quarta-feira, 18 de junho de 2008

Chez Mickey


A viagem de sonho de uma vida inteira segue-se nos próximos dias.

Au revoirzinho...

terça-feira, 17 de junho de 2008

Remando num imenso azul

Todos os anos me convidam para estar presente na actividade da “Canoagem Adaptada” dos Jogos do Norte Alentejano e todos os anos risco tudo na agenda só para poder estar presente.

Na primeira vez nem sabia bem ao que ia mas depois de ter vivido essa experiência inesquecível, prometi a mim mesmo que nunca mais haveria de falhar.

Para quem não saiba, os Jogos do Norte Alentejano são uma iniciativa da Associação de Municípios do Norte Alentejano (um órgão que congrega todos as autarquias do distrito para a defesa de interesses comuns) que consiste numa espécie de Jogos Olímpicos distritais. Com uma clara vertente lúdica que por vezes faz lembrar outros jogos, os “Sem Fronteiras”, têm o enorme mérito de incitar à prática das diversas modalidades desportivas que neles são integradas, promovendo assim um estilo de vida saudável.

Contando os apuramentos concelhios e as finais distritais, são mais do milhar, os atletas que de Março a Julho se envolvem nas mais diversas provas, muitas vezes pelo puro prazer de participar. Da Malha ao Futsal, da Sueca à Natação, do Tiro ao Ténis de Mesa, da Milha ao BTT e muitas mais, são tantas as modalidades por onde escolher quando a vontade é, mais do que competir, a de estar lá e se deixar envolver.

Os Jogos do Norte Alentejano Adaptados pretendem, como a designação indica, dar oportunidade às pessoas com deficiência de também elas poderem praticar desporto.

As extraordinárias condições da nossa Barragem da Apartadura, mais bonita do que nunca sobretudo quando assim cheia, nestes fabulosos dias azuis de Junho; chama até nós os participantes da “Canoagem Adaptada” que aproveitam ao máximo esta oportunidade de ouro de se poderem recrear com a água, a natureza e o ar livre.

Para compreender um pouco a extensão e a profundidade do que ali se passa não é preciso pensar ou falar mas tão somente olhar, ver e desfrutar. Tocam-nos os pequenos gestos, os sorrisos tímidos, os medos vencidos, os olhares de triunfo e paz no regresso, as gargalhadas e os abraços de alegria e cumplicidade.

E eu penso em como somos sortudos por podermos estar ali e na pena de não poder ter ali muitas mais pessoas para que pudessem também ver como é.

No fundo, são tal e qual como nós. Não são extraterrestres, nem coisas raras como muitas vezes os pintam os estereótipos idiotas. São pessoas iguaizinhas a nós, diferentes nalguns aspectos mas tão semelhantes em quase tudo o resto, a merecerem tantas vezes de cada um de nós, uma outra tolerância, um solidariedade menos piedosa mas mais sincera e sobretudo mais honesta.


Ao recordar esta manhã feliz, faço também a minha vénia aos homens e mulheres que trabalham diariamente com estas crianças e estes jovens, ajudando-os a seguirem as suas vidas com dignidade e alegria. Um trato e uma postura inexcedíveis que eles reconhecem e sabem agradecer mas que tantas vezes não são perceptíveis por todos os outros que vivem mergulhados na voragem dos nossos tempos.













quinta-feira, 12 de junho de 2008

A VERDADEIRA SOLUÇÃO PARA A CRISE!

clique para ampliar
Imprima e ponha por cima da sua mesa de cabeceira ou da secretária do serviço
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Alguns casos de clientes satisfeitos:
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Comerciante que quadriplicou o seu negócio de chá

Rapazotes que fugiam da Al Qaeda

Criança que estava dependente de Sugus de Alperce

Jovens beiranenses proprietárias de uma mercearia típica e que estão hoje prestes a inaugurar mais um Leclerc

Está à espera do quê?

Ligue já!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Caos e desordem


Isto está a ficar caótico, ó rapaziada.

Eu sempre temi que pudéssemos um dia chegar à situação da Argentina, com o pessoal todo a bater em tachos e panelas no meio da rua.

Estamos lá perto…

Nos dias que correm, assistir a um noticiário televisivo é como praticar um autêntico desporto radical.

O Estado, o nosso Estado, essa casa grande, esse pai da malta que é o nosso edifício elementar está a revelar-se uma cabana de madeira à beira rio e estamos muito próximos de cenários dignos do terceiro mundo.

Assistimos a um verdadeiro colapso global dos mecanismos reguladores de mercado e por acréscimo, à ruptura anunciada de quase todos os sectores produtores e da própria sociedade.

Tudo isto porque um grupo específico no qual assenta (vimos agora) praticamente toda a distribuição alimentar decidiu parar em bloco e convidar compulsivamente a juntarem-se à sua causa todos os menos informados. Verdadeiras milícias de camionistas tomaram de assalto as grandes artérias rodoviárias e os centros nevrálgicos de distribuição e atrofiam hoje toda e qualquer hipótese de escoamento.

Nas bombas de fornecimento de combustível, nos mercados abastecedores, nas superfícies comerciais, nos aeroportos começam a escassear os bens essenciais à vida e à deslocação de pessoas e bens e Portugal parece hoje o corpo de um moribundo a quem taparam a boca e sucumbirá em momentos.

Sem combustíveis, sem alimentos, com barricadas.

Terrível o cenário, imprevisíveis as consequências.
Casa onde não há pão, todos ralham e ninguêm tem razão.

Esta nação que congrega uma população, que partilha um território, uma língua, uma cultura e uma história é hoje regulada por um Estado que está longe de ser de direito. Quando cidadãos são privados da sua própria liberdade de movimentação e de negócio, ameaçados pela pressão de grupos organizados que executam as mais elementares técnicas mafiosas, entramos num período do “salve-se quem puder”.

O Presidente da República assobia para o lado e brinca aos soldadinhos no 10 de Junho. O Primeiro-Ministro, que sempre se quis fazer passar por um homem de fibra e de decisões firmes, asfixia no seu silêncio e prova que afinal só sabia brincar aos duros quando assustava aos mais fracos. Saiu um cobarde em vez até de um rato.

Absolutamente lamentável e inimaginável, digo eu. Há muito tempo que quem lê jornais sabe que se porventura não tivesse sido a Europa a deitar-nos a mão já tínhamos falido nas mãos do nosso próprio insucesso. Agora podemos provar o mais amargo fel ao vermos que somos um país de brincar.

Agora, para além da corrupção generalizada em quase todos os sectores; para além dos lobbies e das promiscuidades entre governantes e os senhores do dinheiro; para além da cristalização de uma justiça inoperante; para além de um sistema educativo orientado apenas para o seu umbigo e não para o futuro; para além de um sistema de saúde obsoleto onde só se safa quem tem posses; para além das obras faraónicas e da falibilidade das forças de segurança e da inoperância das forças armadas; sabemos também que vivemos num conto de fadas sem rei nem roque, onde cada um faz o que quer e não há quem proteja os cidadãos.

Triste, triste o nosso fim. Oxalá alguém nos salve depressa da terrível sina que para nós criámos.
Valha-nos ao menos uma selecção que nem parece daqui saída. Já estamos nos Quartos-de-Final.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Na Iª Maratona BTT de Marvão

Na linha de partida

Saída da Beirã

Ao cimo do Vale de Ródão

Descendo para a Escusa

A pique para as Caleiras


Uma armadilha mesmo ao lado

Vista do Prado

Subindo para a Portela

Os perseguidores imediatos

"Óstia!"

Vista para o Vale

Avistando Marvão

Sem travões!

Uma banana, uma água

Descendo para Portagem

Pela calçada medieval

Miradouro natural

Por corredores verdes

Missão cumprida!

Um brinde à Organização!

Gostei mesmo muito, mesmo assim tanto de participar na 1ª Maratona de BTT de Marvão.

Estava uma manhã com sol e uma temperatura fantástica, mesmo a convidar à aventura. Levantei cedinho, preparei a “cabra”, atestei os pneus de ar e “cá vai o gajo”. Registe-se que ao chegar à linha de partida já levava 4 quilómetros de aquecimento.

Aquilo, para quem não saiba, é de intimidar qualquer um. Eu comparo este mundo das bicicletas, um bocadinho ao pessoal das montarias. Há sempre aquela turma toda equipada a preceito, com gajos todos pipis, grandes máquinas, cheios de gadgets XPTO, capacetes da marca “não sei quê”, sapatilhas e acessórios da linha “não sei quantos”, munidos de suplementos e de barras energéticas e eu, com a minha princesinha comprada ali na esquina, na oficina do Arlindo, a entrar no meio daqueles galifões todos. Escusado será dizer que quando a gente se quer fazer duro, não ajuda nada ter a mãe e a tia a dar um beijinho de boa sorte mas eu gostei tanto e compreendo tão bem a boa vontade delas que até acho que correu melhor por isso. Os outros nem repararam e se repararam, que se amolem.

O meu grande objectivo era claramente chegar ao final, se possível inteiro e sem nenhuma mazela. Havia no entanto, uma intenção mais longínqua que era fazer uma figura que não fosse tão má ao ponto de me dar alento para participar na Maratona de Portalegre do próximo ano. Isso é que eu queria!

A prova, para mim, teve claramente duas partes completamente distintas.

Como não ia para entrar em competição, parti em ultimíssimo lugar e fui durante algum tempo à conversa com os meus amigos João Abelho e Zé Luís. Curtindo um somzinho no ipod, fui parando para tirar fotografias, fazendo alguns vídeos, isto com a maior das calmas e rezando sempre para não furar. Não me esqueci da câmara de ar suplente mas como me pediram na Sportzone, 40 euros que eu não quis dar por uma bomba, se o pneu fosse abaixo, ficava a pé na mesma. Ao subir o Vale de Ródão senti que ia bem e podia dar mais e comecei a andar ao meu ritmo. Desci bem pelos trilhos que nos levaram às caleiras da Escusa e aí começou a segunda parte.

O pessoal dos controlos começou a entusiasmar-me e a incentivar-me e eu, galvanizado, comecei a dar mais e a passar por muitos. Fizemos o Prado, seguimos ao longo do Sever e eis que deparo com aquele Adamastor chamado Serra da Selada, caminho da Portela. Uma coisa indescritível, uma barreira gigantesca que parecia ir até è lua e que fazia o espanhol que ia à minha frente suspirar “óstia” a cada passo que dava. Uma coisa sobrehumana! Aquilo parecia um treino dos Comandos. Muito engraçado, ver o pessoal todo com as bicicletas à mão que aquilo não havia quem conseguisse trepar. No alto, o prémio: maravilhosas as vistas para Marvão, para a Portagem, Apartadura e sobretudo para todo o vale da Aramenha. Simplesmente encantador. É caso para dizer, perdoem-me a linguagem mas não encontro outra expressão: “Foda-se! O meu concelho é lindo!”. Já está!

A descida era íngreme e tão dura como a subida. Os bracinhos tremiam, as perninhas abanavam e os travões guinchavam de não poderem mais. No final, a seta indicava “para riba” outra vez e 3 ou 4 quilómetros duríssimos ao longo da estrada em direcção à fronteira, até à Fonte dos Coelhos onde dei o meu primeiro grande malho do dia. Uma coisa épica! A roda meteu-se sei lá onde, o pneu de trás empinou-se como se tivesse ganho vida e lá vai o artista. A parte eléctrica foi toda pró maneta! Luz da frente, luz de trás e conta-quilómetros, num prejuízo de largas dezenas de euros. “E para que levavas as luzes?” perguntavam alguns idiotas, nunca pensando que eu jamais imaginei acabar a prova antes da meia-noite. Eu perdoo-lhes. Não sabem o que dizem…

Ao atravessar a estrada, ia matando dois bombeiros e um era o meu querido colega de escola João Francisco Padeiro que ficou virado de roleta só com a movimentação do ar à minha passagem. A descida para a Portagem foi alucinante e mais parecia uma montanha-russa cheia de loopings e derrapagens. Ali, no meio da poeira e do cascalho, senti que nasci para os rallies.

Causei frissom na passagem pelo quiosque da Portagem, acenei aos turistas que passavam e meti-me que nem uma flecha pela calçada romana acima. Ena, meu Deus! Tão alta! Tanto calor! Ia fazendo nas calcinhas que o meu estimadíssimo Vilela “Ases do Pedal” me ofereceu e eu guardo com tanta estimação. Durinho, durinho! Nunca eu quis tanto que o teleférico com que sempre sonhei já estivesse construído. Cruzei-me com o André Costa, o pobre, que tinha acabado de rebentar com a cremalheira da sua “bichinha” ao apertar tanto com ela. Azar! Ou será que foi sorte?

Ao chegar a Marvão, quando cada célula do organismo já pedia uma descida e aparece-me um cromo de colete fluorescente a mandar-me para o castelo. O castelo?!?!?!? “Tá maluco, chefe?”.

“Dizem todos o mesmo”, respondeu ele sem pestanejar e eu meti a cabeça entre as orelhas e fiz-me à ribanceira. Enganei-me numa rua, perdi 5 ou 6 preciosos segundos e parti em voo picado para a Abegoa. Foi demais, meu!

Quando pensava que a meta estava tão próxima, nem calculava o tanto que havia para vir. A parte da Vedeira, que eu imaginava fácil, foi a minha grande prova de fogo. Nesse troço digno do Dakar, quando nem sequer uma vereda tínhamos para circular, protagonizei 3 trambolhões de alto gabarito, um dos quais me obrigou a enfiar para um balseirão para garantir a manutenção dos sinais vitais. Brutal! Os buracos eram tantos, a minha velocidade tamanha… que aquilo só filmado! Num dos solavancos, aterrei no banco com tamanha dureza que sempre fiz que me tivessem de amputar um testículo. Acho que era o esquerdo, aquele a que chamo Sócrates. Menos mal… ainda cá está!

Na Ranginha, sorri a pensar que estava quase. Nada mais errado! Estes masoquistas da “Rota das Antas” não descansaram enquanto não espetaram connosco nas barreiras do Rio Sever, muito para lá da Murta e já no Matinho, na zona das Àguas que para mim era o fim do nosso planeta quando era miúdo.

Na subida, custosa! para a Beirã, ainda ultrapassei mais dois com camisolas da Maratona de Portalegre, o que para mim correspondia a mais duas medalhas de ouro e terminei em êxtase e para gáudio da minha querida tia Cremilde, coitadinha, que esperava por mim na meta, quase de lágrimas nos olhos a pensar que eu ia sucumbir na prova e nunca mais regressar.

Ena pá! Que grande coisa! Fiquei mesmo contente comigo e ainda mais com o espanto do Vítor Silva que estava no cronómetro. Feitas as contas, em 62 participantes, cortei a meta em 19ª posição com um total de 3 horas, 24 minutos e 30 segundos e isto a tirar dezenas de fotografias e a arrancar em velocidade caracol como arranquei!
Portalegre, aí vou eu!

PS1: as corridinhas e o regime zero fazem um efeito do cacete!

PS2: Grande abraço ao André e ao Joãozinho, pela boleia e pela tarde bem passada! Valeu!

PS3: Muitos e mais sinceros parabéns à notável organização. Foram pouco mais de 60 mas vocês provaram ter capacidade e logística para receber 600. Não tenho dúvidas que assim, Marvão vai mesmo ser um destino BTT. Felicidades!
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sábado, 7 de junho de 2008

Graduado





Muito me honrou o convite da Direcção Regional de Educação para estar hoje presente como orador no V Encontro Regional de Educação que decorreu no Auditório da Universidade de Évora. Orgulhou-me sobretudo porque foi formulado em atenção ao nosso trabalho (Câmara e Escolas) no âmbito das Actividades de Enriquecimento Curricular, um esforço que foi reconhecido e que conferiu a Marvão o estatuto de exemplo de boas práticas. É sempre bom quando vemos que valorizam a nossa dedicação mas sabe ainda melhor quando esse reconhecimento incide sobre áreas que privilegiamos tanto e quando os estímulos internos não abundam.

Foi muito bom e motivante.

Eu esforcei-me. Lá preparei o powerpointzinho da ordem, com tudo explicadinho tin-tin por tin-tin, abarcando todos os prismas e sendo o mais esclarecedor possível. Mentiria se não confessasse que pois sim, ia algo ansioso. Nervoso não, que um homem só se atrapalha quando vê as tripas de fora e são as do parceiro do lado.

A cidade de Évora é de facto magnífica e isso nota-se logo nos pequenos detalhes. O asseio geral, o aprumo dos jardins, o trato dos transeuntes… convidam a estar. Estacionei próximo do Centro e tive de muito rodar dentro do espaço universitário para encontrar o dito auditório onde decorriam as operações. O edifício é antiquíssimo e belíssimo e tem imensas e labirínticas galerias e escadarias e acessos e só me diziam que “é já ali” mas não havia maneira de vislumbrar o “ali”.

Na minha expedição aproveitei para observar toda a envolvente da coisa e constatei que quase tudo mudou no perfil do universitário desde os meus tempos, há quase 15 anos atrás. O pessoal anda muito à frente, muito gel, muitas rastas, muitas calças 5 números acima, muito chinelo, muito brinco no nariz e nas sobrancelhas, muitos telemóveis e muitos portáteis, aliás, acho que não vi ninguém sem um. No meu tempo, nem na Biblioteca Nacional havia pcs, quanto mais portáteis…

Sinais dos tempos e eu dou-me bem com isso. Fiquei deveras maravilhado com o “campus” e tive a oportunidade extraordinária de ter um cicerone de excelência, o meu estimado, há muitos anos professor naquela casa e ilustre marvanense, Jorge Oliveira, que se prontificou logo de forma simpática a receber-me assim que lhe liguei para lhe dizer que ia estar no seu território. Umas esculturas, uns quadros, uns relvados e mais que tudo, uns azulejos de encantar. Andámos pelas salas e eu bebi de toda aquela envolvência de encantar.

Compromissos já assumidos afastaram-nos e eu encaminhei-me para o auditório que era enorme e estava bem longe da meia casa já que dos cerca de 300 lugares estariam ocupados uns modestos 50 e eu comecei-me logo a culpar de haver pouca gente ao ponto de me ter que convencer que as jornadas não eram organizadas por mim e que falaria para quem estivesse, mesmo que fosse só eu e o gajo dos microfones.

Aquilo foi bem porque tinha feito o trabalho de casa, as restantes participações a que assisti também valeram e quando assim é, estamos todos de parabéns. O significativo atraso do programa levou-me a declinar o convite para almoçar e fiz-me à estrada de regresso até porque tinha outros afazeres a tratar.

Para mim, por vezes, há gestos que valem mais do que medalhas. As medalhas exibem-se. Estes gestos guardamos dentro, para neles nos podermos aquecer quando nada à volta nos parece poder reconfortar.
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Para os mais interessados, a apresentação em diapositivos está aqui, e deve servir de ilustração para o documento principal que está mesmo à mão de semear aqui.

Rock in Rio Sever


Tenho picado as actuações do Rock in Rio. Um pouco de Lenny Kravitz (de quem adoro os primeiros discos e nada os últimos), de Rod Stewart (autêntico crooner), dos Bon Jovi (foleirosos), de Ivete Sangalo (simplesmente deslumbrante e poderosa no seu fato de Catwoman em vinil) e dos gloriosos Metallica, ontem.

Se tivesse de escolher um dia seria o de hoje, pelos Muse (cujo primeiro disco não foi editado em Portugal e eu encomendei na Internet na altura em que saiu), pelos Offspring e pelos Linkin Park.

Os Muse foram demolidores, os Offspring meteram 100 mil a cantar, os Linkin todos conquistaram mas, mais que as bandas, o que me surpreendeu deveras foi mesmo o público. Se ainda alguém tivesse dúvidas porque é que as bandas dizem que o público português é dos melhores do mundo, era só terem acompanhado a emissão. Um público muito jovem mas muito intenso, cantando em coro as letras todas, tendo uma resposta imediata aos estímulos da banda, batendo palmas, saltando, dançando e fazendo a festa como em nenhum outro lado.

Nota do professor Martelo para a chavalada: 18 valores.

Nota para a SIC que transmitiu todos os concertos num gesto que deveria ser seguido por todas as organizações de festivais em Portugal: 20 valores.

Hope


A vitória de Barack Obama sob Hillary Clinton nas primárias fez justiça a todos aqueles que sofreram e sucumbiram aos pés de uma América “redneck”, racista e divisionária que tratou gerações de negros como se dos mais reles animais se tratassem.

O senador do Illinois que garantiu os delegados que necessitava para sair como candidato à Casa Branca da próxima convenção democrata, tem nas suas mãos a oportunidade de revolucionar os pouco mais de 200 anos de história dos “States”.

“Yes, we can” (Sim, nós podemos), dizia ele na campanha despretensiosa, positiva e calorosa que convenceu muitas das estrelas anti-mainstream a juntarem-se neste coro pelo humanismo e contra o capitalismo militarista da administração Bush.

O mundo é cada vez mais uma aldeia e o que se passa no bairro do lado, mesmo que tenha o Atlântico a dividir-nos, interessa-me e muito. Espero sinceramente que quem governe aquela nação nos próximos anos, privilegie as pessoas ao petróleo e pugne por cooperar para fazer deste mundo um sítio melhor. Eu tenho fé no Obama. Veremos se consegue resistir ao sistema que tantos tem engolido.

Foi longo, duro e sangrento este percurso de segregação que agora tornou proféticas as palavras sonhadas por Luther King. Agora podes descansar em paz. Mesmo que não ganhe, o teu ideal já é de verdade. “Free at last”.


quinta-feira, 5 de junho de 2008

Prisões...


Estava à minha espera à porta da escola e disse-me um “ainda bem que o vejo” envergonhado que lhe desmascarou a intenção. Levava a filha pela mão e dirigiu-se a mim com uma delicadeza e uma subserviência que não é destes tempos. Disse-me que estava sem trabalho, que tinha tempo do desemprego e que gostava muito de poder ficar durante esse período na escola, como auxiliar. Foi pronta a esclarecer que a sua vontade era trabalhar, que voltaria para a fábrica assim que a chamassem ou iria de pronto para outro emprego que lhe propusessem. Pediu-me que fizesse o que pudesse e que não a mandasse para longe ou para sítios mais duros onde não pudesse dar resposta.

Solicitei que me fornecesse os seus dados para que pudesse confirmar a sua situação através da Secção de Pessoal da Câmara. Expliquei-lhe que devido às fortes limitações orçamentais, apenas podemos ocupar as pessoas com direito a subsídio de desemprego porque nesses casos, a verba que a autarquia despende é residual e se limita ao subsídio de almoço e pouco mais. Para que se efectivasse esta questão era ainda fundamental obter o parecer favorável da direcção da escola, o que à partida seria garantido em face das permanentes dificuldades de conseguir pessoal auxiliar.

Tentei não criar expectativas e procurei sobretudo não fechar a porta que me pareceu tão importante para ela deixar aberta. Soube sempre por pessoas amigas das dificuldades e dos problemas que a assolavam e a levaram a cometer actos em que poderia ter deitado tudo a perder. Nunca tivemos qualquer tipo de proximidade para além do circunstancial, do “bom dia” e do “boa tarde” que são comuns na vizinhança e na pequenez da nossa aldeia mas fiquei sinceramente feliz por a ver assim esperançada e animada, com os olhitos reguilas da sua pequena a espreitarem a nossa conversa e a sorrirem tímidos de cada vez que se encontravam com os meus.

O tempo e a necessidade confirmaram-se e tudo parecia encaminhado.

Tudo feito passo a passo, com calma, ponderação, auscultação das partes, sem margem para erro porque sabia que estava a tratar com pessoas e é fundamental não criar falsas expectativas.

Encontrei-a dias depois, em pleno desespero, quase em lágrimas. Disse-me que tinha ido a uma visita das técnicas do Centro de Emprego e a tinham mandado para os Bombeiros baralhando os seus (nossos) planos. Sufocava na manifesta ansiedade provocada pelas previsíveis crises de ciúmes e retaliações.

Senti-me traído pelos acontecimentos, num misto de fúria e angústia que cresciam de cada vez que me lembrava do cuidado que tive em fazer tudo. Procurei saber o porquê desta alteração. Tive de ser duro com quem me tinha descansado e percebi a dada altura que a única possibilidade de conseguir repor a verdade dos factos passava pela tal doutora que foi responsável pela mudança de colocação.

“Ela disse-me que ela é que manda. Ela é que sabe e é dela a última palavra”, confessou-me, derrotada, em profunda mágoa e desilusão.

Quando peguei no telefone, sabia ao que ia, como sabia também que estava disposto a fazê-lo. Não é fácil termos de nos rebaixar a quem não devemos e sobretudo quando estamos certos de que não haveria necessidade para tal. Mas os motivos eram mais que fortes.

Despedi-me agradecido e coloquei-me a jeito e à disposição “para o que entendesse, e que não hesitasse em contactar-me”.

O preço a pagar foi recompensado pelo alívio e pela satisfação que me mostrou ao saber que iria para onde queria, a fazer o que queria e sobretudo, para junto de quem mais queria.

Passava por ela de manhã, quando ia levar a Leonor, ou quando a ia buscar ou tratar de qualquer outro assunto ou reunião e trocávamos sempre um sorriso cúmplice, o dela mais envergonhado, com a bata de funcionária que luzia como se fosse o uniforme da armada mais invencível. Como que a dizer: “cá estou. Graças a ti. Sempre levamos a nossa avante” e isso pagava tudo.

Nem era preciso que, de vez em quando, ao regressarmos a casa no final do dia, lá encontrássemos o saquinho de plástico pendurado na porta com o pãozinho caseiro que tinha amassado com tanto cuidado para nós. Coisas sem preços. Gestos que valem fortunas.

Pensei sinceramente que o assunto estava arrumado e que teria o tal ano e quase meio que afinal custou tanto a conseguir.

Da última vez que a vi, no início desta semana, encontrei-a triste e abatida e contou-me que estava de baixa e não podia comparecer. Queria saber “se era preciso dizer alguma coisa lá para cima” e eu fiquei sem jeito. Olhei para o atestado médico que tinha dobrado na mão e fiquei mal. Nem sequer lhe consegui perguntar se era alguma coisa de cuidado ou se era uma situação temporária. Às vezes gostava de ter outra calma, outra serenidade e nalguns casos até consigo mas naquele momento acho que fui também levado pela pressa de já ir ligeiramente atrasado. Uma coisa era certa: podendo ou não ser de cuidado, a expressão do seu rosto tudo indicava que não restavam dúvidas.

“Tem o número delas? Então dê-lhes um toque. Elas sabem esclarecê-la melhor que ninguém e pelo sim, pelo não… sempre fica descansada”.

Já na casa grande perguntei e disseram-me: “está doente. Tem uma depressão”.

Uma depressão que a acorrenta, a amordaça e a impede de ser feliz. Uma depressão que lhe come as forças e lhe tira o brilho do olhar, como se fosse um desenho animado a preto e branco numa banda desenhada de cores garridas.

Nessa guerra, já eu não posso ajudar. Apenas lamentar e torcer para que tudo passe depressa e volte a ser como era.

Quantas não assim…

Isto não me tem saído da cabeça.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Viva o Dia da Criança de Marvão



Aahhhhhhhhhhhhhhhhh!

Já tinha saudades!

Pois é, mas os compromissos têm sido mais que muitos, os dias passados a correr de um lado para o outro e não tem mesmo sido possível.

Já sentia muito a falta.

Um dos grandes responsáveis por esta falta de tempo foi precisamente o Dia da Criança de Marvão que me consumiu muitos dias e noites de serão a preparar toda a concepção gráfica, para que tudo fosse ao pormenor.

Agora que já aconteceu e Graças a Deus foi mesmo tudo em GRANDE, nada mais posso fazer que deixar este vídeo para a posteridade. Dá uma ideia, pequenina, do que foi viver esta experiência.

De todos os dias do ano de Vereação, este é de longe o meu favorito. É uma coisa indescritível…

Passear de estação em estação, beber sofregamente daquela alegria sem fim, não tem preço. Os sorrisos, as gargalhadas, os abraços e os gritos ficam gravados em mim para sempre.

Perguntei a uma menina que passava: “então querida, está a ser bom?”.

Ela respondeu-me: “Bom? Melhor é impossível!”, e para mim foi como um shot.

Eu, que tenho como herói de toda a vida o Peter Pan, o rapazinho insolente que nunca quis crescer, tenho feito a minha caminhada também à luz desta premissa, fazendo tudo o que podia para não deixar crescer a parte de mim que mais gosto.

Para se planear uma aventura destas, é preciso conseguir ver o mundo com os seus olhitos de pardal. Só assim se pode sonhar uma jornada desta envergadura.

Dizem os grandes que os miúdos desfrutam ao máximo.

E eu? Mãe santíssima. Eu dou tudo e cinco tostões para os ver assim, completamente felizes e extasiados por viverem num mundo feito à medida deles nem que seja por só um dia.

Contou-me o Hernâni que havia miúdos do 4º ano que diziam que queriam chumbar para poderem vir outra vez para o ano.

Se fosse por mim, vinham eles e todos os que lá coubessem porque vale mesmo muito a pena.

Eu, que no dia antes mal dormi e estive quase para fazer xixi na cama com tanta excitação, sinto o coração inchado de cada vez que revejo tudo em imagens.

Foi mesmo tão bom…