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segunda-feira, 14 de julho de 2025

United Kingdom Invasion 2025

Antes de ler, convém saber que…: também eu já me rendi ao facebook em detrimento do blogger por diversos motivos, mas sobretudo porque é mais imediato (basta tirar o telefone do bolso), e tem outra abrangência (é ali que estão todos ligados, e se queremos comunicar…). Mas esta publicação, a densidade da odisseia que a legitima, a sua complexidade (em fotos e vídeos), e a sua importância na minha vida, mais que justificam um regresso aqui à minha casa mãe, que está e estará sempre em aberto, enquanto eu durar. Sendo assim, quem vier por bem, venha, venha também!

 

Texto escrito a muitos pés de altitude, na viagem de regresso…

 


É certo que é um lugar mais que déjà vu, mas realmente, a vida... é mesmo para ser vivida! Com isto quero eu dizer que estando a nossa alma confinada a ter de viver neste corpo, que dificilmente durará mais que 80... 90 anos com qualidade, claro está, devemos ter a sapiência de retirar, ou melhor, usufruir de tudo... dentro das nossas capacidades, o que de bom a vida nos dá.


Os Oasis, banda britânica de guitarras, nascida na última década do século passado, sempre encaixou muito no meu ideal de banda: pelas letras, melodias, atitude, espírito, complexidade criativa, postura.

 

Ao longo dos anos, fui colecionando álbuns (todos!), singles, raridades, concertos...

 

Assisti ao vivo na 1a vez que trocaram no nosso país, durante a Expo 98 (há quase 30 anos atrás!!!), e revi-os no Pavilhão Atlântico, aquando da sua última vez entre nós, a 15 de fevereiro de 2009, numa noite de fantástica memória, aqui espelhada, como meu mano Miguel Damião e o meu Soul Brother Francisco Roldão. 

https://vendoomundodebinoculosdoaltodemarvao.blogspot.com/2009/02/magical-mistery-tour.html

 

Cansados da vida exposta sempre no limite pelas atuações constantes, e o assédio permanente dos media clamando por briga e sangue, os irmãos Gallagher, que ao princípio pareciam duas corujas mono-cebrancelha, que depois se estilizaram à medida que os milhões entravam pelas vendas Beatlemaníacas; romperam e começaram carreiras a sós... que nunca conseguiram chegar aos calcanhares do virtuosismo quando estavam juntos, pois aí, parecia que faziam faísca criativa!

Muitos pensámos que seria impossível revê-los em palco, Liam a abanar-se, swaggering, como tão bem sabe, rockin" rolando feito mitra; enquanto Noel, continuava a criar o edifício sonoro de que são feitos.

 

Até que... depois de anos e discos de carreiras espartilhadas das quais nada saiu que pudesse ser visto, ou melhor, ouvido de jeito... a coisa teve de se dar.

 

Muitos de nós sabemos que quase todos sabemos que bastou alguém que entendesse do negócio, e do artigo, lhe tivesse explicado... só assim por alto, e pela ramada, o que poderiam estar a perder se não fizessem as pazes... para terem saltado para os braços um do outro a fingirem que davam muitos beijinhos, que na realidade não dão, embora eles, como é obvio, prefiram defender a visão romântica, que quem os convenceu a fazerem as pazes foi Paul Bonehead, guitarrista inicial dos Oasis, natural da sua cidade natal Manchester, também seu colega de escola, que ontem, surpreendentemente, também estava em palco, completamente calvo, quando ele no início, também já tinha pouco... 😁

 

E assim, 14 anos depois nasceu uma tournée, que para os fãs passou a ser o sinal de que poderiam viver o momento outra vez, e juntar-se a eles num sing-a-long gigantesco que faz de cada atuação, uma autêntica reunião de Karaoke; e para eles, mais uma descoberta de um pote de milhões que dão muita alegria, e para muita coisa.

 

Posto isto, no verão do ano passado, ligou-me o Francisco Silva de Lisboa (com quem já tinha grande afinidade, e por quem nutria uma enorme e franca simpatia, alguém que conheci por ter casa por aqui, apesar de ser natural e residir na capital), que me sabia grande fã; a dizer que tinha deixado o computador todo a noite a trabalhar, ligado à Ticket Master, e conseguido ingressos para nós dois, para Manchester em 2025!!!

 

Puxa vida!!!!!! Que notícia!!!!!!

 

Voltando à conversa inicial, dizia eu que há desafios que não se podem mesmo recusar, e assim sendo, foi um ano a preparar todo o material (passaporte, visto de entrada no UK, recém saído da UE), e sempre, sempre a pensar no dia 11, de saída de Portugal; dia 12, do concerto; e dia 13, de regresso. Todo o santo ano com isto em suspenso na cabeça, porque se numa mão tens a aventura, a descoberta, o que te acrescenta algo; na outra tens toda a ansiedade natural de abandonares a tua zona de conforto, de segurança, e saíres do sítio onde andas com pé firme no chão. Tratava-se de um mergulho no desconhecido à procura do sésamo encantado do Aladdin!

 

Sendo assim, e porque o que tem de ser, tem muita força, pelas 9h do dia 11, sábado, aterrámos em Manchester, e invadimos o Reino Unido (acordados antes das 3h, depois de saídos de solo tuga às 6h). Depois do check-in no oportuno 🏨 junto ao aeroporto, fomos à descoberta da cidade portuária de Liverpool, para qual nos deslocámos de comboio, com uma viagem de duração de cerca de 1 hora.

 

Em Liverpool queríamos sentir a vibração da cidade dos Beatles, o pulsar do coração do rock britânico, sentir o cheiro a mar, tocar e olhar as pessoas, visitar a Caverna(a), onde tocaram pela 1a vez enquanto Quarrymen, fotografar a estátua, fotografar-nos junto a ela, marcar o ponto no nosso mapa pessoal, no nosso Google Maps. Que cidade... e que gente...

 

Depois de uma noite muito curta, um voo muito grande de 3 horas de duração; uma manhã muito quente, viajada e agitada; quando corpo pedia era reserva e descanso... (embora assim tenhamos visto e vivido muito mais; que é para aquilo que fomos); dirigimo-nos ao Heaton Park em Manchester para onde entraram muito mais de 80.000 almas, numa multidão absolutamente deslumbrante que eu nunca antes tinha visto junta, e onde tivemos um acesso assaz problemático, por causa de um pequeno pormenor.

 

Passámos todas as barreiras, mas na ultimíssima entrada, um marreta de um segurança indiano (esqueçam a vossa ideia do típico inglês, do gênero daqueles que vêm ao Algarve. Se eles colonizaram a Índia durante quase 1 século, entre 1858 e 1947, agora estão a aprender porque é que a vingança é um prato que se come frio!!! Aquilo está pejado deles!!!! E eu imagino que Portugal, e a Europa toda vão mesmo ser engolidos pelo Islão, como já li em tantas crônicas e opinion makers). Pois o gajão barrou-nos a entrada por causa da minha pequena mochila Eastpak que levava às costas com águas e alguns bens pessoais. Á pála disso, perdemos tempo à procura de uma casa onde a deixar (dizia ele que havia algumas na cidade para isso, que nunca conseguimos localizar), e valeu-nos a sagacidade de meu Francisco, que pediu a uma família que vivia nas proximidades, e se estava a preparar para ouvir o concerto à porta de casa com amigos, que nos desenrascasse, e como nada cobraram, teremos de os recompensar com umas garrafinhas de bom vinho porque merecem mesmo, e a sua ajuda e nos valeu por tudo!!!

 

Perdemos os Cast, e o Richard Ashcroft, dos Verve, que íamos ouvindo nas proximidades, mas pelo menos, assistimos ao concerto dos Oásis na íntegra, com uma distância razoável, apoiada nos gigantescos ecrãs gigantes, e as barreiras de colunas suspensas por balizas, espalhadas por toda a parte.

 

Se tivermos capacidade e inteligência para esquecer os motivos da reunião, a verdade é que depois de tanta coisa ter acontecido, eles certamente se divertiram muitíssimo, aproveitaram o momento e nem se lembraram dos milhões, pelo menos ali, quando estávamos em pleno ato; e nós... nós... nem pensámos na via do negócio, e esquecemos a perspetiva mercantilista!!! Foi só PURA DIVERSÃO!!!

 

No meio de tanta gente, ficámos algo distantes, como é óbvio e seria impossível se assim não tivesse sido, contudo o sistema de som era BRUTAL, e as muralhas suspensas de colunas espalhadas pelo recinto garantiam isso; os ecrãs gigantes eram TREMENDOS, e a BANDA estava ali!!!!, mesmo à nossa frente, tão próxima de nós, a tocar e a falar… Os locais, os bifes naturais de Manchester estavam WIIIIIIILLLLLLLLDDDD!!!, e nós passámos das melhores horas da nossa vida!!!

 

Os êxitos que constavam do line-up falam por si, e obviamente dispensam quaisquer apresentação...

Foi tão bom voltar a cantar com eles.. 

 

Eu, que crítico tanto a malta que não larga o telemóvel e passa a vida a filmar, no lugar de aproveitar o momento... não resisti...

 

Foi tão bom... que eu queria o meu registo...

 

Para mais tarde recordar...

 

Espero que gostem, e os direitos de autor não mos cortem…


Oasis, Cigarettes & Alcohol Live, Heaton Park, Manchester – 2025.07.12  



Oasis, Half the World Away Live, Heaton Park, Manchester – 2025.07.12



Oasis, Whatever Live, Heaton Park, Manchester – 2025.07.12


Oasis, Live Forever Live, Heaton Park, Manchester – 2025.07.12



Oasis, Rock’n’Roll Star, Heaton Park, Manchester – 2025.07.12


sexta-feira, 12 de novembro de 2021

O avançado "fura-redes" dROCAS Sabi, a faturar n'"A LiNHA AVANÇADA"

 

Ouço rádio desde sempre. Esse sempre, tem sido mais presente desde os idos anos do início da década de 90 do século passado, quando a estudar em Lisboa, passei a andar para todo o lado com um pequeno transístor da Sony, envolvido numa bolsinha de cabedal negro, que me enxia a casa, e a vida de música e de companhia.

Desde então, tem sido uma presença constante na minha vida, desde o banho matinal, à viagem de carro para o emprego, durante todo o dia no trabalho, e só à noite, em casa, a rádio cede lugar à televisão e ao pc, às leituras diversas, e à atenção total à família.

Habituei-me a ser muito da turma do Ribeiro, o outro Pedro, que se fez patrão na Comercial, desde os tempos do Malato e da Ana Lamy. Sempre ouvi, consumi com sofreguidão e quase com selo de exclusividade, até ao cúmulo de ter  acompanhado e ajudado a cumprir o sonho da minha filha Leonor, em ir assistir a um espetáculo do natal, Xmas in the night, ao Pavilhão Atlântico, hoje Meo Arena.

De há uns tempos a esta parte, acho que cansei das playlists, do mudarem os animadores e a estação parecer sempre a mesma, e atingi a dieta atual: começar na Comercial ao acordar, sim, mas deixar-me das (já aborrecidas) historietas do Markl de seguida, para às 9.30h mudar para a Antena 3, para o “Vamos Todos Morrer” do Van der Ding, e para ouvir o grande Zé Nunes, na sua deliciosa “Linha Avançada”. Depois volto à animação da manhã da Comercial até mudar para a Antena 1 por volta das 12.15h, para ouvir o Portugalex, dos tremendos e imperdíveis Manuel Machado e António Marques. Acabo por passar a tarde toda na irmã mais nova, a Antena 3.

No dia de ontem, com a sua natural galhardia e espírito bom vivant, mister Nunes, ao falar sobre o confronto nessa noite entre a seleção portuguesa e a seleção da Irlanda, abordou um episódio mítico que presenciei na minha juventude/vida, do qual não ouvia falar há mais de 30 anos, e me levou a entrar em contato com ele via facebook, e a ter como recompensa, a honra de ser largamente mencionado no programa de hoje, 12-11-2021, como podem ouvir em baixo.

Esta foi a crónica que me fez entrar em contato com o carneiro amigo Zé:

 

Dia 11 Novembro, dia do jogo Portugal x Irlanda, ouçam clicando no link abaixo:

https://open.spotify.com/episode/09h6IVqCzprduUuV3x4Xyr?si=c21c86db127f4b22

 

No seguimento, escrevi-lhe em mensagem:

Meu querido José Nunes, boaaaaaaaaaaaaaaaas! Sou o Pedro Sobreiro, de Marvão (Alto Alentejo), tenho 48 anos, e sou um ouvinte assíduo das tuas “Linha(s) avançada(s)”, que não perco enquanto me encaminho para as finanças onde trabalho. Adoro saber do futebol mas sobretudo das tuas estórias, brincadeiras, sound bytes, e larachas gerais. Bem hajas por na manhã de hoje, 11/11/21, dia em que a nossa seleção jogará com a Irlanda, teres recordado o celtic punk dos Pogues, e o seu mítico concerto no final dos 80, no Coliseu dos Recreios. Na verdade, esse foi o primeiro concerto ao vivo da minha vida que inclui já uma lista simpática onde se incluem desde os gigantes U2, Rolling Stones, Leonard Cohen, reais Doors sobrevivos, acompanhados de Ian Astbury dos Cult, e alguns festivais onde vi, por exemplo, os Artic Monkeys, os Strokes, e os Arcade Fire. Voltei a esse coliseu para ver nomes como Nick Cave and the Bad Seeds, e os Radiohead, mas essa primeira visita, em que acompanhei o meu querido amigo Francisco Roldão, que também trabalha na RTP, ficará inesquecível para sempre. Recordo-me perfeitamente dessa história que contaste, de terem gamado o anel ao bebedíssimo, como sempre, Shane McGowan, episódio sobre o qual eu já não ouvia falar há umas luas. Tão booooom! Abração”, num texto que leu quase na íntegra! J

Para meu espanto, respondeu de imediato:



Depois mais escrevi,

Aproveito este contato contigo para reforçar o apreço que tenho por ti, que tem a ver com as tuas qualidades humanas, jornalísticas, de gourmet, amante da boa gastronomia portuguesa, e de entertainer, enfim. Claro que te sigo religiosamente, bem como à deliciosa "Cozinha avançada", e sabendo eu da riqueza da gastronómica do meu concelho, quero desde já convidar-te, a ti e aos teus deliciosos colegas estarolas, para almoçarmos num dos templos gastronómicos daqui.

No Liceu, como te disse, estudei com o Francisco Roldão, que me levou a ver os Pogues, trabalha na RTP e é um dandy muito popular, fã dos Oasis, próximo do Baião e da Tânia de Oliveira, do qual talvez já tenhas ouvido falar. Aqui estudei também com o grande Alexandre Afonso, que chegou a ser meu colega de secretária, e do qual era muito amigo, embora a vida nos tenha afastado, e já não nos vejamos há algum tempo. Eu também fiz Comunicação Social no ISCSP, mas a vontade de regressar à terra, a falta de emprego na área por aqui, e a oportunidade de concorrer ao maior concurso da função pública em Portugal até então, para a DGCI - Direção Geral dos Impostos, hoje A.T.A. - Autoridade Tributária e Aduaneira, fez-me mudar para uma área onde sou também muito feliz. E prontos, portantes, como diz o JJ, é tudo! Um grande abraço, muita saúde e tudo a correr bem! Do carneiro amigo, lampião mas que gosta do JJ só na perspetiva humorística (J. J. Bóce), e está deserto que o bacano baze pró Brasiú, e que o grande maestro vá buscar mas é o nosso Pepa, (antes que o Pintinho o abafe) já que deixou fugir o Amorim.



 Após o jogo, o a rubrica de hoje, dia 12 Nov.…






Para ouvir:

https://open.spotify.com/episode/2y5eVzDdJmo6KBNQAmKWj5?si=eb51c98c69f946e3

 

Fiz o comentário:

Bom dia, Caríssimo carneiro amigo! Embevecido pela menção, e sobretudo, pelo extenso tempo de antena, que permitiu ler quase toda a mensagem, te agradeço do fundo do coração, e reforço o convite que fiz! Grande abraço, querido ZÉ NUNES!!!!

 

E como eram os Pogues, o assunto afinal, de quem tive tantos discos?!? (UMA DELÍCIA!!!)








E já numa fase final, com o Shane miraculosamente vivo, mas bem amolgado pelas décadas de abusos, e sem a original Kirsty MacColl, tragicamente falecida prematuramente num acidente com uma embarcação. 



PS: E os amigos que ouviram, e ligaram de imediato a saudar, como o grande Doc de Chateau de Vide, diretamente do Algarve?!? Top!!!! 🌞😎

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Em dia de romaria...






Comecemos pelo princípio, o que dá sempre jeito. O Miguel Araújo é, na minha opinião, o maior cantautor da minha geração (apenas 5 anos mais novo que eu).

Temos também o Tiago Bettencourt, que também é muito forte mas não tem, de todo, a sua coerência e profundidade lírica. O David Fonseca é outro ponta de lança, mas cantando na língua mãe, não tem sido capaz de atingir a densidade das palavras que tão bem cantava em inglês. O Manuel Cruz dos Ornatos Violetas é também outra figura de proa mas tem-se deixado ficar para trás e vai aparecendo muito esporadicamente. O João Paulo Simões, que encabeçou os Belle Chase Hotel é também um extraordinário compositor; tal qual como o Jorge Cruz dos Diabo na mesma que agora tem escrito para fadistas com grande alegria e sucesso (Ana Moura) mas nenhum deles conseguiu alguma vez fazer uma música tão forte para quem viveu a meninince e adolescência no nosso tempo sobre um dos ícones definitivos dessa altura como o nosso Miguel.



   
O insuspeito “Expresso” concordava com o que hoje penso, já em 2012, quando disse que “é notório que Miguel Araújo se tornou um dos melhores fabricantes de canções que o país viu surgir este século”.

O Miguel é o Rui Veloso da nossa geração mas tem a diferença de ter o Carlos Te a viver dentro dele. São os dois num só e isso é tudo.

E é por isso que de cada vez que tenho oportunidade de o ver ao vivo, tudo tenho feito para não ficar em casa.


Fuivê-lo ao Crato, com a minha Leonor e assim que soube que vinha a Portalegre, não descansei enquanto não arranjei bilhete. Consegui um para mim, outra para ela e fartei-me de dizer à minha patroa se queria que a mana, com fala diversas vezes durante o dia, ou alguém lá da casa dela quisesse ir…

Como não soube de nada, voltei a pedir ingressos que estavam a esgotar para os 3 cá de casa.
   
Acontece que a minha Leonor já namora (difícil, duro) com o Einstein da terra das torres da Robinson e nesse dia, trocou-me. Foi pela mão rapazinho, de boleia com os papás, ver um dj chamado KYGO, ó valha-me Deus. Anda um gajo a vida inteira a passar-lhe bons gostos musicais, coisas com estilo, pompa e circunstância, com pedigree e à primeira oportunidade, vai-me daqui de propósito a Lisboa para ver um disco-joker norueguês. Isto é mau demais. Mas o Sabi merece. O Sabi arreia.


Eu, de certeza, de certezinha que ia ver o bom do Araújo. A mãe teve uma Alice que fez uma cena terrível de bebé que não costuma fazer, e esteve quase, quase para não e ir.

Pensei, se não tinha a filha para ir comigo, não me queria desfazer do bilhete e perguntei à afilhada se queria alinhar. Esta, é daquelas que nunca falha. E assim fomos, lá todos três, para termos uma noite de romaria.



O Miguel é mais novo mas é sabido e rodado. Se o homem está farto de fazer estrada e estas coisas não se aprendem num compêndio. Aprendem-se vivendo.

Exímio compositor, excelso fazedor de canções, também faz franchising e escreve para fora, esticando a cama de lençóis lavadinhos para os outros brilharem e se deitarem.

O “Pica do 7” do Zambujo, por exemplo, no vídeo do qual faz um cameo sentado no elétrico, é um hino ao bom gosto, à musicalidade e portugalidade.


O Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre, que cumpria o 10º Aniversário (parece que foi ontem…) estava cheio a rebentar pelas costuras com gente que venceu a terrível noite de frio e chuva porque queria mesmo ali estar. O Miguel, admirado pelo incrível calor humano e coros que recebia das cadeiras em frente, apresentou-se humilde num palco muito simples, negro, sem adereços, apenas com duas aves de papel suspensas do teto, acompanhado apenas por dois músicos que foram aparecendo durante a atuação, nas teclas e no baixo que fazia as marcações rítmicas.

Para um homem que, com a companhia do parceiro Zambujo atingiu recentemente o notável marco de encher por 17 noites consecutivas o Coliseu do Recreios, estas noites, qualquer noite destas noites, lhe há-de parecer um ringue de patinagem de bairro. Uma coisa pouca. Mas não. Mostrando-se verdadeiramente feliz por ter conseguido reunir tantos amantes da sua obra, que o acompanhavam ao deslindar de cada êxito. O Miguel sentiu-se em casa.


Não deu um concerto apoteótico, mas foi também por demais evidente que isso nunca foi o que pretendeu. Poderia ter ido para os temas mais orelhudos, que toda a gente conhece de trás para a frente e de frente para trás, mas não. Escolheu um line-up muito pouco frontline e de temas menos conhecidos. Recriou, recriou-se, brincou consigo e com o domínio da sua obra.

Manifestos, por demais evidentes disto que digo?

A meio do show, não no final, tocou ao piano dois temas que, percebeu-se que muito gosta, um de Elton John Sobre Lizza Minelli, e Portsmouth do Elvis Costello. Temas que muitos poucos dos que enchiam a sala conheciam e gostavam tanto quanto ele, certamente. O Elton John jamais seria um artista do qual seria capaz de ouvir um disco, quanto mais comprá-lo.



As músicas que todos esperavam, chegaram ao final com o ar de café concerto num pub qualquer, em que o artista, com a guitarra a tiracolo, espicaçava quem tinha à sua frente sobre o que tema que se haveria de seguir.

Sairam assim os clássicos imediatos pelos quais todos esperavam:




Eu, que sempre fui assim um desalinhado, sempre a pensar muito pela sua cabeça, pude deslumbrar-me com o maravilhoso casamento de cartório, tal e qual como começou o meu,



Esse ou com a soberba festa de romaria que viemos a saber que foi composta em Portalegre no bar Xisterna com o apoio enorme do amigo Zambujo em 2007, provavelmente na altura em que o conheci em Marvão, quando era vice-presidente, vereador da Cultura e o trouxe a Marvão a acompanhar os amigos do Quarteto em Mim no feriado municipal.

Boas memórias.


Gostei da conversa. Valeu! Ficou aberta para o teu regresso um dia?

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Nós fomos ao NOS (e foi Optimus) que era para o que íamos, antes de lhe mudarem o nome

Os filhos do J. R. Ewing à entrada do Dallas

Reportagem na prensa há vários dias (trabalhosa, de grande produção textual, gráfica e de pesquisa. As hiperligações garantem a leitura e ócio por muitas horas. Se calhar, é uma das maiores produções desde que tenho o blogue, há já 8 anos. O meu Ben-Hur.) mas ultimamente os acontecimentos, sempre tantos e tão fortes, foram deixando as rotativas em stand by sem mandarem nada cá para fora.

Isto não é para meter inveja a ninguém, nem para armações. Isto é amor e entrega. Vai por ti, Leonor. Para que quando leias no futuro te recordes do tempo fantástico que passamos juntos. O cota sempre foi fixe, não foi? Vai por ti.


Eu estava lá com ela na estreia, quando a levei ao Rock in Rio a ver a Hannah Montana, há meia dúzia de anos atrás (aqui), antes desta se transformar em Miley Cyrus ea Leonor a passar a detestar por andar a lamber picaretas, alfaias agrícolas e a dar barraca nos Video Music Awards cheia de coca, álcool, ou outra cena marada qualquer. Já que tinha que ir ao festival e queria tanto… que fosse comigo e em grande nível.


Então fomos os dois.






Há tempos incentivei-a a traduzir as músicas de que gostava (aqui) querendo com isto incutir-lhe que compreender a língua inglesa nos permite descobrir um universo de palavras sempre presente na música que nos envolve na rádio, na televisão, nos filmes.

Há meses, numa viagem a Idanha-a-Nova para visitar a minha avó materna (entretanto desaparecida), ouvi regalado e em silêncio como cantava every single word de um tema de uma das minhas bandas favoritas: os Arctic Monkeys (aqui). Que gostava deles, que gostava muito. Até chegar ao “que vinham cá”. Daí para me pedir para os ir ver ao Optimus Alive foi um passinho. E eu tenho de confessar para quem não imagine já que se há sacrifícios que um pai tem de fazer por uma filha, este não foi um dos que mais me custou.

Se não comprei os ingressos na net no dia em que foram postos à venda, foi no segundo ou terceiro que eu sou puta velha nestas andanças, e já bem rodado. É óbvio que tive algumas pressões internas porque faltava muito tempo, porque não sabíamos o que iria acontecer até lá (sempre aquilo do acidente…), porque não era barato… enfim. Quando soube que estava esgotadíssimo por ter conseguido reunir o melhor cartaz de sempre que o colocou de vez na grande rota dos festivais alternativos da Europa (ao lado de Glastonbury, Reading - GB; e Benicássim – SP) fiquei radiante e ao saber que a “conquista” estava feita tive de dizer a plenos pulmões chez moi: “Filha: O DIA EM QUE VAMOS ESTÁ ES – GO – TA - DO! (Areops: LOLITA!)


A miúda andava em pulgas e de cada vez que passava por mim em casa dizia-me: “faltam X dias… Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee…”


Mais uma foto, pai?!?!? Que bom....
É pra guardar, filha...

Era uma jornada importante em que EU próprio me iria por à prova. Ir a conduzir para Lisboa com a responsabilidade de a levar a ela, um dos elos mais preciosos que tenho nesta vida; conduzir numa cidade onde apenas aprendi a andar de autocarro e metro (o dinheiro não esticava), onde os carros e as buzinadelas (e as pancadas?) podem vir de todo o lado confiando a árdua missão de co-piloto num telefone??? (Meo Drive…); arriscar-me a entrar num festival onde o único bilhete que tinha era um código de barras da impressão de um bilhete electrónico?!?!

Conseguir dar com o estacionamento dos autocarros gratuitos para evitar engarrafamentos; conseguir descobrir o Alegro em Alfragide de onde partiam; conseguir dar com a fila (fomos dos primeiros J), conseguir fazer tudo isto apenas confiando em mim, no meu cartão multibanco e sem levar a mãe Cristina (que o tem sido sempre depois do acidente) é obra.
Antes de partir, falei comigo e disse: “Abre a pestana rapaz! Tu já passas dos 40, que porra! Tens de ser capaz!!!”

Cada quilómetro era uma meta. Cada meta conseguida era uma proeza. E um alívio.






Chegámos a Lisboa, demos com o Alegro, almoçamos com o tio Mac, apanhámos o BUS, conseguimos entrar sem nos revistarem e nos bloquearem e não é que o raio do papel deu para entrar?!?!?!? Ele há coisas… Isto já não é do meu tempo.

Como fomos dos primeiros a chegar ao festival também vieram logo umas cachopinhas muito bonitas o oferecerem um chapeuzinho branco à maneira e uma fita com o programa do festival para meter ao pescocinho! J Nice! A malta que viesse a seguir que fechasse a porta:
- “Eina man, que chapéu tão fixe… onde q’arranjaste?”
- “Sou rico.”

Fim de papo.



Pois o sol estava quentinho e ainda faltavam umas horinhas. Demos uma volta a descobrir o recinto e ela bufava, soprando baixinho.
“Filha, um festival é mesmo assim, bebé. Isto não é um concerto e tudo faz parte. Aprende a olhar à tua volta e a curtir.”


Eu olhei à volta e custou-me. Tempo de desabafo: quando eu ia a festivais, como aqui, ia sempre em grande companhia e estava sempre em vinha d’alho, se é que me faço entender. Festival é festival e a malta é jovem e é pra curtir. As diferenças começam logo aqui e eram… imensas, vá. Para já eu ia com a minha filha, com-ple-ta-men-te sóbrio. O que por si só já é um transtorno porque um gajo custa a adaptar-se a esta nova condição. Depois, olhar à volta com olhos lúcidos é muito mais acutilante, frio, lancinante. Como é que eu podia olhar, apenas olhar! (Fernanda Cristina porque a mulher é um ser tão bonito de se ver…) SE TINHAM TODAS IDADE PARA SEREM MINHAS FILHAS?!?!? Um gajo esmorece… E não pode beber uma fresquinha para atenuar é triste.


Vamos passar ao lado, filha. Estas porcarias de stands que arranjam para aqui... Falta de gosto...

Isto sim!

Ou isto. Saudades...



Não tirava de lá os olhos... a ver se via algum herói...


Falha ENORME na organização: SOMBRAS

O Mijódromo. Os homens pareciam cavalos, a mijar para a vereda.

2 destas pra Marvão!










Passaram lá à minha volta aqueles bacanos com uma lata gigante de mochila que serviam imperiais por um tubo à malta que estava abancada, aqueles que eu dantes queria era dar uma pancada para roubar o saco e só nunca o fiz porque meus amigos mo impediam.
Um gajo cheiinho de sede, com a boca a colar, desertinho de um líquido a escorregar pela goela, impossibilitado de o alcançar pelas filas… com uma ali geladinha mesmo à mão de semear…
“Tens sem álcool?”
“Epá, sem álcool não, man. Só tenho com.”
“Vai à merda!”
“Desculpe?”
“Nada.

Palerma! (entre dentes)”


O Ben Howard abriu as hostilidades. Um cantautor que me pareceu honesto, com alguns fãs a cantarem em coro lá à frente mas um gajinho fixe para curtir num barzinho. Nunca num festival. Esforçou-se mas valeu de nada. Aos primeiros acordes teria dito: “próximo!”


Os Lumineers eram muito aguardados por mim. Têm uma atitude fantástica que adoro e agora (novos tempos! J) o brilhante disco de estreia que juntou Jeremiah Fraites e o melhor amigo do irmão que a droga levou para sempre está todo aqui . Uma extraordinária forma de superar o luto que está aqui na íntegra e eu percebo assim quando vou a Portalegre porque é que a Woodstock onde emprenhei tanto do meu dinheirinho está agora fechada. E eu com caixas cheias no sótão. L


Banda folk com atitude completamente rock. Para mim, este primeiro concerto foi o segundo melhor concerto da noite antes dos Dragões Imaginados. Dois candelabros suspensos sob o palco, um piano, um violoncelo e muita garra. Momentos altos da atuação:1 - Quando o vocalista mandou desligar os telemóveis dos miúdos obcecados em captarem tudo quando as televisões o fazem muito melhor e com outro detalhe. “Put your cell phones down. You’re in a live concert. Let´s celebrate!” Que por sorte captei aqui

2 – Uma versão de stage dive que desconhecia por completo: chair dive. O gajo montou-se numa cadeira e foi deslizando sob as pessoas com a locomoção ser feita pelas mãos da audiência. Deslumbrante.


Os Elbow seguiram-se e podem ser muito bons rapazes, pode ser malta muita fixe lá do bairro mas espera aí que eu vou comprar uma bifana ou dar uma mijinha. Para mim, música que nem aquece nem arrefece. Nunca o fez. Têm músicas boas? Estão muito à frente, eu é que não estou a ver? Pois. Eu também achava que os Cocteau Twins eram “o rei vai nú com uma gaja que tinha uma voz de anjo” quando toda a gente os idolatrava. Cá para o Tio Sabi é assim: ou bate ou não bate! Se bate, quero e como e devoro. Sinto e penso e fico com aquilo.

Estava eu a falar dos Elbow? E que dizer dos Interpol senão que foram mais um erro tremendo no line up. Mas o que é aquilo? Mas quem é que no público cantou aquilo? Quem é que caiu na asneira de lhes dar dinheiro para virem cá? A malta quase se esqueceu de lhes bater palmas. “Thank You”, dizia ele. Uma trupe de gajos com ar de mafioso, todos de preto e risco ao lado, fios de prata ao pescoço por cima da camisa, sempre a mesma voz, sempre as mesmas músicas, sempre o mesmo tom. Estes gajos precisavam do mesmo tratamento do gajo da laranja mecânica do mestre Kubrik e ficarem com as pestanas sempre abertas a verem concertos dos Clash, dos Sex Pistols e dos Pogues para saberem o que é música ao vivo. Uma festa c******! Posso estar a ser cruel mas de cada vez que dizia thank you, eu respondia entre dentes: “pede para cagar e sai.”

Eu e os meus primos e os meus irmões sermos muita maus. E estemos fartos desta merda toda!

Os Imagine Dragons são outra loiça, feitos de outro material. Formados há 6 anos, para além de vários EPs, têm no seu disco “Night Visions” um trabalho aclamado em todo o mundo pela sua capacidade melódica e lírica. Servem muitas vezes de banda sonora quando corro e cantam-me aos ouvidos. Temas como “Top of the world”, "radioactive" e “Demons” parece que foram escritos para mim, para ti e todos aqueles que os sintam como seus. Aperfilhar aqui dá muito prazer.


Cantaram o “Song 2” do blur e apresentaram-no como um tema de uma banda que os tinha influenciado muito e ouviram ao crescer. Eu aí meti travão!!!!!

Os blur? que eu ouvi já homem quando rebentou a britpop, que eu vi ao vivo na primeira edição da Zambujeira do Mar e levei um selo de uma gaja alemã que quis disputar comigo a toalha atirada pelo baterista? (Santo murro mesmo em cheio que acabou logo ali a quezília. Nada fiz para responder e arreou.) Esses blur? Gosh! Estou a ficar velho.


Para fechar, os cabeças de cartaz (quem diria quando apareceram imberbes com 15 anos) que desfilaram estilo. Estão no nível muito alto de quem sabe que é muito bom, toca o que tem que tocar e a atitude punk já deu lugar à de crooner. Alex Turner personifica o Johnny Guitar. Cabelo com muito gel penteado para trás e ajeitado com um pente que trazia no casaco preto de cabedal. Muito estilo. O puto já foi. A competência toda está na íntegra aqui(até que os gajos não a descubram e a levem). Como são maravilhosos estes tempos. É desfrutar enquanto dá. NÓS desfrutámos e muito.

Mas eu somei tudo: o cansaço, o já nunca mais poder beber, as horas de pé que já se parecem mais com uma obrigação que um prazer, a diferença de idades dos públicos e disse-lhe: “filha, o pai adorou ter podido vir contigo e tu sabes o quanto investi (não só mas também em termos materiais) para que isto fosse possível mas isto já não é para mim. Um festival, mesmo que seja só por um dia, é pesado. Tu podes vir com as tuas amigas e amigos e o teu pessoal mas… pra mim já custa. É a altura certa para passar o testemunho. Nunca digas nunca mas… há-de ser difícil.

Gostaste?

Adorei!

Eu também. Desta valeu!