apreendia obras nas livrarias e editoras que fossem considerados subversivos ou de ideologia comunista. Nessa ação era apoiada pela "Propaganda" um complemento que rentabilizava a intenção.

 

Enquanto a Censura tirava o "mau", através do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN), o regime colocava o "bom", usando a rádio e o cinema para promover os valores do "Deus, Pátria e Família". Soa tanto a Chega, não é?

 

Já imaginaram bem o sufoco que deveria ser viver dentro destas amarras, amarrado nesta gaiola?!???

 

Sabiam que quando a ditadura do vosso Salazar, que agora querem de volta, começou, 6 em cada 10 portugueses não sabiam ler nem escrever?!? Engraçado, não é?

E sabiam que quando a revolução restaurou a democracia, em 74, essa taxa ainda era de quase 3 em 10?!?

Seria por pirraça, porque não queriam, ou… porque quem mandava queria que assim fosse?!?!?

 

Contudo, os ricos, esses, garanto-vos que tinham, pagando, claro está, e bem!!!, a melhor educação possível.

Será que tu Cárlitos, caso o Chega que defendes, mandasse no país, poderias ter tirado o curso superior que te permite ser um exemplo de cidadão do mundo, e um caso de sucesso?!? O Diogo, por seu lado, sei que nunca investiu muito na área, e certamente o lamentará todos os dias da sua vida porque se não o faz... tenho pena.

 

Naquele então que vocês defendem, a escolaridade obrigatória era só até ao 3° e 4° ano, muito longe do 12º ano (ou até aos 18 anos de idade) tal qual foi estabelecida em 2009. E neste período de opressão, o regime valorizava uma educação controlada e ideologicamente orientada, nunca investindo o suficiente para eliminar rápida e completamente o analfabetismo. A falta de escolas, especialmente no meio rural era enorme e os poucos professores tinham condições muito limitadas e rudimentares.




Os programas escolares tinham uma forte componente de propaganda ligada ao regime, usando uma cartilha maternal, de João de Deus, usada para ensinar a ler, mas que fomentava e criava vistas curtas, formatadas.

O Ensino Superior era limitado para uma elite que se auto-protegia, composta por filhos de médicos, professores e advogados, não para filhos de empregados ajudantes de serviços de secretaria como eu, ou vocês, que nunca lá meteríamos o cú.

Tudo isto porque como se calcula, claro, a população pouco instruída era mais fácil de controlar politicamente. Quem não sabe, não lê, não pensa, encarneira com muito mais facilidade para onde o mandam ir.

 

E que dizer da habitação e das condições de vida? Existia um forte contraste, como é sempre nestes casos de grandes clivagens (processos de divisão, separação ou fragmentação ao longo de planos definidos) sociais, como existem, por exemplo, no Brasil. De um lado, existia a propaganda de bairros ordenados e moradias unifamiliares; quando do outro, havia uma realidade de pobreza extrema, falta de saneamento, com os bairros de lata em expansão.

 Promovia-se a "Casinha" Portuguesa, em bairros de moradias unifamiliares com pequenos jardins, onde o objetivo era que cada trabalhador "de bem" tivesse a sua horta e se focasse na vida doméstica, longe da política o que promovia o controlo social porque eram atribuídas a famílias que cumprissem critérios morais e políticos rígidos. Os moradores viviam sob vigilância e não poderiam ser despejados se mantivessem uma conduta "exemplar"; enquanto que do outro lado da moeda, se amontoavam enormes aglomerados de barracas (feitas de madeira, zinco e cartão) nas periferias das cidades, sem qualquer planeamento, ou condição sanitária.

 

No Norte, era comum a subdivisão de casas antigas em minúsculos quartos onde famílias inteiras partilhavam poucos metros quadrados, muitas vezes sem janelas.

 

Vejam-me bem que os números do final do regime, no dealbar (tornar branco, branquear ou clarear) da democracia, há 50 anos atrás, ajudam a ilustrar a precariedade:

 

Eletricidade: Cerca de 42% das casas em Portugal ainda não tinham luz elétrica. Às escuras, portanto, como os desgraçados das intempéries agora em Pombal! Só que ali e então, era sempre! Quase metade!!!!!

 

Saneamento: Apenas cerca de 36% das habitações tinham instalações sanitárias (retretes ou casas de banho completas). Traduzido: urinar ou defecar, para quase ¾ da população era no chão, para um buraco, ou numa fossa.

 

Água Canalizada: Menos de metade da população tinha acesso água corrente em casa, sendo o uso de poços e chafarizes públicos a norma em grande parte do país.

 

No campo, a vida era ainda mais dura. As casas eram frequentemente feitas de pedra ou adobe, com chão de terra batida e onde o gado, por vezes, pernoitava em divisões contíguas para aquecer a habitação. A falta de calçado e a desnutrição eram problemas comuns, resumidos na expressão popular da época: "Uma sardinha para quatro".

A habitação foi, por isso, uma das maiores prioridades dos primeiros governos democráticos após 1974, através de programas como o SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local) para erradicar as barracas.

 

E para o fim deixei talvez o assunto mais problemático mesmo de todos, e que no meu modesto entender, foi aquele que acionou o rastilho de revolta dos militares, porque foram eles, de longe, os principais sacrificados: a guerra colonial (1961-1974), que gerou a ferida mais profunda aberta pelo Estado Novo na sociedade portuguesa.




O regime de Salazar, e mais tarde de Marcello Caetano, que se lhe seguiu após a sua morte quando caiu da cadeira, literalmente, insistiu numa solução militar para um problema político, o que resultou num esforço de guerra desproporcional para um país pequeno e pobre.

 

O impacto estendeu-se por várias gerações e ainda hoje é sentido na memória coletiva e na demografia do país.

Realço o custo humano de ter uma geração mobilizada: Portugal chegou a ter cerca de 150.000 homens em armas simultaneamente nas 3 frentes de Angola, Guiné e Moçambique, os três países de África que impulsionados por interesses externos nas suas riquezas, leia-se soviéticos; rebelaram-se e lutaram pela sua independência, à qual tinham tido o direito por natureza!

 

Ali foi obrigada a alinhar uma geração de jovens que, na sua maioria, mal tinha saído da adolescência. O recrutamento era obrigatório e abrangia quase toda a população masculina válida. A idade padrão para a incorporação militar era aos 20 ou 21 anos. No entanto, devido à necessidade crescente de tropas à medida que a guerra se intensificava em três frentes (Angola, Guiné e Moçambique), o regime ajustou as regras, criando o "Piquete", através do qual muitos jovens eram chamados logo após completarem o ensino secundário ou os primeiros anos de trabalho.

Atenção que o serviço militar não era uma "passagem rápida", já que entre a recruta (treino), a especialidade e a mobilização para o Ultramar (a "comissão"), um jovem ficava preso às forças armadas, pelo menos, entre 3 a 4 anos para a grande maioria dos soldados que estava na linha da frente, que tinha entre 21 e 25 anos.

O recrutamento era universal, bem diferente de alguns exércitos modernos que são profissionais, e baseava-se no Serviço Militar Obrigatório (SMO). Todas as classes sociais eram chamadas e em teoria, todos os homens tinham de ir. No entanto, havia uma clivagem social clara, aliás como o Chega que vocês defendem, apregoa:

Os filhos das elites frequentavam a universidade e, por isso, entravam como oficiais milicianos, o que lhes garantia melhores condições e comando. Já as classes populares, o povão, os camponeses e os operários, muitas vezes com pouca instrução, formavam a base das companhias de infantaria (os "praças") que eram os que faziam as patrulhas mais perigosas no mato.

"Inaptos" só ficavam os que tinham deficiências físicas graves (os "refugados") ou aqueles cujas famílias tinham influências políticas para conseguir um adiamento ou uma colocação administrativa em Lisboa.

Entre 9.000 a 10.000 soldados portugueses morreram e mais de 100.000 ficaram feridos ou estropiados, quando do lado africano, os números são muito superiores e devastadores. Isto para já não falar nos milhares de jovens que regressaram com o que hoje chamamos de Perturbação de Stress Pós-Traumático (PSPT), uma vez que na altura, não havia apoio psicológico, e estes homens tiveram de reintegrar a sociedade em silêncio, afetando as suas famílias e os seus filhos (a chamada "transmissão intergeracional do trauma").




 

Estão a ver onde é que nós iriamos parar, não estão? E será que viríamos?!?!?!?!?

 

Caso não quiséssemos arriscar a vida, o salto seria a única opção, como foi a de milhares de portugueses que fugiram clandestinamente para França e outros países europeus. Com este drama perdemos grande parte da sua força de trabalho mais jovem e ativa, o que atrasou o desenvolvimento económico do país durante décadas.

Enquanto a Europa vivia os "Trinta Gloriosos" (anos de crescimento económico e criação do Estado Social), Portugal drenava os seus recursos para o mato, havendo no auge do conflito, cerca de 40% a 45% do orçamento do Estado destinado à defesa e segurança, aplicando erroneamente dinheiro que não foi investido em escolas, hospitais, saneamento básico ou infraestruturas industriais. Como já vimos, Portugal chegou a 1974 com taxas de analfabetismo e mortalidade infantil muito superiores à média europeia.

 

E prontos, portantos, como diz o outro, digam-me lá se prante isto tudo, ainda continuam firmes, fortes e convictos de cada vez que em vez de um Salazar, mais valia virem dois ou três?


sábado, 13 de janeiro de 2024

Nivelar mas... como nos convém!

 

Opá, eu apercebi-me disto ontem, mas meteu-de já não sei bem o quê, e não tive tempo de escrever, mas este é um assunto que merece mesmo que se diga algo sobre, pois não somos propriamente carneiros!!!!


Então vocês aperceberam-se que TODOS os deputados, de TODOS os partidos SE UNIRAM PARA APROVAREM... EM UNÍSSONO, EM TOTAL E ABSOLUTA UNANIMIDADE, o projeto que alarga o pagamento de ajudas de custo, em tempo ABSOLUTAMENTE RECORD, naquela que foi a última sessão plenária antes da dissolução formal do Parlamento, bem antes de o Presidente da República marcar formalmente as eleições?!?!?


Não?!?!?!?


Ah pois é, bébés!!! 


Ladram, ladram, mas quanto ao Monet, Money, que como canta a Liza Minneli no "Cabaret", que é o que faz o mundo andar à roda, juntam-se todas!! 🤮


Atualmente, o Estatuto dos Deputados prevê o pagamento de ajudas de custo “por cada dia de presença em reunião plenária, de comissões ou em outras reuniões convocadas pelo Presidente da Assembleia da República”, mas, com esta alteração, acrescenta-se a presença em


 “subcomissões, grupos de trabalho, reuniões realizadas pelos grupos parlamentares e deputados únicos representantes de um partido”; ou seja, é fartar vilanagem!!!!! Vale tudo!!!!!


A justificação para este alargamento é o novo regimento da Assembleia da República, que está em vigor desde agosto e que alarga o conceito de “trabalhos parlamentares”, acrescentando “as reuniões realizadas pelos grupos parlamentares e deputados únicos representantes de um partido para análise dos guiões de votações do Orçamento do Estado que sejam comunicadas aos serviços e objeto de registo de presença física dos participantes na Assembleia da República”.


A proposta foi assinada por, notem bem: alguém do PS, do PSD, do Chega, da IL, do PCP, do BE, do Livre,  e pela Inês do PAN. Ou seja, TODOS!!!!!!! 😂🤣😂🤣😂🤣🤣🤣😂🤣😂🤣😂🤣😂


Mais rocambolesco ainda, este texto só entra em vigor a 1 de janeiro de 2025... MAS.....TTTRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAMMM 🥁TAM!!!!!!!! tem retroativos a agosto de 2023!!!!!!!!, data em que o novo regimento do Parlamento entrou em vigor!!! OLARÉ!!!!!  


👍🎉🎈🎊🎉🎈🎊🎉🎈🎊🎉🎈


Agora comento eu! Nem Tavares, nem Mini Mendes, nem mais o raio c'os parta!!!


(Estou a meter cara séria e a olhar para os deputados, todos alinhados lado a lado, frente a uma parede da Assembleia, mas cá na rua, que a casa lá dentro é séria e merece respeito!!!)


Meninos!!! A sério?!?!?!?! 😱 TENHAM VERGONHA!!!!!, como disse o outro, reeleito hoje por 98,9% dos votos, e que vai fazer moça nas eleições. Vão ver!!! 🧐


Não basta já serem 230 deputados, quando 10% desse número serviria perfeitamente, desde que fosse distribuído de forma representativa (até porque muitos dos círculos eleitorais elegem fulanos e sicranos que nada têm a ver com a zona por onde são  eleitos, e até porque estes devem representar todo o país, e não apenas os cidadãos do círculo eleitoral pelo qual foram eleitos.)


Pois não basta só isto como aplicam a velha máxima do: faz o que eu digo, não faças o que eu faço; e alinham logo o esquadrão em posição de ataque quando sentem que podem deixar fugir algum que já lhes está a cheirar!!!!


São eleitos pelos portugueses, mas não fazem a mais menor ideia de como é a vida da grande maioria da população, sem médicos nos hospitais, sem professores nas escolas, as dificuldades do seu dia a dia, e desconhecem por completo os problemas atrozes que sufocam o seu quotidiano!


Um deputado ganha de vencimento base, 3.6241€... fora tudo o resto.


Pois eu tenho uma expressão para classificar isto: VERGONHA ALHEIA!!!!


Tenho dito!


Está tudo aqui... 😁

https://observador.pt/2024/01/11/parlamento-vai-aprovar-projeto-em-tempo-recorde-que-alarga-ajudas-de-custo-no-ultimo-plenario-antes-da-dissolucao/


domingo, 15 de outubro de 2017

O Polvo ("O Portugal Podre", ou "Sócrates de Molho")


Prontos! Já não brinco! Chatarrões!!!!! INVAJOSOS!!!!





O menino Pedro Sobreiro, deitado no sofá de casa, completamente estarrecido (e já agora, boquiaberto), a ver as notícias da noite de 11, e o tamanho do iceberg, que suspeitávamos ali estar. 

ZZZZZZZZZZZ... Estou a dormir... este bornal do dROCAS agora?!?!?!?

A investigação mais mediática de sempre da justiça portuguesa, liderada pelo Mistério Público, e pela minha Autoridade Tributária, ao longo de 4 anos, e mais de 4.000 páginas, deu em acusações graves e concretas, ao homem que foi o nosso primeiro—ministro durante tanto ano, e ao banqueiro mas prestigiado de todos.

31 crimes, e 24 milhões na Suíça...

FFFOOOOOOONNNNNNNNNNNN 
Ai mas caganda cena!!!!!

Muito, ou quase tudo para ler... aqui.
(COM MUITA COISA PARA LER, MUITO EXCELSO TRABALHO JORNALÍSTICO, À DISPOSIÇÃO...)


Já rasguei os posters do Stallone em "Rambo — First Blood", e dos Scorpions, do meu quarto. Tenho de convencer a minha Fernanda.


HERE I AM!!! ROCK YOU LIKE AN HURRICANEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!

Onde estavam eles, hoje é só Rosário Teixeira. Amo! É desta que vou deixar crescer o tal bigode... ;)


Adenda: apesar de tudo, lembrando os autocarros cheios de gentalha do povão, que se deslocavam à prisão, para pedir a sua libertação... só posso lamentar.

AI BOM, BOM, BOM...
QUE ME ABALAS!!!!!!!

Tás a ver... nosso tio Sabi? Eu não te dizia? (que ia ser assim?)

Se o Soares não tivesse já falecido... nem sequer imagino...


Dava jeito, não dava?!?!? "Ó Sr. Juíz! DESAPAREÇA!!!!! E DEIXE O MEU AMIGO, QUE ME FARTEI DE IR VER À PRISA, QUE É TÃO DOUTO, TÃO EXCELSO, E SE FARTOU DE COGITAR!!!!! DESLARGUE-OOOOOOO"


Agora, vamos a ver quanto tempo lá estäo...

Ai, ai, Sabi!!!!
Levas tau-tau!!!!
Não te calas, cabrão?!?!?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O principal que a política tem para nos dar


Para a grande maioria das pessoas, a política é uma coisa má, uma coisa ruim, de mal, de se fugir dela. Seja mais ou menos instruído, a opinião é… geral. Os políticos pagam assim por serem todos… farinha do mesmo saco. Corruptos, sem escrúpulos, disfarçudos, mentirosos, interesseiros… esbanjadores. A maior parte das pessoas desliga, e abstrai-se deste mundo. E é por aqui se explicam também, os assustadores níveis de abstenção.

Mas para mim, que vejo a política como uma atitude necessária, que todos temos de realizar ao longo da nossa vida, no dia a dia (a escolha de um, entre vários caminhos; a escolha do melhor, para nós), tenho a política, pelo menos a nível local, que é a que conheço melhor, como um fenómeno necessário. Estar perto da fonte, do voto; dar cara a cara com aqueles a quem podemos melhorar a vida, é profundamente inspirador, e recompensador também. Para quem veste o cargo de alma e coração, como eu o fiz, quando ganhei a vice-presidência do meu concelho, entre 2005 e 2009, deve ser assim. Apesar das tantas limitações e desconfianças, que me afunilaram o caminho para o bem, para o que eu queria fazer na realidade, foram tempos, por momentos, muitos felizes, da minha vida.

Mas a política, para além desta sua essência elementar, é também, para mim, profundamente reveladora, da real natureza das pessoas, que nela se envolvem. Essa é talvez, numa perspetiva muito pessoal, a maior revelação e benesse da política. Claro que isto numa visão muito minha, muito íntima, muito centrado nos meus olhos. Voltemos ao meu ponto local, ao universo onde me movo, Marvão, que tinha a veleidade de pensar conhecer bem.

A quantidade de pessoas que eu considerava amigas, ou pelo menos próximas, com quem me dei bem durante toda a minha vida, há décadas, e agora, pura e simplesmente, de sua livre e espontânea iniciativa, deixaram de me considerar enquanto Pedro Sobreiro...
Como não é uma, nem duas, é claro que já meditei sobre isso. É claro que já me interroguei, já retrospetivei, já tentei encontrar um porquê e… não o encontrei. Porque não existe! Tenho a minha consciência tranquila. Nunca quis na minha vida, prejudicar deliberadamente ninguém. Haja a primeira pessoa que mo diga, cara a cara, olhos nos olhos, como adultos, e eu, aí, caso tenha falhado, não terei qualquer dificuldade em pedir perdão. Em pedir perdão, e em prometer que tudo farei para que não se repita.

Agora… o que tem acontecido, e irá sempre acontecer até ao meu último suspiro, é que o Pedro dirá sempre em público e seja onde for, aquilo em que acredita. Um homem que preza a liberdade como o maior dos direitos, a maior das grandezas da vida humana, jamais poderá ser emudecido, seja por que poder for. O que eu apenas faço, em público, e aqui nesta minha taberna virtual, é dizer o que penso. Comigo não há jogos de bastidores, não há nabos em sacos, não há manobras por trás. Para mim é tudo às claras, pela frente, de peito aberto e coração nas mãos. Os meus amigos e amigas sabem que os quero e amo, como os irmãos que escolhi nesta caminhada da vida. Os meus amigos têm tudo. Sei que sabem que por eles, tudo farei. Como eu sei que eles o farão por mim.

Analisemos o conceito que eu tenho de amizade. Amigo que é amigo, mesmo, de verdade, aceita, perdoa, e compreende. Tomemos o caso, em abstrato, de dois amigos que querem comprar a mesma casa. Vão falar com o vendedor, e esgrimem os seus motivos. Cada um alega os seus argumentos, e chegam a um determinado ponto em que os dois, amigos, percebem que só um deles consegue suplantar a oferta monetária do outro. O derrotado, se é mesmo amigo, lamenta, compreende, e vai à procura de outra casa, quem sabe, se ainda melhor que a primeira.

O mesmo se poderá passar, com uma mulher. Imaginemos que ambos gostam da mesma, ambos se esforçam para lhe agradar. Ela, depois de muito pensar, decide-se por um deles. Ora o outro, se é verdadeiramente amigo do eleito, se não o quer perder, decide não ter uma atitude revanchista, vingadora, e opta por partir para outra mulher. Quem sabe se será essa a companheira da sua vida com que sempre sonhou.

Ora eu sou sempre o mesmo. O Pedro. Aquele que à primeira vista, quando se olha ao espelho, vê o puto da Beirã, com as oportunidades todas da vida pela frente. Não me vejo com quarenta e tal anos, não me vejo como um homem, vejo-me assim. Depois de alguns momentos a fitar-me ao espelho, vem a minha vida, as minhas filhas, a minha mulher, os meus trabalhos, aquilo que tenho conseguido contruir. Eu sou sempre o mesmo. E serei sempre assim.

Não sei, de verdade que não sei, o que é que estas pessoas, que se tornaram neste últimos meses “políticas” comigo, pensam da vida, ou pensavam que eu era. Não que fossemos amigos do peito, mas certamente também não éramos desconhecidos. Haveria ali uma familiaridade, uma empatia, uma proximidade que… com esta sua atitude, se esvaiu. E nisso aí, sou muito cruel, como as crianças. Meto dentro quem amo, mas a quem vejo o cú, nunca mais me ganha. Está morto/morta. E nem um pedido de desculpas, o poderá remediar. Ardeu.

Da minha parte, não houve uma ofensa, um ato mau, deliberado, com a intenção de ferir. Disse o que eu penso, como sempre, sem nunca ofender ninguém, e se por acaso fossem meus amigos, como eu pensava ser deles, viriam ter comigo, pessoalmente, não por conversas de putos, mensagens privadas de merda, nas redes sociais. Chegar-se-iam ao pé de mim, e perguntariam: Pedro, qual é?
E o Pedro explicaria, como sempre, qual a sua cena.
Mas qual foi o mal?

Assim não foi, assim não quiseram, preferiram deitar para trás das costas, tantos anos de contato, até profissional, e amuaram. Pois a mim, de mim, garanto que já não me verão o branco dos dentes outra vez. Amigo da família, que continuo; próximo de familiares, como antes estava deles, não misturarei as águas, saberei separar o trigo do joio. Eles fora. Continuará tudo igual, exceto na relação que tenho com eles, que se perdeu irremediavelmente. Agora té podem vir carregados de ouros e oportunidades, que para mim, não valem mais que nada. Somos adultos ou quê?

Não sei, de verdade, o que é que esta gente pensa desta vida. Não sei que raio de ideia farão das outras pessoas, dos valores que devem existir, para deitarem tudo abaixo, a um simples virar de cara.

Será isto por eu fazer, de há dois anos até agora, parte de um movimento cívico com amigos, pessoas de bem, do concelho, preocupados com a forma como a câmara tem sido conduzida, que sempre sonharam com uma alternativa sólida, democrática, e agora propõe uma hipótese? Será por agora andarem vestidos com as opas políticas, e já eles, a exemplo daquilo que lá está em cima, defenderem que quem não concorda com eles, está contra si?

Tão engraçados… Eu gostava era de os ver escrever um texto, fazer um discurso em público (já que até ler é tão difícil…), ser naturais.

E até eles sabem, que  não estou a ser mau. Estou, como sempre, a dizer a verdade.

“Ai mas essas pessoas, preocuparam-se muito contigo, quando tu estavas no hospital, Pedro. Pensa bem…”, aconselham-me.
Eu agradeço os conselhos, porque nunca ninguém sabe tudo, e eu serei dono apenas da minha opinião. Mas… essa preocupação, para mim, é algo em que não consigo acreditar. Não bate a bota com a perdigota. Então era assim… e… por nada… isto?

O que as pessoas, a grande maioria das pessoas gosta é… de ter pena. Fazer o filme para fora, dar a impressão de que. Chamar coitadinho. Mas se há coisa que a Dona Alzira Sobreiro me ensinou, entre muitas, quase todas, é que os coitadinhos, pedem a Deus que os levem.

Azares na vida, todos temos. Como eu sempre defendo, grande homem não é aquele a quem tudo correu sempre bem. Grande, é o que cai, se levanta por si, não esquece por onde passou, e tenta ser melhor, a cada dia que passa.

Eu agradeço sempre a Deus, todos os dias, todas as noites, esta nova oportunidade que me deu de viver. Como agradeço a todos e todas os que me apoiaram, visitaram, ajudaram, porque sem eles não conseguiria chegar onde estou, e da forma que estou hoje.

Mas no meio deste rebanho de almas caridosas, é bem fácil de ver, os lobos disfarçados com peles de cordeiro que, poderiam querer muita coisa, mas não estavam verdadeiramente preocupados com o Pedro.

Eu imagino, se o desfecho tivesse sido outro, o enorme folclore de flores, coroas, de lágrimas e gritos… não por mim, pela minha companheira, pelas minhas filhas, pela minha família, pelos meus amigos que, pela minha insensatez, quase se viram privados da minha presença, mas… para o espetáculo, que tanto comove e tem tanta gente a chorar.

Eu sou uma pessoa de bem. Eu sou um homem de bem. Eu sou um seguidor de Jesus Cristo, o meu exemplo enquanto homem, mas eu sou humano. Eu erro. E não perdoo.   

E não estou minimamente preocupado com as pessoas que possam ir ao meu funeral, quando Deus entender que devo partir. Já cá não estarei, nesse então, mas gostaria de ter nesse adeus terreno, as pessoas que me amaram durante a vida, as pessoas que eu amei, familiares e amigos próximos. Dispenso, como é óbvio, o ter que se ir porque… para depois se dar um enorme burburinho de conversas cruzadas, e os homens cá fora a falarem de tudo e de nada, menos de quem, a partir desse dia faltou.

Respeito. É o que peço, e exijo. Depois destas eleições, em que concorrerei a membro da assembleia municipal, e em que pretendo nesse órgão, caso seja eleito, defender a minha terra e as suas gentes; nada ficará como dantes. Espero que em termos políticos, mas sobretudo pessoais.

Quem comigo reagiu assim, irá sentir o mal que esteve. Nem sequer me devolver as boas noites, quando passo no café de bairro? Virar a cara num aniversário de um amigo comum?
Passa muito bem.

Para mim não serves. Cresce.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Abertura oficial (abençoada) da caça (ao voto) - por Professor Sabi



Os meus runnings, as minhas corridinhas, são mais assunto de mural de facebook, que de blogue. Um assunto para subir ao blogue tem de ter outra estaleca e outro alcance. Os runnings, com uma frequência semanal, são motivos de apontamentos, de desabafos e picanços para a malta que me segue naquela rede e que me estimula. Malta que por ali convive comigo.
Depois, a minha aplicação de registo de corridas, o Runtastic, entra com o perfil do facebook e aquele registo é mais para consumo privado, para histórico da evolução.

O registo de hoje é de relevo, por dois motivos concretos, e por isso não se esgota no facebook.

Um dos grandes fascínios desta minha capacidade de correr pelo concelho que me viu nascer, é não ter um percurso fixo, concreto, limitado. Não se trata de um campo, ao qual dou voltas, ou um circuito fechado. A cada manhã que saio para correr, rezo e nem sei bem por onde vou.

Hoje tinha pensado dar a volta dos Galegos ao contrário do que faço habitualmente, isto é, descer para a ponte Velha, subir até à parte mais baixa dos galegos (não é contrasenso, é mesmo assim), e regressar pela Relva da Asseiceira. Estava uma manhã linda, fria, de sol, com um ar fantástico. Reparei que o fluxo de trânsito era muito avolumado e percebi então, pensando nas horas, que deveria estar para acontecer a missa nos Galegos, em honra de São Sebastião, que era o 1º grande happening político do concelho em 2017, onde todas as forças que estarão a votos, marcariam presença.  



Motivo 1: Abertura da época de caça aberta (deliberada) ao voto
Gente da minha (leia-se Marvão para Todos) passava de carro e tocava a buzina. Eu dizia adeus e sorria, dando alento para o cenário que haveriam de encontrar. E ia pensando, pensando, sozinho, olhando a beleza do mundo à minha volta. Aquela “guerra” não é a minha. É, mas não é.

É a minha guerra porque estou convicto, com força e sei que a minha equipa é um conjunto de homens e mulheres boas, que querem o melhor para a nossa terra e para as suas gentes. Boas, não porque sejam, ou por se considerem melhores que todos os outros, mas sim porque têm um espírito cristão, de ajudar, de tornar possível, mais fácil, de aproximar a câmara aos munícipes.

Não é a minha guerra porque seria incapaz de trocar aquilo que estava a fazer por… uma manhã de falsidade. Supostamente, o que deveria ter ali levado as pessoas seria a fé, que foi a última coisa que ali os levou. Aquilo foi uma passerelle de fachadas, de sorrisos, de abraços, cumprimentos e mãozadas. No fundo, muito… de nada. Os meus não quiseram faltar, quiseram não deixar de marcar presença e eu apoiei-os, tanto que até fiz questão de passar pelos Galegos, para lhes dar um abraço. Nestas coisas, quem não aparece… esquece e todos nós sabemos como é o nosso povo. Envelhecido, pouco alfabetizado, e com tudo aquilo que é muito natural e comum à natureza humana, onde a solidariedade e a entreajuda, caem com estrondo aos pés da inveja e maledicência. Depois, são facilmente levados por festas, conversas mansas, palmadinhas nas costas. Só assim se pode encontrar a explicação para este prolongamento de um executivo onde não há espírito de equipa, de missão.

Contudo, e este contudo é muito importante, eu acredito que os marvanenses (habitantes do concelho de Marvão) são muito diferentes dos habitantes dos concelhos vizinhos. Acredito que são mais genuínos, mais autênticos, mais terra a terra e essa vertente é-me confirmada por colegas que já trabalharam outros sítios, e mesmo por outros profissionais que aqui vêm.  
Ainda há dias um dos carteiristas que por aí andam a distribuir correio, licenciado sem licença para ter o emprego que merece, me disse que “este concelho é demais! Nos outros a gente anda, distribui e as pessoas passam por nós como pelas cartas de publicidade manhosa. Aqui há sempre uma brincadeira, uma atenção, uma boca. Por isso é que a gente gosta de andar aqui.”

O que ali sucedeu nos Galegos hoje, pode ser analisado de diversos prismas, que se resumem maioritariamente a três: o da religião, o da população e, em último mas não por último, da política.


A visão da Igreja não pode ser destrinçada da figura que é o padre Marcelino. É este homem jovem, extremamente dinâmico, sempre a correr de um lado para o outro, (que até cansa só de o ver) que em sagrada hora nos caiu no regaço, que fez com que a relação do concelho com a Igreja, nunca mais seja a mesma. Para ela, para ele, tratava-se uma eucaristia para homenagear um santo daquela localidade, mas também um evento de suposta beneficência, a fim de recolher fundos para a recuperação das madeiras e dos tetos.

A população viu, para além da devoção de quem crê; a oportunidade de conviver, confraternizar, viver um daqueles bocadinhos que se costumam dizer que, são os que se levam de cá (da terra). Muita comida (sempre extraordinário porco assado do mestre Carlinhos), muita bubida (o que convém sempre), e quando assim é: animação e alegria. Não houve baile porque aquilo é… de respeito.

A visão da política tem sido um aviar de facas. Agora nesta fase, já todos saíram da toca e é um fartar de exposição. Os que lá estão, que nunca conseguiram esconder o transparecer da sua desunião, estão, até ver, a viver umas terceiras núpcias de sonho. Curioso estou eu de ver se o que sempre se encostou, se continua a sentir bem, relegado para terceiríssimo plano (recordo-me que não se ganha assim tão mal; trabalho, desde que se queira, não dá assim muito; e não há limites para mandatos de vereação, creio eu); de que forma as pedras se conjugam e para onde entra quem tem mesmo muita força de entrar. A novela Rondão de Almeida terá aqui a sua versão de Marvão? Será que avança mesmo um arlequim manipulado pelo exterior? E como será que conseguirá agir nos diretos? Papelinhos dobrados com respostas, guardados nas mangas do casaco? O cinto já está!

Todos os direitos reservados, da minha querida amiga, supra citada

Pessoalmente, o que me dói mais a mim, Pedro Sobreiro, cidadão que se presume informado e esclarecido (não muito, mas algo. Certamente.), é que as forças antagónicas ao que está (mas não está), não tenham conseguido chegar a um consenso. Juntos seria muito mais fácil, mais tranquilo, mais certeiro. Mas o que aconteceu nas longas negociações que foram prolongadas durante muitos meses, foi que não se conseguiu chegar a um consenso entre as partes.
Houve pessoas, entre nós, que sempre defenderam que estariam no seio do grupo Marvão para Todos até ao último dia, mas que ao primeiro aceno de possibilidade de acesso ao poder, nos viraram costas.
Outras saíram porque as questões de filiação falaram mais alto, e trilharão o seu próprio caminho. Ou não.
Essas pessoas saíram, por si, e deixarão de estar entre nós em aparições futuras. Facilmente serão identificáveis. Já não estão na nossa demanda.


Quem lhe deu guarita, quem está disposta a avançar por essa via sozinha, não falhou ao movimento ao qual pertenço. Fomos nós que requacionámos bem as questões de acordo com a nossa carta de princípios, e optámos por seguir o nosso caminho a sós, como tinha sido previsto desde o início. O Marvão para Todos não é um grupo de garotos, de miúdos e miúdas que querem brincar aos políticos. É feito de homens e mulheres experientes, com provas dadas na sua vida profissional, familiar e política, que não estão contra o que está. Têm sim, uma visão e uma forma diferente de ver, pensar e programar as coisas.


Essa pessoa que veio de fora agitar as águas, não falhou com o grupo, mas falhou-me a mim. Porque tive muito tato na primeira abordagem, muita sensatez na forma como as negociações foram conduzidas e fiquei com a sensação, admito que possa estar errado, que apenas equacionaria regressar e apresentar-se a votos “pelo amor ao concelho e a Marvão”, se as partes oponentes ao que está, se unissem. O que não veio a acontecer. Infelizmente, digo eu, agora. Espero não o lamentar tanto, no futuro.


Existirão assim 3 vias: mais do mesmo (que é fraco e pouco); a alternativa de sempre, da mão, com algumas nuances; e nós, o movimento independente “Marvão para Todos!."

A humildade é a nossa base de trabalho, o saber que nada temos e ainda nada conseguimos é sempre o nosso novo ponto de partida, para cada dia. Mas o nosso fôlego de esperança tem ganho alento e para mim, tem resultado de uma forma absolutamente inesperada e esperançosa, com o calor humano e o alento que nos chegam das pessoas. Apesar das ligações de teia que esta câmara tem com tudo o que é instituição e organização, há muita gente, tanta gente que está a dar-nos a mão, a dizer-nos que sim, que podemos contar com ele, ou com ela, com um sorriso nos lábios.

Lançámos há dias o nosso primeiro comunicado (aqui, no nosso blogue, onde está também toda a nossa informação, e carta de princípios) e vamos sim, sair em força, em breve.


É importante que fique registado que é nossa garantia que este movimento, é um projeto a longo prazo. Isto é, não pretende esgotar-se nestas eleições autárquicas, mas antes tem um período de longevidade que extravasa este espaço temporal.

Temos perfeita consciência que nestes concelhos do interior, sobretudo, quem está no poder pode administrá-lo à sua maneira e só muito dificilmente poderá deixá-lo fugir.
Mas também temos consciência que este presidente não se pode mais candidatar (3 longos mandatos para tão pouca obra concreta e palpável, com tanto de dinheiros comunitários que certamente não foram aproveitados da melhor forma, e fugiram) e esta é uma boa altura para nos apresentarmos. Quaisquer que sejam os resultados que conseguirmos, será por aí que começaremos a esmiuçar os podres do regime, e a clarificar, ouvir, projetar ajudar a construir um amanhã melhor, a todos os órgãos a que nos candidatemos.

O “Marvão para Todos” tem sido, como já referi, o produto de um longo trabalho de mais de 2 anos, a caminho de sítios recônditos para trabalhar na penumbra. Tudo tem sido pensado entre todos, e realizado com o trabalho de todos. Isto é nosso mas para si, para ti também. O “Marvão para Todos” é seu, é teu, é de todos aqueles que estão descontentes, são daqui, gostam disto e se preocupam com Marvão.

Segundo motivo porque este relatório de running não se esgota no facebook: A distância face às meias ou a entrada numa outra dimensão que merece ter lugar de destaque aqui, no blogue. 15 km é obra! Foram feitos com uma facilidade tal (com subidas de arrasar… a da Ponte Velha… mata!), que já posso pensar em fazer uma meia maratona. São só mais 6 km do que o que fiz hoje. Era ir de casa até à Beirã. Era continuar pela autovia em direção a Valência. Dava. Se quisesse… dava. E saber isso é muito bom. E motiva muito. Para outros embates do dia a dia.


Como dizem na missa após as leituras: assim seja.