domingo, 10 de março de 2013

17.02.2013 - Marvão - Santo António das Areias - Casados e casadas: unidos pela tradição













No domingo, dia 17 de Fevereiro, por volta das 20 horas, a sala principal do Grupo Desportivo Arenense, no Largo Ricardo Vaz Monteiro em Santo António das Areias, encheu-se para receber o tradicional jantar dos casados que se realiza há já 55 anos. Isto desde que há registo porque a origem desta celebração pode ser ainda mais antiga.

Sempre marcada para a primeira noite de domingo após o carnaval, esta celebração que reúne à mesa os homens que têm no seu estado civil a condição de casados, sejam naturais da freguesia ou casados com mulheres oriundas dela, é uma das mais antigas do concelho de Marvão. Muito perto da centena de presentes reuniram-se para comemorar a sua condição marital celebrando a vida depois de dias de festa, de folia, antes do silêncio ao qual remete o período pascal.

Munidos de pratos e talheres de casa porque o mal dividido pelas aldeias custa menos a limpar, reuniram-se para a tradicional ementa que conta com canja a abrir as hostilidades, cabrito com batatas cuja presença vem do tempo em que esta era uma carne nobre, degustada em dias de festa e uma farinheira cozida com salada de agriões para arrematar. A tudo isto se tinha direito por pouco mais que 10 euros que incluíam ainda entradas, pão, vinho tinto de qualidade da região e fruta da época.

À mesma hora mas num local mais abaixo e resguardado, reuniram-se as mulheres casadas da freguesia que eram em menor número mas se aproximavam das 70. Depois da carne, como manda a tradição, a comissão dos homens foi entregar uma farinheira à comissão das mulheres. Agradecidas, as senhoras repostaram oferecendo uns versos e arroz doce.

Homens e mulheres reuniram-se após o convívio dividido por sexos, num animado baile na sala nº 1 onde tiraram as fitas de uma pinhata.

Ao baile todos se uniram, até os solteiros e as solteiras que também jantaram separados por sexos: eles nos bombeiros, elas no restaurante Pau de Canela. 

Texto e fotos: Pedro Sobreiro

- Marvão - O nascimento de um repórter correspondente (com esta idade, quem diria…)




Recordo-me de ele me ter falado no projeto do jornal “Alto Alentejo” ainda antes de sair o primeiro número. Lembro-me de, cá com os meus botões, ter questionado a viabilidade da “empreitada”. Será que seria viável daquela forma idealizada por ele, dar as notícias terra a terra?


Pois os anos estiveram do lado do bom do Manuel Isaac que tem conseguido levar a sua em frente, cimentando uma posição de relevo na informação do distrito.
Admiro quem é audaz, persistente e não vacila perante as dificuldades. Quem é duro e valente.


Por gostar tanto da sua iniciativa e gostar tanto de escrever, lembrei-me de abnegadamente (é importante que se diga), ter aceite os seus já antigos convites de colaboração, apoiando-o, contribuindo com notícias de eventos do meu concelho nos quais participo numa perspectiva de utilizador. “Uma vez que lá estou”, pensei, “tirar umas fotos e umas notas, rabiscar umas linhas é coisa que não me custa e até me dá prazer”.


Para um jornalista de formação como sou que a determinado ponto da sua vida teve de singrar por outro ramo de trabalho, empurrado pelas limitações dos tempos, escrever é sempre um prazer. Se for para o jornal do Manuel, junta-se o útil ao agradável.

Foi por o saber sempre sobrecarregado, a correr de um lado para o outro, com falta de tempo que me propus auxilia-lo fazendo a cobertura do jantar dos casados da minha terra de dia 17 de Fevereiro e da matança do porco da junta de freguesia deste último domingo, dia 3 de Março.


Como os assuntos já foram publicados em formato papel, dou-lhes aqui cobertura via blogue (criando uma etiqueta jornal Alto Alentejo) e via facebook. (Já que o trabalho está feito, divulga-lo não custa.)


Para que as notícias da nossa terra caiam no esquecimento.


Do vosso escriba, do correspondente,


Pedro Sobreiro

sexta-feira, 8 de março de 2013

8 de Março - Dia da(s minhas) mulher(es)





Junho de 2012

Na piscina da casa que alugamos há 3 ou 4 anos seguidos em Portimão




Vocês já sabem como eu sou. Já me conhecem. Quando penso uma coisa de uma certa maneira, agarro-me a ela com força e não a largo. Sou como aqueles cães de caça que se agarram à presa e não abrem boca. Não largam a presa depois de abocanhada. Sei que corro o risco de estar sempre a dizer as mesmas coisas, agarrado às convições. Mas quando acredito, acredito mesmo.


Isto a propósito do dia da mulher. Sou contra esta ideia do ter um dia de qualquer coisa.


Dia da mulher, dia do pai, dia da mãe, porque os dias de… algo, para mim, são todos os dias. De que vale um tratamento principesco com direito a presente, flores e jantares no dia da mulher quando se a maltrata durante alguns momentos do ano? Ou todos os momentos? Nada. Não vale de nada.


Eu, que na minha casa sou uma minoria, uma alegre minoria, sou o único homem. Deus deu-me a graça de viver rodeado de mulheres e agradeço-lhe todos os dias. A Deus e a elas.


Para mim, as mulheres são seres superiores aos homens. Digo-o com toda a sinceridade e toda a verdade. Qual história do sexo forte, qual quê? O homem foi importante quando a força de braços era vital no trabalho e na defesa mas hoje em dia, o cerne da questão é outro. É o cérebro, a capacidade, o instinto que manda. O feminino é claramente superior.


Para mim, na escala da evolução humana, o homo sapiens feminino vai à frente do masculino. Nós, homens, somos muito limitados. Mesmo ao nível da cabeça, daquele feeling que elas têm, daquele toque feminino… Ainda bem que elas precisam de nós para a procriação e o prazer. Graças a Deus. Senão que seria feito de nós? Sem elas?


Venho de uma família de mulheres. Sobretudo mulheres. Uma família de grandes mulheres. A minha mãe. As minhas tias Maria e Cremilde. A vida quis assim. O destino quis assim. Os homens morreram. Já partiram. Dizer isto assim pode parecer cruel mas é realista. Os dois homens da minha infância: o meu pai e o meu tio Lázaro, casado com a minha tia Maria, já morreram. 


O meu pai já ele tinha sido o homem entre as mulheres, o menino nas mãos das bruxas, o benjamim numa família de mulheres. Era o tesouro entre as mulheres, uma das quais já tinha idade para ser mãe dele quando nasceu. Ele queria-a como tal. Ela também amava-o e ainda o ama como se tivesse sido seu filho.


A família da minha mulher também é dominada pelo sexo feminino. A mãe, minha sogra, tem duas filhas. As filhas têm 3 filhas. Ela, mãe também foi filha única. Só mulheres. E o meu sogro vê-se rodeado por mulheres. No casamento, nas filhas, nas netas. Sortudo, digo eu. Sortudo. Todas mulheres e todas bonitas. E ele, o pobre a suspirar pelo netinho que gostaria de ver vestido com as cores do seu arenense.


Nós, homens, hoje em dia, somos um mero porta-chaves. Um acessório. Um bibelot. Vejam as universidades, as empresas, o mercado de trabalho em geral… Dominado por elas. Eu, por exemplo, tenho uma chefe. O meu superior hierárquico direto é uma mulher. E bem. Não me sinto minimamente diminuído enquanto homem pelo dito sexo fraco ser superior ao sexo forte ali, se é assim que querem colocar a questão.


O sexo forte não é o nosso, é o delas. Já viram o que elas trabalham hoje em dia só em casa? Dá trabalho só de pensar nisso. Canso-me só de pensar.


Enquanto faço a barba, tomo banho, me visto, tomo o pequeno almoço e me preparo para ir trabalhar, o exercito interno feminino não para um segundo. 3 mulheres, logo 3! Eu ajudo no que posso, claro. Desdobro-me para chegar às coisas mas sou um apêndice. Apenas dou uma mãozinha mas nada comparado com o comando das operações. Apenas vigio de longe.


Eu também limpo o pó, eu também aspiro, eu também faço as camas e arrumo a roupa (e olhem que sou muito arrumadinho! Quase um metódico compulsivo!). Eu também cozinho, também faço tudo e não me limito a sair do trabalho, ir para os cafés fumar, beber minis e dar arrotos em público. Eu não faço xixi para a tampa da sanita. Eu comporto-me bem e esforço-me todos os dias por agradar, por as conquistar às 3.


Vou dar um conselho aos meus amigos homens. Homens que são cada vez mais escassos e em minoria. O segredo para se manter o amor de uma mulher é trabalhar todos os dias para a conquistar. Fazer todos os dias como se fossem o primeiro. Conquistar mesmo. Não ser apenas simpático. Fazermos-nos sempre a mesma pergunta ao fim do dia antes de dormir: será que hoje a conquistei?


Eu rezo sempre antes de dormir e essa é uma das várias perguntas que me faço para me avaliar, para analisar o meu dia. Essa de várias perguntas como saber o que fiz bem, o que fiz mal, o que poderei fazer melhor… Só assim se aprende. Analisando e pensando. Agindo.


E bom, já não vos ensino mais nada senão qualquer dia já conhecem o meu mundo todo e qualquer dia há por aí “Vendo o mundo de binóculos de montes de sítios” e depois ninguém vem ver aqui o meu que ainda por cima é lá do alto de Marvão e de binóculos, coitadinho de mim.


Às minhas amadas, às minhas princesas, às minhas patroas, às donas da minha vida e de mim, desejo um dia feliz, como me esforço por fazer todos os outros.


Dias como se fossem sempre o dia da(s minhas) mulher(es).

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão via facebook para quem não tem facebook e gosta de ver o mundo como eu o vejo. Dia 6 de Março. Quarta-feira. Ano da graça do senhor dois mil e treze.




O facebook é muito bom se for bem utilizado porque é inusitado e inovador. É leve.

Custou-me imenso viver quando não tinha o meu blogue. Doeu quando lhe meti um fim. Para mim é difícil não opinar. Não me poder expressar. Não meter cá para fora aquilo que vai cá dentro. Mas alguma coisa tinha de mudar. Alguma coisa tinha de ser nova. E quem me haveria de dizer a mim que isto seria pelo facebook?

Estava longe de pensar tal coisa. Não digo que fosse impossível, mas… era muito pouco provável.

Aconteceu e a coisa já se deu. Ainda bem.

O meu blogue renascido pela via do facebook é despretensioso, se é que ele alguma vez foi o contrário. Não estou a ser cínico. Estou a ser sincero.

O meu blogue via facebook não tem de ter aquele must de ter de ser um texto. Ser composto por um princípio, meio e fim que herdei do tempo do meu primeiro blogue “Desabafos de Marvão”, ainda patente em desabafomarvao.blogspot.com.

O meu blogue via facebook pode ser apenas uma ideia, 3 ou 4 linhas, um pensamento. É bom assim. Olhem, eu cá gosto assim. Esta versão light facebook é muita boa. Pelo menos o Tio Sabi gosta. Os meninos e as meninas, se não gostarem, já sabem… Isso mesmo! Comam só as batatinhas fritas e metam a carne de lado. Viram como aprender é tão fácil? Lindos!



Dia 6 de Março. Quarta-feira. Ano da graça do senhor dois mil e treze.



E o Hugo Chávez calou-se mesmo. De vez.



O Hugo Chávez fez hoje o que o rei de espanha lhe pediu certa vez numa conferência de líderes de países falantes de castelhano, se bem me lembro.

Numa coisa assim tipo PALOPs ou coisa que o valha. Lembro-me que o homem não parava de interromper os outros, sendo maçador e inoportuno.

Foi então que o rei decidiu pôr água na fervura, perguntando-lhe: ”E porque no te callas?”.

E prontos, foi hoje.

Calou-se.

De manhã, enquanto tomava banho, ouvi na rádio a notícia da sua morte.

O cancro não o deixou ganhar e levou-o.

Derrotou o homem. Fez nascer o mito que agora será elevado pelas massas.

Massas que nele apagarão o mal e errado.

Apenas glorificarão o bem.

Assim se constroem os mitos.

Paz à sua alma.




Grande Zé Mourinho. A brilhar no palco dos sonhos.



Posso não trazer nada de mais. Posso não aportar nada de novo ao facebook.

Mas a minha posição, o meu modo de ver o mundo (sempre de binóculos e sempre do alto de Marvão) é fora do normal. No mínimo. É inovador porque é irreverente. Sempre.

Pode não trazer nada de novo mas pelo menos não aporta vulgaridade.

Não sou apenas mais um produto como os fabricados na China ou na Índia que produzem milhares de produtos num minuto.

Não sou um daqueles comentários banais sobre a vida e o amor que se multiplicam em massa nas redes sociais.

Digo coisas que penso mas sempre pela minha cabeça e sem medo. Como esta: o José Mourinho é grande! O Zé Mourinho é muito grande. Adoro-o. José Mourinho é o maior. Ir a Old Trafford. Essa catedral do futebol onde este desporto atinge um patamar divino e ganhar, não é para qualquer um. É só para alguém grande.

Estar a perder, remontar e passar para cima, é coisa de obra. Ganhar e reconhecer que o seu Madrid não foi o melhor clube do jogo. Conceder que perdeu o clube que jogou mais, é coisa que só está ao seu alcance, ao alcance do Mourinho. É de nível. É insuperável.

Ele desarma porque é verdadeiro. Desarma qualquer um porque diz sempre a verdade. Como desta vez.

O homem é como o rei Midas, transforma-se em ouro tudo o que toca. Foi ver do Modric que para mim era um desconhecido (também não é preciso muito para isto acontecer) e o homem fez um golo de parar o trânsito.

Encostou o Casillas que tem a mania que é maior do que aquilo que realmente é. No seu lugar colocou o Diego López, toda a vida encostado na sombra do outro e este brilhou.

Numa palavra: fantástico.

segunda-feira, 4 de março de 2013

A minha declaração de amor definitiva



Da minha fase de renascimento após o acidente e antes do recomeço do blogue, decidi  ir procurar ao baú para repescar alguns dos textos que ficaram nesse período e se podem perder na internet para sempre.


Assim, plasmados aqui no meu blogue, fico certo que perduram.

Desses textos facebookianos, resgato a minha declaração de amor definitiva, a que fiz à minha mulher Cristina pelo dia dos namorados.  


“Feliz Dia de São Valentim! Feliz dia dos namorados! Feliz dia dos namorados não para todos, mas para a minha Cristina. Ou como nós lhe chamamos os dois, “Dia dos namorados casados” que é o nosso caso. Isto porque o dia dos namorados é um dia como outro qualquer que vale apena pela data, como o dia do pai, o dia da mãe, ou qualquer outro. Se for apenas pela data, com fins meramente mercantilistas, não vale a pena vivê-lo com sentido. Mas como nós os dois o vivemos, assim sim. “Dia dos namorados casados” porque todos os dias estamos casados como namorados, o que significa termos de conquistar o outro, todos os dias. Não nos tomarmos um ou outro como coisas garantida, como algo que se tem para sempre. Termos sempre uma atenção, um gesto, um sorriso que marque o dia. Vou-vos ensinar uma que aqui também dá para fazer confissões. Ainda hoje usamos o gesto que usávamos quando éramos solteiros e não podíamos dizer aquilo que queríamos à frente dos outros. Quando fechamos os olhos duas vezes seguidas, queremos dizer “Amo-te tudo para sempre”. Pequenos gestos que são só nossos e nos marcam.


A Cristina é a mulher da minha vida. Sempre foi. A pessoa que eu mais gostei de conhecer neste mundo. A pessoa que me diz mais. A pessoa de que eu gosto mais. Mais do que qualquer outra pessoa que eu ame desmesuradamente. Mais do que a minha mãe, mais do que o meu irmão, mais até do que as minhas filhas. Mais até do que as minhas filhas! E porquê? É simples: foi ela que me as deu. Sem ela nunca as poderia ter. Até nisso!


A nossa história de amor é linda e merece ser contada. Sempre namorámos os dois. Desde sempre. Desde os tempos do ciclo em Castelo de Vide, tinha eu 14 anos e ela 12. Ela era apenas a irmã mais nova da minha colega Paula Lança, que era da minha turma desde o 7º ano. Esta cena passou-se para aí no 9º ano. Nunca falei, nem escrevi sobre isto, mas estávamos sentados debaixo dos arcos de entrada do edifício antigo da escola em Castelo de Vide. Chovia. Recordo-me que estávamos a conversar sobre qualquer coisa. Eu acho, segundo me lembro, que não lhe tinha pedido nada. Ela disse-me que ia pensar e depois me dava a resposta. Eu fiquei-me. “Se assim é, assim seja!”.


Depois começámos a namorar. A primeira vez. Para mim, era só a irmã da minha colega Paula que tinha a minha idade com dias de diferença porque ela faz anos em Abril e eu faço em Junho. Tinha menos dois anos que nós, o que naquela altura era muito. Mas simpatizei com a cara linda da pequenina e gordinha e ficou. Foi ficando. Nos anos que se seguiram, quando eu mudei para Portalegre e fiquei deslumbrado com aquele mundo todo louco dos liceus e moda e música e malta nova, tive uma série de outras namoradas. Todas lindas (hã? É bom que se diga). Mas entre cada uma delas, voltava sempre à Cristina Lança. Era de quem eu realmente gostava. Por quem o meu coração batia. Ela também foi tendo outros namoradinhos porque era um artigo de qualidade e para santa não tem jeito. Mas voltávamos sempre ao mesmo, um ao outro. Isso é que interessa. Os namoros de escola nem sempre são “tapados”. Nem sempre são de pessoas que nunca conheceram o beijo de outra. Os namoros de escola podem assim ser como o nosso: sincero, verdadeiro, puro. Falo por mim: as outras mulheres que fui conhecendo durante a minha vida foram boas para mim, foram minhas amigas, quero-as bem a todas e hoje temos uma relação distante porque a vida nos afastou, mas quero-as bem. Não tenho nada contra nenhuma e se tiverem alguma coisa contra mim, só tenho é de aceitar. Elas podem querer-me mal, (coisa que eu não acredito que aconteça lá no fundo do coração delas porque sempre fui correto e verdadeiro com elas) mas eu quero-lhes bem. A verdade é que foram acidentes de percurso do meu amor, lamento, da minha história de amor com a Cristina, do meu amor pela Cristina, da nossa história de amor.


Esta mulher é pequenina mas poderosa. Se tivesse mais um palmo de altura e fosse o mesmo de poderosa, ainda melhor. Isso é que era 5 estrelas. Mas nós também não estamos no céu, graças a Deus e nem tudo é perfeito. Se alguma dúvida ou vacilação tivesse quanto ao seu amor (que não tinha!) ficaria apagada com tudo o que se passou depois do meu acidente do ano passado. Esta mulher largou tudo, tudo, tudo… por mim. Deixou as filhas, os pais, a casa, o emprego por mim.


(entre parêntesis mesmo: a nossa casa para a qual vieram viver os meus queridos cunhados Paula e Bonito, a minha querida afilhada Maria e também os meus queridos sogros, num gesto que me deixa sem palavras até a mim, para que a Leonor e sobretudo a Alice não sentissem tanto a falta do pai e da mãe. Largaram tudo por nós, tudo por mim. Por mais que eu viva, nunca hei-de saber agradecer isso. A não ser com meras palavras como estas. Que são apenas palavras, mas são muito sentidas. Vêem cá mesmo do fundo do coração).


Para além do seu amor, a Cristina brinda-me todos os dias com frases como: “A casa é tão triste sem ti. Se te acontecesse alguma coisa, vendia-a porque só tem coisas que me fazem lembrar de ti. Esta casa sem ti fica vazia. Nem parece que é a nossa. Só é a nossa contigo”.


“É tão bom ter-te”. E ela explica-me como é isto de uma maneira que me deixa desarmado: “Eu  já sei o que é viver sem ti e não te ter. Quando estavas em Lisboa ligado às máquinas, ao ventilador artificial para respirares”.


As mesmas máquinas que um dia a assustaram muito porque ela, coitadinha, fazendo o que os médicos lhe pediam para fazer, me levou um dia o meu perfume para ver se me trazia recordações. Deu-me a cheirar o Farnheit  e a minha reacção foi tal que mesmo estando em coma, reagi muito ao ponto de as máquinas começarem todas a apitar e darem sinal. Ela ficou aflita e correu a chamar alguém que ajudasse. O pessoal especializado ficou contente porque era sinal que me tinha trazido recordações. E eu que podia ficar em estado vegetativo para sempre, preso, amarrado a este corpo, com vida mas sem vida, reagia. Isso era bom. Pequenas vitórias que me trouxeram até esta grande vitória que é a vida hoje.


A minha prenda é esta e sei que para ti é a melhor: estar vivo, bem de saúde e capaz de fazer este texto para ti. Dedicar-to depois desta noite em que dormimos mais uma vez separados por causa e por vontade da nossa filha Alice que esta noite nos deu a prenda de não querer dormir contigo como faz sempre, mas sim comigo. Agarradinha a mim, toda a noite. Sem calças e sem meias, claro, sempre como ela sempre faz, mas agarradinha a mim.


Hoje sou eu que te digo e aqui para que todo o mundo saiba que “Amo-te tudo para sempre. É tão bom ter-te e poder contar contigo todos os dias. Graças a Deus.” Tu agora olhas para mim muitas vezes e eu estou em silêncio, sozinho. O que estou a fazer quase sempre é a rezar, a dar graças a Deus, a agradecer por viver o momento e poder desfrutar da vida, das nossas filhas, de ti. Graças a Deus que não dorme e não se esquece de quem o ama. Graças a Deus


Post scriptum: se tiver algum”não gosto” neste texto, já sei que é o dela. Porque me pediu que não o fizesse. Deixei-lhe uma nota escrita em casa antes de almoço a dizer: “Feliz Dia dos Namorados. Desculpa não ter feito nada mas estive a fazer a tua prenda de tarde no facebook. Ainda não meti. Lê de tarde. Fui à piscina. Só devo voltar à hora de almoço. Amo-te tudo para sempre. Pedro”. Pediu-me para não meter porque para ela “há coisas só nossas e se no facebook há muitos amigos, também há muita gente invejosa e que nos quer mal.” Eu sei que ela tem razão, como sempre tem. Mas mesmo assim, mesmo que haja gente que não gosta de nós e nos inveja e quer mal, também há muita gente que nos quer bem e para a qual eu escrevo. Os que nos querem mal… azar. Fiquem lá com as macumbas e os votos de mal querer que eu quero é que vão para o inferno. Eu até tolero que haja gente que não goste de nós, que coma só as batatas fritas e nos meta para o lado. A esses tolero. Respeito. Estão no seu direito. Agora, aqueles que nos querem mal, sou capaz de lhes fazer tudo. Para defender a minha família e os meus amigos do coração, até de matar, acho que sou capaz. Espero que a Polícia Judiciária ainda não tenha facebook mas se tiver, que se lixe. Eu respondo. Eu estudei direito na faculdade,com o bom  do Basílio Horta que antes era do CDS e agora é deputado do PS, (Amolou-se, porque senão estava no governo. Mesmo que tenha facebook e veja, agora que já não é meu professor: vira-casacas!) e sei que uma pessoa não pode ser julgada só pelas intenções. Se assim fosse, estavam os tribunais e os infernos 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O nevão de Marvão













































Em 40 anos de vida nunca tinha visto um nevão assim tão grande em Marvão.

Eu sei que agora ando sempre a escrever sobre a minha idade, a falar na idade mas isto é próprio da própria idade. Estou a ficar velho e caquético, o que é que vocês querem?

Mais um chato para aturar. Tenham lá paciência. Olhem, quem não gosta que meta a carne para o lado e coma só as batatinhas, vá. E o esparregado também que é muito bom, saudável e gosto tanto dele. Feito pela minha patroa, pela minha princesa-mor, pela minha mulher, a partir de couves do campo que ela coze e miga e tempera com muito azeite e vinagre… hummmm… que delícia.

Hoje de manhã estava tudo fechado em Marvão. Tudo. Tudo de porta fechada. Câmara fechada. Conservatória fechada. Tudo vá!

Para verem como são as coisas e quem trabalha de verdade, quem trabalha para o país ir para a frente, para o país sair da crise, saibam que as finanças de Marvão trabalharam. O Serviço de Finanças de Marvão esteve hoje aberto. Logo a partir das 9 horas.

Se o meu dono Vítor Gaspar tivesse facebook, mesmo agora lhe mandava uma mensagem para ele poder fazer like. De certeza que ele fazia.

O meu colega e chefe adjunto, o João Correia ligou-me logo para o telemóvel a dizer para ter cuidado com a estrada até chegar ao emprego porque ele já lá estava, de porta aberta. Tinha lá chegado! Com muito custo mas tinha deixado o carro no parque de estacionamento junto à Santa Casa da Misericórdia e já lá estava. Quando me telefonou já tinha feito trabalho para o público que mesmo assim lá foi pagar uns antigos selos como as pessoas lhe chamavam, do imposto único de circulação.

Claro que fui trabalhar, com todo o gosto. Com todo o orgulho por ter o meu trabalho, o meu lugar que tanto, tanto, tanto estudo me requereu para conquistar. Conquistei no concurso que foi o maior concurso aberto ao público de que há memória na história do nosso país. Creio que mais de 80 mil a concorrerem para o lugar de técnico das finanças. E eu, vejam bem como são estas coisas da memória, fiquei classificado no país em 2 mil e 53 entre mais de 80 mil candidatos, nunca mais me esqueço do número da posição.

Esta classificação numa prova de cultura geral que abarcava todos os domínios: português, matemática, geografia, lógica, cultura mesmo e outros que já não me recordo. Só faltou mesmo foi fazerem perguntas sobre mecânica e trabalhos oficinais. ;)

E assim lá vim eu hoje sob a neve, feliz e dando graças a Deus por ter o meu emprego nestes tempos tão difíceis para os portugueses. Tempos que me agoniam tanto de cada vez que vejo as notícias sobre esta situação ou leio jornais.

Mas não falemos de coisas tristes. Falemos antes de coisas únicas e lindíssimas: Marvão.

Marvão é muito, muito bonito. Todo nevado é ainda mais lindo. Imagens lindas de morrer. Claro que me fartei de tirar fotografias com meu telemóvel Samsung de 40 euros comprado nos saldos da internet da tmn.

Pois o meu novo telemóvel, carregado com o cartão de memória micro sd é uma bomba. Cartão de memória que comprei na loja do chinês em Portalegre por barato, barato, barato, como eles dizem (7 euros, realmente não é muito caro para a possibilidade que tem) e tem uma capacidade de não sei quantos gigabites que dá para captar 900 e tal imagens.

Assim tirei, não tantas mas muitas para ficar para sempre com um Marvão lindo como eu nunca vi.

Coloco aqui algumas para vocês verem que eu não sou mentiroso. Nunca fui e não gosto deles. Para verem como é verdade e concordarem, laikarem (fazerem like no meu linguajar facebook), não laikarem ou fazerem como vos apetece.

Eu meto e prontos! Muitos beijinhos. Frios, nevados… mas beijinhos.