quarta-feira, 15 de maio de 2013

Depois do fim. Renascer. Outra vez.




Tenho de vos reconhecer que apesar das minhas quarenta primaveras, ainda há coisas que não consegui aprender na vida. Há coisas para as quais eu sou burro. Mesmo burro! Uma delas é que não poderei dizer nunca. Não é seguro dizer que desta água não beberei.

Isso aconteceu quando quis matar o blogue.

Voltou a acontecer no último texto que publiquei quando disse que nunca mais sofreria pelo Benfica. Que a partir da última derrota seria apenas simpatizante. Mentiroso. Falso. Charlatão. Louco a enganar-se a si próprio. Meu Deus… estava tão louco que até disse bem do Pinto da Costa, esse malvado. Estava louco e senil mas tudo se explica porque estava mesmo muito sofrido. Aquela derrota por 2-1 marcada por um golo nos descontos finais, doeu demais. Foi a derrota mais dura em toda a minha vida. Estava muito magoado. Estava destroçado.

Naquela noite não fui capaz de falar mais nada com ninguém. Nem opinar, nem comentar, nem sequer ouvir. O Jesus ficou de joelhos. Eu fiquei pior. Eu fiquei de rastos. Não me enfiei pela terra adentro porque não consegui mas bem tentei. Foi terrível. Mesmo muito terrível. Uma catástrofe pretinha de cabelo rapado e crista, a grande filha da puta da catástrofe! Uma desgraça como o pangaião do Roderick Miranda (que tem um nome tão foleiro como o jogador que é) que nem sequer foi capaz de esticar a merda da perna. Por mais anos que viva, nunca se há-de apagar da memória.

Mas… o Benfica é mais forte que eu! Não consigo deixar de gostar. Não consigo deixar de amar o Benfica! Sou como aqueles alcoólicos que estão muito certinhos, muito bem, muito regenerados mas assim que chegam a um balcão… pedem uma mini em vez de um sumo ou uma água. O amor explica-se. O amor percebe-se. O amor é racional. A paixão não. A paixão é loucura. Nós sabemos que pode não ser correcta. Nós sabemos que pode fazer mal. A gente sabe mas gosta e isso é bom. MMuuuuuuiiiiiito bom. 

O que vale é que há pessoas que me conhecem melhor que eu próprio. Como é o caso do meu irmão (pelo casamento) Bonito Dias ou o meu grande amigo Francisco Serôdio ou o meu grande amigo Pedro Silvério que comentaram o texto no facebook e minimizaram o meu sentir exacerbado. Conhecem-me melhor que eu próprio. Ontem já comentei o caso com o meu amigo e primo João Bengala quando fui buscar a minha Alice ao infantário: “ai primo, se ainda não leste vai ler que vais ver que a dor foi tanta…”

Agora que penso nisso nem consigo acreditar no que escrevi. Então não é que eu me meti para aqui a dizer que nunca mais vou sofrer pelo Benfica? Que estou curado? Meu Deus… Que tonto e inconsciente fui. Ontem ainda pensei: “tanta picuinhice e às tantas escrevo já na 5ª feira, se ganharmos a liga Europa...”

Na quinta-feira?!?!?!?!? Penso agora?!?!?!?!? Eu não sou capaz de aguentar tanto tempo! Eu escrevo é já hoje e agora!


Há pessoas que me conhecem melhor que eu a mim próprio que são boas. Há outras que me conhecem melhor que a mim próprio e que nisto do futebol são más como o velhaco do meu irmão Miguel que é velhaco como o diabo de tão lagarto que é. O meu irmão que haveria sempre de querer o meu bem e me amar como o estimo a ele, aproveitou logo a minha fraqueza e respondeu-me no facebook da seguinte forma:


Eu sei que é duro. Aliás, se o golo do Kelvin fosse ilegal tinha sido em tudo como este campeonato.  
http://www.youtube.com/watch?v=QBPYcZ57KkY


com a devida explicação .




Ora eu, Pedro Sobreiro sei que esta derrota lhe há-de estar atravessada toda a vida e reconheço que tem razão. Passados estes anos todos, tenho de lha dar se é que não lha dei logo naquela altura, coisa que eu duvido muito (dito assim baixinho e à voz pequenina. Pchiiuuu...)


Já que falamos nisso, na minha humilde opinião, os portistas são de dois tipos:

Portista do tipo 1 –raríssimo no sul do país, abaixo do rio Douro, ou seja Marrocos como lhe chama o bronco do Pinto da Costa que nos considera a todos os que vivemos a sul dessa linha do Douro como sendo de outro país. Este tipo 1 é daqueles que são do Futebol Clube do Porto desde sempre porque têm ali as suas origens ou família. Esses portistas merecem o meu respeito porque são autênticos. O Miguel Sousa Tavares que respeito e admiro muitíssimo é assim: nasceu no Porto, a 25 de Junho de 1952. O Rui Moreira, candidato independente à câmara do Porto que eu muito admiro e que nasceu no Porto quatro anos depois é outro. Mas há mais nomes de portistas que aprendi a admirar: o Fernando Gomes que foi presidente da câmara e fez frente ao facínora do papa do norte, o Jaime Pacheco que não é nascido no Porto mas é lá do norte e muitos mais nomes. Gosto. Admiro. Grau de respeito meu pelo tipo 1 de portista: muito elevado.  

Portista do tipo 2 - muito frequente aqui pelas nossas paragens e geral em quase todos os portistas que conheço: pessoas que são do Futebol Clube do Porto por interesse, porque o Porto vencia muitas vezes. É o tipo mais comum e o mais grave. Pessoas que são do Futebol Clube do Porto porque são vira-casacas. Eram do Benfica, do Sporting ou doutro qualquer e mudaram-se para o que ganhava mais. Adoro vê-los a gabarem-se. Todos os que conheço são deste tipo. Se houver algum que consiga provar que esteja enganado, que me diga e eu peço desculpa. Sem problemas. Saber pedir desculpa não é vergonha nenhuma. Agora já sabem a minha posição e porque é que eu vos trato assim: com alguma GRANDE INDIFERENÇA. Grau de veracidade: ZERO. Mudar por interesse não é coisa que me agrade nada. Uma coisa é ser-se de um clube porque ganha. Tudo certo aí. Outra é mudar-se para o que ganha. Não tem nível.

Pois eu, meus amigos, reconheço-vos que sou um benfiquista um pouco estranho: simpatizo imenso com o Sporting. Tem razão de ser. O meu pai era grande sportinguista, o meu irmão é sócio do Sporting de tão sportinguista que é, a minha madrinha é do Sporting, a minha tia paterna de quem sou muito próximo é do Sporting, os meus sobrinhos são do Sporting e é uma delícia ver o mais pequenito Afonso de apenas 1 ano a trautear e a dançar as músicas da Juve Leo que o maluco do meu irmão lhe canta, como vi há dias. A minha família era quase toda do Sporting mas numa família assim alguém tinha de ver a Luz, alguém tinha de estar certo e não ser a ovelha negra mas antes a ovelha vermelhinha, tão linda! Dinheiro que me quiseram dar… Tanto que eles me tentaram comprar para ser do Sporting. Quando nos deslocávamos à Covilhã visitar a minha família, onde todos eram do Sporting (primos, tios e tudo) era um verdadeiro massacre de influência leolina. Mas eu já era vermelho como o sangue. Já era do clube que era também o clube de muitos dos meus amigos de então. Já era do Benfica do magnífico Chalana, do Humberto Coelho, do Alves, do Pietra, do Carlos Manuel, do Shéu, do Toni, do Néné, meu Deus, do Néné! Sempre fui do Benfica!

Realmente, como me disseram no facebook em relação ao meu último texto, o Benfica é para mim uma paixão. As paixões não se apagam assim como eu quis no último texto. As paixões não são tão fortes como o amor que é puro e verdadeiro. O amor é cerebral. Eu sou da opinião que o amor é mais cerebral que emocional. A paixão é que é completamente do domínio emocional. As paixões são uma variante da loucura. As paixões são de um território onde a razão manda pouco. O fusível da paixão apaga o sensor da razão. Nós sabemos que está errado, nós sabemos que não está correto, sabemos que nos entregamos demais, que não é racional… mas é bom. È tãããão bom. E não é proibido. Se nos faz felizes e não magoa quem amamos, é bom.

Como diz o íman que tenho sempre no frigorífico: “Um homem troca de coração, muda de médico, troca de partido, muda de nome, troca de carro, muda de casa, mude de religião, troca de mulher, muda até de sexo… mas não troca nem muda de clube. Um homem e vive e morre BENFIQUISTA”. Mai nada! é mesmo assim que eu sou. Este íman é mesmo com’a mim!

Por isso, amanhã lá estarei no meu Grupo Desportivo Arenense, clube da minha terra, a torcer e a vibrar com o meu Benfica em tela gigante. Com a minha camisola do Benfica vestida. Com a camisola mais valiosa das várias que tenho do glorioso, com a que me foi oferecida pelos meus queridos amigos quando estava internado no hospital de Portalegre. Visto-a com mais orgulho que se me tivesse sido oferecida pelo próprio Eusébio.

Amanhã, pelas razões que aqui deixei da última vez, não peço a Deus que ganhe o Benfica. Amanhã peço aos donos do jogo, à sorte do jogo que ganhe o melhor e que esse melhor seja o Benfica. Oxalá vos escreva outra vez sobre isto!

domingo, 12 de maio de 2013

O meu adeus ao futebol


Na universidade, quando nos querem ensinar a ser jornalistas, ensinam-nos que uma imagem nunca pode significar mais de mil palavras. Nesta discordo em absoluto. Por mais que se diga, não se conta.


Passadas algumas horas, depois de uma noite tranquila de sono, parece-me que já sou capaz de pensar, de raciocinar, de meter os neurónios a funcionar. Porra, aquilo ontem foi duro demais! Foi um golpe tremendo… Foi trágico e repentino. Depois de sofrer um autogolo (marcado por um dos nossos na própria baliza), perder com um golo no último minuto, na última jogada do jogo, já nos descontos, foi duro demais! Pior ainda do que as minhas piores previsões que imaginavam um Porto avassalador, com um futebol estonteante. Duro demais para ser verdade! Impossível de acreditar. Quando o apitou final soou, eu perdi o pio. Literalmente.


Perdi o pio mas ainda tive o pio suficiente para dar os parabéns aos dois portistas de quem sou amigo há muitos anos e estavam a assistir ao jogo em silêncio no mesmo restaurante. Tive o pio para dar os parabéns a um outro portista de quem sou muito amigo e encontrei no caminho para casa. Ele queria mais conversa mas essa não lha dei. Dei-lhe os cumprimentos, fui educado e ponto. Tive ainda o pio para dar os parabéns pela vitória e pelo campeonato via sms a um outro amigo de infância que me enviou uma mensagem para o telemóvel nessa noite. A vingança é um prato que se come frio e eu, como todos os benfiquistas, falei cedo demais. Foi uma bofetada muito bem dada. A sorte premiou quem quis mais vencer o jogo. A sorte esteve do seu lado porque quiseram sempre vencer, tiveram sempre os olhos na baliza, nunca desistiram, conseguiram desmontar a estratégia de quem pensava ter tudo controlado. Nem foi o árbitro, nem foram as artimanhas que eram o que eu temia. Foram melhores. Mesmo que isso fosse apenas visível em dois lances: um por culpa deles e outro por acaso. Mas foram melhores e mereceram!


Fui ver o jogo com uns amigos benfiquistas no restaurante do amigo e grande benfiquista JJ Videira. Quando aquilo chegou ao fim não fui capaz de ouvir comentários, nem análises, nem nada! Pedi desculpa por me retirar, meti-me no carro e vim em silêncio até casa e no mesmo silêncio me enfiei na cama. Eles ficaram todos muito preocupados comigo, que viríamos todos juntos, quem me viriam cá trazer. Eu percebi a sua preocupação pelo meu passado naquela estrada, naquele trajeto. Tranquilizei-os, garanti-lhes que viria nas calmas e lhes mandaria uma mensagem quando chegasse ao destino, como aconteceu. Eu estava como o Jorge Jesus ficou, quando viu a bola entrar e tinha o jogo, o resultado e o campeonato na mão, fiquei de joelhos. Esperemos que perca também o lugar de treinador porque mais um ano a ver o campeonato voar é demais. Vim tranquilo e fiquei tranquilo. Doído mas inteiro. Aquilo é apenas um clube de futebol. Por mais que me custe: é apenas um clube de futebol.


Com esta idade toda, com 40 anos que vou fazer já em Junho, ainda aprendo. Hei-de aprender sempre, até ao dia em que deixar de respirar. Ontem aprendi duas lições importantes. Duras de aprender mas importantes.


A primeira lição é que a fé é como a liberdade. Mais ou menos. Com uma ligeira variação. Da liberdade aprendi, sei e defendo que a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros. Respeito é a palavra de ordem. A fé é mais ou menos assim. Pode juntar-se à dos outros (que faz uma força poderosa como acontece em Fátima) mas a fé pode não funcionar quando choca com a fé dos outros. A ver se me consigo explicar: quando estive em coma, sei que a fé da minha família e dos meus amigos, em que viria a recuperar foi determinante. Foi importante também porque numa noite em que muitas pessoas encheram a igreja de Nossa Senhora do Carmo da Beirã para rezarem o terço por mim, eu acordei do sono da coma. Coincidência, poderão pensar os mais cépticos. Eu defendo que foi algo mais. Mas a fé dessas pessoas não iria chocar com a fé de ninguém que pudesse ter fé que eu ficasse mal ou não recuperasse! Outra coisa já é quando a nossa fé quer coisas que a fé dos outros também quer. Um dos amigos que estava ontem a jantar comigo levou o filho, um miúdo pequenito que deverá ter uns 7 anitos ou por aí. Nos minutos finais, o pequeno, muito engraçado, fartava-se de rezar com as mãos em prece e tudo. Rezava para que o Benfica não sofresse um golo e não perdesse. Pensando nisso, perguntei-me: quantas crianças do FCP estariam a fazer o mesmo para que o seu clube marcasse um golo? E quantos adultos? As fés podem competir? E quem ganha aí? Quem tem mais fé?


Mas quererei eu dizer com isto que não vale a pena ter fé? Que já não acredito em nada? Não! Eu chamo-lhe Deus mas é o nome que eu dou ao capataz do mundo, ao chefão disto tudo. Alguém que não tem cara, nem corpo, mas é uma força que tudo regulamenta e domina. O mundo é tão complexo, tem tanta coisa que certamente haverá uma força que regula tudo. O tempo, os elementos… tudo! Eu acredito nisso e é a essa força que rezo, que peço aquilo em que acredito e quero. A saúde dos meus, o bem estar dos meus, a felicidade dos meus sendo os meus: a família e os amigos. Peço por isso com convicção do bem. Pelo Benfica, como pedi anteontem, não irei pedir nunca mais na vida pelas razões que aqui descrevo, disso vos garanto. Essa foi a primeira lição.


A segunda lição é que posso continuar a ser do Benfica. Simpatizante do Benfica. Mas sócio capaz de mandar para lá dinheiro para aquela corja nunca mais! Doente como fui até ontem, nunca mais! Ontem foi um dia para mim decisivo. Já tive outros dias de resoluções assim importantes: deixei de fumar de um dia para o outro, numa resolução de ano novo, quando em 31 de Dezembro de 2001 tinha nascido a minha primeira filha Leonor há dias. Essa data ficou. Esta também vai ficar: 11 de Maio, dois dias antes do 13 de Maio Da outra vez larguei os cigarros. Ontem larguei o Benfica. A ligação não era cerebral. Antes era emocional e tem de acabar. Sofrer pelo clube nunca mais! Pela família e pelos amigos sim. Pelo clube não! Ontem já muitos avançavam em conversa para outros campos mas: EU QUERO LÁ SABER SE O BENFICA GANHA A LIGA EUROPA! QUERO LÁ SABER! Posso ver o jogo mas não vibro. Isso era dantes! Agora, se até o Pinto da Costa desejou que o Benfica conquistasse esse troféu nas declarações que fez ontem à noite e bem, muito bem da parte dele (e agora que não sou tão cego do Benfica tiro-lhe o chapéu e até já simpatizo com o homem, coisa que era impossível acontecer no passado!), eu também gostava que a taça da liga europa viesse para Portugal. Mas não vou sofrer por isso! E caravanas pela bola nunca mais! Eu sou mesmo é da minha família e dos meus amigos, dos que me são queridos. Do resto, ninguém mete em mim o ferro da marca. Nem o futebol, nem a política. Eu sou daquilo que quero ser e da forma que eu quero ser. Quando fui eleito vereador pelo PSD decidi, após ter ganho as eleições, tornar-me militante. Era uma forma de agradecer aquilo que o partido tinha feito por mim e como sempre gostei do Sá Carneiro e da sua visão, achei por bem. Achei por bem mas já nem pago as quotas, já nem voto no partido. Raio que os parta! Eu sou dono de mim e quem tem o prazer de ter a anilha em mim é só a minha Cristina. Quanto ao resto, continuo rebelde e selvagem. Livre! Eu sou livre! A liberdade que é o maior valor de todos, maior que o amor até, reina em mim. Viva a liberdade!


Eu sei que neste blogue o “nunca mais!” à luz dos últimos acontecimentos tem pouco valor para os leitores. Mas é pouco provável, digamos assim, que vejam aqui mais textos sobre o Benfica. Podem surgir sobre futebol mas com fervor de doença benfiquista, não esperem mais. Estou vacinado. Fiquei ontem. E olhem que a pica doeu! J  


sábado, 11 de maio de 2013

O dia da limpeza do quarto para os adolescentes




Numa manhã desta semana em casa, a rádio estava sintonizada na comercial, como é hábito. Eu estava a fazer a barba e ela aproximou-se para ouvir melhor. Na rubrica “hoje é dia do quê” disseram que, entre outras coisas, nesse dia era o dia das adolescentes limparem o quarto.

Sorri e disse-lhe “a tua sorte é que a tua mãe esteve ontem de limpeza ao teu quarto, a dar volta às gavetas e armários. Senão hoje era o teu dia de limpeza do quarto também”.

Ela, sorumbática, respondeu-me entre dentes com ar sério: “eu não sou adolescente pai. Eu sou pré-adolescente!”, virou costas e saiu da casa de banho.

Fiquei a pensar: realmente apenas tem 11 anos. A 2 de Dezembro faz 12. Ainda é muito pequena para ser adolescente. Mas ao nível da resposta rápida que tem sempre na ponta da língua, já é bem adulta!, quanto mais adolescente…

quinta-feira, 9 de maio de 2013

1 de Maio de 2013 - Dia do sócio do Grupo Desportivo Arenense




A intenção da atual direção do grupo desportivo arenense ao criar o dia do sócio era celebrar a condição de pertença ao clube tendo o cuidado que isso não acontecesse numa data fixa no calendário, para que isso não variasse e impedisse os prováveis participantes de estarem presentes. Assim, a direcção presidida por Luís Barradas tomou desde o início, a data em que este dia foi criado em 2010, a inteligente resolução de assinalar o dia do sócio do GDA sempre no dia do trabalhador, 1 de Maio.



Resolvida esta questão importante da data, cerca de 70 sócios decidiram marcar presença no evento, tendo muitos aproveitado a ocasião para pagarem as quotas, metendo tudo em dia como foi o caso deste vosso escriba. Contas feitas foi então tempo para desfrutar das regalias do convívio, uma vez que os sócios estavam habilitados a graciosamente almoçar desde que tivessem a sua quotização regularizada.



A sala nª 1 estava bonita, bem arranjada, decorada com mesas redondas e um esmerado serviço de mesa que aguardava pela chegada dos sócios que decidiram começar o dia participando numa caminhada que pelos comentários da opinião geral, foi tão bonita quanto exageradamente longa. É certo que o desporto faz bem à saúde e caminhar é um dos exercícios físicos mais saudáveis e baratos (porque não necessita um equipamento específico e está ao alcance de todos, basta haver vontade) mas condicionar a manhã de um dia que se quer festivo com uma caminhada de 3 horas, com cerca de 15 quilómetros é uma resolução algo arriscada.

O responsável pelo percurso estava tranquilo e afirmava a viva voz que as suas intenções foram as melhores mas o povo diz (e bem…) que de boas intenções está o inferno cheio. Nem a beleza do percurso, nem as vistas magníficas consolavam os mais cansados e acreditem que foram muitos.

Mas no final tudo se recompôs e ao avistarem terra firme na sala decorada e preparada com mesas redondas para os receber, os reclamantes foram perdendo a força com as primeiras entradas.

Antes da refeição, por volta das 13 horas, deu-se o momento alto do evento ao ser descerrada a placa comemorativa da legalização da sede. Esse propósito foi um dos principais objetivos da atual direcção que foi bem sucedida e atingiu-o.


O presidente Luís Barradas afirmou que “a legalização da sede não teria sido possível sem o apoio dos sócios e de todas as direções que foram passando pelo clube ao longo dos anos e mantiveram esta casa sempre viva. Realçou o papel da actual direção que chefia e muito trabalhou neste último ano e meio para atingir este propósito da escritura de legalização por usucapião.” Aproveitou a ocasião para publicamente agradecer aos sócios António Miranda, António Andrade e João Manuel Lança pelo seu testemunho que certificou a posse da sede pelo GDA perante o notário.

João Manuel Lança, sócio nº 2 do clube e o sócio mais antigo presente no evento, realçou “a importância da legalização da sede que foi a concretização de um sonho muito antigo." Felicitou os membros da actual direcção e destacou “o trabalho do sócio Nuno Pires pelo extraordinário empenho e dedicação à legalização da sede” que agora resultou no desfecho mais desejado.


Depois de almoço, a tarde continuou animada com um bailarico dos “Bate no Fole”, grupo apoiado na escola de Música de Marvão, que animou os presentes.







nota do redator: esta peça foi publicada na última edição do Jornal Alto Alentejo, quarta-feira, 8 de Maio, numa colaboração totalmente graciosa. A sua edição no blogue é posterior à publicação em papel e dá primazia ao formato oficial. O custo de cada publicação é de 90 cêntimos, pouco mais que um café. É um custo pequeno para qualquer um de nós mas muito importante para quem dedica a sua vida a trabalhar para manter esta voz do norte alentejano. Apesar de colaborador, comprei 3 exemplares para oferecer: à minha mãe Alzira, patrocinadora oficial do meu curso de jornalista em Lisboa; ao sócio nº 2 do GDA, o meu sogro João Manuel Lança e ao Luís Barradas, presidente do clube. Não podemos deixar morrer o que nos faz falta e todos temos de contribuir.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A licão ao professor Jorge Jesus







 Por mais que me custe, aquilo que aconteceu na segunda ao Benfica foi uma bofetada muito bem dada. Uma bofetada para mim, uma bofetada para aos 60 mil que encheram a Luz e se preparavam para fazer mais uma festa em casa (incluindo o meu sogro, coitado, que ainda deve ter vindo de lá mais baixinho do que já é…), uma bofetada para a equipa do Benfica e uma bofetada, uma granda bo-fa-ta-da para o Jorge Jesus. Estive aqui eu há dias a gabar o animal e sai-me esta na rifa! Bem feita! Gaba-te cesto que hás-de ir à vindima.


O Jesus levou um banho de bola do miúdo Marco Silva. Um técnico que me habituei a admirar há muito, desde que subiu campeão da 2ª liga e sempre que soma pontos no campeonato. Recordo-me bem da estratégia que montou quando jogou contra o Sporting. Um miúdo bom, com nível que eu sempre disse que temia ter como adversário.


O Marco Silva esteve bem na flash-interview que se seguiu ao jogo. Sereno, calmo, tranquilo, bem falante. Colocou os pontos nos i. O Jesus esteve mal e em baixo nível. Titubeante, reafirmou a confiança, disse que estava tudo na mesma, que continuavam a depender deles quando já nem ele acredita nisso, quanto mais fazê-lo passar aos jogadores.


O Marco Silva (35 anos) e o Paulo Fonseca (da minha idade, 40 anos) são dois jovens valores que estão a fazer uma época bestial. Dois homens que já deram noção real do seu valor, do que são capazes de fazer. Gosto dos dois, pelo futebol que conseguem fazer aplicar nas suas equipas e nas patilhas que usam no rosto. Têm pinta.




O que o Luís Filipe Vieira fazia bem era apanhar um destes homens e prepara-lo (a ele e ao clube) para o futuro. Se os deixar fugir eu sei bem quem é que os vai apanhar, querem apostar? Até quase que vaticino a velha cabra do norte que soube ir buscar o José Mourinho quando nós o “despedimos” para o aguardente do Vilarinho ir buscar o Toni, velho companheiro de copos e patuscadas.


Sempre acreditei e defendi que o Benfica iria jogar no dragão já campeão, à vontade, e, tendo tempo para explanar o seu futebol, daria baile e espetaria uns 3 ou 4 na pá ao Porto. Eu, louco e inconsciente defendia que tinha fé nisso. Que acreditava que assim iria ser e defendia que ter fé em algo é meio caminho andado para a conseguir. Acreditava realmente nisso. O meu colega de trabalho João Correia, mais velho, mais vivido, grande sportinguista comentava com muita piada isto de eu ter fé que o Benfica iria jogar no Porto já campeão, dizendo que “tu tens fé e os outros do Porto não têm direito a ter fé que vão ser campeões também?”


À luz dos últimos acontecimentos, percebo que a fé do norte é mais autêntica que a nossa no sul que como diz o outro “está tão perto de Marrocos, dos sarracenos, do islão.”



Hoje falei com o meu querido amigo Nuno Pires e desafiei-o para vermos o jogo do título, no sábado, na sala principal do Grupo Desportivo Arenese. A ideia era colocarmos lá um retroprojetor que transmitisse uma imagem gigante como fizemos em tantos jogos no europeu. Era bom. Podermos sofrer todos juntos, vibrarmos como se estivéssemos no estádio… era agradável. O mais provável é comerem-nos lá no norte, tenrinhos, gordinhos, com a pompa de candidatos ao título. No ano passado validaram ao Porto na Luz, um golo que foi marcado claramente num lance em fora-de-jogo. Não perdemos o campeonato ali, mas isso ajudou. O fiscal de linha, em linha com o lance, não viu o que vimos todos. O Porto em casa é forte e o papa do norte é capaz de tudo, de todas as manigâncias para nos enrolar.


Mas quem tem medo compra um cão e eu não tenho medo nenhum, de nada. Temo apenas a vontade de Deus e essa há-de ser feita. Seja qual for o resultado, Deus que controla tudo, tudo rege e nada deixa acontecer sem sentido, já sabe quem ganha. Peço a Deus que seja um jogo limpo e que ganhe o melhor. Ou que empatem, o que para nós… já chega.  






Para saberem mais sobre os cromos:


domingo, 5 de maio de 2013

Dia da mãe



Neste dia da mãe, neste dia da minha mãe pelas razões que já aqui referi no dia do pai (que há-de sempre ser o dia do meu pai e não o meu dia do pai que também o sou desde 2001), as minhas filhas presentearam a sua mãe com as prendas mais lindas que há: os trabalhos que fizeram por sua vontade. A Alice com a ajuda das educadoras e auxiliares do infantário. A Leonor sozinha, por sua iniciativa. 

Marcaram a data também com contas para a pulseira Pandora da mãe mas, como essa pulseira vai um dia ficar para elas, os desenhos foram as prendas verdadeiras. 

O paizinho fez de paparazzi e foi o fotógrafo de serviço.

Eu sei que elas vão gostar de ver um dia quando crescerem. (As 3! Mas acho que a mais velha, com esta idade que tem, já é mais capaz é de minguar…)










A prendinha da Alice

sábado, 4 de maio de 2013

BENFICA! Para o infinito e mais além!





A minha vida é sempre a correr de um lado para o outro e ainda bem que assim é. Entre as finanças, os amigos e a família (por esta ordem desde o momento do jogo), o tempo passa a correr. Sempre a correr.


Mas entre a família (uma vez que a Leonor está na explicação de Matemática, a Alice está a ver os vídeos da Carochinha no MEO e a Cristina a trabalhar no turismo) e o compromisso de amigos que tenho a seguir para ir almoçar à Associação de Caçadores da Fonte da Viola nos Cabeçudos, tenho de passar aqui pelo meu púlpito virtual para dar conta da alegria imensa que invade o meu coração por o Benfica estar na final da Liga Europa.


Vi o jogo com o meu sogro na SIC e vibrámos imenso os dois com aquilo. Foi uma coisa de rebentar! Um grande, grande Benfica. Este Benfica do Jorge Jesus é provavelmente o maior Benfica que já conheci na minha vida. Está a fazer um trabalho extraordinário e oxalá o Vieira o mantenha por cá muitos anos como o Fergusson no Manchester. Já nos deu tanto a ganhar… Nesta fase, podemos aspirar a tudo: campeonato, taça de Portugal e Liga Europa. Se as vamos alcançar é coisa que só Deus sabe. O futuro a Deus pertence e o mal é que por vezes os homens metem-se onde não devem e estragam tudo como aquele penalti inexistente por não ter havido intenção do Garay em tocar a bola com a mão. Mas o burro do árbitro francês interessou-lhe apitar e ia-nos amolando a eliminatória. Puta que o pariu! Mas já passou… O grande, GRANDE BENFICA passou por tudo e mostrou a sua força.


Não sei o que o futuro nos reserva e o que iremos conseguir mas estou orgulhoso do Jesus e dos seus meninos e sinto-me mais do Benfica que nunca. Tenho fé que o Benfica nos vai dar grandes alegrias neste ano e a fé é tudo.


Mandei uma mensagem ao meu querido amigo Nuno Pires nessa noite que revela muito daquilo que sou. O meu maior herói de ficção é o Peter Pan criado pelo J. M. Barrie. Este é o livro que mais adoro e estimo porque me identifico imenso com ele. O Peter Pan não tem só em comum comigo o nome Pedro mas também a vontade de nunca querer crescer, de nunca querer deixar que a criança dentro dele se torne adulta. Dizia eu na sms que troquei com o Nuno que eu, tal como o Peter Pan, acredito que quando se quer muito uma coisa, quando se sonha acordado muito com ela, ela acontece. As fadas borrifam-lhe pó de estrelas em cima e ela torna-se realidade.


As fadas (que aprendi no Peter Pan e têm mesmo de fazer o favor de o ler! É pequenino e tudo. Tem índios, piratas e maus e… cala-te!), as fadas que nasceram quando a primeira lágrima do primeiro bébé do mundo caiu no chão e se partiu em mil pedaços, são invisíveis para os adultos mas… pppppppccccccccccccccchhhhhhhhhiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuu eu acho que as vejo e já vi que o cabelo do JJ tem um brilho reluzente mágico nestes últimos dias. Querem apostar?

quarta-feira, 1 de maio de 2013

GREENDAY



Traduzido significa “dia verde” porque os rapazes do grupo são muito amigos de fumar erva e eu não tenho nada contra. Se o álcool é vendido livremente, se a erva (cannabis) é natural, não tem tratamento laboratorial como o haxixe que é mau e a erva até é utilizada nalguns hospitais como tratamento nos cuidados paliativos… cada um sabe de si.



Sou fã dos Greenday há muito tempo. Gosto muito há muitos, muitos anos. Não é uma banda que esteja ao nível das que adoro como são os Radiohead, os Árcade Fire ou os Arctic Monkeys mas gosto muito mesmo. Fazem um som punk muito melódico e pelos vídeos que aqui vos deixo dá para apreciar a qualidade.

Sou fã para aí há 10 anos, quando comprei o “dookie”, o disco de estreia na discoteca Flock, entretanto já extinta, no Centro Comercial em Portalegre. Desde então tenho sempre gostado da banda e acompanhado o seu percurso.

O que eu não esperava nesse então é que viria a ter uma filha e que ela também viesse a ser fã. Se quando comprei o primeiro disco me tivessem dito que iria ter uma filha que também iria assim gostar muito deles, não teria acreditado. Mais facilmente teria acreditado que o Obélix poderia ter razão ao temer que o céu nos caísse em cima da cabeça.

Há dias saquei o último cd triplo deles que continha um wallpaper para o computador. Claro que a minha Leonor fez-se logo ao bife e já o tem todo catita no seu portátil.

Agora anda-me a chatear para os ir ver ao Optimus Alive.

Em segredo, sem lhe dizer nada… (ah, lembrei-me agora que a Leonor vem cá sempre ler o blogue…) Mas não interessa, podes ver na mesma, querida. Já não tens é surpresa. Alterando o tom do discurso que deve ser inédito por ser um pai a falar com a filha via blogue, te digo: vou tentar negociar com a tua mãe para ver se consigo convencê-la a deixar-me levar-te ao concerto.

Esta é um exemplo de um sacrifício que se faz pelos filhos que não custa mesmo naaaaadaaa…

Bora lá?


Passo o pleonasmo, vamos começar onde tudo começou…)



Agora vamos à nova e depois mergulhamos nas antigas que mais gosto e ficam a faltar muitas. Quase todas…









segunda-feira, 29 de abril de 2013

Passeio no Funchal (para título)




A sorte protege os audazes.

A sorte protege os que nunca desistem.

A sorte protege os que também sabem ter os postes a negarem-lhes os golos.

A sorte protege quando são os defesas a fazerem os autogolos.

A sorte está connosco.

Faltam apenas três jornadas para sermos campeões.

Falta pouco…


Os audazes sabem ter calma.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Liga Europa – A perder 1-0 nos primeiros 45 minutos de jogo



(veremos qual o resultado nos restantes 45 minutos, quando começar 0-1 na nossa casa)



Eu sei que não foi um bom resultado.

Mas também sei que não foi um mau resultado e por exclusão de partes… foi bonzinho, vá.

Se tivéssemos saído vencedores, se pelo menos tivéssemos feito um golinho, se tivéssemos empatado a zero… se! Sempre o se.

Mas também podíamos ter sofrido muito mais… golos.

Porque sofrer por sofrer pela pressão do público turco que não se calou por um segundo, sofri eu. Diz-se que o público também joga, que o público é o 12º jogador. Isso é sempre verdade porque jogar em casa ou jogar fora é uma diferença que conta. Isso ontem foi mais óbvio que nunca antes. Aquela turba não se calou por um segundo que fosse. Só lhes faltou levantarem-se das cadeiras e começarem ao pontapé a tudo o que mexia. Aqueles turcos são terríveis. Aquilo não é Europa, nem Ásia, nem África. É a Turquia. É diferente e ponto final.

Mas nestes primeiros 45 minutos da eliminatória jogados fora, estamos melhor que os primeiros 45 minutos do Real Madrid nos campeões (que apanhou 4 na pá mas ainda assim conseguiu marcar um golo fora que lhe pode valer muito) e muito melhor que o Barcelona (que já está arrumado com 4 secos fora. Só um milagre…)

E por falar em milagres, ontem foram vários mas como já ouvi hoje a um treinador de bancada como somos todos nós: “os postes estão lá mesmo para isso.”

Já na anterior eliminatória com os ingleses do Newcastle, valeu-nos a providência divina. Um grande e querido amigo mandou-me há semanas pelo telemóvel uma fotografia das velinhas que tinha acendido em Fátima. Disse-me via mensagem que uma delas foi pelo glorioso. Que bem que fez…

Veremos se a proteção divina se mantém na Luz. Diz-se que na Turquia têm lá um inferno pelo ambiente. Pois nós também temos cá um na catedral da Luz. E olhem que este inferno fica mais perto de Fátima, se é que me faço entender.

De mãozinhas juntas e olhos postos no céu.