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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

A Grande Noite da Pop (e dos anos 80)



Minha querida Cuca Moutinho, e meu querido José Domingos Felizardo que me "ofereceram" o bilhete para este filme/documentário... por terem sido os primeiros a falar nele...

Wooooooooooowwww!!! Que maravilha!!!!! Que delícia, que doçura, que Obra enternecedora...


Nesta cápsula do tempo, estão os Gloriosos Anos 80, estão toooooodos os nossos heróis de então (muitos dos quais ainda vivem hoje connosco, felizmente), está toda uma indústria, e forma de viver que via o mundo como nunca tinha sido visto antes, ou jamais será visto depois.


Eu recordo o Pedro, da Beirã, com 12 anos, a estudar no 7°ano,  no ciclo preparatório em Castelo de Vide, numa altura em que computadores pessoais, telemóveis, tablets e afins, ainda nem sequer eram sonhados; a correr para a televisão sempre que este teledisco passava, para se deliciar com todo o envolvimento das estrelas envolvidas, que aqui é tão bem explicado, de forma tão ternurenta.


Entrada direta para o top de filmes do género. 


Uma delícia!

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Os Assassinos da Lua das Flores


Cinema... sempre será a minha paixão, aquela arte que por mais tempo que lhe dedique nesta terra, nunca passará de uma ínfima parte daquilo que deveria ser.


Não sendo um expert, um entendido, um potencial crítico de trazer por casa... não sendo perito a ler perspectivas, fotografia, adaptações de argumentos... sei que sei a minha parte, e isso, para mim, não é assim tão pouco.


Scorcese é um Mestre, e disso ninguém duvida. Mas que um só homem consiga fabricar obras primas absolutas e unânimes como "Taxi Driver" (1976) (já com o seu ator fetiche, De Niro); "O touro enraivecido " (1980), a soberba "A última tentação de Cristo" (1988), "Goodfellas" (1990), "O cabo do Medo" (1991), "Gangues de Nova York" (2002), "Os infiltrados" (2006), "O Irlandês"  (2019), entre muitos outros... e ainda consiga estar no pleno, e no ativo... É OBRA!!!


Este "Assassinos da Lua das Flores" (2023) é... todo um tratado! Sabem a sensação de... a cada sequência, cada cena, cada frame, termos a clara sensação de que estamos a ser privilegiados, por estar vivos, e podermos assistir a mais uma obra prima?!? É... 🥹


A câmara... como a câmara dança pela ação, ora dando grandes planos, ora explorando detalhes...


O argumento... tão verídico, tão real, e tão seguro...



Os atores...todos eles, dignos de uma nomeação (e porque não, do galardão!), do delicioso facínora tio King Hale (De Niro), ao tão expressivo e ambíguo Ernest Burkhart (Di Caprio); à sua exótica e belíssima esposa Molly (Lily Gladstone)... exemplares ao recriarem a tragédia dos Osage, a tribo indígena do Oklahoma, que nos anos 20 do século passado, assistiu à forma trágica e desoladora como o sangue negro que brotou das suas terras, conseguiu asfixiar toda a sua cultura, e modo de vida, por ter despoletado o "Reinado do Terror", que foi caracterizado pela forma como uma conspiração dos homens brancos dizimou quase sessenta  dos seus membros, em busca da sua riqueza, com falsos casamentos e assassinatos.




Pura poesia em imagens, banda sonora, e conceito global, numa delícia inesquecível.


Ai, por favor. Podem não ver mais... mas este... É ESTE!!! 👌


BEJÚS!!! 🎥🎬🎞️


Nota: Uma das vantagens de se escrever no Facebook, é que a interação com quem nos lê (um dos grandes objetivos da escrita para mim, é a interação, a dialética), é muito mais significativa, e até mesmo avassaladora, quando comparada com a que era frequente no blogue.


Agradeço reconhecido a todas as minhas Amigas, e aos meus Amigos que por lá se manifestaram, mas permitam-me que re-publique, em jeito de reconhecimento, o comentário da minha Amiga Joaquina Ferreira, que conheci quase há 20 anos, quando fui vice presidente da câmara, e ela pertencia ao Conselho Executivo da Escola Básica Integrada da Ammaia, Portagem.

Para além de ser lisonjeador, o que muito lhe agradeço, fez com que escrevesse algo mais sobre este mundo que me fascina, e por ter tudo a ver, se ajusta.


Muito obrigado 🙏


Disse: Não vou deixar de ver, depois de ler esta descrição e reflexão soberba não posso perder.

 Para quem diz não ser um crítico, faço-lhe uma vénia amigo Pedro, pois não só descreve enredo e personagens  maravilhosamente, como lhe acrescenta apontamentos só possíveis a quem tem conhecimento, entendimento e muita sensibilidade a esta forma de arte.

bejinho


Respondi:

Ah... minha querida Amiga...

Quanta gentileza... 🥹

Bem haja. 🙏


Sabe que o assunto, à partida, me interessava sobremaneira! Desde que me conheço que sou um apaixonado pelos ameríndios  (por mesmo TODAS as tribos indígenas da América), desde os nativos da terra de Vera Cruz (um grande número de diferentes grupos étnicos que habitam o Brasil, milénios antes do início da colonização portuguesa); aos peles vermelhas norte americanos, que chegaram a esse continente vindos da região do Nordeste da Ásia, há aproximadamente 20 mil anos, segundo os teóricos, pela travessia a pé da massa de terra da Beríngia, onde atualmente está o Estreito de Bering!


Quando estudava na faculdade em Lisboa, comprei um livro de fotografias que me apaixonou em absoluto, dedicado ao acervo de Edward S. Curtis, um lendário fotógrafo que dedicou sua vida (1868-1952) aos índios da América do Norte. Entre o final do século XIX e o início do século XX, Curtis atravessou os vastos territórios dos Estados Unidos e do Canadá para conhecer as populações indígenas americanas, gravar suas vozes e cantos, contar suas histórias e, sobretudo, gravar na película fotográfica  seus rostos e retratos. Era um verdadeiro antropólogo! Em 25 anos de trabalho intenso e viagens incessantes, ele conseguiu reunir o maior acervo de imagens do mundo sobre os peles vermelhas. Calcula-se que tenha captado entre 30 a 60 mil fotografias, embora apenas 2.200 tenham chegado até nós, algumas das quais contam da minha edição da editora Taschen de que já falei.


A sua visão do cosmos, do universo e da vida... a sua relação com a terra, com todos os elementos animais (o búfalo como peça central da vida, a fonte de alimento, de vestuário, de moda, decoração...) e naturais (o irmão sol, a irmã lua...), a forma como viviam a espiritualidade e se relacionavam entre si, o enorme respeito pelos mais velhos (os bastiões da sapiência, quando esses na nossa sociedade, são considerados como lixo!), a forma de se defenderem, guerrearem e se relacionarem ente si... é um fascínio absoluto para mim!


Por isso já estava com umas expetativas tão altas, e o saboreei com uma vontade tão grande.


Olhe, minha querida Amiga Professora Joaquina, se se lembrar de mim ao vê-lo... 🥹 dá -me um Óscar! ☺️


Muitos beijinhos e 🙏

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Os 7 de Chicago

 

O Netflix outra vez, ou a nova forma de ver cinema, e as formas diferentes de o distribuir. Num quadro de época muito bem captado, retrata-se como a convenção nacional do partido democrata naquela cidade, em 68, foi o isco para cerca de 15 mil manifestantes que se revoltaram contra a guerra no Vietname. e ali afrontaram agentes que superavam esse número!

O julgamento dos famosos “7 de Chicago”, os ativistas anti-guerra que se tornaram nos bodes expiatórios dos violentos motins que tiveram início a 28 de agosto, nessa cidade do estado de Illinois, naquele que foi o verão quente do pico desse conflito, é o centro deste filme. Obra de época, no ano mais sangrento dessa guerra, recordam-se os mais de mil militares americanos quem morriam todos os meses, e Martin Luther King, assassinado apenas quatro meses antes.

A guerra, o movimento dos direitos civis, marcam compasso numa obra que merece ser vista, e que certamente irá dar que falar naos galardões deste ano.


(E afinal, o Sacha Baron Cohen sabe muito mais do que fazer só rir...)

sábado, 29 de dezembro de 2018

(Ao fechar o ano...) O CINEMA

Numa altura natalícia, em que todo o tempo é pouco para a família, nem tenho vindo ao blogue. Contudo, em tempos de análises, balanços, e prognósticos, subo à cabine de som para postar uma memória do ano que passou, para que fique cristalizada.

O meu amigo Paulo Cerdeira, que se tem relacionado comigo mais por aqui, na net (é um grande benfiquista… muito crítico ao Sr. Vitória) que na vida real (é uns anos mais novo, de uma geração mais jovem que a minha, tendo por isso passado ao lado, na escola em Castelo de Vide) desafiou-me para colocar frames dos 10 filmes da minha vida, à razão de um por dia, no facebook, numa imagem iconográfica, sem palavras. Ora, quem me conhece, sabe que isso é extremamente difícil, por diversos motivos: por serem apenas 10, e sobretudo, por não poder escrever uma palavra sobre cada um deles. Claro que eu fugi à regra, e nalguns casos, meti apenas uma linha ou outra, orientadora.

Respondi ao desafio no dia mundial do cinema, que se celebra no dia 5 de Novembro, e agora esse repto sobe ao altar do blogue, para que fique, com a adenda dos trailers de cada um, para que fique ainda mais pomposo.

1/10

The Silence of the Lambs (O silêncio dos inocentes), de Jonathan Demme, 1991, 138 min. 
Trailer



2/10
Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, 1994, 154 min.
O filme!

Trailer


3/10
Blade Runner, de Ridley Scott, 1982, 117 min.
A filosofia da existência humana, no olhar de andróides

Trailer


4/10
Bram Stoker's “Dracula”, de Francis Ford Coppola,1992, 128 min.
O meu fascínio pelo imaginário vampiresco numa obra-prima, 
repleta de fantásticas interpretações, magistralmente registadas. Sou ultra-fã!

Trailer


5/10
Forrest Gump, de Robert Zemeckis, 1994, 142 min.
A magia do cinema, e da vida… condensadas em pouco mais de 2 horas. Porque ela é como uma caixa de chocolates...

Trailer


 6/10
Monsters, Inc. (Monstros e Companhia), de Pete Docter (Pixar), 2001, 92 min.
Quando a animação sobe ao patamar do real, e nos transmite tantos conceitos, emoções, e sensações, que faz tudo parecer verdade.

Trailer



  7/10
The Shining, de Stanley Kubrik, 1980, 146 min.
Uma obra-prima do mistério do medo.

Trailer


  8/10 
Dances with Wolves (Danças com lobos), de Kevin Costner, 1990, 180 min.
A minha adoração pela forma de indígena de entender este nosso mundo, 
aquela com que mais me identifico.

Trailer


   9/10 
Wings of desire (Das himmel uber Berlin / Nas Asas do desejo), de Wim Wenders, 1987, 128 min.
Ou o filme que fez mudar tudo.

Trailer


   10/10
Seven, de David Fincher, 1995, 127 min.
Tão próximo da perfeição... em todos os níveis (Realização, representação, enredo...)
Trailer

Obrigado pela viagem, Paulo!

quarta-feira, 7 de março de 2018

A forma... do amor




Neste mundo maravilhoso em que tenho a sorte de poder estar vivo, pode mesmo acontecer isto que nunca pensei que pudesse vir a ser possível, quando em criança, já vivia apaixonado pela magia da 7ª arte (porque essa é, de entre todas, a minha favorita): assistir ao filme vencedor dos óscares, consagrado há poucos dias atrás, estando deitado no meu sofá de casa, com ele a ser transmitido no portátil, no colo, à luz da lareira, tendo por companhia o Sr. Sizzle, que dormia no chão, ao lado. O Pedro menino, sabia, quando eram anunciados os vencedores, que só poderia ter a sorte de os ver num cinema, meses, talvez anos, depois. Assim foi com “O Padrinho”, “O Caçador”, “Kramer contra Kramer”, “Rocky”, ou “Gandhi”, alguns dos quais só consegui apanhar na televisão, anos depois…
A moda dos videoclubes ainda era um sonho para qualquer cinéfilo, quanto mais…

A tecnologia de hoje em dia, tornou a cultura, um fenómeno absolutamente democratizado, ao alcance de todos. Nem em ficção científica, poderia acreditar, há 30 anos atrás, que iria existir uma coisa chamada internet, que me possibilitaria assistir… a isto: ao filme vencedor de Óscar para melhor fita, em casa, à lareira, de forma gratuita, dias depois.



Esqueçam tudo o resto que há de pernicioso: este mundo, este tempo, são fantásticos para se viverem.

Quando terminou, quando a luz se apagou, a minha cabeça disse… sim.
“Primeiro estranha-se. Depois entranha-se”, como dizia o bom do Pessoa, sobre a Coca-Cola. Ele era mais absinto, mas… o refrigerante, afigurou-se-lhe assim.

Quanto ao filme… foi merecido. Trata-se de… cinema em estado puro. É uma obra digna de figurar ao lado de outras grandiosas, que figuram nessa galeria privilegiada dos melhores. Como amante que sou, não vou cometer nenhuma inconfidência de mau gosto, capaz de estragar o impacto a quem se sirva depois. Mas, de entre o que já se sabe, e já eu sabia também, posso adiantar que é uma história envolvente, enternecedora, envolta num ambiente de fábula, que me fez muito lembrar “O fabuloso Destino de Amélie”. Tudo se passa no cenário da guerra fria, onde há americanos, russos e israelitas; se estuda a ida ao espaço, e é aí (em belíssimos cenários e guarda roupas, no meio de muitas personagens carismáticas, que se desenrola uma história de amor bizarra, entre uma muda vítima da solidão, e um ser estranho, híbrido, um anfíbio com ar de humano.



O filme é um fresco impressionante, que mais parece um puzzle muito elaborado, onde nada está fora do lugar. Tudo ali é realmente bom, e bonito.
Eu quis espreitar se era um exemplar de boa qualidade, e espreitando… deixei-me arrastar para as águas profundas, e ali fiquei, com eles, nas duas horas seguintes, em total apneia.
Este momento que escolhi para ilustrar o fascínio que a fita teve em mim, recorda um momento da banda sonora original, que revela muito do que ali se passa, e retrata.


Digam o que disserem, por mais avançados que sejam os artistas de hoje em dia, por mais elaborados e virtuosos que sejam os reis do mainstream, não há forma de conseguirem suplantar esta maravilha protagonizada pela absolutamente estrondosa Carmen Miranda. Tudo ali retratado é harmonioso, simples, gracioso e perfeito.



E é neste ambiente onírico do filme, que se digladiam mundos, visões, conceitos e religiões. Que coisa é aquela?, perguntam os que o querem estudar, quem o quer amar, os que o querem roubar, quem o quer entender, os que viviam à margem da civilização moderna, que o idolatravam; que o seguiam e adoravam, pelas suas capacidades, e pelo seu pode regenerador, capaz de desafiar os limites dos demais humanos, dos filmes, e até da própria vida.  










Claro que recomento a visualização! Eu adorei viver, e crescer com ele.

E volto a reformular a minha vontade de não mais me deixar levar pela vida, ao ponto de me permitir viver tanto tempo longe dos filmes. Se eu mandasse realmente nela, duas, das 24h, eram dedicadas às imagens projetadas no escuro.

Tão bom…

Amei.











domingo, 5 de novembro de 2017

OS 8 ODIADOS E O (meu) AMADO


Este blogue instrói: clica nos links, e sabe mais... 

Se há arte que amo profundamente, é o cinema. Isto porque para mim, o cinema, ao contrário do que muitas mentes esclarecidas pensam, não é uma arte inferior à literatura, à pintura, à fotografia, ao teatro. Porque… no meu modesto entender, o cinema é, e pode ser, a conjugação de todas elas. O cinema pode ser a obra maior. Como neste caso de que vos vou falar.

Tudo isto porque ontem assisti, completamente embevecido, a espumar da boca a cada frame,  à última obra-prima do grande mestre Quentin Tarantino: os 8 odiados. Um filme de cowboys, que pretende ser uma homenagem aos westerns, mas que é muito mais que isso, porque os reinventa, e os consegue elevar a um nível, que nem os grandes mestres do género, alguma vez sonharam possível. O que eu adorava ter podido assistir a isto, sentado com o John Ford (o maior no género, atrás da câmara), e o John Wayne (o maior no género, à frente da câmara), ao meu lado.


A forma como é filmado, logo na abertura, um Cristo cruxificado, com a neve a cair, e a diligência (palco de grande parte da fita) a aproximar-se ao fundo, é um hino ao cinema, que abre as cortinas de ouro, para o que se vai passar a seguir.



O melhor de tudo do filme, é poder assistir. O vosso tio Sabi, aconselha vivamente todos vocês, distintos sobrinhitos e demais pequenada, a que disponham 2 horas e quarenta e um minutos da vossa existência, a fazerem-no. Se calçarem o MEO, comme moi, vale 3,5€. É um maço de Marlboro. E não faz tanto mal, garanto.

Todos os ingredientes de um grande filme estão lá, só que cozinhados de uma forma absolutamente magistral. Nunca mais, na minha vida, poderei assistir a um outro tamanho talento e devoção a esta arte. Esta obra (nele, sempre prima! Vai na 8ª! Devorei-as todas. Tenho todas as editadas), para além de realizada, também ela foi escrita pelo próprio Tarantino, que conseguiu aqui criar um fresco único.

Grande parte do tempo, a ação concentra-se numa diligência. É nesse espaço exíguo, onde quase tudo se começa a desenrolar, que aponto um dos únicos senãos, embora se compreenda devido às dificuldades de realização. Na viagem dentro de uma viatura destas, o barulho e a trepidação deveriam ser tantos, que mal se deveriam compreender as conversas, quanto mais.


Uma tempestade enorme de neve que se aproxima, um caçador de recompensas com dinheiro a haver, ainda com vida, a seu lado; e encontros com personagens diversas, todas mirabolantes, levam-nos a um mergulho profundo, naquilo que é a natureza humana. Com uma inteligência assombrosa, e um tato singular, Tarantino vai construindo uma filigrana de emoções, que são a mais pura delícia para um amante de cinema.


Eu cresci com os Westerns. Naquela altura, em que eu estava a aprender a crescer, e a viver, quando a televisão portuguesa viva em dois canais pobres, que encerravam com miras técnicas, em horários absurdos; quando a única animação era a do Tio Vasco Granja (toda ela estranha, algo absurda, e a cair para os países do leste da Europa), e os filmes eram poucos e maus; a televisão espanhola (que bom que foi nascer junto à fronteira!) que se captava “de maravilha!” (como eles dizem), foi um bodo aos pobres! Eram belíssimos concursos (“1,2,3”, com a simpatiquíssima Mayra Gomez Kemp), eram os programas de variedades (Aplauso!), era o entretenimento infantil digno desse nome (Bola de Cristal), e as enooooorrrrmes sessões de coboiada, tantas tardes e noites, sentado na sala com o meu pai, que os comia a todos.



Mas nesse tempo, a memória que tenho dos westerns, era que eram lineares. Tinham paixões, muito amor e ódio, mas eram fitas onde as personagens estavam tão tipificadas, à partida, que se conseguia logo perceber quem eram os bons, e os maus. Os rapazes das vacas, que as acompanhavam em busca de paragens mais férteis, de acordo com as estações do ano, faziam nessa transumância encontros com situações que faziam o coração do filme, muitas vezes ligados a uma rapariga, um mau, ou conjuntos deles. E muitas vezes, nem sequer eram os peles-vermelhas, esses desgraçados, sempre tão mal desenhados, quando na verdade, foram os primeiros povos naquelas paragens, vivendo num equilíbrio total, de respeito e cooperação, com a mãe natureza. Os filmes da cóboiada, bem como os livrinhos de bd, eram mais para passar o tempo divertidos.


Tarantino eleva o género como eu nunca imaginei possível. No meu tempo, nesses filmes, um bacano dava um tiro, e o outro caia. AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH… tarús, para o meio do chão, com uma nuvem de poeira a levantar-se. Fosse a que distância fosse. Daí as nossas brigas de miúdos, quando brincávamos nos canchos da Beirã, aos cóbóis, de um dizer, do alto de uma rocha:
- Estás morto!
- Não estou não! Passou ao lado!, respondia o outro.
- Isso foi à bocado! Esta foi mesmo em cheio!
E por aí fora, até se fazer de noite.
 Agora, com Tarantino, as coisas ficam como devem mesmo ter sido na realidade. Levar um tiro de pistola, a pouco mais de 1 metro da cara, deve mesmo meter tudo a dentro, ou fazer voar a cabeça, como ele mostra agora. Um banho de sangue, como já vai sendo nesta sua revisitação ao estilo, como já foi em DJANGO 


Depois, os murros são tão violentos… mesmo numa mulher!, que a atiram da diligência abaixo, com o caçador de prémios algemado ao seu braço. Eles escarram, eles arrotam, eles têm os dentes… não branquinhos, como os de um ator de Hollywood, mas como deveriam ser os dos cowboys: todos sujos, quando se riem, e deixam ver a boca.


Dos atores, todos de altíssima gama, muitos deles já habitués do mestre (PulpSamuel L. Jackson), Reservoir Dog Tim Rooth, Kill Michael Madsen Bill), os meus destaques vão para os que creio que estreantes, ou recentes na relação: fabuloso Kurt Russel, o veterano Bruce Dern (pai da sua Wild at Heart Laurinha Dern), e a absolutamente fantástica Jenniffer Jason Leigh.



No final, a gente recosta-se para trás e suspira. Porra! Que granda película!

Como o aluguer da minha operadora dura 48 horas… vou ter de rever algumas partes, sobretudo no final, para segurar algumas pontas, que tenho por aqui ainda sem estarem bem firmes, para tentar perceber a brilhante genialidade da coisa.

Tarantino: Obrigado por existires ao mesmo tempo que eu! És GIGANTE! Quais outros realizadores, quais quê! Há-os mas…