quarta-feira, 13 de julho de 2011

Paradise city


Espelho meu, espelho meu…


Diz-me…


Será possível haver, em Portugal, aquele festival com que sempre sonhei, onde as minhas bandas favoritas são os cabeças-de-cartaz de cada uma das noites?


Será possível ter dinheiro e saúde e vontade para ir na companhia dos melhores companheiros?


Será possível haver tanta alegria e já agora… tanto ROCK’N’ROLL (God bless!) em 3 dias só?


Gritem comigo irmãos: Aleluia! Deus existe!


Eu vou ali passar um tempinho com esta rapaziada e já venho.


Fui!








segunda-feira, 11 de julho de 2011

De volta ao burgo (com o Algarve revisitado)


É nesta semaninha passada em família, com o rabo enfiado no areal e os pezinhos a serem banhados pelas ondas, que melhor me apercebo da dramática relatividade do tempo. Como voa…


Passa-se um ano inteiro a sonhar com este interregno de tudo e ainda mal avistámos o mar… já estamos arrumar para partir de volta.


A estadia deste indígena por terras do Algarve, para além de ser um bálsamo revigorante para o que resta do ano, é também por mim aproveitada para tirar o pulso à portugalidade. Não se pode propriamente falar num banho de civilização (longe disso!), mas passar os dias a observar as centenas (milhares?) de tugas que torram nas toalhas ou se meneiam em passeios à beira-mar constitui uma oportunidade única de estudo da fauna autóctone deste nosso bizarro país.


No Verão constato as modas, os novos “hypes”, as expressões recém-criadas, as tendências das conversas, as taras e manias. No Verão… tiro o pulso ao Zé Povinho.


E este ano pode muito bem ser catalogado do ano em que “A crise tudo levou”. Perante a contingência deste cataclismo, divido os portugueses em 3 grupos distintos: os que, por motivos diversos e fatalidades variadas (perda de emprego, incumprimentos) já levaram com a crise em cima e deixaram assim (infelizmente) de ter possibilidade de passarem umas férias na praia; os que vivem na fartura e não só ignoram a crise como se chegam até a aproveitar dela para facturar mais algum (que os há…); e um terceiro grupo que sofre por antecipação mas que por ter tido a graça de conseguir manter as fontes de rendimento familiar ainda vai desfrutando da vida, a medo, poupando onde pode, mas sem ter bem real noção do que é que lhe pode/vai acontecer.


O que eu notei mesmo foi que havia muito menos gente, muito mais geleiras e lancheiras, que não há jogos/modas supérfluas a registar e que as filas desapareceram dos restaurantes da moda ou de referência, o que não é mau de todo, pelo menos na óptica do utente.


Comprova-se uma máxima minha: não podemos de deixar de fazer as coisas por causa da crise. Temos é de aprender a fazê-las de forma menos dispendiosa. Exemplo: a imperial na esplanada do “Costa do Vau” com vista para o areal valia 1 euro e 30. Carote, certo? Certo! Mas se se atravessasse a estrada para o “Património” já se podia dar mergulhos numa caneca de lager XL por apenas 1 euro, numa maravilhosa happy hour que estica das 9h da manhã às 7h da tarde. Capicce?


Depois… a dose de sardinha assada na “Dona Barca” (a melhor de Portimão!), bem debaixo da ponte velha, já com batata e salada incluída estava a menos de 5 euros, porra! Não é caro! 5 euros dá para andar para aí 2 minutos de carrinhos de choque no São Marcos… E o que é melhor, o que é? Não brinquem… Claro que o jarro do tinto é pago à parte mas é melhor que nada.


Na esplanada do Chimarrão há um rodízio de carnes que enche o prato por menos de 4 euros e 4 euros é quanto vale o “full english breakfast” capaz de deixar qualquer um empanturrado onde nem sequer faltam salsichas do tamanho de pilas de burro. À fartazana!


A bola de Berlim, essa suprema instituição balnear, estava a 1 euro na menina da buzina (Fónki, Fónki…), com a grave possibilidade de um gajo morrer sufocado ao tentar tragar uma massa tão trabuca sem um pouco de creme para ajudar a escorregar. Já as bolinhas com o glorioso creme no bar de apoio de praia (que pareciam rir-se para mim lá da vitrina, com o creminho a escorre-lhe pelos lados, como que a dizerem-me “come-me, come-me… devora-me otra vez…”… CUSTAVAM O MESMÍSSIMO EURO! Agora acabem-me com elas que nunca mais vos conto nada.


Registei também que os bikinis das senhoras estão cada vez mais pequeninos, ao ponto de qualquer dia correrem o risco de se desintegrarem, ou serem comestíveis, ou eu sei lá. A mim não me faz impressão nenhuma, digo-vos já. Até acho bem. Só acho é que quando as mãezinhas se inclinarem para a frente para levantarem os bebés, ou para tirarem o bronzeador da mala, e “especarem” os rabos de perna aberta com gente atrás, deviam ter instalado no rabo um dispositivo como o das carrinhas de 3.500 quilos quando fazem marcha-atrás (aquele PI-PI-PI-PI-PI) para avisarem a malta e a gente olhar para o lado. Até me admira como não ficou lá nenhum esticado com um enfarte... Haviam de ver os velhotes todos a dizerem que têm de mudar a pilha ao pacemaker. Ai não… não queiram…


Ter uma tatuagem deixou de ser uma cena de estilosa para ser do mais pimba que pode haver. Calma… I still love as duas princesinhas que voam livres no meu peito, como não abandonei os planos para próximas inscrições, nem deixei de gravar o “Miami Inc.” com medo de perder algum episódio. O mesmo não poderá certamente dizer o resto da malta que encarneirou por fazer sempre as mesmas tatuagens. Para mim: há quem tenha tatoos (personalizados, diferentes) e os outros. E quem são os outros? Os outros são os decalcados. Todos os que por aí respiram com uma destas: arame farpado, índios, lobos, águias, o nome dos filhos ou… (medo!) da mulher, um golfinho a mergulhar ao pôr-do-sol (vómito…), caracteres chineses, símbolos de clubes de futebol, focinhos de cães ou gatos e por aí fora… estão condenados a 3 coisas: ou continuam a levar com o riso de quem olha, ou começam um mealheiro para fazerem uma remoção a laser no Natal, ou vão à drogaria aviar meia dúzia de folhas de lixa e começam a limpeza a sangue-frio numa de “do it yourself”.


Neste Verão, o tempo esteve uma merda e eu fartei-me de rir da velhota algarvia que esteve durante uns bons 10 minutos a falar sozinha na paragem do autocarro em frente ao apartamento onde eu estava, a mandar o Verão literalmente para o caralho só porque ainda não trouxe calor. Naquele precioso monólogo, ela, na sua imensa sabedoria popular, falou de tudo um pouco... dos malefícios do efeito-estufa ao degelo dos calotes polares, das temperaturas de torrar de antigamente ao “chove-não-molha” actual, da crise, da falta de dinheiro, da falta de turistas, do governo e demais coisas da, cito, “puta que pariu”. Ainda lhe gritei “CONCORDO!” da varanda mas acho que ela já estava meio mouca. E pitosga. Fartei-me de lhe dizer adeus quando já estava sentada no vai-vem e ela nem esboçou o mais mínimo movimento a não ser um bater de placa nervoso. Mulher do catano!


É certo que esteve sempre sol e ameno e a minha Cris ficou toda contente porque a menina assim não apanhou calor nenhum. Mas e eu?!? Eu queria era ferro e fogo e ondas de 5 metros para fazer muitas carreirinhas… mas disso nada… Desolação. O mar como uma imensa piscina de água gelada onde o pessoal ia fazer xixi. E nada mais…


E assim se passaram… estes belos 9 dias… na doce rotina da corrida-de-1-hora-pelo-areal-às-8h-da-manhã-seguida-de-café-mais-bola-com-creme-mais-jornais-mais-mergulhos-mais-contruções-na-areia-mais-almoçarada-mais-sesta-mais-mergulhos-até-anoitecer-mais-jantarada-mais-passeio-na-rocha-ou-Shopping. Desconfio que se me saísse o milhões haveria de organizar os meus dias com uma simplicidade desarmante. Ser-se feliz até é simples e eu fui muito nestes dias se bem que coabitar com 3 mulheres; sendo que uma é pré-adolescente precoce (que critica e questiona e refila por tudo e por nada), outra que só tem 1 ano e meio mas é um autêntico compêndio ambulante de terrorismo infantil e outra que é mãe e tenta meter tudo na ordem (eu incluído); não é nada fácil. Mas eu gosto assim… Aliás… eu adoro.


Já digo como a Leonor que começa a perguntar antes da Ribeira de Nisa se “já chegámos ao Algarve?”.


Diz-me Deus… Ainda falta muito para o ano?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Marvão Mágico

Eu sei que esta… pérola já deve estar muito rodada no Facebook, mas como acho que é muito provavelmente o melhor cartão de visita que Marvão alguma vez teve, não resisto a publicá-la.


Se houver uma só pessoa que lhe pudesse passar ao lado e a apanhe aqui… já faz tudo valer a pena.


Magistral!


Marvão in marvels cine from Júlio Gouveia-Carvalho on Vimeo.


PS: Com um abraço aos meus amigos João Abelho e Victor Hugo Gandum. Ao primeiro, por me ter revelado a visão desta maravilha. Ao segundo, por não se ter esquecido de mim quando o viu.

sábado, 25 de junho de 2011

Sons de Verão

Quando o calor aperta e a sede desperta, grandes malhas bombam no cantante à beira da piscina, do tanque ou da praia. Se aqui o vosso amigo estivesse de Dj numa party num areal qualquer… estas tinham que rebentar nos speakers da pista de dança. A conferir…


É o single do momento. Impossível não bater, pelo menos, o pezinho ao ritmo groovy da melodia. Grande vídeo, muito eighties, a lembrar as velhas glórias do ténis do meu tempo. Bjorn Borg way!


My man Snoop Dogg, um verdadeiro aristocrata do Hip Hop, a destilar estilo desde há muitos, muitos anos por esses clubes espalhados mundo fora. Grande dandy… Grande campeão… sempre envolto numa nuvem de fumo e rodeado de beldades. Saber viver é uma virtude e este… sabe-a toda. Aqui numa versão muito bem esgalhada do David Guetta a fazer subir a temperatura onde quer que soe.


A Britneyzinha ganhou juízo mas nem por isso perdeu a graça. Esta cachopa… pequenita… roliça… bem atrevida… carinha laroca… tem tudo para chegar lá. Eu sou fã desde que a vi pedir mais uma vez enfiada numa sainha azul de colegial. Prefiro o “Gimme more” mas esta também serve. Se o mundo acabasse assim até era capaz de não ser mau de todo. Antes isso…


Esta malha passou-me ao lado e se não fosse o meu Júnior a chamar-me a atenção tinha mesmo ficado a zero. Quem é que disse que a música tinha tinha de ser toda séria e para pensar? Som na caixa!


Os anos passam mas a prima Jennifer está cada vez melhor. Poderosa, a cachopa esta… Aqui, fazendo impossível ao reabilitar o riff de acordeão mais foleiro da história da música. mas ela é assim… Em tudo o que toca…


Em grande, os Black Eyed Peas neste “Just can´t get enough” do Séc. XXI que não envergonha em nada o dos anos 80. Esta versão modernaça e bem ao meu gosto tem tudo para rebentar os tops. É foleiro? Quero cá saber! O paizinho gosta!


Mete mais alto!!!!

terça-feira, 21 de junho de 2011

O novo elenco governativo...


Traz gente nova com um bom gosto tremendo…



Pedro Mota Soares chegou de Vespa


Ao contrário de todos os seus colegas de Governo, o novo ministro da Solidariedade e Segurança Social chegou ao Palácio da Ajuda numa modesta mota.


Passos Coelho chegou ao palácio da Ajuda por volta da hora prevista, às 11h44. Cavaco Silva deu entrada no Palácio da Ajuda às 11h52. Mas um dos momentos da manhã foi a chegada de mota (uma Vespa) de Pedro Mota Soares, novo ministro da Solidariedade e Segurança Social, constrastando com os carros de alta cilindrada dos restantes governantes e convidados.


Quem tem uma bichinha igualzinha, quem é? Igualzinha… quer dizer com dois ou três extras (Viseira old school frontal, malinha com encosto traseiro… enfim…) que dão um toque de classe suplementar mas… enfim… Somos colegas!





He had a dream


Cumpriu-se hoje o sonho (um PR, um PM) de um tal Francisco que ousou sonhar uma política e um país diferentes e pagou com a vida.

Oxalá os portagonistas de agora saibam estar à altura do guião.

Seria uma forma bem romântica de fazer justiça à sua memória.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Parece que é desta…


E acredita que é o melhor para ti… e para mim.


Tu, depois de uma época memorável em que ganhaste quase tudo pelo teu Porto (Supertaça, Liga Europa, Campeonato e Taça de Portugal), rumas a um clube de primeiríssima água que te dá asas para voar num dos melhores campeonatos do mundo. O céu é o limite e tu passas a dispor de quase tudo (dinheiro, jogadores, organização, influência, supporters de luxo) para o conquistares.


Eu, vejo-me livre de ti por cá e já acho que és a contratação do ano para o Benfica neste defeso tão atabalhoado. E não só tenho a alegria de te ver pelas costas, como posso passar a apoiar-te e a seguir-te e a torcer por ti por seres português... abroad.


Não é perfeito?


Wish you all the best, kid… because you deserve it!


Quem é que disse que os portugueses não têm categoria? Taaaaaanta categoria!

Exemplos a seguir


Ainda a história dos juízes apanhados a copiar…


Agora expliquem-me lá como se eu fosse muita burro, como é que eu ensino à minha filha, que já vê notícias e faz perguntas, que não se deve copiar porque é batota, quando até os candidatos a mais altos magistrados da nação são todos apanhados com a “boca na botija” e ainda se safam corridos a 10 valores.


Eu proponho uma colecção de postais com “O melhor de Portugal”, onde se contem estas cenas à estrangeirada.


Se não nos levarmos a sério… acabamos por ser mais convincentes e sempre nos rimos um pouco, que é coisa que ainda não paga imposto.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

É feio e é mau


Bem curiosa, esta carta ao director do jornal Alto Alentejo assinada por um enigmático “PSD dos Velhos”. Louvo a iniciativa mas não posso deixar de lamentar que não tenha tido o arrojo para dar publicamente a cara e a audácia de chamar “os bois pelos nomes”.


O que podia ter sido uma declaração de princípios não passou assim de um descargo de consciência. Foi pena…


Eu acho engraçado porque o episódio pode ter sido novidade para quase toda a gente mas não foi para mim apesar de estar bem afastado da política e muito mais ainda das arruadas do meu partido.


Ao que parece, o dia (de manipulação) de campanha passado em Marvão, e esta cena em particular, gerou um mal estar tão grande, não só neste “PSD da Velha Guarda” mas em muitos outros que faziam parte da equipa, que logo na manhã seguinte me chegou aos ouvidos, via telefone, notícia deste relato expresso na carta redigida em tão aprovável português.


Segundo consta, a frase “aquela também ainda há-de ser nossa” foi preferida por uma determinada senhora que dispensa apresentações, que não se limitou a este elogio público à ganância, como se “estendeu ao comprido” na forma como falou da Presidente da Casa do Povo, Cristina Novo Almeida, destilando tanto veneno e má-língua que o discurso se acabou por virar contra si própria. Falando mal de uma pessoa tão digna que tanto tem trabalhado por aquela instituição e que tão meritórios feitos tem alcançado… só se podia dar mal mas como não é de cá…


“É feio e é mau” como diz o cabeçalho, de facto, não só este revelador acontecimento, mas a forma como tem sido conduzido no nosso concelho o Partido Social que se esperava Democrático. Esta táctica de guerrilha de controlar respeitáveis instituições (Anta, Bombeiros e agora ao que parece… Lar de São Salvador) não com o intuito de servir os seus propósitos e fins estatutários mas antes para assim poder exercer influência e manipular à vontade, é uma afronta para todos aqueles que vêem a política como uma actividade nobre e necessária para as populações.


A manobra de influência não se fica por aqui e tem sido estrategicamente delineada e cirúrgica, estendendo-se praticamente a todas as esferas da vida local.


A concelhia de Marvão que foi ao tempo da sua fundação uma manifestação de independência, de força e de valor dos militantes locais que exigiram ter a sua voz e vontade; é hoje uma sombra de si mesma e quase a antítese da que foi sonhada pelos seus pilares fundadores. Claustrofóbica, manietada, controlada ao milímetro, só respeita, por medo ou necessidade, a vontade única de quem comanda, por muito mal que o faça. E assim vamos andando.


Ora, o meu PSD tem de ser livre e aberto; franco e plural; não só permitindo, mas antes vivendo do confronto de ideias e opiniões. Nada disso eu vislumbro por aqui. Renegado continuarei.


Pois eu sei que há muita gente que vota laranja e está descontente. Como sei que há muita gente nas cúpulas do partido que sabe o que por cá vai. Mas enquanto se vão ganhando eleições, “é ver deixar andar o barco” mesmo que todos nós saibamos que mais cedo ou mais tarde vai esbarrar no molhe. E eu tenho pena. Sinceramente pena. Porque tenho saudades dos tempos em que os políticos eram cavalheiros e colocavam a integridade acima da usura. Tenho saudades de homens correctos, educados, selectos que podiam disputar o poder mas sabiam fazê-lo com nobreza de carácter e com respeito mútuo não só pelos seus adversários da oposição mas por todos aqueles que por aqui respiravam, por aqui andavam com a cabeça entre as orelhas e por aqui votavam. Eu tenho saudades, e falo de tempo de que me lembro, de homens da estatura moral de um António Andrade, um José Murta, um João Lança, um José Manuel Machado, um Carlos Sequeira… figuras da nossa terra que impressionaram pela forma como elevaram a actividade autárquica a um nível qualitativo que eu tenho como insuperável.


Nesse tempo podia-se perder, mas não se passavam cartas por debaixo da mesa. Jogava-se limpo, às claras e sem manigâncias de bastidores.


Eu sei que esses tempos não voltam mas tenho esperança que as pessoas que almejam a representar o povo no futuro percebam de vez que a lisura de procedimentos, a transparência e a boa fé serão condições sine qua non para se pode ser eleito.


Portugal, farto de mentiras e tramóias, mandou há dias o nosso Sócrates filosofar para Paris. Cansado de ser embalado pela canção bandido, depositou, convicto mas receoso, as suas esperanças numa jovem promessa que parece, pelo menos até ver, recuperar a categoria dos clássicos. Eu também embarquei nessa e torço para que dê certo.


Não faço ideia quando é que Marvão poderá também sair da penumbra mas faço votos sinceros que nesse momento ainda haja gente à altura para assumir um cargo que outrora foi tão digno e hoje está tão maltratado.


Eu tenho consciência que aquilo que defendo está longe de ser unânime e as últimas eleições foram claras quanto a esse respeito. Temos o concelho que temos e eu conheço-o bem. Mas não deixa de ser importante que algumas pessoas percebam que podem enganar um muitas vezes mas não vão conseguir enganar todos as vezes todas.


Esta pode ser a taça da consolação mas acreditem que é valiosa quanto baste. Pelo menos para mim. E eu sei que não estou sozinho...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Verão... é no Município de Marvão


Quando terminei o mandato autárquico e abandonei as lides políticas, escrevi o texto definitivo e decidi remeter-me ao silêncio. Fi-lo porque tive a clara consciência que tudo aquilo que pudesse dizer ou escrever se iria irremediavelmente virar contra mim. Fosse o que fosse, por justo e óbvio que fosse, poderia sempre ser interpretado como um sinal de má fé, de inveja, de má vontade, tudo que coisas que alguém que sai pelo seu próprio pé e com a satisfação do dever mais que cumprido, quer ver pelas costas.


Ora o silêncio nunca foi nem será sinónimo de cegueira ou surdez. Posso estar mudo mas jamais deixarei de estar atento ao que se passa no meu concelho, como jamais deixarei de ouvir quem fala, tantas vezes em surdina com receio de represálias, do tanto que lhe tem passado.


Este caminho de contenção é um caminho penoso, sobretudo para quem é frontal e tem o coração na garganta, mas é a via sacra mais segura para quem quer atravessar o deserto em segurança.


Tudo isto a propósito dos tantos assuntos de interesse que vão surgindo no nosso concelho e sobre o nosso concelho, e a forma como são tratados pelo poder político vigente, pela imprensa local e pelos munícipes em geral; o último dos quais foi até aqui já abordado e diz respeito à garimpagem ilegal que alguns gringos se propõem fazer nos nossos solos ao seu livre arbítrio e claro está, com a clara conivência do Município de Marvão. Tenho tanta “coisa” arrumada cá dentro de mim, devidamente catalogada e organizada por estantes temáticas que acho que se abrisse a boca dava para escrever um livro. Mas não vou por aí, como dizia o bom do Régio nesse portento inalcançável da poesia que é o cântico negro, hino improvável mas perfeitamente encaixável na minha existência.


Tudo isto a propósito de um assunto, um acontecimento, uma cena, como diz a malta nova, que pode não querer dizer nada mas para mim diz quase tudo e tem a ver com o estado absolutamente lastimável e escandaloso em que se encontra a antiga piscina fluvial da Portagem. Pode parecer uma miudeza mas sempre disseram os grandes sábios, desde a antiguidade mas antiga, que se um quer sequer imaginar os mistérios insondáveis desse universo que se diz sem fim, deve partir por estudar a partícula mas ínfima pois é tantas vezes nos detalhes que se descobre a grandeza do todo.


A piscina fluvial da Portagem sempre foi o grande trunfo estival do nosso concelho e um local quase que idílico para todos aqueles que como eu, por ali passaram tardes inesquecíveis da sua infância e adolescência e já agora, porque não, idade adulta. O que lá existia poderia não estar perfeito. Poderia necessitar alguns arranjos, alguns melhoramentos, mas a devassa que por agora lá reina, em pleno arranque de época de veraneio? É pura e simplesmente de bradar aos céus.


Alvitram alguns que por ali vai sair um amplo relvado. Outros asseguram mil e um melhoramentos e retoques. Mas para mim até poderiam estar por ali a pensar uma réplica do Taj Mahal ou da Ópera de Sidney que o resultado era o mesmo. Aquela margem do rio é hoje, traduzido em miúdos, o mais perfeito retrato da incompetência de quem nos governa localmente. Ver começar o Verão, o calor (logo eu, que sou dos mais fiéis frequentadores daquelas bandas com as minhas crias) e ver tudo aquilo assim… é absolutamente desolador. Desolação é a palavra certa.


Assim está o porta-estandarte do Verão em Marvão. Quase que dá vontade de fazer um documentário só a filmar as caras e as reacções dos muitos que por ali chegam todos os fins-de-semana com a trouxa armada, desertos de passar um dia em cheio com a família. Nem um placard em condições a pedir desculpas pelos melhoramentos, nem uma napa que cubra os trabalhos em curso, nem uma imagem do projecto que por ali irá nascer para adoçar as bocas… nada!


Para quem gosta… dói!


Podem vir com mil e uma desculpas de prazos e pagamentos e o raio que parta porque dá igual: quando se permite uma coisa destas, não se precisa abrir a boca para dizer mais nada. Fica-se apresentado!


Não deveria esta obra ter sido obrigatoriamente iniciada num período pós estival (final de Setembro/Outubro) para estar impreterivelmente terminada antes da nova temporada? Parece-me elementar mas certamente que as eminências pardas terão argumentos que escapam ao comum dos mortais como eu.


E assim permanece, ferida de morte, languidamente estendida sobre a margem, a nossa piscina de sempre, atrofiada entre montes de terra e retroescavadoras, delirando em sonhos com menores dias enquanto sucumbe em estertor.


Será que alguém se lembrou de trabalhar por fases, minorando os estragos em virtude dos calendários? Tolice minha! Certamente que sim… Que ideia…


Aposto que quem vive do negócio, quem tem vidas empenhadas em ganhar algum no ramo deve achar a maior piada à coisa. Eu, no lugar deles, achava, porque perante uma calamidade destas, só a mais fina ironia pode sobrar.


E o que é mais estranho é quem ninguém fala, ninguém critica, ninguém “mete a boca no trombone”, como se estivessem todos comprometidos, de uma forma um de outra, com aquilo que pudessem dizer. Será que já não há cidadãos livres e homens de boa vontade em Marvão, capazes de não pactuar, não ceder, não fraquejar perante o poder, a manipulação e a adversidade? Com certeza que sim… Devem é estar a reflectir…


Recebi, há dias por mail, notícia que as forças da oposição se reuniram para pensar o futuro. Recebi essa boa nova com bons olhos, não porque esteja interessado de alguma forma a reentrar nessa parada que refuto publicamente e à partida, mas porque me parece que já vai sendo tempo de perceber que Marvão é pequeno demais para divisões e que a oposição faz falta neste concelho. E não falo numa oposição confinada à reuniões de câmara que essa passa muito ao largo do grosso dos olhares, mas uma oposição atenta, que denuncie as situações que merecem ser denunciadas como o fiz eu aqui, uma oposição que actue como força controladora da actividade autárquica, uma oposição que fale com os munícipes, que sirva de escudo dos seus interesses, que deixe de uma vez por todas de aparecer só em vésperas de campanha a distribuir sorrisos amarelos por entre isqueiros e esferográficas.


Uma oposição assim faz falta… até a quem governa… por muito que custe a entrar naquelas cabecitas.


Assinado: Pedro Sobreiro


PS: O quê? Que vai ficar tudo muito mais bonito no final? Ai disso não tenho a menor dúvida. Estranho seria o contrário. “Mal feito fora”, como diz o povo. Mas não foi isso que eu quis dizer. O que eu quis dizer foi bem diferente…