quarta-feira, 7 de maio de 2008

Caminhando com o povo

Sobreiros... presentes!


As recomendações à partida, pelo amigo Costa

O desmembramento do pelotão

O staff em plena actuação

Pelos confins de Marvão


O Chico da Salsicha

Um elenco de luxo

Belas...

A equipa da Relva / L.A. Pecol - Alumínios

O patriarca Conchinha e o Visconde dos Vales

Uma roda de tintinhos

Ao ataque!

Os mecas...

Tentação...

O pedreirinho em acção

O desporto em geral e as caminhadas muito em particular estão na moda. Na parte norte do concelho, a Casa do Povo de Santo António das Areias tem apostado em grande neste tipo de eventos e tem somado sucessos incontestáveis.

Depois da 1ª pela Nave e da 2ª pela estrada dos Aires, neste domingo realizou-se a 3ª caminhada pelos lados da Ramila e Fonte Souto, com bastante aceitação já que segundo os números oficiais, passaram bem das 100, as almas que alinharam na expedição neste fantástico domingo primaveril.

Como já vai sendo habitual, não faltou nadinha e esteve tudo a preceito. O percurso não era exigente, não faltou a aguinha e a fruta a meio da marcha e terminou tudo em beleza.

Eu, o meu querido amigo Nuno Pires e o meu estimado sogro, esticámos a corda e fizemos o percurso maior, subindo pelas vinhas da Fonte Souto e em boa hora porque as vistas mereceram o esforço e o repasto assim ainda soube melhor.

A conversa, entre muitas outras coisas, lá teve que descambar para a inevitável desgraça do clube do nosso coração que carpimos pelas calçadas e trilhos de terra batida.

A empreitada culminou num mega-churrasco na Quinta da família Conchinha que gentilmente abriu as portas a todos num gesto de bem receber, confirmando que aquele espaço é de convívio e só fica completo quando se enche de amigos.

E que bem souberam a farinheira frita e os enchidos à chegada, quando o cheirinho dos grelhados já fazia crescer água na boca. Houve bela sopinha, a bela da bifana e a entremeada, a salsicha e a salada, as bebidas fresquinhas, os tintinhos e as imperiais que saiam em catadupa da máquina bem calibrada. Nem sequer faltou o docinho para os mais gulosos e o cafezinho para arrematar.

Na continuação, houve convívio e animação, a piscina para a garotada e as histórias fabulosas do Ti Mané Batista, o “Pedreirinho da Asseiceira”, o “Governador Civil da Relva” como bem o baptizaram, que na sua inesgotável alegria de viver, a todos contagiou com as rocambolescas histórias da sua juventude. Inesquecível a aventura em que parou a banda nas festas de São Pedro.

Já descia o sol quando me fiz à estrada, percorrendo solitário as veredas que me levariam a casa, cumprindo o objectivo estabelecido inicialmente de fazer tudo a penates.

O vento quente do fim da tarde e os grilos que cantavam nas redondezas fizeram-me companhia, no regresso deste mais que agradável convívio.

Mais uma vez, parabéns e bem hajam.

Foi mesmo muita bom.

Tradicional, este Baile das Rosas

Os mestres de cerimónia


A panorâmica geral

A mulher arenense mostrou a sua graça


Houve tempo para discursos...


E para muita animação


Sim, é certo… o baile das rosas já não tem a magia de outros tempos e nem sequer é preciso recuar muito atrás porque até eu os vi com grande brilho e não foi há assim tantos anos.

Vem à baila a que já vai sendo a conversa curriqueira: “há pouca gente…” e eu respondo entre dentes para os meus botões: “pudera, se somos tão poucos como é que hão-de aparecer muitos?”.

No último “Guia Autárquico” do jornal Público, já vimos abaixo dos 3.800 habitantes e baixando, como os preços nos saldos do Conde Barão. Nada a fazer excepto milagres e esses já vimos que também são poucos e cada vez menos.

Nos temos áureos, os bailes da rosa eram grandes bailações e por ali se esboçaram acesos namoricos e algumas cenas de pancadaria que abrilhantavam sempre o cartel, sobretudo a horas mais avançadas, quando o álcool esquentava os ânimos.

No momento mais alto, os homens compravam no palco a rosa que ofertavam à companheira e depois dançavam noite dentro, com a florzinha segura pelas mãos unidas no calor da noite. Bem romântico…

Neste sábado, a casa não esteve cheia mas esteve composta. Por volta da meia-noite, quando o ritual florístico se cumpriu, até parecia que tínhamos recuado no tempo.

A malta é que acaba por ser sempre a mesma, outra vez aqueles que mesmo que lhes custe deixar o conforto do lar, acabam por participar e contribuir para manter a chama viva.

Os animadores de serviço, os sempre bem dispostos e competentes “Abílio e Carrilho”, percorreram estilos e modas quase em ritmo “non stop” para ver se o pessoal não esmorecia e conseguiram-no.

Deu-se um pezinho de dança, viu-se como param as modas, beberam-se umas fresquinhas na Odete, a pardalada brincou e rodopiou até cair de cú e “esteve-se bem”, como diz agora a malta nova.

Nota muito positiva para as decoradoras do palco que estava lindíssimo, para o GDA que insistiu na tradição e para todos os presentes.

A luta pela não descida de divisão do concelho também se joga aqui, fazendo por cumprir a tradição.
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sábado, 3 de maio de 2008

Pela boca morre o peixe…


Estava deitada no sofá, vendo um dvd dos seus, quando cheguei a casa vindo da corrida do final de tarde.

Debrucei-me e dei-lhe muitos beijinhos na carita rosada.

“Paixão da minha vida…”.

“Ó pai… estás sempre a dizer isso porquê?”.

“Ó querida, porque te amo, te adoro… não sabes que eu faço tudo por ti?”.

“Fazes tudo por mim?”.

“Tudo, tudo, tudo!”.

“Então, hás-de fazer-me os trabalhos de casa”.



(e juro por Deus que é verdade)

Top Disco: Nena - 99 Red Ballons


A primeira vez que vi a Nena coincidiu com a primeira vez que me senti mesmo homem. Foi também a primeira vez que senti que um dia havia de engravidar alguém. Tinha 10 anos.

Ainda hoje me aparece fugazmente em sonhos e ainda hoje não consigo explicar o que vejo na mulher mas não lhe consigo resistir. Não sei se são os olhos, as argolas de prata, o penteado ou a penugem debaixo dos braços mas há algo ali de puro fascínio feminino.

Reparem no vídeo e na forma como dança ao som do baixo, meneando as ancas dentro das calcinhas de cabedal preto, batendo os pezinhos e desafiando os colegas. Eu não me aguentaria um segundo…

A Nena era sempre capa da Bravo que eu comprava nas papelarias da Carreira de Cima. A Bravo era uma revista alemã da qual não conseguíamos compreender uma beata mas isso não importava nada desde que trouxesse os posters e os autocolantes. Eu tinha um da Nena no quarto, bem gigante e antes de adormecer, aqueles lábios carnudos e vermelhos dirigiam-se a mim e beijavam-me como prelúdio dos sonhos mais cor-de-rosa.

Se aquela mulher me aparecesse à frente nessa altura, eu tinha largado a escola e fugido com ela para o rio como os casais faziam na altura quando os pais não aprovavam o namoro. Fugiam, desapareciam durante dois ou três dias e depois casavam-se. Era tipo uma prova de sobrevivência. Se fugissem e não morressem de fome ou frio, ganhavam o direito a casar. Puro Neolítico!

A Nena, a Nena, a Nena… Acho que quem de nós tinha o disco era o meu amigo Zé do Pop que nessa altura ainda não tinha assim sido baptizado pelo meu pai. Nessa altura era só Zé Dias e eu invejava-o não só por este disco mas também porque tinha o “Amadeus” do Falco. Outra pérola absoluta embora eu, entre a Nena e o Falco, porra! Era sem espinhas!

Os anos 80 eram assim… absolutamente irrepetíveis e só nos anos 80 era possível que uma música sobre 99 balões vermelhos rebentasse com todos os tops da Europa. Na altura eu não percebia um camandro da letra mas o que interessava mesmo era o ritmo. E que linha de baixo! Que sintetizador! Descobri anos depois que aquilo tinha a ver com a guerra nuclear e mais não sei quê mas isso em nada acrescentou à história.

A Nena, a Kim Wilde (boa!) e a Samantha Fox (bellíssima!) foram as tigresas da minha pré-adolescência.

Volúpia e desejo.

Gggggggggggrrrrrrrraaaaaaaaaaauuuuuuuuu!

O senhor esteja convosco e que nunca vos falte nada.

Maravilhosas!

Neste fim-de-semana… Top Disco com “Nena” e “99 Red Ballons”.

Salut! Les copins.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

1 de Maio – Dia do trabalhador



Este blogue também foi criado para dizer as verdades, para apontar aquilo que ninguém quer admitir, mas que todos sabem que é verdade.

Sendo assim,

EU SOU CONTRA QUE NO DIA DO TRABALHADOR, NÃO SE TRABALHE!

Prontos, já está!

O dia do trabalhador é feriado e ninguém trabalha e agora digam-me lá se isto não é um contrasenso escabroso?

Um contrasenso não, isto é de loucos!

Supostamente, no dia do trabalhador devíamos todos orgulharmo-nos de termos um ganha pão e devíamos de torcer a mola até mais não, do nascer do sol até ao anoitecer, sempre com um sorriso nos lábios e se possível a assobiar ao mesmo tempo. Honrávamos assim o trabalho, trabalhando, e dignificando esta actividade.

Mas não. Em vez de formigas, somos cigarras e levamos o dia todo no laréu. Isto faz algum sentido?

É como se no dia da mentira, a malta decidisse só dizer verdades;

Como se no dia da criança, se passasse o dia em actividades nos lares da 3ª idade;

Como se no dia da mulher, fossem os homens a ir aos shows de strip;

Como se no dia da poesia, só lêssemos prosa;

Como se no dia da música, decidíssemos jogar xadrez em silêncio.


Pergunta para queijo: no dia do TRABALHADOR, faz-se o quê? Descansa-se!


Eu, para contrariar esta tendência enganosa, como não vou em carneiradas, já pedi uma picareta emprestada e vou para os montes partir piçarras durante o dia todo. Já tenho o farnel aviado. Só vou parar para tirar uma bucha.

Por isso, sigam o meu exemplo e no dia do trabalhador… VERGUEM A MOLA, VADIOS!

Nota: Se me virem, por acaso, neste dia em casa… é porque vim buscar uns papéis de que me esqueci. Coisa pouca.
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De pé... como as árvores


E prontos… estão encontrados os dois finalistas da Liga dos Campeões.

Foi preciso ir a prolongamento para que o Chelsea conseguisse levar a melhor sobre o poderoso Liverpool, tirando a teima da eliminatória do ano passado.

Os azuis entraram muito fortes e chegaram ao golo por intermédio de Drogba. Os reds ressuscitaram na segunda metade e igualaram por Torres, após uma diagonal fabulosa de Benayoun.

Nos 30 minutos adicionais, os londrinos tomaram vantagem de novo com um golo de Lampard na marcação do castigo máximo que puniu falta flagrante de Hyypia sobre Ballack; e tudo confirmaram com novo tento de Drogba.

Honrando o hino do clube, os de Liverpool nunca baixaram os braços e reduziram já ao cair de pano num grande remate de Babel ao qual Cech não soube corresponder.

A primeira metade foi azul, a segunda vermelha e o tempo extra, uma montanha russa que descambou para onde menos se esperava, sobretudo depois das três perdas flagrantes dos visitantes.

Destas duas horas de puro delírio futebolístico destaco dois momentos que ficam para a história do que vi: o carrinho de joelhos de Drogba após o primeiro golo, deslizando pela relva até bem perto do banco de Benítez, dedicando-lhe a estocada certeira com que o calou, depois das críticas e ataques pessoais da última semana; e a comemoração do golo de Lampard, quando corre para a bandeirola de canto beijando a braçadeira preta que colocou em memória da mãe, recentemente falecida, vítima de pneumonia. De arrepiar.

Menção honrosa para o fiscal de linha que teve tomates para anular o golo de Essien, já em pleno prolongamento e quando estavam ainda iguais. Se fosse português, tinha feito xixi nas calças e metido a bandeirola no respectivo. Muito nível!

Assim sendo, a 21 de Maio, Moscovo vai receber a gala dourada dos melhores do continente, protagonizada por dois clubes ingleses.

De um lado, os meus vermelhos de estimação em terras de sua majestade, com Queiroz, Nani e Ronaldo; do outro, Ricardo Carvalho, o legado de Mourinho e muita garra na primeira final.

Dos dois lados, aquele que sempre foi para mim, mesmo quando o espanhol e o italiano brilhavam, o melhor futebol do mundo. Apesar de cada vez mais calculista, é aquele onde a magia de jogar o jogo pelo prazer do jogo é ainda mais evidente.

Os outros amam que a sua equipa ganhe. Os ingleses amam o jogo. independentemente do resultado.

Pleasure always comes first (o prazer primeiro).

É caso para dizer que mesmo que o desafio seja em terras moscovitas, neste ano, “football’s coming home” (o futebol regressa a casa).

Nesse caso, aqui fica a minha homenagem pelas gratas horas de deleite que me proporcionaram, recordando o hino oficial da selecção inglesa para o Campeonato da Europa de 96.

“Bring it back, boys!” (tragam-na de volta, rapaziada!)

Cheers!

terça-feira, 29 de abril de 2008

São Marcos 2008


No domingo ao fim da tarde, enquanto bebíamos umas fresquinhas na pastelaria do Chocolate e assistíamos à humilhação caseira do Guimarães, ferido de morte por um Porto demolidor, um dos amigos, entre um amendoim e um tremoço, sai-se com uma tirada magistral.

Dizia ele que detestava o domingo de tarde de São Marcos porque tudo aquilo era triste. O anoitecer, o anúncio das derradeiras actuações, até o próprio arraial, eram mais que motivos de nostalgia porque anunciavam o fim da festa.

Não pude deixar de soltar uma gargalhada perante o seu pesar, mas na verdade, o que ele sentia não estava muito longe daquilo que ia dentro de mim, dos restantes convivas, da minha filha e de muitos arenenses, naturais ou adoptados, que assistiam ao encerramento dos festejos.

O engraçado é que as pessoas quando crescem desenvolvem mecanismos mentais para superar as pequenas tristezas da vida e para seguirem em frente. Foi por isso que o desabafo me caiu tão bem, por ser tão sincero e desarmante. Eu podia dizer-lhe que a festa acaba mas a vida continua; que dentro em breve vai haver mais divertimentos, que foi bom ter corrido tudo tão bem, que estamos aqui estamos na Festa da Relva; que até o regresso ao trabalho é bom porque é sinal que o temos… mas não. Calei-me porque o compreendo.

Mas se assim é, que raio há nestas festas de São Marcos para representarem tanto para os seus e as fazerem assim tão especiais?

Para quem vem de fora, podem não passar de 5 ou 6 barracas, de 2 ou 3 carrocéis, uns espectáculos manhosos e pouco mais.

Para nós, são as nossas festas.


No São Marcos há marroquinos e indianos que vendem “riloges” de imitação, óculos escuros da Channel, t-shirts do Wrestling e do Rock, cintos e cães electrónicos que ladram e abanam o rabo a 5 euros; há barracas de algodão doce, pipocas, gelados de gelo e massa frita ou “berronhol”; há a roulotte do Lino Bar, catedral móvel da imperial e das melhores bifanas do mundo; há uma pista de carrinhos de choque para crianças; há um carrossel que roda e mais roda sem parar; há uma barraquinha da quermesse onde as pessoas dão o que não querem e não conseguem já arrumar em casa; há barracas de rifas onde saem sempre peluches felosos; há carrinhos de choque para a malta de barba rija; há tendas de produtores de vinhos locais e de finalistas e há muita coisa por descobrir.

Acham pouco?
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Isto tudo numa praça e pouco mais.

No São Marcos o pessoal aperalta-se, veste ropitas novas, desfaz a barba e engraxa os sapatos, veste cuecas e meias por estrear, deita-se e levanta-se bem disposto.

No São Marcos as pessoas saem à rua e falam uns com os outros, bebem uns copos a mais, convivem mais e matam saudades dos que regressam à terra de propósito por esta altura.

Este foi o melhor São Marcos dos últimos anos, pelo menos para mim, porque foi caseirinho e feito com a prata da casa e foi assim quase que em família.
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Na quinta-feira, dia 24, perdi a “fashion night” organizada pelos finalistas da escola porque fizeram o favor de marcar mais uma Assembleia Municipal para essa hora. Quatro longas horas de debate afastaram-me de onde queria estar e de ver o primeiro desfile da vida da pequena em troca de quase nada. Começou mal.


Sexta-feira foi dia de comemorações, com a manhã hasteando a bandeira em Marvão, não faltando a banda, a música, muitos discursos e um beberete com a população. À tarde, houve missa e procissão fazendo gincana por entre os vendedores. O bezerro não apareceu, ou pelo menos não o vi, e os puristas torceram o nariz.



Antes do espectáculo da Escola de Música da Associação Cultural a que presido, no palco central, o Professor de Música propôs-me a actuação de uma banda “a precisar de rodagem” para animar os presentes enquanto os nossos alunos chegavam. Eu disse-lhe que sim, “mas ó professor, veja lá o que é que tocam! Olhe que aquilo a essa hora é assim pessoal da mais idade…”. “Ah, não tenha problema, ó Vereador, aquilo é assim música conhecida”. Eu fiquei tranquilo mas por pouco tempo, sobretudo quando vejo um jovem de cabelos pelos ombros a carregar com uns amplificadores. Assim que o vocalista se chegou à frente, anunciou uma cover dos Red Hot Chilli Peppers e eu vi logo que a coisa estava boa para assar! Eu a ranger os dentes na esplanada do Lino e o pessoal a bater em retirada assim para longe para não levar com um riff de guitarra dos Scorpions em cima, ó valha-me Deus.

Vá lá que aquilo não durou muito e a coisa acalmou com a chegada dos clarinetes a assobiarem o “Obla-di, Obla-da” dos Beatles. Aaaaaaaaaahh. Assim está melhor.

A noite foi de nervos e de glória com a primeira actuação dos dois grupos de teatro da Associação de Cultura e Acção Social de Marvão. A sala cheia e eu com um nervoso miudinho a tomar conta de todo o organismo. Estava pior que a bicha do La Feria neste papel de produtor. Foram muitos meses, muitas horas de trabalho e eu só me lembrava do único ensaio completo a que assisti, em que parecia que ninguém sabia o papel, numa autêntica cena para os apanhados. Aquilo perturbou-me de tal maneira que passei a noite a sonhar que lhes gritava os papéis e eles a rirem-se uns para os outros. Graças a Deus correu tudo bem e vivemos todos os presentes, uma noite mágica daquelas que havemos sempre de recordar. Os miúdos todos ao melhor nível e as pessoas a saírem no final com “aquele” sorriso que compensa tudo para trás.


Sábado foi dia de festa brava com o festival taurino e a noite de flamenco e sevilhanas. A Praça estava cheia, a tarde magnífica, os cavaleiros de primeira água, a banda certinha e redobrada em pasodobles… tudo 5 estrelas. Falharam as vaquinhas da ganadaria “Casa da Avó” que tem de lhes começar a deitar mais alpista porque assim com esta ração nunca chegam a marrar. Os forcados protagonizaram boas pegas e o que se evitava era a verdadeira cena de pancadaria final que quase transformou a praça num estádio de futebol. Após a última lide, quando o forcado da cara brindou a última pega à assistência, para gaúdio dos presentes, o médico da corrida fez sinal (e bem!) ao director para não autorizar a pega porque um ferro ameaçador, cravado bem no lombo do animal, ameaçava por em risco a integridade dos homens da jaqueta. A nega provocou a revolta dos mesmos e tudo se complicou quando dois ou três que estavam à paisana na bancada instigaram a revolta ao saltarem para o redondel, evitando a entrada do touro e das chocas nos curros. Armou-se a confusão geral com o pessoal de apoio da Casa do Povo e tudo descambou para uma cena de soco e empurrão que ninguém conseguiu conter, enquanto os resistentes tentavam pegar o cornudo debaixo de um coro de assobios. Foi a nódoazita no melhor pano e a segunda tourada da tarde.

A noite foi de consagração com umas sevilhanas de Barrancos, bem mexidas e bonitas a abrirem o espectáculo de José Lito Maia, memorável a todos os títulos. Desde os fados mais carnais aos ritmos mais ciganos, José Lito, o Elvis do flamenco, a todos tocou com a magia da sua arte. Eu, que já tinha há meses o “Vamos pra Barbacena” como toque no telemóvel, também não resisti aos ritmos bem esgalhados e tive de me conter para não chorar, berrar e arrancar os cabelos como se estivesse num concerto dos Beatles. Na sessão de autógrafos, prometeu-me os cds que aguardo com expectativa. “Po shôtore: do Jeselito, com amizádi!”.



O grande e único José Lito performa um medley bem gitano ao vivo no GDA


Domingo houve milha e caminhada com perto de 400 almas a fazerem desporto pelas nossas ruas e veredas. A coisa meteu almoço no pavilhão e serviu de ponte para o jogo com os infantis do Sporting que, depois de estarem a perder por dois a zero, ainda deram a volta ao marcador e nos pintaram a Taça do Município. Foi pena. Se tivéssemos ganho, a taça revertia para a instituição e já tinha que dar para o ano. Assim, há mesmo que comprar outra… Soube só depois que andava lá um escurinho que era filho do Jardel. Se me tivesse apercebido antes, tinha-lhe pedido o telefone da mamã Karen só para lhe dizer que gosto muito do “Futebol de Saltos Altos” e de mais alguns dos seus atributos…


Reparem só na pontaria do atirador...



A matinée da discoteca, ao contrário das noites antes, esteve fraca, a garraiada esteve animada e a noite fria mas com bons espectáculos: o Cantareias cumpriu e viajou pelo seu popular repertório com muita gente a acompanhar as letras e as melodias, o Rancho esteve certeiro e com muitos pares em palco num sinal de renovação e pujança. Nota muito positiva para o novo speaker, o Pedro Jesus, ainda com pouca experiência mas com muita alma. Foi uma prestação competente e animada dos dois embaixadores culturais do concelho.
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Os CantAreias cantam Santo António
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O famoso "Tacão e Bico" pelo Ranho Folclórico da Casa do Povo de Santo António das Areias

O arraial que fechou os festejos foi belo mas muito de perto. A cachopa ao meu lado dizia que mais parecia “a guerra dos Iraques” e tinha razão. Aquilo mandava faísca de tal maneira próxima que o pessoal correu todo para os cafés para se abrigar. No rescaldo que sempre faço, para o ano, levo uma proposta de lançamento a partir da Praça de Touros. Assim vemos todos e temos menos hipóteses de ir para casa com um morteiro enfiado no rabo!

Eu, para manter a tradição, ainda comprei uma massa frita que aqueci no microondas e acompanhei com leite morninho. Ai bom! Xixi, cama.

Foi um São Marcos a seco e foi tão bonito.

A gente quando não bebe tem menos alegria mas vê tudo tão mais nítido.

Tens razão Rui, isto no fim dá sempre pena.

Para o ano, se Deus quiser, há mais!
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Nota final de felicitações para todas as instituições da terra que se uniram para juntas, fazerem umas festas inesquecíveis. Parabéns à Junta de Freguesia, ao Grupo Desportivo Arenense e sobretudo à equipa da Casa da Povo, que felicito na pessoa da sua incansável presidente, Cristina Novo, sempre na linha da frente, somando sucessos que dignificam a localidade e o concelho.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

EXCLUSIVO! Revista RABOS já nas bancas!

(clique para ampliar)


Nota do editor: Beijo grande à minha querida amiga Emília Mena. Estava-se mesmo a ver, não estava?

terça-feira, 22 de abril de 2008

O Colapso


Na escola ensinaram-me que as instituições são uma realidade que prevalece ao longo das gerações.

Para se ser uma instituição, não basta a designação no nome, é preciso que os anos passem e ela permaneça, como elemento lapidar de uma sociedade.

E as sociedades precisam de instituições como de pão para a boca porque elas são a argamassa que sustenta todo o edifício.

As instituições são um garante de estabilidade, são elementos reguladores do mecanismo social central, são o que fica para lá das convulsões.

Neste preciso momento, duas instituições com as quais me identifico e às quais me sinto umbilicalmente ligado, o Sport Lisboa e Benfica e o Partido Social Democrata, atravessam períodos negros e bastante conturbados da sua história.

O Benfica, incapaz de combater com os argumentos de outros tempos a hegemonia que sopra de norte, é hoje um pálido reflexo do clube que me habituei a adorar. Sem voz de comando, sem uma direcção firme e convicta, sem estratégias para o futuro, sem espinha vertebral interna, é hoje um navio à deriva. A equipa de futebol sénior, aquela que há-de sempre ser o seu rosto, é hoje uma pandilha de almas penadas que vegeta sem rei nem roque, semeando a desilusão por onde quer que passa. Depois de rios de dinheiro gastos em contratações de pura comédia, olhamos para as chuteiras rotas com as mãos cheias de nada, sonhando com o passado e querendo fugir para não ter de aturar o que se avizinha

O PSD, a um ano da ida às urnas, enrola-se aos pés do PS de Sócrates como se fosse um gatinho de estimação, entregando literalmente o ouro ao bandido, revelando-se incapaz de dar resposta cabal, vítima de uma luta fratricida pelo poder interno. Quando era altura de escolher quem é que se chegava à frente para lutar com o calmeirão do bairro, atiraram-se todos para o chão, fingindo-se mortos, à espera que lhe assinassem a derrota na secretaria. Voltas e mais voltas dará na campa o que resta do pequeno grande Sá Carneiro perante tamanha devassa e desorientação. Depois dos três reinados de Cavaco, do interregno guterrista, da reconquista e fuga europeia de Durão, do delírio Santanista e da hegemonia Socrática, resta-nos o vazio.

Não servindo o pequenote esforço do não maior Marques Mendes, saiu-nos na rifa um Presidente de comédia que nem sequer o rabo metia no parlamento. Tocaram os sinos a rebate para o baile dos barões, famintos de carne fresca e hei-nos na rua a tocar acordeão de óculos escuros com a lata à frente.

A esta altura, meia dúzia de canastrões teorizam o inexplicável com a natural sobranceira nos ecrãs do 1º canal.

Vergonha.

Primeiro ensinaram-me que as instituições são aquilo a que nos podemos agarrar quando nos falta o resto.

E agora fazem-me isto…

Com tanta desgraça junta, só me falta chegar a casa depois de um dia de trabalho e apanhar a minha mulher sentada na cozinha a fumar um SG Gigante.

Ele há cada uma…

domingo, 20 de abril de 2008

No Olimpo do Humor


Os Monty Python foram a mais demolidora máquina de fazer rir alguma vez criada.

O riso percorreu um longo caminho desde que o homem primitivo deixou acidentalmente cair sobre o dedo mindinho do pé, o seixo rolado com que rasgava a carne da presa recém abatida, provocando uma reacção inusitada nos companheiros que o rodeavam. Toda essa linha evolutiva que atravessou eras e civilizações culminou neste grupo de 5 jovens britânicos que no final dos anos 60, princípios dos 70, revolucionaram para todo o sempre os mecanismos que conduzem à gargalhada.

Quem vive actualmente do humor, seja em que parte do mundo for, presta sempre homenagem a esta trupe fabulosa de cada vez que lhes perguntam qual a sua referência e maior fonte de inspiração.

Herman José; os Gato Fedorento, toda a equipa das produções fictícias que está por detrás de grande parte do humor que se faz hoje no nosso país (seja no Contra-Informação ou no humor radiofónico); o Jel e os loucos da “Luta Continua”; os cabecilhas do stand up comedy e todos aqueles que têm o riso na profissão, lhes prestam com frequência vassalagem.

Mas o prestígio dos magistrais Python está longe de se esgotar na Europa. Do outro lado do atlântico, gerações de cómicos inspiraram-se e reinventam-se na eterna inspiração das suas obras: Matt Groening, criador da saga dos Simpsons (RTP2); Jerry Seinfeld (SIC Radical); Conan O’Brien (SIC Radical); Matt Stone e Trey Parker, pais da série South Park (SIC Radical), todos eles veneram o legado que nos deixaram.

Todo este burburinho porque John Cleese, Michael Palin, Graham Chapman, Eric Idle e Terry Jones decidiram um dia partir literalmente a louça toda no canal estatal BBC, quando montaram o seu “Circo Voador” que alguns de nós pudemos admirar há muitos, muitos anos atrás na RTP, a horas, claro está, bem proibitivas.

Sem tomar qualquer tipo de precaução e sem guardar a mais mínima distância de segurança, estas soberbas inteligências humorísticas apontaram sobre a conservadora sociedade britânica e dispararam em todos os sentidos. Da igreja à família, da política à justiça, das tradições ao futebol, nada, nada mesmo escapou à sua abordagem cáustica.

Senhores de um humor que ia do mais simples ao cerebral, sempre com uma forte veia intelectual, coroaram-se a eles próprios num pedestal bem oposto ao imediatismo grosseiro de um Benny Hill ou do universalismo actual de um Mister Bean.

Os Monty Python eram muitas vezes incómodos, sádicos, perturbadores e personificaram a verdadeira e última provocação.

O seu legado passou também pelos filmes com clássicos absolutos como “O Sentido da Vida”, a “Vida de Brian” ou “Em busca do Cálice Sagrado”, jóias que não podem faltar na dvdteca ideal de quem ama uma boa gargalhada e os meus exemplares estão sempre em lugar de destaque.

Assim, como podem calcular, a expectativa para o espectáculo de ontem à noite no Centro de Artes de Portalegre, cada vez mais a NOSSA sala, era enorme.

O facto de ter sido adaptado para a nossa língua mãe por Nuno Markl, esse, o que mordeu o cão e um dos adoradores-mor dos génios britânicos descansou-me à partida. O espectáculo trazia no currículo excelentes críticas da sua estada no Casino da capital e da sua digressão nacional e a prova evidente disso mesmo era uma assistência a roçar o pleno se é que não estava mesmo no limite.

Para falar depressa e bem, o show vale cada cêntimo dos 15 euros cobrados. A selecção de sketches é irrepreensível, o ritmo é estonteante e hipnótico, o recurso às aplicações multimédia muito bem encaixado e as interpretações muito próximas da perfeição.

António Feio passa muito bem e brilha no quadro do produtor maniento que detesta a graxa dos argumentistas; Bruno Nogueira, claramente fora do seu registo preferencial é competente qb, sempre em postura low-profile; Jorge Mourato esforça-se para estar ao nível do nome dos colegas e sai-se muito bem, brilhando mesmo no número musical dos operários da construção civil; José Pedro Gomes está ao seu melhor nível e arrasa na velhinha do concurso da “Marretada na cabeça” e no Papa que reclama a “Última Ceia”; mas é Miguel Guilherme, cada vez mais soberbo actor e reafirmando-se como genial comediante que leva os louros da glória. Simplesmente perfeito! Sempre com um feeling, um ritmo, um balanço de quem está como peixe na água, num universo que é também o seu, eleva-se acima de todos e carrega os textos e as interpretações mais exigentes e mais rentáveis como são o comprador do papagaio morto, o Miguel Ângelo gay que insiste em 4 Cristos e dezenas de discípulos na última refeição do Messias, ou o homem que dizia os “k” mas não dizia os “C”, no qual ridiculariza os turistas portugueses num retrato delicioso que o leva à loucura pela sala fora.

“Os melhores sketches dos Monty Python” são perto de duas horas de viagem na montanha russa que é o legado deste grupo inesquecível. Para mim, chegava a cena da piada mortal que de tão boa que era bastava para fazer morrer de rir quem a lesse... De ir à lágrimas…

Mas entre muitos outros momentos, ficaram ainda gravados com chave de ouro, o desabafo dos magistrados travestis ao chegar a casa; a esquadra da polícia em que os agentes só ouviam em timbres diferentes; o agente funerário canibal que propõe ao jovem um assado do corpo da falecida mãe e os fora-da-lei que só agiam dentro da lei.

Certamente, muitos saíram com a sensação de que esperavam terem-se rido mais mas essa possível desilusão só se pode explicar a quem avança com determinadas expectativas para um tipo de humor completamente imprevisível e desvairado.

No cimo do cimo do bolo, dois momentos que foram de absoluta e profunda magia e reparei que em qualquer um deles provavelmente nem me ri mas apenas sorri perante a divinal criatividade subversiva, num sorriso que para mim vale muitas mil gargalhadas que às vezes dou ao desbarato: o regresso do filho do dramaturgo ao lar depois de ter renegado as suas origens e ter ido trabalhar para uma mina; e a cena dos ricaços que fantasiam e mentem sobre a miséria do seu passado, entre flutes de champanhe, cada um tentando ir mais longe que o outro na dureza da sua condição.

Génio absoluto!

E então é assim, meus amigos, se vão na linha dos Malucos do Riso, do Fernando Rocha ou do Camilo, fujam daqui que isto não está para brincadeiras.

Se por outro lado querem assistir ao melhor humor de sempre, numa produção que certamente orgulharia os próprios criadores, não percam este barco que o mais certo é ir ao fundo.

Nota final de agradecimento, com um abraço, para as companhias do serão, cada vez mais próximas e agradáveis. Bem hajam pela vossa amizade e boa disposição.

Apontamento breve mas reconhecido ao bar Tapas, no renovado mercado municipal, elegante e cheio de vida, que conhecemos segundo indicação e deferência do meu amigo Luís Martins da Renault, o decano dos vendedores de automóveis na cidade e o charme em pessoa. Ora aqui está uma bela proposta gastronómica com óptimo ar e decoração, e melhores petiscos por preços nada proibitivos. Um sítio onde se pode estar, comer e conversar como a capital de distrito já merecia há muito. 4 estrelas no guia Michelin-Sabi, com grande margem de progressão. Sorte para a rapaziada jovem que apostou e já ganhou.

Ó pessoal: quando é que há outro?