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domingo, 8 de março de 2026

Nuno Morais Sarmento. O adeus do político boxeur


 


É muito habitual ouvirmos dizer que a saúde é a mais importante de todas as virtudes. De facto, sem saúde... não só se faz nada, nada se consegue... vem a morte e tudo acaba, cobrindo a vastidão à volta com o seu manto negro de noite.... 


Percebemos enfim que neste mundo, nada do que nos pertence é realmente nosso! Apenas é emprestado, o que parece ser uma grande constatação, e uma verdade insofismável que leva ao lugar comum, dos mais triviais que todos aceitamos: a saúde é tudo!!


Nuno Morais Sarmento, de 65 anos de idade, advogado, figura proeminente do Partido Social Democrata, Ministro da Presidência em 2002, no XV Governo Constitucional chefiado por José Manuel Durão Barroso; e Ministro de Estado e da Presidência no Governo seguinte, chefiado por Pedro Santana Lopes, de acordo com as eleições de 2002, faleceu hoje, aos 65 anos.


Cedo demais, certamente todos concordararão, e eu também, em absoluto.


Mas este ministro rebelde que todos começámos a conhecer por se ter dedicado ao  pugilismo, procurando na disciplina e no rigor do desporto, forças para conseguir vencer a ostracizacão  a que fora votado pelos seus pares, devido à sua dependência das drogas duras, foi um mártir e um exemplo.


Fala-se da importância da saúde e do terrível da doença que ninguém quer para si, quase em abstrato, como se a dor estivesse lá longe, não a verbalizando muito para que nunca se aproxime.


Por muito evoluída que esteja a medicina atual, por mais que a ciência consiga dar passos no sentido de dominar as neoplasias que vão surgindo, para bem de toda a humanidade, quando chega ao pâncreas... continua a ser sinónimo de quase sentença.


Comentou-se aqui há pouco em casa, quando se ouviu a notícia, que o caminho para o calvário deste pobre Morais foi mais penoso do que se possa imaginar.


Alguém disse:

Passou por 12 cirurgias.


(12!!!!!!! Já imaginaram?)


Esteve 2 anos internado!!!!!

(365 × 12 =   675 dias a ver a vida a esvair-se de dentro dele..). 


Chegou a despedir-se dos filhos...

(Conseguem imaginar bem a dor de um Homem a quem é dada essa terrível capacidade? Que dizer em concreto? Que ouvir? Que ver?)


Rezarei para que tenha um descanso eterno no esplendor da luz eterna.


Que descanse em paz...

sábado, 31 de janeiro de 2026

Tó, o poeta, já foi na frente...

 

Curiosamente, uma das poucas imagens que tenho suas...

O meu Tó... O meu grande Amigo há décadas, o meu amado poeta quando ainda escrevia, quem agora subia a Marvão só para me ver, conversar, ter uns trocos para o café no Sr. Vítor (Malaquias de que ele tanto gostava de beber), umas bolachas no Supermercado Tapas, um extra... acabou. 


O Tó morreu-me, já não há mais, e deixa um vazio do seu tamanho em mim. Como é que nunca mais o vou ver?!? Como é que nunca mais vou ralhar com ele quando vinha a pé da Beirã à minha casa, à chuva, "e depois as pessoas gozam contigo e dizem que és maluco, e tu não és, e eu não gosto disso, porra pá!!!", para depois o ir levar a casa.


O Tó não é mais, e com ele vai parte de mim.


Há aqui um contrasenso, um amargo de boca, qualquer coisa muito estranha e rara que me atormenta e deixa atónito porque... não estava doente, aparentemente, tinha apenas 61, mais 9 que eu, muito longe dos 80as e 90as de esperança média de vida com o avanço da nossa medicina e sociedade, e parece que se está sempre à espera de um aviso, não é?!? 


"Bem podia eu ligar toda a manhã... que ele nunca haveria de me responder", contou-me a mãe, muito chocada e abatida, quando lhes liguei para a Santa Casa, onde vivem os pais, num quartinho, quando lhe quis dar as condolências, e me manifestar completamente disponível para tudo o que entendam. 


Choca sobretudo porque não estava gravemente doente para morrer. Vivia naquela sua forma tão peculiar de ver o mundo, completamente sem maldade e com alguma distância dos limites da sanidade, mas com um espírito, como hei-de dizer sem maldade: inócuo e sem ruins intenções. Era um bebê grande de metro e 80, com barbas que vinha aparar com frequência à minha vizinha Rosa, e  causava impacto visual mas não ia mais que isso.. 


A morte abraçou-o em casa, na sua caminha, onde me mostrou, por exemplo, o FMI do José Mário Branco, há muitos anos atrás, e eu nunca mais esqueci daquela forma poderosa de cantar e como a música pode ser trágica, visceral, e mudar a vida de uma pessoa. 

O manto negro foi sorrateiro, silencioso, mas clemente e piedoso. Cobriu-o e levou-o, sem o deixar a arrastar ou a sofrer.


Sabendo nós que 9 anos é uma eternidade que coloca dois jovens da mesma aldeia quase que em galáxias diferentes (quando cumpriu 18, e atingiu a maioridade, eu estava, aos, 9, numa de Heidi, Marco, Tom Sawyer e Abelha Maia, todos no Verão Azul), ou seja, passávamos na mesma rua e ele era capaz de olhar de soslaio perante o meu ar de fascínio.


Sim porque o Tó, dono de uma inteligência rara, foi muitas vezes apontado pelos pais beiranenses como um exemplo a seguir: "Mete os olhos no Tó..., como o Tó é que tu devias ser..." ecoava pelos quintais da minha aldeia.


As primeiras memórias vivas de convívio que tenho do Tó, foi num encontro de jovens promovido pelo Sr. Padre Fernando Farinha, uma figura apaixonante e muito influente por estas bandas, que aqui fez chegar um grupo chegado de fora, para creio eu, fortalecer laços cristãos/grupos de trabalho sobre Cristo e a Igreja, que eu era muito novo para perceber aquilo. Só ia aos almoços que eram balíssimos! Naquela altura, o Tó já estava em todo o seu esplendor! Cabelo encaracolado pelos ombros, camisa branca com colete de fazenda aberto, medalhinha de Taizé, jeans e sapatinhos pretos clássicos engraxados.


Como excelente aluno que sempre foi, entrou para Filosofia, creio que na Clássica, e era comum ver os pais mandarem-lhe encomendas pelos comboios que passavam na aldeia. Meses depois, em que fui com a minha família por aquelas paragens, encontrá-mo-lo, e recordo-me de ver a minha mãe chorar,  tal foi o choque ao constatar o estado de alienação daquele menino bonito, que agora vimos em Santa Apolónia, de calções desportivos, t-shirt e chanatos.


Segundo o que soube então, vim a saber depois e lhe perguntei a ele, o problema nunca foram as drogas mas sim o álcool. Muito, mas muito álcool e ele, figura carismática como sempre foi, diabolizou-se, e fez-se dono e senhor do Bairro Alto, com lugar cativo ao balcão do Arroz Doce, da tia Alice, famoso pelos "Pontapés na Con@", bebida composta por cerveja, café e um ingrediente X... do qual nunca se veio a saber muito bem qual era, mas pelo estaladão que se lhe seguia, era tudo menos fraco, e certamente, gasolina de avião.


Nesta fase de voragem alcoólica, que o envolveu com amigos de perdição, mas o distanciou da vida académica, da família, da vida afinal, acabou por o fazer regressar à terra, à casa de partida. Aqui protagonizou episódios caricatos com laivos de insanidade que envolveram desfiles menos próprios na Av.Pio XII em Portalegre, e relatos de violência que o levaram ao internamento compulsivo no nosso hospital, e até estadias no Hospital Júlio de Matos (Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa).

Dessa estadia não falava muito, nem gostava abordar, mas saiu de lá com vida.


Foi já na casa da Beirã, com o Amor imensurável dos pais como combustível emocional, que se conseguiu regenerar por completo (nunca mais o vi tocar numa gota de álcool que fosse!), voltar a ler, a escrever, a estudar!!!!, tendo até conseguido terminar o curso de Português - Inglês no Politécnico de Portalegre e chegado a dar aulas!, estando agora reformado dessa atividade.


Por ter estado sozinho quando a encarou de frente, mandam as leis, e a prudência, que tenha de ser autopsiado e aqui entramos no drama dos homens e das suas limitações, dos dias em que podem ser realizadas, e apenas na 3a feira, dia 3, quando terei de estar obrigatoriamente em Lisboa, e me será impossível estar presente cá, como tanto queria, sobretudo para amparar os pais...; o seu corpo será devolvido à terra, após autópsia, e câmara ardente na Capela Mortuária da Beirã, a partir das 9:30h, seguida das cerimónias religiosas que terão início às 11h, após exéquias fúnebres, seguindo o funeral para o cemitério local da sua Beirã.


Que a terra te seja leve, camarada... 

Descansa em paz...

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

A minha máquina, caraças... O Johnny...


 O dia acordou com uma notícia duríssima, daquelas que nos deixam a bater mal, sem chão... e a (re)pensar tudo. 


O João Simão, jovem, sempre animado e bem disposto, amante da família, da mulher, da filha, da netinha, do genro, do irmão e demais familiares... muito feliz com a vida, e com o seu emprego na Varanda do Alentejo... sem hábitos excessivos, fossem alcoólicos ou de todo tabágicos, sem doenças diagnosticadas... sentiu-se mal nesta manhã e... sucumbiu.

Tão simples, triste, e trágico quanto isto.


50 e poucos anos, mais um par que eu, ou por aí, e acabou... ☹️ Todos bem sabemos as regras deste jogo trágico, em que só temos uma vida, e para se perder, basta estar a respirar mas... assim? Desta forma? Do nada?!?!?


Vale a pena tantas preocupações, tantas zangas por pechisbeques...


Conheci-o há décadas atrás, quando ele trabalhava no Centro de Trabalhadores do Atalaião, e vi com enorme agrado quando se aproximou de Marvão. Cruzavamos-nos diversas vezes durante a semana, e quando acontecia, era sempre com ar barraqueiro e de paródia, ou a tocar a buzina, ou a ligar os 4 piscas, numa caravana imaginária. 🤭


Minha Máááááááquinaaaaaa... ou Maquininha, ou MAQUINÃO, era como nos travamos mutuamente...

 

Tinha muita admiração pela forma como se adaptava às novas exigências do seu trabalho, à sua maneira de estar, e à sapiência com que jogava no Placard (jogo de apostas desportivas) onde o vi ganhar valores bem simpáticos, em campeonatos que eu nem sequer sabia que existiam... 


Mas até aí, sempre deixou que copiassem a sua chave, sem pedir nada em troca...

E eu ralhava-lhe!!! Manda-os passear!!!! Eles que estudem!!! Essa sabedoria paga-se!!!! Era o que faltava... 


Abalou um companheirão que nos foi arrancado à vida cedo demais...


Sinto muito, de forma tremenda...


Envio um forte abraço à Teresa Simão, à Cátia Simão, ao genro Rui Silva, ao irmão, e demais  familiares... 🙏


Rezo para que esteja em paz...,  meu querido... (com esta imagem lindíssima, cheia de Amor, contigo e a tua linda netinha que diz tanto sobre a vossa relação e sobre ti... 🙏♥️)

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Tó João... 54...

 


Quando um Amigo me ligou a dar  esta terrível notícia, fiquei incrédulo... como se não fosse possível, como se a realidade não pudesse deixar de contar assim bruscamente com o Tó João. Que perda...

Por muitos anos que viva, e por muita gente que tenha conhecido  nela, certamente não conheci um outro sempre tão bem disposto, de sorriso contagiante estampado no rosto, tão alegre, e melhor que isso tudo, tão assim lá por dentro, sempre disponível para esticar a mão, ajudar e estar tão bem com todos como ele estava com a sua vida.

De cada vez que falávamos, lá vinha sempre o nosso Benfica à baila, e acabávamos sempre bem dispostos e a rir, por muito mal que andassem as coisas pelos lados da Luz. O Fernandes tinha este raro dom de relativizar, de tornar as coisas acessíveis, de dar valor ao que realmente importa, fazer com que tudo fosse mais rico quando ele estava por perto.

Estes fins terrenos, bruscos, súbitos, sem doença nem velhice, sem a angústia da previsão, de um instante para o outro, em que num segundo há tudo, e no seguinte... um negro escuro 🕳️ que tudo engole como se fosse um buraco  negro no universo... deixam-nos atordoados e sem chão.

Foste tão Grande... colega e Chefe do Serviço de Finanças do Crato, que tão bem defendeste...

Até... 

(com muito pesar pela tua brusca partida... 😢)

Sentidas condolências para a família enlutada, e as melhores melhoras para o filho também acidentado. 🙏



Distinto saxofonista e músico amante da Filarmónica do Crato, representava sempre com gala, esta sua paixão...



terça-feira, 1 de outubro de 2024

Até um dia, Fernandinho!


Hoje, na cronologia da minha vida, marco um dia triste. 

Hoje é um dia muito infeliz, porque partiu, morreu, faleceu, acabou, um Homem Bom. 

O nosso Fernando Andrade já não é mais desta nossa realidade, desta dimensão. 


Foi arrebatado por uma doença lenta, tenebrosa e incapacitante. A diabetes, essa incapacidade do seu pâncreas produzir a insulina que lhe era necessária para bem viver, potenciada por uma série de insuficiências que lhe foram sido acrescentadas pela sua permanência em hospitais e locais onde se luta e preza pela saúde, mas são viveiros de enfermidades, foram letais.


Quando no meu crescimento/adolescência subi da Beirã para Santo António, não tive oportunidade de o ter conhecido gaiatão porque devido à década de idade que me levava, passámos por gerações que nunca se chegaram a cruzar.


Encontramo-nos sim, depois na saudosa Real Tertúlia do Camarão de Marvão, onde já homens, desfrutámos muito um do outro.


Quando eu era zagalo (jovem), o Fernando Andrade já era uma lenda... das touradas à vara larga, e por conseguinte, das festas e de todos os aglomerados festivos locais. Homenzarrão sadio, sem medo, sempre brincalhão e bem disposto, tratava-me também a mim, ainda hoje, por "pronto-a-vestir", por saber bem o que gosto de andar não vaidoso, mas arranjado.


Conheci-o quando trabalhava na Porcave, antes da Câmara de Marvão, e era frequente na mercearia das minhas tias onde ia levar as encomendas, e com quem sempre brincava e era mimado. O que elas gostavam dele...


Em boa verdade, acho que nunca o vi zangado fosse com o que fosse.


Homem forte, grande, truculento e que inspirava força, de tão afamado que era enquanto forcado por gosto, que suscitou o desejo do Grupo de Forcados de Portalegre que o convidou, recebeu, e aperfilhou como se sempre tivesse sido dele.


Como me recordo da sua alegria quando contava os seus momentos de glória de jaqueta envergada... 🥹


Certa vez, ele, eu e mais 3 amigos, há bem mais de uma década atrás..., que isto do tempo é um ladrão que nos engana com facilidade, enfiámo-nos num Twingo (que por acaso não era o meu, que já vendi); e fomos estrear-nos na célebre "Ruta da Canhas" de Valência de Alcântara, onde não mais voltámos, porque isso nunca se propiciou.


Naquele Rally, onde cada participante pagava uma jóia, e passava o dia a experimentar as canhas (imperiais), e o petisco nos espaços participantes, num percurso que circulava pela localidade , conhecendo um por um, atribuindo-lhe a nota que classifica em cada um deles, a qualidade, o asseio, e tapa servida, sempre com a preocupação de fazer a gestão da longitude do dia se aguentar com firmeza e clarividência, até regressar a Portugal. Ali, vivemos uma jornada inesquecível de Amizade, e Fiesta! 💃


Começado ao final da manhã, tudo terminou com música na Praça do Ayuntamiento, com um ambiente bem de cachondeo e animação geral. Naquela catarse eufórica, o bom do Fernando ripou-me da capa de toureio que tinha levado consigo sem eu conseguir saber muito bem porquê, e começou a sacar passes de muleta que a cada um, fazia ecoar num bruáááá imenso, oooooooléééééééééééééés de arrepiar, que faziam estremecer!!!!


Saiu em ombros, claro!!!!!!! 😱😍🤩🥰😘


A vida é feita de momentos, e esses devemos sempre recordar nestes períodos difíceis, como quando ele deu ouvidos à loucura de um vereador da cultura e educação "fora da caixa" que se lembrou de no dia da criança, dar aos mais pequenos aquilo que eles mais pediam e sonhavam, e em pleno Centro de Lazer da Postagem ajudou mesmo a fazer a tão desejada praça de touros, longe de tudo o que é PAN, contenções e normas a cumprir.


O touro? EU, o próprio, vestido com um traje de luzes que o bom do Fernando emprestou, e tendo-o a ele como peão de brega. 


Para os putos? 


O máximo! 😍


De tal forma que quando à entrada de cada nova turma/meia hora, depois das duas as três voltas à praça da carripana dos cornos que fazia de touro, de reconhecimento ao redondel, quando marrava com estrondo nas grades para lhes meter respeito e medo... comentavam boquiabertos, uns para os outros, apontando para mossas que já estavam feitas de outras utilizações, de tombos diversos que tinham dado: iiiiiiiiiiiióóóóóóóóóóóó!!!!!!!  😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱Olha aqui onde o cabrão marrou!!!!!!!



A volta à arena, na merecidíssim corrida de homenagem que lhe fizeram atrás ...


O nosso Fernandinho já deixou a escuridão onde se habituou a viver nos últimos tempos.

Oxalá agora esteja entre o esplendor da luz perpétua.


Parte cedo. 

Muito cedo. 

61?!?

Não é idade... 😰


À Rosa, sua mulher, aos dois belos filhos, ao mano Arlindo, meu Amigo, que tanto o estimava, a todos os irmãos, irmãs, às cunhadas, cunhados, sobrinhas e sobrinhos, envio um grande abraço de pesar, com muita solidariedade.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Até... Amigo Manuel

 

Foi com um grande estupefação, porque não o imaginava doente, e sempre que com ele privava, me parecia relativamente bem de saúde (embora  descaísse de dia para dia, sobretudo desde que perdeu a sua esposa, a companheira de toda a vida); que tomei conhecimento do óbito do meu Amigo, que muito estimava, Manuel Pires da  Encarnação Dias.


Pelo que consegui saber, ter-se-á sentido mal no domingo, e depois de ter sido conduzido para o hospital, acabou por perder a vida devido às complicações que se foram avolumando.


Um estudioso da terra, e das suas gentes, o detentor de um manancial multimédia verdadeiramente impressionante, segundo informações do meu sogro, João Manuel Lança, outro nome incontornável na história desta aldeia; desaparece assim subitamente, sem conseguir garantir a passagem do seu património para uma estrutura pública onde todos o possam admirar. ☹️ É mesmo muito de lamentar.


O facebook foi uma estrutura dos tempos modernos à qual se adaptou com facilidade, e tendo eu tido o prazer de contar entre os seus 265 amigos (apesar de ser seguido por quase o dobro das pessoas), pude aperceber-me da sua profusa produção que ia desde a publicação de gravações de teatros de outrora, a músicas interpretadas pelos artistas da terra, poemas e textos de que gostava muito, gravações do amanhecer / entardecer em diversos pontos da sua/nossa terra, ou momentos mais íntimos, em que se prestava a auxiliar a esposa, a caminhar e recuperar.


Lembro-me dele desde sempre, atrás do balcão do seu comércio no cimo da avenida 25 de Abril, frente ao seu familiar João do Bento, outro incontornável do lugar, mas tínhamos pouco relacionamento, pela enorme diferença de idades. Quando ele já tinha alguma, eu ainda era garoto. 


O movimento político independente "Marvão para Todos", ao qual ambos aderimos nas autárquicas de 2017, por defendermos uma visão diferente das orientações em prática, aproximou -nos, e uniu-nos ainda mais, tendo a partir de então ficado muito mais próximo de si.



Sempre que fazia falta, como aliás faço questão de fazer com todos os que a mim se aproximam pedindo auxílio; apoiei-o sempre que era necessário realizar alguma diligência nas finanças onde  trabalho, e sei que me estava grato por isso. Considerava-me, e isso era muito bom para mim.



Sendo eu um admirador confesso da obra do seu neto Vhils (de quem ele falava com tanto carinho) sempre lhe pedi que se, e quando, fosse possível, muito gostaria de o conhecer e lhe apertar a mão, para o poder felicitar pela grandiosidade da alma artística que vive dentro de si, e nos oferta obras tão notáveis. 

Contra tudo o que esperava, já não fui a tempo.


Quando todos diabolizam o Facebook, e criticam o mundo que ali é promovido, como se fosse uma feira demoníaca das vaidades, o seu mural é já uma memória viva onde todos os que o prezávamos, o poderemos recordar... para sempre.



Oxalá a família, e o município, ou outra organização da terra, embora eu entenda que nenhuma outra tem arcaboiço para se substituir a câmara, pelo que me dizem ser a dimensão desse legado, saibam preservar e honrar o colecionismo e a paixão ao lugar de toda uma vida. E que vida... (de comunidade, teatros locais, variedades, diversões! Cultura!!!)


E depois dizem que há, e eu Acredito mesmo que existam, aqueles Amores assim...

em que um parte... sem querer... deixando o outro dilacerado... ao ponto de não conseguir viver mais... e a cada dia se vai apagando... apagando... com uma vela ao vento... até que se encontram.


Eu, que faço parte daqueles parvos, ou loucos, que acham que isto que nos é dado sem sabermos como não acaba assim, aqui... podemos não ganhar nada, mas pelo menos vivemos na ilusão. E isso é tão reconfortante...




Mesmo que seja mentira... Sabe tão bem...


Foi um Prazer, Amigo Manuel. Até...


Este vai por si!!!! (que se o pudesse ler, me diria, como sempre: Doutor, (😁 ninguém me chama Dr. 😁😂) gostei muito de como me abordou! ☺️

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

O Carlos (Bugalhão) já foi, na frente...


Numa foto ultra-pirosa, daquelas tiradas por fotógrafos que não largam as mesas feitos sanguessugas a chuparem dinheiro, que foi vergonha muitos anos depois, e hoje sabe tão bem ver, numa franganada na Guia, certamente há mais de 25 anos. O Carlos naquela altura usava um bigode bem preto ao melhor estilo mexicano. Saudades, ópa...

O telefone tocou de tarde quando estava a trabalhar, e o número era desconhecido, daqueles que geralmente não tenho por hábito atender, receoso pelas manigâncias das tecnologias de hoje me dia que vemos por todo o lado, do tipo “chamadas do estrangeiro a cobrar um balúrdio no destinatário”, esquemas em pirâmide, e outros enredos do género.

 

Aquele, não sei explicar porquê, atendi.

 

- Sou “não sei quem”, (já não me consigo lembrar, acho que desliguei a ficha) a vizinha da Fatinha.

 

Espequei-me.

Fatinha… Lisboa… já foi…. Pensei.

 

- Já a meto a falar com ela, disse.

 

Respirei fundo mas, ainda assim, fiquei em suspenso.

 

- O Carlos…, disse ela com voz trémula.

- O que foi Fatinha?

-  Balbuciou qualquer coisa terminada em …eu

. Sim?

- Morreu.

 

E aqui cai sempre a ficha, não é?

 

Todos nós vamos aprendendo ao longo da vida que não há desfecho mais certo que este. Daqui ninguém sai vivo, mas apesar de todos sabermos isso, temos uma dificuldade imensa em lidar com a efemeridade da vida, com a impossibilidade da nossa eternidade, como se o mundo não pudesse continuar despois de partirmos sabe-se lá para onde, quando todos temos mais que a certeza que é assim que vai ser.

 

- Mas como?!? Estava doente?

A velha história que já imaginava, mas não queria acreditar que pudesse ser de facto assim: muita dificuldade em respirar, uma respiração sempre ofegante, como se tivesse sempre acabado de correr os 110 metros barreiras em loop, dificuldades em movimentar-se, mas ainda assim… a fumar, refém desse vício completamente tenebroso, que pode assumir proporções absurdas e malévolas que chegam a roçar a demência.

 

Fumou até se ficar. Ele, como ela… que foram sempre dois parceiros insaciáveis à mercê da dependência do fumo, e cafés.

 

A minha madrinha tem 72, como a minha mãe. Ele seria um pouco mais velho, e fizeram tooooooooooooooooooooooooooda a vida assim: a fumar e a beber cafés como se não houvesse amanhã nos calendários. Foram 50 e muitos anos, talvez mais perto dos 60 que outra coisa qualquer, com este vertiginoso modo de vida, que não poderia acabar bem. Imagino aqueles pulmões… com a quantidade de nicotina, e substancia tóxicas que já processaram.

 

Conheci o Carlos quando era puto (14, 15?), e regressou de Lisboa a Marvão, que era a sua terra, depois de ter por lá vivido, casado e gerado descendência. Começou a deitar a asa à Fatinha que, solteira e levando uma vida errante e solitária, muito amparada na amizade da querida Lurdes Efe, cedeu aos seus encantos.

 

Quem não viu isso com os melhores olhos foi a minha tia Maria, sua mãe, que lidou muito mal com o facto da filha única casar assim, não com um esbelto jovem solteiro da sua idade, mas com alguém com um passado às costas e sobretudo, com uma relação complicada com o álcool.

 

O Carlos foi mais Homem que isso tudo, alinhou num tratamento com o saudoso Dr. Pedro, que sucumbiu bem jovem vergado por um cancro, e nunca mais tocou no álcool, porra! Uma cena mesmo assim do outro mundo! Nem nas provas mais difíceis que se possa imaginar, como a mesa longuíssima de Natal da Covilhã, cheia de convivas, belos petiscos e vinho com fartura, ele largou o Sumol, a Cola ou o RIcal.

 

O Carlos adorava Marvão, o Centro Cultural e o ténis de mesa, um desporto onde era mesmo craque, tendo até participado em inúmeros torneios por aqui.

 

Nessa fase mais difícil, trabalhou na Câmara, quando andou com o dumper, e depois conseguiu entrar na Pousada de Marvão, de onde se veio a reformar, já há algum tempo.

 

Eu recordo que perdi um Amigo, que esteve sempre presente nas fases mais difíceis da minha vida e que nunca faltou, como quando fui operado às costas, ou quando estive em coma durante mês e meio depois do acidente de Vespa, como quando lhe pedi que me tirasse de lá porque os gajos “limpavam o sebo” aos doentes, que era a forma que eu encontrava para explicar como eles calavam os que de noite não sossegavam e se silenciavam; ou como se preocupava em dar uma volta à noite com a Cristina e a Fatinha, para desanuviar do stress de me verem ali assim, ligado às máquinas.

 

Foi cedo demais, poderão pensar muitos. A verdade é que poderia ter ainda muitos anos para viver com qualidade, caso tivesse saúde mas… os que não fumam também morrem, muitas vezes bem mais cedo, até.

 

Levou-a como quis!, e fica o consolo disso, até porque acredito que todos trazemos um prazo, só que a magia disto tudo, é vivermos sem pensar no nosso.

 

Por vontade da família, o Carlos voltou ao pó, de que todos somos feitos, estado ao qual todos iremos regressar.

 

Que esteja em paz, rezo eu, entre o esplendor da luz que nunca se apaga.

 

Até um dia, Amigo!

 

(Não vai haver mais nenhum dia que coma pão de alho, que não me lembre de ti...)


terça-feira, 2 de agosto de 2022

Sabes quem morreu?!?!? O Jakim!



Ouvi comentar entre os presentes que alguém tinha morrido, mas como estava ao serviço, precisamente a recolher as informações do óbito de uma pessoa de idade, concentrado nos dados a recolher, e nas informações em causa, não prestei atenção. Notei alguma incredulidade, algum espanto nos intervenientes. Falavam que estava… assim, que o tinham encontrado…, que agora vão ter que…, mas não me fixei.

 

Quando saí, à tarde, alguém, no café Pinadas, comentou que “sabes quem morreu? O Jakim!”

 

O JAKIM?!?! OOOooooohhhh… Como tal?!?!?

 

O Jakim, como eu, e a gente que o conhecia sabia, era tão novo e parecia estar tão bem….

Realmente, para se morrer, como eles costumam dizer, basta estar vivo. É um ar que se dá, e prontos! Está tudo arrumado!

 

Fiquei mal com aquilo, ópá!

 

Acordei de noite, a pensar que tinha que escrever alguma coisa sobre ele, e sobre isto. 

Não sei se quem me lê era cliente habitual deste meu lugar, mas a verdade é que com a falta de tempo cada vez maior, a oferta multimédia cada vez maior, o crescimento do aumento de formas de darmos azo ao nosso sentir, e até… por alguma preguiça e comodismo, passo por aqui menos vezes, quase só quando acontecem coisas que me puxam mesmo a atenção e o sentir, assuntos que merecem outra solenidade.

 

O Jakim, era o Joaquim… cujo apelido acho que ninguém sabe, a não ser as pessoas que se relacionavam com ele por motivos de trabalho, ou outra necessidade do seu dia a dia.

O Joaquim tinha o mal de ser alguém que sempre foi o irmão do Mané Bodes, esse sim, uma figura mesmo, mesmo, muito popular em Santo António das Areias, na Ranginha, nos Cabeçudos, nos Barretos, na Beirã, em Marvão, em toda esta parte norte do concelho, onde passou a vida a deambular sempre na esperança da boa caridade das pessoas que sempre muito o estimaram, pelo seu atraso mais que evidente, pela sua boa vontade, pela sua forma cómica de se expressar, pelo seu jeito natural tão engraçado. Quem é que não conhece um, ou outo episódio mesmo engraçado com ele?

 

O Joaquim… era sempre o “irmão do…”. Uns anos mais novo que o famoso irmão, estava sempre bem disposto, coitado, sempre a rir, sempre bem. O Joaquim tinha uma forma diferente da do mano, mas também ela muito cómica de falar porque… mal se percebia! Ria-se e expressava-se ao falar connosco, mas acabávamos todos a rir-nos sempre, sem percebermos muito bem o que era.

O Jakim andou muito tempo assim também sem pouso que se soubesse certo. Nem sempre muito tratado, nem sempre muito asseado, andava por aí, onde calhasse. Nos últimos anos, a sua vida deu uma grande volta porque passou a trabalhar para a Freguesia de Santo António das Areias, e começou a comer através da Casa do Povo da terra. Começou a andar com o seu dinheirinho no bolso, andava a trabalhar enquanto passeava a conduzir o dumper (viatura motorizada de 4 rodas, com uma pá de apoio para carregar materiais diversos), com o ar mais satisfeito e realizado do mundo. Dava gosto, caraças!!!! Passou a ir buscar as suas refeições sempre antes das horas destas à Casa do Povo, e era um regalo vê-lo ir com a sua cestinha para a trazer cheia.

- Então, Jakim!!! Já lá vais com ele, não?!? Dá para mais um?

E ele balbuciava, a rir, qualquer coisa absolutamente impercetível.

Eu ria-me, e ele também, e lá seguia em direção a casa, um quartinho que tinha conseguido junto à igreja, nesta sua nova vida.

 

O Jakim gostava muito dum tintinho. Às vezes, quando a carregava a mula, seguia assim muito pé ante pé, para não dar bandeira. Era muito engraçado, quando ia assim. De vez em quando, bebia sumo.

- SUMO, JAKIM?!?!? Andás-te-te a portar mal, outra vez, não?!?!?!

Ele justificava-se com uma explicação… claro que impercetível!, a rir.

 

“Foi o Senhor Doutor?!?”  

E ele ria-se, enquanto contava as moedinhas… para pagar.

 

Tenho tanta pena dele, o pobre. Coitado.

 

Sei que infelizmente há muitos assim, mas eu, este, conhecia-o. O Jakim, nem livro, nem filho, nem árvore. Bem, árvore talvez tenha plantado alguma, e certamente fê-lo na junta, mas foi um saco vazio que bailou ao sabor do vento, talvez há 50 e muitos anos, que eu não sei quantos tinha, mas por certo seria muito mais velho que eu.

 

Já me informei, e sei que tem mais familiares, bem inseridos na nossa vida. A mãe, que deve estar muito velhinha, também era de relacionamento difícil; mas já soube que tem uma irmã na Ranginha, que não estou a associar; uma irmã que já não vejo há muito; um irmão, a viver lá longe; e o Manuel, que passa os dias na APPACDM, junto à minha casa.

 

Não acompanharei o seu corpo ao cemitério, porque ele já não está lá, porque tudo o que se faz, deve ser feito em vida, e não depois de se partir; porque essa é uma cerimónia muito íntima, que não deveria ter assistência para lá dos portões daquele local; mas farei questão de passar pela câmara ardente, rezar, e pedir por ele.

Não sei como é que será aquilo a seguir, nem quero saber para já (a haver, haverá toda a eternidade para se descobrir), mas se houvesse alguma coisa, como tenho fé que haja, gostaria que o nosso amigo Francês, que também gostava tanto dele, e se riu tanto com ele, e comigo, o orientasse.

 

Tenho muita curiosidade para saber o resultado da autópsia. Que será que terá acontecido?

 

Como passa tudo tão depressa, Deus…

 

Que descanse em paz…

segunda-feira, 4 de julho de 2022

A triste sina do Esparrela

48 anos, cumpridos a 5 de Março...
Menos um ano que eu...

 

À sua memória…

 

- Ohhhhh… sabes quem morreu?!?!?, perguntou-me de manhã, quando pegou no telemóvel, e passou pelas inevitáveis redes sociais…

 

Aqueles segundos que se seguem a uma pergunta destas… parecem horas, e angústia da dúvida tolda-nos o pensamento por completo. A tentativa absurda, e desorientada de encontrar uma nome… não se coaduna, de todo!, com a admiração da pergunta. Se fosse alguém que estivesse doente, afinal, o pasmo não poderia ser tanto pelo que… fiquei ali assim… em suspenso, à espera da bomba.

 

- O Pedro! O Pedro da papelaria Tavares…

 

E eu… em silêncio… pensei… O ESPARRRELA?!?!?!?!? Mas… eu, ainda antes de ter tempo de perguntar se foi de uma causa súbita, um acidente, ainda ganhando consciência da atrocidade da notícia, ouvi…

 

- Diz que estava muito doente…

 

Pronto. E caiu-me a ficha!

 

Mas… como doente?!?!?! Se ainda há dias, há meses, no Trail de Marvão 2022, apenas a 20 de Fevereiro, ele esteve ali no mercado de Santo António, comigo, a beber umas, completamente feliz, saudável e risonho, como ele era, afinal, agradecido pela vida e pela vida que levava?

 

O Pedro era um super-atleta, porra!!!!! O Pedro corria que se desunhava e estava sempre em todas, como porta estandarte do ACP (Atletismo Clube de Portalegre), como todos aqueles seus amigos de amarelo e negro, que eram uma segunda família, ou às vezes, mesmo a primeira de convívio e amizade, e vida saudável e alegria…





 

Dois ou três telefonemas depois, mais uns quantos dedos de conversa com lagóias cá da minha praça e… afinal… este desfecho era mesmo o único esperado, desde que um cancro no pâncreas fora anunciado como o carrasco implacável, que tinha deixado à vista pouco ou nenhum tempo de navegação, com margem de margem de erro praticamente nula, como são todos estres, afinal,.

 

Idas e vindas de Lisboa, chegadas de helicóptero com meia cidade à espera, a ver…

 

Um cancro no pâncreas, por Deus! Que modo de vida, que terrível mapa de ADN, que falhanço genético podem levar a um tão trágico desfecho assim, quando se é ainda tão jovem?

 

 

O Pedro chegou-me por um dos amigos que mais gosto, pela mão do meu Pescada. Conhecia-o de vista do Liceu, da Maluka, das noites de Portalegre, mas como nunca nos tínhamos cruzado por as linhas de vida jamais se terem tocado, por nunca termos sido da mesma turma, nunca termos tido amigos comuns, nunca termos chegado ao prazer do convívio.

 

Quando nos ligámos, acho que ainda estava bem antes desta fase de atleta que ocupava grande parte da sua vida, nestes últimos anos. Passear pelo seu facebook, presumindo que hoje em dia essa é a nossa pegada digital, é encontrar muito desporto, muitos amigos, muito convívio, muitas minis, muitos sorrisos, muita família e amor à família.

Como ele amava os amigos e a família…






Chega a ser impressionante mas… quando quase todos os utilizadores da rede social mais conhecida, e por todos mais utilizada, correm para meter a boca no trombone assim que lhes surge a mais pequena contrariedade, muito em busca de coros de comiseração que lhes contrarie a solidão e lhe sirva de conforto, o Pedro… não tem uma única publicação sobre a doença, fosse onde a revelasse, a dureza de lidar com ela ou com os tratamentos, ou se revoltasse contra ela, a vida, a sina, um Deus, ou o seu deus.

 

O Pedro teve de deixar, por ter recebido esta tremenda guia de marcha antes do tempo, uma jovem viúva, a Marília… e uma filhota de 17 anos, a Inês, a quem ainda no outro dia ofertou, pelo 17º aniversário, uma acelera toda XPTO, numa prova de amor que me deixou mesmo tocado.



"Amo estes sorrisinhos" escrevia ele. <3 <3 <3 
O melhor do mundo
Felicidade partilhada com os meus amores
Amo-vos muito

A sua vida era muito de entrega e partilha, de felicidade por ter junto a si quem amava, fossem a mulher e a filha, a mãe e o padrasto que ainda há dias parabenizava de forma ternurenta pelo octagésimo e picos aniversário, fossem os sempre tantos, saudáveis e atléticos amigos…


Com o Lourenço Rafael e a mãe Maria Teresa Tavares
 

Teve estofo e coragem para ter mudado de vida, perante um negócio que outrora já fora o maior do género na cidade, com mais que um espaço aberto, mas que agora definhava dia após dia, numa rua do comércio fantasmagórica, que se ajoelha perante as grandes superfícies que tudo engolem; e teve de adaptar-se a um negócio diferente, ao qual se ajustou para viver, mas não conseguiu superar a sentença de um fim anunciado, de um emissor que passa a algoz quando o transmite.

 

Não irei ao seu funeral por impossibilidade de agenda mas… de verdade que o que lamento na realidade é deixar de o ter cá, é nunca mais podermos fazer aquele almoço, ou aquele jantar como nosso amigo Pescada, que sempre enchia e alegrava as nossas conversas quando tínhamos o prazer de nos encontrarmos.

 

O que se faz, e deve fazer, é em vida. Os funerais, no meu modesto entender, da porta do cemitério para dentro, deveriam de ser exclusivos à família, pela intimidade do momento, pela força e importância.

 

A ele, vou recordá-lo sempre a rir para mim, a tratar-me por Sabi (que é o meu nome artístico em Portalegre, pelo qual muitos me conhecem, sem saber sequer que sou Pedro), sempre disposto a um convívio, a uma boa onda, a uma gargalhada ou uma corrida.

 

À família, que deve estar absolutamente destroçada, e aos todos amigos que ficaram sem ele, envio um forte abraço de pesar, de solidariedade e de força!

 

Ele, o pobre, vai ser mais um que fará parte dos meus pedidos, de uma outra forma, mas para que esteja em paz.

 

Até sempre, Pedro! Foi muito bom ter-te conhecido, e poder ter-te como amigo!


Até sempre, Amigão! <3