sexta-feira, 13 de março de 2026

Chegar de Chega! De vez...

Texto dedicado aos meus queridos António Parra e Isabel Barradas Ludovino, meus paladinos na luta do Bem.


O nosso povo português, inquestionavelmente um dos mais bravos que já pisou este planeta, que já ousou até dividir ao mundo com os espanhóis em Tordesilhas, numa era em que rasgava mares sem fim para descobrir continentes... é por vezes também um dos mais mansos, dos que se deixa levar, que adormece e não reage, que ainda hoje não consegue explicar como se deixou hipnotizar e amordaçar numa ditadura de 48 anos (28/05/1926 - 25/04/1974, que nos cortou as pernas no século XX)

 

A crítica que fiz no facebook ao comportamento vil e ultrajante dos deputados do Chega à vice-presidente da Assembleia da República, Teresa Morais, há dias, gerou, como de resto era por mim até já esperado, a manifestação de diversos amigos que não compreenderam como o Diogo Saldanha, o Carlitos Amador, ou o Marco Barreto que se mostraram solidários e apoiantes destas... criaturas

 

Não é que tenha a pretensão de evangelizar as massas, até porque de pastor não tenho nada, mas palavra que dá vontade de lhes responder, como irei fazer agora, apenas enumerando fatos históricos, embora seja da opinião que o lugar certo para a emitir, não deve ser num comentário de comentário, que se perca na voragem da espuma dos dias do facebook, e por isso responderei no meu blogue, que tem perdido em favor do imediatismo desta rede, mas onde gosto de continuar a "colar" os episódios da minha vida cibernauta.

 

Pela importância do tema, e pela relevância para as nossas vidas, peço que os “Cheguistas” mencionados façam o favor de ler o que escrevi de seguida, e não me venham depois com a reação, como têm tanta vez, "ehhhh paaaahhh... aquilo é tão comprido... 😱 que não tive paciência”... porque para se saber, tem de se ler!

 

Basicamente, muitos de vós, apologistas do Ventura, o charmoso, o bem falante, o galã do Tik Tok; vêem no Chega o fim de um sistema bipartidário (os governos há muito que são ou do PS, ou do PSD... e as diferenças entre o dois são praticamente nulas, quando eram muito mais óbvias quando era garoto), dizia eu que o sistema já está obsoleto, marcado pela corrupção, lhe falta capacidade de resposta imediata aos problemas do dia a dia, resposta para recuperar o poder de compra face à tenebrosa inflação, mais habitação, mais emprego e... têm de haver culpados!!!

Como toda e em qualquer ditadura ou tirania, os culpados são sempre os mais fracos! O bode expiatório são os imigrantes, os que chegaram vindos de fora, ou que garantem que não falte mão de obra nas estufas do Baixo Alentejo, nas entregas porta a porta, ou na construção civil, mas que apesar de respeitadores e explorados, maltratados em esquadras de rua por agentes mal formados, e anichados como ratos em garagens e barracões que pagam a peso de ouro, são alvo de uma campanha discriminatório que quer que passem por párias (excluídos sociais) quando na realidade são os contribuintes líquidos muito importantes para a Segurança Social em Portugal, pois pagam muito mais do que recebem em prestações.

 

As contribuições dos imigrantes ultrapassaram os 4 mil milhões de euros, gerando mais de 3 mil milhões de euros de “lucro” para a Segurança Social.

 

Representam pois uma fatia crescente dos contribuintes (em alguns anos cerca de 9–20% da população ativa), ajudando a compensar o envelhecimento e a quebra de trabalhadores portugueses.

 

Pois bem, essa é uma das grandes falácias (erro de raciocínio que faz um argumento parecer correto ou convincente, mas que na verdade é inválido ou não sustenta a conclusão) do Chega, como aquela tormenta sempre constante de chamarem o abominável (adjetivo em português que significa algo ou alguém que merece ser abominado, isto é, detestável, execrável, horrível ou que causa forte repulsa e aversão) Salazar, ditador que nos cerceou (cortou pela raiz ou pela base, limitou em sentido figurado), que pedem em duplicado, (ainda por cima!!!), enquanto desfilam de camisa branca, exibindo saudosas saudações nazis de braços esticados pela avenida da liberdade abaixo.

 

Saberão eles, e vocês, jovens meninos, meus doces petizes, que em relação a assuntos tão fundamentais, qual era o estado da situação nesse então, que agora querem de volta?

 

Sendo a liberdade o valor que mais defendo na vida, o poder decidir pela minha própria vontade e só essa, para onde quero ir, por onde quero caminhar, com quem quis casar, o que ler, ver, ouvir, ler e escrever, quem quero ter como Amigos, onde quero trabalhar, onde, com quem e quando vou comer ou estar, isso seria impossível então porque existia a CENSURA, um dos pilares fundamentais do Estado Novo para garantir a sobrevivência do regime, que não se tratava apenas de uma questão de "apagar frases", mas sim um sistema burocrático complexo e omnipresente.


 

Existia o "Exame Prévio", a principal característica da censura portuguesa, ao contrário de outros regimes onde se punia depois de publicar. Em Portugal nada podia sair a público sem autorização. Por isso, todas as provas tipográficas, jornais e outras publicações tinham de ser enviadas para a Direção-Geral de Informação, também conhecida como o "Lápis Azul", onde os censores riscavam textos, frases ou até anúncios publicitários que considerassem perigosos.

O termo ficou famoso porque os censores usavam literalmente lápis de cor azul para riscar os textos, um símbolo de autoridade silenciosa que condicionou a mentalidade portuguesa durante quase meio século.

 

Temas como a política (críticas ao Governo, notícias sobre greves, movimentos operários, oposição política ou problemas nas colónias); a moral (o divórcio, o aborto, referências sexuais explícitas ou comportamentos que desafiassem a "família tradicional") e a religião ou ordem pública (crimes violentos ou suicídios eram frequentemente cortados para dar a ideia de que Portugal era um "oásis" de paz e segurança), eram liminarmente proibidos!

 

Havia um total controlo das artes e do espetáculo, uma vez que a censura não se limitava ao papel. Os guiões de teatro e cinema tinham de ser aprovados antes da produção e o resultado final era revisto antes da estreia. As letras de intervenção (como as de Zeca Afonso) eram proibidas ou alteradas, e até o fado foi vigiado para garantir que não transmitia mensagens de revolta social.

 

A PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) apreendia obras nas livrarias e editoras que fossem considerados subversivos ou de ideologia comunista. Nessa ação era apoiada pela "Propaganda" um complemento que rentabilizava a intenção.

 

Enquanto a Censura tirava o "mau", através do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN), o regime colocava o "bom", usando a rádio e o cinema para promover os valores do "Deus, Pátria e Família". Soa tanto a Chega, não é?

 

Já imaginaram bem o sufoco que deveria ser viver dentro destas amarras, amarrado nesta gaiola?!???

 

Sabiam que quando a ditadura do vosso Salazar, que agora querem de volta, começou, 6 em cada 10 portugueses não sabiam ler nem escrever?!? Engraçado, não é?

E sabiam que quando a revolução restaurou a democracia, em 74, essa taxa ainda era de quase 3 em 10?!?

Seria por pirraça, porque não queriam, ou… porque quem mandava queria que assim fosse?!?!?

 

Contudo, os ricos, esses, garanto-vos que tinham, pagando, claro está, e bem!!!, a melhor educação possível.

Será que tu Cárlitos, caso o Chega que defendes, mandasse no país, poderias ter tirado o curso superior que te permite ser um exemplo de cidadão do mundo, e um caso de sucesso?!? O Diogo, por seu lado, sei que nunca investiu muito na área, e certamente o lamentará todos os dias da sua vida porque se não o faz... tenho pena.

 

Naquele então que vocês defendem, a escolaridade obrigatória era só até ao 3° e 4° ano, muito longe do 12º ano (ou até aos 18 anos de idade) tal qual foi estabelecida em 2009. E neste período de opressão, o regime valorizava uma educação controlada e ideologicamente orientada, nunca investindo o suficiente para eliminar rápida e completamente o analfabetismo. A falta de escolas, especialmente no meio rural era enorme e os poucos professores tinham condições muito limitadas e rudimentares.




Os programas escolares tinham uma forte componente de propaganda ligada ao regime, usando uma cartilha maternal, de João de Deus, usada para ensinar a ler, mas que fomentava e criava vistas curtas, formatadas.

O Ensino Superior era limitado para uma elite que se auto-protegia, composta por filhos de médicos, professores e advogados, não para filhos de empregados ajudantes de serviços de secretaria como eu, ou vocês, que nunca lá meteríamos o cú.

Tudo isto porque como se calcula, claro, a população pouco instruída era mais fácil de controlar politicamente. Quem não sabe, não lê, não pensa, encarneira com muito mais facilidade para onde o mandam ir.

 

E que dizer da habitação e das condições de vida? Existia um forte contraste, como é sempre nestes casos de grandes clivagens (processos de divisão, separação ou fragmentação ao longo de planos definidos) sociais, como existem, por exemplo, no Brasil. De um lado, existia a propaganda de bairros ordenados e moradias unifamiliares; quando do outro, havia uma realidade de pobreza extrema, falta de saneamento, com os bairros de lata em expansão.

 Promovia-se a "Casinha" Portuguesa, em bairros de moradias unifamiliares com pequenos jardins, onde o objetivo era que cada trabalhador "de bem" tivesse a sua horta e se focasse na vida doméstica, longe da política o que promovia o controlo social porque eram atribuídas a famílias que cumprissem critérios morais e políticos rígidos. Os moradores viviam sob vigilância e não poderiam ser despejados se mantivessem uma conduta "exemplar"; enquanto que do outro lado da moeda, se amontoavam enormes aglomerados de barracas (feitas de madeira, zinco e cartão) nas periferias das cidades, sem qualquer planeamento, ou condição sanitária.

 

No Norte, era comum a subdivisão de casas antigas em minúsculos quartos onde famílias inteiras partilhavam poucos metros quadrados, muitas vezes sem janelas.

 

Vejam-me bem que os números do final do regime, no dealbar (tornar branco, branquear ou clarear) da democracia, há 50 anos atrás, ajudam a ilustrar a precariedade:

 

Eletricidade: Cerca de 42% das casas em Portugal ainda não tinham luz elétrica. Às escuras, portanto, como os desgraçados das intempéries agora em Pombal! Só que ali e então, era sempre! Quase metade!!!!!

 

Saneamento: Apenas cerca de 36% das habitações tinham instalações sanitárias (retretes ou casas de banho completas). Traduzido: urinar ou defecar, para quase ¾ da população era no chão, para um buraco, ou numa fossa.

 

Água Canalizada: Menos de metade da população tinha acesso água corrente em casa, sendo o uso de poços e chafarizes públicos a norma em grande parte do país.

 

No campo, a vida era ainda mais dura. As casas eram frequentemente feitas de pedra ou adobe, com chão de terra batida e onde o gado, por vezes, pernoitava em divisões contíguas para aquecer a habitação. A falta de calçado e a desnutrição eram problemas comuns, resumidos na expressão popular da época: "Uma sardinha para quatro".

A habitação foi, por isso, uma das maiores prioridades dos primeiros governos democráticos após 1974, através de programas como o SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local) para erradicar as barracas.

 

E para o fim deixei talvez o assunto mais problemático mesmo de todos, e que no meu modesto entender, foi aquele que acionou o rastilho de revolta dos militares, porque foram eles, de longe, os principais sacrificados: a guerra colonial (1961-1974), que gerou a ferida mais profunda aberta pelo Estado Novo na sociedade portuguesa.




O regime de Salazar, e mais tarde de Marcello Caetano, que se lhe seguiu após a sua morte quando caiu da cadeira, literalmente, insistiu numa solução militar para um problema político, o que resultou num esforço de guerra desproporcional para um país pequeno e pobre.

 

O impacto estendeu-se por várias gerações e ainda hoje é sentido na memória coletiva e na demografia do país.

Realço o custo humano de ter uma geração mobilizada: Portugal chegou a ter cerca de 150.000 homens em armas simultaneamente nas 3 frentes de Angola, Guiné e Moçambique, os três países de África que impulsionados por interesses externos nas suas riquezas, leia-se soviéticos; rebelaram-se e lutaram pela sua independência, à qual tinham tido o direito por natureza!

 

Ali foi obrigada a alinhar uma geração de jovens que, na sua maioria, mal tinha saído da adolescência. O recrutamento era obrigatório e abrangia quase toda a população masculina válida. A idade padrão para a incorporação militar era aos 20 ou 21 anos. No entanto, devido à necessidade crescente de tropas à medida que a guerra se intensificava em três frentes (Angola, Guiné e Moçambique), o regime ajustou as regras, criando o "Piquete", através do qual muitos jovens eram chamados logo após completarem o ensino secundário ou os primeiros anos de trabalho.

Atenção que o serviço militar não era uma "passagem rápida", já que entre a recruta (treino), a especialidade e a mobilização para o Ultramar (a "comissão"), um jovem ficava preso às forças armadas, pelo menos, entre 3 a 4 anos para a grande maioria dos soldados que estava na linha da frente, que tinha entre 21 e 25 anos.

O recrutamento era universal, bem diferente de alguns exércitos modernos que são profissionais, e baseava-se no Serviço Militar Obrigatório (SMO). Todas as classes sociais eram chamadas e em teoria, todos os homens tinham de ir. No entanto, havia uma clivagem social clara, aliás como o Chega que vocês defendem, apregoa:

Os filhos das elites frequentavam a universidade e, por isso, entravam como oficiais milicianos, o que lhes garantia melhores condições e comando. Já as classes populares, o povão, os camponeses e os operários, muitas vezes com pouca instrução, formavam a base das companhias de infantaria (os "praças") que eram os que faziam as patrulhas mais perigosas no mato.

"Inaptos" só ficavam os que tinham deficiências físicas graves (os "refugados") ou aqueles cujas famílias tinham influências políticas para conseguir um adiamento ou uma colocação administrativa em Lisboa.

Entre 9.000 a 10.000 soldados portugueses morreram e mais de 100.000 ficaram feridos ou estropiados, quando do lado africano, os números são muito superiores e devastadores. Isto para já não falar nos milhares de jovens que regressaram com o que hoje chamamos de Perturbação de Stress Pós-Traumático (PSPT), uma vez que na altura, não havia apoio psicológico, e estes homens tiveram de reintegrar a sociedade em silêncio, afetando as suas famílias e os seus filhos (a chamada "transmissão intergeracional do trauma").




 

Estão a ver onde é que nós iriamos parar, não estão? E será que viríamos?!?!?!?!?

 

Caso não quiséssemos arriscar a vida, o salto seria a única opção, como foi a de milhares de portugueses que fugiram clandestinamente para França e outros países europeus. Com este drama perdemos grande parte da sua força de trabalho mais jovem e ativa, o que atrasou o desenvolvimento económico do país durante décadas.

Enquanto a Europa vivia os "Trinta Gloriosos" (anos de crescimento económico e criação do Estado Social), Portugal drenava os seus recursos para o mato, havendo no auge do conflito, cerca de 40% a 45% do orçamento do Estado destinado à defesa e segurança, aplicando erroneamente dinheiro que não foi investido em escolas, hospitais, saneamento básico ou infraestruturas industriais. Como já vimos, Portugal chegou a 1974 com taxas de analfabetismo e mortalidade infantil muito superiores à média europeia.

 

E prontos, portantos, como diz o outro, digam-me lá se prante isto tudo, ainda continuam firmes, fortes e convictos de cada vez que em vez de um Salazar, mais valia virem dois ou três?


domingo, 8 de março de 2026

Nuno Morais Sarmento. O adeus do político boxeur


 


É muito habitual ouvirmos dizer que a saúde é a mais importante de todas as virtudes. De facto, sem saúde... não só se faz nada, nada se consegue... vem a morte e tudo acaba, cobrindo a vastidão à volta com o seu manto negro de noite.... 


Percebemos enfim que neste mundo, nada do que nos pertence é realmente nosso! Apenas é emprestado, o que parece ser uma grande constatação, e uma verdade insofismável que leva ao lugar comum, dos mais triviais que todos aceitamos: a saúde é tudo!!


Nuno Morais Sarmento, de 65 anos de idade, advogado, figura proeminente do Partido Social Democrata, Ministro da Presidência em 2002, no XV Governo Constitucional chefiado por José Manuel Durão Barroso; e Ministro de Estado e da Presidência no Governo seguinte, chefiado por Pedro Santana Lopes, de acordo com as eleições de 2002, faleceu hoje, aos 65 anos.


Cedo demais, certamente todos concordararão, e eu também, em absoluto.


Mas este ministro rebelde que todos começámos a conhecer por se ter dedicado ao  pugilismo, procurando na disciplina e no rigor do desporto, forças para conseguir vencer a ostracizacão  a que fora votado pelos seus pares, devido à sua dependência das drogas duras, foi um mártir e um exemplo.


Fala-se da importância da saúde e do terrível da doença que ninguém quer para si, quase em abstrato, como se a dor estivesse lá longe, não a verbalizando muito para que nunca se aproxime.


Por muito evoluída que esteja a medicina atual, por mais que a ciência consiga dar passos no sentido de dominar as neoplasias que vão surgindo, para bem de toda a humanidade, quando chega ao pâncreas... continua a ser sinónimo de quase sentença.


Comentou-se aqui há pouco em casa, quando se ouviu a notícia, que o caminho para o calvário deste pobre Morais foi mais penoso do que se possa imaginar.


Alguém disse:

Passou por 12 cirurgias.


(12!!!!!!! Já imaginaram?)


Esteve 2 anos internado!!!!!

(365 × 12 =   675 dias a ver a vida a esvair-se de dentro dele..). 


Chegou a despedir-se dos filhos...

(Conseguem imaginar bem a dor de um Homem a quem é dada essa terrível capacidade? Que dizer em concreto? Que ouvir? Que ver?)


Rezarei para que tenha um descanso eterno no esplendor da luz eterna.


Que descanse em paz...

quarta-feira, 4 de março de 2026

(Marcelo sempre) com o ar do tempo


Ora até eu, que nunca tive o grato prazer de conhecer o Artista, mas já ouvi dele falar inúmeras vezes ao seu avó, o meu querido Amigo Manuel Dias cá de Santo António das Areias, infelizmente já desaparecido há cerca de 2 anos; ouvi a notícia com o maior orgulho e vaidade.

Ora Vhils, o nome artístico de Alexandre Farto, que começou no graffiti, a pintar muros, comboios e a fugir das Autoridades para não ser apanhado; que mais tarde evoluiu para outras formas da sua arte como a transformação/perfuração/manuseamento das paredes de edifícios das cidades que passaram a aludir a individualidades, locais ou momentos; e vídeos musicais, como a colaboração com os U2; foi convidado para ser o autor do retrato oficial do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa,  naquele que o próprio considerou como a decisão mais louca dos seus dois mandatos, de 10 anos à frente da Presidência. 

E se ele teve histórias rocambolescas!, e lembro só a talho de foice, as gêmeas brasileiras abençoadas pelo filhote, o total à vontade nas interações com o povão, para não falar nos parágrafos da PGR que mandaram abaixo governos, cujos mandantes já reencontrou à frente da nossa Europa.

Pegando na ligação da figura do nosso mais alto magistrado da nação à imprensa escrita, e ao universo Balsemão, enquanto co-fundador do Expresso e da Democracia portuguesa; Vhills conseguiu criar um retrato que unindo retalhos de atualidade, recriam os traços que dão forma ao seu rosto.

A informação do Museu da Presidência, que passou a contar com um retrato da sua autoria, desde hoje na Galeria dos Retratos, indica que "Vhils iniciou o seu percurso no graffiti ainda na adolescência, desenvolvendo uma linguagem própria marcada por técnicas diferenciadas e pela intervenção direta sobre os materiais. Com obras espalhadas por várias cidades do mundo, é, hoje, uma referência internacional da arte contemporânea portuguesa.

A Galeria dos Retratos dos Presidentes da República recebe mais uma obra que testemunha o contexto cultural em que foi criada, enriquecendo o património artístico da Presidência da República. Assim, a abordagem contemporânea de Vhils dialoga com a tradição da Galeria, onde diferentes gerações de artistas interpretam a figura do Chefe do Estado segundo a linguagem do seu tempo.

A partir desta quarta-feira, 4 de março, visite a Galeria dos Retratos no Museu, e descubra os retratos que fazem parte da história da arte e da República Portuguesa, conhecendo o retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa e saiba mais sobre o seu autor, Alexandre Farto."

Ora eu, o vosso Tio Sabi, que sempre votei no sagaz Tio Marcelo dos comentários da 📺, e ajudei a meter lá o Tó Zézinho agora, concordo, não na totalidade, mas em grande parte, neste passo frente à inovação, e no quebrar conceitos e barreiras. 

Basta comparar com o retrato do Cavacão que o antecedeu, que mais parece ter saído da aristocracia francesa do Rei Sol, e não de quem é natural de Boliqueime, para se ver que é realmente inusitado. 

É realmente uma pena quando nos morrem as pessoas de quem gostamos tanto. Passa o tempo. Vemos que vamos avançando nós face ao final, mas o que eu gostava mesmo, mesmo, mas assim mesmo de verdade, era de ver o Amigo Manuel e lhe dar um grande abração de Parabéns que o haveria de deixar tão feliz. 

Eu, a ti, craque, rapagão, no dia em que tiver o prazer de te conhecer, se vier a acontecer, hei-de-te dar um abraço antes de me apresentar, para depois te dizer que vai por quem tão bem dele me falou, até ao ponto de me oferecer um livro sobre ti

 









segunda-feira, 2 de março de 2026

A solução (vem de )... dar a mão

 


Parem lá só um segundo na vossa vida, ó fachavore! Têm tempo para ler isto? Então, ópá, facam-no por favor, porque são notícias muito esperançosas e verdadeiramente inspiradoras. 


Este jovem da imagem, chamado Sam Izadloo, de apenas 26 anos, nasceu num Irão tirano, onde jamais poderia estudar, onde teria de cumprir o serviço militar obrigatório, e o mais certo era ser carne para canhão. Fugiu e refugiou-se na Ucrânia, da qual fugiu por causa da guerra que a assola também.


Nessa altura, teve muita dificuldade em entrar por ter passaporte do Irão, aliado na Rússia no conflito. “Tinha passado a ser uma ameaça no país a que chamava casa”. Também não podia retornar ao Irão. Tentou ir para a Áustria. Voltou a ter problemas por causa da sua nacionalidade, que se repetiram na Alemanha. Até que percebeu que “Portugal estava a aceitar refugiados vindos da Ucrânia”. Voou para o Porto, mas, por não haver vaga no Centro Nacional de Apoio à Integração de Imigrantes, foi alojado numa Pousada da Juventude em Lagos, no Algarve. E ali esteve seis meses sem saber como seria o seu futuro.


Em abril de 2023, já com toda a documentação, partiu para Coimbra para tentar voltar a estudar. Até que soube que a Universidade Católica Portuguesa tinha bolsas para estudantes refugiados. Candidatou-se. “O dia em que fui aceite foi o melhor dia da minha vida. Depois de um ano e meio de incerteza, pude respirar de alívio”, recorda.


Ambicionando especializar-se em Medicina Familiar, Sam Izadloo conseguiu prosseguir a sua formação graças às bolsas de estudo para refugiados, no âmbito do programa de apoio a estudantes em situação de emergência humanitária. Em 2025 foram disponibilizadas 14 bolsas para cursos de licenciatura e de mestrado nos quatro campus da Universidade.


Este é o quarto ano consecutivo em que a Católica promove esta iniciativa que surge no âmbito do esforço nacional de acolhimento e integração dos refugiados e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pelas Nações Unidas (ONU). Recentemente distinguido pela ONU, este programa visa promover a inclusão e a integração de refugiados, fortalecendo o compromisso da universidade com a diversidade e responsabilidade social.


“A jornada para chegar a este ponto foi cheia de obstáculos e tribulações, e estou profundamente grato pelo apoio e orientação inabaláveis que me acompanharam ao longo do caminho”, já tinha assegurado Sam Izadloo num evento da UCP, salientando que a bolsa lhe mudou a vida. “Abriu portas que normalmente não estão ao alcance” de pessoas nas minhas circunstâncias”, assegurou, elogiando a “abordagem inclusiva” da Católica.


Estuda hoje no terceiro ano de Medicina na Católica Medical School, que frequenta graças à atribuição de uma bolsa de estudos da Universidade Católica Portuguesa dedicada a refugiados, e acabou de descobrir uma aplicação chamada "Dermamatica", que apresentou na Web Summit revolucionando a forma como a temática é tratada, e oferecendo uma Nova Visão para a Detecção Precoce do Cancro da Pele.


Desenvolvida para apoiar médicos de cuidados de saúde primários no primeiro contacto com o paciente, a Dermamatica utiliza IA explicável e multimodal, para analisar imagens da pele e fornecer uma avaliação de risco imediata e transparente.


Com apenas o envio de uma normal fotografia de telemóvel, os clínicos recebem um risk score e um heatmap (mapa de calor) visual que destaca as características que motivaram a avaliação da IA. Esta abordagem oferece clareza, acelera a tomada de decisão e reforça a confiança clínica.


A Dermamatica responde a um desafio persistente na área da saúde: os atrasos e incertezas que frequentemente dificultam a identificação precoce do cancro da pele.


Muitos pacientes obtêm diagnósticos tardios devido ao acesso limitado à dermatologia, sistemas de referenciação sobrecarregados e à dificuldade dos médicos de família em avaliar lesões ambíguas durante consultas de rotina. Ao equipar os cuidados primários com inteligência visual avançada, a Dermamatica pretende agilizar este percurso, permitindo que pacientes de alto risco cheguem mais cedo aos cuidados especializados.


Um dos aspetos mais relevantes da plataforma é o seu compromisso com a explicabilidade — um requisito essencial para a confiança na IA aplicada à medicina. Em vez de fornecer previsões opacas, a Dermamatica oferece resultados interpretáveis, ajudando os clínicos a compreender por que motivo uma lesão pode ser suspeita e apoiando decisões mais informadas.


A presença de Sam no Web Summit marca um marco importante para o projeto e sublinha o papel crescente dos jovens inovadores na definição do futuro do diagnóstico médico. O seu trabalho tem despertado grande interesse entre profissionais de saúde que procuram soluções práticas e escaláveis para melhorar os resultados clínicos através da deteção mais precoce.


Não é de ter esperança na Inteligência Artificial, e no tanto de bom que pode trazer à nossa vida, em vez de se estar sempre a criticar? Na minha opinião, todas as ferramentas que a tecnologia nos coloca ao nosso dispor para poder ir mais além, são muito positivas. Tudo depende da utilização que se lhe dá, mas aí... já é o nosso critério que importa. 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Vamos descobrir "A Ammaia"

 Contada aos gaiatos... 



Ahhh, que saboroso mergulho nesta linda tarde, na luz da Estrela Principal 🌞 do nosso sistema com o seu nome, que é jovem, e está ainda apenas a metade da sua vida, pois se não derem cabo disto antes, continuará a fornecer calor por mais 4,5 a 5 mil milhões de anos, quando provavelmente, já não andarei por aqui a tecer comentários emotivos ao meu Benfica. 


Com esta maravilhosa envolvente, ouvindo os trinados do meu Bóris, candidato a canário mais feliz de todóóóó alentejo, leio, ávido e absolutamente deliciado, a obra ontem publicada pela fundação Ammaia, onde labutam os meus queridos arqueólogos Amigos Sofia Borges e JoaQuim Carvalho , bem como o meu vizinhança Joao Aires , grande artista do desenho, que é responsável pelas ilustrações deste obra de primor, na qual é co-autor com a minha querida Teresa Simão, ilustre Doutora em Linguística (Doutora mesmo!! não é dos licenciados de algibeira, como eu...), hoje vereadora do Município de Marvão, mas minha companheira de longas e antigas lutas desta vida; com o título: A Ammaia contada aos gaiatos, À descoberta da cidade romana.




Uma obra destas, cujo título diz tudo, que explora a história e todas as vertentes da vida de então (trabalho, arquitetura, lazer, vestuário, lendas...), que envolve o Agrupamento de Escolas de Marvão, e é financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia deverá ser mais que bem recebida por todos nós, porque é um marco nas publicações que nascem entre as nossas fronteiras geográficas e é, por isso e mais qualquer motivo, indispensável na casa de cada um de nós.


De leitura extremamente agradável e divertida, pela mão da Júlia e do Caio, assim batizados pelos pequenos do 1° ao 6° ano do nosso Agrupamento; revisitamos este período da história tão importante para nós, até mais por esta proximidade que de nós têm, que vai desde o fim do séc. IV Antes de Cristo, ao séc. V Depois de Cristo quando os povos bárbaros vandalizaram isto tudo, antes da chegada dos muçulmanos, no séc IX, quando o Ibn Marwan fundou a fortaleza lá em cima com o seu nome, e se apresentava como "Senhor da Ammaia, a Ammaia das Ruínas". 








No séc. II a.c. já a Ammaia era Municipium, tinha uma área semelhante ao distrito de Portalegre!!!, e poderia ter à volta de 7.000 habitantes, vejam-me só bem!!! 😳


Felicito então efusivamente todos os pais e mães desta criancinha, que já acolhi também, e divulgarei a plenos pulmões. 


Salvete, amici!

domingo, 15 de fevereiro de 2026

(Excelentes boas!) Novas do lado da Luz



Isto sim são boas notícias!!! 😍 

Será que... 🤔... depois de tantos anos a fazermos 💩, levarmos na cabeça por darmos com a língua nos dentes antes do negócio estar concretizado, e nos comerem as papas na testa (Hulk... 😥 Falcão... 😥, por exemplo)... estamos finalmente a aprender fixar e rentabilizar a Prata da casa?!? Oxalá... 


É que... 

Depois das contas fechadas, o Benfica liderou receita portuguesa da UEFA na última década! Nenhum clube arrecadou mais milhões do organismo europeu do que o meu Benfas, entre 2015 e 2025.

No 50.º congresso anual da UEFA, em Bruxelas, foi divulgado o relatório financeiro das competições 2024/25 que indica que 
na época passada os clubes portugueses amealharam 159,7 milhões de euros nas provas da UEFA (Champions, Europa e Conference League), sendo que o Benfica liderou o pelotão, com uma receita de 71,4 milhões de euros. O Sporting garantiu 49 milhões de euros, enquanto que o FC Porto ficou pelos 16,5 milhões de euros. O SC Braga ganhou 13,4 milhões e o Vitória de Guimarães arrecadou 9,4 milhões.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

La (Mejor) Fiesta En el Ojo de la Tormenta

 

El show aqui abajo:

https://www.instagram.com/reel/DUhVwgYDDlA/?igsh=MTVhZGczZm13MHk4cA==


¡Sucedio hace dias, pero tengo mismo que escribir sobre esto!

Bien, macho! Qué fiesta más tremenda!!! se cargó el Bad Bunny en el cierre de la final del SuperBowl LX, donde se han defrontado Los Patriot y Los Seahawks, com victoria de los últimos! 😳😲😯😮😦

Con el lema: ló único más poderoso que el odio és AMOR, dió una leccion en el corazón de la Norte América más profunda, y bien debajo de la cara de ogro de Trump, sembro las semientes más maravillosas de Alegria, Respecto y Bien: "Me llamo Benito Antonio Martínez Ocasio, y si estoy aquí hoy en el Super Bowl 60 es porque nunca, jamás, dejé de creer en mí mismo. Tú también deberías creer en ti mismo. Vales más de lo que crees. Créeme."

Este fue el espectáculo de medio tiempo más visto de todos los tiempos: ¡135 millones de vistas!, con Lady Gaga, y Ricky Martin, al frente de una legion de baijarines de encantar.

El impacto es inmensurable y, con suerte, ayudará a derribar a este monstruo del que el mundo tiene tantas dificuldades para deshacerse...

ARRIBA AMERICAAAAA!!! 🇨🇺

Montagem do palco:
https://www.instagram.com/reel/DUhmRdgjZs4/?igsh=Y2Jyb25ocGlkb2s1

Pós Show:
https://www.instagram.com/reel/DUhiEOvERbm/?igsh=dHBtamFnNG9ya2V2

Lá imagem, poderosíssima ha resultado y sigue ganando fuerza!!!;aqui con Jimmy Fallon em el metropolitano:
https://www.instagram.com/reel/DUdbuS-kaUM/?igsh=MTBsNms0MXkycjVhMw==


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Claro! 😯😮☹️Tendria de ser... 🫣

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Escolher o Tó Zé...



Na vida, mais vale cair em graça que ser engraçado! Esta máxima do nosso povo, tão sábia e sempre tão atual, assenta como uma luva no pensamento que hoiiiiiiiije (como diz o nosso PM), quero partilhar convosco:
quem eu queria hoje mesmo-mesmo, mesmo-mesmo ser... era o nosso Tó Zé Seguro!!!

Senão vejamos, este artista, que comecei a conhecer como líder da Juventude Socialista (1990-94), há mais de 30 anos!, no mesmo período que Passos Coelho também o era, só que obviamente, no outro lado da barricada; nunca foi brilhante, nem um fora-de-série, com extraordinários dotes de oratória e/ou inteligência; ou o protagonista de algum fato político brilhante que fosse.


Pois agora, arrisca-se, porque as forças de oposição e da circunstância, lhe criaram um cenário tao favorável que melhor era impossível, a que lhe caia no regaço o mais alto cargo que um político a nível nacional pode almejar correndo por si só: o de ser o próximo PRESIDENTE DA REPÚBLICA!!


O Tó sempre foi... assim, tadinho... menosprezado entre os seus pares como sendo uma figura de coro, tendo até o Godfather Xuxalista, o Bochechas, o tal que berrava aos motociclistas da PSP quando lhe atrasavam a marcha, ao lhe fazerem escolta: "ó Sr. Guarda, DESAPAREÇA-ME DA FRENTE!"; dito acerca do Tó Zé que... não era assim um cavalo tão valioso neste xadrez da política nacional.


Pois bem, na corrida inicial a esta presidência 2026, posicionaram-se 11 candidatos que incluíam políticos de carreira 👔, cómicos 🤡, militares promovidos pelo COVID-19 🚢, e outros só para marcar presença, uns porque o partido os empurrou, outros porque foi o seu sexo a fazê-lo. Destes, os portugueses zangados escolheram um cão de fila 🐕‍🦺 com dotes de oratória, que segue a linha discursiva que forças invisíveis (enunciadas na minha publicação anterior) lhe metem à frente e obrigam seguir... e o Tó Zé.

Como sou de crer que em Portugal ainda somos mais os que amamos a DEMOCRACIA (demokratia, de demos (povo) e kratos (poder)); isto tem sido um chorrilho de "Valha-me Deus!!! ó Tó Zé... 😍"  incluindo personalidades que toda a vida se colocaram do lado oposto da esfera política, a grandes nomes da cultura que assinam abaixo-assinados de apoio... enfim!


E também tem sido um "vê se te avias"  de maltucha a dizer que "esse cachopo de barbinha de 3 dias que anda de camisinha branca a fazer a saudacão nazi no Marquês de Pombal em plena luz do dia... por mim, NÃO passa!!!", e por isso, está-se bem de ver, a gente agora está no Tó Zé. (que outra coisa boa nos resta?), porque só nele é de se acreditar!



Está -se tudo a compôr para este seja o fim à vista.
É aquela velha história da aldeia com 10 belos rapazes, todos pretendentes da única  rapariga formosa, que com ela queriam casar. Depois, entre os que emigram, o que falecem por infortúnio, os que mudam de cidade, e os que casam prematuramente por obrigação, fica um, apenas.
Eis o Tó Zé!

A menos que... haja uma hecatombe, valha--nos Deus, que nos livre disso! E isso passa obviamente por a revolta, o medo, a raiva ao passado não muito distante Xuxalista, que ainda está bem patente nos cidadãos; e os fez, por exemplo, fechar os olhos ao escândalo Spinumviva, dando uma nova vitória ao PSD... se possa voltar a vingar votando no candidato mais à direita, e aí... 🫣 não quero nem pensar!


Acho que pego na trouxa, nas minhas pequenas, e EMIGRO!!!


É que me parece que os cidadãos que assim fazem, podem não estar bem a ver o problema: este menino quer mexer com a nossa Constituição!!! O nosso documento mais sagrado, politicamente falando! Quer meter as patas sujas de dinheiros podres que o financiam, dados pelas mais altas famílias económicas, ganhos nos esquemas mais manhosos (voltar a ler o brilhante texto que li, do José Pendão, que coloquei abaixo), para nos retirar as liberdades e garantias de sermos um Estado de Direito, e Democrático!!!, a cavalo no ódio dos que justamente para aqui vieram livremente ganhar a vida, como nós fizemos em França durante o Estado Novo do Salazar, para onde tiveram de fugir à miséria!.


Depois digam que não avisei...


É que Salgueiros Maias, e militares com aquele arcabouço... já não há, nem haverá mais!



O que é então, o Chega?



Há uma ironia deliciosa, daquelas que fariam rir se não fizessem chorar, na narrativa Venturiana do "povo contra as elites". 

André Ventura discursa contra o "sistema de interesses instalados" num hotel de luxo em Cascais onde o quarto mais barato custa mais que o salário mínimo de meio mês. Proclama-se voz dos abandonados e esquecidos enquanto janta em Monsanto com barões, condes e marqueses que financiam a sua cruzada populista com transferências de cinco dígitos. Promete "limpar Portugal" da corrupção enquanto esconde da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) os nomes de quem realmente paga as contas do CHEGA.

É teatro. Obviamente. Mas é teatro tão bem encenado, com cenografia tão convincente, que milhares acreditam. Acreditam que o homem financiado pela família Champalimaud — donos dos CTT, de hotéis de luxo, de participações no que resta do império BES — é verdadeiramente o paladino do povo. Que o político apoiado por comerciantes de armas, especuladores imobiliários e aristocratas ligados a redes bombistas do pós-25 de Abril é genuinamente anti-sistema. É preciso uma suspensão de descrença digna de ópera Wagneriana.

Mas talvez o mais fascinante não seja a hipocrisia — essa é banal, universal, transversal ao espectro político. O fascinante é a elegância com que o esquema funciona. A precisão cirúrgica com que as políticas do Chega servem exactamente os interesses de quem o financia, enquanto a narrativa pública fala de outra coisa completamente diferente. É engenharia social de alto nível. Merece, no mínimo, análise.

Comecemos pelos factos. Não as teorias da conspiração, não as especulações — os factos duros, documentados, publicados por jornalistas que fizeram o trabalho aborrecido de ler extractos bancários e cruzar transferências. 

A família Champalimaud, nas suas várias ramificações aristocráticas e empresariais, transferiu dezenas de milhares de euros para o Chega entre 2021 e 2022. 

Manuel Carlos de Melo Champalimaud, maior accionista dos CTT na altura, dez mil euros. Miguel de Mendia Montez Champalimaud, dono do The Oitavos (esse hotel de luxo onde Ventura faz comícios anti-elite), valores não especificados mas documentados. Miguel Vilardebó Sommer Champalimaud, dez mil. Mafalda Mendia Champalimaud, dez mil, repetidos. Eduardo Guedes Queiroz Mendia, ex-administrador da Espart (o braço imobiliário do Grupo Espírito Santo, aquele que implodiu levando as poupanças de milhares), também contribuiu generosamente.

Não são os únicos. João Maria Ribeiro Bravo, empresário que vende armas e helicópteros ao Estado português e que recentemente foi alvo de buscas da PJ na operação "Torre de Controlo" sobre alegado cartel de helicópteros, não só deu cinco mil euros como organizou almoços de angariação para o Chega. Miguel Costa Félix, do sector imobiliário e turismo, 2500 euros. Isto é apenas aquilo que fácilmente se consegue confirmar e validar (apenas a ponta do novelo).

Pedro Maria Cunha José de Mello, também presente. E há mais — condes, marqueses, barões, gente com títulos que pensávamos extintos mas que afinal andam por aí, vivos, ricos, e a financiar o partido que promete defender os pobres contra os poderosos.

Alguns destes financiadores têm histórias particularmente saborosas. Miguel Sommer Champalimaud esteve implicado na tentativa de golpe spinolista de Setembro de 1974. Francisco Van Uden, monárquico na linha de sucessão ao trono, foi chefe operacional do ELP (Exército de Libertação de Portugal), organização terrorista de extrema-direita responsável por atentados no pós-revolução. Eduardo de Melo Mendia, quinto conde de Mendia, aparece nos Paradise Papers. Luís Mendia de Castro, quarto conde de Nova Goa, movimenta-se em instituições financeiras. São pessoas sérias. Gente de bem. Defensores da ordem, da hierarquia, da propriedade. Exactamente o tipo de aristocracia financeira que qualquer populista genuíno combateria até à morte.

Mas Ventura não combate. Ventura agradece. E retribui.
Porque aqui está o verdadeiro génio do esquema: as políticas do Chega alinham-se perfeitamente com os interesses de quem o financia, mas essa ligação nunca é explicitada. Nunca é discutida. Fica escondida nas entrelinhas dos programas eleitorais, camuflada por retórica sobre "povo", "nação", "soberania". 

É preciso ler com atenção — e poucos lêem — para perceber que o partido que se apresenta como defensor dos trabalhadores tem no seu programa a privatização de tudo o que o Estado ainda controla.

Leiamos, então. Directamente do programa do Chega, página 45: "Ao Estado não compete a produção ou distribuição de bens e serviços, sejam eles serviços de Educação ou Saúde, ou sejam os bens vias de comunicação ou meios de transporte". Não é ambíguo. Não é metafórico. É literal. O Chega defende que o Estado se retire completamente da provisão de serviços. Saúde? Privada. Educação? Privada. Transportes? Privados. Tudo. 

Página 49, sobre saúde especificamente: "o Estado não deverá, idealmente, interferir como prestador de bens e serviços no Mercado da Saúde mas ser apenas, um árbitro imparcial e competente".
Traduzindo do economês para português: acabar com o SNS. Não reformá-lo. Não melhorá-lo. Acabar com ele. Transformá-lo num sistema de seguros privados onde quem tem dinheiro tem saúde e quem não tem azar. Exactamente o modelo americano que está a fazer a esperança de vida nos EUA decrescer pela primeira vez em décadas entre países desenvolvidos. Exactamente o que beneficiaria os grandes grupos de saúde privada. Exactamente o que poderia interessar a quem tem investimentos nessas áreas.

E a flat tax? Ah, a flat tax. A Iniciativa Liberal teve o bom senso de recuar nesta barbaridade fiscal depois de economistas a trucidarem publicamente. O Chega não. Mantém no programa a taxa única de IRS de 15%, com ambição declarada de chegar a 0%. Para quem ganha 800 euros por mês, isto é desastroso — pagaria mais impostos que no sistema actual. Para quem ganha 10.000, 50.000, 100.000 euros por mês, é o paraíso fiscal. Uma redistribuição massiva de riqueza de baixo para cima, dos que trabalham para os que especulam, dos assalariados para os rentistas.

E o IMI? Também a 0%, segundo Ventura. Beneficiando essencialmente quem? Os grandes proprietários. As famílias com património imobiliário massivo. As fortunas fundiárias. Não as pessoas que compraram penosamente um T1 nos subúrbios. Essas pagariam através do IVA — que o Chega quer aumentar, concentrando a tributação no consumo, o imposto mais regressivo que existe, aquele que pesa mais sobre quem ganha menos.

Há um padrão aqui. Um padrão claro, documentado, verificável. As políticas do Chega beneficiam sistematicamente os ricos. Os muito ricos. Os obscenamente ricos. Privatização de serviços públicos? Óptimo para quem pode comprar os activos privatizados. Flat tax? Maravilhoso para quem ganha rendimentos de capital. Fim do IMI? Perfeito para grandes proprietários. Parcerias público-privadas na saúde? Excelente para grupos privados do sector. Desregulamentação do mercado imobiliário? Fantástico para especuladores.

E para o "povo" que Ventura diz representar? Para os trabalhadores precários, os jovens sem casa, os reformados com pensões miseráveis, as famílias que dependem do SNS porque não têm dinheiro para seguros privados? Para esses, o programa do Chega oferece o quê exactamente? Retórica. Indignação. Inimigos convenientes — imigrantes, ciganos, "esquerdalha". Mas soluções concretas que melhorem as suas vidas? Nenhumas. Pelo contrário: políticas que as piorariam drasticamente.

Isto não é acidente. Não é incompetência. Não é Ventura a ser ingénuo e a deixar-se capturar por interesses que não compreende. É design. É o modelo de negócio. Mobilizar os ressentimentos legítimos das classes trabalhadoras — que existem, que são reais, que merecem atenção — e canalizá-los não para políticas redistributivas que melhorariam as suas vidas, mas para uma agenda que serve os interesses da elite financeira e aristocrática que financia o movimento. É o velho truque. Tão velho quanto a própria política. Tão eficaz quanto sempre foi. Dar aos pobres um inimigo mais pobre ainda (o imigrante, o "subsidiodependente") enquanto se rouba o que resta da sua protecção social para entregar aos ricos. É como funcionou o fascismo. Como funciona o populismo autoritário em todo o lado. Prometem ordem, nação, tradição. Entregam desregulamentação, privatização, transferência de riqueza para cima.

E funciona porque a narrativa é convincente. Porque Ventura é bom no que faz — mobilizar emoção, criar identificação, performar autenticidade. Porque os media amplificam sem contexto. Porque os adversários políticos respondem com indignação moral em vez de exposição factual. Porque a maioria das pessoas não vai ler os programas eleitorais, os extractos bancários, as investigações jornalísticas. Vão apenas ouvir o discurso, ver as imagens, sentir a raiva.

E há tanto por que estar com raiva. Legitimamente. O sistema político português falhou muita gente. A precariedade é real. Os salários são vergonhosos. A habitação é inacessível. Os serviços públicos estão degradados. As instituições perderam credibilidade. Tudo isto é verdade. Tudo isto precisa de resposta. Mas a resposta do Chega não é resposta — é exploração. É pegar nessa raiva legítima e usá-la para implementar exactamente as políticas que piorarão os problemas que a geraram.

Porque quem pensa que privatizar o SNS vai melhorar o acesso à saúde dos pobres é ingénuo ou desonesto. Quem acredita que uma flat tax vai beneficiar trabalhadores precários não percebe matemática básica. Quem imagina que acabar com a regulação do mercado de trabalho vai aumentar salários desconhece história económica elementar. Estas não são soluções. São transferências de riqueza e poder para quem já tem demasiado de ambos.
E os financiadores do Chega sabem disto. Obviamente. Não são estúpidos. São, na verdade, bastante inteligentes. Investiram em Ventura porque viram uma oportunidade. Viram um talento performativo raro combinado com ausência de escrúpulos ideológicos. Viram alguém que podia mobilizar massas enquanto servia interesses de classe. Viram o veículo perfeito para uma agenda que nunca ganharia eleições se fosse apresentada honestamente.

Porque se Manuel Champalimaud se candidatasse às eleições com o programa "vou privatizar os CTT, o SNS, a educação pública, e baixar os impostos aos ricos", seria trucidado nas urnas. Mas Ventura pode propor exactamente isso — desde que embrulhe em bandeiras, hinos, retórica nacionalista, e acuse os outros de serem as verdadeiras elites. É marketing genial. É terrível. Mas é genial.

E nós, espectadores mais ou menos cúmplices, assistimos. Alguns indignados, outros entusiasmados, a maioria apenas cansada. Partilhamos os escândalos, comentamos as polémicas, esquecemos os detalhes. Porque os detalhes são aborrecidos. Extractos bancários são aborrecidos. Programas eleitorais são aborrecidos. Análise de políticas fiscais é aborrecida. Ler este artigo é aborrecido. Muito mais fácil ver Ventura a gritar, a apontar dedos, a prometer limpeza e ordem.

E enquanto isso, os Champalimauds, os Bravos, os Mendias, os condes e marqueses, vão transferindo os seus cinco e dez mil euros. Jantam em Monsanto. Almoçam no Oitavos. Financiam o homem do povo. E sorriem, imagino, com aquele sorriso de quem sabe que fez um bom investimento. Porque afinal, por uns milhares de euros — que para eles são trocos, loose change, o que gastam num fim-de-semana em Saint-Tropez — estão a comprar políticas que lhes valerão milhões.

É um esquema elegante. Eficiente. Rentável. E completamente legal. Porque em 2017, PS, PSD, PCP, BE e PEV votaram para abolir os limites de donativos a partidos. Abriram as portas. Deixaram o dinheiro fluir livremente. E agora surpreendem-se — ou fingem surpreender-se — que haja quem aproveite.

O Chega esconde nomes da lista de financiadores entregue à Entidade das Contas. Omite doações. "Esquece-se" de reportar transferências. E não há consequências. Porque não há fiscalização real. Porque a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) tem três pessoas para fiscalizar todos os partidos. Porque o sistema foi desenhado para não funcionar. Porque a opacidade convém a todos. E assim continuamos. Ventura grita contra as elites. As elites financiam Ventura. O povo aplaude. Os ricos enriquecem. O SNS definha. Os salários estagnam. As casas ficam inacessíveis. E daqui a uns anos, quando as políticas do Chega forem implementadas — se forem —, quando os hospitais públicos forem entregues a privados, quando a flat tax transferir mais milhares de milhões para o topo, quando a última rede de protecção social for desmantelada, talvez olhemos para trás e perguntemo-nos como é que deixámos isto acontecer.

Mas provavelmente não. Provavelmente estaremos demasiado ocupados com a próxima indignação, o próximo escândalo, o próximo inimigo conveniente que Ventura nos apontar. Porque o espetáculo não pára. Nunca pára. E nós somos simultaneamente audiência e combustível, vítimas e cúmplices.

Bem-vindos ao populismo do século XXI. Onde os paladinos do povo têm contas nas Ilhas Caimão e os defensores dos trabalhadores jantam com marqueses. Onde a retórica é de esquerda mas as políticas são de direita radical. Onde tudo é performance, nada é real, e os únicos que ganham são precisamente aqueles contra quem o populista diz lutar.

É deprimente. É previsível. É evitável. Mas não será evitado. Porque evitá-lo exigiria ler os programas, seguir o dinheiro, conectar os pontos. E isso dá trabalho. Muito mais trabalho que partilhar mais um vídeo de Ventura e sentirmo-nos indignados ou validados.
Então os Champalimauds continuarão a transferir. Ventura continuará a gritar. O povo continuará a acreditar. E os condes continuarão a sorrir, porque afinal descobriram a formula perfeita: comprar uma revolução popular que serve os interesses da aristocracia.

É quase poético. Se não fosse trágico.

#pendaodivagacoes