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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Saber agradecer (porque para mim, nunca é demais falar nisto…)

Epá… desculpem lá outra vez o mesmo assunto mas… o blogue é meu, que porra! Se não falo aqui… Falo onde? Obrigado.


Sempre que falo no meu acidente, recordo-me do Pedro Reis, que foi o meu anjo da guarda. Antes dos incansáveis e valorosos bombeiros de Marvão; antes da prestimosa Guarda Nacional Republicana (que foi dar a notícia a casa… obrigado, Rui!); antes do fundamental INEM; antes de todos os profissionais de saúde, que me ajudaram a conseguir recuperar do nível 6 da escala de traumatismos cranianos de Glasgow (de 3 a 15, em que com menos 3 pontos que eu, já não voltam 85, em 100), foi ele quem me deu a mão.


O meu agradecimento será para sempre, enquanto eu viva. Se não tivesse sido ele, eu já não estava aqui a fazer o que mais gosto: viver. E amar, vivendo.


Nas trocas de mensagens e agradecimentos da minha mãe, nestes dias, para ele, apercebi-me mais dos momentos que sucederam aquele instante terrível. Depois de tantas curvas, tão difíceis, com escarpas junto a elas (Ponte Velha), fui contra um muro ali, a escassos metros de casa, numa reta. Não acredito em animais que se atravessaram à frente, nem em “qualquer coisa” que me deu, mas que foi estranho… foi.


Passado este tempo todo, o assunto ainda continua a ser tabu.


Porque a memória me falha, porque o cérebro varreu tudo o que se passou nos momentos e dias antes, não procuro muitas respostas. Tento encontrar um caminho assim, olhando para a frente, sem olhar muito para trás. Sei que não ganharei nada e… prefiro assim.


Mas um dia, quando calhe, falarei melhor com o Pedro, que está a viver no estrangeiro, não conhece muito as pessoas e a realidade daqui. Não quero saber quem foram as pessoas que fizeram isto que conta, nem os dos carros que conseguiram passar por um acidente, ver que uma pessoa poderia estar a necessitar de ajuda para poder viver e… não só passarem ao lado, como, ainda por cima, lançarem impropérios e bocas.



A natureza geral da pessoa humana é má, invejosa, egoísta, ruim. Um homem tem de conseguir lutar todos os dias, contra estes elementos, para conseguir ser bom. Somos tentados a ser assim. É preciso orar, refletir, ter os pés bem assentes no chão, para conseguir fugir a isto.


A vida, os ensinamentos, deveriam ser muito mudados para se conseguir isto. Como? Olhem, por exemplo, todos deveriam aprender nas escolas, onde se ensinam tantas coisas que de nada valem; suportes básicos para se salvar uma vida humana (como evitar o engasgamento de uma criança, ou um adulto, que são diferentes; como ser o primeiro a auxiliar a vítima de um choque elétrico, que não pode ser tocada diretamente na descarga, senão fica-se lá também agarrado), e sobretudo, toda a gente deveria ser habituada a olhar, para a cova de um cemitério, onde se enterram os defuntos. Ensinar aos nossos pares, desde pequenos, que é ali onde tudo vai acabar. “Lembra-te que és pó, e em pó te vais tornar”, deveria ser um chavão sempre pendente sobre a nossa existência, como se de uma espada de Dâmocles se tratasse. 


Talvez assim se fosse ganhando consciência de quão efémero é tudo isto. Quão vago. Quão fugaz.


Poderia ser tentado, e sou, a perguntar ao Pedro, se se recorda de quem passou por ele, me viu a morrer, e assobiou para o lado.


Mas esse não é o meu caminho. Não sei bem por onde vou, irei por onde Deus quer, mas sei que não vou por aí.


Eu nunca, nunca, nunca, fiz nada que quisesse prejudicar ninguém. Posso, admito, ter estado menos bem nalguns casos. Mas peço que me digam onde, para que eu possa pedir desculpa, se entenda que o devo fazer. Asseguro é que não foi intencionalmente.


Que mal poderei ter então feito, para que fosse possível, para alguns seres vivos, verem-me em tamanha agonia, e assobiarem para o lado? Desenrasca-te? E a sua consciência? Não têm?


Tive quem passasse ali, quem não me deixasse, e tive essa luz que me iluminou. Graças a Deus.


Esses que agiram de má fé para comigo, esses que me negaram o apoio, hão-de ser julgados por esses gestos. Nesta vida ou noutra. Mas haverão de um dia, prestar contas.


Só me custa é que nesta sociedade em que vivemos, haja tanta mentira, tanta falsidade, tanta ralé. O ter-me envolvido no movimento político Marvão para Todos, junto de Homens e Mulheres minhas amigas, de Bem, já me granjeou alguns afastamentos súbitos de pessoas, que eu só lamento tê-las considerado amigas. E a vontade de lhe cuspir na cara, de cada vez que me estendem a mão, quando não tenho coragem para lha negar?


O tempo tudo traz.


No meu coração só quero que haja paz, e amor.


O resto, eu deito fora.


O meu agradecimento vai para todos os que me ajudaram, os que rezaram, os que pediram por mim. A minha gratidão é imensurável.


Oxalá, Deus queira que vos continue a maçar com esta lamechice durante muitos anos.


Obrigado. Fiquem bem.


Nem aos que me querem mal, eu consigo querer mal.


Amanheço a agradecer. Agradecer é a minha última ação do dia.



Eu sou um bem haja.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Certas derrotas, preparam-nos para grandes vitórias


Recorda-me o facebook que há 4 anos, por esta altura, numa em que estava a reaprender a viver, até na internet; numa fase em que escrevia mais nesta rede social que na minha blogoesfera, tinha escrito que” certas derrotas nos preparam para grandes vitórias.”

Escrevi então que a Associação Bombeiros de Marvão foi importantíssima para mim, porque foi ela, foram eles, os bombeiros, que me salvaram. Foram eles que me deram a mão depois do acidente de mota.

Quando realizei a minha festa de aniversário de 2012, não no dia 8, mas no dia 9 de Junho, que caiu num sábado, pediram que celebrassem uma missa de ação de graças na igreja da minha padroeira, Nossa Senhora do Carmo, na Beirã. A presidir a manifestação religiosa, estiveram presentes, o padre Fernando Farinha e o padre Luís. O primeiro foi meu professor no liceu e um homem que marcou muito a minha vida. O segundo, é o padre da paróquia, pelo qual nutro grande simpatia, que se quis unir à intenção e eu, claro que vi isso com os melhores olhos. Foi tudo muito lindo e sentido.

Depois, seguimos todos para a Associação de Caçadores da Fonte da Viola, nos Cabeçudos e realizamos uma grande festança, à antiga. Usando lá da palavra e com aqueles amigos todos à minha volta, falei de peito cheio. Falei, como sempre, a verdade. Disse então que desde que sofri o acidente, nunca mais tinha chorado. Passei momentos muito duros, muito difíceis, muito sós. Mas nem nos piores tinha conseguido chorar. Disse então que por aquilo que me era conhecido, devo ter perdido a capacidade de chorar, de me emocionar até às lágrimas.

Mas nesse dia, disse que se isso ainda me fosse permitido, certamente choraria ali, umas lágrimas muito bem empregues. Mas de alegria, por os ver todos à minha volta. Quem eu mais queria neste mundo… Uma sala cheia de amigos. Deveriam passar das 100 pessoas. E não estavam todos! Sabia que muitas faltaram, muitas não conseguiram estar presentes.

O maior presente foi… a presença de todos. Mas ainda assim, alguns fizeram ainda questão de me oferecerem mais algo. Os bombeiros voluntários de Marvão que me salvaram, a Manuela e os Josés, ofertaram-me a t-shirt com estes dizeres sábios.

CERTAS DERROTAS, PREPARAM-NOS PARA GRANDES VITÓRIAS

E isto é bem verdade. Sem medo de quaisquer invejas, ou macumbas, posso hoje dizer que, desde o acidente, todas as decisões que tenho tomado na minha vida têm sido certas, vitórias, das coisas mais pequeninas, às mais importantes.
Decisões a todos os níveis, certas. Decisões das quais me orgulho. Tantas que, por vezes, até tenho medo de tanta coisa a correr bem. Terei crescido e ganho maturidade com esta reviravolta?

Exemplos de coisas boas, muito boas, tem sido por exemplo, a descoberta do facebook, que antes desdenhava, mas agora me tem ligado imenso a amigos. Com eles interajo, e tenho tido muitas alegrias. O início da colaboração com o Jornal Alto Alentejo, do meu querido Manuel Isaac e do amigo André Relvas. A nova decoração de partes da minha casa, que andavam para ser feitas há muito tempo. Coisas que aconteceram assim quase por magia, como se fosse um clique.


Há quem agradeça a muita gente, muita coisa. Eu dou graças… a Deus. Mas um Deus que está presente em tudo, um Deus que não é físico, mas… que se sente.

Tenho tantas vezes medo que o nível esteja muito alto, e que daqui, melhor seja impossível.

Desde que Deus esteja do nosso lado, temos sempre de riscar prefixo “im” antes de possível, como aprendi nos escuteiros, para que tudo se torne ao nosso alcancel.

O segredo para se ser feliz, é pensar que se pode sempre ser melhor.

Esta t-shirt traz saber.

Para os soldados da paz que me salvaram, sempre o meu muito obrigado. Jamais esquecerei.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Quando o passado nos assombra... (do nada, para nossa felicidade)


A vida tem destas coisas e a internet, é mesmo uma dimensão de uma proporção vertiginosa que vive aqui, no meu pc, no meu telefone, à mão de semear.

Há já, vai fazer, 6 anos, entrei num tambor como o das máquinas de lavar a roupa e fartei-me de dar voltas e voltas, torcer e retorcer. Saí de lá… enxuto. Nem sabia para onde me havia de virar. Também… não podia sair para muito longe da cama, onde estava preso com umas baias, para evitar cair ao chão. Nem para andar dava, catano!

Depois foi um trabalhão volt… epá…. que já contei isso aqui muitas vezes! Tantas que já me cansa… até a mim.

Mas ficam sempre pontas soltas, frases soltas, que se vão apanhando assim ao sabor dos tempos, sem andar à procura delas.

Como esta que reparei só hoje, e escrevi a 5 de Fevereiro de 2013!, quando estava a dar os primeiros passinhos de regresso à internet.  (Em Alcoitão, tínhamos computadores disponíveis para os utentes, e nem sequer me senti tentado. Desliguei.)


Se não os podes vencer, junta-te a eles. Este podia ser o título deste texto. Adequa-se na perfeição. Eu, que durante anos assinei com fervor o blogue “Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão” e ali plasmei a minha vida e paixões, criei o meu sítio no facebook… só por criar. Para saber como é, para que não me tomassem por info-excluso, para marcar presença.
Mas um grave (gravíssimo, diria eu) acidente de mota que me colocou às portas da morte, fez-me pensar tudo outra vez, repensar a vida e as minhas prioridades. Eu, que sempre gostei de escrever e achei que me exprimia melhor por palavras escritas, do que ditas, vi tudo mudar depois do que me aconteceu. O período do acidente deve ter sido terrível para todos os que me amam, porque durante meses viveram com a possibilidade de não me terem, de me poderem perder para sempre. E eu hei-de lamentar isso para o resto da minha vida, embora não me recorde de absolutamente nada, nem dessa noite, nem do acidente. Não faço a menor ideia do que me poderá ter sucedido. Nem vale a pena. O que interessa, não é o que ficou para trás, mas o está e o que há-de vir. E eu aqui, quero ser o melhor homem que for capaz, porque Deus deu-me uma oportunidade única de nascer outra vez, e de regressar à vida. Certamente, nenhum de vós se lembrará do início da vida, dos primeiros dias, das primeiras sensações, das primeiras palavras. Eu não sou diferente e também não me recordo.
As primeiras memórias que tenho são de quando já teria alguns anos de vida, e nem sei precisá-las. Isto da primeira vez que nasci. Porque esta oportunidade que Deus me deu de regressar à vida, permite-me saborear tudo de uma forma completamente diferente. Ser mais calmo, mais sereno, mais apreciador das pequenas coisas. Viver, tendo consciência da nossa finitude e das nossas limitações. Tudo isto me fez crescer como pessoa.

O acidente foi terrível para os que me amam, e para mim também, porque me ia colocando um fim a tudo, mas também foi uma revelação e uma aprendizagem profunda. Há um Pedro até ao dia em que aquilo aconteceu, e um Pedro depois. Muitas coisas se mantêm: a paixão pela minha mulher e pelas minhas filhas, o amor pela minha família e pelos meus amigos, a minha ordem de valores. Tudo isto continua igual, sem mexidas.

Se algumas coisas mudaram, creio que foi para melhor. Daquilo que vos interessa e diz respeito, fechei o blogue e passei a dar mais importância ao facebook porque não há como lhe resistir. Está todo o mundo ligado a isto, e eu não quero ser como aquele bacano, “o Salvador, o único português sem telemóvel” (nr: o grande Salvador Martinha, o humorista que eu agora sigo por esta via). Eu não quero ser o “Pedro, o único português sem facebook porque tem facebook mas não lhe liga peva”. Eu agora quero ser o “Pedro, o português renascido que na nova vida sim sabe dar valor ao facebook, porque é um grande instrumento que pode e deve ser utilizado nos tempos que correm”, ou “Pedro, o homem da comunicação social que não quer estar fora das novas tendências, e não quer ser velharasco”.

Falando em facebook e saber utilizá-lo, não resisto a contar-vos uma história, para quem tem vagar porque eu aprendi que no facebook não cabem só vaidades e cusquices. O facebook também pode ser bem utilizado, como tudo na vida, e dá para meter tudo o que se quer dentro.

Eu não sei como o acidente se desencadeou, qual a causa, nem como foi, mas…. foi muito mau. Eu sei que os dentes da frente, do maxilar inferior, são os meus mas… foram todos recolocados no sítio, um a um, porque estão ligeiramente deslocados. E são os meus porque Deus quis que no hospital de São José, em Lisboa, tivesse a oportunidade de encontrar um médico muito jovem, mas fabuloso, que bateu os pés por mim.

 Numa escala de Glasgow que classifica os estados de coma de “3 a 15”, o meu estado era apenas o de “6”. Muito baixo, sobretudo se tomarmos em linha de conta que no estado “3”, a taxa de mortalidade é de 85%. Só se safam 15 em 100. Pois apesar deste meu baixo ranking, este médico afirmou que eu me iria salvar. Em boa hora o encontrei. Uma coisa é trabalhar com papéis, como eu trabalho, onde os erros são facilmente e sempre solucionáveis; outra é trabalhar com vidas humanas e se ele não tivesse feito força por mim, ter-me-iam colocado uma placa dentária para o resto da vida. Isso lhe disse numa consulta, na qual me revelou que o queixo se mantem no sítio graças a duas placas de platina que o suportam. Mostrou-mas num raio x que o provou. (Tenho de passar a ter cuidado nos detetores de metais dos aeroportos…). Nessa mesma consulta, o homem cujo brilhantismo não é apenas clínico, com muita piada e inteligência, chamou-me Lázaro. Ao ver a minha cara e reação, perguntou-me a razão porque tinha revelado tanta admiração. E eu respondi-lhe que “sou cristão e sei bem quem foi Lázaro”.
Ele, respondeu-me com finesse: - “Ai sim? Então, diga-me lá quem foi Lázaro?”.
- “Oh Dr… Lázaro é o nome da figura bíblica que regressou do mundo dos mortos quando Cristo o mandou caminhar e sair da cripta”.
- “Ai sim? Regressou do mundo dos mortos? Então… foi o que você fez!”
E com esta me calou, me deixou boquiaberto, e com um sorriso de parvo.
Nunca mais me hei-de esquecer o episódio.
Pedro dixit in Facebook.

Este foi o texto que publiquei no mural de facebook de Pedro Sobreiro, “o nome artístico do verdadeiro Tio Sabi”, local que passei a chamar uma lanchonete no calçadão de Copacabana, um sítio menos oficial do que a taberna do blogue, o local onde servia uns chopes e umas sandes frugais.

Agastado, à toa, sem ânimo para mais, sem forças nas pernas (nesse então, nem 50 metros, para grande infelicidade minha, era capaz de correr), fechei o tasco numa quarta-feira, a 30 de maio de 2012. Triste e desolado.



No facebook, a vida era mais light. Ali, qualquer um escreve, partilha ou replica. Ali a vida era boa, boa ia ela, mas… as saudades mandavam muito. Um blogue, por muito louco e alucinado que seja, como o meu, tem às suas costas a responsabilidade de ser apelativo, de poder continuar, de chamar as pessoas por terem um motivo para regressarem. “Mas a gente vai ali àquele canto ouvir o maluco porquê? Diz alguma coisa que nos intrigue? Comova? Toque? Surpreenda? Reconforte? Esclareça? Incomode? No fundo e só… faça pensar… sentir vivo?

Então, comprei uma vassoura, chamei meia dúzia de amigos e clientes especiais, varri as teias de aranha, pintei as paredes, voltei a ligar ao fornecedor de vinho (e mandei vir grades de cerveja preta, sem álcool, para consumo interno), comprei um fogão em segunda mão para o petisco e numa terça-feira, dia 19 de fevereiro de 2013, voltei oficialmente a esta minha velha casa.

A mágica reabertura das portas:




Vida tão feliz na vossa companhia, meus amigos e amiguinhas. Tão boa. Eu vos agradeço voltarem sempre porque este espaço… é vosso também! Se o Tio Sabi falasse sozinho, era tam-tam e o mais certo era ir de canoa. O que eu gosto de ver as estatísticas e perceber que estão cá, que estão aqui!

A homenagem que fiz ao amigo Adriano após ter partido, já foi visualizada por mais de 1.500 pessoas. 1.500! Se no concelho há menos de 4000… Ele certamente ficaria tão feliz, como eu fico. Bem hajam, muito obrigado e desculpem se alguma vez magoei alguém… sem querer. Se foi por querer… ai têm de desculpar mas isto aqui é mesmo no duro. Se gosta, gosta. Se não gosta… é a doer que aqui não há concessões.

Só li hoje, os comentários que fizeram no facebook, em 2013. Hão-de estar a receber as notificações de volta, agora. Passados 4 anos. Desculpem o atraso. E obrigado a cada um, a cada uma, a vossa força. O sorriso que eu fiz ao lê-las. Diferente e pessoal para cada um de vós. Como se estivesse a falar contigo. Sim, contigo… querido, querida.

Vejam comigo os rostos… Alguns já desapareceram, entretanto, deste mundo. Como um, logo dos primeiros a interagir comigo, com o qual tinha a melhor relação nesse então, mas que depois de uma fricção no meu serviço, perdi a ligação, embora eu tenha a consciência tranquila de ter sido assertivo, e prestado o melhor serviço.

Quanto à força que recebi pelas vossas palavras, pelo vosso carinho, por incrível que pareça: senti-a. Agora e… quando estava lá.

Humildemente digo: Bem hajam. Teve de ser muita força positiva a puxar pelo Drocas de volta.

Nestes tempos, retomei a publicação em pleno de cartazes novos que afixo no “lugar de estilo” da tasca (4 publicações na última semana), e vou fazendo uns pipis para vender na lanchonete do calçadão (facebook), alguns de tão boa qualidade, que depois sobem à vitrina de petiscos da taberna.

Digo o mesmo de sempre: Sirvam-se.

E muito merci.

Do vosso sempre,

Tio Sabi


sábado, 30 de julho de 2016

2011.07.30. – 4.15h da manhã




Antes disto... a vida estava assim...






Cumprem-se hoje 5 anos deste esta data marcante, que Deus não quis que fosse aquela que ficasse gravada junto ao meu nome, numa pedra mármore.

Foi a esta hora que quem orienta a nossa vida me quis dar um abanão, para que começasse a ver realmente aquilo que é importante.

Sãs as pessoas. Sempre as pessoas. E não, nada, nunca o património, queira lá isso dizer o que seja. São as minhas mulheres, os homens que enchem a minha vida, os meus queridos, amigos e familiares que fazem tudo valer a pena.

Ultimamente não tenho escrito aqui muito, e quero por isso pedir desculpa aos leitores habituais. Mas a verdade é que tenho passado a maior parte do tempo a viver. E isso sim que é certamente a melhor desculpa. Vou mais à lanchonete no Calçadâo (meu mural do fecebook), porque está no telemóvel e mesmo à mão de semear.

De resto acordo e vou trabalhar, porque me faz falta à carteira e à mente.
Dali saio e geralmente vou para o tanque dos meus sogros com a minha pequena, refrescar-me.
Outras vezes vou fazer remo, ou nadar, de forma intercalada. (que isso de correr para manter a boa forma física é à beira-mar ou no inverno, quando está frio.)
Depois janto e vou ao parque infantil com a Dona Alice e dali, vejo um pouco de televisão antes de adormecer para retemperar energias para a jornada que se segue. Viver assim é extenuante. Ver um “Eixo do Mal” nas gravações automáticas dá-me para 5 dias… e nem consigo ver o “Governo Sombra” ou o Notíciário das 20h da SIC, que é o que eu gosto.

Relembro aqui esta data de 30 de Julho de 2011 não por lamechice, mas porque a memória é realmente importante para que se evolua e não voltemos a cair nos mesmos erros.

Eu de Vespa, com um copo a mais e de guitarra às costas… era a o Jim Morrison em Venice Beach.



O Pedro de hoje é muito diferente do Pedro de então. É o mesmo Sabi de sempre, mas limou muitas arestas. A personalidade e a linha da espinha dorsal é a mesma, os gostos e as paixões, os amores e desamores são os mesmos. Nada alterou, aí.

Mas comecei a agradecer a Deus cada dia, e a pedir que me ajude no que há-de vir logo pela manhã, reconhecendo a minha condição de mortal. Deus, que me deu esta nova oportunidade, é o meu refúgio e a minha força. Perdi a vergonha e o medo de o afirmar, e digo-o de cabeça consciente, como os cristãos que são mortos em todo o mundo sob o terror assassino do autoproclamado estado islâmico.

Continuo a ter de lidar diariamente com a minha forma infantil de ver o mundo, sempre pelo lado mais belo e mais puro. O meu herói continua a ser o rapaz que nunca cresceu, sonhado pelo escocês J. M. Barrie, Pan de seu nome, Pedro, como eu.

Estou menos egoísta. Penso menos em mim. Luto comigo diariamente para que isso não aconteça e esta vertente é decorrente da outra.

Continuo a adorar escrever. É aquilo que mais gosto de fazer na vida. Não sou de inventar romances mas já tenho um assunto sobre o qual o fazer: o dia a dia de um funcionário dos impostos na província, sem obviamente referir nomes ou situações, mas relatando as situações caricatas que surgem todos os dias ao balcão. Tão engraçadas, contadas por mim…  que só me falta o mais importante para além da saúde: tempo. Até poderia vir a ser subsidiado pela Autoridade Tributária pelo que… sonhar não custa.

Depois de um momento de baixo que senti na recuperação, onde nem sequer tinha equilíbrio para andar de bicicleta, não conseguia correr e só podia caminhar, sinto que estou, neste momento, no meu apogeu físico, aos 43 anos, estando ainda melhor do que estava antes. Fiz uma maratona (42 km) na praia somando as corridas diárias, faço 1500 metros nadando em 35 minutos. Sem consumir sequer um tinto às refeições ou uma imperial, com a força de vontade que Deus me dá, e com muito querer e acreditar, consegui. Qualquer um, qualquer uma pode, desde que queria.

Agora sinto-me um funcionário da Autoridade Tributária muito mais capaz e eficaz, muito por causa do novo chefe que lhe dá confiança para aprender a andar e a fazer. Fazemos uma dupla sólida e inatacável, blindada pelo amor à casa e ao próximo. Temos os dois, Cristo como exemplo. Agora posso ajudar o próximo como sempre fiz e tenho o total aval para o fazer. Seja o contribuinte que tenho pela frente, um idoso com baixa escolaridade, que quer resolver um assunto premente, ou um jovem desleixado que deixou cair uma qualquer situação fiscal, sei que posso dedicar-me ao assunto sem ter de me justificar porque estou a perder tempo, porque na realidade não é isso que se passa.

Eu dantes gostava de apanhar uma bebedeira. Não muitas, não sempre e quem me conhece sabe bem que isso é verdade, mas gostava de encharcar as velas e fazer reset, como se fazem aos computadores. Limpar o disco rígido.
Isso acabou. Há 5 anos, excepto num deslize há 4 anos que não quero repetir porque não posso e é horrível.

Retomei o gosto de fumar 1 cigarro, não! 4 cigarros por dia, ou menos, mas nunca mais de 5, de tabaco orgânico sem aditivos.

Deixei de ser capaz de chorar. Nem no funeral da minha tia Maria, que tanto me abalou, fui capaz de deixar que a tristeza chegasse a esse ponto tranquilizante.

A minha vida está longe de ser um mar de rosas. Tenho problemas como todos têm, até entre as 4 pessoas mais importantes no mundo para mim. Mas há que saber com calma, muita inteligência, muita tolerância, muito amor, resolvê-los.

Bem hajam por lerem este desabafo. Soube-me bem. Quanto é a consulta da psicóloga?
(Private Joke) Meta na conta da garagem.

Vemo-nos no facebook! Pelo menos durante a silly season, enquanto o calor se mantiver. A menos que surja um assunto digno da taberna virtual! Até lá!


Recordo aqui também o dia em que voltei a este espaço, a 25 de Novembro, em que tanto comentário me encheu o coração de alegria, e ainda hoje me enche de emoção, ao ler.
Obrigado