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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Mordaz - O meu lugar sempre foi este


Conheci o Francisco Segurado Silva de forma que já nem me recordo bem. Sei que foi há uns anos atrás, creio que quando se apaixonou por Marvão, e decidiu comprar uma casa por aqui, mas o grande trambolhão se passou na minha vida, sobre o qual se passaram  9 anos, no último dia do mês passado, fez com que essa memória dos últimos anos, tenha algumas pontas soltas, como esta, que não consigo bem encaixar.


Do que sim me recordo muito bem é da tremenda boa impressão que o seu espírito curioso e inquieto criou em mim. O Francisco é uma daquelas almas que parecem sempre que estão com um olho no burro e o outro no cigano, não por estar sempre à defesa, antes pelo contrário, mas porque cogita sempre a uma velocidade que nos deixa surpreendidos.


Não tendo cá família, apaixonou-se pela nossa terra e decidiu comprar uma casa para vir descansar para junto de nós. Sou capaz de ter trocado impressões com ele nas finanças, onde trabalho, aquando da transação, e fomo-nos sempre mantendo alinhados, até mais pelas redes sociais.

 

Segundo me contou, o Francisco trabalha em artes gráficas, digitais e segundo creio também já esteve ligado à publicidade. Quando se deu esta história da pandemia dos nossos tempos modernos, o coronavírus/covid 19, como lhe chama o senhor Bruno Aleixo, e ficou tudo fechado em casa, a “tripar” da cabeça na maré de confinamento, o bom do Chico lembrou-se de criar uma revista, a Mordaz.


https://mordaz.pt/edicoes-da-mordaz/


Esta revista, que tem uma apresentação deliciosa e absolutamente profissional, é criada com parcos recursos, numa base de colaborações, e tem um carater amador- profissional, se é que me consigo fazer entender.

 

Nomes conhecidos das letras e do mainstream, que colaboram numa base de amizade e entendimento com o cérebro criador do projeto, ajudam a dar corpo ao sonho. Neste contexto, foi com alguma surpresa que ouvi o seu desafio para juntar à turma, e me lançara um tema específico: o trabalho, sobre o qual poderia me poderia esticar, claro que embora estando bem consciente do universo onde este produto estaria disponível.

 







A Mordaz, “uma revista totalmente independente, a sua produção não custou um cêntimo”, como vem bem explícito no cabeçalho, tem disponíveis as edições:

 

Nº 1 – Março 2020 - Covid ou Golias, o combate de uma geração

 

Nº 2 – 10 de Abril - Pacotes de auxílio (Amor e Verdade)

 

Nº 3 - 25 Abril - Temática Salgueiro Maia - 25 de Abril - Revolução

 

Nº 4 - a primeira revista de Maio a sair em Julho – Trabalho, que na sua página 32, tem esta prosa da lavra do vosso escriba:


O Meu Lugar Sempre Foi Este

Nesta sociedade em que vivemos, ter um trabalho é uma necessidade que se assume vital, por dois motivos essenciais: o ser capaz de tornar-nos uma peça funcional na engrenagem, logo, válida; e também porque legitima a nossa existência, garantindo-nos os recursos fundamentais para conseguirmos dar resposta à logística de cada um. O nosso, pode não ser aquele com que sonhámos um dia, mas cabe-nos a nós, conseguir dar-lhe o melhor sentido, justificando-o, para que o possamos aceitar da melhor forma possível.

Escreve-vos um licenciado em Comunicação Social no I.S.C.S.P., muito bem segundo classificado no final do curso entre os seus pares que, por força maior das contrariedades da vida, nunca teve possibilidades de tentar carreira numa capital onde fervilhavam as oportunidades naturais do boom das televisões privadas, e tentou encontrar o seu caminho regressando ao Alentejo natal. Hoje, apesar de tudo, sou um feliz funcionário da Autoridade Tributária e Aduaneira na capital do meu concelho, Marvão, situada a 6 quilómetros da terra de onde sou natural. Aqui, encontrei o meu lugar, que afinal, sempre foi este. Sim, eu sou tão português que acredito que o destino está traçado à nascença.

Numa região sem oportunidades já naquela altura, quando regressei, no início do milénio, concorri ao maior concurso da função pública em Portugal até essa data, que reuniu cerca de 80.0000 candidatos para guarnecerem pouco mais de dois milhares de vagas, de uma Direção Geral das Contribuições e Impostos desfalcada pelas aposentações, e natural desgaste de quadros. Pediam uma prova de cultura geral, com português, história, lógica e conhecimentos diversos. Depois da seleção neste pré-acesso, quando pensava já estar dentro, tive de me esfalfar nas exigentes provas específicas, sobre cada imposto, com muito custo e dedicação. Só assim consegui ficar no meu concelho, que sempre foi o meu grande objetivo, onde atingi o generalato, não existindo hoje, cargo ou promoção que dali já seja capaz de me mover.

A paixão pela escrita, muito mais que um hobby, antes um escape, uma forma de viver, quase tão importante como respirar; manifesta-se no blogue que criei há 13 anos atrás, “Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão”, que conta com mais de meio milhão de visualizações, e onde, ajudado pelo mural do facebook, onde divulgo os textos e pensamentos, respiro o dia a dia e o imediato. Os dois, acabam por me preencher enquanto homem, ser pensante, humano completo.

Quem entra naquele serviço local, encontrará um funcionário que procura sempre a competência e eficiência, máximas que sempre tive como orientadoras na vida, mas quem não me conheça destas lides literárias (1.406 publicações até há data, só neste espaço) desconhecerá que tem pela frente não um mangas de alpaca submisso qualquer, que idolatra e se esgota nas atualizações dos códigozinhos, decorados com recortes feitos a régua e esquadro; mas o alter ego convencional do Tio Sabi (alcunha de sabichão com que os colegas o batizaram no ciclo preparatório, como bulllying pela sua esperteza e fome de saber), um agitador de província que se realiza quando consegue chegar aos outros, e recebe um comentário de quem não sonhava sequer que o lesse.

Coisas da vida: se quando andei a caminho de Lisboa, de automotora, para aprender a ser jornalista profissional, me tivessem dito que o meu estrelato acabaria por ficar a escassos quilómetros da minha casa de sempre, para trabalhar nas finanças da minha sede de concelho… o mais certo teria sido ter-me atirado sem pestanejar, para debaixo do 15, que cruzava a rua junqueira sob carris, e me deixava no Palácio Burney, a caminho de Belém.

A vida poderia ser sempre outra se… mas os ses, quando não se concretizam, e não se “arrumam” numa estante racional da nossa vida, ficam sempre por aí a pairar, e nada mais fazem que deixar num suspense inóspito, assombrar, incomodar.

Mas eu sei que estas deambulações literárias só são possíveis, geralmente quando já tudo dorme, em casa, porque, lá está, existe um trabalho por detrás que as suporta, e permite estes devaneios. Um homem quando não trabalha… e está dependente de subsídios, subvenções familiares, heranças, apoios diversos… acaba por sucumbir perante a sua inoperância.  


A edição atual, Nº 5 – Culpa e Castigo, está disponível aqui: https://mordaz.pt/wp-content/uploads/2020/08/005_MORDAZ_DUPLAS.pdf


Olhem, espreitem, leiam e caso queiram, apesar das muitíssimas propostas gratuitas para ocupar o tempo nos dias que correm, sigam.

 

Abraço a todos!


Abrir a Mordaz nº 4, clicando aqui.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O país aos pés deste jornal




Orgulhoso de ter em Portugal um jornal que é capaz de fazer primeiras páginas deste nível, mais que merecedora de um prémio por toda a portugalidade que tem lá dentro. Um Ronaldo feito a partir de azulejos... Pode não ser o mais completo nem o mais abrangente mas em termos de estética e estilo das palavras... deixa os outros a léguas.

 — a sentir-se orgulhoso.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A leitura do dia



Um dos lemas de vida: tirar o melhor (até) do pior. Mas ainda assim, o “Correio da Manhã” não é “O Crime”. Tem o Paulo Morais sempre muito claro, direto e de alta escala; tem o grande João Pereira Coutinho (que está sempre brilhante nas análises que faz, como é o caso), mais alguns assuntos e apontamentos. Não dá para o comprar (ainda assim) mas quando se vai dar a voltinha da tarde depois de um dia inteiro a tomar conta das feras por a mãe estar a trabalhar… é bem lê-lo n´"O Adro".





Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.
Nem só de pão vive um homem mas arrumar-lhe uma cigarrada enquanto a malta intervala é do melhor. E se for um uísquizinho? E se for uma...
Sem legendas... Gosto particularmente da última pergunta. Bem... é mais da resposta... Todo o terreno type.


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Nós no jornal (pelas piores razões)



Como nesta tarde entrei no modo “fim de semana”, depois de sair das finanças fui nadar os meus 1.500 metros. Depois da esfrega, dando seguimento ao “weekend mode” activo desde as 18 horas, fui tomar uma cerveja sem álcool preta no bar que há-de sempre ser o do meu amigo Sérgio, esteja lá ele onde estiver. Fui ver se me tinham guardado o exemplar do Correio da Manhã de segunda-feira (como eu peço sempre) para poder ler o Paulo Morais. Disse-me a Estrela, proprietária que enviuvou mas se manteve sempre ao leme do sonho do meu velhinho Sérgio contra ventos e marés, a quem alcunharam de “velhaca” vá-se lá saber porquê de tão dócil que é, que o jornal deveria de estar na pilha dos outros velhos, amontoados durante a semana. Agradeci-lhe a gentileza de se ter lembrado de mim e procurei, voltei a procurar, passei um a um no monte e nada. “Olha, se lá estava deve de ter havido macumba porque sumiu.” Ela ateimou, disse que tinha de lá estar mas não se deu ao trabalho e o tempo foi passando até que se fez luz naquela cabecinha: “ahhh, era o de segunda? Agora é que me estou a lembrar que o Malaquias (o amigo que ajuda ao balcão nas dobras) andou de pinturas e usou um jornal… é capaz de ter sido esse…”

“Bingo! Prontos, não digas mais nada que já estás apresentada”. Foi-se a hipótese de ver o que é que o Paulinho nos trazia nesta semana mas a estrela das notícias de hoje era outra porque vinha lá (no jornal de hoje) Marvão. No jornal?!? Presumi que o habitual, a dizer maravilhas, mas não. O motivo era um assalto. Um roubo muito violento realizado por encapuzados armados que iam matando o Sr. João, uma estrela do jantar dos solteiros do meu tempo que pela conversa ainda deve jogar naquele clube. Um homem bom, inofensivo, bem disposto que ainda há dias cumprimentei e brilhava sempre na sua motorizada que em si mais parecia um avião ou porque ela era muita grande ou porque ele era muita pequeno. Pois por menos de mil euros iam-no matando e deixaram-no cheio de mazelas. O pobre surge na foto sem os óculos com grandes armações que o caracterizam que não sei se foram na enxurrada de traulitada que levou. 

Diz a notícia que a Judite anda por aqui em averiguações. Os que cá moram, temem que estas modas cada vez mais violentas das urbes se espalhem por cá e desejam que tal não volte a suceder. Sempre cresci com a ideia de se ter a porta da rua sempre aberta. Na casa dos meus pais, a chave estava sempre do lado de fora da fechadura. Hoje já não é assim na minha e cada vez há-de ser menos noutras.

Fechados, isolados, virados para dentro.


A nossa sociedade não funciona em muitos aspetos. A justiça é com toda a certeza um deles. Se o crime tivesse o castigo como consequência, andávamos mais tranquilos mas… Vamos ver o que isto dá.

domingo, 3 de novembro de 2013

O animal feroz está de volta… Outra vez…

Nota do escriba: chamo a atenção dos clientes habituais desta taberna que o vosso Tio favorito trabalhou muito para fazer este post. Atenção que não é uma tapa avulsa que vos serve com o tintinho, tipo umas azeitonas com sal. Esta peça é um petisco gourmet que demorou mais de uma semana a cozinhar, a reunir os ingredientes que estavam dispersos por diversos órgãos de informação. Tive de esperar que fossem todos publicados, o que só hoje, sábado, aconteceu.

Apesar disso tudo, aceder à peça continua a ser de borla. Por aqui se vê que a minha boa vontade não tem fim.

A crise chega a todos e este menino das finanças que outrora tinha o estatuto de vir almoçar a casa em 1 hora e meia; já leva também desde o mês passado graças ao novo horário de atendimento, uma mochila/lancheira para almoçar no serviço todos os dias, com a merenda que a mulher lhe avia para aquecer no microondas (que carregou de casa) e conseguir comer na horinha de almoço. Na “Cantina da Troika” como eu lhe chamo.

Mesmo assim este trabalho aqui no blogue é gratuito para vós. Fico um jornalista realizado e poupo nos psiquiatras.

Sendo assim, atendendo ao trabalho que isto deu a fazer, digam aos vossos parceiros da sueca que na próxima hora não vão a jogo porque vão ler as crónicas, a entrevista, e ver o Alta Definição. Se forem mulheres, digam à vizinha que têm a açorda ao lume e não podem ficar a dizer mal daquela ou da outra.

Sim? Cumprimentos da gerência. Até já. Boa viagem.



Diz o título que “O animal feroz está de volta… Outra vez…”. Realmente, é caso para dizer que não “morre” nem que o matem. Ainda há-de chegar a Presidente da República. Pela boca, ninguém o leva preso.


Podíamos fazer aqui uma brincadeirinha ao estilo Vera Roquette, para votarem para o mail aqui assinalado, se querem escolher a opção A ou B.


Ora agora escolham se querem:

Opção A: Volta José que estás perdoado!

Opção B: “Zezito já te tenho dito que não é bonito andares-me a enganar” ou “Vai-te encher de ***da” ou “De parvos e de loucos, todos temos um pouco, mas tanto?!?!?”

Fazendo de Zandinga, consigo já antever que o povo português é pouco esperto e deixa-se levar com pouco, muito pouco mesmo. Muita gente o há-de ver já com uma auréola por cima da cremalheira.

Mas há quem pense e dou-vos a hipótese de pensarem por vós. Têm todos os ingredientes disponíveis.

Aqui está a peça original, a entrevista de 19.10.2013 do Expresso que se gaba de que “faz opinião”. Cliquem aqui e metam uma musiquinha a acompanhar que fica bem à maneira: 


É clicar para ampliar, ler e imprimir para forrar o quartinho













A minha opinião, sabem-na por dois homens, dois intelectuais, dois fazedores de opinião, dois pensadores políticos que escrevem de forma simples, clara, evidente. E inteligente. Dois homens que sigo sempre.

Um é bem mais novo que eu mas sabe aquilo que eu nunca almejarei saber porque se cultiva, lê e estuda de uma forma que o coloca na estratoesfera cerebral.

João Pereira Coutinho  



O outro é o Vasco Pulido Valente, uma referência absoluta nacional no comentário político e para mim, o caso mais evidente de um gajo que escreve primorosamente, com uma acutilância extrema mas mais parece um básico a falar. O homem não consegue dizer duas seguidas… Homem e escrita não jogam. Parecem pessoas diferentes. Tão diferentes parecem que a apresentação dele no Público diz muito sobre si. Quem fala, fala muito no consumo desenfreado de tabaco e nos consumos etílicos mas isso é da vida dele e realmente “o resto veio quase tudo nos jornais e o que não veio não deve vir.”




Para finalizar, a entrevista com o Daniel Oliveira, coitadinho, que é muito bom rapazinho mas só faz festinhas, não morde. Eu gostava era que esta entrevista fosse feita pelo Paulo Portas dos tempos do jornal Independente, do CDS e agora Vice-Primeiro Ministro. Entrevista sobre coisas engraçadas como o Freeport, as parcerias público-privadas, o TGV que ele tanto queria, as auto-estradas, os gastos com os estádios do Europeu ou o projecto do carros elétricos e os avanços geniais que iriam vir daí. Tanta coisa… Tanta matéria…

Para mim, este era o amigo do Hugo Chávez. Ponto final.


 Deus o tenha lá em descanso. Muitos anos sem nós…



Alta Definição_José Sócrates_Programa do Dia_02... por mlubep

segunda-feira, 1 de março de 2010

Revista de Imprensa

Nem sempre há tempo para partilhar a minha revista de imprensa, mas desta vez, cá vai!
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Começo por uma curta mas poderosa. Há notícias que apesar de concisas, dizem quase tudo sobre o estado do emprego no nosso país e sobre as saídas de muitos cursos...
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Uma manchete que reforça a anterior...

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Um notável artigo daquele que considero, a par do Freitas Lobo e do António Tadeia, um dos grandes pensadores e comentadores do futebol no nosso país. Chega a ser visionário... Este texto foi publicado na sexta, véspera da mais vistosa exibição do argentino Di Maria desde que aterrou em solo luso. Aos benfiquistas apressados, recomendo o último parágrafo.


Uma crónica com a qual concordo em absoluto e diz muito sobre a natureza dos dois grandes partidos portugueses. É pena é que o PSD do meu concelho seja mais parecido... com o PS.


Um outro trabalho de grande categoria e até que enfim que encontro um catedrático que confirma tudo aquilo que eu defendo há séculos: a pirataria só é má para os mamões, as sanguessugas da indústria que se alimentam do talento dos outros. Os artistas só têm a ganhar. Quanto mais conhecidos forem, mais concertos dão, mais merchandising vendem, mais ganham nas áreas onde verdadeiramente lucram. Democratizar. Dar para receber.



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E para finalizar, agora que acaba o Marcelo e parece que começo eu... nota mais para o Manuel Isaac e a cobertura que fez do 1º casamento gay de Marvão. Esta 1ª página deve ter feito crescer água na boca a muitos...




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O "meu" Crime


De toda a gama de oferta jornalística nacional, "O Crime” ocupa de longe, por uma enorme distância, o lugar de publicação rainha do meu coração.

Desde que o “Jornal do Incrível”, que eu lia de fio a pavio, desapareceu, só este preenche por completo a minha sede de notícias, de grandes notícias.

E não me venham com histórias do “Público” e do “Expresso” e do jornalito do Saraiva porque a coisa mesmo é no “Crime”.

A minha devoção é de tal ordem que já experimentei ignorá-lo e passar ao seu lado mas não resisto. Incute uma magia tamanha na minha mente débil que rastejo até à banca mais próxima deserto de lhe botar as unhas em cima.

Ah, meus amigos. Que grande seria o nosso país se as criancinhas lessem “O Crime” desde os bancos do jardim-escola, aprendendo com esta aula clássica do melhor jornalismo aquilo que a arte do bem informar tem para nos oferecer em todo o seu esplendor.

“O Crime” é grande e acho que ele sabe.

Há dias liguei para a RTP a mandar vir com aquele programa da manhã onde dizem que fazem uma revista de imprensa e eu disse ao telefone que raio de merda era aquela de darem notícias só de pasquins e não fazerem qualquer tipo de menção a um jornal de categoria como “O Crime” e o sujeito desligou-me o telefone e disse que aquilo afinal era uma drogaria. Nós, os contribuintes que pagamos os nossos impostos, temos uma palavra a dizer, olha que coisa!

O número desta semana, que me tem acompanhado nos momentos de lazer que vou apanhando, é particularmente bestial.

Em grande manchete, numas enormes parangonas, lança as previsões para 2008 e logo aqui revela uma classe nunca vista. A grande maioria dos jornais que por aí andam adiantam-se logo a dar as previsões no final do ano, ou nos primeiros dias do novo. “O Crime” não! Seguindo a norma que “o primeiro milho é para os pardais”, cala-se bem caladinho e lá para o meio de Fevereiro, avança firmemente com previsões com um selo de garantia e qualidade que tornam os nosso planos mais seguros.

“O Crime” é um manual de sobrevivência.

Quanto à qualidade das previsões avançadas, não se fica por Mayas e Zandingas de 3ª divisão! Não! Aproveita e apresenta a única e fabulosa Maria Graciete que não só nos dá previsões como nos lê efectivamente o futuro.

E a Maria Graciete, meus amigos, para todos aqueles que andam menos informados nestas coisas do oculto, é o verdadeiro Cristiano Ronaldo da quiromancia.

Esta miúda é ultra-profissional e não brinca em serviço.

Na sua folha de serviço presente a páginas 6, surge-nos como uma vidente radicada em Los Angeles, que trata o George Clooney por “tu cá, tu lá” e está habituada a passear-se nos sets dos filmes que nós só vemos aqui pelo burgo décadas depois, quando os compramos em dvds manhosos ao lellos do mercado de Portalegre, isto se não levarmos antes com um balázio dos Asaes.

A Maria Graciete é um luxo e só o olhar para ela nos deixa tranquilos. Numa caixa alaranjada com o sugestivo subtítulo “Conselhos de Vidente”, a prestigiada publicação avança-nos em primeira mão que a nossa Maria Graciete avisou o Kennedy, (sim, sim, esse mesmo! O Presidente dos Estados Unidos!) que ia ser assassinado. Para tal, deslocou-se à Casa Branca e disse-lhe “tin-tin por tin-tin” que se insistisse em ir a Dallas, o mais certo era levar um tiro na corneta e ir de canoa para o outro lado. O homem não lhe deu ouvidos e a história foi o que se viu.

Também a Sharon Tate, na altura esposa do realizador Roman Polansky, foi vítima da sua própria insensatez. A Graciete bem lhe disse, “anda lá filha! Vê lá se te trancas em casa que andam para aí umas seitas manhosas que andam desertinhas de armar confusão e vai na volta ainda te amolam. A cachopinha não quis saber e o Charles Manson, claro, aproveitou e cortou-a assim em postas boas para guardar na arca até ao Natal.

O curso do mundo passou pelas mãos desta mulher.

Por acaso não falou no Martin Luther King, mas esta Senhora, com “S” grande, ou maiúsculo, ou lá como é que se chama, não se dá com qualquer pessoa.

E o que nos diz a Maria cá para o nosso Portugal?

Grandes novidades, meus amigos! O Terreiro do Paço vai afundar-se e o Santana Lopes vai voltar a casar. Duas notícias dadas em paralelo porque de facto, têm a mesma ordem de grandeza. A Floribella vai sair das luzes da ribalta e o Papa vai malhar da cadeira como o Salazar. Vai haver muitos mortos e muito sofrimento, Portugal não ganha o Campeonato da Europa e a Alexandra Lencastre vai ter um acidente. Vai descobrir-se que a Maddie foi assassinada por um vagabundo e o Valentim Loureiro vai de cana.

Dois destaques:

A nossa Maria vê o Sócrates “prostrado no chão, envolto numa mancha negra” e eu se fosse ele, com estas previsões de atentados, já ia mas á alugando um duplex do outro lado da fronteira. A mancha é capaz de ser ruptura no cárter.

Resta uma notícia boa para o Alentejo, com a descoberta de petróleo nestas terras. Fico com um sorriso optimista e já vejo o Rondão de Almeida a saltar como um girino. Para a Maria, “Elvas vai estar em grande”.

Informação de primeira linha, rapaziada!

Mas “O Crime” não se fica por aqui.

Só neste número apresenta:

- uma extensa reportagem sobre o “Pifas”, o rei dos assaltos que com apenas 18 anos “fanou” 2.500 euros em ouro, à sua própria mãe, numa tarde de Março de 2007 e nessa mesma noite já o tinha esturrado;

- a história de uma mulher que foi chorar o marido ao funeral e foi presa assim que o caixão entrou no buraco, suspeita de o matar;

- uma fotografia inédita do olho de vidro do José Cid, na rubrica “Que saudades”;

- uma entrevista nas centrais com o Marco Horácio e o seu Rouxinol Faduncho;

- A trágica história de um jovem que levou 28 facadas por 12 euros;

- e o destaque do episódio da jovem que morreu electrocutada quando praticava sadomasoquismo com o companheiro. Parece que era hábito darem assim uns choques para ver se a coisa animava e o rapazito, deixou-se levar pelo entusiasmo e esturrou a piquena que também não se podia queixar porque tinha a boca tapada com aquela fita-cola mais grossa que se vende na Loja do Chinês a euro e meio. Esta pode bem servir de aviso à malta menos informada que gosta de meter os dedos nas tomadas quando está prestes a atingir o clímax. Cuidadinho, ãh? TZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ! PUM!


Mas “O Crime” vale muito mais. Na verdade, só a página de detectives e bruxos vale o preço de venda ao público. São mesmo muitos e tratam de tudo: temos os Professores Fofana, Sissé, Sidya, Eros, Madi, Diaby, Muctar, Mohamed, Biai; Baio e muitos outros que acabam de um dia para o outro com o alcoolismo e a impotência que são duas coisas que não dão jeito nenhum. Temos o Raul Duval, a vidente Ana Paula e a médium Fátima Mendes e não me venham com histórias que não vale a pena sofrer com tanto apoio especializado.

A página “Mensagens de amor” é outra relíquia a não perder, com anúncios da qualidade de um “Cantinflas Português” e o “Rei dos Feios” que espeta tudo o que tenha entre 20 e 50 anos. Com “casa em Albufeira e carro” o rapaz não faz a coisa por menos e acho que é de aproveitar.



Dois destaques finais:

Um para o “Correio dos leitores” onde se escamoteiam (bela palavra!), assuntos da delicadeza de um vizinho que espreita raparigas, uma velha insuportável e dvds da candonga;

E um segundo destaque para a notícia da última página que nos dá conta que o Nuno Guerreiro, o panasca a quem o criador trocou a voz com uma menina de 10 anos, e os amigos, escavacaram a pastelaria “Jau” ali no Largo do Calvário. Não se faz! E eu pagava para ver as bichonas todas a partirem vitrinas e mandarem bolos de arroz para a linha do eléctrico. O Sr. Manuel da Costa, um dos sócios, queixa-se até que lhe fizeram desaparecer um puxador de uma porta e a máquina das bolas! Eu estive cá a pensar e sendo rapaziada desta, até aposto que sei o buraquinho onde a esconderam. Assim pelo tamanho….

Bom, caros leitores e amigos. Deixem-se de tretas, mandem este blog à fava, não percam tempo e leiam mas é “O Crime” que aí sim podem aprender alguma coisinha de útil para as vossa vidas.

Para quem já não apanhar este número mítico na banca do nosso amigo Boto (este por acaso até o comprei no Tapas), fiquem sabendo que eu alugo o meu por 6 euros e meia à meia-hora.

Garanto-vos que vale a pena!

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