terça-feira, 20 de maio de 2008

Let’s get physical!


Começam hoje as aulas de Aeróbica da Associação de Cultura e Acção Social de Marvão, que irão decorrer todas as semanas, às terças e sextas, das 19.30h às 20.30h, na Piscina Municipal Coberta de Santo António das Areias.

E é bem verdade que se alguma coisa mudou de há quase três anos para cá, muito tem também a ver com isto, com o facto de as pessoas de todas as idades do concelho e não só, terem agora ao seu dispor, um consideravelmente vasto leque de ofertas válidas para ocupar os seus tempos livres, com a prática de actividades saudáveis e pedagógicas.

Agora temos o Judo, a Dança Contemporânea, a Natação e o Teatro para os mais novos, para além das já existentes Escola de Música e o Futebol do GDA; o Yoga (às 2ªs e 5ªs) e a Aeróbica para o pessoal mais jovem e para os adultos, para além da já existente Ginástica Aquática. Muito por onde escolher, em diversos horários adaptados, para que não haja desculpas.

Por 20 euróis, que qualquer um está sem eles, todos podem ficar em forma com as 8 aulinhas por mês. Se fizerem bem as contas, são 2 moedas de euro mais uma de meio por lição, o que não é nada se atendermos a que dão direito a uma sala com todas as condições, espelhos incluídos, e direito ao duchezinho retemperador no final.

A senhora professora, com mais de 10 anos de experiência, dá-nos garantias de continuidade e estou certo que vai tudo ser um sucesso. As inscrições já vão nas 16 e tenho a certeza que vão aumentar à medida que o tempo passe.

E é bom isto, porque assim, fazendo desporto, evitamos as consultas nos médicos e até anda tudo com outro sorrisinho estampado no rosto.

Eu, desta vez, e até porque o público é exclusivamente feminino, vou dar a vez à esposa e vou ficar em casa com a cria. Mas se tudo fosse como no video do Eric Prydz, “ai mãezinha!”, nem que eu pagasse a uma babysitter, mas quem não falhava sei eu quem era…

“e 1, e 2, e 1 e 2 e 3 e 4… e 1, e 2, e 1 e 2 e 3 e 4…”



segunda-feira, 19 de maio de 2008

Histeria Lagarteira

Imagem que recebi via mms do meu irmão, com a legenda “A Taça é nossa!”.

É preciso estômago para aturar isto! Não basta já ter feito sócio o meu afilhado, à traição!


Eu devo mesmo ser um grande benfiquista e não digo isto apenas pela paixão que sei que sinto cá dentro, mas também pela reacção que o meu fervor clubístico desperta nos outros, sobretudo nos adeptos de clubes adversários do meu.

Tudo isto a propósito da vitória do Sporting na final da Taça de Portugal. Eu não sei o que é que deu na lagartada que decidiram todos fazer paragem obrigatória na caravana à minha porta. Eram não mais que dois ou três gatos pingados, ainda por cima espaçados entre si, mas fizeram com que isto aqui ao meu portão parecesse a casa da Santa da Ladeira…

Tocavam as buzinas, gritavam pelo Sporting, chamavam por mim, desafiando-me.

Eh,eh.

É claro que nem sequer me dei ao trabalho de ver quem era, mas imagino bem quem pudesse ter sido.

Totós!

E não me venham com a conversa de “ah, se fosses tu fazias o mesmo” porque em nenhum dos títulos que ganhámos recentemente (campeonato e taça), me meti feito parvo a tocar a buzina à porta de outros.

E o melhor disto tudo é que o jogo nem sequer era nada connosco, o que adensa ainda mais o mistério e causa verdadeira estranheza.

O Churchill, puta sabida, dizia que queria os amigos perto mas os inimigos mais perto ainda, para saber o que andavam a tramar. Eu até acho bonita esta manifestação digamos que… de respeito por parte da outra rapaziada. Que vos aproveite bem.

O jogo, à excepção do prolongamento, até foi uma bela merda. Uma verdadeira seca. Zero a zero no final dos 90. Se fosse com o Benfica, aquilo havia de ser golos a torto e a direito, nem que fosse na nossa baliza, mas ao menos a malta animava.

Como a minha filha me expulsou de casa, até fui ver o desafio no ninho do inimigo, bem no meio da lagartada, mas sem sequer abrir bico. É importante notar que não levei comigo nenhum artefacto provocatório, nada de cores garridas, nem equipamentos ou logos que pudessem ferir susceptibilidades. Fui de uma correcção louvável mas mesmo assim, não me escapei disto.

Vejam bem que até visionei a partida acompanhado do lagarto do meu irmão e nunca sequer disse nada, caraças! e vai na volta. Se tenho sabido… bem os tinha f****o a todos!

Pois bem, a essa meia dúzia de lagartos que andam para aí aos gritos: “Aproveitem-na bem, pá! Metam-na no tal sítio bem aconchegadinha! Olhem que pode muito bem ser a última!”.


PS: Eu até fiquei contente que o Porto tivesse perdido. Adorei ver o Lucho, o Bruno Alves e o Bosingwa a chorarem. Foi lindo! Mas se tivessem perdido as duas equipas, não tinha vindo mal nenhum ao mundo.

Vai uma tocha, Zé?


A semana que passou foi rica em acontecimentos nacionais e catástrofes internacionais mas de tudo o que eu vi nas notícias, do que mais gostei, para além da máscara de Carnaval que a Manuel Moura Guedes usa nesta nova encarnação televisiva, foi do episódio do cigarro do Sócrates.

O Sócrates é realmente um tipo fora-de-série e eu até compreendo que os líderes do PSD se auto-aniquilem perante ele. Não deve ser fácil ser oposição com este gajo.

Dizem as crónicas que quando atravessava o Atlântico ruma à Venezuela, o nosso Zé decidiu acender “uma baja” e “esbajear” um cigarrãozão em pleno voo. O rapaz é bem disposto, o rapaz estava à vontade e ia-se lá agora importar que a bordo seguissem também jornalistas e empresários que podiam não achar piada nenhuma a esta libertinagem? Mas o povo é velhaco, a coisa correu mal e alguém deu “com a boca no trombone” colocando o nosso PM em maus lençóis.

Agora vejam bem a ingratidão da coisa! O nosso Zé deu boleia àquela rapaziada toda para que pudessem fazer pela vida, noticiando ou negociando, e os grandes cabrões cuspiram na mão que lhes deu de comer.

Não se faz!

Apanhado neste imbróglio que a muitos assustaria, o nosso Zé jogou com a habitual tranquilidade e foi com cara de menino de coro e com a sua habitual naturalidade que fez o “mea culpa”. Bateu com a mãozita no peito, pediu perdão e deu a estocada final:

Como quem disse, “vejam bem esta pardalada a incomodar-me por causa dos cigarros”, chegou-se aos micros e anunciou: “Caros Portugueses, garanto-vos que nunca mais voltarei a fazer o mesmo porque decidi deixar de fumar”.

Vejam bem o nível! Ai querem guerra? Então fiquem com os cigarros todos! Bem José!

E fez mais! Dias depois, quando chegou com duas horas de atraso a um encontro de militantes socialistas em Braga, por ter passado pelas urgências do Hospital de Santo António no Porto a causa de um estado febril provocado por sintomas pré-gripais; usou uma ironia de fino recorte dizendo que o caso não era de cuidados e que também podiam descansar, uma vez que não se tratava de alguma síndrome de abstinência relativamente ao facto de há cinco dias não fumar.

Espertalhão, o bicho! Fica lá a remoê-las e quando pode, ferra a picada.

O gajo está forte e resiste e da maneira como corre, dificilmente sairá do poleiro como o Salazar. Este é muito pouco provável que caia da cadeira e nem nós queremos isso.

Há que saber lidar com ele, não fazer cedências e muito menos menosprezá-lo porque sabe bem o que anda cá a fazer.
-
-

Bestial o cartoon de António Jorge Gonçalves para o Inimigo Público nº 243

Mamando o ouro negro com a "baja" detrás das costas...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Tu... Leonor


A ideia deste vídeo surgiu-me da primeiríssima vez que ouvi esta música.

Era a primeira audição do novíssimo e brilhante disco da estreante Adele e eu tinha acabado de subir aquilo que eu chamo “a barreira” da Nave, um troço mais inclinado de um dos meus percursos.

Depois daquele duro desafio, quando retomava os níveis e recuperava a respiração, surgiu-me esta melodia belíssima e comecei a ver as imagens a desfilarem na minha frente. Pensei, “esta é a música perfeita para uma declaração de amor”. Parecia encaixar.

Andei dias e dias a matutar na ideia até que chegou a hora de mergulhar nos muitos, muitos gigas de fotos organizados por pastas ordenadas sequencialmente. Foi difícil a selecção de entre tantos momentos bons. Depois, de um monte saíram algumas e dali foram apuradas outras e acabou por ser uma escolha do momento, irrepetível portanto.

Acho que nem eu estava preparado para o resultado final que vi no escurinho da sala, com as mãos a tremer.

Não é fácil dizermos a alguém o quanto a amamos quando o amor é tão grande. Parece que há uma parte de nós que lhe custa sair, expor-se e deixar de ser só nossa.

Quis fazer uma prenda que tu pudesses ver e rever as vezes que quisesses quando compreenderes melhor o que está por trás. Agora, dizes-me só que a música é triste.

Não é querida. Afinal, até é bem alegre. E tem tudo a ver.

Já bem bastam as declarações que quis fazer e a vida não deixou.

Agora, hei-de sempre fazer todas as que puder. Sempre!

E esta é para ti.




É um crime perder “O Crime”




Continuo a minha missão de espalhar pelo mundo a palavra do jornal “O Crime”.

“O Crime” é cultura, “O Crime” é jornalismo de primeira água, “O Crime” contêm notícias de categoria e é uma excelente companhia para o seu dia-a-dia.

É certo que a leitura d’ “O Crime” não dispensa a consulta de outras publicações que o complementam, mas em nenhuma delas pode o leitor encontrar tão gostosa prosa.

“O Crime” é o meu refúgio, o meu álibi e já justificava uma cadeira no doutoramento em Comunicação Social de qualquer universidade que se preze.

Ahhh, “O Crime” é muito bom e este número 1345 é particularmente sumarento.

Em primeiro lugar porque traz na 1ª página, um destaque no topo para o Padre Frederico, essa mistura de vilão de banda desenhada com o Benny Hill que já faz parte do imaginário de qualquer amante do CSI. O reverendo acusa a Judite no caso Maddie e faz ele próprio uma análise capaz de deixar o Moita Flores de queixo “à banda”.

Muito espectacular também é a entrevista com um especialista do mundo do sexo que diz que as universitárias portuguesas vão facturar imenso em Pequim. João Alves da Costa, de 59 anos, autor de obras incontornáveis como “Portugal erótico” e “Mil lésbicas submarinas” fala-nos das orgias olímpicas e do dvd sensação que vai lançar com contactos de 92 mil acompanhantes sexuais de luxo do mundo inteiro. Fabuloso! Vou já ali encomendar!

Na página anterior, a história de Manuel Rodrigues, de 80 anos, morador do Bairro da Boavista, que não conseguia resistir à tentação e acumulou 20 toneladas de lixo em casa que levavam os vizinhos à loucura. O velhinho não podia passar por um engaço de maçã na rua que não tivesse de o levar para enfeitar a sala. “Havia ratazanas do tamanho de gatos”, confessou uma moradora, dando pistas para uma reportagem especial dedicada ao sobrenatural. Bem merece!

Vividamente real também a história da rede de funerárias nos Estados Unidos que roubava órgãos dos defuntos e os vendiam à peça. Grande peça de Emanuel Câmara.

E nas centrais, a estrela da companhia, a cerejinha no cimo do pastel, a reportagem de Luzinete Melo sobre a reencarnação, onde desmistifica aquilo que os nossos famosos foram em vidas anteriores. Ali pode saber que Cristiano Ronaldo foi uma pastora em Inglaterra, Luís Filipe Vieira foi uma serva das forças ocultas; o Pinto da Costa, uma cozinheira em Sumatra; o José Sócrates, um astrólogo na Ucrânia; a Manuela Ferreira Leite, um padre na Ucrânia; o Santana Lopes, um domador na Índia, o Herman José, um carrasco na Mongólia e o Tony Carreira, uma filósofa no Irão, como transparece aliás, das letras das suas canções mais orelhudas.

Ao ler isto, eu próprio tive uma revelação de que noutra encarnação fui o Sandokan porque levo a noite a sonhar com tigres da Malásia e com o Kabir Bedi de cuecas a cantar ópera.

“O Crime”…espectacular!

Da próxima vez, deite fora o Expresso e o Público e os demais pasquins da praça e converta-se à literatura de qualidade.

Uma nota final para o correio do leitor que é respondido pela boazona da Maria Odete, especialista de tudo e doutora em nada. A leitora Dulce Correia, de Cascais, escreveu que “o meu marido quer que lhe bata” (não disse foi onde e no quê, mas bem…) e a nossa Maria Odete respondeu-lhe à letra: “Vá com ele a um especialista mas enquanto aguarda… chegue-lhe a sério. Ao menos ele gosta e a minha amiga aproveita!”. Muito bom! Ninguém mais dá conselhos assim.

“O Crime” vale mesmo muito a pena.

Corra antes que esgote!

domingo, 11 de maio de 2008

Agora e sempre... o único e irrepetível Maestro


Nesta noite em que a época acabou na desgraça há já muito esperada, resta-nos prestar a devida guarda de honra ao nosso maestro que ainda assim conseguiu encher a catedral para a mais que merecida vénia.

O teu sorriso de menino…

Um senhor. Um cavalheiro. Um estratega brilhante e um prodígio com a redondinha nos pés.
Um gigantesco embaixador do Glorioso e um orgulho para a família benfiquista.

As tuas lágrimas contidas e emocionadas foram as nossas também.

Soubeste sempre, sempre estar à altura.
És grande!

Como dizia a faixa, e bem, “Obrigado pelo passado, pelo presente e pelo futuro”…

E tanta esperança que nós depositamos em ti para o que há-de vir.

Que Deus te abençoe sempre, campeão!

A vida por um canudo


Uma página da revista do semanário SOL que consegue meter dentro de uma frase muito daquilo que se pode dizer e pensar sobre os limites da sobrevivência e sobre a ambiguidade do conceito de felicidade.

Para o Miguel, um tubo serve…

Eu gostava de saber o que é que pensam disto, os yuppies que vivem nos apartamentos de muitos milhares do Parque das Nações, os que acumulam volvos e “bms” na garagem, só vestem fatos feitos por medida, coleccionam os gadgets da moda, vivem rodeados de alta tecnologia e fazem sempre férias no estrangeiro e ainda assim, se afogam em tranquilizantes e vivem em piloto-automático, sem conseguirem ser felizes por um segundo.

Novo fôlego


Fui convidado para ser mandatário concelhio da candidatura da Dr.ª Manuela Ferreira Leite à presidência do Partido Social Democrata e foi nessa qualidade que me desloquei ao Museu das Tapeçarias de Portalegre, para assistir à sessão pública de Sexta-Feira.

Quando já no átrio, uma menina de óculos de massa preta acompanhada de um cameraman pergunta-me o porquê do meu apoio e eu digo-lhe que a Dr.ª Ferreira Leite é, de todos os candidatos, a única que confere ao partido a credibilidade necessária para poder fazer frente à hegemonia socialista.

Depois do óbvio erro de casting de Menezes, depois da cinzenta prestação de Marques Mendes, depois do delírio Santanista e da fuga de Barroso, o partido precisava de alguém assim como de pão para a boca.

O seu precioso legado governativo, a intocável honestidade, o profundo sentido de estado, a imagem de seriedade e o enorme pragmatismo promoveram-na ao estatuto de potencial salvadora não só de um partido em escombros mas também do próprio país.

Muitos perguntarão ainda, mas que raio faz este gajo ali.

A minha relação com o PSD é de toda a vida e esta paixão, como as próprias devoções clubísticas, foi-me passada no seio familiar, sobretudo pela minha querida tia Cali que sempre acalentou uma admiração muito particular pelo partido.

Lembro-me bem do Sá Carneiro, lembro-me bem das notícias na noite da sua morte, lembro-me bem da Aliança Democrática com o CDS e o PPM, e desde então, eu e o partido, temos sido contemporâneos e crescemos lado a lado.

Recordo-me dos autocolantes do Mota Pinto, do Balsemão e da louca campanha às Presidenciais do Freitas do Amaral. Curiosamente, no período dourado do Cavaquismo, foi quando menos me senti próximo e quando andei mais arredado pelos lados mais à esquerda. Hoje sei olhar para trás e ver a importância do toque do professor que teve a particularidade mudar radicalmente a face do país.

Depois veio o Guterres, bom no início, justificando a transição, terrível no final. Após a célebre caída nas autárquicas parecia que voltaríamos ao de cima mas tudo foi por água abaixo com as deambulações que todos conhecemos de ginjeira.

Em termos locais, apoiei sempre Presidente Andrade, trabalhei imenso na candidatura de Joaquim Barbas em 2002, e candidatei-me como independente com o actual presidente, tendo chegado à Vice-Presidência com 32 anos.

Quando passou um ano da eleição, nesse preciso dia, tomei uma decisão: telefonei ao nosso Cabo-Chefe Simão, pedi-lhe uma ficha de inscrição e tornei-me militante. Reflecti muito sobre isso e decidi que dali não havia volta a dar e era hora de oficializar este casamento.

Apesar de não me rever nas manobras e jogadas actuais da Concelhia, mantenho-me como ser pensante e militante de pleno direito, com as quotas em dia, vivendo o meu partido com consciência.

Persiste hoje em dia uma ideia extremamente estereotipada daquilo que é ser de direita e de esquerda.

Eu digo que quando de extremos, tão má é uma como é outra e para tal basta metermos o Hitler de um lado do balancé e o Estaline do outro e estamos conversados.

Como as políticas estão hoje tão esbatidas, eu prefiro falar em social democracia e digo sempre que o MEU PSD, O MEU PSD, não é o do Alberto João Jardim, nem o do Isaltino Morais, nem o do Valentim Loureiro.

O MEU PSD é o PSD do Sá Carneiro, é aquele que é fiel à lógica inicial e tive hoje a certeza, é também o PSD da Manuela Ferreira Leite.

Num tom quase em família e com o sentido prático que lhe é de resto unanimemente reconhecido, provou a todos os presentes que quase enchiam o Auditório, porque razão o futura laranja passa inevitavelmente por ela.

Depois de analisar o crítico cenário político interno em que nos encontramos, enunciou as razões porque decidiu avançar e qual a linha orientadora da sua actuação, não contrária mas sim divergente da dos restantes candidatos.

A melhor notícia é que com Ferreira Leite, o PSD regressa ao espírito inicial e à pureza da Social Democracia, com a visão de um Estado longínquo do actual totalitarismo, que sabe incentivar e respeitar a iniciativa privada indispensável para uma economia florescente, que se preocupa sobretudo com os mais carenciados e os mais desfavorecidos.

Com Manuela Ferreira Leite o PSD afirma-se como um partido inter-classista, transversal a todos os extractos e a todas as facções da sociedade, repudiando visões de elites e minorias e bebendo da força de todos os que se congregam à sua volta.

Com este novo “velho” PSD, o indivíduo volta a estar no centro das políticas e o bem- estar do País sobrepõe-se a todas as outras realidades.

No contacto directo com a assistência, reconheceu que os governos, todos os Governos falharam nas políticas de gestão do território que resultaram nas actuais assimetrias; assegurou que caso vença irá trabalhar com todos os que estiverem disponíveis e que a solução de uma empreitada desta ordem de grandeza só se faz com equipas bem preparadas e motivadas.

Como corolário, uma frase que me ficou: “eu quero provar, nem que seja para experimentar, que também se ganham eleições dizendo sempre a verdade!”.

A sua frágil fisionomia solta uma mulher de garra e verdade que vai certamente, quando por sua conta e risco, dar muito que falar.

Nota de destaque para a apresentação brilhante de um António Borges pleno de carisma e confiança, com uma segurança contagiante apesar do aparatoso acidente de automóvel de que fora vítima nessa tarde, digno de deixar qualquer um a abanar mas que mal passou por ele. Notável!

Quanto a ti, será que é desta, Manuela? Será que é desta, PSD?

Ronaldo entorna o caldo


O episódio do Ronaldo com os travecas é pura delícia e merece uma chamada de atenção.

Quando a fama, a velocidade e a técnica, os amigos e os milhões se vão, fica o vazio.

Agora que só o cabelo e a barriga crescem e tudo o resto desce a pique, o craque bateu no fundo.

Operado em Fevereiro a uma lesão no joelho que o há-de “pôr-de-molho” durante 9 longos meses, o tareco procurou diversão para “levantar o astral” e vai daí, decidiu levar consigo as três bonequinhas que trazia debaixo de asa na boîte da barra do Tijuca onde passou a noite. Quando já no Motel, o homem solta a fera, manda-se à febras e quase morre de susto quando descobre que são “de chicote”.

Realmente não se faz! No meio de tanta desgraça, um gajo procura um aconchego e saem-lhe três carapaus destes na rifa quando a coisa estava meio encaminhada para o “bem bom”.

Decidido a levar avante o descontentamento, vira-se às majoretes e desanca-as num ensaio de porrada que só não vai mais longe porque as “meninas” saem em fila pirilau e passo de corrida em direcção à delegacia mais próxima.

“Tô contigo, ó rapaiz! Pensi que nem tudo é mau, pôxa! Afinau, você continua no Milan e a garota essa não podji engravidá! Não vai têr filho ilegítimo, não!”.

PS: Com uma carinha destas… as cervejas tinham mesmo de ser muitas!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A promessa


Prometi-lhe que acontecesse o que acontecesse, era eu quem a ia buscar hoje à escola.

Eu sabia que jamais se iria esquecer.

Foi por isso que não me surpreendi quando o telemóvel acusou o toque da Secretaria, ainda antes das 5 e meia.

“Está Pedro? Olhe… ela diz que é o pai que a vem buscar. Pediu-me para lhe ligar… Diz que hoje não é a avó… é o pai. E como não se cala… é que o professor de ginástica faltou e ela já está despachada…”.

“Vou num momento”.

Quando cheguei, estava deitada na portaria, abraçada à amiga Beatriz, debaixo de um casaco, fingindo que estavam a dormir. Eu entrei na dança e foi com uma gargalhada das duas que lhes descobri a careca.

Já no carro, perguntou-me, “onde é que vamos?”.

“Tu é que sabes. Foi por isso que te vim buscar”.

Primeiro era andar de bicicleta mas como já não tem as rodinhas pequenas e desequilibra… passou a ser a trotinete, mas depois cansa muito e acabou por ser só… andar.

“Hoje não vamos para ao miradouro”, disse-lhe, “hoje vamos para o outro lado, para o lado da natureza” e enfiámo-nos por um trilho que está ao fundo do bairro e em breves segundos nos despejou em pleno campo, num território de grilos e perdizes que fugiam assustadas com a nossa presença.

“Eu nem sabia que isto estava aqui…Mas o que é que queres dizer com ser só natureza, pai?”.

Reparei então que se desviava de todos os insectos que lhe apareciam à frente e que parava desconfiada de cada vez que saía um ruído estranho da vegetação. Quando tinha a idade dela, este mundo era o meu. Como tudo mudou, no espaço de uma geração.

Subimos às pedras, ladrámos aos cães presos no terreno do Caldeira e expliquei-lhe outra vez porque é que devemos sempre caminhar pelo lado esquerdo da via.

“Epá, tu falas a toda a gente! Conheces todos os que passam por nós?”.

“Eu sou daqui. Nasci cá. Vivi sempre aqui. É natural que conheça as pessoas, não achas?”.



“Então?!? Não falaste a este que passou?”.

“Este não é de cá. Deve de ser viajante…”.




Rimos já não sei do quê, expliquei-lhe o que era um estaleiro e parámos junto a um pequeno canavial. Parei para a apanhar uma cana. Apercebi-me naquele preciso momento que há muitos anos que não tinha assim uma cana na mão.

Lembrei-me que na minha infância, as canas representavam para nós o mesmo que os búfalos para os índios: eram pura e simplesmente a base de tudo. Os búfalos eram sagrados porque eram simultaneamente a base da alimentação, a matéria-prima para o vestuário e para a construção das habitações, o genérico primordial da medicina e ainda os fornecedores de elementos para adorno e para artefactos bélicos.

Eram os búfalos para os nativos e as canas para nós. Com as canas construíamos as barracas nos altos das pedras, com as canas fazíamos os arcos e as flechas com que brincávamos nas acácias, e com as folhas das canas inventávamos armaduras e capacetes. Com elas até fazíamos apitos, como se lembrou o Luís Barradas que passou por nós então de bicicleta. È verdade… disso já nem eu me recordava.

Para ela a cana era um nada, mas mesmo assim lhe descasquei uma que trouxe pelo bairro fora, como se fosse uma bandeira.

Conversámos muito de muita coisa e eu tive pena que não pudesse ser assim todos os dias.

Em casa preparei-lhe um banhinho morno de espuma cheirosa e deixei-a estar de molho quanto tempo quis. Sequei-a com cuidado para não a magoar na ferida minúscula que fez com uma folha na sala de aula. Passei-lhe creme hidratante pelo corpito ainda de bebé e vesti-lhe um pijama verde às bonecas. Sequei-lhe o cabelo como nas cabeleireiras, penteei-o com uma escova suave e pensei o quanto adoro poder tomar conta dela assim.



Nas notícias da televisão, ouvi o relato do depoimento que o assassino da Mari Luz, a ciganita de Huelva, fez em tribunal. Santiago del Valle, de 52 anos, contou como aliciou a pequena com um ursinho de peluche branco que atirou propositadamente para a rua. Confessou como foi incapaz de lidar com o desejo, como não resistiu à menina, como a chamou para o seu apartamento com um olhar de promessa de algo mais. Quem poderia saber então, se mais um peluche, um chocolate ou uma guloseima?

Ouvi então também a história que inventou para se ilibar, alegando que a pequenita teria perdido o equilíbrio e caíra inanimada no fundo do corrimão.

Qualquer atenuante que pudesse daqui advir esfumou-se quando relatou friamente, a forma como a meteu num carro de supermercado, como a tapou com um casaco e a levou até o esgoto das redondezas para onde a atirou, sem esboçar a mais menor reacção emocional.

30 anos de prisão é pouco. 30 anos é muito pouco tempo para tanta maldade. Nesses 30 anos que podem sempre ser menos por bom comportamento, por atenuantes diversas, até mesmo por uma visita papal ao país, Santiago vai poder comer, beber, dormir, ler, levar uma vida normal suportada pelos impostos dos contribuintes espanhóis que se horrorizaram com os seus actos.

Como pai, digo que para um crime destes não há perdão possível.

Perante um crime destes, o mundo torna-se pequeno demais para o progenitor e o criminoso e um tem de desaparecer.

Como pai, arrepiando a minha consciência por segundos pela terrífica suposição do “se fosse comigo” digo com certeza que quando nos roubam a razão de viver, nada nos resta senão fazer pelas nossas mãos aquilo que sabemos que o sistema judicial jamais fará: justiça.

Não descansaria um segundo que fosse, até que lhe rebentasse de vez os miolos com um tiro certeiro.

Direito ao inferno, de onde nunca haveria de ter saído.