sábado, 17 de janeiro de 2009

Coisas que eu não sabia… e aprendi mesmo agora



Eu não sabia que o CDS/PP ainda tinha eleitores suficientes para fazer um congresso.




Vede bem…

(clica e amplia)
Agência Lusa. 2009.01.14.

Numa tertúlia realizada na noite de terça-feira no Casino da Figueira da Foz, o Cardeal Patriarca de Lisboa apelou às jovens portuguesas para terem "cautela com os amores" com homens muçulmanos.D. José Policarpo pediu às mulheres portuguesas para "pensarem duas vezes antes de casar com um muçulmano", uma vez que, na sua opinião, estão "a meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde á que acabam".


Uma coisa vos garanto eu: se fosse cómico profissional, tinha ido imediatamente entregar a minha carteira profissional ao respectivo sindicato alegando, no mínimo, concorrência desleal.

Com líderes religiosos a produzir humor deste gabarito, é impossível sobreviver neste ofício num país com um mercado tão pequeno!

Estratégias… em tempo de crise

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Crime e castigo


Pressenti que vinha a subir as escadas e espreitei. “Então pequena? Tá tudo em ordem?”.

Subia passo a passo, cabisbaixa, impecável no impermeável cor-de-rosa, de botas pelos joelhos e com os cabelinhos molhados da piscina a dançarem na frente do rosto. Passou por mim sem uma palavra e vi logo que havia caso.

Sentou-se na cama e reparei que as lágrimas lhe caíam pela cara abaixo.

“Houve azar?...”

“Portei-me muito mal na escola… e fiquei de castigo”.

"Quanto mal?".


"Muito mal!".

Não parava de soluçar e dei-lhe um tempo. A mãe entrou em cena e apresentou o relatório preliminar do inquérito decorrido na viagem de regresso a casa : “Ficaram quase todos de castigo. Portaram-se todos muito mal à excepção de dois ou três”.

“Mas eu portei-me bem!”, disse com a convicção de quem sabe que não tem razão.

“Se te tivesses portado bem, a professora não te tinha castigado, de certeza!”

“Eu acho que me portei bem… eu acho…”.

“Achas mas achas mal! Já sabes o que te espera... Hoje não há Zig Zag, não há televisão, não há jantar que tu gostas, não há Disney Channel, não há Hannah Montana, não há computador, não há história nem mimos antes de dormir. Castigo é castigo!”, disparei.

Depois de lida a sentença, sem alegações finais, o caudal de choro, obviamente aumentou.

Minutos depois, virou-se e disse-me “ó pai… desculpa” e abraçou-me ainda meio a tremer.

Quando mais estabilizada, disse-lhe: “Espero que não se repita, Leonor, nunca mais!” e ela disse que sim com a cabeça, com um ar de quem está pouco convencida da sua capacidade de cumprir a promessa.



Nota do progenitor: Quando era mais pequena custava menos… Dá a sensação que quanto mais crescida e mais consciente dos seus erros, mais difícil é repreende-la embora saiba de antemão que tem de ser. Que duro é fazer cara de mau perante aquela miniatura de Madalena arrependida que só dá vontade de comer às dentadas. Isto de ser pai, não é de facto fácil e o processo tem algo de muito pouco lógico: quando os filhos se tornam adultos e os pais se graduam nessa condição, entregam-lhe a licença de avós e deixam de poder exercer. Estranho, não é?

Estes crescidos...

On top of the world



Eu gostava de perguntar ao Ronaldo, não ao Ronaldo milionário, dos Ferraris escavacados, das mansões, das gajas, dos bacanais, dos luxos e das manias, mas ao Ronaldo-menino-pobre-da-Madeira que ainda tem de viver dentro dele, como é que é… chegar finalmente ao topo do mundo e poder olhar cá para baixo…

Este miúdo tem de ser um ídolo para mim e para todos os portugueses, sobretudo os mais jovens, não pelos golos que marca, pelo dribles e jogadas mirabolantes que faz, pelos jogos e pelos prémios que ganha, mas pelo exemplo vivo de preserverança que é. Ronaldo é a prova mais que evidente que desde que acreditemos nas nossas capacidades e trabalhemos muito duro, mais que todos os outros, só o céu é o limite.



Eina pá… que são chatos!

(clica para veres o pio)

Realmente, isto só demonstra o nível de atraso do nosso país.

Não pode o Benfica ser beneficiado num jogo que andam já o resto da semana a massacrar o pessoal...

Vejam bem…

Bastou terem validado um golo em que o David Luís está 2 metros fora-de-jogo e terem perdoado um penálti claríssimo em que o Luisão abalroa o jogador adversário em plena área para andarem já por aí todos feitas histéricas… “que o Benfica não sei quê…” e “uma roubalheira e não sei quantos…” e a fazerem queixinhas ao Ministério Público.

Invejosas…

Não podem ver os outros bem…

domingo, 11 de janeiro de 2009

Rua Fernando Namora, 12

O meu macaquinho de peluche, companheiro inseparável de tantas horas. Já completamente calvo e sem o escalpe que lhe retirei depois de uma missão mais arriscada.

Por motivos da mudança de casa da minha mãe, sou levado a reencontrar-me com o passado, com centenas de objectos carregados de memórias, alguns dos quais não via há décadas.

Esta manobra logística aparentemente simples perturbou-me o sono durante noites, acompanhou-me e perseguiu-me durante dias, revirou-me por dentro na antevisão do que me poderia trazer mas sobretudo por saber que para muitos destes objectos e por uma questão de espaço, este seria o último adeus.

Durante o processo não consegui deixar de pensar em como é relativo o valor dos bens (muitos daqueles tarecos, daqueles restos de coisas são verdadeiros portais para a memória e nessa medida, autênticos tesouros pessoais) e de como é estranho o comportamento do ser humano que apesar de ter perfeita consciência da sua mortalidade e da total impossibilidade de levar consigo seja o que for, persiste em guardar tudo e mais alguma coisa.

É…

Não foi, de facto, fácil… mas já está.

Fecha-se assim mais um capítulo da nossa vida, de uma casa sem grandes mordomias mas que foi a nossa e neste caso, não era de uma casa verdadeiramente que se tratava, mas antes do nosso lar e esse sim era o melhor do mundo. Ali rimos, ali chorámos, ali respirámos e fomos gente e família e tudo.

Dói vê-la assim despida, desprovida de existência, como se estivesse envergonhada da sua condição.

Eu já decidi que vou apagar estes últimos dias e vou guardá-la para sempre como ela era quando tinha luz, gente e calor. Como ela era quando era a nossa…
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E tu ficaste tão melhor assim...
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Máscaras de Carnaval com mais de 25 anos, Porshes a pilhas e robôs

O meu primeiríssimo quadro escolar

Um dos favoritos que resistiu décadas escondido na arrumação do quintal. Tardes inteirinhas com Pat Garrett, Touro Sentado, Buffalo Bill e Billy, the Kid

O portão de entrada do Forte Federal. Jornadas de diversão...
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O blusão de ganga do 2º ciclo ou 3 anos de escola em Castelo de Vide numa única peça de roupa.
Um "must" no guarda-roupa de então. Se o Lula do "Wild at Heart" tinha no seu casaco de pele de cobra um símbolo da sua personalidade. Este é o meu respectivo.
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A carteira da época com o símbolo dos Finalistas desenhado pelo meu querido colega João Henrique. Tantas histórias...

A indumentária das caçadas do meu pai



Tesouro absoluto. A caderneta de cromos do filme da minha geração.

O inenarrável diário do meu irmão. Uma cena do outro mundo...
Sei que me perdoas a inconfidência...
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24-8-1992. 2h e 29 m
Querido diário: este foi um dia memorável para toda a minha família porque o meu irmão teve um desastre de carro e não sei como não lhe aconteceu nada. Tive pena de perder o meu carrinho porque foi nele que aprendi a conduzir. Até amanhã.
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Pela parte que me toca. Obrigadinho pela preocupação mas foram só uns arranhões.
Ainda hoje choro esse Fiat 600 lindo de morrer...
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Domingos de tarde? Quantos domingos de tarde? Tantos domingos de tarde...

Colecção do jogos para o ZX Spectrum. Parece que foi noutra encarnação. Muito Chucky Egg, muito Phoenix, muito Bruce Lee, muito Match Day. O período Jurássico das Playstations. Só que muito melhor!

Convite para festa de curso técnico-profissional na Maluka, dos Fortios. Há 18 anos atrás. Valia uma bebida... Não faço a mínima ideia como resistiu até hoje... Devia ter sido um vodkazinho limão, talvez...



Os cadernos de apontamentos da faculdade. Horas a desfiar aulas, de rádio ligado, com vista para a Lapa e o Tejo.


A rua. (ponto final)
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PS: Grande abraço de agradecimento a toda a família envolvida na operação, sobretudo à sogra (o cérebro da logística) mas também sogro, Cris, Paula e Bonito, Maria Joaquina e Bobby. Valeu!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Felicidade é…

Ó pra elas tão belíssimas!


Comer as magníficas laranjas da Baía que produzo no meu quintal. Esta primeira colheita é de qualidade suprema e augura-me um auspicioso futuro como agricultor. Para quem come, durante todo o ano, quilos deste fruto magnífico, poder saborear os exemplares que ele próprio extrai da mãe natureza, é algo milagroso.



Aqui está ela, linda, pela qual tanto lutei. Por ela lutei contra a vontade da mulher que não a queria no meio da calçada, lutei contra formigas, lutei contra gafanhotos e pragas variadas, lutei contra as mais diversa intempéries. É por isso que hoje, gosto tanto quando degusto os seus gomos sumarentos enquanto sorrio para as suas folhinhas verdes, sentindo o agridoce sabor da vitória.



PS1: E as sestas que hei-de dormir debaixo dela quando crescer? Por essa altura, as laranjas hão-de ser tantas que hei-de ser auto-suficiente em termos alimentares. Em caso de Armagedão nuclear, estamos safos!

PS2: A filha e a árvore já estão. Só falta o caraças do livro mas esse demora mais…

Pressão social


Nas aulas de Sociologia era frequente levarmos com conceitos como “status” ou “pressão social”. Meia volta, volta e meia, lá estávamos nós a bater na mesma tecla.

Pois bem, não há nada como a realidade. Eu digo-vos o que é pressão social…

No dia em que recomeçaram as aulas do 2º período, durante o jantar, a minha filha, cabisbaixa, comentou connosco: “sabem… todas as minhas amigas receberam telemóveis de presente no Natal…”.

A minha filha tem 7 anos. Anda na 2ª classe.

Este é o nível em que anda o campeonato…

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Baile de gala



José Sócrates entra em 2009 como um rocket em direcção à maioria absoluta.

Digam o que disserem os entendidos da nossa praça, os críticos, os “opinion makers”, as vozes discordantes, os filófosos de ponta das nossas tabernas e dos nossos cafés, para mim, na entrevista da SIC de hoje que se seguiu ao Jornal da Noite, o homem esteve:

Calmo
- contrastando evidentemente com um Ricardo Costa absurdamente nervoso para um jornalista com a sua experiência e a sua tarimba; e um José Gomes Ferreira titubeante.

Seguro - com uma memória prodigiosa, desdobrando-se em percentagens, números e estatísticas sem nunca vacilar e sobretudo sem ser contestado. À sua frente, apenas dois ou três meros papéis. Passou a hora da duração da entrevista fitando os entrevistadores, aguentando com os dois em campo aberto, enquanto estes se revezavam nas consultas às cábulas que tinham à mão.

Claro - nunca perdendo a noção que não estava realmente a responder a quem tinha à sua frente mas sim aos muitos milhares que estavam do outro lado do ecrã, utilizando uma linguagem acessível a todos (chegou inclusivamente a dizer que quando falava em recursos hídricos se referia, “portanto, à água”). Chegou a ser notável na forma como abordou a questão do novo estatuto dos Açores e como desmistificou a questiúncula em seu redor com o Presidente Cavaco.

Bem disposto – fazendo tudo para afastar a sua imagem de homem de pulso com laivos de tirano que alguns lhe apontam internamente. Educado, pediu licença para explanar os seus pontos de vista, evitou o choque directo, chegou até a ser irónico. Rindo de alguns comentários, gracejando com pontos de vista, causou certamente boa impressão para o português que assistia. Foi cordial e afável.

Versátil – Numa entrevista muito marcada pela crise internacional e pela questão económica, soube estar à altura do editor de economia da SIC (que não é pêra doce) e neste confronto directo, nunca (aos meus olhos de leigo) foi batido. Levou sempre a sua argumentação avante, soube sempre passar a melhor. Saltou de campo para campo com uma naturalidade de quem sabe que tem a lição estudada e em dia.

Hábil – Conseguiu sempre puxar a conversa de forma a passar a sua mensagem, os feitos do seu governo, evitando a imprevisibilidade do futuro, agarrando-se às certezas do presente. Por exemplo, esquivou-se à fuga fácil e eleitoralista da baixa dos impostos, para se escudar nas medidas que já efectivou como a descida do pagamento especial por conta e do IRC.

Convincente – Goste-se ou não, a verdade é que Sócrates consegue, como nenhum outro político português actual, defender aquilo em que acredita com uma força que passa para os outros e os puxa para o seu lado. Por muito que os milhares de professores gritem na Avenida, a grande maioria dos portugueses há-de concordar com a explanação que o PM hoje alvitrou. Quando disse que embora com algumas adaptações, faz questão e foi o único com coragem para avançar com uma medida que tardou 30 anos em se concretizar, certamente muitos disseram em suas casas: “se todos nós devemos ser avaliados, porque não estes também? Por acaso são diferentes, ou superiores?”.

E por isso eu digo, que sendo de direita (embora o mais à esquerda possível) olho para este homem como olho para o Liedson, no Sporting, ou o actual Hulk, no Porto: também gostava de ter um assim nos meus.

Entretanto, a testa-de-ferro do meu lado, quem eu cheguei a achar que poderia estar à altura do embate, entretem-se a presentear os portugueses com pérolas como aquela do “às vezes dá vontade de suspender a democracia para meter tudo na ordem” e que “o casamento tem como objectivo primordial, não a felicidade dos cônjuges mas sim a procriação, sendo um absurdo o amor entre pessoas do mesmo sexo”.

Caro Sócrates, com todos os defeitos que o menino também tem (para já é um pouco mentiroso. A minha filha todos os dias me pergunta pelo bom do Magalhães), tenho de conceder que não havendo claramente um à sua altura na minha falange, nada mais me vai restando que render-me à máxima do “se não os podes vencer…”.

Com um abraço,

Sobreiro
Visconde dos Outeiros
(por nomeação régia)