quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Al Mossassa 2008 - De regresso aos tempos da fundação

A lindíssima repórter Cristina da RTP com o meu amigo Mounir, antigo defesa central da Académica nos tempos áureos da briosa, e uma das grandes contratações do festival neste ano. Ficaste cá dentro...

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Já tinha saudades…

Afinal, tirando o recado para o mister, desde 5ª feira passada que não varria a taberna como gosto de fazer.

Ah, so good to be back!

Este fim-de-semana foi de tal maneira desgastante que só hoje, passados 3 dias, me sinto a regressar à energia habitual. Dando razão à teoria da relatividade, embora sabendo que tudo passou depressa demais, parece que estes sete últimos dias tiveram a intensidade de meses.

Quis o destino que tivesse agora de enfrentar duas duras provas: o derradeiro exame para as Finanças, para a mudança de nível na categoria; e a organização do Al Mossassa. Embora me tivesse resguardado para estudar (afinal eram 12 códigos!), trabalhar nestas duas empreitadas não foi tarefa mesmo nada fácil.

As últimas semanas foram assim vividas entre diplomas tributários e a planificação deste festival islâmico, desdobrada em e-mails, telefonemas e diligências várias. Com a concentração dividida nas duas frentes, igualmente importantes, absorventes e geradoras de normal ansiedade, fui-lhe dando como podia, tentando sempre fazer o melhor que podia.

E tanta coisa aconteceu desde então…

Quinta-feira foi o dia da chegada da maior parte dos artesãos e de montagem do mercado das 3 culturas. Foi dia de azáfama e aceleramento, coroado já durante a noite com a saborosa vitória do glorioso frente a máfia napolitana, numa partida a fazer lembrar as grandes noites europeias e que nos escancarou as portas da fase de grupos. Bom auspício!

Sexta foi tempo de últimos preparativos e retoques e correu quase tudo conforme o programado: inauguração oficial, conferência e abertura do mercado acompanhada por orgãos de comunicação social e já muitos visitantes. Destaque para os directos da RTP1 para o “Portugal no Coração” que nos colocaram no ar para todo o país (Obrigado Gé, querida. Eu sei ver quem está por detrás de tudo isto…), e para o espectáculo “Demónios na escuridão”, com todos os grupos de animação a darem as mãos num performance colectiva que resultou em cheio.

Dali foi correr para descansar e às 6 da manhã a pé, caminho de Lisboa, para juntamente com centenas de colegas, tentar obter o que faltava para poder dar mais um passo em frente na carreira. Tempo também para lamentavelmente ter oportunidade de ser submetido à prova mais mal intencionada que alguma vez vi na vida. Um documento absolutamente tenebroso e digno de ser rotulado de “abaixo de cão”, minado de rasteiras e duplos significados, maleficamente concebido para induzir em erro, para complicar, para dificultar. Como se fosse possível em 2 horas e meia responder a 40 questões, muitas delas com enunciados extensos e mal redigidos, que ocupavam meia página A4. De loucos!

Tive oportunidade de comentar com os colegas que vigiavam a prova que estando liberado, posso à distância ter outro discernimento para constatar a extensão desta crueldade. Estou mais do que seguro que não há em nenhuma outra profissão de função pública em Portugal, o grau de exigência com que temos sido confrontados desde a primeira hora. Nem tribunais, nem conservatórias, nem forças de segurança, nem saúde, nem nenhuma outra tem de passar pelo verdadeiro calvário de testes que temos atravessado para poder aspirar a avançar no nosso percurso profissional. Desde 1998, já fomos submetidos a 8 provas, 8!, quando colegas que conheço e entraram para outras profissões do Estado, continuam cantando a caninha verde sem que ninguém se lhes meta ao caminho.

E se contarmos que os códigos desactualizam todos os anos pelo menos à luz do orçamento de estado e legislação diversa… tanto pior.

Desta vez os senhores esmeraram-se e decidiram não avaliar quem sabe, quem se actualiza, quem se interessa, mas antes quem gosta de charadas e palavras cruzadas. Devem ter um gosto…

De resto, para quem se interessa pela polémica, remeto para os diversos comunicados de revolta que já circulam pela net, assinados por colegas que subscrevo quase sempre na íntegra. Mas como dizem quase todos eles no final dos seus testemunhos, apesar de tudo e mais uma vez, vamos provar quem somos e o que valemos. Mai nada!

Liberto desde peso imenso, para o que desse e viesse, regressei já de alma e coração ao Al Mossassa. Tenho um enorme respeito por todos os eventos que tenho ajudado a criar e a valorizar, sempre para dignificar Marvão e as suas gentes mas tenho de confessar que esta é a menina dos meus olhos desde que lhe assisti ao parto.

Os dias da Mossassa são sempre tão felizes, com tão boa onda, cheios de tanta gente linda e amiga e com tanta coisa bonita e interessante a acontecer que acho que nem consigo descrever a minha satisfação e realização. Remeto então para as fotos que creio que espelham bem o sentimento que reinou em Marvão nestes dias.

Sendo o rosto da iniciativa, para o que der e vier, gostava publicamente de agradecer a todos os homens e mulheres que comigo sonham este projecto e o ajudam a concretizar, transformando a nossa vila (tão linda!), como se fosse por magia: a todo o pessoal da animação (Cabalburr, músicos, cómicos, bailarinas, malta das aves e serpentes, performers), aos artesãos e vendedores que chegam de vários pontos do globo (muitos deles apenas para carregar as baterias cósmicas com a força de Marvão e aqui cito directamente), à GNR e Bombeiros e Junta, aos meus meninos do design, a todos os trabalhadores da autarquia envolvidos, a todos, todos eles e sobretudo aos meus braços direitos, os colaboradores directos dos meus pelouros, sempre inexcedíveis e incansáveis, sem os quais sei que nada faria.

Agora que já avisto a meta destes 4 duros anos da minha vida, é nestes momentos que a nostalgia se vai apoderando de mim…

Bem hajam!

Aquele abraço apertado do vosso amigo.


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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Carta a Quique


De: Pedro Sobreiro
Outeiros

Para: Quique Flores
Catedral da Luz
2ª Circular
Lisboa


Caro Sr. Quique,

Hoje estragou-me a noite. Eu tenho andado muito ocupado e nem sequer tenho tido tempo para escrever no meu blogue como eu gosto tanto de o fazer e até estava a pensar escrever hoje mas não posso porque o senhor deixou-me extremamente mal disposto.

Então o senhor não sabe, seu bandido, que quando um clube quer ser campeão não pode ter medo das outras equipas onde jogam outros também talentosos e muito menos com o Leixões, porra?

Então se temos medo do Leixões, o que há-de ser de nós quando levarmos com Bragas, Guimarães e outros demais já para não falar dos tripeiros e dos lagartitos que também andam tão mal, os pobrezinhos…

Eu sei que o senhor perdeu o Reyes muito cedo mas eu acho que o gajo foi malandro e fez fita porque não lhe apetecia correr mais. Eu vi na minha televisão que a coisa não foi para tanto mas também não é por aí que o gato foi às filhós ou filhozes ou às rabanadas, vá, que eu não me lembro agora como é o plural disto.

Os outros também têm valor, sabe? E eu pergunto-me “como é que é impossível” que uma equipa como a nossa, que andava a jogar tão bem, entra num jogo destes onde pode ir para 1º do campeonato e tem uma atitude em campo que mais parece um espectáculo ao vivo dos Malucos do Riso.

E a segunda parte? Dessa então… nem falamos. Mau demais para ser verdade! O senhor tirou o Martins que é pintarola mas ainda estava a puxar aquilo para a frente, tirou o Gomes e meteu o pretinho do cabelo amarelo que só dá pau, fechou-se dentro da capoeira e estava mesmo a ver-se que mais minuto, menos minuto íamos papar obra. Eu até disse para mim mesmo: “estás aqui estás a dançar no arame!”. Bem dito e bem feito.

Senhor Quique: não brinque com os meus sentimentos porque pode-me dar uma coisa a dormir. Eu também fico muito preocupado porque tenho outros amigos meus do Benfica que sofrem muito e isto dá pena. Mais que tudo preocupo-me com o meu sogro que tem já uma idade provecta e sofre-me muito com estes desgostos. Senhor Quique, eu gosto do senhor, por isso veja lá se se deixa de merdas e mete a malta a jogar à bola para a frente e a fazer golos e a jogar o jogo pelo jogo senão isto é um gastadeiro de dinheiro e não vale a pena ter a Suport têvê.

Ainda por cima fui hoje de tarde ao Yoga porque sim e estou inscrito e tenho andado nervoso e a senhora professora disse-me para eu relajar e meter as preocupações numa nuvem e cheguei cá a casa e borrei a escrita toda porque ainda não tinham passado 10 minutos e já ia sendo a tal conta 3 ou 4 vezes.

Bem diz a minha mulher que assim não vale a pena andar a gastar dinheiro nestas modernices.

Eu sou uma pessoa educada, sou católico e fui escuteiro e não sou mau rapaz mas quando o Benfica perde grito muito e falo alto e digo muitas asneiras e depois arrependo-me porque ia acordando a minha filha, coitadinha, que não bonda também já ser do Benfica senão ainda tem de aturar um pai assim.

Senhor Quique, eu acredito em si, mesmo de verdadinha e depois da ganharmos aos italianos então, ainda acredito mais do que nunca, mas quando a gente perde assim só me apetece fazer mal à pessoas e à minha mulher que está ali trancada na garagem cheia de medo de mim e só me apetece partir coisas e está ali uma jarra azul que parece que está a olhar para mim.

Olhe, por favor ajude.

Não o incomodo mais. Obrigado por ler e vá mas é treinar esses bandidos e veja lá se compra o vídeo do Mourinho porque esse ao menos nunca se engana e raramente tem dúvidas como o Cavaco.

Como não tenho dinheiro nos bancos e não me preocupa a crise mundial e já que a única coisa que me aborrece de verdade é quando o Benfica é encavado e agora quando o Chocolate fecha a pastelaria de tarde aos fins-de-semana sem me avisar, veja lá se me desenrasca.

Obrigado.

Pedro Sobreiro
(tb conhecido por Sabi pelos amigos mais antigos)

Sócio com as quotas em dia nº 53972


Ps: Essas patilhas já não se usam.