quarta-feira, 20 de julho de 2011

Meco, sol... e Rock'n'Roll


Ai eu… Deixem-me cá ver se arranjo fôlego para contar como foi tudo… que tudo foi tão bom.


Já não ia a um festival desde o primeiro Sudoeste, há uns bons 15 anos atrás e a expectativa, guindada pela qualidade das bandas, não podia ser maior. Muita coisa, tanta coisa mudou em mim desde então (casei, fui pai duas vezes, assentei praça num emprego) mas acho que o espírito, esse, continua o mesmo, sempre refém do rock’n’roll. Graças a Deus! E foi assim que entrei em transe assim que avistei as milhares de tendas, os milhares de carro, os milhares de jovens que envoltos em nuvens de pó se encaminhavam para o festival. Coisa linda de ser ver... Tanta saúde, tanta maralha bem disposta… coisa de nível! O meu amigo Ramos que sempre disse que toda a gente na vida deveria de ir a um concerto de rock, mudou logo a frase para “toda a gente deveria de ir a um festival”. Muito boa onda, grandes vibrações e tudo a curtir a sua numa de paz e união. Muito bom!


Twingo... o bólide oficial do festival! Supersónico!

Medo...

Não cabe? Cabe, cabe!

Armando (literalmente) barraca!



Ao relento já não dormimos...




A fila para os duches era sempre muita engraçada...




Como a nossa ideia era não perder pitada dos concertos, fomos cumpridores e orientamos sempre as nossas vidinhas para à hora de abertura das hostilidades já estarmos o mais próximo possível da boca de cena. Uma vez que havia 3 palcos a bombar som em simultâneo fizemos as nossas (difíceis) escolhas e vimos com bom agrado o concerto do Sean Riley que não esteve brilhante mas cumpriu. Nestas cenas, a candeia que vai à frente faz sempre as vezes de cobaia e ele bem que se pode queixar do som de merda e das constantes quebras de electricidade que lhe cortaram o pio por diversas vezes. Mas nem por isso se deixou intimidar… aproveitou para se meter com a rapaziada, distribuir abraços pelos fãs, enfim… entreteve e passou à prova oral.



Os Walkmen provaram que são grande banda e que podem dar muito… mas não ali. Homenagem viva aos Smiths e à mais nobre linhagem da pop feita com guitarras rendilhadas, provaram que podem resultar em grande numa Aula Magna ou quando muito, num coliseu, jogando em casa para os fãs mas num festival… passaram ao lado apesar do esforço sobre-humano do vocalista que berrou a alma para fora e do baterista que impressionou pelo prazer que tirava daquilo. Dava gosto ver o homem recriar-se. MAS não chegou…





Os Kooks foram a grande surpresa da noite. O vocalista, um misto de Mick Jagger e Jim Morrison, não parou um segundo e ganhou a assistência desde o primeiríssimo minuto. Eu fiquei deveras espantado quando constatei a enorme legião de fãs presente, sobretudo espanhóis, que entoavam todas as canções com um fervor que impressionou a própria banda. Conhecia os dois discos e nunca fiquei fã daquela pop teenager indolente mas a verdade é que gostei muito do espectáculo.



A actuação de Beirut foi, quanto a mim, um tremendo erro de casting. Depois da devassa veio a mansidão e por segundos temi que a malta começasse a cair adormecida para o lado. Num festival, o que o meu people quer é festa e se possível, sempre a subir. Música rócócó com secções de metais e acordeão é coisa para afugentar as hostes. Eu nem desgosto do projecto e até sou capaz de levar com ele assim numa esplanada ao cair de tarde mas ali… zero! Uma maçada a esquecer.


Pois… e assim chegámos ao grande momento da noite, a actuação dos Arctic Monkeys, que foi tudo aquilo que eu esperava: demolidora! A minha alma continua a ficar parva de cada vez que penso como é que quatro putos conseguem fazer uma avalanche sonora daquelas. Convém recordar os mais distraídos que esta banda foi a grande responsável pelo boom do myspace e uma das primeiras a dar uma machadada de morte na obsoleta indústria discográfica quando provou que as bandas precisam muito mais da internet do que dela. Já eram enormes antes de editar e quando editaram bateram todos os recordes de vendas na Grã-Bretanha. Conseguiram a proeza de fazer um grande segundo disco, de não caírem ao terceiro e depois… bem, depois enrolaram-se com os Queens of the Stone Age e perceberam na pele que andar metido com malta da pesada… é pesado! Amadureceram o som, tornaram-se mais densos e hipnóticos e chegaram ao Super Bock com o novíssimo disco pronto a bombar. Percorreram todo o seu espólio musical, deram-lhe duro e cru e eu adorei. Eles também adoraram e até o esfíngico e taciturno Alex Turner não se cansou de elogiar o público português, de cantar “Portugal” e até mandar beijinhos (?!?!?) no final. Foi um fechar o dia com chave de ouro. Depois de quase 8 horas a malhar, bater com os costados no chão duro da nossa “tenda, doce tenda” foi prémio mais que merecido.



Dormir em festivais (com discotecas ao lado a funcionar até às 7h e muita maluco por ali à solta) não é fácil mas deu para carregar baterias e às 10h já estávamos de pé a caminho da famosa praia do Meco onde avistámos muito pouco nudista mas muito pessoal do festival que invadiu completamente o areal. Deu para umas bujecas, umas sandocas para recompor, algum passeios e às 6h lá estávamos abancados no acampamento dos índios para o nosso almoço/reforço/preparação para mais uma bateria de concertos.





Foto de família já com o Damião (a personagem que o meu puto encarna nestas andanças)

Impecável, a recolha dos lixos


Ontem salgados... hoje grão e amanhã... o quê? Feijão?


O Noiserv é muito bom cachopinho, muito talentoso, mas muito paradinho para um sítio daqueles. Enxotou-nos assim para o palco EDP onde curtimos os espanhóis L. A. que não vão mudar a história da música mas pelo menos não chatearam. Foi engraçado.




O B Fachada esteve bemzoca no seu estilo indolente e provocador. O rapaz é muito bom e é com toda a certeza o mais qualificado talento tuga para inscrever o seu nome na notável galeria de cantautores nacionais onde brilham de Palmas e Godinhos. Passou-se bem.



Seguiu-se o grande Tigerman e eu tenho de confessar que para mim, é o Elvis no céu e este homem na terra. Ele é uma enciclopédia andante de rock’n’roll e sabe-a toda. Toda! Virtuoso na guitarra, instigador na bateria que esgalha com os pés, subversivo nas vozes e nas bocas e completamente dominador na forma que se relaciona com o público. This dude really knows how to rock a crowd! Incomodado pelo barulho que interferia vindo de outros palcos, deu à mesa a ordem por que todos esparávamos: “Mete essa merda no máximo. Se queimar… queimou!”. E prontos… meteu-nos no bolso. É claro que a seguir, quando pediu para o ajudarmos a levantar a maior nuvem de pó do festival ao som de uma cavalgada psicótica, ninguém ficou indiferente, nem eu que estava à rasquinha do meu joelho (acho que da gota…). A mochada, o pontapé, o empurrão e a confusão foi tão grande que acho que a nuvem bateu a do vulcão da Islândia. Sempre esperei que me cancelassem o voo. No final, entregou o ouro ao bandido: “Muito obrigado. Acreditem que vocês hoje fizeram um homem muito feliz!”. Ficámos pagos. Ele faz-nos sempre felizes a nós.


Damião numa pose muito cool, aqui depois de ter andado na mochada e servido de carpete para 300


Dali foi correr para o palco principal para a muita aguardada actuação dos Portished que cumpriu na íntegra. Competência extrema, um grande som e uma senhora Beth Gibbons cuja voz arrepia até as pedras da calçada. Vê-la cantar a “Wandering star”, sentadinha, de perna trocada, com os cabelos ruivos a serem embalados pelo vento passou a ser a visão mais aproximada de um anjo perdido que alguma vez tive na vida. Cantar assim, como se não houvesse amanhã, como se cada palavra fosse uma peça preciosa e única de um puzzle indecifrável, é desígnio que só está ao alcance de alguns raros eleitos. Comprei o disco quando saiu, na Flock, em 94. 17 anos depois cumpriu-se a profecia. Só por isso, já valeu a pena.




Os Arcade Fire eram “a” banda que eu queria mesmo ver e foi um êxtase total. Tudo perfeito como no céu. A encenação, a disposição em palco, as projecções, a atitude, as vozes, a execução instrumental, o alinhamento… tudo perfeito! Ver estas 8 personagens actuarem em palco é como assistir a uma doce orgia em que toda a gente sabe precisamente aquilo que tem de fazer para ter e dar o máximo prazer aos outros. É uma autêntica locomotiva que avança desgovernada em nossa direcção. Um festim. Impossível controlar o olhar, tantos são os pontos que chamam a nossa atenção. Não há, definitivamente, banda no mundo como esta. Se os discos são maiores que a vida, épicos de proporções bíblicas… os concertos são a consagração que jamais se poderá esquecer. Foi único para nós e certamente para eles também: “Please, Portugal, please… teach other countries how to make great crowds”. Podes ter muitas que contem em uníssono cada verso… mas com este fervor… não acredito que tenhas muitas mais… Mágico!




A farda de serviço não deixava dúvidas. A festa tinha sido rijinha...

Damião sonhou que tinha tomado duche mas depois acordou

E crescia... crescia... crescia...

O Super Twingo também queria banhinho mas...


O último dia foi passado entre a lagoa e a praia, já com cansaço dos dois últimos dias a deixar fortes mazelas no físico, mas mesmo assim com muita vontade de fazer uma ponta final em grande.




Junto à magnífica lagoa do Meco molhámos nossas gargantas e com caracóis nossa fome matámos


Disseste feijão? Cá está o gajo!

Almôndegas enlatadas com ervilhas?

Só descem com um tintinho!

Olaré!


Espreitámos os X-Wife que estiveram em bom plano, vimos os Junip no palco pequeno sentadinhos debaixo de um pinheiro e não pudemos perder a actuação do mítico Ian Brown. Para mim, que sempre venerei os Stone Roses, que amo de paixão os seus dois únicos discos, que tinha o bilhete comprado em 90 ou 91 estiveram para vir a Portugal e cancelaram o concerto à última da hora… ver este homem, só vê-lo cantar e dançar… é uma coisa do outro mundo. É certo que está abrasadíssimo, que o tempo não foi macio com ele, mas continua a dominar e de que maneira. O maior!





Dali fui meter o visto ao Slash, outra lenda viva que admiro desde sempre, e gostei muito do que vi, apesar de só ter conseguido ver de bem longe… que meter o pé na frente era então impossível. Mas ainda bem que foi assim porque desta forma pude apreciar como era imensa a multidão de fãs que lotava por completo o recinto. Slash é maestro numa virtuosa máquina de rock onde pontuam os melhores e mais rodados músicos da cena. Resultado: perfeito! Ali não falta nada, nem os grandes êxitos dos Guns executados com mestria para deleite de todos. Imaginem o que é ouvir Night train, Sweet child O’mine ou Paradise City num sítio daqueles…


Os Strokes chegaram e fizeram como na música “Take it ou leave it”! Baixaram o trem das luzes por cima das cabeças, adornaram o palco com neons fluorescentes a criar vórtice, chegaram e dominaram por completo. Parecia que estávamos numa espelunca qualquer em Nova Iorque. Tiveram uma actuação virtuosa e irrepreensível. Não falhou ali uma nota. Espectacular. Eu temi que pudessem cair na pretensão de enveredarem pelo domínio do seu último mas não tão conseguido disco. Felizmente não o fizeram e não faltaram as grande malhas como “Last night”, “Reptilia”, “Hard to explain” ou “NYC cops” entre tantas, tantas outras. Não há banda mais cool. Eu adoro aquele diálogo constante entre as duas guitarras, o baixo certinho e grave, a batida e aquela pose blasé do Casablancas, como se fosse uma estrela residente num bar de alterne de terceira linha. Isto são putas batidas, sabidas e finíssimas. They sure know how to rock. Encores? Nem vê-los. Chegar, ver e vencer. Perante… e segundo as palavras do próprio: “one of the best crowds we ever had”. Não é lindo?





Damião na sua última aparição, aqui curtindo a bom valer quando a 30 metros de altitude

Pontos fortes: A localização do festival na lindíssima zona do Meco, a decoração do espaço, a qualidade das bandas (soberba!), a pontualidade dos concertos (ao minuto!).


Pontos fracos: o pó (tanto, tanto, tanto…), a falta de arruamentos e iluminação no campismo, a total inexistência de recolha de lixo que se acumulava em pilhas, a falta de caixotes de lixo no campismo, a falta de mais zonas de chuveiros sobretudo junto à tenda.


E para terminar… dois agradecimentos (tinha de ser!):


O primeiro para a minha Cristina que me passou a guia de marcha e aguentou o barco e as duas crias sozinha para que eu cumprisse este sonho. Eu sei que não é fácil ficar por nossa conta, sobretudo durante tantos dias e é por isso que dou ainda mais valor. Um obrigado mesmo do fundo do coração.


O outro vai para os meus três companheiros: Ramos, Bento e Sabi Júnior que ajudaram a que tudo fosse ainda mais especial. Que grande parceirada… o que a gente se riu e divertiu e que bem passámos o tempo. 5 estrelas! Do melhor! Jamais esquecerei esta jornada e como dizia o tal amigo… “Nunca deixem acabar isto!”.


Abração!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Paradise city


Espelho meu, espelho meu…


Diz-me…


Será possível haver, em Portugal, aquele festival com que sempre sonhei, onde as minhas bandas favoritas são os cabeças-de-cartaz de cada uma das noites?


Será possível ter dinheiro e saúde e vontade para ir na companhia dos melhores companheiros?


Será possível haver tanta alegria e já agora… tanto ROCK’N’ROLL (God bless!) em 3 dias só?


Gritem comigo irmãos: Aleluia! Deus existe!


Eu vou ali passar um tempinho com esta rapaziada e já venho.


Fui!








segunda-feira, 11 de julho de 2011

De volta ao burgo (com o Algarve revisitado)


É nesta semaninha passada em família, com o rabo enfiado no areal e os pezinhos a serem banhados pelas ondas, que melhor me apercebo da dramática relatividade do tempo. Como voa…


Passa-se um ano inteiro a sonhar com este interregno de tudo e ainda mal avistámos o mar… já estamos arrumar para partir de volta.


A estadia deste indígena por terras do Algarve, para além de ser um bálsamo revigorante para o que resta do ano, é também por mim aproveitada para tirar o pulso à portugalidade. Não se pode propriamente falar num banho de civilização (longe disso!), mas passar os dias a observar as centenas (milhares?) de tugas que torram nas toalhas ou se meneiam em passeios à beira-mar constitui uma oportunidade única de estudo da fauna autóctone deste nosso bizarro país.


No Verão constato as modas, os novos “hypes”, as expressões recém-criadas, as tendências das conversas, as taras e manias. No Verão… tiro o pulso ao Zé Povinho.


E este ano pode muito bem ser catalogado do ano em que “A crise tudo levou”. Perante a contingência deste cataclismo, divido os portugueses em 3 grupos distintos: os que, por motivos diversos e fatalidades variadas (perda de emprego, incumprimentos) já levaram com a crise em cima e deixaram assim (infelizmente) de ter possibilidade de passarem umas férias na praia; os que vivem na fartura e não só ignoram a crise como se chegam até a aproveitar dela para facturar mais algum (que os há…); e um terceiro grupo que sofre por antecipação mas que por ter tido a graça de conseguir manter as fontes de rendimento familiar ainda vai desfrutando da vida, a medo, poupando onde pode, mas sem ter bem real noção do que é que lhe pode/vai acontecer.


O que eu notei mesmo foi que havia muito menos gente, muito mais geleiras e lancheiras, que não há jogos/modas supérfluas a registar e que as filas desapareceram dos restaurantes da moda ou de referência, o que não é mau de todo, pelo menos na óptica do utente.


Comprova-se uma máxima minha: não podemos de deixar de fazer as coisas por causa da crise. Temos é de aprender a fazê-las de forma menos dispendiosa. Exemplo: a imperial na esplanada do “Costa do Vau” com vista para o areal valia 1 euro e 30. Carote, certo? Certo! Mas se se atravessasse a estrada para o “Património” já se podia dar mergulhos numa caneca de lager XL por apenas 1 euro, numa maravilhosa happy hour que estica das 9h da manhã às 7h da tarde. Capicce?


Depois… a dose de sardinha assada na “Dona Barca” (a melhor de Portimão!), bem debaixo da ponte velha, já com batata e salada incluída estava a menos de 5 euros, porra! Não é caro! 5 euros dá para andar para aí 2 minutos de carrinhos de choque no São Marcos… E o que é melhor, o que é? Não brinquem… Claro que o jarro do tinto é pago à parte mas é melhor que nada.


Na esplanada do Chimarrão há um rodízio de carnes que enche o prato por menos de 4 euros e 4 euros é quanto vale o “full english breakfast” capaz de deixar qualquer um empanturrado onde nem sequer faltam salsichas do tamanho de pilas de burro. À fartazana!


A bola de Berlim, essa suprema instituição balnear, estava a 1 euro na menina da buzina (Fónki, Fónki…), com a grave possibilidade de um gajo morrer sufocado ao tentar tragar uma massa tão trabuca sem um pouco de creme para ajudar a escorregar. Já as bolinhas com o glorioso creme no bar de apoio de praia (que pareciam rir-se para mim lá da vitrina, com o creminho a escorre-lhe pelos lados, como que a dizerem-me “come-me, come-me… devora-me otra vez…”… CUSTAVAM O MESMÍSSIMO EURO! Agora acabem-me com elas que nunca mais vos conto nada.


Registei também que os bikinis das senhoras estão cada vez mais pequeninos, ao ponto de qualquer dia correrem o risco de se desintegrarem, ou serem comestíveis, ou eu sei lá. A mim não me faz impressão nenhuma, digo-vos já. Até acho bem. Só acho é que quando as mãezinhas se inclinarem para a frente para levantarem os bebés, ou para tirarem o bronzeador da mala, e “especarem” os rabos de perna aberta com gente atrás, deviam ter instalado no rabo um dispositivo como o das carrinhas de 3.500 quilos quando fazem marcha-atrás (aquele PI-PI-PI-PI-PI) para avisarem a malta e a gente olhar para o lado. Até me admira como não ficou lá nenhum esticado com um enfarte... Haviam de ver os velhotes todos a dizerem que têm de mudar a pilha ao pacemaker. Ai não… não queiram…


Ter uma tatuagem deixou de ser uma cena de estilosa para ser do mais pimba que pode haver. Calma… I still love as duas princesinhas que voam livres no meu peito, como não abandonei os planos para próximas inscrições, nem deixei de gravar o “Miami Inc.” com medo de perder algum episódio. O mesmo não poderá certamente dizer o resto da malta que encarneirou por fazer sempre as mesmas tatuagens. Para mim: há quem tenha tatoos (personalizados, diferentes) e os outros. E quem são os outros? Os outros são os decalcados. Todos os que por aí respiram com uma destas: arame farpado, índios, lobos, águias, o nome dos filhos ou… (medo!) da mulher, um golfinho a mergulhar ao pôr-do-sol (vómito…), caracteres chineses, símbolos de clubes de futebol, focinhos de cães ou gatos e por aí fora… estão condenados a 3 coisas: ou continuam a levar com o riso de quem olha, ou começam um mealheiro para fazerem uma remoção a laser no Natal, ou vão à drogaria aviar meia dúzia de folhas de lixa e começam a limpeza a sangue-frio numa de “do it yourself”.


Neste Verão, o tempo esteve uma merda e eu fartei-me de rir da velhota algarvia que esteve durante uns bons 10 minutos a falar sozinha na paragem do autocarro em frente ao apartamento onde eu estava, a mandar o Verão literalmente para o caralho só porque ainda não trouxe calor. Naquele precioso monólogo, ela, na sua imensa sabedoria popular, falou de tudo um pouco... dos malefícios do efeito-estufa ao degelo dos calotes polares, das temperaturas de torrar de antigamente ao “chove-não-molha” actual, da crise, da falta de dinheiro, da falta de turistas, do governo e demais coisas da, cito, “puta que pariu”. Ainda lhe gritei “CONCORDO!” da varanda mas acho que ela já estava meio mouca. E pitosga. Fartei-me de lhe dizer adeus quando já estava sentada no vai-vem e ela nem esboçou o mais mínimo movimento a não ser um bater de placa nervoso. Mulher do catano!


É certo que esteve sempre sol e ameno e a minha Cris ficou toda contente porque a menina assim não apanhou calor nenhum. Mas e eu?!? Eu queria era ferro e fogo e ondas de 5 metros para fazer muitas carreirinhas… mas disso nada… Desolação. O mar como uma imensa piscina de água gelada onde o pessoal ia fazer xixi. E nada mais…


E assim se passaram… estes belos 9 dias… na doce rotina da corrida-de-1-hora-pelo-areal-às-8h-da-manhã-seguida-de-café-mais-bola-com-creme-mais-jornais-mais-mergulhos-mais-contruções-na-areia-mais-almoçarada-mais-sesta-mais-mergulhos-até-anoitecer-mais-jantarada-mais-passeio-na-rocha-ou-Shopping. Desconfio que se me saísse o milhões haveria de organizar os meus dias com uma simplicidade desarmante. Ser-se feliz até é simples e eu fui muito nestes dias se bem que coabitar com 3 mulheres; sendo que uma é pré-adolescente precoce (que critica e questiona e refila por tudo e por nada), outra que só tem 1 ano e meio mas é um autêntico compêndio ambulante de terrorismo infantil e outra que é mãe e tenta meter tudo na ordem (eu incluído); não é nada fácil. Mas eu gosto assim… Aliás… eu adoro.


Já digo como a Leonor que começa a perguntar antes da Ribeira de Nisa se “já chegámos ao Algarve?”.


Diz-me Deus… Ainda falta muito para o ano?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Marvão Mágico

Eu sei que esta… pérola já deve estar muito rodada no Facebook, mas como acho que é muito provavelmente o melhor cartão de visita que Marvão alguma vez teve, não resisto a publicá-la.


Se houver uma só pessoa que lhe pudesse passar ao lado e a apanhe aqui… já faz tudo valer a pena.


Magistral!


Marvão in marvels cine from Júlio Gouveia-Carvalho on Vimeo.


PS: Com um abraço aos meus amigos João Abelho e Victor Hugo Gandum. Ao primeiro, por me ter revelado a visão desta maravilha. Ao segundo, por não se ter esquecido de mim quando o viu.

sábado, 25 de junho de 2011

Sons de Verão

Quando o calor aperta e a sede desperta, grandes malhas bombam no cantante à beira da piscina, do tanque ou da praia. Se aqui o vosso amigo estivesse de Dj numa party num areal qualquer… estas tinham que rebentar nos speakers da pista de dança. A conferir…


É o single do momento. Impossível não bater, pelo menos, o pezinho ao ritmo groovy da melodia. Grande vídeo, muito eighties, a lembrar as velhas glórias do ténis do meu tempo. Bjorn Borg way!


My man Snoop Dogg, um verdadeiro aristocrata do Hip Hop, a destilar estilo desde há muitos, muitos anos por esses clubes espalhados mundo fora. Grande dandy… Grande campeão… sempre envolto numa nuvem de fumo e rodeado de beldades. Saber viver é uma virtude e este… sabe-a toda. Aqui numa versão muito bem esgalhada do David Guetta a fazer subir a temperatura onde quer que soe.


A Britneyzinha ganhou juízo mas nem por isso perdeu a graça. Esta cachopa… pequenita… roliça… bem atrevida… carinha laroca… tem tudo para chegar lá. Eu sou fã desde que a vi pedir mais uma vez enfiada numa sainha azul de colegial. Prefiro o “Gimme more” mas esta também serve. Se o mundo acabasse assim até era capaz de não ser mau de todo. Antes isso…


Esta malha passou-me ao lado e se não fosse o meu Júnior a chamar-me a atenção tinha mesmo ficado a zero. Quem é que disse que a música tinha tinha de ser toda séria e para pensar? Som na caixa!


Os anos passam mas a prima Jennifer está cada vez melhor. Poderosa, a cachopa esta… Aqui, fazendo impossível ao reabilitar o riff de acordeão mais foleiro da história da música. mas ela é assim… Em tudo o que toca…


Em grande, os Black Eyed Peas neste “Just can´t get enough” do Séc. XXI que não envergonha em nada o dos anos 80. Esta versão modernaça e bem ao meu gosto tem tudo para rebentar os tops. É foleiro? Quero cá saber! O paizinho gosta!


Mete mais alto!!!!