
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Coisas de Marvão...
Numa tarde destas, qualquer um pode ser arrebatado por um pôr-do-sol assim… dos que só há em Marvão.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Na noite de 19 de Dezembro – a discoteca Crisfal volta aos anos 80!

Uma das coisas que mais adoro fazer é meter música.
E meter música é bem diferente de se ser DJ. Para se ser Dj é preciso saber infinitamente mais do que aquilo que eu sei. Para se ser Dj tem de se trabalhar muito bem o vinil, tem de se saber operar com maquinaria e tecnologia e softwares complexos, tem de se perceber de loops e scratchs, tem de se investir muito em novos sons e tem-se sobretudo que saber fazer novas batidas, novos ritmos a partir dos sons de outros. Em duas palavras: criar música. Ora eu não tenho nada disto mas adoro estar ali a bombar para o pessoal, a dar alegria, a pôr tudo a mexer.
E isto vem de sempre. Lembro-me perfeitamente de com 4 ou 5 anos ter um gira-discos de cartão que o meu pai me construiu, onde não faltavam as rodelas também de cartão a imitarem os discos de verdade. Lembro-me de passar tardes inteiras naquilo, a fumar cigarros de papel que tinham um pacotinho e tudo, a meter e a tirar discos, a cantar sozinho as músicas que imaginava em cada um.
Nos últimos anos, a Megatenda que montamos por altura da passagem de ano na Portagem, tem-me permitido fazer o gosto ao dedo, juntando o útil ao agradável. Não havendo cachet para contratações de grandes artistas, dou o corpo ao manifesto, juntamente com o amigo DJ Reis (que já mexe bem!) e neste caso garanto que não me custa mesmo nada fazer esta perninha num evento quase familiar que já é incontornável e chega a juntar centenas de pessoas.
As actuações têm-se estendido às festinhas das Ludotecas, Dias da Criança…
E creio que foi no seguimento destes números e da amizade que nos une que surgiu o simpático convite da Alexandra e do Filipe para uma noite na Crisfal. É com todo o gosto que lá estarei ainda por cima numa noite temática dos anos 80, altamente bem acompanhado pelo meu colega, companheiro, e congénere da pasta da cultura de Portalegre, José Polainas.
Apesar de ser Dezembro, sei que vai ser uma noite bem quente com muitos sons para recordar. Quem viveu nestes anos profícuos em músicas memoráveis, quem cresceu ou namorou nesses gloriosos 80, vai ter muito que dizer “eina esta! Aos anos que eu não ouvia isto…”.
Eu cá tenho andado a preparar o meu set e posso levantar o véu dizendo que vai haver muito Human League, muito Yazoo, muito Ultravox, muito Depeche Mode, muito New Order, muito Pet Shop Boys e Communards mas não vão faltar todos os hits que rebentaram nos tops e toda a gente sabe cantar (Sabrinas, Samanthas, Sandras e companhias); a onda mais rock (dos Aerosmith aos Europe); a cena mais independente e eclética (Smiths, Cure e Siouxie Sioux na linha da frente) e os ritmos mais dançáveis.
Porra pá! Aquilo vai ser de arromba! Mas estão à espera do quê para marcarem na agenda?
Bora lá!
E não é que há dias dou com os cartazes estrategicamente colocados à frente da entrada da Escola Superior de Educação, ali na Praça da República, anunciando a sessão, ali ao lado dos grandes nomes da arte dos discos? Caraças, pá!
E meter música é bem diferente de se ser DJ. Para se ser Dj é preciso saber infinitamente mais do que aquilo que eu sei. Para se ser Dj tem de se trabalhar muito bem o vinil, tem de se saber operar com maquinaria e tecnologia e softwares complexos, tem de se perceber de loops e scratchs, tem de se investir muito em novos sons e tem-se sobretudo que saber fazer novas batidas, novos ritmos a partir dos sons de outros. Em duas palavras: criar música. Ora eu não tenho nada disto mas adoro estar ali a bombar para o pessoal, a dar alegria, a pôr tudo a mexer.
E isto vem de sempre. Lembro-me perfeitamente de com 4 ou 5 anos ter um gira-discos de cartão que o meu pai me construiu, onde não faltavam as rodelas também de cartão a imitarem os discos de verdade. Lembro-me de passar tardes inteiras naquilo, a fumar cigarros de papel que tinham um pacotinho e tudo, a meter e a tirar discos, a cantar sozinho as músicas que imaginava em cada um.
Nos últimos anos, a Megatenda que montamos por altura da passagem de ano na Portagem, tem-me permitido fazer o gosto ao dedo, juntando o útil ao agradável. Não havendo cachet para contratações de grandes artistas, dou o corpo ao manifesto, juntamente com o amigo DJ Reis (que já mexe bem!) e neste caso garanto que não me custa mesmo nada fazer esta perninha num evento quase familiar que já é incontornável e chega a juntar centenas de pessoas.
As actuações têm-se estendido às festinhas das Ludotecas, Dias da Criança…
E creio que foi no seguimento destes números e da amizade que nos une que surgiu o simpático convite da Alexandra e do Filipe para uma noite na Crisfal. É com todo o gosto que lá estarei ainda por cima numa noite temática dos anos 80, altamente bem acompanhado pelo meu colega, companheiro, e congénere da pasta da cultura de Portalegre, José Polainas.
Apesar de ser Dezembro, sei que vai ser uma noite bem quente com muitos sons para recordar. Quem viveu nestes anos profícuos em músicas memoráveis, quem cresceu ou namorou nesses gloriosos 80, vai ter muito que dizer “eina esta! Aos anos que eu não ouvia isto…”.
Eu cá tenho andado a preparar o meu set e posso levantar o véu dizendo que vai haver muito Human League, muito Yazoo, muito Ultravox, muito Depeche Mode, muito New Order, muito Pet Shop Boys e Communards mas não vão faltar todos os hits que rebentaram nos tops e toda a gente sabe cantar (Sabrinas, Samanthas, Sandras e companhias); a onda mais rock (dos Aerosmith aos Europe); a cena mais independente e eclética (Smiths, Cure e Siouxie Sioux na linha da frente) e os ritmos mais dançáveis.
Porra pá! Aquilo vai ser de arromba! Mas estão à espera do quê para marcarem na agenda?
Bora lá!
E não é que há dias dou com os cartazes estrategicamente colocados à frente da entrada da Escola Superior de Educação, ali na Praça da República, anunciando a sessão, ali ao lado dos grandes nomes da arte dos discos? Caraças, pá!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
O "nosso" Robinson Crusoe

E eis quando senão, a nossa família hippie favorita das redondezas nos entra pela casa adentro com honras de reportagem especial na SIC! Alguns foram mais apanhados de surpresa, outros nem tanto e alguns nada mesmo porque já sabíamos/suspeitávamos/tínhamos ouvido falar que a coisa estava para se dar.
“Conheça um paraíso fora-da-lei em pleno Alto Alentejo, perto de Marvão, onde uma família alemã vive numa ecologia radical na qual só vigoram as leis de Deus e da natureza…”.
Brilhante, a peça jornalística de Hugo Alcântara ao traçar um retrato minucioso, amplo, profundo e isento sem nunca cair em paternalismos e em juízos de valor bacocos, revelando antes toda a complexidade desta matéria polémica.
Uma grande questão de fundo prevalece: “Será que a liberdade do nosso Estado de Direito permite uma liberdade tamanha?”.
Como não há nada como realmente, o Tio Sabi disponibiliza aqui a ligação para que todos possam visionar esta reportagem soberba sobre a “Família da Ilha do Paraíso” que está mesmo aqui ao lado. O clip está localizado aos 22 minutos e 15 segundos desta segunda parte do Jornal da Noite de 09-12-2008. It’s free!
Não perca então, a história insólita da família de Reinhold Schweikert, o jovem membro de uma banda punk alemã que experimentou a vertigem do rock’n’roll lifestyle e quando à beira do caos, decidiu abandonar a civilização e passar a viver em paz e em perfeita harmonia com a natureza… em Marvão.
PS: Não comem carne, só se alimentam de vegetais crus que produzem, nem herbicidas sequer usam, mas não falta o portátil com acesso à net… que utilizam com uma cortiça a servir de escudo para evitar as radiações. Lindo! Sai um Óscar para o melhor documentário, ó fachavor!
“Conheça um paraíso fora-da-lei em pleno Alto Alentejo, perto de Marvão, onde uma família alemã vive numa ecologia radical na qual só vigoram as leis de Deus e da natureza…”.
Brilhante, a peça jornalística de Hugo Alcântara ao traçar um retrato minucioso, amplo, profundo e isento sem nunca cair em paternalismos e em juízos de valor bacocos, revelando antes toda a complexidade desta matéria polémica.
Uma grande questão de fundo prevalece: “Será que a liberdade do nosso Estado de Direito permite uma liberdade tamanha?”.
Como não há nada como realmente, o Tio Sabi disponibiliza aqui a ligação para que todos possam visionar esta reportagem soberba sobre a “Família da Ilha do Paraíso” que está mesmo aqui ao lado. O clip está localizado aos 22 minutos e 15 segundos desta segunda parte do Jornal da Noite de 09-12-2008. It’s free!
Não perca então, a história insólita da família de Reinhold Schweikert, o jovem membro de uma banda punk alemã que experimentou a vertigem do rock’n’roll lifestyle e quando à beira do caos, decidiu abandonar a civilização e passar a viver em paz e em perfeita harmonia com a natureza… em Marvão.
PS: Não comem carne, só se alimentam de vegetais crus que produzem, nem herbicidas sequer usam, mas não falta o portátil com acesso à net… que utilizam com uma cortiça a servir de escudo para evitar as radiações. Lindo! Sai um Óscar para o melhor documentário, ó fachavor!
domingo, 7 de dezembro de 2008
Sonho Sideral

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Sou um fã absoluto, rendido e indefectível dos estúdios de animação Pixar que nasceram pequeninos e independentes e são hoje, depois de 9 obras-primas, a ala mais avançada, profícua e inteligente da maior fábrica de sonhos do mundo, a Disney.
Da Pixar nasceram filmes que marcaram para a vida todos aqueles que têm a sorte de lhes terem metido a vista em cima e esse é um dom que não é para qualquer produtora. De toda a colheita, destaco os dois “Toy Story” e o sublime “Monstros e Companhia” que figuram na minha lista absoluta de filmes favoritos e não apenas no género de animação, senão ao lado de todos os outros feitos e interpretados por gente de carne e osso, por serem tão capazes, ou ainda mais, de me fazerem tão feliz.
Tive a sorte de ver o “Wall-E” em Portimão dias após a sua estreia, no Verão, na companhia do brother Joe e depois da Leonor me ter roído a corda à última da hora “por ter medo de estar fechada no cinema”. Ahhhhhhhhhh… O filme resulta monumental no grande ecrã e eu fiquei apaixonado assim que o vi. As obras da Pixar são pura filigrana e estão impregnadas de centenas de referências a outros filmes e a momentos da história que não escapam aos cinéfilos mas que fazem com que as crianças, que obviamente ainda não têm capacidade para as identificar e compreender, não sintam que perderam parte importante da narrativa por não as captarem. Esta multiplicidade de “camadas” é uma das características mais fascinantes destas obras, como se fossem uma piada brilhante que tanto faz rir as tertúlias intelectuais como os putos de bibe no Jardim-escola.
Este “Wall-E” é todo ele genial, um clássico instantâneo que nem sequer permite contestação. Cada frame é valioso, cada segundo é uma gota do mais precioso licor de que é feita a 7ª arte. As primeiras imagens da terra, seca, esquecida, desolada, asfixiada em lixo, dizem-nos mais sobre o perigo que corre o nosso planeta ao ser vítima do modo de vida displicente do mundo moderno que 10 filmes do Al Gore vistos de penálti. Bem pode ele falar…
Da Pixar nasceram filmes que marcaram para a vida todos aqueles que têm a sorte de lhes terem metido a vista em cima e esse é um dom que não é para qualquer produtora. De toda a colheita, destaco os dois “Toy Story” e o sublime “Monstros e Companhia” que figuram na minha lista absoluta de filmes favoritos e não apenas no género de animação, senão ao lado de todos os outros feitos e interpretados por gente de carne e osso, por serem tão capazes, ou ainda mais, de me fazerem tão feliz.
Tive a sorte de ver o “Wall-E” em Portimão dias após a sua estreia, no Verão, na companhia do brother Joe e depois da Leonor me ter roído a corda à última da hora “por ter medo de estar fechada no cinema”. Ahhhhhhhhhh… O filme resulta monumental no grande ecrã e eu fiquei apaixonado assim que o vi. As obras da Pixar são pura filigrana e estão impregnadas de centenas de referências a outros filmes e a momentos da história que não escapam aos cinéfilos mas que fazem com que as crianças, que obviamente ainda não têm capacidade para as identificar e compreender, não sintam que perderam parte importante da narrativa por não as captarem. Esta multiplicidade de “camadas” é uma das características mais fascinantes destas obras, como se fossem uma piada brilhante que tanto faz rir as tertúlias intelectuais como os putos de bibe no Jardim-escola.
Este “Wall-E” é todo ele genial, um clássico instantâneo que nem sequer permite contestação. Cada frame é valioso, cada segundo é uma gota do mais precioso licor de que é feita a 7ª arte. As primeiras imagens da terra, seca, esquecida, desolada, asfixiada em lixo, dizem-nos mais sobre o perigo que corre o nosso planeta ao ser vítima do modo de vida displicente do mundo moderno que 10 filmes do Al Gore vistos de penálti. Bem pode ele falar…
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E depois tem este robot, este ser encantador… que tem tanto de “Star Wars” como de “E.T.”, um verdadeiro “Eduardo Mãos-de-Tesoura” sci-fi que nasceu para nos arrebatar. Sozinho, errante, cumprindo estoicamente a sua missão quando todos os outros já sucumbiram, procurando a perfeição mesmo quando sabe que não há ninguém para apreciar ou poder usufruir do seu esforço mas ainda assim capaz de amar, capaz de acreditar que é no próximo metro quadrado de lixo que tem para arrumar que vai encontrar o seu mais novo-velho tesouro, tão insignificante para todos os outros mas tão precioso e único para ele e para o contentor enferrujado a que chama lar.
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Mas nem nesta doçura se esquece este filme da sua missão primeira de ser um último alerta, sobretudo dirigido às mais novas gerações, de que ainda vamos a tempo de poder fazer quase tudo bem, desde que queiramos e possamos aprender a viver respeitando a terra. Nessa cruzada didáctica, não se coíbe “Wall-E” (e bem!) de traçar uma das mais cáusticas críticas aos humanos, cada vez mais sedentários, cada vez mais egoístas, cada vez mais dependentes das novas tecnologias, cada vez mais sozinhos e afastados dos seus próximos, cada vez mais alienados e transformados, chegando ao ponto de perder a estrutura óssea que lhes permite hoje caminhar na horizontal. Ainda faltam mais de 800 anos para lá chegarmos mas por este andar, parece-me que não vão ser necessários tantos.

Ainda assim e ainda bem, a esperança acaba por falar mais alto e apesar de todos os grandes planos e os grandes investimentos, acaba por ser uma simples planta a mudar o curso da história ao provar com a sua existência que é de novo possível respirar e logo viver no nosso planeta.
Não querendo revelar demais e adiantar a descoberta que terá de ser feita por cada espectador não posso deixar de mencionar a assombrosa sonoplastia e os magistrais efeitos de animação. O realizador Andrew Stanton conseguiu a proeza de convencer o lendário Ben Burtt, autor de sons míticos como toda a galeria da “Guerra das Estrelas” a colaborar neste projecto e este superou-se ao criar um complexo e maravilhoso universo sonoro que enche e suporta de forma inesquecível um filme que só conhece os diálogos na terceira metade. Deslumbrante! Quanto à animação, continua a ser um milagre da tecnologia perceber como a arte dos homens e as potencialidades dos computadores se unem para criarem seres que sendo artificiais, reproduzem com inacreditável exactidão, expressões e emoções tão próprias dos seres vivos. “Burn-E”, a curta de animação que acompanha a edição em dvd, consegue nos seus escassos minutos explicar tudo aquilo que por mais que se diga… só mesmo vendo é que se entende.

Por falar em dvd, fico mesmo muito agradecido à edição que ontem adquirimos com paixão e hoje visionámos agarradinhos no puff à lareira. Não tendo a espectacularidade do grande ecrã, foi aqui, no cantinho do lar e nos apenas 82 centímetros planos da nossa tv, que percebi toda a força e dimensão de uma obra única.
Façam o que fizerem, por favor, este vão ter mesmo que comprar e não me venham com cópias do chinês. Há filmes que ficam para a vida e há tesouros que têm de ser nossos.
O sermão da portugalidade

Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre esgotadíssimo para ver uma banda portuguesa ainda por cima, por consagrar.
Os Deolinda, ou melhor, a Deolinda que personificam, são ou é (como preferirem), um meteorito que entrou de rompante na atmosfera musical portuguesa para não deixar ninguém indiferente. O público que os aguardava nessa noite fria de 5 de Dezembro provava isso mesmo sendo composto por gentes variadas, de todas as idades (de crianças em idade escolar a velhinhas de idade provecta e cabelo em tons rosados, devidamente aprimorado para a ocasião) e apreciadoras dos mais diversos estilos musicais, isto a julgar pelas vestes (de reggae lovers a pessoal de preto que anda nos sons da frente, de adolescentes com lenços islâmicos ao pescoço e t-shirts do Che Guevara, a muitos cotas, nos quais já me vou incluindo).
Esta Deolinda é uma paixão minha de há alguns meses a esta parte e pode-se dizer que tenho feito a minha parte em evangelizar a sua música a alguns amigos mais chegados e a amantes convictos das sonoridades lusitanas. Por esta altura já quase toda a gente os conhece da rádio, pelos menos as mais ouvidas, mas acreditem que a Deolinda esta é muito mais que isso tudo.
Assim para quem esteja mais por fora, para mim, a Deolinda é a filha bastarda e improvável que o António Variações e a Madredeus tiveram depois de uma noite louca e quente de copos no Bairro Alto, há uma vintena de anos atrás. Tive oportunidade de partilhar esta minha teoria com a banda, na simpática sessão de autógrafos que teve lugar após o concerto e foi com muito agrado que registei a sua anuência e boa disposição nesta filiação que pelos vistos, era para eles inédita mas é capaz de não andar muito longe da verdade.
A transversalidade deste fenómeno radica na qualidade e na riqueza de um projecto que vai para além da sua extraordinária criação musical e se estende à qualidade gráfica do material que produzem, aos cuidados com a estética sempre que surgem em público e que se alicerça na sua desarmante humildade e saber estar.
O disco de estreia é no meu entender, um clássico imediato e já um disco seminal da nova música portuguesa. Há muitos, muitos anos que não aparecia assim um grupo português, que canta em português, que cria as suas próprias letras e melodias, com este patamar de excelência capaz de lhe granjear um imediato reconhecimento público generalizado. Grandes textos, grandes músicas e uma capacidade única de contar histórias com muitos amores e desamores pelo meio, sempre embalados pela fina ironia.
Esta Deolinda respira portugalidade em cada poro do seu corpo e já criou o seu próprio espaço entre o fado e a música pop, afirmando-se como um excepcional híbrido, sendo ela própria um verdadeiro ícone ao recuperar o imaginário de todo um país. O galo de Barcelos, os golos do Eusébio, as sardinhadas nos becos alfacinhas, os pescadores da Nazaré, as velhinhas solitárias que passam as tardes a ver quem passa na sua rua, os torneios de sueca, os garrafões de tinto de 5 litros, as touradas à vara larga, as procissões e romarias, as tatuagens da guerra colonial, os bigodes, os decotes largos, as sestas debaixo de um chaparro, os circos ambulantes de rua, as feiras, as farturas, os foguetes, a Deolinda é tudo isso e muito mais.
Isto é uma opinião, subjectiva e discutível mas acho que desde os Humanos que não tínhamos um disco assim. Talvez desde o próprio Variações e dos Madredeus que não tínhamos que cantasse Portugal desta maneira. No que diz respeito a compositores/intérpretes, é certo que temos o Godinho, o Palma, os Xutos (embora noutra linha) e temos os internacionais exportáveis (Clãs e Fonsecas na ponta da frente) que são, Graças a Deus, cada vez mais, mas como esta Deolinda não. Havemos sempre de ter o Camané mas o Camané canta o que lhe escrevem e sem o Zé Mário Branco por trás… Por isso e muito mais, não me venham com Marisas e Anas Mouras e Kátias Guerreiros e Mafaldas Arnaults que isto é outra loiça!

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Com esta embalagem, o concerto não podia ser outra coisa que não um êxito, com a sala rendida e dois encores. Por eles, de certezinha que ainda agora lá estávamos e nem os problemas de som iniciais e a sofrível prestação do técnico de iluminação (o homem parecia que estava a dormir, por favor…) retiraram mérito ao que se seguiu depois.
Pela hora e pouco de espectáculo desfilou o primeiro disco de originais estreado em Abril deste ano e mais dois temas inéditos que prometem o melhor para o segundo trabalho que se adivinha. O cenário foi dimensionado à escala da sala de estar da casa da Deolinda onde não faltou a mesinha de pé alto com as fotos de família e uma luz de grande proporções em jeito de bola de espelhos de casa de fados. Os guitarristas e irmãos Martins e o contra-baixista Zé Pedro Leitão apresentaram-se com o habitual traje a rigor. Ana Bacalhau encantou, com a sua graça e belezas naturais, enchendo o espaço com a sua presença. Dona de uma extensão vocal ímpar que manipula com mestria (passa dos graves mais fundos aos agudos mais excelsos com uma facilidade impressionante) carrega em cada palavra a emoção do que quer dizer e assim é impossível não ficar vidrado. Diva de faca e alguidar, sempre sorrindo, sempre querendo chegar a nós, ela ginga e rodopia e leva consigo o nosso olhar e a nossa atenção, seduzindo-nos para o seu mundo e que bem que lá se está…
Para além da oportunidade de poder ter interagido com eles e ter constatado pessoalmente as excelentes pessoas que parecem ser, destaco dois momentos: o “Movimento perpétuo associativo”, tema genial, inteligente e muito forte musicalmente, que define a essência do “ser português” como poucos outros antes, a justificar plenamente a pretensão de muitos na internet de o elevarem a novo hino nacional; e o tema “Eu tenho um melro”, belíssimo, magnificamente interpretado, como uma alma e uma emoção capazes de revirarem tudo cá dentro.
Acreditem naquilo que o vosso amigo vos diz: uma nova estrela nasceu (e que brilhante que ela é!).
Que Deus lhes dê saúde porque talento… têm para dar e vender.
PS: O António ia adorar a Deolinda. Pai babado…
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Preciosos diamantes negros
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Os Buraka Som Sistema são os mais recentes e poderosos embaixadores da música moderna portuguesa além-fronteiras. Praticantes de uma variante progressiva do Kuduro angolano souberam dar-lhe uma roupagem mais electrónica e visonária que o resgatou das ruas de Luanda e o teletransportou para as mais influentes pistas de dança de todo o mundo, onde são actualmente consagrados.
O som que produzem não se explica nem se desmonta, antes se sente e se vibra, apelando à nossa matriz mais selvagem, levando-nos de volta ao berço africano.
Este colectivo de composição flexível e irregular, orquestrado pelo cientista sonoro e mestre maquineiro Lil’ John, conta com a colaboração outras jovens glórias nacionais como é o caso de Kalaf, um poeta urbano que tem estado ligado a alguns dos mais interessantes projectos lusos dos últimos anos.
Depois do EP de lançamento profeticamente designado de ”From Buraka to the world” rebentam agora com o cd “Black Diamond” (uma maravilha!) que vai seguramente dar ainda muito, muito que falar.
Toda esta conversa porque folheava eu avidamente o semanário britânico New Musical Express que me chega com uma semana de atraso ao meu dealer de jornais local, quando sou surpreendido pelos meus compatriotas com uma notável nota, passo a redundância, de 7 em 10. A prosa diz mais ou menos isto:
Nacionalidade preciosa
O som que produzem não se explica nem se desmonta, antes se sente e se vibra, apelando à nossa matriz mais selvagem, levando-nos de volta ao berço africano.
Este colectivo de composição flexível e irregular, orquestrado pelo cientista sonoro e mestre maquineiro Lil’ John, conta com a colaboração outras jovens glórias nacionais como é o caso de Kalaf, um poeta urbano que tem estado ligado a alguns dos mais interessantes projectos lusos dos últimos anos.
Depois do EP de lançamento profeticamente designado de ”From Buraka to the world” rebentam agora com o cd “Black Diamond” (uma maravilha!) que vai seguramente dar ainda muito, muito que falar.
Toda esta conversa porque folheava eu avidamente o semanário britânico New Musical Express que me chega com uma semana de atraso ao meu dealer de jornais local, quando sou surpreendido pelos meus compatriotas com uma notável nota, passo a redundância, de 7 em 10. A prosa diz mais ou menos isto:
Nacionalidade preciosa
(Tradução livre do taberneiro)
Buraka Som Sistema
Black Diamond (Diamante Negro)
A maior exportação angolana via Lisboa. E adivinhem o quê? A MIA está lá…
Não são apenas os vocalistas reformados da pop britânica e os marrões da liga universitária americana que têm descoberto as grandes novidades deste ano. Graças a nomes com DJ Mujava e Esau Mwamwaya, alguns dos mais ferozes hinos das pistas de dança têm ricocheteado do Corno de África para os clubes britânicos.
Os Buraka Som Sistema são, na verdade, de Lisboa, mas são os principais embaixadores internacionais do género angolano do Kuduro. Em português, significa literalmente “rabo rijo” e se tens visto os clips do You Tube com putos nas ruas de Luanda fazendo acrobacias com as pernas e caindo abruptamente sobre os calcanhares, saberás o que é.
As batidas carnavalescas de partir o pescoço, as fanfarras vacilantes e os estrondos electrónicos rudimentares dos Buraka soam exactamente àquilo com o que a MIA se poderia envolver. O cliente favorito da empresa financeira Travelex, aparece na faixa “Sound of Kuduro” gritando “é de prestígio, irmão!” por nenhuma outra razão que por puro gozo. Noutros momentos, vocalizações excitantes são providenciadas por senhoras chamadas Petty e Pongolove, cujas rimas provavelmente não fariam muito mais sentido ainda que as pudesses traduzir.
Se o “Black Diamond”- e o kuduro em geral – têm uma energia maníaca e nervosa, radica muito provavelmente no facto de Angola só recentemente ter emergido de uma guerra civil viciosa de 25 anos. Mesmo quando mediatizada por um grupo de camaradas portugueses atarracados, isto é música festiva com um autêntico e violento sentido de libertação. Recomenda-se o revestimento dos traseiros.
Sam Richards
Download: 1) “Tiroza”; 2) “Yah”; 3) “Sound of Kuduro”
Buraka Som Sistema
Black Diamond (Diamante Negro)
A maior exportação angolana via Lisboa. E adivinhem o quê? A MIA está lá…
Não são apenas os vocalistas reformados da pop britânica e os marrões da liga universitária americana que têm descoberto as grandes novidades deste ano. Graças a nomes com DJ Mujava e Esau Mwamwaya, alguns dos mais ferozes hinos das pistas de dança têm ricocheteado do Corno de África para os clubes britânicos.
Os Buraka Som Sistema são, na verdade, de Lisboa, mas são os principais embaixadores internacionais do género angolano do Kuduro. Em português, significa literalmente “rabo rijo” e se tens visto os clips do You Tube com putos nas ruas de Luanda fazendo acrobacias com as pernas e caindo abruptamente sobre os calcanhares, saberás o que é.
As batidas carnavalescas de partir o pescoço, as fanfarras vacilantes e os estrondos electrónicos rudimentares dos Buraka soam exactamente àquilo com o que a MIA se poderia envolver. O cliente favorito da empresa financeira Travelex, aparece na faixa “Sound of Kuduro” gritando “é de prestígio, irmão!” por nenhuma outra razão que por puro gozo. Noutros momentos, vocalizações excitantes são providenciadas por senhoras chamadas Petty e Pongolove, cujas rimas provavelmente não fariam muito mais sentido ainda que as pudesses traduzir.
Se o “Black Diamond”- e o kuduro em geral – têm uma energia maníaca e nervosa, radica muito provavelmente no facto de Angola só recentemente ter emergido de uma guerra civil viciosa de 25 anos. Mesmo quando mediatizada por um grupo de camaradas portugueses atarracados, isto é música festiva com um autêntico e violento sentido de libertação. Recomenda-se o revestimento dos traseiros.
Sam Richards
Download: 1) “Tiroza”; 2) “Yah”; 3) “Sound of Kuduro”
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Tocá bombar!
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Buraka Som Sistema - Sound of Kuduro (video oficial)
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Buraka Som Sistema - Sound of Kuduro (video oficial)
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Buraka Som Sistema - Wegue Wegue (video oficial)
Buraka Som Sistema - Wegue Wegue (video oficial)
Na teia das modas

Ainda por cima vermelho... E os ténis? Ai... os ténis... Lindos!
A nova colecção da Modalfa do Homem-Aranha é de deixar qualquer um de boca aberta. Tudo seria perfeito se não fosse o meu clássico e eterno problema de só produzirem números até aos 12 anos, como se isso coubesse na cabeça de alguém…
Estes romanos são loucos!
Eu bem me farto de dar voltas e mais voltas aos cabides, verificando caso a caso se não haverá por ali uma troca de etiquetas por uma maior… mas nada.
Tristinho…
E pergunto às raparigas lá da loja: “Por acaso não têm tamanhos L ou XL, não?”. Elas ficam com um ar assim meio de gozo atrevido e eu explico: “é que eu tenho um filho já com 18 anos assim para o grandote e queria fazer-lhe uma surpresinha…”. Parvinhas…
Faço votos, mas faço mesmo muitos votos que um dia por aqui derrape de pára-quedas algum responsável, ou até mesmo o próprio Tio Belmiro, ouçam a minha reclamação e comecem a pensar que nós, os crescidos, também temos direito à vida, caraças!
Esta tem um dispositivo que faz com que acendam os olhos do aracnídeo quando se carrega no símbolo. Imagino o efeito que isto não fará no escuro. Buáááá... Quero!
Imaginem o estardalhaço que eu não faria a entrar no meu local de trabalho com umas alpergatas desta qualidade... 100% à prova de água! Ideais para subir aos telhados de Marvão!
Quentinho, aconchegante, veste bem em qualquer ocasião. Com uma bonita gravata, até num casamento não ficava mal...Será que eles sabem que é Natal?

Momentos depois perguntei-lhe: “explica-me lá então, se ainda sabes para quem é que é este saco?”
“É para as famílias que não têm emprego. É para os senhores e as senhoras que não têm para onde ir trabalhar e não têm dinheiro e para os meninos que nem brinquedos têm para brincar. Nós ajudamos porque podemos e damos um bocadinho do nosso para eles”.
Acho que está.
PS: Só é pena é ver tantos sacos iguais enfiados nas prateleiras, de pessoas que não dizem que não só para não os chatearem e para ficarem bem na fotografia e depois fazem esta linda figura. Estes crescidos…
“É para as famílias que não têm emprego. É para os senhores e as senhoras que não têm para onde ir trabalhar e não têm dinheiro e para os meninos que nem brinquedos têm para brincar. Nós ajudamos porque podemos e damos um bocadinho do nosso para eles”.
Acho que está.
PS: Só é pena é ver tantos sacos iguais enfiados nas prateleiras, de pessoas que não dizem que não só para não os chatearem e para ficarem bem na fotografia e depois fazem esta linda figura. Estes crescidos…
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
O 1º… de Portugal!
"A por ellos!"-
Os meus queridos amigos espanhóis (gracias a Dios ainda são bastantes) que me perdoem mas eu acho que a melhor forma de passar a manhã do 1º de Dezembro é dando um passeio até Valência de Alcântara, nem que seja para podermos contemplar como trabalham e nós desfrutamos, celebrando o feriado que comemora a data em que os pusemos a mexer da santa pátria.
Eu sou um defensor das relações e da amizade transfronteiriça, tenho sempre defendido essa minha posição publicamente, mas de cada vez que os tratam por “nuestros hermanos”, eu questiono-me como é que foi possível viver estes séculos todos, neste cantinho rodeado por água por todos os lados excepto um, sem termos sido engolidos pelo gigante aqui do lado…
Na perspectiva cá do mangas, eu acho que a coisa nunca se deu porque eles, na verdade, não são assim um país unido como nós, são mais uma associação de regiões e de reinos e andaram sempre tão preocupados a pelejar uns contra os outros que se esqueceram aqui da rapaziada. Uma cena assim do estilo do caixa de óculos da turma que consegue fazer toda a escolaridade obrigatória sem levar uma sova dos alunos de desporto porque estes preferem passar a vida a guerrear pela braçadeira de capitão da equipa de futsal do Liceu.
E não é que há dias, relendo um “Expresso” assim em atraso, dou de caras com um artigo do Zé Pedro Castanheira que fez valer logo o dinheiro que desembolsei pela volumosa publicação e confirmou as minhas piores expectativas? Aconselho a leitura detalhada do recorte anexo no final, mas quem quiser passar já para o resumo, fica a ideia: estivemos mesmo quase a ser engolidos. Se o Franco desse nesta, nem os ingleses nos safavam, valha-nos Deus, a Senhora de Fátima e o Eusébio antes dos reclames da Multiópticas, que o homem está muito esclerosado, o pobre…
Ainda bem. Eu cá, gosto de ser português e agora que o Scolari já não é seleccionador nacional, até tenho orgulho nessa minha condição embora nunca tivesse também escondido que de entre os dois orgulhos, prefiro sempre o de ser Alentejano, com”A”grande.
Celebrando essa minha convicção e a paixão pelas corridas, decidi hoje mesmo realizar a “1ª Meia Maratona da Independência”, que partiu do meu quintal e terminou à porta da Praça de Touros de Valência de Alcântara, com um percurso total de 22 quilómetros. Como a ideia nasceu ontem, já estava eu de pijama, acabei por ser o único participante e óbvio vencedor, com 2 horas e 6 minutos que fixaram o recorde da prova. Apesar da fraca adesão registada nesta edição, a organização espera poder contar com mais participantes no ano que vem, nem que sejam os habituais companheiras destas andanças. Já estão previstas diversas novidades como a possibilidade de um duche gratuito numa escola da localidade espanhola e a realização de um almoço-convívio que fechará com uma matiné no afamado bar “Tabarin”, onde termina a Mini-Maratona e a prova “Avós e Netos”, e onde todo o mundo poderá dar vivas a Portugal e ao galo de Barcelos, bebericando um “Portugal Libre” que é uma bebida que eu inventei e não passa de uma variação da “Cuba Libre” mas com Licor Beirão em vez de rum. Foi bom. Não faltes!
Enquanto corria e à falta de botões, fui falando com os meus atacadores e comentando as voltas que a vida e a história dão… Por estes tempos, o nosso outrora pacato IC2 mais parece a A1 em hora de ponta, tal é o corrupio de carros que em fila pirilau se deslocam ao país vizinho em busca de combustíveis fósseis mais em conta. Até me deixei rir feito maluco só de imaginar se o nosso D. João IV fosse vivo, o rebuliço que o homem não arranjaria ali na fronteira, desancando nos automobilistas com o seu bruto espadalhãozão, rebentando com retrovisores e pára-brisas, tentando evitar a todo o custo esta escandalosa saída de divisas de solo lusitano.
Ah, os tempos mudam…
Se os 40 conjurados soubessem a opinião que muitos portugueses têm hoje em relação a Espanha sobretudo quando comparam os níveis de vida… certamente ficariam em casa a ver a Sport Tv em vez de andarem feitos malucos a armar confusão.
Que viva… Portugal!
Os meus queridos amigos espanhóis (gracias a Dios ainda são bastantes) que me perdoem mas eu acho que a melhor forma de passar a manhã do 1º de Dezembro é dando um passeio até Valência de Alcântara, nem que seja para podermos contemplar como trabalham e nós desfrutamos, celebrando o feriado que comemora a data em que os pusemos a mexer da santa pátria.
Eu sou um defensor das relações e da amizade transfronteiriça, tenho sempre defendido essa minha posição publicamente, mas de cada vez que os tratam por “nuestros hermanos”, eu questiono-me como é que foi possível viver estes séculos todos, neste cantinho rodeado por água por todos os lados excepto um, sem termos sido engolidos pelo gigante aqui do lado…
Na perspectiva cá do mangas, eu acho que a coisa nunca se deu porque eles, na verdade, não são assim um país unido como nós, são mais uma associação de regiões e de reinos e andaram sempre tão preocupados a pelejar uns contra os outros que se esqueceram aqui da rapaziada. Uma cena assim do estilo do caixa de óculos da turma que consegue fazer toda a escolaridade obrigatória sem levar uma sova dos alunos de desporto porque estes preferem passar a vida a guerrear pela braçadeira de capitão da equipa de futsal do Liceu.
E não é que há dias, relendo um “Expresso” assim em atraso, dou de caras com um artigo do Zé Pedro Castanheira que fez valer logo o dinheiro que desembolsei pela volumosa publicação e confirmou as minhas piores expectativas? Aconselho a leitura detalhada do recorte anexo no final, mas quem quiser passar já para o resumo, fica a ideia: estivemos mesmo quase a ser engolidos. Se o Franco desse nesta, nem os ingleses nos safavam, valha-nos Deus, a Senhora de Fátima e o Eusébio antes dos reclames da Multiópticas, que o homem está muito esclerosado, o pobre…
Ainda bem. Eu cá, gosto de ser português e agora que o Scolari já não é seleccionador nacional, até tenho orgulho nessa minha condição embora nunca tivesse também escondido que de entre os dois orgulhos, prefiro sempre o de ser Alentejano, com”A”grande.
Celebrando essa minha convicção e a paixão pelas corridas, decidi hoje mesmo realizar a “1ª Meia Maratona da Independência”, que partiu do meu quintal e terminou à porta da Praça de Touros de Valência de Alcântara, com um percurso total de 22 quilómetros. Como a ideia nasceu ontem, já estava eu de pijama, acabei por ser o único participante e óbvio vencedor, com 2 horas e 6 minutos que fixaram o recorde da prova. Apesar da fraca adesão registada nesta edição, a organização espera poder contar com mais participantes no ano que vem, nem que sejam os habituais companheiras destas andanças. Já estão previstas diversas novidades como a possibilidade de um duche gratuito numa escola da localidade espanhola e a realização de um almoço-convívio que fechará com uma matiné no afamado bar “Tabarin”, onde termina a Mini-Maratona e a prova “Avós e Netos”, e onde todo o mundo poderá dar vivas a Portugal e ao galo de Barcelos, bebericando um “Portugal Libre” que é uma bebida que eu inventei e não passa de uma variação da “Cuba Libre” mas com Licor Beirão em vez de rum. Foi bom. Não faltes!
Enquanto corria e à falta de botões, fui falando com os meus atacadores e comentando as voltas que a vida e a história dão… Por estes tempos, o nosso outrora pacato IC2 mais parece a A1 em hora de ponta, tal é o corrupio de carros que em fila pirilau se deslocam ao país vizinho em busca de combustíveis fósseis mais em conta. Até me deixei rir feito maluco só de imaginar se o nosso D. João IV fosse vivo, o rebuliço que o homem não arranjaria ali na fronteira, desancando nos automobilistas com o seu bruto espadalhãozão, rebentando com retrovisores e pára-brisas, tentando evitar a todo o custo esta escandalosa saída de divisas de solo lusitano.
Ah, os tempos mudam…
Se os 40 conjurados soubessem a opinião que muitos portugueses têm hoje em relação a Espanha sobretudo quando comparam os níveis de vida… certamente ficariam em casa a ver a Sport Tv em vez de andarem feitos malucos a armar confusão.
Que viva… Portugal!
O homem tinha nível... Sem dúvida! Que olheiras... Tanta noite sem dormir, a malhar neles...PS: O dia 1 de Dezembro é também o Dia Mundial contra a Sida. Eu sei que isto pode não ser nada mas gostava de aqui manifestar o meu respeito e a minha solidariedade por aqueles que sofrem e fazer uma homenagem a todos os que faleceram vítimas desta que é a maior epidemia dos nossos tempos e sem dúvida alguma, a peste negra da nossa geração.
À mesa com a tradição


Foi com enorme satisfação e indisfarçável orgulho que estive presente no lançamento da obra “Marvão, à mesa com a tradição” da autoria das minhas queridas amigas Emília Mena, Adelaide Martins e Teresa Simão que deram assim mais um passo decisivo para a preservação da memória das gentes do nosso concelho.
Durante o último ano, as aventureiras deste “trio maravilha” trabalharam arduamente, correram Marvão de lés-a-lés, abdicaram de muito das suas vidas para conseguirem recolher e plasmar no papel as receitas antigas das cozinhas das nossas avós, evitando assim que se perdessem para sempre.
Aceitando o desafio de Fernando Mão de Ferro da editora Colibri (cada vez mais um gigante na promoção da cultura alentejana), com a coordenação do Prof. Jorge Oliveira e belíssimas imagens de Raul Ladeira e Bica, criaram um clássico instantâneo, um caso de sucesso absoluto ainda antes de sair da prensa. Com uma equipa destas, não havia como falhar!
Para mim, enquanto vereador da cultura, é um privilégio enorme ser conterrâneo e contemporâneo de gente tão boa, tão talentosa e deste calibre. Não tenho dúvida nenhuma que este livro será mais um caso em que o engenho e a arte se revelam maiores que a vida: daqui a cem ou duzentos anos ainda haverá quem o folheie, quem o mencione, quem o elogie, e essa é, na minha modesta opinião, a grande recompensa de todo este esforço.
Ainda bem que a sala estava cheia de amigos e familiares, de muitos que não quiseram faltar à chamada para dar uma força, para agradecer o empenho, para pedir um autógrafo. O powerpoint em que as autoras nos revelaram uma espécie de “making of” do livro, deixou bem claro como é grande e bonita a sua amizade, como é fantástico quando três sensibilidades, três inteligências, três mulheres de garra se unem pela paixão pela sua terra e juntas constroem algo que é muito maior que a soma das partes.
Muitos e muitos parabéns. Vocês merecem tanto, mesmo!
Minhas queridas: bem hajam e que venha o próximo!
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