sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

À mesa com o azeite (o Porto da Espada e as suas gentes)

O bonito e estilizado cartaz
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Uma semana depois, arquivando as fotos nas pastas, reunindo o material produzido, fazendo o balanço final…

Percebo melhor do que nunca que o almoço inaugural das Comidas d’Azeite é uma festa de família, de amigos e um caso exemplar de trabalho de equipa.

Tantas horas, tantos telefonemas, tantos post its, tantos mails e conversas para que tudo resulte assim… num sucesso retumbante.

Mais de 340 refeições servidas e estou em crer que em cada cliente, tivemos um cliente satisfeito.

Foi muito bom!

A quem esteve e ajudou a fazer a festa e a todos, todos aqueles que, de uma forma ou outra, fosse ela mais subtil ou mais expressiva, ajudaram com o seu contributo a tornar tudo aquilo realidade…

Um abraço do tamanho do mundo aqui do Tio Sabi.

Foi glorioso, porra!


Tudo a postos para os comensais
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Os nossos incansáveis amigos espanhóis. Son entrañables!
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Breve mensagem de boas-vindas antes do passeio pedestre pela povoação
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Os nossos amigos do Yala-Spa que se deslocaram propositadamente do Porto para nos ensinarem novas terapêuticas baseadas no multifuncional sumo de azeitona
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Uma recriação do ambiente propício à massagem
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A muito simpática Arq. Teresa que apresentou a Herdade da Almojanda e os seus produtos
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Uma sala bem composta que assistiu atenta
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Mira quien baila! Parejas finalistas... Goyi e Pedro. Quien es el mejor?
(Mira que bien lo haces!)
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Os Anjos de Charlie, por mim baptizadas com muita estima
(jovens, belas, inteligentes... e por tudo isto... perigosas!)
eheh
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Vista panorâmica da actuação do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Santo António das Areias
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Os enchidos do nosso António do Talho são de criar água na boca.
Como dizem nuestros hermanos, "Esquisitos!"
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Com um pedacinho de pão, uma azeitona e um tintinho...
Temos um McMenu Alentejano!
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Tantos! O orgulho da casa cheia! Porque será que são cada vez mais, de ano para ano?
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Os nossos companheiros de ruta da "Voz Amiga", da Terrugem
2 horas e meia de actuação non stop
Profissionalismo e simpatia
Uma exibição de luxo
Bem hajam!
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Alegria e boa disposição. Vai mais um pouco?
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Momento de descontração.
O universalmente conhecido Barradas tem honras de abertura do baile pela mão da sua filha Vera (nossa responsável pelo design, juntamente com o seu fiancé Joaquim)
- Mãos sábias de uma mulher única e uma das minhas mais orgulhosas conquistas para a nossa equipa.
Quem sabe, sabe. Como é que se pode ser mestre sendo tão jovem?
Parecia uma boxe da Fórmula 1! Todos prontos para ajudar.
Minutos depois houve gritos quando uma cobra de borracha apareceu por entre as panelas...
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A minha muito querida amiga Goyi.
Uma força da natureza.
Depois do desaparecimento da Lola Flores, é a espanhola mais autêntica que existe.
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As célebres tibornas
(Para o meu amigo Sequeira Carlos dizer que estavam belíssimas... Tinham de estar mesmo muita boas!)
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Esta dispensa comentários.
Os sorrisos dizem tudo...
Esta é a verdadeira comunidade da raia.
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E há sempre os duros, os que não abandonam o barco até que chegue a bom porto!
São quase sempre os mesmos, é certo, mas nós é que vimos tudo e sabemo-la toda!
Obrigado rapaziada!
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PS: Obrigado à Mila, ao Márcio e ao Fernando por algumas imagens que me cederam

Foi tão bom para ti como foi para mim?


Ainda o concerto dos Oasis.


Não resisto a publicar o comentário da noite memorável do Atlântico que o próprio Noel Gallagher postou no Diário oficial da tourné, no site não menos oficial da banda em oasisnet.com.

"Sorry droogs. Forgot about you lot!

Now then - what's been happening?

Well, we went to Lisbon. I thought it wouldn't get any better than Barcelona and Madrid -
how wrong I was. I think it was my favourite night of the whole tour so far. It may well have been the best gig too. Them kids sang it LOUD, man.

Gave our disc-jockey a lesson in heavy psychedelic rock music in the dressing room afterwards. I really should try my hand at that dj'ing malarky. I'd be fuckin' brilliant."





Grande abraço ao Francisco que mais uma vez provou ser grande amigo e um fã aplicado.

We had sou much fun... Aqueles Kids fomos nós, man! Fuckin' brilliant!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Homem do ano - Soichi Nakagawa

Edição especial da Time dirigida pelo Tio Sabi. Design exclusivo e original. Clique para ampliar.
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A homenagem é singela mas reconhecida.

Para mim, a concorrência para o título de “homem do ano” foi categoricamente pulverizada pelo ministro das finanças japonês, Soichi Nakagawa, depois da última conferência de imprensa que deu em Roma, no âmbito da Cimeira dos G7.

Não contente com estar completamente bêbado, mas assim com uma daquelas de perdição, ainda teve tomates para aparecer todo enxuto no dia seguinte, justificando-se com uns comprimidos que andava a tomar para a constipação.

Simplesmente genial e insuperável.

Qual Obama, qual quê?

Dureza!

“Ai, ó senhor ministro, veja lá que o meu amigo não está grande coisa… Se calhar é melhor não aparecer assim ali. Sabe, os jornalistas têm câmaras e máquinas fotográficas… Pode correr mal…”

“Quem? Eu? Na…da dissss. O (hic)… verdadeiroooo homemmm, nã é o que come (hic), o mel… é o que comeee as abelhasssss”

Lindo!

Depois demitiu-se mas isso é apenas um detalhe...
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Veja a peça jornalística clicando aqui.
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Ou admire o homem em todo o seu esplendor aqui. Pura poesia...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Magical Mistery Tour

"Cum on, feel the noise..."

Apesar de estar todo rebentado, rouco e com o corpo dorido dos apertões que dei e dos empurrões que levei na dureza da linha da frente, cada vez que penso na jornada de ontem, na “Missão Oasis” que me fez rumar ao Pavilhão Atlântico, só me consigo lembrar do feliz que fui. Esta já ninguém nos tira! Memorável e irrepetível!

Eu sei que muita gente pensa que os Oasis são uma banda menor, de putos e para putos, que vivem colados aos Beatles e que nunca trouxeram nada de novo.

Só que para mim, os Oasis são companheiros de jornada e de vida há já 15 anos, são uma paixão desde o riff inicial, desde que vi pela primeira vez o “Live Forever” na MTV. Foi deles o primeiro cd que comprei, o disco de estreia “Definitely Maybe” (ainda hoje o meu favorito de todos quanto gravaram), que quase gastei de tanto rodar até à exaustão, de dia e de noite, no meu quarto de adolescente. A eles me confessei, com eles ri e pensei e nunca mais os larguei da mão.

A alma dos Oasis é a irmandade Gallagher e ali revejo-me em tudo, na galhardia tão típica do espírito britânico, no ar rufia e de despique constante, no respeito pelos cânones sagrados da melhor música nascida em terras de sua majestade (que recriam e projectam no tempo e espaço), nas melodias sónicas e nas letras cáusticas, no look vintage e nos cortes de cabelo, na pose dandy e até na guerra constante e na maledicência entre as partes.

Neste domingo, para além da alegria de os poder rever depois da Praça Sony em 2000, tinha ainda a felicidade de levar o Júnior comigo, de ir acompanhado de mais amigos (Careca e Ana), de me ir encontrar com outros (Pesca man) e sobretudo, de poder reencontrar quase 20 anos depois, o meu colega de liceu Francisco Serôdio, o Chico da Portela, a quem tinha perdido o rasto num tempo em que não haviam telemóveis, computadores, internets, messengers e afins.

Quando o voltei a descobrir por motivo da vinda da RTP a Marvão, já não perdemos contacto e ao sabermo-nos fãs da mesma banda, agendámos logo a primeira oportunidade que surgisse para estarmos juntos. Quem nos havia de dizer que haveria de ser tão cedo?

Depois, quando estamos bem acompanhados, até as coisas mais pequeninas e banais como uma viagem de metro onde dois junkies insistem em sair na porta errada (que dá acesso directo à linha e não à gare) têm graça. Também é certo que o Júnior esteve em grande e foi a estrela da tarde: fosse a fazer surf nas escadas do metro, a fingir que dava cabeçadas nos sinais de trânsito, a utilizar as escadas rolantes ao contrário ou a chamar o Damião (o campeão imaginário), esteve simplesmente insuperável. De ir às lágrimas.

O dia passou a correr e em crescendo até ao grande momento. Muito agradável o almoço na histórica Cervejaria Trindade; bastante aprazível a esplanada do Vasco da Gama ao cair da tarde com as gaiovotas, os teleféricos e o rio de fundo; bem oportuna a merendinha na Lusitânia e os dados estavam lançados.

Quando entrámos já a casa estava meio composta com os Free Peace a terem honras de abertura do cerimonial. Este trio dinâmico que pratica um rock simples e musculado com ar retro merece uma segunda audição mas não mais que isso. Gostaria bem mais de ter visto por ali sangue luso a mostrar-se numa montra maior e os Poppers, com disco novo quase a rebentar seriam mais do que adequados mas isso… é apenas a minha opinião.

A plateia não é para a malta nova. A plateia é para quem gosta de estar no olho do furacão e viver as emoções por dentro e nós colocámo-nos ali quase à frente, meio de lado, à espera que largassem os touros para furar a turba até à área adversária.

Minutos antes da hora prevista, o instrumental “Fuckin’ in the bushes” anunciou a boa nova e aos primeiros acordes de “Rock’n’Roll Star” já eu e o Júnior cavalgávamos a todo o vapor até ficarmos a escassos metros da boca de cena. O aperto era tal e o movimento tamanho que parecia que estávamos em 94, numa garagem qualquer de Manchester, com toda a adrenalina do rock a bombar nas artérias. Um coro de muitos milhares disse-lhes que estavam em casa e os Gallagher não se cansaram de agradecer. “Lyla” e “The shock of the lightning” permitiram afinar as gargantas antes de a casa vir de novo abaixo com “Cigarettes & alcohol”. Muitos momentos inesquecíveis… o lindíssimo “Masterplan” com muitos milhares em sintonia, “Songbird”, “Slide away” (and give it all you've got), “Morning glory”, “I’m outta time”, “Wonderwall”, “Supersonic” (need to be myself, can’t be no one else) e já no encore, o arrepiante coro em “Don’t look back in anger”, “Falling down”, o fabuloso “Champagne supernova” e a terminar, o bombástico “I am the walrus” dos Beatles, cerrando o ciclo com chave de ouro. 1 hora e 40 ou 45 de puro delírio. Mais pareciam 10 minutos…

Liam canta cada verso como se fosse explodir no segundo seguinte, com uma raiva latente, e sai disparado no momento seguinte, espalhando classe enquanto ginga pelo palco. É o cúmulo do estilo… por vezes parado em frente ao público com ar de brigão, de quem está deserto de mergulhar na multidão; outras vezes vociferando e falando sozinho por entre os colegas e os instrumentos; outras desaparecendo pelo backstage só para não ter de ouvir o irmão cantar. Bastantes vezes o desafiámos para vir reinar connosco e a única coisa que tivemos em troca foi um ar de gozo. Ele e Noel, não trocam, de resto, uma única palavra ou olhar durante todo o espectáculo. O irmão mais velho, mais contido, mais comedido também não conseguiu esconder a satisfação pela recepção calorosa das muitas almas presentes, chegando mesmo, de tão à vontade que estava, a pedir que se algum de nós visse o José Mourinho, lhe dissesse que ele “fuckin’ love the guy”, que se deixasse de merdas e aceitasse o convite para treinar o Manchester City do seu coração.

A música e o rock são um espaço de magia e liberdade e os concertos são o seu templo, o lugar mítico em que nos soltamos e deixamos de ser nós próprios para fazermos parte dessa enorme mole humana que é parte integrante do espectáculo, tão importante como a própria banda e elas, quando são mesmo boas, sabem-no bem. Para ver concertos das bancadas, sentadinhos, mais vale ir à Fnac, comprar o dvd e servir mais um scotch enquanto nos acomodamos no sofá. Um bom concerto tem de ser uma celebração e esta foi uma daquelas que jamais se esquecem.

Da minha parte, aos meus acompanhantes, à banda e ao dia, digo o mesmo que o Liam nos disse a nós no final: “Thank You. You’ve been magical!”.
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Excerto da reportagem da revista Blitz: "Uma hora e meia depois do primeiro olá, os Oasis estavam despachados. Mas não abandonaram o palco do Pavilhão Atlântico sem agradecerem aos fidelíssimos admiradores das primeiras filas: Liam apontou para eles com ar de aprovação, e Noel foi mesmo o último a sair de palco - depois de Gem Archer, Andy Bell e Chris Sharrock - , demorando-se alguns minutos a aplaudir os fãs mais afoitos. O Atlântico percebeu o gesto e aprovou-o, com a última salva de palmas de uma noite ordeira e bem passada".

A Lisboa da luz única, das praças e dos largos, dos pombos e dos eléctricos... lânguida, deitada na margem do rio. A minha Lisboa...

A Lisboa dos túneis, dos metros, moderna e claustrofóbica.

O Júnior com ar de dandy em plena Trindade, posando para a foto sob o olhar do Careca

Classe...

Ó Bitchi, agora que tens a foto, já podes ir tirar o cartão do cidadão.
Com os meus óculos do Chinês (3 euros e meio) pareces um homenzinho...

"Too fast for meeeeeeeeee"

YYYYYYEEEEEAAAAAAHHHHHHH




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Todas as fotos e videos exclusivos e propriedade do Tio Sabi
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PS: Beijinho muito grande à Cuca, à mana e à mãe do Francisco, pela recepção e amabilidade. Vamo-nos ver em breve no meu Alentejo, certo?

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Vivam os compadres! Viva a gente! Viva nós!


Reza a tradição que na segunda quinta-feira de Fevereiro reúnam os compadres.

Neste ano, não faltaram os jantares alusivos em diversos pontos do concelho, ajudando a manter viva a chama deste hábito tão antigo e ainda bem.

Em Santo António, o repasto organizado pelo bar “O Adro” teve lugar na sala nº 1 do GDA, reunindo à volta de 8 dezenas de convivas que se bateram com a sopa do cozido, o cozido ele mesmo, as febrinhas da matança e o arroz doce.

Foi rija, a festa, animada pelos tintos puros ou traçados e pelo som sempre maravilhoso dos acordeonistas presentes. Cantou-se e bailou-se e bebeu-se que são “estes bocadinhos que a gente de cá leva”, como diz o povo.

Coube-me a mim, a pedido de quem de direito, a árdua (mas que muito me honrou) tarefa de evocar a memória do nosso amigo Sérgio Carroça, o pai desta iniciativa em solo arenense. Palavras breves mas sentidas apenas para o recordar e dizer que estivesse ele onde estivesse, nesta noite esteve certamente ali connosco.

A noite prolongou-se já nas instalações do bar entre corridinhos, fadunchos, marchas e pasodobles até ver que já era meia-noite e no outro dia havia escolinha e “ala que se faz tarde”.

Quem por lá ficou terá certamente muito mais para contar mas pelo que me foi dado a conhecer, foi mesmo muito bom até aqui…



O prémio “artista da noite” foi muito bem entregue ao Sr. Manuel Alpina.

O prémio “revelação” foi para o fabuloso espanholito Paco, uma fera como já não se fabricam: homem pequenino, tareco e dançarino, que rubricou uma prestação divinal.

Adeus e até pró ano se Deus quiser.










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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O meu gabinete


Uma das coisas que eu adoro na Câmara é o meu gabinete.

O meu gabinete parece o quarto de um adolescente porque tem as paredes forradas de cartazes de eventos que eu organizei, fotografias, pequenas recordações, bilhetes, notas, apontamentos e outros souvenirs.

O meu gabinete não parece o gabinete de um vereador e é por isso que as pessoas que nele entram ficam com a boca aberta a olhar em volta… uns com ar mais discreto, pelo canto do olho, tossindo e fingindo não reparar quando os meus olhos tocam os seus; outros mais exuberantes, sorrindo, rindo, ou mesmo comentando “olha aquilo que engraçado”.

Eu só sei estar em sítios onde me sinto confortável e bem e no meu gabinete eu sinto-me assim… em casa. Quando ganhámos a câmara o gabinete era frio e austero. A mobília era lindíssima, de pau preto, e fazia tudo parecer um relicário. A cadeira, então… era dura como cornos e quem se sentou nela antes de mim não deve lá ter metido o rabo muito tempo porque senão tinha feito imediatamente aquilo que eu fiz com a minha: tive uma conversa com ela, disse-lhe que poderia ser muito linda para um museu mas que a mim não me servia porque me fazia doer as costas, os rins e sobretudo o cú mesmo. Dei-lhe uma guia de marcha.

Depois enchi as paredes brancas de coisas que me dessem alegria, que me fizessem sentir acompanhado, que me ajudassem a fugir da solidão.

Mas o melhor do meu gabinete é a vista deslumbrante para a paisagem. Depois de tanta chuva, hoje de tarde, quando o sol me bateu à janela para entrar, eu abri as portadas e respirei o ar puro e pensei que era tudo tão bonito que tinha de o partilhar com alguém. Tirei uma foto e pensei que não podia ficar só fechada dentro do meu telemóvel. Como é muito pouco provável que a Caras, ou a Lux, ou a Hola ou a Rabos venham visitar-me para que revele o meu mundo profissional, decidi fazer um “gabinete aberto” aos leitores do meu blogue e aqui está.

O meu gabinete não é muito diferente do meu quarto de universitário, numas águas furtadas ali na Manuel Arriaga às Janelas Verdes. Eu gosto muito do meu gabinete e já tenho saudades porque no meu serviço das Finanças não posso colar nas paredes fotografias minhas a rezar aos pés da estátua do Rei Eusébio nas imediações da Catedral da Luz.

Eu gosto do meu gabinete porque há sempre música, seja ela na Antena 3 ou nos discos pedidos da Rádio Portalegre que eu adoro.

Quando sair, vou retirar tudo para deixar limpinho para quem vier a seguir. Vou mandar pintar, vou deixar tudo num brinco mas depois vai ser igual a tantos outros gabinetes quaisquer e não o gabinete de um menino que cresceu e teve um cargo de muita responsabilidade.

Esse gabinete vou trazê-lo sempre comigo.