segunda-feira, 16 de maio de 2022

Shangri La - O meu horizonte longínquo sobre carris (Parte IX - Canastrões)

Depois de algum tempo de interregno, depois de uma paragem sem motivo aparente, mas que é apenas um sinal dos tempos que vivo, e vivemos, publico o último capítulo do meu contributo para as memórias das freguesias de Santo António das Areias e Beirã.

 

Segue-se um conjunto de memórias, das quais me vou lembrando quando quero escrever sobre o passado…

O mítico Raul

a)    Raúl

Numa galeria de figuras da minha terra, a primeira tem claramente de ser esta, que dos cromos, era o maior: o Raúl era um rapazinho, já homem, que nós achávamos não tão velho, embora soubéssemos mais avançado que nós, que andaria aí pela casa dos 40, quando nós ainda éramos pequenos. O Raúl tinha assim um corpo apequenado, de bracinhos pequeninos, e perninhas esquálidas. Andava sempre “bem” vestido, de camisinha, às vezes fato, por vezes gravata, mas sempre de chapéu. Provavelmente teria sofrido um ataque qualquer quando era mais novo, ou teria vindo assim de nascença, mas como era diminuído, o pobre, era muitas vezes alvo de gozo e troça dos miúdos, que nisto aqui, são cruéis. Não digo éramos, porque nunca o tratei mal, e até sempre nutri por ele, um carinho muito grande, porque nunca foi violento. O Raúl não articulava bem as palavras, ora as balbuciava, ora as murmurava, e quase sempre se babava, quando o fazia.

O Raúl era indissociável do seu carrinho de mão, que era como se fosse uma extensão de si mesmo. O carrinho estava sempre carregadinho de pedras, algumas bem grandes e pesadas, que ele acartava para o alto de um monte, ali para junto do ribeiro, para conseguir construir uma “câja” para ele e para a “Nina”, que era a sua apaixonada, mas de quem eu já não me recordo muito bem se sabia quem era. Dias inteiros, as vezes bem de manhãzinhas, e noite até, num trabalho incessante para a conquista de um sonho perdido que nunca conseguiu.

O que eu sim me recordo assim mesmo muito engraçado, e faz-me sorrir quando relembrei, era quando alguém o incomodava, importunava, lhe fazia frente, e ele prontamente ameaçava em ir a “Xantantônho” à “câsadaquexa”, traduzindo, a Santo António das Areias, à casa da queixa, ou seja, à GNR.

Lamento tanto que o seu desaparecimento não tenha guardado um lugar na minha memória, mas a verdade é que lhe perdi o rasto. Não me consigo recordar aquando se deu o seu fim, em que momento da minha vida de migrante da terra o perdi, mas a verdade é que se foi, e para mim, hoje que olho para trás, sinto que o hei-de sempre recordar assim, a beber um Sumol fresquinho, talvez de laranja (creio que não bebia álcool), para atenuar o calor, enquanto voltava a pegar no carrinho de mão cheio de pedras e se fazia à estrada sob um sol abrasador de Verão.

 

b)    O “Calcinhas”

O “Calcinhas”, figura mítica e a 3 dimensões desta galeria, era todo um figurão. Já homem de bem mais que meia-idade, de quem parece que estou a ver a sua cara, e ouvir o seu riso; vivia na Beirã mas creio que não era de lá. Tinha um emprego altamente conceituado na alfândega, e era um senhor muito bem remunerado que vivia bem, quer-se dizer, bem… em termos financeiros, porque… de resto, não tinha esposa, filhos e familiares mais próximos. Era um solteirão já bem avançado, que fazia as delícias da pequenada, quando nos ia contando as suas aventuras e desventuras nas visitas que fazia às casas das meninas de região. O seu Volkswagen carocha branco, com diversos pacotes de leite no tablier traseiro, para desintoxicar dos excessos da noite anterior, percorre todos os tempos da minha meninice.

Era baixinho, estava assim sempre meio vermelhote (?), e cheirava a perfume manhoso. Era calvo mas tinha o pouco cabelo sempre impecavelmente penteado, puxado para trás?


Mudo

Todas as terras tinham um mudo, e o da Beirã… era bem castiço. Não me consigo recordar de onde era oriundo, mas se o visse hoje ao longe, reconhecê-lo-ia de imediato. Não é que fosse mudo de todo, e fartava-se de nos dizer que mudez, não é surdez; e conseguia ouvir algumas coisas, como quando abria os braços esticados, emitia um som com os lábios a baterem como se fosse um motor, e olhava o céu, imitando um avião.

Mandava-nos à merda, quando gozávamos com ele, enrolando o dedo polegar à volta do nariz.

 

d)    Sr. Cardoso, “O Cardosão”

De todas, a mais erudita das figuras, era todo um cavalheiro. Calvo, sempre muito bem vestido e composto, natural do norte, tenho ideia que de boas famílias, vivia com a sua esposa, a D. Aurócia (?), e não tinha descendência. A sua casa, enorme, na rua da igreja, tinha um escritório na parte de baixo; repleta de livros em estantes, onde passava as tardes e as noites a ler. Fumador inveterado, adorava receber a malta nova que nos sentávamos no chão, boquiabertos, a admirar as suas preleções. Quem nunca fumou o seu primeiro cigarrinho com o Cardosão? Saudades imensas…

 

e)    Sr. Sabino

Alto, bonacheirão, com ar simpático e sempre bem-disposto, o Sr. Sabino trabalhava na alfândega, e era um companheirão mais velho do meu pai, que vivia no prédio (dos moradores) da alfândega, onde hoje funciona a Unidade de Cuidados Continuados d’ “A ANTA”. Ficarão para sempre eternas as enormes favadas (único prato que a minha mãe não cozinhava, por não gostar) que os dois comiam em conjunto, na casa deste, sempre extraordinariamente bem molhadas. De resto, toda a Beirã tinha um pedacinho de terra onde produzia favas, ou lhas davam, ou as conseguiam, e quando assim era… convidavam o João Sobreiro que, claro que aceitava, por ser o seu prato favorito. Até hoje eu as como, nem que seja por ficar a pensar nele.

 

f)     João Forte

De festa, mãe Alzira sorridente com Sr. Sabino, e o João Forte

O João Forte, figura ainda viva, personagem de sempre da Beirã, atravessa décadas e passou de século com a particularidade de, aos meus olhos, estar sempre igual. Com uma forma muito própria de vestir, sempre com o seu gorro de lã, e o seu estilo informal, ainda hoje, quando entra nas finanças onde trabalho, parece que se estabelece um túnel em direção ao passado, e a Beirã volta a ser o que era, com comboios e tudo.

Filho de famílias abastadas, que foram deitando a perder todo o seu património, nem eu sei muito bem porquê, creio que vive na mítica Broca, creio que sem grandes condições, mas ainda vai felizmente rodando por aí, como se fosse imune à passagem do tempo.

 

g)    O menino Augusto

Irmão do João Forte, ainda hoje vivo também, o “menino” Augusto, como ele próprio se batizou, e gostava de ser tratado, era, e é, uma figura absolutamente fascinante, fora de qualquer baralho. Tendo sido estudante no colégio de Tomar, uma escola de elite daquele então, cuja frequência atesta bem a saúde financeira da família, sempre teve de tudo, menos de parvo; embora muitos assim o achassem, e eu estou em crer que sempre gozou foi com eles, ao fazer-se passar por tal.

Sei que teve casado e tem filhas, mas eu entro no filme já muito depois, e sempre o conheci como uma figura… que não tem nada a ver com nada.

Não lhe conheci trabalho, qualquer zelo na apresentação e indumentária, mas sempre muito amigo da pinga, e a sua fama de sempre alcoolicamente bem-disposto, cruza tempos e gerações.

Lá está, houve quem nunca o compreendesse, quem o ostracizasse, quem o ofendesse, mas eu sempre nutri por ele enorme carinho, admiração, e estima sincera. Ainda hoje, quando o reencontro na Clínica Sanvimed, onde ambos somos clientes, me conta sempre como está da sua maleita que ainda não percebi bem se foi um ataque de sarampo que teve em criança, que agora, de vez em quando sai????; se foi um ”cobro”?!?!?, se foi lá o que foi. Ele diz sempre que o Dr. Vitoriano lhe salvou a vida porque os médicos do hospital de Portalegre não sabiam o que lhe haviam de fazer, como se isso fosse mesmo verdade.

Recordo com muita saudade, os discursos que fazia em plena Carreira de Cima, Castelo de Vide, nos anos 80, quando eu lá estudava, estando já num estado bem avançado, muito do meio para a frente, e começava a dar num tom bem alto, as suas fantásticas preleções sobre tudo e sobre nada, sempre com enorme eloquência, espírito argumentatório, capacidade de persuasão, e profundidade filosófica. Certo dia, há bem mais de 30 anos, mas que jamais me esquecerei, do nada, lançou para quem quis ouvir, esta dúvida existencial, onde equacionava toda a economia de mercado: Eu, Augusto da Mota Forte, plantei uma alface. Veio o coelho… comeu a alface. Veio o caçador… matou o coelho. Ora eu, Augusto da Mota Forte, tenho ou não tenho direito a uma pata desse coelho?


h)    Sr. Murta

     Nos anos do Zé Manuel Bonacho, na garagem dos seus pais, na rua onde eu vivia, que se enchia sempre de comida e amigos. Com o Sr. Murta a fumar, como era habitual nele, o Zé Manuel Dias, o Prof. Tavares, então padre da paróquia, que me batizou, lá atrás; o Zé Manuel, com a sua caraterística barba e o seu ar inocente, a minha tia Cremilde, rindo ao lado; a minha madrinha Fatinha e a minha mãe. Estou ao centro, a rir. A piada deveria de ser mesmo muito boa. 

Já conheci o Sr. Murta sempre assim, com este ar das fotos; ou pelo menos, já como homem de meia idade. Distinto Senhor e vereador da câmara, era dono de uma casa lindíssima, junto à igreja, com uma horta e fantástica tangerineira, cujos ramos deixavam cair os belíssimos frutos para o largo em frente desta, que nós devorávamos. Desconheço a sua ligação à terra, até em termos laborais, porque sempre me lembro de ouvir a sua ligação aos aviões (ou estarei a fazer confusão?).

O seu filho Luís Murta, quase que um ídolo para nós crianças, ou pelo menos para mim, o era; tinha numa casa anexa à dos pais, uma coleção de aviões em miniatura que montava, diversos desenhos, e ligações a tudo aquilo que adorávamos.

Após da sua morte, o filho mais novo, Zé Luís, partiu para a cidade; e o Luís explora há décadas uma casa destinada a artigos de caça e pesca, de altíssima qualidade, em Castelo de Vide.

 

i)     Bonachinho (José Manuel Bonacho)

O Zé Manuel Bonacho era para nós, rapazes dos setentas, uma espécie de irmão mais velho, que nos acompanhava e levava para todo o lado, sobretudo para a célebre discoteca “A Maluka”, nos Fortios, em alta nesse então, destino de quase todos os fins de semana, à sexta e sábado. Filho de pai soldado da Guarda Fiscal, mas de uma família com terras e abastada, era um solteirão inveterado, a quem creio que nunca foi conhecida nenhuma namorada. Licenciado, tinha uma profissão muito segura e credenciada na região de saúde do Alentejo. Foi-se deixando ficar. Também um fumador inveterado faleceu de doença súbita, inesperada, creio que de uma embolia cerebral, irremediavelmente cedo demais, ainda antes dos 50, tal e qual o seu vizinho de cima tinha sido, uns anos antes.

 

j)     Paulinho Cascavél, o Carcacinha

Oriundo de uma família de muitos irmãos, os Pereiras, chegada mais tarde à terra; creio que oriundos do Pereiro; o Paulinho Cascavél, ou Carcacinha, como nos habituámos carinhosamente a tratar, também merece um lugar de destaque nesta galeria. Tendo entrado muito novo para o serviço militar, ali fez toda a sua vida, tendo atingido o posto de cabo, acho eu. Figura muito caraterística, com uma piada natural incrível, adaptava-se a todas as situações e conseguia nunca cair em falso, porque era natural e nunca se armava ao pingarelho. Era o que era.

Memórias incríveis de quando vínhamos juntos de fim-de-semana no comboio da beira-baixa, e começámos a conversa que um tinha um chouriço, que seria tão bom de comer então: e outro trazia um barrrozinho daqueles para ofertar a alguém, onde se costumavam assar os ditos cujos; outro trazia álcool (já não me lembro de puro, se do outro), mas dali a estarmos a assar chouriços em pleno comboio foi um instante, sempre com um vigia em cada janela da carruagem, não fossemos nós ser apanhados e presos.

Essa e as aulas de ordem unida em plenos carris, numa noite de festa na terra, enquanto a banda tocava, e os níveis alcoólicos ferviam, são postais eternos para todo o sempre.

Também faleceu cedo demais, pagando de forma pesada, o seu comportamento desviante e libertino numa Lisboa dos anos 90 a escape livre, quando as doenças mortais com nomes pequenos de siglas, ceifavam vidas incautas, castigando-as  sem dó, nem piedade.

Muito amigo, do seu amigo, geria uma hortazinha de onde tinha muito prazer e alegria em dar.

Ficará sempre até sempre…

 

k)    Zé Maria da Graça

Pai de três belas meninas da terra, casado com uma senhora creio que dos lados de Nisa,  Montalvão, ou por aí; o Zé Maria da Graça personificava na perfeição a imagem-tipo dos guardas-fiscais, a tal franja considerável da população masculina. Homem muto correto, bom, e educado, dava-se bem com toda a gente, a todos queria bem, e por todos era querido. Não sendo de muitos estudos, que não eram necessários para aquela carreira, sabia estar, se posicionar, e bem parecer. Tinha nível. Conhecia-me de toda a via, desde gaiato.

Voltei a apanhá-lo quando já era homem, e nutrimos uma amizade boa, sincera e do melhor. Cliente habitual da Casa Nicau, da qual passou a ser ainda mais asssíduo quando o estabelecimento passou para a frente da sua casa, era um companheirão, e recordo com saudade imensa, as tardes de tertúlia que passsámos a beber cerveja e a comermos “meio quilinho delas”, sendo que elas eram deliciosas gambas fritas pela D. Teresa Nicau, com pãozinho torrado, e molhinho de muita margarina derretida com sumo de limão. Coisa tão boa…

Metia-se comigo, e gostava muito de na paródia, à frente de pessoas com as quais não estávamos habitualmente, dizer: “vá, dá cá um beijinho ao pai”, o que eu correspondia de imediato, com um repenicado na bochecha, para ele me dizer de seguida, às gargalhadas, “Ai… eu adoro este gaiato! Gosto mais dele do que se fosse meu filho!”

A sua morte súbita, quando caiu redondo para o chão, do nada, no quintal de frente da sua casa, consternou-me imenso, e deu-me um abanão tremendo por sentir que também o meu tempo se está a esvair, ao ver grandes da minha galeria de ídolos e amigos ir-se esfumando.


Tó Gonçalves

1-      Encontro de jovens na Beirã, com um grupo católico trazido pelo padre Fernando Farinha, ao centro da imagem, com o meu irmão às cavalitas, por volta de 82. Do lado direito do padre, em cima do muro estavam o Quim Carita (a fazer músculo), o Zé Dias (a sorrir), eu, e os primos Chico António e Chico Zé, alguns dos que habitualmente por lá passavam férias. Por debaixo de nós estava o Tó Gonçalves, de colete e crachás, muito em voga naquele então.


Os dois amigos, na Beirã, numa foto recente

A bem de ver, acho que nunca houve criança alguma na Beirã, que não tivesse ouvido dos pais dizer, certo dia, quando procuravam um exemplo a seguir: mete os olhos no Tó Gordo!

O Tó, para os amigos; gordo porque de magrinho nunca teve nada, era o António Manuel Vaz Gonçalves, uma criança e um aluno brilhante, que por todos era elogiado, e sempre foi identificado como um exemplo a seguir. Também filho de um guarda fiscal, um Senhor guarda, o Sr. Gonçalves, sempre muito calmo e correto, foi revelando desde muito novo, que era também uma carta fora do baralho. Seguindo um percurso académico notável, entrou para a universidade em Lisboa, para cursar Filosofia e… mudou. Os excessos da vida académica, citadina, e o afastamento das raízes, fizeram com que se tivesse transformado num barco à deriva que chegou a tocar os limites da sanidade. Meu amigo pessoal, por quem nutro uma enorme estima, carinho e admiração, chegou, depois desta fase mais difícil, de internamentos complicados, e processos muito difíceis; a escrever uma notável obra poética, tão clara e visual, que sempre admirei pela forma como as palavras cortavam o ar. Depois da tenebrosa travessia pelos infernos da perdição, nunca de problemas duros e pesados, segundo me contou; mas sim de uma relação proibida com o álcool; chegou a tirar um curso de Inglês na Escola Superior de Educação de Portalegre, e não estou já bem certo se não chegou mesmo a lecionar.

Ultimamente tenho notado, com grande mágoa, que o seu estado de saúde se tem estado a agravar, e de cada vez parece mais que vive num mundo isolado, só seu, que por mais que o queiram ajudar, se fecha sobre si mesmo, e fica impenetrável.

Não creio que no dia 5 de Dezembro, muitos mais se tenham lembrado de o abraçar para o felicitar pelo seu aniversário.

A alegria correspondida com que me olha sempre, comove-me sem chorar.

 

l)     João Sobreiro

Foto clássica do pai, com a sua companheira de sempre...

De figuras da terra, claro que não poderia passar por esta, que obviamente não poderia ter  outro lugar, senão este, o derradeiro. O João Sobreiro foi um verdadeiro cometa negro, como a célebre banda albicastrense a que pertenceu, que marcou a sua juventude e de toda a região. Escrever sobre o ser que me deu a vida, e sinto que me corre ainda hoje nas veias, é duro e doce ao mesmo tempo, é libertador e recompensador, é justo mas com sabor a injustiça, como foi o seu desaparecimento.

Figura muito popular em Castelo Branco nos anos 60, filho do tal ferroviário que chegou a chefe daquela estação, depois da Beirã, e até de Valência de Alcântara, onde se reformou como inspetor; nunca foi um apaixonado pela escola.

Viveu a década quente do século passado em alta rotação, quase com o estatuto de estrela pop/rock, estrelando nos bailes de finalistas da região, tendo tido o seu auge num concurso de música moderna portuguesa no Monumental, em Lisboa, que perderam apenas para os “Sheiks”, do Paulo de Carvalho. Abandonou a ribalta quando teve de partir para uma guerra ultramarina que não compreendia, e chegou a doar a sua estimada bateria Ludwig, que ostentava sempre como grande relíquia, por ser igual à do Ringo Starr, dos Beatles, um dos seus ídolos; não esperando regressar.

Nunca tendo brilhado nas aulas, apesar da belíssima caligrafia e da técnica de desenho que nunca explorou convenientemente, no meu entender, foi cumprindo os minímos para prosseguir. Quando voltou de além-mar, aceitou o convite de emprego do seu tio/padrinho João Dinis Carita, como ajudante de despachante, e fixou-se na Beirã, para onde trouxe a sua então namorada, depois mulher, a idanhense Alzira Ereio. A Beirã naquela atura era então uma terra de pleno emprego, onde se sabia que as pessoas que dependiam dos serviços viviam bem, se respirava saúde social, e se fomentava uma frondosa vida comunitária.

O João Sobreiro afirmou-se então, como um homem que sabia estar e, sobretudo, alguém ao lado do qual se estava bem, junto do qual havia boa disposição e alegria de viver. Sempre acompanhado com a sua viola acústica, que levava para todo o lado, e lhe permitia abrir alas em qualquer lugar, a confraternizar com os seus amigos (cartadas, sueca e truco; e matraquilhos, eram o seu forte), que eram sempre muitos; o João fazia a festa. Fosse depois de uma caçada, numa jantarada, numa tarde/noite de bola, a seguir o seu Sporting; ou noutra festa qualquer, poderiam haver muitos a dar nas vistas, mas nenhum com a sua forma exuberante e sincera.

Para quem não o conhecesse, poderia parecer um bom-vivant, talvez vago, até; mas quem soubesse bem como era, saberia bem destacar em si, os aspetos menos conhecidos de bom leitor, do amante de palavras cruzadas, de apaixonado de cowboyadas, em livro, ou cinema.

Dono de um coração puro que poucos conheciam (as farras e os excessos eram sempre um assunto muito mais apetecível), tinha gestos e pormenores que jamais esquecerei, como depois de a sua mãe, a minha querida avó Joaquina, ter falecido; após diversas idas ao hospital de Portalegre para tentar debelar o seu sofrimento, me ter vindo oferecer numa caixinha pequenina de plástico de ourivesaria, que sei que ainda tenho em minha casa algures, com alguns dos seus cabelinhos brancos caídos nas viagens, no banco do nosso Peugeot 205 vermelho.

Há 25 anos atrás não havia bombeiros, não havia VMER, não haviam prontos socorros imediatos, Portalegre ficava sempre longe demais, e aquela indisposição matinal, por vezes frequente, sempre recuperável, parecia que haveria de passar. Mas infelizmente não passou, e assim ficou uma viúva guerreira que teve de refazer a sua vida, começar tudo de novo na escola básica integrada de Santo António, reintegrada no mercado de trabalho por concurso, longe do seu serviço, que entretanto fechara, para assim conseguir que um filho universitário conseguisse terminar os estudos superiores; e que o outro, que ainda estava no início da sua escalada académica, conseguisse um lugar ao sol, terminando o seu também.

Do João ficou a saudade imensa, diária, dolorosa, enquanto eu durar; e a ânsia silenciosa de um dia conseguirmos voltar a dar um abraço dos nossos, daqueles que dávamos quando me queria premiar sempre que sabia que tinha alcançado um sucesso escolar, e onde ficávamos ali assim, colados, apertados, a suster a respiração, sem nada dizer, ambos a sentirmo-nos a transbordar de orgulho.

Tenho tentado ser um bom menino, pai.

Onde quer que estejas, um dia, que oxalá esteja longe, por haver sempre tanto a fazer por aqui, vou ver de ti.

domingo, 13 de março de 2022

Da nossa Festa do Acolhimento de hoje

Os catequizandos 2021/2022: o Duarte Caldeira, o Francisco Oliveira, a Maria Clara Costa, a Lara Diogo (distraída, a olhar para trás na única foto que nos tiraram, logo ela, que é tão linda), a lindíssima Beatriz, também (são todos lindos, não são?!?), à frente, em baixo, o Gabriel Machado.  

O domingo é o primeiro dia na semana de um Cristão (seguidor dos passos de Jesus Cristo, e /da sua fé), e por isso dedicado a Ele. Quando começa com uma eucaristia para recordar a importância dessa vida na nossa, todo o dia, e a semana, corre de forma diferente. Quem o sente como eu, sabe como é verdade o que digo.

 

O dia de hoje foi particularmente especial porque se celebrou a festa do acolhimento, em que a comunidade se abriu para receber os novos catequizandos, as meninas e os meninos que agora retomaram a fé cristã, que se acendeu com a luz do batismo.

 

O Sr. Padre Marcelino Marques, o meu amigo Padre Marcelino desafiou-me na reunião com os pais no início deste ano letivo, que assumisse a turma que seria composta por estes novos caminhantes na fé, e eu, que tanto tenho a agradecer a Deus, sobretudo depois do meu acidente de 2011, e de ter frequentado um curso de cristandade, claro que não pude dizer que não, porque jamais poderei virar as costas, à força que me ajudou a reerguer.

 

O primeiro passo foi tentar reunir os nomes dos matriculados no primeiro e segundo anos, que devido à questão da pandemia do Covid 19, e ao escasso número, serão reunidos na mesma turma. Estando na posse deles, escrevi uma carta aos pais a apresentar-me, a pedir o seu consentimento/autorização para que os filhos fossem meus catequizandos; e a questioná-los qual seria o dia e a hora mais oportuna para que a sessão ocorresse.

 

Como os meninos têm a situação do futebol no nosso GDA, e existem atividades extra-curriculares a desenvolver, chegámos ao consenso da quarta-feira, que obstava a que pudesse continuar a assistir à missa da meia tarde, mas eu aqui nesta questão, como era o elo que menos importava, e eles sim eram o fator preponderante, para esse dia ficou.

 

Como era importante retirá-los do ambiente onde passavam praticamente todo o dia, tentei pedir o espaço da antiga Ludoteca à Junta de Freguesia (em frente), que prontamente se disponibilizou a acedê-lo, ainda na figura do presidente Sr. Silvestre Andrade. Contudo, para consideramos essa hipótese, ela tornar-se-ia morosa com o transporte das crianças, e pior que isso ainda, fomos informados que a autarquia não se responsabilizava por o garantir sempre que fizesse falta, porque a essa hora, os motoristas encontram-se todos ocupados a fazer essa tarefa de entrega das crianças em casa.

 

Como não disponho de cadeiras para o fazer por mim, e como tentámos a deslocacão, por uma ou outra vez, a pé (tendo percebido que seria difícil e moroso), optei por fazer uma carta ao Sr. Presidente do Conselho Diretivo do Agrupamento de Escolas de Marvão, no sentido de solicitar a que a catequese decorresse nas instalações daquela escola. Como felizmente o parecer assinado pelo Sr. Prof. José Maria foi favorável, assim as coisas têm decorrido desse então, sensivelmente desde outubro do ano passado.

 

Se aqui expressasse que as coisas têm sido fáceis, que tudo tem sido lindo, e corrido às mil maravilhas… estaria a mentir. Mas este tem sido um processo altamente enriquecedor, tanto para mim, como para eles, e o poder vê-los a crescer como se de uma plantinha preciosa se tratassem, é verdadeiramente único.

 

Com esta nova hipótese analisada à distância, tudo fazia antever que não seria fácil: o fato de ser no mesmo espaço onde permanecem durante todo o dia, a fato de ser mais uma aula, com a duração de sensivelmente de 50/60 minutos, apesar de não haverem avaliações, mas o terem de estar ali “encerrados”, é muito penoso e não sei se será por isto eles insistem em tratar-me por professor Pedro. J Compreendem o que digo?

 

Mas a par e passo, dia a dia, semana a semana (e já passam das 18 sessões), eles vão aprendendo os meus métodos (quando um fala, o outro ouve, até porque pode estar a dizer algo que pode vir a ser importante para ele/ela – porque no início era uma algazarra que não imaginam!) e compreendendo que a minha catequese é um espaço de partilha e aprendizagem conjunta, onde falam sobre o seu dia, a sua semana que passou, em que leio histórias da bíblia, vemos vídeos do youtube para crianças, geralmente da Educris (Educação Cristã), onde aprendem e debatemos sobre um tema importante para o seu dia a dia e a sua vida (integridade / lealdade perseverança / justiça  /amor / respeito), onde cantamos (levo sempre a viola), brincamos e rimos.

 

Confesso que já tive tempos muito duros (sobretudo no final do período letivo), já tive momentos em que temi não conseguir fazer nada deles, e em que bem contra a minha postura de vida, estive para deitar a toalha ao chão, e mandar tudo para o ar, mas aí, nessa altura, o meu amigo Padre Marcelino, ajudou-me a focar, a centralizar minha missão catequética, e tudo passou. E ainda bem que assim foi!

 

Dos muitos que começaram, muitos foram saindo devido à seleção natural da vida, e ao fato de muitas famílias se terem desconjuntado. Estas e estes bravos seguidores de Jesus que ficaram, são um dos meus motivos de alegria e felicidade.

 

Agradeço também muito aos pais, pela confiança. Com estes, tenho vontade de caminhar com eles até ao altar, em que provem finalmente o pão de Cristo (mas quilo sabe ao quê, professo?!?!?!?

- A pão! J )

 

O meu sonho é que no futuro, quando forem mais velhos e passarem por mim, me dispensem uma saudação calorosa e sintam: este foi importante para mim.

 

Eles também o são para mim.  













Agradeço às mães, pela recolha de testemunhos, em especial à Maria João Farinha, que registou as imagens e os vídeos que ficaram com melhor definição, por isso são os escolhidos. Bem hajam!

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Porquê?





O Miguel Sousa Tavares é, há muitos anos, décadas já, o comentador que sigo com mais afinco. Sempre disse que, desta vez, não haveria guerra.

Claro que quis saber o que alega hoje. Para além de assumir o erro, e pedir desculpa, disse em poucas linhas mais sobre este conflito, que horas de comentário vazio numa das nossas tvs. 

E do seu texto desta semana, o que destaco é isto:

"Há dias, numa das suas proclamações “ao mundo”, Joe Biden dizia sobre Putin: “Quem pensa ele  que é?”

Bom, agora já deve saber quem é e do que é capaz. É pena  que antes disso não lhe tivessem explicado: 

“O Putin, sr. Presidente? É Presidente do segundo maior país e da segunda maior potência nuclear  do mundo, com quem ao longo de décadas temos mantido negociações e tratados de limite de armas nucleares, graças aos quais o mundo evitou uma terceira guerra mundial devastadora 
nos últimos 50 anos. Ele agora está furioso porque a Ucrânia se quer juntar a 14 outros países membros da NATO que já cercam a Rússia e que, a partir daí, podem atingir território russo com mísseis nucleares em questão de minutos. 

Eu aconselho a que fale com ele.”

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Guerra (outra vez...)

Hoje, quando saía o duche matinal, aconteceu-me algo que não me acontecia há muito: arrepiei-me… e estremeci quando ouvi na rádio o tema "Russians", do fantástico músico que é Sting (e de como nós, feitos parvos, nos esquecemos disto, depois do tanto que já nos deu!)

Tinha acabado de saber pelas notícias, que a guerra estava de volta à nossa Europa, e o grande Pedro Ribeiro, o nosso CR7 da rádio, um rapazola do meu tempo, lembrou-se de, muito oportunamente, como ele bem sabe, ir desenterrar de 1985, este tema já com 37 anos, que eu nunca pensei que voltasse a ser atual.

Realmente, como ele tão bem disse, depois de uma terrível pandemia que assolou o nosso planeta, depois desta doença vinda do nada que dizimou muitos milhares de vidas, e assustou roubar mais ainda do que aqueles que tragicamente fez, quando se prometia e propalava que o homem aprenderia, e nunca mais voltaria a ser igual ao que era antes dela, individualista, egoísta, mau para o próximo... nada fazia antever este desfecho que se seguiu: a invasão da Ucrânia pela Rússia, uma guerra aberta na Europa, mais de meio século depois, desta mesma Rússia ter ajudado o mundo a ver-se livre do jugo nazi.

A música tem este poder mirabolante de dizer mais sobre a vida, e nos próprios, que outra forma de arte qualquer.

Troquemos-lhe os atores principais, de Krushchev por Putin, e de Reagan por Biden... E vejam como está tão atual.

Só temos um planeta, os loucos armados com mísseis letais capazes de atravessarem oceanos, e caírem com precisão de kms são muitos mais do que naquele então, e... também eu espero que os russos não sejam estúpidos ao ponto de afundarem esta barcaça em que seguimos todos, pelos confins do universo, e do tempo, e amem as suas crianças também.



In Europe and America, there's a growing feeling of hysteria,
Conditioned to respond to all the threats,
In the rhetorical speeches of the Soviets,
Mister Krushchev said, "We will bury you"
I don't subscribe to this point of view,
It'd be such an ignorant thing to do,
If the Russians love their children too.

How can I save my little boy from Oppenheimer's deadly toy?
There is no monopoly on common sense,
On either side of the political fence,
We share the same biology, regardless of ideology,
Believe me when I say to you,
I hope the Russians love their children too.


There is no historical precedent,

To put the words in the mouth of the president?
There's no such thing as a winnable war,
It's a lie we don't believe anymore,
Mister Reagan says, "We will protect you",
I don't subscribe to this point of view,
Believe me when I say to you,
I hope the Russians love their children too,
We share the same biology, regardless of ideology.

But what might save us, me and you,
Is if the Russians love their children too.

 



Nestas circunstâncias, lembro-me sempre desta capa de disco fabulosa dos U2, do ar de espanto /  medo / incredulidade desta criança (as maiores vítimas afinal, a par dos mais idosos e desprotegidos), do seu ar de espanto, da ferida no lábio rachado.
Nesta noite, rezemos pelos nossos irmãos que sofrem.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

O escrutínio do escrutínio (pelo escrutinador-mor)*

* (Ou, ao contrário da do Marques Mendes, esta é a opinião, que ninguém quer. Mas... apetece-me, prontos!)
 








Perante tão vasta oferta de comentadores políticos, nos mais diversos órgãos de comunicação social, certamente todos mais bem credenciados (talvez à exceção dos da CM TV), quase que aposto que, ninguém estará minimamente interessado naquilo que um bornal como eu pensa, e muitos poucos se darão ao trabalho de me lerem. No entanto, fá-lo-ei, para servir de trabalho de casa, a fim de enviar para os meus médicos da cabeça. Talvez me safe na autópsia!

 

Há dias, almoçava com um grande amigo, um bom par de anos mais velho, num espaço bastante agradável, de excelsa comida e preços muito em conta da nossa zona, a escassos metros do local onde trabalho, e a conversa puxou pear as eleições. Dizia-me ele que achava absurdo como é que um distrito como o nosso, com uma vastidão considerável, elegia apenas 2, dos 230 deputados da nação.

 

Que a razão estava fácil de ver, dizia-lhe eu, e estava relacionada com o facto de sermos poucos!!! Ao atendermos que o número de votos dependa do número de habitantes, estamos a restringir o sumo da questão, quanto a mim, a um critério que terá de ser, sem dúvida alguma, preponderante, mas que não pode ser exclusivo e fundamental, sob o risco de induzir em erro.

Perguntava-me então ele sobre qual a variável que poderia aqui “desempatar” a questão, e tornar o processo mais adequado à nossa realidade.

 

“Considerando o território, a vastidão, a extensão”, propus eu.

Uma das artimanhas mentais que tenho para tentar analisar um assunto vasto/abstrato, é tentando cingi-lo a um universo concreto, que seja mais fácil de analisar.

 

Um país, é… uma casa. Se habitualmente vivem 4 na sala, 2 na cozinha, 3 na casa de banho, 1 no quarto, e 2 no sótão, ao tentarmos eleger qual deles poderia mandar no edifício, se em vez de atentarmos apenas ao número de habitantes, tomássemos em conta, também a vastidão de cada divisão em relação à área global da casa, passaríamos a considerar a área que cada um administrava, e assim, o peso na infra-estrutura global.

 

De que forma isto pode ser concretizado, e se pode mesmo vir a acontecer, já é assunto que me extravasa, e deixo para os pensadores da matéria, mas que era uma alternativa, era.

Os resultados das eleições de ontem deixaram TODOS boquiabertos e estupefactos: do reeleito Costa, ao todo poderoso irmão (Ricardo), patrão do Expresso, que lhe já tinha cavado a tumba em direto, à mercê da forma desorientada como conduziu toda a campanha; passando pelo já cabisbaixo (que tinha vindo sempre a subir e já era idolatrado) Rui Rio; pela assombrada Catarina Martins; pelo (com ar cadavérico) camarada Jerónimo, pelo aguerrido (Chucky) Chicão. (Ai vais de vela, vais, vais!!!)

 

Quando afirmo que ninguém estava à espera, faço-o porque sei mesmo que ninguém o aguardava, à exceção dos que votaram no punho cerrado… e foram muitos!

 

O que o povo português, que é sobreano, disse nas urnas foi que quer estabilidade (ao centro). Os portugueses não perdoaram a sobranceria dos parceiros de geringonça, que roeram a corda e cuspiram na mão que lhe deu de comer nesta passarola de navegar à vista. As votações do BE e do PCP dizem tudo, e nem o desgraçado do apaga fogos do João Oliveira entrou, por Évora.

 

António Costa, como carreira política ativa desde 95, há 27 anos atrás (!!!!!!!!!!!) está de longe muito mais bem preparado do que outro adversário qualquer. Esta raposa velha, este lobo das neves, dá a garantia que sabe do que está a tratar. Quando deu a volta ao texto em 2015, e ouviu o camarada mais velho, ajudando a criar a geringonça de esquerda, com os seus parceiros dessa ala política, deu um nó cegou nos vencedores…, que haviam ganho tão à rasquinha, tão à rasquinha que não foram capazes de melhor que ficar bem na fotografia, para baterem de seguida em retirada, com o rabinho entre as pernas.


- 2- A?
Bolas! Um  tiro no porta-aviões
 
 

O resto? O resto deu nas notícias (que na relação com os média, o homem é mestre): as exportações aumentaram, o desemprego baixou para números surpreendentes como não se viam há muito, o défice baixou a níveis nunca antes vistos em democracia. Depois veio uma pandemia verdadeiramente apocalítica, daquelas que dizem que só se veêm de 100 em 100 anos, e Portugal, depois de uns avanços titubeantes, conseguiu uma prestação verdadeiramente louvável, que recebeu elogios vindos de todo o mundo moderno e civilizado.

 

Costa consegue com tudo isto, e aquele ar quase impoluto, bem disposto e sempre positivo, conquistar as grandes massa de apoiantes.

 

Costa conseguiu de uma forma absolutamente surpreendente, passar ao lado das fogueiras da inquisição onde ardia Sócrates, de quem foi ministro e compagnon de route; e passar ao lado dos outros escândalos todos. Mas depois de tantas horas de exposição, de tantos milhares de páginas, de infindáveis comentários… ONDE RAIO É QUE ESTEVE A MOSSA DO CASO DO ATROPELAMENTO DO MOTORISTA DO BRONCO DO CABRITA?!?!?!?!? ONDE É QUE ESTA MAIORIA ABSOLUTA FOI APALPADA PELO ESCANDALOSO CASO DOS PAIOIS GAMADOS DE TANCOS?!?!?!?!? ONDE?!?!?!?!?

 

Ópazinho!!!!!! Isso não interessa nada para ninguém!!!!!!!! Os portugueses querem é estar bem, os portugueses querem é colinho, como o Benfica, não é?!?!? Cabrões de vós (que assim pensam)!!!!!

 

Os portugueses ainda acordam de noite aos gritos, a terem pesadelos com a temível dupla Coelho / Portas, que teve aquela ideia louca e absolutamente estapafúrdia de reduzirem a dívida externa, de milhares de milhões de euros, quando a gente sabe que dessa ordem, embora mais pequena, foi aquela derretida no BPN, BPP e outros afins.

 

As dívidas, como dizia o senhor enginhairo Pinto de Souza, também conhecido por José Sócrates, para os amigos, não foram feitas para se pagarem, mas antes, para se irem mantendo.

 

Não há nada como ir empurrando com a barriga para a frente, porque a terem de ser pagas… alguém as há-de pagar.

 

Venha lá a governação, que afinal sempre vai ser para muito mais tempo que aqueles governos semi mortos assim que nasciam, e cá estaremos para ver, se o Rei Bocassa Zulu, consegue manobrar a coisa com a navegação à vista do Presi Marcelo, e levar o barco a bom porto. Cá estaremos para ver, não é?

 

PS: O Chega do Ventura?!?!? Isso incomoda mas jamais há-de ter força para assustar. Apagar-se-á a si próprio, e ademais, não há assim tantos acéfaos em Portugal, capazes de alimentarem a máquina racista, xenófoba, homofóbica. O bem tem de acabar sempre por vencer!

 

PS1: A Iniciativa Liberal sim tem gente que, apesar de algumas ideias estapafúrdias, é capaz de ter estrada para andar. Acoplagem ao PSD?

 

PS2: Seria importante conseguirem explicar às pessoas daqui, que não votam nas figuras candidatas a primeiros ministros. Não se trata do Costa e do Rio, mas naqueles que são candidatos a representarem-nos, daqui. Desta vez foi Ricardo Pinheiro [secretário de Estado do Planeamento na última legislatura], e o novo jurista Eduardo Alves, que substitui Luís Moreira Testa, o outro deputado socialista eleito por este distrito. Okay? É!



sábado, 29 de janeiro de 2022

Shangri La - O meu horizonte longínquo sobre carris (Parte VIII - (Pequenos) Paraísos)

O Penedo da Rainha - espaço mítico da minha Beirã natal

 a)      Acácias

A zona das acácias situava-se por detrás da escola, e estendia-se até ao Penedo da Rainha. Sendo esta uma árvore que é considerada uma praga porque é resistente à seca, e se multiplica a grande velocidade; criava ali um espaço místico que não era zona de ninguém, altamente propícia para inúmeras brincadeiras e safadezas, onde parecíamos que estávamos longe do mundo todo.

 

b)      A murta

A murta estava localizada a uns 550 metros, não muito mais, da passagem de nível que se situava à entrada da aldeia, de quem vem do lado de Valência de Alcântara. Bem antes dos tempos de hoje, era ali, naquela casa privada, que eu ia buscar leite que me era encomendado pelas minhas tias.

 

c)       Ribeiro

O ribeiro que atravessa a Beirã, que nunca levou muita água, à exceção dos dias de grandes enxurradas, quando transbordava para grande festa nossa; era um ponto estratégico para as crianças da aldeia, por ser palco de inúmeras cenas e brincadeiras. Ali (tentávamos!) apanhar rãs (porque eu nunca apanhei nenhuma! Dizem que aquilo era muito bom mas…), fazíamos corridas de barquinhos (ou outra geringonça qualquer que flutuasse), e era sempre um ponto de atração e encanto.

 

d)      Penedo da Rainha

Grande bloco de granito que ficou famoso por D.ª Leonor de Áustria junto a ele se ter abrigado e descansado durante a sua fadiga quando, integrada num enorme cortejo dos mais distintos fidalgos e cavaleiros portugueses, partiu de Valência de Alcântara, atravessou os ásperos caminhos do concelho, passou por Castelo de Vide, e se dirigiu até à vila do Crato, onde era aguardada por D. Manuel, para o real casamento.

A aura mística deste espaço sempre foi enorme, tal como o fascínio que exercia junto das crianças da aldeia, por ser inexpugnável (não tinha qualquer ponto por onde escalar), e nele, as cegonhas habitualmente fazerem o seu ninho

 

e)      Campo de futebol

Espaço com menor dimensão que a de um campo de futebol real, mas que por ser direito e estar mais ou menos limpo, dava para jogarmos futebol à vontade, sem o perigo dos carros, ou outras coisas quaisquer, como os comboios, que eram sempre o maior medo de todos os pais. “Vê lá não fiques debaixo dos comboios!!!!”, era sempre ouvido até à exaustão na nossa, e em todas as casas, pelas quais passávamos perto.

Creio que era propriedade do Sr. João Forte, e hoje presumo que já seja propriedade da junta, ou do município, por já lá ter inclusivamente um balneário. Um dos problemas com que nos deparávamos de cada vez que lá íamos, eram as enormes bostas de vaca que as ditas cujas por lá deixavam quando passavam. Tinha sempre lacraus vivos debaixo das pedras que serviam de baliza, antes destas existirem lá.

sábado, 22 de janeiro de 2022

À procura do pote de ouro do velho Shane


Já o disse tanta vez que já não deve ser novidade para ninguém que a minha arte, a minha cena, é mesmo o cinema. O cinema consegue congregar todas as outras numa só (literatura, fotografia, até pintura), e fá-lo num espaço temporal reduzido (média de 2 horas, 2 horas e meia) o que é extraordinariamente lucrativo porque permite fazer uma gestão adequada e inteligente do nosso bem mais precioso: o tempo (que não chega para nada e nos está sempre a fazer falta).

 

Já me prometi também sei lá quantas vezes que pelo menos, pelo menos, um filme por semana teria de ser o meu mínimo olímpico.

Está bem, está! Quando um gajo dá por ela… já passou! E uma, e outra, e outra… e até me enerva!

 

Castigo-me, penitencio-me, só faltam mesmo as chicotadas auto-inflingidas nas costas nuas, mas de nada vale. O segredo do sucesso é: assim que posso deitar o olho a um desejado, finco-o, e não o largao mais.

 

A estrela de que vos quero falar hoje, é um documentário sobre uma banda de rock/folk/punk, e sobre a sua estrela, um asteroide maior que a vida: "Crock of Gold” (“Pote de ouro”, numa alusão aos duendes e a esse imaginário celta) sobre a banda irlandesa The Pogues, e o seu vocalista Shane MacGowan", que estreou a 1 de dezembro, mas que me chegou pela mão de um amigo de toda a vida, que me levou pela mão para os ver ao vivo no meu primeiro grande concerto de sempre, no final da década de 80 do século passado, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

 

Realizado por Julian Temple, diretor responsável pelos famosos e galardoados  “The Great Rock 'n' Roll Swindle” (1980) e “The Filth and the Fury” (2000), sobre o fenómeno punk e os seus ponta de lança, a banda Sex Pistols, utiliza os mesmos subterfúgios que resultam numa mistura de recurso à animação, cenas captadas em espétaculos ao vivo, programas de televisão, entrevistas diversas, para conseguir obter um produto notável.

 

Utilizando um tom onírico, que lhe dá um tom de lenda e percorre todo o sinuoso percurso de vida de Shane, das primeiras bebedeiras e visões alucinogénias com os animais da quinta falantes, quando ainda criança, na Irlanda profunda; às  trips alcoólicas no Oriente, que lhe iam custando a vida, como a queda de um táxi em andamento que resultou num duro traumatismo craniano; sem deixar de passar pelo epicentro do furacão punk, em que foi muitas vezes a vedeta dos concertos desses mesmos Sex Pistols, com muita dentada, álcool e drogas à mistura, esta obra é já obrigatória para todos os amantes deste tipo de música, em particular.

 

Depois, Shane, um enorme poeta e grande figura da cultura irlandesa (chega a receber, no final, um galardão pela mão do Presidente da Irlanda) é um grito de vida, e a prova mais que evidente de que a minha teoria de que um gajo só vai (desta para melhor) quando tem mesmo de ir, que no fundo não mais do que uma versão moderna do “fado com que cada um nasce”, nessa perspetiva tão tuga, é mesmo certa!

Comparo, de alguma forma e com as naturais distâncias, o Shane ao meu Abel Realinho Meira, essa fera alcoólica marvanense de tantas e tantas décadas bem para lá da linha vermelha, com tantas noites a dormir na valeta com a cabeça muitas vezes encostada ao alcatrão (mais quentinho), que nunca foi estralhaçada pela roda de um mais distraído… por milagre, para acabar os seus dias na Santa Casa da Misericórdia que creio que o viu nascer.

Shane já poderia ter morrido há muito de cirrose hepática (depois hectolitros de álcool que ingeriu durante a turbulenta vida), de cancro do pulmão (depois dos milhares de maços de cigarros que fumou desde criança!!!!!), de um acidente qualquer… mas não! Está vivo!! Está vivo porque Deus quer que assim seja. Está vivo porque a sua alma ainda não faz falta num outro sítio qualquer, ou num outro corpo vivo, que não aqui.

 

No final, dei por mim a imaginar assim à minha frente num deserto, todos as garrafas de bebida, e todos os maços de cigarros que já fumou na vida. Não deve de haver um deserto assim tão grande!

 

No concerto final em que muitas celebridades o parabenizam e lhe cantam em coro, felicitando-o pelos seus 60 anos (embora mais pareça que tem 300!!!), é de, literalmente, ir às lágrimas, que foi o que eu fiz.

 

Façam-vos um favor: não percam por nada deste mundo, esta verdadeira pérola!

 

Ah!!!! E conta com um interlocutor delicioso: o pirata das caraíbas Johnny Depp! De partir a moca!!!!


Ligações:

Quando eu interagi com um ídolo sobre esta minha paixão pela banda (com muitos vídeos sobre os Pogues):

https://vendoomundodebinoculosdoaltodemarvao.blogspot.com/2021/11/a-faturar-na-linha-avancada.html


Uma excelente crónica sobre esta obra:

https://www.musicaemdx.pt/2021/09/08/crock-of-gold-a-few-rounds-with-shane-macgowan-de-julien-temple-no-indielisboa21/


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Eu, o injustiçado, me confesso (ou a história do fim do bloqueio de um mês!!!!)

PPPPPPPPPPPPPPPPPPOoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooRRRRRRRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Fackenzen!!!!!!!! Imagaroshonaishonalixxxxxxxxxxxxxxxxxxx!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

(asneiras em língua africana desconhecida)

 

1 MÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!!??!?!

1 MÊS FORA?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?

 

Alô pessoaleeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!!!Não deram pela minha falta?

Nâo?!?!?!?!?!?!?!?!?!?

Sério?!?!?!?!?!?!?!!?

Pois já eu…… Estranhei-vos bués!!!!!!!!!!!!!

 

Ópá!!!! 31 dias expulso do facebook… foram tempos muito difíceis, devo confessar! 

Quando aderi a isto há muitos, muitos anos atrás (há bem mais de 10, por certo!) nunca pensei que esta cena do f(acebook) me viesse a fazer tanta diferença, mas a verdade é que depois de centenas, milhares de publicações / interações, isto faz mesmo falta na minha vida.

 

O que é que me aconteceu para ter desaparecido assim?

 

Fui expulso!





 

Eu explico! Tenho mesmo de explicar!!! (até para minha sanidade mental!): por esta altura já toda a gente deve de saber como sou, como penso, no que penso (afinal isto ser e mesmo para isso, e eu nem sequer sou daqueles que querem queimar esta rede numa fogueira, porque consigo ver a sua utilidade), e todos sabem que sou um moço comedido. Quer isto dizer que não sou mano de vir para aqui com vernáculos, pornografias e coisas que tais, mas este facebook é do mais puritano, cabeçudo e retrogrado que pode haver, garanto! Já me expulsou antes duas vezes:

 

1 – 2021.01.16 - Publiquei uma foto que foi a capa do disco fabuloso dos Ena Pá 2000, chamado “És muita linda”, onde se recriava uma capa da revista “Gina”, mas onde os órgãos sexuais estavam tapados por retângulos ou quadrados coloridos sem nada se óbvio se ver.

Procurem no Google: “Ená pá 2000 capa de és muita linda!”, e depois concordem comigo, todos em coro!

Ainda assim: Castigo: 24 horas de proibição.

 

2 – 2021.01.28 - O facebook descobriu 12 dias depois que, para além da capa, tinha também publicado com a mesma sã ingenuidade, a contracapa dessa obra, com uma outra foto do mesmo teor, que passou na Sociedade Portuguesa de Autores, e pôde ser colocada em qualquer escaparate de uma loja de discos espalhada por este país fora, sem problema algum. Mas para mim… obra pró pêlo!!!

Procurem no Google: “Ená pá 2000 contracapa de és muita linda!”, e depois…  voltem a concordar comigo, todos em coro!

Pois é, mas... Castigo: Mais 3 dias de proibição.

 

3- 2021.08.15 - Alguém consegue imaginar coisa mais ingénua que uma foto da Bo Derek a cavalgar nua, num frame do filme “10”, onde apenas se vê os seios desnudados, e nenhum outro sítio mais específico e censurável? Pois o facebook achou que era!  

Pesquisem no Google: Pesquisem no Google: Bo derek nua a cavalo filme 10. Vêem?!?!?!?!? Nada demais, certo?!?!?!? Qual é o mal?!?!?!?!?!?

Carago!!!!! Castigo:  7 dias de proibição.

 

4- 2021.12.18 – Aqui a coisa foi grave, concedo. Tive um azar do camandro… uma cena incrível, mas compreendo. Alguém me enviou pelo Whatsapp um vídeo de caráter erótico/cómico, algo pesado que eu obviamente visionei, nessa rede social. Foi então que aconteceu uma coisa que quase nunca deixo que aconteça: acabou-se-me a bateria do telemóvel!!!!!!! Como já era algo tarde, meti-o à carga de noite e fui dormir. Descansado.

 

No outro dia, quando acordei, vou-me ver a 1ª página dos jornais, como faço sempre, para ver se o país ainda não acabou, e depois passei pelo facebook para ver como param as modas. Nesse então:

ESCÂNDALO!!!!!!

SURPRESA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ESTUPERFAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!

A SUA CONTA ESTÁ PROIBIDA E INTERDEITA DURANTE UM MÊS!!!!

 

UM MÊS!!!!?!?!?!?!?!?!??!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!

UM MÊS!!!!?!?!?!?!?!?!??!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!??!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?


DEEEEEEEEEEEUUUUUUUUUUUUSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!COMO É QUE VOU SOBREVIVER A ISTO?!?!?!?!?!?!!??!?!?!?!?!?!?!?!?!??!?!??!?!!?!?!?!?!?!

Sei lá como, as redes comunicaram quase que por omose, o que não era para ser partilhado, e jamais seria, foi-o (nalgum botão hei-de ter carregado, sem querer...), e a desgraça deu-se!!!!!! A minha cabeça só pensou:

Natal…

Passagem do ano…

Desejos de ano novo…

 

Vou ficar por fora disto tudo! Ainda por cima… com uma foto de perfil ridícula, publicada em jeito de brincadeira….

 

Poooooooorrrrrrrrrrrrrraaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Eu não mereço isto, pensei!

 

Já que assim era para ser, tomei a decisão de durante um mês me afastar das redes sociais e do blogue. Se não poderia ser num lado, não seria em lado algum, nem sequer no local que comecei antes do facebook aparecer mas… não foi bom! Custa, faz falta e não quererei repetir.

 

Passado isto deu-se… a saída do Jasus, as eleições à porta, e nada!!!!!... longe de tudo, comigo a viver enclausurado nesta minha vida de carne e osso.

 

Mas já passou e… sei lá eu bem como, sobrevivi.

 

Aquela cena de um gajo chegar ao fim do dia, ir dar uma voltinha pelo recreio da aldeia global, mandar uma boca, meter-se com este ou aquele, dizer uma cena que que está a mexer com ele… Nada!!!!!!! Já foste!!!!!!!

 

Olhem, depois do facebook não sei o que é que estará para vir, mas a verdade é que esta cena, cá para mim, faz falta. Oxalá continue. Desejo ardentemente também não voltar a meter o pé na poça, porque isto de estar de fora é do pior!!!! Não imaginam os nervos que dava passar lá a espreitar, mesmo estando de fora, ser levado a… quanto mais não seja, meter um gosto, e assim que o fazia… PUMBA!!!!!!! LÁ VINHA UMA IMAGEM DE BLOQUEIO A DIZER QUE NÃO! 

 

Sendo a rede esta do mais puritano que pode haver, o mais certo é que esta cena vote a acontecer outra vez.

 

Vou ter cuidado mas… em última instância, caso me bloqueie a conta de vez… já pensei em deixar o registo com o meu nome próprio em arquivo, e criar um novo como o novo Belenenses, que responde por Beleneses SAD, do género: Pedro Sobreiro SAB(i).

 

Oxalá que não!!! Oxalá!!!!