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terça-feira, 14 de julho de 2026

Festival Benefício de Marvão a encantar as Areias, e todos quantos a ele acorreram...

  



Santo António das Areias, uma pequena aldeia norte alentejana encostada à fronteira com Espanha, situada mesmo a meio do mapa de Portugal, bem à direita de quem o fita, a escassos 6 quilómetros da muy nobre, sempre leal e bem conhecida por todos vila de Marvão; tem hoje muito menos de um milhar de almas no total da sua freguesia segundo a última contagem oficial, o que reduz o número dos habitantes na localidade a umas escassas centenas.

Desertificada, como praticamente todo o interior, esquecida por uma classe que dá primazia às grandes urbes e ao litoral, onde estão maioritariamente centralizados os votos, vê muito longe as décadas de 30 e 50 do século passado, nas quais a família tutelar Nunes Sequeira garantiu o desenvolvimento industrial com um impacto muito forte na economia local, criando emprego estável, dinamizando a agricultura e o comércio, ajudando a transformar a freguesia quase apenas de matriz rural, numa com  base industrial relevante.

Pois entre esses poucos viventes que há por aqui hoje em dia, muitos houve (entre os quais, obviamente me incluo) para além dos muitos que vieram de outras paragens, que foram imensamente felizes com o Festival Benefício de Marvão, cuja comercialização do produto nasceu da iniciativa baseada na amizade de universitários de Coimbra, Ricardo Nunes, e de um colega de República autóctone, Jaime Miranda. Esta história de Amor que esteve na génese do produto original, culminou num Festival que aconteceu neste fim de semana.


 Paulo Fernandes (esq.) e Ricardo Nunesdo Benefício Gin


Pois foi o Benefício Gin que estabeleceu parcerias estratégicas em rede, e se destacou como principal impulsionador deste Festival com o seu nome, com patrocinadores oficiais que incluem os Institucionais (Município de Marvão e a Freguesia de Santo António das Areias); os culturais e musicais (a Ovo Estrelado Records, editora responsável pela curadoria artística); os comunitários e associativos (Grupo Desportivo Arenense), e as marcas locais (Cerveja Barona), que deram as mãos, integram o evento e colaboram na sua dinamização turística e comercial. Neste caso, o apoio da Antena 3, a filha mais jovem da rádio pública portuguesa, revelou-se absolutamente estratégica e fundamental, quer através da divulgação promocional diária que muito nos orgulhou, quer pelos diretos e entrevistas, que voltaram a colocar Marvão no centro das atenções. 

A terra engalanou-se para receber o evento com o largo do adro da igreja a acolher sete bungalows de madeira com alimentação, bebidas, e promoção, que juntamente com os diversos pontos de venda de discos, adereços, peças de vestuário, produtos locais e outros situados na sala nº 1 do Grupo  Desportivo Arenense, criaram uma ambiência diferente, única, mesmo.




Na primeira noite, dia 10, apesar de não estar agendada uma atuação ao vivo de um artista, à exceção do DJ set indoor de A boy named Sue, e Bunny O’Williams, aglomerou-se perto de uma centena de visitantes, a grande parte dela vinda de outras paragens, e serviu de aquecimento para o seguinte dia 11. 

Quando a hora atingiu a meia-noite e as licenças de ruído terminaram, todos acorreram à sala do GDA para ouvir os DJs. A Boy named Sue, que como o nome bem indica, remete para o imaginário do lendário Johnny Cash, e iniciou a exploração do universo Rock’n’Roll com lotes que funcionam como uma autêntica "máquina do tempo" da música popular, muito baseada no rock 'n' roll clássico e o garage punk, mas com escolhas que viajaram muy livremente pelo rhythm & blues, soul, psych, surf rock, exotica, world grooves e ritmos tropicais. Este braço direito de Paulo Furtado, com quem colabora de perto nos projetos The Legendary Tigerman e Wraygunn, que se recusa trabalhar com playlists fixas, e adata sempre a música à energia da pista de dança, não ganhou o 1º prémio de visual da noite porque o concurso não se realizou. É que… realmente, tanto estilo numa pessoa só, devia ser motivo de imposto! Nas colunas domadas por ele passaram ritmos que mais pareciam magrebinos, clássicos como os Kraftwerk e muita classe, a escorrer pelas colunas abaixo.




Quem estava à espera de um set primeiro e a Bunny depois, enganou-se e percebeu isso de imediato quando os viu aos dois a dominar os pratos em parceria, ao mesmo tempo.

Bunny O'Williams, figura marcante da cena underground lisboeta, conhecida pela sua energia crua focada no rock & rol, senhora dum estilo eclético, que vai muito além do rock tradicional e explora sonoridades como o dream rock, o krautwave ou o raw punk foi sempre alternando a sua atuação e a pista de dança, incitando os presentes a mexerem-se, e a contribuirem para aquecer o ambiente. Nesse então, animados pelo excelente som debitado pelas colunas da sala, e pelo altíssimo nível dos animadores, mais de uma centena de presentes, com muita cara vinda de fora, moveram-se ao som do groove, quando se ouvia uma versão alternativa de Personal Jesus,dos Depeche Mode.



Já no sábado, nem sei bem se por ser fim de semana e a malta estar mais liberta, parece que toda a povoação foi invadida por uma espécie indie rara, de gente bem disposta com trajares e poses nada usuais por aqui: uns que chegaram obviamente de outras paragens, e outros que conheço vagamente porque apesar de serem estrangeiros aqui residentes, são utilizadores habituais do serviço de finanças onde exerço o meu mister para viver, e foram coabitando com os locais que acorriam à chamada das atuações ao vivo, atraídos pela curiosidade potenciada pela gratuitidade do evento.




A flauta de Violeta Azevedo e as composições sonoras por si criadas, sempre com uma margem muito grande de improvisação, tiveram início já quando os raios de sol a descer caiam dourados nas escadas de granito que conduzem à igreja da terra, e foram admiradas por algumas dezenas, muitos locais, que se deixaram levar pelo ambiente onírico, mais contemplativo que foi muito agradável apesar da temperatura ter baixado em relação aos últimos dias e de um vento teimoso que não deixou de soprar.



Quando muitos dos presentes já circulavam pelos bungalows de madeira do município de Marvão, situados junto ao topo do Largo Ricardo Vaz Monteiro, em busca de algo que os saciasse à hora de algo mastigar, “Acid Acid”, o projeto a solo do músico e radialista português Tiago Castro, criado em 2014, agitou num concerto instrumental one man band onde sobrepôs guitarras, sintetizadores e pedais de efeitos para criar uma sonoridade cósmica, psicadélica e de inspiração krautrock, esse género de rock experimental desenvolvido na Alemanha Ocidental no final dos anos 60 e início dos 70, que se afasta das estruturas anglo-americanas, e se destaca por ritmos hipnóticos, improvisação e pelo uso pioneiro de sintetizadores.




Não vos garanto que a criação de longas texturas instrumentais sem interrupção caísse muito no goto dos presentes da terra, mas a verdade é que esta experiência de meditação coletiva, esta verdadeira viagem espacial, fortemente influenciada pela psicadelia dos sixties, foi muito apreciada pelos jovens chegados de além.



A terceira atuação ao vivo da noite, ao ar livre, que já muito refrescava, foi a de Teresa Castro, que dessa forma ninguém a reconhecerá, mas se dissermos que foi Calcutá, uma compositora e multi-instrumentista lisboeta sediada no Porto, já causará outro impacto. A artista, com formação em guitarra clássica, mistura folk, drone e música ambiente, nessa noite fez-se acompanhar por uma violoncelista e um harmónio (esse instrumento musical de teclas com funcionamento semelhante ao de um órgão, mas sem tubos), e impactou. O som era verdadeiramente belo e inebriante, estranho, etéreo, e encantou a centena de presentes.








De seguida, tudo rumou para a sala nº 1 do Grupo Desportivo Arenense, o clube desportivo local que serviu de palco para os eventos  indoor, e para todo o apoio backstage, onde o já aqui falado Tiago Castro, se juntou ao seu colega do éter Ricardo Mariano, e atuou sob a forma de dupla de DJs portugueses Les Lads (SBSR.fm), que se destacam pelos seus sets dinâmicos que misturam indie, eletrónica, psicadelismo, world music e rock dançável. 

Nesta sala muito, mas mesmo muito mais composta foram imensos os que acorreram ao espaço, que passou a agregar todo o pessoal que estava presente não só nos concertos, mas também nas áreas destinadas a alimentação e refrigeração, compondo um aglomerado de mais de uma centena de pessoas, muito satisfatório para este primeiro ano de edição.






Na opinião de Ricardo Nunes e Paulo Fernandes, co-fundadores do Benefício Gin, este foi um evento que correspondeu plenamente à sua visão de marca: "Correu muito bem, e irá repetir-se para o ano. Teve os seus desafios, mas foi altamente recompensador, pois demonstrou que há público e que este é o tipo de statement estético, cultural e de marca que nós queremos continuar a trilhar." Para estes dois fundadores, que escolheram Marvão como território de eleição para criar, este festival não é um simples evento de marca: é a expressão mais completa de uma filosofia que une a inovação à valorização do território. "Queremos agradecer a Santo António das Areias por ter recebido tão bem as pessoas e por esta ter sido uma festa tão bonita", acrescentam, resumindo o espírito do evento no claim que escolheram: "Dois dias de festival, uma aldeia inteira."

Uma marca nascida da amizade aposta, desde a origem, numa lógica de ecossistema local, com parcerias com produtores regionais e impacto direto na economia da região, e comprova, com este festival, que a sustentabilidade que pratica não é apenas ambiental: é também humana, cultural, económica e social.

 

Reportagem que teve a honra da publicação na Ritmos e Batidas do grande jornalista na revista Blitz, radialista na Antena 3 e director do projecto Rimas & Batidas, Rui Miguel Abreu

A Ritmos e Batidas é publicação digital especializada na cultura hip hop e nas músicas urbanas, jazz e zonas estéticas circundantes, nas músicas experimentais e criativas, numa perspetiva aberta, crítica e atenta à atualidade artística, social e cultural contemporânea. A publicação foi num formato muito mais reduzido a nivel multimédia, adequado à dimensão nacional do projeto que a recebeu, mas cujo texto acolheu na íntegra, o que muito agradeço.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

João de Deus Tavares - 9 décadas de um Único

 



Casou os meus pais, em Fátima...

Batizou-me a mim, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, na Beirã; tendo-me iniciado na senda cristã, à qual tenho orgulho diário de pertencer, e onde nos encontrámos hoje, à entrada da missa vespertina da nossa aldeia.

Um Professor Único, Cultíssimo, um Homem revolucionário que ousou desbravar a direito, e desafiar as leis, os dogmas e as ordens, em favor do Amor que o fez largar tudo, e dar nova orientação à sua vida que serviu de inspiração para muitos de nós.

Deus, esse mesmo Deus deu-lhe, a ele e à querida D. Luisa, um casalinho de filhos adoráveis, o Jorge e a Filipa, que já lhe garantiram netinhos, e a certeza da continuação.

Meu querido Amigo João de Deus Tavares, felicito-o com grande alegria no ❤️ pelo seu nonagésimo aniversário, e peço a Deus que lhe continue a dar muita saúde, muita proteção e muita paz, para que continue a desfrutar com muita qualidade todos os seus, onde, se me der licença, me incluo também!

🎂🍾🥂🎁🎀🎇🎊🎈🎉

Vamos olhando para os 100, Campeão! À BENFICAAAAA!!!! 😁👍

domingo, 24 de março de 2024

Ela é de cá!

 


Desde sempre ouvimos dizer que plantar uma árvore, ter um filho, e escrever um livro, são metas a alcançar para quem almeja ter uma vida completa, se o conseguir fazer até ao seu último estertor.

 

Ainda não tive oportunidade de ler esta sua obra de estreia, lançada no dia de ontem (23mar24), e por isso mesmo (apesar de já lhe conhecer as suas lindas filhas, que gerou com o sempre simpático Victor Pragosa ), não poderei assegurar se já plantou uma árvore; mas a partir de ontem, segundo o que sei, a Natalia Batista já tem 66,66% do objetivo cumprido!

 

Chegada a este mundo um par de anos antes de mim (que não especificarei por gentileza e cortesia, que as senhoras nunca gostam de esmiuçar estas matérias, e porque está tão em forma e bem conservada, que mais parece minha filha), sempre a soube amante das letras. Fosse dos tempos em que estudávamos em Lisboa, quando partilhámos viagens no Expresso; fosse em conversas que trocámos em espaços que ambos frequentávamos (Santo António também não tem assim tantos), cedo percebi que era da "turma" dos livros, das leituras, dessas tertúlias de palavras.

 

Foi por isso que ontem acorri com muita satisfação ao lançamento da sua obra de estreia "Venho de lá", ou seja, de cá, com o subtítulo "Estórias e memórias" de Marvão", a nossa terra. Seguramente que todos nós nos orgulhamos por uma alma que nasceu na nossa terra, ter conseguido meter uma "lança em África" no mundo dos 📚, que parece cada vez mais arcaico, por nada ter de tecnológico, num mundo que é cada vez mais de bytes, píxeis, rams e processadores.

 

A sala n° 1 do GDA, essas belíssimas novas instalações que só foram possíveis graças ao feliz casamento com o Município de Marvão, que permitiu um inteligente aproveitamento de fundos europeus, e garantiu uma sala de alta categoria para o concelho, versátil para todo o tipo de espetáculos/manifestações; estava ontem com uma calorosa audiência que a enchia, e garantia um muito aconchegante calor humano.

 

Falou o presidente Luís Luis Vitorino, com o seu estilo nada coloquial mas assaz pragmático e eficiente, que em poucas palavras disse tudo o que um presidente na sua situação (na apresentação da estreia literária de uma natural) deveria dizer. Claro, curto, conciso e acertado! 👌

 

Palavras também do editor Fernando Mão de Ferro da editora Colibri, uma verdadeira fada-madrinha (peço desculpa pela analogia e ainda mais pelo desvio de género, em nada intencional, garanto, até porque estimo imenso o visado) dos potenciais escritores do concelho que, como sempre, impressionou pela sua humildade, bondade, boa educação, vontade de ajudar a fazer, e ser mola de desenvolvimento. Que em boa hora os senhores do destino cruzaram os nossos caminhos... ❤️

 

A apresentação da obra coube a uma antiga professora da Natália, que ocasionalmente reencontrou passados muitos anos, num momento em que ambas puderam experienciar aquele feliz instante em que revemos uma alma com a qual nos identificámos certo dia, porque se cria de súbito um vórtice temporal que anula as agruras do tempo, e faz com que a distância de anos pareça... escassos minutos.

 

Mulher de cultura, que se mexe, se move e que respira na área, começou a brilhar assim que abriu a boca, como que se fosse um puto potencial craque de bola que começa a dar toques assim que o esférico lhe chega próximo. Dali resultou aquilo que deve nascer sempre num evento do gênero: vontade de o começar a devorar.

 

Um livro... fica!, e... isso é tudo. Um livro nem sequer é o seu blogue "escreve-me devagar" que é como se fosse um seu filho, e um companheiro de sempre. Um livro , é um livro! Toca-se, manuseia-se, guarda-se, fica para a eternidade, e por isso é tão importante.

 

Na apresentação houve também momentos de leitura de trechos, todos muito sentidos e intensos, por diversos convidados previamente selecionados pela autora. No final, houve ela. Houve a Natália, ela própria, não conseguindo esconder a alegria (até porque não tinha nada de o fazer!). Foi um momento de glória, todo seu, só seu!, que foi tão bom de assistir que todos tomámos um banho de orgulho comum.

 

Por isso e por tudo mais, muito mais, MUITOS PARABÉNS, miúda!!!! 👍👏👏👏👏👏❤️👌

 

O Município também escreveu sobre. Só uma nota: na foto em que apareço, não estava a dormir! Estava com a cabeça de lado, para ver certo prisma, e fui mal apanhado. Das duas uma: ou foi o ângulo que foi mau (essa foi de certeza), ou o editor não gosta de mim (porque se sim, nunca teria publicado). Tenho dito! Aqui:

 





terça-feira, 13 de junho de 2023

Honrando o nosso Santinho Padroeiro!




































































E o Santíssimo... até o animal vergou...







Nesta terra tão linda,
Bem pacata e cheia de devoção,
Suas gentes acolheram (ao apelo da nossa Junta, e da Igreja também),
Com grande afinco, de coração.

Santo António, o padroeiro,
Sua vida e memória os chamaram,
Muitas acorreram, com alegria,
E todas juntas, oraram.

Apesar de ser de semana,
E em tudo, um dia normal,
Os populares disseram presente!
E tornaram o momento especial.

O dia ajudou, o sol até brilhou,
Estava ameno, e convidativo,
A procissão saiu do miradouro,
E percorreu as ruas, em tom festivo.

Chegados à igreja,
Houve eucaristia e bonita homilía,
O nosso amigo prior Marcelino,
Brilhou, como sempre, e tocou-nos com maestria.

As flautas das crianças encantaram,
Ao Hallelujah recordar,
Deixaram no ar um tom um sagrado,
Até davam vontade de acreditar!

Houve tempo até para uma "aula",
Que aos pequenos, nosso prior ensinou,
Sobre a força do Santíssimo,
Que até aos animais...  na lenda (do quadro) vergou.

E tudo não terminou sem a distribuição,
geral do pãozinho sagrado,
Que todos carregaram para o lar,
Por forma a ficar, também abençoado.

Oxalá Deus também nos abençoe também,
E para o ano todos voltemos,
A honrar o nosso padroeiro,
Para que mais unidos fiquemos.

E enfim...

O vosso tio preferido dRoCas Sabi tentou,
Em imagens e palavras captar,
Aquilo que gostaria que as gerações vindouras,
Pudessem, com gosto, um dia recordar ❤️