Mostrar mensagens com a etiqueta João Sobreiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Sobreiro. Mostrar todas as mensagens

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Os Compadres em Marvão

 A minha Amiga Mila Lena, publicou no seu mural do Facebook, este texto delicioso:


O DIA DOS COMPADRES EM MARVÃO – Memórias e tradições.


Já se perdeu praticamente toda a essência destes dias no concelho de Marvão, que comemorava com fervor e muita alegria, quer o dia dos compadres, quer o dia das comadres, com partidas de carnaval, muita sátira e, claro está, no fim do dia, uma grande jantarada na qual reinava sempre a boa disposição.


E o primeiro destes dias era o Dia dos Compadres, que eram gozados pelas comadres (mulheres), com partidas e brincadeiras de carnaval e se nesse dia chovesse todas diziam que os compadres eram mijões.


Digna de registo, uma brincadeira original na Relva da Asseiceira, que era o “Afogar os Compadres”, que consistia no seguinte: no dia dos compadres, as mulheres, raparigas e crianças da Relva, juntamente com a Srª Júlia do Zé Afonso (mulher mais velha) faziam um boneco de trapos, que prendiam a uma vara que a Srª Júlia punha à janela mais alta da sua casa, de maneira a que os homens e os rapazes não lhe chegassem para o tirar. Junto ao boneco que satirizava os compadres, eram postos uns versos feitos pela mesma senhora, que descreviam a sina do pobre compadre:


“Todos passam e me vêem


E eu a todos os vejo ir


Senhores leiam a minha sina


Mas por favor não se deixem rir.”


Ao final da tarde dirigiam-se todas as pessoas da Relva (homens e mulheres) a pé para o Rio Sever, no sítio do Moinho da Negra, para afogar os compadres. Como os homens tentavam sempre roubar o boneco às mulheres para não serem gozados, a Srª Júlia ia mais cedo para o Rio, onde enchia o boneco de pedras, para que, quando o deitassem à água ele não “viesse ao de cima”.


Lá chegados era deitado à água o boneco que imediatamente se afogava, tendo-se assim cumprido o desejo das comadres. Lá ficavam os compadres revoltados porque as senhoras comadres tinham conseguido alcançar o seu objetivo.


Em Marvão, é ainda tradição fazer-se o Jantar dos Compadres, ao qual assistem só homens, e se há muitos anos atrás era mais vocacionado para os homens do concelho de Marvão e para aqueles que trabalhavam nos serviços públicos da Vila, na atualidade podem participar todos quantos assim o desejarem, independentemente se serem, ou não, naturais de Marvão. A ementa é sempre a mesma: miolada de porco e feijão branco “com a cabeça do animal”, acompanhado sempre com bom vinho de produtores do concelho. Cada participante deve trazer de casa pratos e talheres. Para animar, e como não pode deixar de ser, arranja-se sempre um tocador de concertina.


(nota: as fotografias são do arquivo fotográfico pessoal da MilaMena e reportam o dia dos compadres em Marvão em 1982)


Com diversas ilustrações, entre as quais contavam estas,  que eu não conhecia, e comentei...

O meu querido e tão saudoso Pai, João Sobreiro (aqui com 37 aninhos s, apenas), abraçado ao seu enorme Amigo Calcinha, da Alfândega; com o seu colega e quase irmão Lourenço Costa, na frente; e o Sr. António Lourenço (creio eu...), rindo das conversas, como não?!?

Antes deles, de óculos, estava o Sr. Cardoso, outra figura da Beirã, lembrou-me o amigo António Andrade.


Outra trempe de luxo: João Sobreiro, já na fase do café; João Forte da Broca, Beirã, no bagacinho; e o tão jovem Padre Fernando Farinha, saboreando o seu belo cigarrinho, dentro de casa! 🫣😁, no Café da Casa do Povo, onde os posters da Coca-Cola encobriam as humidades... 

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Então, afinal, assim pensavas tu...


De parceirada, na janela da casa da avózinha... <3

E prontos, cá estou eu, a cristalizar no papel, um texto que ando a escrever na cabeça há 28 anos, desde 3 de junho de 1994, mais precisamente.

 

Muitas vezes quando estou parado, a pensar, parece aos outros, que em nada, com ar abstrato e perdido, ando mergulhado nestes pensamentos que são só meus, não por egoísmo, mas porque estão em construção, e ocupam grande parte do meu viver.

 

Desde aquele então, desde aquela fatídica manhã de calor, quando estava em Armação de Pêra (aquela que sempre foi a nossa praia, porque causa de ser aquela de onde o Tio Gomes, teu cunhado, era natural), quando subitamente faleceste tu, meu pai, o que queria mesmo era saber como é que tu, com precisamente a mesma idade que tenho hoje, te sentirias perante ti mesmo, a vida, os outros; não quando estavas a sentir o aperto colossal, de muitas toneladas no peito, como relatam os depoimentos médicos habituais em geral, mas se estivesses fora dessa situação, se estivesses bem.

 

Há medida que os anos se iam aproximando deste momento, eu ia-me apercebendo que apesar de todos sempre sabermos que 49 anos é uma idade muito horrorosamente jovem para se partir… tu eras mesmo muito novo!

 

Quando eu nasci, tinhas 28, apenas, mas já carregavas em cima dos ombros, uma vida de mais do dobro, com a juventude rebelde e musical de Castelo Branco, na tarola dos Cometas Negros, e com uma guerra colonial em Moçambique às costas, a qual nunca chegaste a compreender, e da qual nunca falavas, mas que te fazia acordar em sobressalto, e em lágrimas, muitas noites, sempre a carregando contigo, por ser um fardo duro demais de injustiças e horrores.

 

Ai, João Sobreiro... sempre usaste bigode, o que te fazia mais velho, e te dava um ar mais pesado. Sempre te vi assim, como pai, como mais velho, com respeito e de certa forma, inalcançável. A grande conclusão era que se quando partiste, olhavas para a montanha da vida, do mesmo ponto que eu a vejo hoje… eras um puto apenas! (que é como eu sinto que sou!)

 

Eu posso ter… aquilo que mais me orgulho até hoje: ter gerado e ajudado a criar duas filhas que amo mais que a vida (porque a daria por elas no instante seguinte, sem pestanejar), posso ter criado um lar, posso ter feito a história de vida com a Mulher de Sempre, desde os 15 (?!? na 1ª vez?, com diversos interregnos, mas sempre ligados), posso ter construído a vivenda dos meus sonhos, posso ter lutado por arranjar um emprego condigno, seguro, do Estado, que considero não mal remunerado, apesar de ser fora daquilo que era a minha formação académica; posso ter sido o vice-presidente do meu concelho, posso tudo isto mas… sou um puto! As diferenças entre aquele Pedro que teimava em andar de calções de banho na rua, quando montava a sua bicicleta BMX na Beirã, no Verão, e este que escreve aqui agora… não são muitas! São, se calhar, nenhumas!

 

É certo que posso ter em mim, todas as limitações da sociedade, posso ter assimilado os papéis condignos, embora de vez em quando resvale para alguma rebeldia adolescente que persiste em continuar viva, mas percebo cada vez mais porque é que o Peter Pan, do escocês James Barrie, a história do menino que nunca quis ser grande e crescer, é, para além de ser o meu livro de vida, capaz de ser mesmo a minha.

 

Tento sempre ajudar os outros e ser irmão (seja de quem for, seja um pobre desgraçado, um renegado, um leproso, desde que me mereça a confiança), combato as injustiças (custe-me o preço que custar), não tenho limites e sou irreverente (por achar que sou sempre capaz de chegar, mesmo onde me dizem que não), digo tudo aquilo que tenho a dizer, seja a quem for, sem medos de consequências; sou humilde (porque sei que por muito que tenha, nada é meu e nada tenho; porque a vida nesta terra, que não somos dela, é uma passagem e um fogacho), entrego-me sempre à primeira, e sou leal a quem me quer; sou Amor, que é o sentimento mais forte e mais bonito nesta terra.

 

O meu pai nunca me bateu, o que não posso dizer de um apontamento ou outro da minha mãe, mas que foram sempre merecidos e só me fizeram bem!

 

Sei reconhecer que não foi um pai perfeito, e ele também se sabia assim. Apesar de sempre zelar pelo nosso bem estar e tudo fazer por nós, teve sempre consciência que a sua vida, era a sua vida, a sua oportunidade de viver, e aproveitou-a da melhor maneira que a ele lhe pareceu. Apesar disso, teve um efeito em mim que foi a pessoa que mais me impactou, moldou e mais gostei de conhecer (perdoa-me mãe. Sei que tu também foste assim!), ao ponto da minha vida nunca mais ter sido a mesma.

 

O meu pai desapareceu numa manhã em que se sentiu mal, com um forte aperto no peito, e por isso não pôde ir levar o meu irmão, de então 14 anos, à escola de Santo António onde estudava, a 4 quilómetros de distância, que foi conduzido pela minha mãe, que… quando regressou… ele já não estava, ou tinha acabado de partir.

Naquele então, não existiam Bombeiros Voluntários de Marvão, os de Castelo de Vide ficavam muito distantes, e o Hospital de Portalegre parecia quase à distância de Lisboa. Houve uma enorme negligência de todos nós, por todos os sintomas que vinha revelando nos últimos meses, muita submissão à sua vontade em fugir dos médicos e à medicina em geral, por estar certo que lhe iriam cortar com aquilo que eram os seus hábitos favoritos de toda vida, que fazia questão em manter, custasse o que custasse.

 

O seu desaparecimento foi, para ele, um momento. Terrível e certamente extremamente doloroso e aterrador, mas que aconteceu de uma vez, só, derradeira, fulcral, determinante.

Não se viu, nem o vimos… definhar numa cama de hospital, a ser comido por uma doença ruim, desgastante, cruel, avassaladora em dias que pareceriam meses, anos, décadas; nem se viu, nem o vimos ficar apanhado por uma trombose qualquer, diminuído, aprisionado de um corpo cujos membros já não lhe obedeciam aos movimentos que queria fazer.

 

Deixou foi uma mulher viúva com 43 anos naquela data, e dois filhos, um de 20 anos, outro de 14; um a estudar na faculdade em Lisboa, o outro, aqui, como contei; e nós nunca mais fomos os mesmos. Eu, recém licenciado em Comunicação Social, não me senti com capacidade, nem background (até com direito de pedir o financeiro) para andar por Lisboa à procura de emprego, com as televisões privadas a rebentarem, mas com a família desfeita por aqui; e o Miguel, que era o seu grande companheiro de sempre, ainda estava a aprender a ser gente, quanto mais.

 

Mas o João Sobreiro… foda-se!!!!, o João Sobreiro tinha um nível (sempre sabendo até onde poderia ir, e quando deveria parar), uma classe (que o permitia saber estar tanto com a alta, como com o pastor mais modesto, analfabeto), uma cultura (sempre a ler, sempre com as palavras cruzadas que acabava de forma exímia, deixando-me boquiaberto), uma alegria de viver (sempre bem disposto, sempre de viola às costas, sempre a fazer a festa onde quer que entrava), tinha um amor por nós (mulher, filhos, mãe, irmãs, sobrinhos, primos), e por tantos, tantos amigos do emprego, daquilo em que se metia como os escuteiros, as caçadas, as ramboiadas, os tempos de Castelo Branco (onde ainda é lembrado com tanta saudade), que é recordado ainda hoje! por Homens que vão às lágrimas, por se recordarem de tempos que já não voltam, e pelos belos momentos que passaram juntos.

 

O João fez aquilo que é mais importante: deixou marca! Bateu fundo em quem com ele contatou. Deixou o mundo diferente do que encontrou!

 

Hoje teria 77 anos, e… tanta gente que é feliz, se sente bem, e faz feliz os que estão à sua volta com essa idade. Tantas coisas que poderiam ser ainda feitas…

A sua irmã, Cremilde, ainda cá está, Graças a Deus, na Santa Casa da Misericórdia de Marvão, com 91 anos, embora a demência do Alzheimer, já a tenha levado há muito, e apenas restar um corpo muito débil, um escombro que nós muito amamos, e persistimos em continuar a visitar, e amar, como um monumento ainda vivo que tanto amamos.

 

Aqui chegado, pois, a constatação maior e a certeza é que o tempo, o tempo, é o bem mais precioso que temos na vida, e ai daquele que não o souber bem aproveitar! Mal nos damos conta… já foi!!!

 

Peço a Deus que te tenha em descanso, e se acredito nessa entidade máxima, não acredito que haja céus, ou infernos, mas antes outras vidas, outras dimensões que decorrem desta. Aspiro piamente, a que chegado o momento em que tenhamos de “subir de nível”, muitas coisas nos sejam explicadas, e palavra de honra que gostava mesmo de te voltar a encontrar! Adoraria poder dar-te um abraço dos nossos, daqueles que me davas quando sabias das boas notas que tinha tido, e ficávamos ali assim abraçados, colados um, ao outro, assim bem apertados, até sentir os ossos e me começar a faltar o ar.

 

Vai por ti, meu velho!   

 

Saudades!!!

As saudades que eu tenho de falar e tu me ouvires...(quando ainda nem sequer televisão tínhamos),

 

quinta-feira, 4 de junho de 2020

A tal favada (de estalo!)

 



Eu estava capaz de dizer que há coincidências do camandro.


Acontece que sou um gajo que não acredita nisso das coincidências. Sem querer estar armado em Simara, ou Mayra, ou noutra gaja qualquer com dotes de adivinhação que há por aí, tenho de dizer que acredito piamente que a presunção que têm os que vivem deste lado da vida, e da realidade onde felizmente me encontro, de que sabem de tudo e tudo controlam, me soa a ridícula e despropositada.


Há 26 anos atrás, fui acordado pela GNR onde me encontrava. Passava um fim de semana grande, em que se metia e aproveitava um feriado, junto ao mar, em Armação de Pera, com a minha namorada de então, que haveria de ser a mulher com quem partilho a vida, e aqueles que são hoje, os meus cunhados e sogros.


Bateram à porta e disseram: recebemos uma chamada para si. Tem de ligar para casa. Os telemóveis, tão banais hoje em dia, eram ainda uma cena muito ficção científica.


Ainda hoje me recordo da luz daquele dia, do ambiente que se respirava no ar, de serem as primeiras mini-férias do ano, e da minha ânsia até chegar à cabine telefónica, na rua do casino, de frente à Pizzaria.


Assim que consegui estabelecer a ligação…

- O Dai…

- O que foi?!?!?

- Morreu…

Assim.
A seco.
Duro.
Sem uma preparação de que houve um problema, ou que sentiu-se mal, ou foi internado, ou… nada. Foi um soco no estômago que mo colou ao cérebro, e me deixou sem ar, atónito, sem saber o que fazer a seguir…


Aventei com o telefone e saí da cabine onde me faltava o ar. Saí caminhando pela rua paralela à marginal, e fui andado até sei lá onde. Se calhar, até onde quem estava comigo e assistiu a tudo do lado de fora da cabine, me conseguiu agarrar. Foi uma daquelas notícias que marcam a nossa vida. A partir dali nunca mais nada iria ser igual e eu soube-o de imediato.


Andei e acho que parei a chorar, sem saber ainda bem o que haveria de fazer.


Recordo-me que quis apanhar um autocarro, que não quis deixar que isto abalasse os seus tão desejados dias de férias, mas não me deixaram. Acabou tudo ali.


Perdi assim, sem ter podido fazer a despedida merecida à pessoa que mais me marcou na vida, e mais influenciou a minha maneira de ser. O João Sobreiro, o meu ídolo e modelo, sabia estar. Tanto se dava e adequava o discurso aos altos nomes das alfândegas, e dos despachantes com que tinha de se relacionar por motivos profissionais, como ao homenzinho do fundo da rua, a quem davam crédito para pouco mais que nada. Aos seus olhos, todos eram seres humanos iguais, cada um com a sua dignidade muito própria.


Quebrou num momento em que tinha sido engolido pelo progresso, juntamente com a sua esposa, colega que também trabalhava no mesmo ramo, quando a abertura das fronteiras pela criação do mercado único europeu lhe tirou o pão da boca, e os deixou desempregados, com um filho a estudar no 3º ano da faculdade, e um no ciclo preparatório, em Santo António.


Talvez o maior amante da vida e dos seus prazeres que conheci, sempre tudo fez para que nada lhe passasse ao lado. Partiu muito cedo, com apenas 49 anos cumpridos nem há dois meses, com pouco mais de dois anos da idade que tenho atualmente, quando me considero ainda um miúdo (embora saiba que já não o seja).


Foi uma vida na qual não ficou um copo (sempre com um amigo) e um café (muitos) por beber, onde não ficou um cigarro por fumar (dois maços, 20 + 20 não chegavam, durante quantos anos?), onde não havia qualquer preocupação com cuidados com a atividade física, ou alimentação. Foi uma vida onde o estouro que a máquina deu se poderia prever e já tinha dado ameaços. Naquele então, não haviam bombeiros aqui que me salvaram já, não haviam desfibrilhadores, o hospital de Portalegre ficava sempre longe demais, e não houve uma segunda hipótese, não houve um aviso, não houve um ponto de situação a partir do qual se pudesse fazer um recomeço.


A comida favorita do meu pai eram favas. A minha mãe, ou porque não gostava, ou não tinha jeito, ou porque não as sabia fazer, nunca as cozinhava. O que mais não faltava naquela saudosa e frondosa Beirã da minha infância, eram amigos cujas esposas eram extraordinárias cozinheiras e faziam gala em convidar o bom do João. Certamente seriam muitos mas eu aqui recordo-me sempre do saudoso Sr. Sabino que adorava a companhia do meu pai, o que era absolutamente recíproco. Eram sempre boas, bastinhas e muitíssimo bem regadas, como manda a lei.


Há dias, a minha querida amiga de toda a vida e cunhada Paula Lança, disse-me por sms: Olá cunhadinho. Vou mandar umas favas à minha mãe, para ela fazer para o meu pai e para ti. Beijinhos.”


Como estive a trabalhar em casa, e em formação pela internet, a favas chegaram cá ao defeso. Era uma bela tupperware que… foi toda! Deu uma tijela bem grande bem cheia, bastinha, mais um resto. Anda brruto!!!


E assim vejam bem: passado este tempo todo de tanta saudade, dou por mim a almoçar sozinho (porque os horários da malta cá de casa meteram programas diferentes), a comer uma favada de estalo (que eu nem sequer comia naquele então, porque não me chegavam, e porque achava que não gostaria), a comida favorita do meu pai, no dia em que ele partiu deste mundo, 3 de Junho, há 26 anos atrás (hoje teria 75… novo!), arranjada por pela minha querida cunhada, trazida pelos meus sogros, que foi quem sempre me ajudou e acompanhou, e tanto naquele dia.


Eu só agradeço. Só posso agradecer tanto.  


Que Deus vos abençoe.



sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

(Sobre) A Fé que nos salva (e nos livra da guerra)

Episódio (na íntegra) 1

Episódio (na íntegra) 2



As tecnologias, todas as tecnologias são fantásticas porque nos aproximam, nos fazem estar mais perto uns dos outros, nos ajudam a viver. O dia-a-dia de uma família há um século atrás, quando a luz elétrica era ainda uma miragem para muitos lares, seria certamente bem menos feliz e confortável que é o da minha família, hoje. Agora, como tudo, tudo depende da utilização que lhe é dada. As redes sociais, tão em voga e banalizadas como são hoje em dia, em que qualquer um, ou uma, pode difamar, vilipendiar, acusar, ou blasfemar quem queira, mesmo que essa pessoa não queira ser para ali chamada, muito têm contribuído para que a internet seja menosprezada. De todas as invenções de que tenho conhecimento, essa, a net, é provavelmente aquela que mais revolucionou o nosso mundo, e as ondas de impacto ainda estão muito longe de serem exploradas. Poderão falar-me na roda, nas vacinas, na própria eletricidade, mas, no meu entender (e claro que aqui voltaríamos à velha questão de saber quem nasceu primeiro, se o ovo, ou a galinha; porque sem luz, nunca existiriam pcs, e por aí fora…), não há maravilha do mundo moderno que se assemelhe a esta, que nos permite ler todos os jornais do mundo sem sair da cama, ou falar ao telefone de forma gratuita! com uma pessoa que está do outro lado do planeta!

Sobre a utilização que lhes é dada, poderíamos falar no facebook, ainda a estrela maior da aldeia global, onde há os utilizadores que apenas o usam para cuscar a vida dos outros, os que o utilizam para dar largas ao seu espírito maligno, mas também há os que apenas se querem divertir, rir, passar um bom bocado, havendo ainda os que o utilizam para… fazer aquilo para que realmente foi criado: para se relacionarem com seus amigos, muitos dos quais estão a muitos quilómetros de distância, seja a brincar, ou a picar, ou numa saudável disputa, por exemplo, clubística.

Mas abordemos agora aquilo que para aqui vim hoje, que é para vos falar na televisão. Na assombrosa televisão gratuita que nos entra em casa todos os dias. Há quem a use para ver a CM TV, na ânsia de apanhar a desgraça mais iminente, quem a use para ver a bola, para ver o programa do (cada vez menos) gordo que é a companhia de todos os finais de tarde (como fazia a minha querida avózinha materna), quem a use apenas ver para as séries favoritas (como as minhas filhas, nas novas plataformas como os telemóveis e os tablets), mas há quem a use mais  para seguir as notícias e alguns programas de opinião, (e, claro! O futebol! E o cinema…) como me confesso.

Pois as duas reportagens que passaram nesta semana (hoje) e na passada, na generalista SIC, televisão que neste âmbito (tratamento e divulgação do material jornalístico), deixa qualquer outra nacional, a anos-luz; são o motivo que me traz aqui hoje:

Que belíssimo material nos foi presenteado nestas duas peças! Que obra absolutamente notável tenho todo o orgulho de abrir os portões da minha humilde casa, para aqui divulgar. Não vale a pena dizer muito mais, porque está lá tudo. O que vos aconselho é a que se dignem a perder uma hora para as visionarem, caso não as tenham apanhado no ar, porque se tratam de um testemunho notável da nossa história; e um trabalho incrível do Joaquim Franco, do António Marujo, e de toda a equipa técnica que se debruçou sobre os arquivos secretos de Fátima, mergulhando nas preces em forma de carta a Nossa Senhora, revelando o mais íntimo da nossa história, nesse período obscuro que foi o Estado Novo, mais precisamente na sua fase mais negra, em que sacrificámos os nossos jovens para conseguir manter o que nunca foi nosso, numa guerra colonial que teve tanto de sangrenta, como de estúpida e irracional.

Serviu para recordar, para viver, para pensar, e sobretudo para te recordar a ti, meu ídolo de sempre, que temo não te ter conseguido dizer-te de coração aberto tantas vezes quanto queria, o quão importante foste sempre para mim; porque o teu lugar de farol, luz e guia, estará sempre a nortear os meus pensamentos, enquanto este coração bater. Vives a cada dia que passa, dentro de mim. Penso sempre no que farias, ou no que dirias, a cada desafio que a vida me coloca. Até um dia, que ambos queremos que seja longínquo. Mas que será. Tenho fé.

Como gostavas tanto de ler, tenho o prazer secreto de pensar que seria um assíduo deste meu tabernáculo.

Vai por ti, João Sobreiro!


E esta pega de cernelha?

É pena é já estar morto!

Beijinhos, Dai (como se referia de si, à família)





Sempre com a sua companheira de sempre... <3

quinta-feira, 21 de março de 2019

O dia do... Pai 2019


- Ó filha... camisola a dizer Sabi?!?!?
A trabalhar nas finanças?!?!?

- Ó pai... eu sei que tu és assim...


Sr. Sizzle, a insistir em ficar na foto. 







"O querido mudei a casa", visitou-me nas finanças.



Quando o tempo (25 anos) apagou o som da tua voz... a noção da tua altura, os teus tiques, a tua gargalhada...
Lamento, sofro, e peno, à espera do dia em que nos reencontremos, que ambos queremos que seja distante.
Este dia de hoje, nunca será meu, enquanto me lembrar de ti.
Saudades imensas, Dai. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A vez da Alice... (Diploma de Excelência do Agrupamento de Escolas de Marvão 2017/2018)












Epá... eu peço-vos perdão pela minha galhardia, pela minha gabação, e alguns até já me devem estar a "benzer", a dizerem "olha-me este mete nojo, outra vez..." mas porra! Quem de vós, no meu lugar, não seria tentado a fazer o mesmo? Um gajo é um mero mortal, falha, erra, e isto acho que é mais que justificado.

Ademais, é em legítima defesa! Se a pequena Alice se apercebesse que eu tinha elogiado a mana Leonor, e ela não... iria ter problemas.

Pois ela é uma inteligência diferente da da mais velha. Mais desenrascada, mais pragmática, mais matemática, mas também de uma sensibilidade, e um feitio! bem diferente!

Neste ano de transição para a Portagem, para onde entrou para o 3° ano, recebeu o prémio de excelência pela sua prestação no ano transacto, em Santo António, sob a batuta da Senhora Professora Vina, que foi progessora primária da minha Leonor, também. Sem querer ferir suscetibilidades das outras profissionais que já trabalharam, ou hoje trabalham com elas, peço desculpa em afirmar que para mim, as minhas filhas são "Vina"gretes. Ou seja... produtos daquela velha guarda de qualidade. Oxalá continuem a trabalhar com a mesma força, e o mesmo empenho, com as atuais formadoras que não considero melhores, ou piores que aquela matriz. São sim diferentes, de quem sempre me senti tão próximo: daquela querida professora e do seu marido Zeca, de quem sou amigo há... décadas.

Foi uma cerimónia maravilhosa, onde a escola, o município, e as juntas, tiveram em alto nível, na atribuição dos prémios, e também de incentivos monetários, mas apenas para os que passaram de ciclo, que sempre ajudam, não é verdade?

Quero mandar um beijinho muito especial, e um abraço de força à Senhora Professora Luisa Rodrigues, pela maravilhosa encenação que ensaiou com os mais pequenos. Foi... do domínio do onírico!
Quem crê, mais cedo ou mais tarde, consegue sempre!

E sim... sou um pai babado. Como não?

Mas como lhes digo sempre, este prémio é um reconhecimento apenas, um sinal que vão na direção correta, na sua sinuosa caminhada na densa floresta do conhecimento. Nunca é um fim, mas sim uma luz verde para continuar no rumo certo, na sua difícil subida da escadaria até ao seu topo, onde... só quero que se sintam felizes.

Só tem... quem trabalha! E nada se consegue sem trabalho, porque até os "fora de série" como o Ronaldo, têm de lhe dar duro, para se conseguirem manter lá em cima.

"Os pais têm de trabalhar nas Finanças e no Turismo, para os quatro podermos viver condignamente. O nosso trabalho é esse", digo-lhes. "O vosso, é na escola. E não há coisa que nos orgulhe mais... que o vosso sucesso!

Bem hajam, sempre!


O orgulho, esse, aí se matásse... 







Este feliz dia, fez-me recordar Castelo de Vide, em 88, e o nascimento oficial do Sabi...


Aqui, eu tinha 15. O meu pai, 43, menos que eu tenho hoje. Dali, ele já cresceria pouco.
Agora reparo que ele, que me parecia gigante, era... afinal, baixinho.
Hoje, ficar-me-ia por baixo do ombro.
Coisa estranha. Não consigo imaginar.

Com a minha querida amiga de sempre, Ana Teresa Viegas.
<3


Com o querido padre Emílio Salgueiro, Prof. de Português, por detrás; a Diretora, Dra. Teresa Maria, mãe do meu amigo Dr. Pedro AIres,à direita; e a viúva do responsável pela atribuição do prémio, com flores para depositar na sua campa, que visitámos de seguida.