terça-feira, 14 de julho de 2026

Festival Benefício de Marvão a encantar as Areias, e todos quantos a ele acorreram...

  



Santo António das Areias, uma pequena aldeia norte alentejana encostada à fronteira com Espanha, situada mesmo a meio do mapa de Portugal, bem à direita de quem o fita, a escassos 6 quilómetros da muy nobre, sempre leal e bem conhecida por todos vila de Marvão; tem hoje muito menos de um milhar de almas no total da sua freguesia segundo a última contagem oficial, o que reduz o número dos habitantes na localidade a umas escassas centenas.

Desertificada, como praticamente todo o interior, esquecida por uma classe que dá primazia às grandes urbes e ao litoral, onde estão maioritariamente centralizados os votos, vê muito longe as décadas de 30 e 50 do século passado, nas quais a família tutelar Nunes Sequeira garantiu o desenvolvimento industrial com um impacto muito forte na economia local, criando emprego estável, dinamizando a agricultura e o comércio, ajudando a transformar a freguesia quase apenas de matriz rural, numa com  base industrial relevante.

Pois entre esses poucos viventes que há por aqui hoje em dia, muitos houve (entre os quais, obviamente me incluo) para além dos muitos que vieram de outras paragens, que foram imensamente felizes com o Festival Benefício de Marvão, cuja comercialização do produto nasceu da iniciativa baseada na amizade de universitários de Coimbra, Ricardo Nunes, e de um colega de República autóctone, Jaime Miranda. Esta história de Amor que esteve na génese do produto original, culminou num Festival que aconteceu neste fim de semana.


 Paulo Fernandes (esq.) e Ricardo Nunesdo Benefício Gin


Pois foi o Benefício Gin que estabeleceu parcerias estratégicas em rede, e se destacou como principal impulsionador deste Festival com o seu nome, com patrocinadores oficiais que incluem os Institucionais (Município de Marvão e a Freguesia de Santo António das Areias); os culturais e musicais (a Ovo Estrelado Records, editora responsável pela curadoria artística); os comunitários e associativos (Grupo Desportivo Arenense), e as marcas locais (Cerveja Barona), que deram as mãos, integram o evento e colaboram na sua dinamização turística e comercial. Neste caso, o apoio da Antena 3, a filha mais jovem da rádio pública portuguesa, revelou-se absolutamente estratégica e fundamental, quer através da divulgação promocional diária que muito nos orgulhou, quer pelos diretos e entrevistas, que voltaram a colocar Marvão no centro das atenções. 

A terra engalanou-se para receber o evento com o largo do adro da igreja a acolher sete bungalows de madeira com alimentação, bebidas, e promoção, que juntamente com os diversos pontos de venda de discos, adereços, peças de vestuário, produtos locais e outros situados na sala nº 1 do Grupo  Desportivo Arenense, criaram uma ambiência diferente, única, mesmo.




Na primeira noite, dia 10, apesar de não estar agendada uma atuação ao vivo de um artista, à exceção do DJ set indoor de A boy named Sue, e Bunny O’Williams, aglomerou-se perto de uma centena de visitantes, a grande parte dela vinda de outras paragens, e serviu de aquecimento para o seguinte dia 11. 

Quando a hora atingiu a meia-noite e as licenças de ruído terminaram, todos acorreram à sala do GDA para ouvir os DJs. A Boy named Sue, que como o nome bem indica, remete para o imaginário do lendário Johnny Cash, e iniciou a exploração do universo Rock’n’Roll com lotes que funcionam como uma autêntica "máquina do tempo" da música popular, muito baseada no rock 'n' roll clássico e o garage punk, mas com escolhas que viajaram muy livremente pelo rhythm & blues, soul, psych, surf rock, exotica, world grooves e ritmos tropicais. Este braço direito de Paulo Furtado, com quem colabora de perto nos projetos The Legendary Tigerman e Wraygunn, que se recusa trabalhar com playlists fixas, e adata sempre a música à energia da pista de dança, não ganhou o 1º prémio de visual da noite porque o concurso não se realizou. É que… realmente, tanto estilo numa pessoa só, devia ser motivo de imposto! Nas colunas domadas por ele passaram ritmos que mais pareciam magrebinos, clássicos como os Kraftwerk e muita classe, a escorrer pelas colunas abaixo.




Quem estava à espera de um set primeiro e a Bunny depois, enganou-se e percebeu isso de imediato quando os viu aos dois a dominar os pratos em parceria, ao mesmo tempo.

Bunny O'Williams, figura marcante da cena underground lisboeta, conhecida pela sua energia crua focada no rock & rol, senhora dum estilo eclético, que vai muito além do rock tradicional e explora sonoridades como o dream rock, o krautwave ou o raw punk foi sempre alternando a sua atuação e a pista de dança, incitando os presentes a mexerem-se, e a contribuirem para aquecer o ambiente. Nesse então, animados pelo excelente som debitado pelas colunas da sala, e pelo altíssimo nível dos animadores, mais de uma centena de presentes, com muita cara vinda de fora, moveram-se ao som do groove, quando se ouvia uma versão alternativa de Personal Jesus,dos Depeche Mode.



Já no sábado, nem sei bem se por ser fim de semana e a malta estar mais liberta, parece que toda a povoação foi invadida por uma espécie indie rara, de gente bem disposta com trajares e poses nada usuais por aqui: uns que chegaram obviamente de outras paragens, e outros que conheço vagamente porque apesar de serem estrangeiros aqui residentes, são utilizadores habituais do serviço de finanças onde exerço o meu mister para viver, e foram coabitando com os locais que acorriam à chamada das atuações ao vivo, atraídos pela curiosidade potenciada pela gratuitidade do evento.




A flauta de Violeta Azevedo e as composições sonoras por si criadas, sempre com uma margem muito grande de improvisação, tiveram início já quando os raios de sol a descer caiam dourados nas escadas de granito que conduzem à igreja da terra, e foram admiradas por algumas dezenas, muitos locais, que se deixaram levar pelo ambiente onírico, mais contemplativo que foi muito agradável apesar da temperatura ter baixado em relação aos últimos dias e de um vento teimoso que não deixou de soprar.



Quando muitos dos presentes já circulavam pelos bungalows de madeira do município de Marvão, situados junto ao topo do Largo Ricardo Vaz Monteiro, em busca de algo que os saciasse à hora de algo mastigar, “Acid Acid”, o projeto a solo do músico e radialista português Tiago Castro, criado em 2014, agitou num concerto instrumental one man band onde sobrepôs guitarras, sintetizadores e pedais de efeitos para criar uma sonoridade cósmica, psicadélica e de inspiração krautrock, esse género de rock experimental desenvolvido na Alemanha Ocidental no final dos anos 60 e início dos 70, que se afasta das estruturas anglo-americanas, e se destaca por ritmos hipnóticos, improvisação e pelo uso pioneiro de sintetizadores.




Não vos garanto que a criação de longas texturas instrumentais sem interrupção caísse muito no goto dos presentes da terra, mas a verdade é que esta experiência de meditação coletiva, esta verdadeira viagem espacial, fortemente influenciada pela psicadelia dos sixties, foi muito apreciada pelos jovens chegados de além.



A terceira atuação ao vivo da noite, ao ar livre, que já muito refrescava, foi a de Teresa Castro, que dessa forma ninguém a reconhecerá, mas se dissermos que foi Calcutá, uma compositora e multi-instrumentista lisboeta sediada no Porto, já causará outro impacto. A artista, com formação em guitarra clássica, mistura folk, drone e música ambiente, nessa noite fez-se acompanhar por uma violoncelista e um harmónio (esse instrumento musical de teclas com funcionamento semelhante ao de um órgão, mas sem tubos), e impactou. O som era verdadeiramente belo e inebriante, estranho, etéreo, e encantou a centena de presentes.








De seguida, tudo rumou para a sala nº 1 do Grupo Desportivo Arenense, o clube desportivo local que serviu de palco para os eventos  indoor, e para todo o apoio backstage, onde o já aqui falado Tiago Castro, se juntou ao seu colega do éter Ricardo Mariano, e atuou sob a forma de dupla de DJs portugueses Les Lads (SBSR.fm), que se destacam pelos seus sets dinâmicos que misturam indie, eletrónica, psicadelismo, world music e rock dançável. 

Nesta sala muito, mas mesmo muito mais composta foram imensos os que acorreram ao espaço, que passou a agregar todo o pessoal que estava presente não só nos concertos, mas também nas áreas destinadas a alimentação e refrigeração, compondo um aglomerado de mais de uma centena de pessoas, muito satisfatório para este primeiro ano de edição.






Na opinião de Ricardo Nunes e Paulo Fernandes, co-fundadores do Benefício Gin, este foi um evento que correspondeu plenamente à sua visão de marca: "Correu muito bem, e irá repetir-se para o ano. Teve os seus desafios, mas foi altamente recompensador, pois demonstrou que há público e que este é o tipo de statement estético, cultural e de marca que nós queremos continuar a trilhar." Para estes dois fundadores, que escolheram Marvão como território de eleição para criar, este festival não é um simples evento de marca: é a expressão mais completa de uma filosofia que une a inovação à valorização do território. "Queremos agradecer a Santo António das Areias por ter recebido tão bem as pessoas e por esta ter sido uma festa tão bonita", acrescentam, resumindo o espírito do evento no claim que escolheram: "Dois dias de festival, uma aldeia inteira."

Uma marca nascida da amizade aposta, desde a origem, numa lógica de ecossistema local, com parcerias com produtores regionais e impacto direto na economia da região, e comprova, com este festival, que a sustentabilidade que pratica não é apenas ambiental: é também humana, cultural, económica e social.

 

Reportagem que teve a honra da publicação na Ritmos e Batidas do grande jornalista na revista Blitz, radialista na Antena 3 e director do projecto Rimas & Batidas, Rui Miguel Abreu

A Ritmos e Batidas é publicação digital especializada na cultura hip hop e nas músicas urbanas, jazz e zonas estéticas circundantes, nas músicas experimentais e criativas, numa perspetiva aberta, crítica e atenta à atualidade artística, social e cultural contemporânea. A publicação foi num formato muito mais reduzido a nivel multimédia, adequado à dimensão nacional do projeto que a recebeu, mas cujo texto acolheu na íntegra, o que muito agradeço.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Ajudar... (Hoje ele, amanhã...)


 O Paulo Mota é um Amigo de sempre... de toda a vida.


Primo pelo casamento, crescemos juntos, vivemos sempre aqui na mesma terra, e tivemos tantas aventuras e desventuras, tantos episódios e rocambolices na nossa adolescência (porque os anos são praticamente os mesmos...) que davam para estar umas boas horas à mesa, à conversa, a recordar... 


A certa altura seguimos rumos diferentes, quando eu saí para Lisboa para estudar... e quando voltei, já ele não estava tanto aqui, ou estava mais em Portalegre e... os anos já eram outros... pelo que...fomos-nos vendo menos. 


Com pais (Nuno Mota e Catarina Silveira) muito próximos dos meus (os homens reuniam-se com frequência em altas fadistagens, guitarradas, e saraus de cantigas de intervenção), sempre nos sentimos muito próximos. 


Apesar da distância, era sempre com grande alegria que nos revíamos e voltávamos a estar juntos. 


Soube há tempos que tinha também ele sido apanhado pela mais temida das doenças, que causa sempre muito sofrimento, sobretudo para quem dela padece, mas também por todos quantos estão, impotentes e incrédulos, à sua volta. 


Só um transplante de medula óssea lhe pode voltar a dar toda a alegria e esperança de vida de volta, libertando-o das prisões das viagens e dos tratamentos para se conseguir continuar a manter vivo. 


E um transplante de medula óssea não é nada de ficção científica, e que obrigue a uma operação ou estratégia muito completa, mas é uma doação muito similar à de uma dádiva de sangue. 


Eu, que fui doador de sangue com muito orgulho durante muitos e muitos anos, e que lamentavelmente deixei de o poder fazer quando recebi doações no seguimento do meu acidente de viação de 2011, no mês e meio em que estive em coma induzido; também quando me surgiu a possibilidade de ser doador de medula óssea, decidi de imediato e sem pestanejar, ser doador também, e é por esse motivo que faço parte de uma rede internacional em que se houver alguém que necessite do meu contributo para viver, eu irei de pronto realizar essa doação. 


O pedido que vos faço é que sejam capazes de muito mais que partilhar, é que saiam dos sofás e se cheguem à frente, porque o que distingue os Heróis dos... coisinhos... 😏 é que os Homens a sério têm a capacidade de se meter no corpo de quem precisa e pensam: 🥺😬 e se fosse eu?!? 😱🫣 ou o meu filho... ou o meu pai, mãe... ou a minha namorada...


Em Portalegre, podem inscrever-se para ser dadores de medula óssea no Serviço de Imunohemoterapia da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), localizado no Hospital de Portalegre - 245 301 000


Para verificar se são elegíveis e formalizar a inscrição, sigam estes passos e informações:


1. Requisitos para ser Dador


Para integrar o Registo Português de Dadores de Medula Óssea (CEDACE), precisam de cumprir os seguintes critérios:


Ter entre 18 e 35 anos de idade (a inscrição é feita apenas uma vez na vida).


Pesar mais de 50 kg.Ter altura igual ou superior a 1,50 m.Estar de boa saúde.Nunca ter recebido uma transfusão de sangue.


2. Como se Inscrever

A inscrição passou a ser feita de forma totalmente digital. O processo é o seguinte:Preencha o questionário online no site do Instituto Português do Sangue e da Transplantação.


Após o preenchimento, dirija-se ao Hospital de Portalegre (Serviço de Imunohemoterapia) para a colheita de uma pequena amostra de sangue, que permitirá avaliar a sua compatibilidade.


Alternativamente, pode acompanhar as colheitas móveis de sangue e medula óssea dinamizadas pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre nos vários concelhos da região.

Morada: Hospital Dr. José Maria Grande (integrado na ULS do Alto Alentejo), Av. Santo António, 7301-853 Portalegre.


Telemóvel: 936 665 277.

E-mail:dadores.sangue@ulsna.min-saude.pt


Se tiver alguma dúvida sobre o atendimento ou horários, não se esqueça que pode contactar o hospital diretamente pelo telefone 245 301 000.


Façam um esforço para se colocarem no lugar do nosso Paulo, vejam a vossa vida a andar para trás, e a sua continuidade obrigada a deslocações exaustivas, extensas, e consecutivas de horas e horas à capital. 


Sabia tão bem uma ajuda, não era?!? 


Isso? 👍💪😘


Muito obrigado pela atenção!!! ✌️

Estamos Juntos!!! 


A chave do sucesso pode estar em TI!!! ♥️

domingo, 29 de março de 2026

A Paixão... no Domingo de Ramos










O Domingo de Ramos, que os cristãos celebramos no dia de hoje, é o "portal de entrada" para a Semana Santa, que marca o fim da Quaresma e o início da semana mais importante do nosso calendário cristão.

Nela, destacam-se o Tríduo Pascal, período de três dias que constitui o centro da fé cristã, celebrando a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo; que começa na tarde de Quinta-feira Santa (Missa da Ceia do Senhor) e termina no Domingo de Páscoa, focando na instituição da Eucaristia, sacrifício na cruz e vitória sobre a morte. 

Este domingo de hoje, tão cheio de simbolismo, celebra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando já teria à volta de 30 anos, montado num burrinho (símbolo de humildade e paz), quando foi recebido por uma multidão que espalhava ramos de oliveira e palmeiras pelo chão, gritando "Hosana!".

Na nossa terra, foi marcado por uma cerimónia no Jardim do Largo Ricardo Vaz Monteiro, e uma pequena procissão até à nossa igreja.

Já há alguns anos a esta parte, tenho tido 
a enorme honra de ser convidado pelo meu querido Amigo Padre Marcelino a, com ele, e o meu querido Professor João Tavares, uma figura absolutamente tutelar na minha vida cristã, porque casou os meus pais, e me batizou a mim, no dia 19 de outubro de 1973, na Igreja da Beirã; ser o narrador do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 26,14 - 27), que retrata a Morte e Paixão de Cristo. 

Neste ano até não foi combinado, e surgiu de uma forma algo inusitada, tendo surgido a hipótese na eucaristia, e tendo-me juntando então aos outros dois leitores.

Nessa medida, agradeço muito à minha amiga Teresa Fernandes, dos Alvarrões, que também se voluntariou, quando já ia a caminho do altar, e, muito amistosamente, me deixou dar continuidade ao propósito. 

Agradeço também muito à minha filha Alice por ter feito o favor de captar o momento para todo o sempre... 🥹




 Leitura do Evangelho_ligacão: 


EVANGELHO - Mt 26,14 - 27,66

(Narrador - eu) Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

N Naquele tempo, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes:

R (Outras vozes - Prof. João de Deus)«Que estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?»

N Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata.
E a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para O entregar.
No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe:

R «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?»

N Ele respondeu:

Jesus (Padre Marcelino) «Ide à cidade, a casa de tal pessoa, e dizei-lhe: 'O Mestre manda dizer:
O meu tempo está próximo. É em tua casa que eu quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos'».

N Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado, e prepararam a Páscoa.

N Ao cair da noite, sentou-Se à mesa com os Doze. Enquanto comiam, declarou:

J «Em verdade vos digo: Um de vós há-de entregar-Me».

N Profundamente entristecidos,
começou cada um a perguntar-Lhe:

R «Serei eu, Senhor?»

N Jesus respondeu:

J «Aquele que meteu comigo a mão no prato é que há-de entregar-Me.
O Filho do homem vai partir, como está escrito acerca d'Ele.
Mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue! Melhor seria para esse homem não ter nascido».

N Judas, que O ia entregar, tomou a palavra e perguntou:

R «Serei eu, Mestre?»

N Respondeu Jesus:

J «Tu o disseste».

N Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo:

J «Tomai e comei: Isto é o meu Corpo».

N Tomou em seguida um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo:

J «Bebei dele todos, porque este é o meu Sangue, o Sangue da aliança, derramado pela multidão, para remissão dos pecados.
Eu vos digo que não beberei mais deste fruto da videira, até ao dia em que beberei convosco o vinho novo no reino de meu Pai».

N Cantaram os salmos e seguiram para o Monte das Oliveiras.

N Então, Jesus disse-lhes:

J «Todos vós, esta noite, vos escandalizareis por minha causa,
como está escrito: 'Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas do rebanho'.
Mas, depois de ressuscitar, preceder-vos-ei a caminho da Galileia».

N Pedro interveio, dizendo:

R «Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu não me escandalizarei».

N Jesus respondeu-lhe:

J «Em verdade te digo: Esta mesma noite, antes do galo cantar, Me negarás três vezes».

N Pedro disse-lhe:

R «Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».

N E o mesmo disseram todos os discípulos.

N Então, Jesus chegou com eles a uma propriedade, chamada Getsémani e disse aos discípulos:

J «Ficai aqui, enquanto Eu vou além orar».

N E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se.

Disse-lhes então:

J «A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo».

N E adiantando-Se um pouco mais, caiu com o rosto por terra enquanto orava e dizia:

J «Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice. Todavia, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres».

N Depois, foi ter com os discípulos,
encontrou-os a dormir e disse a Pedro:

J «Nem sequer pudestes vigiar uma hora comigo! Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».

N De novo Se afastou, pela Segunda vez, e orou, dizendo:

J «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade».

N Voltou novamente e encontrou-os a dormir, pois os seus olhos estavam pesados de sono.

Deixou-os e foi de novo orar, pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
Veio então ao encontro dos discípulos e disse-lhes:

J «Dormi agora e descansai.

Chegou a hora em que o Filho do homem
vai ser entregue às mãos dos pecadores.
Levantai-vos, vamos.
Aproxima-se aquele que Me vai entregar».

N Ainda Jesus estava a falar,
quando chegou Judas, um dos Doze,
e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.
O traidor tinha-lhes dado este sinal:

R «Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O».

N Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse-Lhe:

R «Salve, Mestre!».

N E beijou-O.

Jesus respondeu-lhe:

J «Amigo, a que vieste?».

N Então avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-n'O.

Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe uma orelha.

Jesus disse-lhe:

J «Mete a tua espada na bainha,
pois todos os que puxarem da espada morrerão à espada.

Pensas que não posso rogar a meu Pai
que ponha já ao meu dispor mais de doze legiões de Anjos?

Mas como se cumpririam as Escrituras,
segundo as quais assim tem de acontecer?».

N Voltando-Se depois para a multidão, Jesus disse:

J «Viestes com espadas e varapaus para Me prender como se fosse um salteador!
Eu estava todos os dias sentado no templo a ensinar e não Me prendestes...
Mas, tudo isto aconteceu para se cumprirem as Escrituras das profetas».

N Então todos os discípulos O abandonaram e fugiram.

N Os que tinham prendido Jesus levaram-n'O à presença do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos se tinham reunido. Pedro foi-O seguindo de longe, até ao palácio do sumo sacerdote.
Aproximando-se, entrou e sentou-se com os guardas, para ver como acabaria tudo aquilo. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus
para O condenarem à morte, mas não o encontravam, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas.
Por fim, apresentaram-se duas que disseram:

R «Este homem afirmou:
'Posso destruir o templo de Deus
e reconstruí-lo em três dias'».

N Então, o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus:

R «Não respondes nada?
Que dizes ao que depõem contra Ti?»

N Mas Jesus continuava calado.

Disse-Lhe o sumo sacerdote:

«Eu Te conjuro pelo Deus vivo,
que nos declares se és Tu o Messias, o Filho de Deus».

N Jesus respondeu-lhe:

J «Tu o disseste.

E Eu digo-vos:
vereis o Filho do homem
sentado à direita do Todo-poderoso,
vindo sobre as nuvens do céu».

N Então, o sumo sacerdote rasgou as vestes, dizendo:
R «Blasfemou.
Que necessidade temos de mais testemunhas?
Acabais de ouvir a blasfémia. Que vos parece?»

N Eles responderam:

R «É réu de morte».

N Cuspiram-Lhe então no rosto e deram-Lhe punhadas.
Outros esbofeteavam-n'O, dizendo:

R «Adivinha, Messias: quem foi que Te bateu?»

N Entretanto, Pedro estava sentado no pátio.

Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe:

R «Tu também estavas com Jesus, o galileu».

N Mas ele negou diante de todos, dizendo:

R «Não sei o que dizes».

N Dirigindo-se para a porta, foi visto por outra criada que disse aos circunstantes

R «Este homem estava com Jesus de Nazaré».

N E, de novo, ele negou com juramento:

R «Não conheço tal homem».

N Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam. e disseram a Pedro:

R «Com certeza tu és deles, pois até a fala te denuncia».

N Começou então a dizer imprecações e a jurar:

R «Não conheço tal homem».

N E, imediatamente, um galo cantou.

Então, Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera:

«Antes do galo cantar, tu Me negarás três vezes».

E, saindo, chorou amargamente.

Ao romper da manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo
se reuniram em conselho contra Jesus,
para Lhe darem a morte.
Depois de Lhe atarem as mãos, levaram-n'O e entregaram-n'O ao governador Pilatos.

Então Judas, que entregara Jesus,
vendo que Ele tinha sido condenado,
tocado pelo remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo:

R «Pequei, entregando sangue inocente».

N Mas eles replicaram:

R «Que nos importa? É lá contigo».

N Então, arremessou as moedas para o santuário, saiu dali e foi-se enforcar.

Mas os príncipes dos sacerdotes apanharam as moedas e disseram:

R «Não se podem lançar no tesouro,
porque são preço de sangue».

N E, depois de terem deliberado,
compraram com elas o Campo do Oleiro.
Por este motivo se tem chamado àquele campo até ao dia de hoje, «Campo de Sangue».

Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta: «Tomaram trinta moedas de prata,
preço em que foi avaliado

Aquele que os filhos de Israel avaliaram
e deram-nas pelo Campo do Oleiro,
como o Senhor me tinha ordenado».

N Entretanto, Jesus foi levado à presença do governador, que lhe perguntou:

R «Tu és o Rei dos judeus?»

N Jesus respondeu:

J «É como dizes».

N Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.

Disse-Lhe então Pilatos:

R «Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?»

N Mas Jesus não respondeu coisa alguma,
a ponto de o governador ficar muito admirado.

Ora, pela festa da Páscoa,
o governador costumava soltar um preso,
à escolha do povo.

Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás.

E, quando eles se reuniram, disse-lhes:

R «Qual quereis que vos solte?»

Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?»

N Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja.
Enquanto estava sentado no tribunal,
a mulher mandou-lhe dizer:

R «Não te prendas com a causa desse justo, pois hoje sofri muito em sonhos por causa d'Ele».

N Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus.

O governador tomou a palavra e perguntou-lhes:

R «Qual dos dois quereis que vos solte?»

N Eles responderam:

R «Barrabás».

N Disse-lhes Pilatos:

R «E que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?»

N Responderam todos:

R «Seja crucificado».

N Pilatos insistiu:

R «Que mal fez Ele?»

N Mas eles gritavam cada vez mais:

R «Seja crucificado».

N Pilatos insistiu:

R «Que mal fez Ele?»

N Mas eles gritavam cada vez mais:

R «Seja crucificado».

N Pilatos, vendo que não conseguia nada
e aumentava o tumulto, mandou vir água
e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo:

R «Estou inocente do sangue deste homem.
Isso é lá convosco».

N E todo o povo respondeu:

R «O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos».

N Soltou-lhes então Barrabás.

E, depois de ter mandado açoitar Jesus,
entregou-lh'O para ser crucificado.

Então os soldados do governador
levaram Jesus para o pretório
e reuniram à volta d'Ele toda a coorte.

Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n'O num manto vermelho.

Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita.

Ajoelhando diante d'Ele, escarneciam-n'O, dizendo:

R «Salve, rei dos judeus!»

N Depois, cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça.

Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas
e levaram-n'O para ser crucificado.

N Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus.

Chegados a um lugar chamado Gólgota,
que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel.

Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber.

Depois de O terem crucificado,
repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l'O.

Por cima da sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da sua condenação:
«Este é Jesus, o rei dos judeus».

Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda.

Os que passavam insultavam-n'O
e abanavam a cabeça, dizendo:

R «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo;
Se és Filho de Deus, desce da cruz».

N Os príncipes dos sacerdotes,
juntamente com os escribas e os anciãos,
também troçavam d'Ele, dizendo:

R «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo!
Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n'Ele.

Confiou em Deus:
Ele que O livre agora, se O ama,
porque disse: 'Eu sou Filho de Deus'».

N Até os salteadores crucificados com Ele o insultavam.

Desde o meio-dia até às três horas da tarde,
as trevas envolveram toda a terra.
E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
J «Eli, Eli, lema sabachtani!»,

N que quer dizer:
«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?»

Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:

R «Está a chamar por Elias».

N Um deles correu a tomar uma esponja,
embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber.
Mas os outros disseram:

R «Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l'O».

N E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.

N Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se.
Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.
Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus,
ao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer,
ficaram aterrados e disseram:

R «Este era verdadeiramente Filho de Deus».

N Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem.

Entre elas encontrava-se Maria Madalena,
Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus.

Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.

E Pilatos ordenou que lho entregassem.
José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu sepulcro novo
que tinha mandado escavar na rocha.

Depois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro, e retirou-se.

Entretanto, estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro.

No dia seguinte, isto é, depois da Preparação, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus. foram ter com Pilatos e disseram-lhe:

R «Senhor, lembrámo-nos do que aquele impostor disse quando ainda era vivo:
'Depois de três dias ressuscitarei'.

Por isso, manda que o sepulcro seja mantido em segurança até ao terceiro dia,
para que não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo: 'Ressuscitou dos mortos'.
E a última impostura seria pior do que a primeira».

N Pilatos respondeu:

R «Tendes à vossa disposição a guarda:
ide e guardai-o como entenderdes».

N Eles foram e guardaram o sepulcro,
selando a pedra e pondo a guarda.

Palavra da Salvação