segunda-feira, 15 de março de 2010

Ammai (-a)

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Eu não sei se acontece o mesmo convosco mas para mim é sempre uma emoção quando (re)encontro Marvão num qualquer órgão de comunicação social nacional ou internacional.

Sei que pode soar assim possidónio mas a verdade é que me sinto vaidoso quando vejo a minha terra brilhar aos olhos dos outros.

Desta vez foi no Público de sexta-feira passada que dei de caras com um bom artigo da Alexandra Prado Coelho, publicado na sequência do prémio que a Fundação Calouste Gulbenkian atribuiu à Fundação Cidade de Ammaia pelo seu esforço na valorização do património.

São duas páginas que transmitem uma ideia clara da importância desta cidade (da que teve então e da que pode vir a ter) e que fazem o ponto da situação dos trabalhos desenvolvidos no sentido de nos revelar tudo o que ainda há por descobrir. Merecem uma leitura atenta.

Só é pena que este diamante (ainda) em bruto, que poderia ser a nossa nova jóia da coroa em termos de dinamização turística, esteja localizada neste triste país que não sabe valorizar e rentabilizar o riquíssimo património que tem nas entranhas. Estivesse a nossa Ammaia nos States ou até mesmo nas vizinhas Espanha e França, enfim, em qualquer país que não do terceiro mundo, e outro galo cantaria. Estaria tudo mais do que escavado, catalogado, ressuscitado, exposto, preparado para receber os visitantes em jeito de Parque Temático repleto de actividades lúdicas, serviços e merchandising. Não faltaria o dinheiro para apoiar uma coisa à séria. Assim…

Venham antes estádios de futebol para regiões que nem sequer equipas tinham no escalão maior, condenados a estarem sempre vazios; venham aeroportos desnecessários construídos apenas para alimentar os lobbies; venham TGVs, venha tudo e mais alguma coisa… menos o que nos faz realmente falta.

Apesar de não ser a sorte grande, o prémio e a mediatização serão certamente um merecidíssimo estímulo e um reconfortante aconchego para os homens, mulheres e instituições que têm lutado e se têm dedicado (tantas vezes de forma inglória…) a esta tão nobre causa.

Oxalá um dia consigam tudo aquilo que sonham.

Se tudo fosse tão certo quanto a minha admiração e gratidão…
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PS: Abraço particular ao Quim e à Sofia. Sabes bem o quanto gostava de estar presente mas…

quinta-feira, 11 de março de 2010

Dizer não! de vez (em memória do Leandro)


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Acordou em sobressalto, com um grito que tentou abafar para não incomodar o irmão que ainda dormia tranquilo a seu lado. Ficou sentado na cama, o corpo frágil num frémito, os olhos baços colados à única fisga de claridade que entrava pela janela. Chovia muito lá fora. Chovera toda a noite, como na outra e na outra e em tantas outras antes. Há muito que as noites tinham deixado de ser um período de descanso e aconchego para ele. As noites agora eram um castigo. Adormecer era entrar num mundo de desassossego povoado por mil assombrações, seres bizarros, gritos, precipícios, terramotos e tudo aquilo que mais o assustava. Umas vezes perseguido por alcateias de lobos famintos em florestas geladas, outras vezes acossado por ondas gigantes que nunca o deixavam chegar são e salvo ao areal, outras ainda caindo do alto de arranha-céus sem fim, acordava sempre assim, arfando. Cansado. Com a cabeça a zunir, com aquele uivo do vento a varrer tudo lá dentro.

Olhou o gémeo na cama à sua direita. Apesar de serem exactamente iguais, sorriu e suspirou quando pensou na sorte tão diferente de cada um, mas corrigiu o pensamento no segundo seguinte e ficou aliviado por saber que tinha sido ele o escolhido para tão triste sina. Gostava tanto do irmão que achava tudo preferível assim. Nessa manhã, a gripe haveria de lhe roubar a companhia.

Caminhou descalço até à pequena casa-de-banho do fundo do corredor e fez a higiene da manhã em movimentos quase mecânicos. Sentia-se assim muitas vezes, como se estivesse em piloto automático.

Vestiu a roupa de ontem que também tinha sido a de anteontem e sentou-se na cozinha para tomar o pequeno-almoço. Fitou o relógio de parede e ficou imóvel, como que hipnotizado pelo movimento repetitivo do pêndulo. Sentia nisso um estranho conforto que não conseguia explicar. A televisão ficou mais uma vez desligada. Bebeu uma chávena de leite frio e levou à boca o resto de uma carcaça que tinha sobrado do jantar da véspera. Nem manteiga, nem fiambre. Pão apenas para que não lhe ralhassem por uma vez mais ter saído de estômago vazio.

O caminho até à escola era uma antecâmara do que viria a ser o sofrimento do dia. Em cada passeio, cada viela, cada rua, cada estrada ia mentalmente antevendo tudo aquilo que já sabia que lhe iria acontecer quando chegasse. Já assim era há muito tempo e já há muito tinha também decidido desistir de fazer com que os outros o compreendessem e lhe pudessem valer. Nem os pais que nunca o defenderam com a força necessária, nem os professores que sempre acharam que aquilo era brincadeira de miúdos, nem sequer os amigos que sempre temeram serem eles o próximo alvo da ira dos maiores. Ninguém. Porque aquilo era só ele e com ele. Não poderia escapar ao destino, por mais que dele fugisse.

Já nem se lembrava como tudo aquilo tinha começado mas podia ter sido como uma pequenina bola de neve que foi crescendo, crescendo, até se tornar numa enorme avalanche que agora descia tresloucada a montanha em direcção a ele. Sabia que ia ser engolido.

Podia ter sido por alguma coisa que tivesse dito fora de tempo ou de maneira menos adequada. Podia ter sido uma piada que caiu mal. Podia ter sido uma roupa qualquer que vestiu… um corte de cabelo…um tique estranho… um olhar incómodo mas agora… depois de tanto ter apanhado, de tanta ferida, tanto soco, tanto estalo, tanta nódoa negra, até de internamentos… já nada disso importava. Para quê saber da faísca, agora que tudo ardia à sua volta.

Esperavam-no ao portão. Não para começar logo ali, mas para marcar território. Tinham o mesmo olhar de escárnio de sempre, os mesmos sorrisos de gozo e raiva. Um deles, o loiro, o mais pequeno, o que servia tanta vez de isco para o que viria a seguir, saltou do muro e aproximou-se, seguindo as instruções superiores. Debruçou-se e cuspiu por entre as grades de ferro , acertando-lhe em cheio na face, à frentes de todos mas sem que ninguém tivesse visto. Tanto pai, tanta mãe, tanto funcionário e professor, todos eles preocupados com tudo… à excepção dele.

Levou a mão à cara para se limpar e continuou no seu passo curto e nervoso até à sala de aula. Directo. Apesar de já não se conseguir concentrar, de saber que nada iria aprender, que tudo o que fizesse seria mal feito, continuava a fazer um esforço para se comportar como os demais. Para que ninguém notasse. Podia ser que assim passasse... Se um dia ao menos se esquecessem dele…

A sua rotina era marcada pelo medo. Medo de entrar na casa-de-banho sozinho, medo de se cruzar com eles no bar ou no refeitório, medo de partilhar o balneário, medo de estar no mesmo pátio, na mesma escola, na mesma terra, no mesmo mundo. E apesar de evitar a todo o custo os sítios mais recônditos e de fazer tudo para andar acompanhado, eles arranjavam sempre forma de o caçar. Ele era uma presa fácil. Todos os outros tinham fechado os olhos.

Naquela manhã, que já ia longa e tinha sido anormalmente tranquila, nem ele poderia imaginar o que o esperava. Quando saiu do bloco em direcção à aula de Inglês, no momento em que atravessava a espessa neblina que tudo encobria, foi abraçado por trás, por dois deles, que mais uma vez se fizeram passar por seus amigos e assim o desviaram para junto dos carvalhos na traseira do campo de jogos. Os murros e os pontapés foram tantos, tão rápidos e tão violentos que perdeu os sentidos de imediato. Entrou em si no chão, já com o sabor metálico do sangue na boca e o corpo num torpor. Eles riam e vociferavam, divertiam-se com o seu sofrimento. Na posição em que estava só conseguia ver formas difusas, vultos que chocavam contra si. Esteve ali durante muito tempo, muito mais do que aquele que realmente passou e nem deu conta quanto abalaram.

Assim que conseguiu reunir forças para voltar a caminhar teve a certeza que tudo aquilo teria de ter um fim e que a solução estava apenas na sua mão. “Não apanho mais…” e o cenário que tantas vezes viveu mentalmente ganhou vida e afigurou-se como sendo a única saída possível.

Sabia que era pequeno, frágil e que as soluções mais óbvias escolhidas por outros homens da terra de que tinha ouvido falar estavam longe demais para poderem ser alcançadas por si. Foi avançando a custo até ao portão e fingindo ir para casa, saiu. Assim que começou a descer a rua sentiu logo que um novo ânimo ganhava forma dentro dele. Não sabia o que viria a seguir mas pouco importava, desde que se soltasse de vez desta amarra que o agrilhoava. Apesar de ferido, sorriu, quando passou em frente ao quiosque e viu que a ponte estava deserta.

Tudo o resto foi um ritual, um despertar. Desfez-se ali mesmo das roupas que trazia consigo, como se quisesse deixar para trás tudo o que o prendia a este mundo, subiu ao muro da ponte e olhou o rio. O Tua ia largo e vigoroso, enfurecido pela força das chuvas e de toda a natureza. A corrente era forte e seria uma aliada poderosa sobretudo para quem não sabe nadar. Só o rio o poderia levar tão longe quanto queria. Nem os gritos assustados dos amigos que se aproximaram a correr para o parar, o conseguiram demover.

Abriu os braços, olhou em frente e saltou para o desconhecido.

Antes a corrente gelada que a insensatez e a crueldade dos outros.

O Leandro Pires escolheu a morte a ter de viver assim. Tinha 12 anos.


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Nota: ligação para a notícia inicial clicando aqui

terça-feira, 9 de março de 2010

Marvão velhinho (branquinho...)


Pois… eu sei que nesta tenebrosa invernada, as imagens de neve em Marvão já se vão tornando caricatas mas eu não resisto…

Hoje de manhã acordei com tudo assim… branquinho e lá fui captando estas imagens enquanto me deslocava para o emprego.

Digam lá que não é uma sorte poder trabalhar / viver num sítio assim tão bonito e especial?

PS: E já estou mesmo a ver que ou a coisa muda muito ou neste ano… vamos à tourada do São Marcos de blusões de penas, luvas e cachecol… Olé!


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Ainda os Óscares…


Algum espanto e muita satisfação cinéfila pela atribuição das estatuetas de “Filme do Ano” a “The Hurt Locker” (“Estado de Guerra”) e de “Melhor Realizadora” a Kathryn Bigelow que conseguiram assim ofuscar a coqueluche multimédia da temporada (“Avatar”).

A Academia mostrou coragem e discernimento ao escolher uma obra que expõe o lado mais cru e realista do cinema e portanto, da própria vida. Privilegiou-se uma obra electrizante que nos revela toda a brutalidade do estado da guerra actual ao conseguir despejar-nos em pleno teatro das operações, acompanhando o dia-a-dia no “fio da navalha” de uma equipa de “minas armadilhas”.

Cinema em estado bruto, meus amigos, daquele que nos faz esquecer onde estamos, nos cola as costas ao sofá e nos prende a respiração do primeiro ao último frame. Explosões de fazer tremer o Iraque inteiro ao som dos Ministry é muito à frente. E depois aquela câmara ao ombro, sempre em cima dos actores e dos acontecimentos, envolvendo-nos e fazendo de nós mais um membro da equipa merecia (quanto mais não fosse pelo arrojo) uma distinção.

Este é mesmo a não perder. As reportagens sobre o Iraque e o Afeganistão nunca mais serão vistas com os mesmos olhos…


PS: Justíssimos também, o de “Melhor Animação” para “Up” e de “Melhor Actor Secundário” para o austríaco Cristopher Waltz no memorável “Sacanas sem lei” do mestre Tarantino que bem merecia ter um daqueles Óscares gigantes que ficam na entrada do teatro. Muito bom!

domingo, 7 de março de 2010

Serão sci-fi (Star Trek no coração...)


A série “Star Trek” (“Caminho das Estrelas” em português) foi uma das mais felizes delícias televisivas da minha infância. Tudo aquilo era de um deslumbramento sem igual. E mesmo hoje, já mais crescidinho, não raras vezes a revejo na minha memória.

De todos os gadgets ultra-modernos que ajudaram a construir aquele imaginário sideral, o “desintegrador de partículas” era claramente o mais apetecível.

A rapaziada metia-se lá debaixo do secador gigante, começavam a chover-lhe estrelinhas no corpo todo e desapareciam num ápice para voltarem a ser gente no ponto que desejassem, por mais remoto que fosse.

Eu sonhava com aquilo… e lembro-me de pensar que quando fosse gente a sério, homem vá, haveria de ter um em casa.

Mas não…

Se tivesse, mesmo agora ia direitinho para a Catedral da Luz e dali, depois de ver o meu Benfica consumar mais uma vitória a caminho do título, tirava bilhete para o Kodak Theatre, onde assistiria a mais uma cerimónia de entrega dos Óscares, com o Jack Nicholson de um lado e a Penélope Cruz do outro. O Javier Bardem? Tinha ido comprar-nos charutos à tabacaria cubana da esquina. (Despacha-te rapaz!).

E depois… por mais que eu dissesse que tinha de regressar logo no final do espectáculo… que amanhã é dia de escola… já sei que o mais certo era ir parar a uma after-party qualquer cheia de gente gira e de glamour… talvez a beber flutes de “Moët & Chandon” numa piscina aquecida com a Angelina Jolie e Monica Bellucci. (Está boa a água, queridas? Morninhaaaa).

Dali já nem vinha a casa. Aterrava logo nas Finanças de Marvão, pronto para receber mais umas declaraçõezinhas da campanha de IRS. Olaré! Toda a gente havia de reparar nas olheiras mas que fazer? Há coisas tão mais fortes que nós…
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PS: Mas no Bairro Manuel Pedro da Paz, à lareira com as minhas pequenas também não se está nada mal e com um bocadinho de sorte, também vou conseguir ver tudo. À distância mas… sempre é melhor que nada.
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Já dizia o outro: “Antes rico e saudável que pobre e doente”.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Jornada de luta (em formato autocolante)

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É só para dizer que eu, desde as 0 horas deste dia, estou grevista.

Camaradas… a hora é de luta!

Ainda andei a pensar se fazia… se não fazia… e atentei no aviso prévio de greve do meu sindicato, o dos trabalhadores dos impostos (STI). E não é que eu concordo com aquilo tudo? TUDINHO!

Dizia:

Porque os trabalhadores dos impostos exigem respeito pela sua cultura e identidade (Verdade!);

Pelo pagamento das subidas obrigatórias e respeito pelas notificações efectuadas (Verdade!);

Por uma política de quadros que não abandone o interior, nem obrigue os trabalhadores ao nomadismo (Nota: o que só por si constitui uma imagem fantástica. “Obrigar ao nomadismo” é uma expressão muito boa. Imaginamos logo os trabalhadores nómadas, vestidos apenas com peles de animais, armados com seixos rolados e pontas de setas, calcorreando este país em busca de emprego e alimento, sujeitos às contrariedades do clima e a animais ferozes. Nota + para o sindicato. E isto também é verdade);

Contra a adopção de estudos quantitativos que desprezam os funcionários (Verdade!),

Pelo não encerrar de Serviços no interior do país (Muito verdade mesmo!);

Por um projecto de carreiras digno para os trabalhadores da DGCI (Verdade!);

Porque não aceitamos as quotas do SIADAP (E muito bem!);

Pela eleição de Comissões Paritárias (E já agora, desparasitárias também! Eu aí vou mais longe!);

Para que não existam mais estágios de 3 anos e pela nomeação imediata dos actuais estagiários;

Contra os aumentos zero depois de uma década de congelamentos (Nota: Propícia a uma nova idade do gelo…);

Contra a perda de vínculo dos colegas do Regime Geral e da DGITA (e muito bem!)

E aqui as razões já eram tantas que dei um murro na mesa e disse: “estou grevista!”. Foi uma revelação!

Mas o meu sindicato não brinca e enviou-nos num envelope de grandes dimensões, a sua última cartada para convencer os mais resistentes, em forma de autocolantes. E que autocolantes, meus amigos…

Isto dá vontade mas é de fazer greve de fome! Um homem vê isto e até se passa! Dispõe-se logo a ir ao limite da greve, à greve até para respirar.

Da bateria de diversos, seleccionei 3, e que 3! Ora atentai de novo:


Este primeiro é uma delícia e tem reminiscências nos filmes de terror de série B dos anos 70. Diz que: “Dia 4 estamos em greve…” mas (e aqui o MAS volta a ser mesmo muito importante) Atenção! No dia 5 voltamos!”. Que é como quem diz: “vá lá… tenham lá este diazinho de folga da gente mas não relaxem porque vamos voltar com a força toda para cobrar os impostos que fazem falta à nossa vida”. Muito, muito bom! Esta última parte lida ao som de violinos estridentes deve de ser de arrepiar. Categoria!


Este então é de um humor finíssimo. “O Fisco adverte… Greve não provoca cancro”. Epá… isto é quase poético. Nem os próprios Gatos Fedorentos se lembrariam de uma destas. Esta é como quem diz: “Opá, fumem, bebam, passem os dias aos sol, rebentem-se todos que a gente não se importa mas façam greve porque até ver, os efeitos secundários, à excepção da perda do vencimento do dia, não são gravosos. Este é um autocolante a anunciar a greve do fisco mas podia muito bem ser um maço de tabaco.
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E para finalizar… a cereja no cimo do bolo:
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Não há comentário possível. É de ir às lágrimas.

Hoje estou em luta por tudo o que o meu sindicato diz que é verdade, mas muito também por este(s) autocolante(s).

Não é assim quem quer. É só quem consegue.

Este último vai andar na minha lapela amanhã. Chique demais!

E agora? Quem é que endireita isto?

Da notícia: "O sismo de magnitude 8,8 na escala de Richter no Chile, que fez 795 mortos, deslocou o eixo de rotação da Terra oito centímetros. Os dias ficaram 1,26 milionésimos de segundo mais curtos


E esta merda quer dizer o quê?

Que estamos todos torcidos?

Que mais dia, menos dia, vamos sair despastilhados por esse universo fora aos trambolhões?

Pelo sim pelo não… hoje já durmo de capacete.


PS: Ou isso ou levamos o planeta ao Ti Chico de Alter. Se está deslocado…

Sim, eu sei, tem de ser antes de almoço… Toda a gente sabe isso…

quarta-feira, 3 de março de 2010

De faxina...


Se há coisa que me deixa verdadeiramente feliz é quando consigo fazer uma daquelas tarefas que costumamos deixar sempre para depois. Sabem? Aquela que ou porque é chata, ou porque é trabalhosa, ou porque é cara… acaba sempre por ser ultrapassada por outras mais urgentes ou imprescindíveis e vai ganhando uma aura mítica que lhe confere um estatuto de intangibilidade.

Costumamos, nesse então, dizer para nós próprios: “Eu devia de… mas…” e este MAS é que amola a coisa e a deixa a rir-se da nossa incapacidade.

E se o meu sótão andava mesmo a pedi-las… Então agora, que montei lá uma mini-área de fitness para o exercício caseiro…

É que não havia vez que lá entrasse ou de lá abalasse que não lhas prometesse entre dentes. Dizia-lhe, ameaçador… “ai se não fosse isto… ou aquilo… ou o outro… mesmo agora te metia mão”, mas… (cá está o MAS que nunca mais era). Durou isto até sábado passado. E já o dia ia numa hora (passavam das 4h da tarde), em que o piloto automático interno me estava a convencer para deixar para a próxima… “Agora é que vais lá para cima? A esta hora? E se aparecem visitas? Olha que já é de noite… e está um gelo do caraças. Ó pá, deixa-te de cenas e vai mas é ao recreio. Relaxa...".

Contrariado, um tipo arranja coragem mas ao encontrar-se assim sozinho, como uma tarefa destas pela frente… é de meter respeito. Sobretudo porque o meu sótão estava já naquela fase do “não ter ponta por onde se lhe pegue”.

E é deveras impressionante constatar a quantidade de “coisas” que se amontoam quando temos pena de as deitar fora. Se se lamenta que vá para o lixo, vai para onde? Isso mesmo! Sótão com ele! (embora a variável “Cave” ou “Marquise” também possa ser utilizada em habitações com outra morfologia).

O que o meu tinha a mais armazenado no papo desde 2004 era:

- Revistas, muitas revistas, resmas de revistas, milhares de revistas que se guardaram por causa daquela foto, daquele texto, de um dossier qualquer, por ser uma edição XPTO… Do extermínio safaram-se: a colecção das Blitz, a colecção da Playboy portuguesa (Claro!), a colecção da espanhola “História y Vida”; e algumas “Vanity Fair” especiais. Da bíblia musical semanal “New Musical Express” que vem direitinha de Inglaterra para os meus bracinhos, só sobraram as edições especiais por manifesta falta de espaço. Paz à alma das restantes…

- Pilhas de jornais, torres gémeas de jornais, uma infinitude deles. Daqueles que na 1ª página plasmaram para a história grandes resultados do Benfica e da Selecção, não faltava lá nem o primeiro. E depois aquela mania de guardar o que faz o balanço do ano, da década… é demais;

- A minha colecção (uma parte diminuta… a outra ainda está em pousio no sótão dos meus sogros… ) de cassetes VHS. Parece coisa do século XVIII… Os meus filmes, tantos filmes da minha vida… horas a gravar dos canais generalistas… Tudo fora! Vá lá que já está praticamente tudo reposto em dvd ou em formato digital num dos discos rígidos. Bem dizia o tio Lavosisier: “Na natureza nada se perde… tudo se transforma…” . Safaram-se, porque acho que ainda vão valer dinheiro, a colecção INTEGRAL dos Ficheiros Secretos e as 18 temporadas iniciais dos Simpsons.

- Montes de brindes, bugigangas, prendas de e para quermesses, coisas do arco da velha;

- Montes de material informático obsoleto, CPUs, monitores, teclados, ratos e colunas;

- Centenas de cds oferecidos em revistas e jornais, programas e jogos, coisas que já não valem. a pena / não funcionam / já estão ultrapassadas e / ou obsoletas;
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- Códigos, diplomas, instruções e apontamentos fiscais que estavam desactualizados e ultrapassados pelo prazo de prescrição (só se aproveitaram os dossiers…);

- Dois chineses já mumificados, um Koala e uma brigada da Al Qaeda (Vejam lá que isto é a brincar, hem… Não me mandem para aí os gajos da PJ! Dasss…).

Basicamente era isto e muito mais! E não bastava já a complexidade de me desfazer de tudo quando eis que me meti numa pior: RECICLAR!

Coisas da minha mulher e da minha filha. Dão-me a volta ao miolo! Eu nisso, sou do mais egoísta que pode haver… Alguma vez eu me metia a separar lixo? Para quê? Bastava pensar na porcaria que os mais industrializados despejam numa fracção de segundo no planeta para me sentir uma gota insignificante neste oceano de detritos e ficar quieto de vez… mas elas deixavam? Valha-me Deus! Era logo um auto de fé! Isto aqui em casa, tudo se aproveita e recicla, até a tampinha da pasta de dentes…

Maneira que antes de arranjar chatices, comecei logo a separar tudo, não fosse ter de as ouvir. Uma cena… Foi o TRIPLO do trabalho. E o pior é que eu sou um bocadinho disléxico… Ainda hoje não tenho bem a certeza para que serve o contentor amarelinho mas parece que plástico e metal podem ir juntos de forma que… escapou…

Uma empreitada… E depois chega uma fase em que pensamos que jamais iremos acabar aquilo, em que nos apetece começar a correr como o Forrest Gump e só parar na Praça Vermelha de Moscovo. Passa-se da depressão profunda à euforia, de regresso ao desespero, atravessamos fases de angústia total. Mas passou… Aleluia…

Enchi o Twingo, cotadinho, até às orelhas com a sucata esta…

Vá lá que quando cheguei aos contentores pude contar com a ajuda de um especialista conceituado que é responsável pela reciclagem da Casa do Povo e de todos os bares e estabelecimentos da baixa arenenese.


"Hum... deixa cá ver o que é que este bornal anda a fazer..."


"Está tudo mal! Mas não leste isto?"


"Vê lá se acertas e metes separadinho como deve ser..." -
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Ainda sim… Não me livrei de espetar com um saco de cartão no do plástico e vice-versa. Ainda meti lá um braço no buracão e repus algumas coisas… Mas já ficou lá pouco… É que não me podia esticar mais… Imaginem que passa alguém… Já estava a ver as conversas nos cafés… “Ai coitado do rapaz… é natural que agora ganhe menos bem mas chegar a tanto… ter de vasculhar o lixo para dar de comer às filhinhas… Q’horror…”. Livra! Pois sim!

Já agora, temos de deixar algum trabalhinho para os gajos da Valnor que estão cheios do guito e também têm de “bolir” senão vai tudo para o rendimento mínimo. Muito já a gente faz…

Olha, e não é que no final me senti bem? Sim senhor! E disse-me a minha numa de apreciação final: “O sótão nem parece o mesmo!”. Olaré!

Podes crer! Mas não é que no mesmo momento em que respirava de alívio pela prova superada… me lembrei que tenho o piso da arrecadação da garagem atafulhado com 6 anos de tralha acumulada? Ai euuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu………………………………………………..

segunda-feira, 1 de março de 2010

Circo Carvalhali apresenta... Jesualdito!


A improvável, surpreendente e meteórica ressurreição do Sporting, com duas “cabazadas” caseiras consecutivas por 3 “secas”, na quinta frente aos bifes do Everton (que na Liga Europa deixaram Lisboa com 8 no “papo” sem se estrearem a marcar) e hoje frente aos bimbos do Porto, é mais um argumento de peso para todos aqueles que, como eu, defendem que o Futebol (com “F” maiúsculo) é das coisas mais lindas que um homem pode apreciar nesta vida.

E o futebol extravasa os limites terrenos sempre que se supera e imita a própria vida, com toda a sua imprevisibilidade e magia própria.

Se no domingo passado, um gajo abancado na mesa de uma cervejaria qualquer dissesse em voz alta que o Sporting ia espetar 3 “sem resposta” nos ingleses e nos do Norte, das duas, uma: ou era louco ou estava bêbado.

Antes de se iniciar a partida, estando eu confortavelmente instalado no sofá da bancada de minha casa, pensava: um milagre pode acontecer… os gajos estão com a moral da última quinta… um remate de ressalto… um penálti… o Moutinho ou o Veloso… pode ser… mas logo de imediato era assaltado pela enorme diferença de poderio e de registos… no desnível de qualidade dos plantéis… na diferença de categoria e experiência dos treinadores…

99% das apostas eram azuis e brancas. Mas o futebol é assim e ainda bem. Ainda o árbitro não tinha metido o apito no bolso e já o estava a levar à boca para assinalar o primeiro. O Sporting foi raçudo, determinado, certeiro nos passes e nas marcações, inteligente a ocupar o campo, letal nas hipóteses de golo que soube não desperdiçar. Ao cair do pano da primeira parte, um míssil soviético de Izmailov fez exultar os da casa e enviou os forasteiros, desolados com a diferença, cabisbaixos para os balneários. No regresso para a segunda metade, a estocada final de Veloso, logo aos dois minutos, deitou por terra qualquer ânimo portista que restasse.

O Sporting teve uma exibição magnífica. Os adeptos, os seus e outros que eu cá sei, devem de estar felizes.

Pela parte que me toca e em nome de toda a família benfiquista… BEM HAJAM!
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PS 1: Não ia fazer um post específico sobre o acontecimento (as goleadas do Glorioso já são uma das modas da época) mas já que se fala de futebol, não posso deixar de aqui plasmar para a posteridade, a exibição de gala e bandeira do meu Benfica, ontem, no Estádio do Mar, onde o campeão em título também tropeçou na semana passada. 5 estrelas e um Di Maria de sonho para encherem o meu coração de alegria. Divinal!

Faltam 9 finais, rapaziada. O percurso é longo e traiçoeiro. Mas estou em crer que com arte, tenacidade, profissionalismo, garra e muito esforço, vamos conseguir. Dependemos de nós. Quanto é que isso não vale?

PS 2: Fora parte tudo o resto, o que eu gosto de ver o Porto perder… Epá… é uma satisfação… parece que acabei de comer uma bruta sardinhada. Fico tão saciado… A carinha do Jesualdo… e o Papa? Só foi pena não terem dado um grande plano no final… mas a gente imagina... Tão bom…

Revista de Imprensa

Nem sempre há tempo para partilhar a minha revista de imprensa, mas desta vez, cá vai!
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Começo por uma curta mas poderosa. Há notícias que apesar de concisas, dizem quase tudo sobre o estado do emprego no nosso país e sobre as saídas de muitos cursos...
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Uma manchete que reforça a anterior...

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Um notável artigo daquele que considero, a par do Freitas Lobo e do António Tadeia, um dos grandes pensadores e comentadores do futebol no nosso país. Chega a ser visionário... Este texto foi publicado na sexta, véspera da mais vistosa exibição do argentino Di Maria desde que aterrou em solo luso. Aos benfiquistas apressados, recomendo o último parágrafo.


Uma crónica com a qual concordo em absoluto e diz muito sobre a natureza dos dois grandes partidos portugueses. É pena é que o PSD do meu concelho seja mais parecido... com o PS.


Um outro trabalho de grande categoria e até que enfim que encontro um catedrático que confirma tudo aquilo que eu defendo há séculos: a pirataria só é má para os mamões, as sanguessugas da indústria que se alimentam do talento dos outros. Os artistas só têm a ganhar. Quanto mais conhecidos forem, mais concertos dão, mais merchandising vendem, mais ganham nas áreas onde verdadeiramente lucram. Democratizar. Dar para receber.



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E para finalizar, agora que acaba o Marcelo e parece que começo eu... nota mais para o Manuel Isaac e a cobertura que fez do 1º casamento gay de Marvão. Esta 1ª página deve ter feito crescer água na boca a muitos...